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Dia de celebrar Cultura & Música no rádio cearense

Programa completa 6 anos no ar pela Universitária FM numa parceria com o Centro Cultural Banco do Nordeste…

A e Nelson ao mic

Jornalistas Nelson Augusto e Aurora Miranda Leão na locução…

São 6 anos no ar. Sempre nas tardes de segunda. E por isso, esta tarde, o programa Cultura & Música será especial.

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Atriz e produtora Denise Dumont numa das entrevistas do C & M…

Tudo começou precisamente no dia 7 de agosto de 2007, às 16h, no estúdio principal da rádio Universitária FM, emissora pertencente à Universidade Federal do Ceará, com 30 anos de atuação, e há muitos anos considerada uma referência importante no dial cearense por apostar na música brasileira de todas as épocas, e veicular, sobretudo, o que não se costuma ouvir nas rádios comerciais.

Antonieta e nós

Calé Alencar, a atriz Antonieta Noronha, Aurora e Nelson Augusto

É na Universitária FM – hoje dirigida pelo jornalista Nonato Lima (notável profissional do Rádio) – que o ouvinte pode ouvir o melhor da música brasileira, com ênfase para os artistas que não são ligados à indústria fonográfica, conhecer pessoas com ideias interessantes e construtivas sobre vários temas, refletir sobre ideias em diversas áreas, acompanhar entrevistas que a grande mídia não destaca, desfrutar do prazer de ouvir relíquias como Pixinguinha, Lupicinio Rodrigues, Adoniran Barbosa, Vinícius de Moraes, a Bossa Nova, Paulinho Boca de Cantor, Luiz Gonzaga, Lauro Maia, Humberto Teixeira, João Bosco, Luiz Melodia, Xangai, The Beatles, e tantos outros.

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Nelson Augusto e Aurora Miranda Leão conversam com Bené Fonteles…

Nesse viés, brotou a ideia do programa Cultura & Música, produzido pelo cantor e músico Calé Alencar com apresentação dos jornalistas e radialistas Aurora Miranda Leão e Nelson Augusto.

A Calé e Nels

Nelson Augusto, Calé Alencar e Aurora Miranda Leão: o trio Cultura & Música

Veiculado às segundas-feiras, das 16 às 17 horas, pela Universitária FM, o programa Cultura & Música comemora 6 anos de atividades HOJE, 5 de agosto. Por isso, hoje, vamos entrevistar o gerente do Centro Cultural Banco do Nordeste Fortaleza, Ricardo Pinto, que vai falar sobre a bem sucedida política de apoio à cultura implementada pelo Banco do Nordeste, e a mudança de endereço do Centro Cultural Banco do Nordeste Fortaleza para o atual Centro de Referência do Professor (antigo Mercado Central), resultado de parceria entre o Banco do Nordeste e a Prefeitura de Fortaleza.

A Nels e Ricardo

Nelson Augusto, Aurora M. Leão e Ricardo Pinto numa das audições C & M

Macalé (2)

Nelson Augusto, Aurora Miranda Leão e Jards Macalé no estúdio da FM Universitária…

CULTURA & MÚSICA

O programa Cultura & Música (C & M), que estreou no rádio cearense a 7 de agosto de 2007, na Universitária FM, tem patrocínio do Centro Cultural Banco do Nordeste, e também pode ser acompanhado por este blog, pelo site da Universitária FM e pelo site NELSONS.

Anicetos 6

Aurora Miranda Leão registrando em vídeo a presença dos Irmãos Aniceto no programa Cultura & Música…

Tendo por objetivo divulgar a agenda de Arte & Cultura dos centros culturais instalados pelo Banco do Nordeste em Fortaleza, Juazeiro do Norte e Sousa (alto sertão paraibano), o programa também divulga atividades de outros equipamentos culturais, além de abrir espaço para entrevistas e divulgação da produção musical, priorizando a cena artística nordestina e suas conexões com a música, o teatro, o cinema, a dança, a cultura popular, e demais atividades onde cultura e arte sejam a força motriz.

C&M 13.8.07 Haroldo Serra 007

O ator e diretor de Teatro, Haroldo Serra, foi o segundo entrevistado do Cultura & Música

Organizado em módulos, o Cultura & Música conta com os quadros Agenda do Centro Cultural Banco do Nordeste, Arte em Conversa, A Hora do Rei do Baião, Pelas Ruas que Andei, O Assunto é Cinema, Chão Sagrado, Conexão Nordeste, Espelho Cristalino, Como é Bom Poder Tocar um Instrumento, e Música para Ler – cada um deles abordando com criatividade uma faceta da cultura brasileira -, além de mostrar, ao final de cada audição, uma versão especial da canção Asa Branca, composição dos imortais parceiros nordestinos Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira – clássico da música, tido popularmente como Hino da Região Nordeste.

Evaldo e nós

Em dia de entrevista com o festejado compositor Evaldo Gouveia…

A cada nova audição do Cultura & Música são sorteados com os ouvintes, através de ligação para o estúdio, produtos culturais (Livros, CDs e DVDs) viabilizados com apoio cultural do Banco do Nordeste, resultando numa maior interação com os ouvintes. Nestes 6 anos, foram 3 sorteados a cada audição e muitos contatos com o programa através do telefone e também da internet, já tendo sido registrados ouvintes em países como Argentina, Uruguai, Itália, Finlândia e até em San Petersburg, na Rússia.

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Roqueiros cearenses tem espaço garantido no Cultura & Música

No programa que vai ao ar hoje, o músico e diretor do CCBN, Ricardo Pinto, falará também sobre os outras unidades do Centro Cultural Banco do Nordeste, em processo de implantação nas cidades de Teresina (PI) e Vitória da Conquista (BA); sobre o Programa de Cultura Banco do Nordeste em parceria com o BNDES, e ainda sobre os editais de ocupação dos Centros Culturais mantidos pelo Banco do Nordeste.

Henilton no ar

Henilton Menezes (MinC), Nelson Augusto e Aurora Miranda Leão

Contando com apoio do acervo da Casa da Memória Equatorial, o programa Cultura & Música é produzido pelo cantor, compositor e produtor musical Calé Alencar, sendo um dos mais bem sucedidos na programação da Universitária FM, e recebe todo apoio da direção da rádio e de sua valorosa equipe profissional.

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Nelson Augusto e Aurora M. Leão entrevistam o fotógrafo e cineasta Tibico Brasil, à época titular do Centro Cultural Banco do Nordeste…

equipe

A equipe completa do Cultura & Música

Diversidade sexual na tela: INTERIORES começa dia 25

Cena do curta-metragem paraibano 30 Segundos …

Trinta segundos. Este é o tempo que se leva para ter a uma impressão sobre alguém. Mas quanto tempo se leva para esquecer a última impressão sobre alguém ?  
Esta é a pergunta que motivou o diretor Wagner Pina a criar 30 Segundos, seu novo curta-metragem, que terá avant premiére na noite de abertura da segunda edição da INTERIORES: Mostra de Cinema da Diversidade Sexual. A mostra, que vai acontecer em Rio Preto (SP), começa no p´roximo dia 25 de julho, às 20h30, na unidade do Sesc Rio Preto.
 
30 Segundos fala sobre amor, amizade, felicidade e esperança. Com uma estética inspirada no diretor espanhol Pedro Almodóvar e no fotógrafo Lachapelle, o curta é forte e vibrante, lançando ao público um questionamento que a Bossa Nova já colocava no final dos anos de 1950: É possível ser feliz sozinho? 
 
No elenco do curta, produzido em Campina Grande, os atores Lívio Lopes, Oscar Borges e Ivson Rainero.
 
O diretor Wagner Pina também participará, dia 28 de julho, às 17h30, do bate-papo Possibilidades e pluralidades na ficção e na realidade.
 
Confira o teaser de 30 Segundos, disponível no Youtube.

Lucy Barreto receberá homenagem do Cine Ceará

Além do ator Marco Nanini, produtora também estará em Fortaleza

Musicista de formação, Lucy Barreto passou a se dedicar inteiramente ao cinema nos anos 70, exercendo diferentes funções na produção, até se fixar como produtora executiva e, posteriormente, como produtora na empresa Produções Cinematográficas LC Barreto. Participa de todos os aspectos de uma produção, desde o desenvolvimento de um roteiro até a pós-produção e o lançamento.

Lucy Barreto produziu, entre outros, o filme Bye Bye Brasil

Desde seu primeiro trabalho como assistente de cenografia, no filme Os herdeiros (1968), de Cacá Diegues, Lucy Barreto já produziu mais de 50 filmes, entre eles: “Bye bye Brazil” (1980), de Carlos Diegues; “Guerra conjugal” (1975), de Joaquim Pedro de Andrade; “Índia, a Filha do Sol” (1984) e “O quatrilho” (1995), de Fábio Barreto; “Dona Flor e seus dos maridos” (1978), “Amor bandido” (1981), “O que é isso companheiro?” (1996), “Bossa nova” (2000), de Bruno Barreto; “O caminho das nuvens” (2003), de Vicente Amorim; “Grupo Corpo, 30 anos – uma família brasileira” (2006), “Sonhos e desejos” (2007). “O quatrilho” e “O que é isso companheiro?” foram indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, respectivamente, em 1996 e 1998.

Com o marido Luiz Carlos Barreto: parceria de sucesso…

Ao longo da sua trajetória, a empresa LC Barreto produziu mais de 80 filmes de curta e longa-metragem. Muitos deles são atualmente considerados parte do patrimônio artístico e cultural do Brasil e, sem dúvida, também da América Latina, desempenhando nos últimos 50 anos um papel de liderança na indústria cinematográfica brasileira.

Glória Pires com Lucy: atriz estará em novo trabalho com os Barreto…

Além de seu trabalho como produtora, Lucy Barreto é responsável por toda a política externa que a empresa exerce desde os anos 70. Desenvolveu e segue com sucesso negociações com distribuidores internacionais para a comercialização do catálogo de títulos da empresa, assim como a produção de novos projetos. Ultimamente, Lucy vem-se dedicando aos documentários e filmes institucionais. Seu mais recente trabalho, no qual atuou como diretora, foi O Grupo Corpo – uma família brasileira, documentário sobre o famoso grupo de dança brasileiro. Neste momento, está produzindo o filme Flores raras, de Bruno Barreto, com Glória Pires interpretando Lota de Macedo Soares.

Show de João Gilberto, ao vivo, para Juazeiro

O show que vai encerrar a turnê de JOÃO GILBERTO – 80 Anos – Uma Vida Bossa Nova -, em Salvador, será transmitido ao vivo para a cidade natal do artista, Juazeiro, na Bahia. A pedido do próprio João, a principal praça de Juazeiro receberá um telão gigante para a noite especial.

 

A praça da Imaculada Conceição, em Juazeiro, terra natal do grande músico da Bossa Nova, o violonista fenomenal, JOÃO GILBERTO

A população poderá acompanhar em tempo real o show, marcado para 9 de dezembro, no Teatro Castro Alves. “Com certeza encerraremos essa turnê inédita em grande estilo”, comenta Barretto Junior, da OCP Comunicação, uma das realizadoras da turnê, que passará por cinco capitais.

 

A turnê inédita de João Gilberto terá inicio em Sampa, em 5 de novembro – Dia da Cultura – e passará pelas cidades do Rio, Brasília, Porto Alegre e Salvador. A realização é da OCP Comunicação e Mauricio Pessoa Produções.

Mais um JOBIM para perpetuar IPANEMA de Vininha

Neto do maestro soberano, Daniel Jobim vai gravar suas mãos na Calçada da Fama de Ipanema

 

Num ato solene e público programado para 19 horas do domingo, 25 de setembro, na porta da Livraria Toca do Vinicius, em Ipanema,  o músico Daniel Jobim vai “perenizar” suas mãos numa placa de cimento fresco, a número 100, integrante da famosa CALÇADA DA FAMA DE IPANEMA, monumento à cultura carioca em construção no elegante bairro da “famosa Garota”, desde 1969.
 

 

Na mesma ocasião, o projeto Bossa-Nova-Ipanema-Rio, seu Museuzinho e a Livraria Toca do Vinicius festejam seu 18º aniversário de fundação (27 de setembro de 1993). O conjunto de placas que compõe o Monumento de Mãos CALÇADA DA FAMA de Ipanema faz parte do acervo do Museuzinho Bossa-Nova-Ipanema-Rio.

TOM & VINÍCIUS de MORAES: eles criaram a BOSSA NOVA e fizeram dela a mais relevante manifestação mundial da Música Brasileira… SARAVÁ !!!

Reunindo mãos impressas de nomes como Pixinguinha, Oscar Niemeyer, Paulo Gracindo, Chico Buarque, Bellini, Elis Regina, Lula, Chacrinha, Vinícius de Moraes, Ruy Castro, Leila Diniz,  Grande Otelo, Tônia Carreiro, Helô Pinheiro, Martha Rocha, Roberto Menescal, Milton Nascimento, Wagner Tiso, Aldir Blanc, Johnny Alf, Braguinha, Maria Bethânia, Toots Thielemans, Henri Salvador, Ferreira Gullar, Toquinho, Marlene e Emilinha, entre tantas outras personalidades saídas do Teatro,  Cinema, Esporte, Poder Público e da Música, a Calçada da Fama de Ipanema. não por acaso, lembrará, em sua centésima placa, do mais célebre nome de morador do Bairro (já que o Poeta Maior da Bossa Nova, Vinícius de Moraes, nunca morou no bairro), o músico e compositor, Tom Jobim. E nenhuma carícia à sua memória lhe seria mais cara do que o reconhecimento ao jovem talento de seu neto, o músico Daniel Jobim, que gravará suas mãos na Placa nº 100.

VINÍCIUS e PIXINGUINHA: dois ases da MÚSICA eternizam FAMA da Calçada…

Durante o ato de gravação da centésima placa de cimento da Calçada da Fama, o músico Daniel Jobim será homenageado pela tradição musical de Ipanema. Para tanto, estão sendo convidados a participar a Banda de Ipanema e o Quarteto de Samba Jazz No Olho da Rua. O artista plástico César Villela, designer das famosas e charmosas capas de LPs do Selo Elenco, e considerado o principal projetista visual da Bossa Nova, vai autografar 100 camisas exclusivas impressas com a marca da Placa 100, numeradas e disponibilizadas para venda durante o evento.  

DANIEL JOBIM: o número 100 na famosa calçada de IPANEMA…

Segundo o professor Carlos Alberto Afonso, responsável pelo Projeto, “o convite à Daniel Jobim para gravar suas mãos na Placa Nº 100 simboliza a felicidade do Bairro de Ipanema, em particular, e da música, em geral, face à materialização da garantia de perpetuação da Grande Música e do Grande Músico Brasileiro, Tom Jobim, que permanece vivo na nova geração.” 

Banda de IPANEMA sempre inspira uma vibe alegre e emotiva…

Serviço:

Homenagem a Daniel Jobim com a gravação da Placa de nº 100 e aniversário de 18 anos da Toca do Vinícius, do Projeto Bossa-Nova-Ipanema-Rio e de seu Museuzinho.

Dia 25/09, às 19h.

 

LEILA DINIZ, eterna Musa da Banda, lembrança viva na memória de quantos amam IPANEMA…

A Banda de Ipanema vai abrir e encerrar o evento tocando Cidade Maravilhosa, hino da cidade do Rio de Janeiro.

Quarteto No Olho da Rua faz intervenção tocando três músicas em homenagem a Daniel Jobim.

Endereço: Calçada da Toca ( Rua Vinicius de Moraes, 129 C ), grátis.

Telefone para outras informações: (21) 2247-5227.

 

IPANEMA, o bairro mais carismático do RIO, graças à preciosidade da criação musical de TOM JOBIM & VINÍCIUS DE MORAES… foto Aurora Miranda Leão

80 BOSSA NOVA de JOÃO GILBERTO

João Gilberto volta aos palcos e grava primeiro DVD

Projeto 80 Anos. Uma Vida Bossa Nova contará com turnê pelo Brasil

Em comemoração aos 80 anos do cantor, violonista e compositor João Gilberto, as empresas OCP Comunicação e Maurício Pessoa Produções anunciam uma turnê exclusiva do artista. As datas ainda estão em negociação, mas as apresentações já estão confirmadas para iniciar em 29 de agosto e terminar em 30 de novembro. O projeto 80 anos. Uma vida bossa nova contará ainda com a gravação de até dois DVDs, fato inédito na carreira de João.

 

Segundo Maurício Pessoa, da produtora que leva o seu nome, o projeto ganhou força após João Gilberto sinalizar sua vontade em voltar aos palcos. Com isso, Pessoa procurou Antônio Barretto Junior, da OCP Comunicação, e juntos elaboraram um projeto totalmente alinhado com o artista. O contrato só foi assinado após ajustes pessoais do cantor, para que seu retorno seja exatamente como sempre imaginou. Toda a negociação foi intermediada por Claudia Faissol e Aloisio Salazar, advogado e representante do artista, já que até os pequenos detalhes contaram com a efetiva participação do cantor. “Neste projeto, João Gilberto realizará shows idealizados por ele mesmo. Nossa grande preocupação era deixá-lo à vontade com tudo antes de fecharmos o contrato”, acrescenta Barretto. 

A turnê terá de cinco a oito shows, de acordo com definição do artista. Por enquanto, as cidades contempladas são Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Brasília. O repertório deve contar com clássicos imortalizados na voz de João Gilberto e canções inéditas a serem definidas por ele. O projeto poderá ainda ter participações especiais de cantores nacionais e internacionais, especialmente convidados pelo violonista-mór da Bossa Nova. 

JOÃO GILBERTO: Violonista chega aos 80 em plena forma, despertando atenção e interesse dos mais diferentes públicos…

As informações sobre venda de ingressos, locais, capacidade de público, parceiros oficiais, ficha técnica e possíveis participações serão divulgadas posteriormente. E para as cotas de patrocínio, além de grande exposição da marca envolvida, os interessados ainda terão direito à criação de peças publicitárias com a utilização da imagem do cantor durante o período determinado. 

 DVD

O conteúdo dos shows poderá gerar até dois DVDs, de acordo com contrato firmado entre as empresas e o cantor. O primeiro trará imagens dos shows da turnê e o segundo, que dependerá de futuras negociações com o artista, possivelmente mostrará uma mistura de momentos nos palcos, bastidores, gravações em estúdio e participações especiais.

Bressane: “Precisei inventar uma maneira de se fazer filmes sem dinheiro”

‘Não me enterrem vivo’

Cineasta Julio Bressane reclama de boicote ao seu trabalho por parte das esquerdas e da imprensa

* Arnaldo Bloch para o jornal O Globo

 Julio Bressane em Lisboa, na Avenida da Liberdade - Foto Enric Vives-Rubio

Em Lisboa para mais uma retrospectiva europeia de sua obra, o cineasta Julio Bressane diz que no Brasil é ignorado pelos editais de financiamento de filmes, as esquerdas e a imprensa o boicotam há 40 anos e a opinião pública de hoje é herdeira do fascismo. 

Como é ser um dito cineasta marginal no século XXI?

JULIO BRESSANE: Hoje a expressão marginal goza até de certo prestígio. Mas foi uma invenção espúria no âmbito de um certo esquerdismo que não perdoava qualquer espírito de vanguarda que não rezasse pela cartilha, como o meu. Não era um bloco monolítico. Afinal, Cinema Novo, em termos de filmes, não queria dizer nada. É sempre assim: no fim, colocam um rótulo para facilitar a inserção no mercado.

Como a bossa nova…

Ou como a Nouvelle Vague. Truffaut, quando indagado sobre o movimento, disse que eram uns contra os outros. Mas o fato é que a coisa do “marginal”, para esse grupo, significava a abjeção suprema, o antissocial. E essas pessoas criaram a Embrafilme, tomaram conta das fontes de financiamento e continuam no poder até hoje. Assim o guichê da Embrafilme ficou vedado a uma meia dúzia de desajustados, entre os quais gente como eu e o Sganzerla. Por isso precisei inventar uma maneira de se fazer filmes sem dinheiro, para sobreviver.

Mas como seus filmes são financiados?

Em geral, como qualquer filme: através do dinheiro público. Mas com orçamentos pífios, que variam de R$ 200 mil a R$ 500 mil. Porém, um dos meus projetos recentes no qual eu mais apostava, “O beduíno”, vem sendo barrado há dois anos. Nos três editais de que participei, solicitando R$ 600 mil para produzir todo o filme, as comissões julgadoras concederam seu aval para 65 longas-metragens e eu fiquei de fora!

O que aconteceu?

Além das razões que citei antes, há esta mentalidade de que “filme de público” ou “filme de mercado” têm preferência. Ora, isso não existe. Com raras exceções, não há filme que dê lucro. A cada 50 filmes americanos, um se paga. Se considerar o custo do filme, o público não paga nem a cópia. O dinheiro vem única e exclusivamente das fontes, privadas ou oficiais, de financiamento. São elas que pagam as equipes, os diretores, os atores. Os filmes brasileiros, então… Com exceção de um ou dois, é tudo deficitário.

Dos seus filmes, qual deu mais público até hoje?

Nenhum deu “mais público”, já que nenhum deu público algum… Mas mesmo que nem eu vá, eles nunca dão prejuízo em comparação com esses colossos de custos astronômicos. Filmes que custam R$ 200 mil já estão no lucro só de irem à tela. O mais recente, “A erva do rato”, ficou nove semanas em cartaz numa sala. Há grandes produções que ficam o mesmo tempo e produzem grandes rombos. Outra limitação é a imprensa. Venho sendo vítima de um trabalho prolongado de censura a mim e a meus filmes. Quando fiz “Cleópatra”, a maneira com que o filme foi tratado foi de uma brutalidade e vulgaridade sem par. É uma mentalidade genocidária. O que não quero é que me enterrem vivo, isso é que não pode. Essas coisas representam uma espécie de veto à sua vida. Feito por gente com sensibilidade de barata. Esquecem que há gente sensível. Às vezes o que para uma pessoa é uma coisa natural pode levar outra à morte. Conheço em cinema pelo menos três casos.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2011/05/06/julio-bressane-reclama-de-boicote-ao-seu-trabalho-por-parte-das-esquerdas-da-imprensa-924399511.asp#ixzz1Ljsd7CGr

 

* N.R.: Cineasta de minha maior admiração, cuja obra O Mandarim, de 1995, foi tema de meu trabalho de conclusão da Pós-Graduação na UFC – Especialização em Audiovisual em Meios Eletrônicos -, JÚLIO BRESSANE é de nossos cineastas o mais erudito e um dos homens mais doces com quem já tive a oportunidade de conversar.

Fico profundamente triste e solidária ao desabafo de BRESSANE e, por isso, não posso deixar de expressar minha mais intensa sintonia com o pensamento e a obra magnânima deste Cineasta – a quem o mundo reverencia constantemente, seja através de mostras retrospectivas, palestras, debates e festivais de cinema, vide a homenagem que ora recebe em Portugal; a que recebeu no início do ano no Uruguai; e as homenagens anuais na Itália -, bem como minha completa repulsa a esta sensação de indiferença e desapreço que hoje se apossa de Julio, inexplicável por tudo quanto já doou à Cultura Brasileira e ao acervo emocional de tantas pessoas que, como eu, aprenderam a  admirá-lo por sua obra importante, singular, e necessária, e descobriram no cineasta um homem sábio, profundo conhecedor da cultura de seu país, sensível, de uma delicadeza que se expressa até na sua maneira pausada de falar e na sua voz sempre baixinha, e, sobretudo, um homem de Cultura e da Cultura, um erudito na verdadeira acepção da palavra.

Nosso APLAUSO mais carinhoso e solidário a JÚLIO BRESSANE e nossa profunda Admiração pelo seu Cinema e sua obra magistral.

A propósito do Resta Um…

Porque o RESTO é sempre MAIOR que o Principal 

Estávamos todos contagiados. O mesmo sentimento de euforia e entusiasmo contagiou a mim, Ingra Liberato, Rosamaria Murtinho, Miguel Jorge, Rogério Santana e Alex Moletta naquela agradável noite goiana, ancoradouro privilegiado para nossa emoção, transformando em vibração entusiástica os pilares e preceitos nos quais se ergueu a Belair. A calorosa sensação de ter encontrado alguma coisa que parecíamos buscar há tempos, invadiu o espírito de todos, e nossa vontade era sair abraçando cada um, como dizia a inspirada letra de Chico : “Era uma canção, um só cordão, uma vontade, de tomar a mão de cada irmão pela cidade”… Sim, era como se, a partir das contundentes e belas imagens garimpadas por Bruno Safadi e Noa Bressane, tudo começasse a criar sua própria lógica e os sentidos eregiam conexões absolutamente inovadoras, criando sensorialidade onde antes havia interrogação e tédio. Uma incisiva sintonia aflorou e o rosto de cada um estampava fulgores até então impensáveis.

Capital goiana foi a concha envolvente que abrigou o RESTA UM

Assim, foi-se desenhando com mais clareza a idéia inicial de fazer um registro imagético do inesperado encontro em Goiânia, cidade aprazível demais para deixarmos perder-se nos desvãos do andamento voraz do cotidiano, próprio da modernidade líquida onde estamos imersos(tão bem definida pelo sábio sociólogo Zigmunt Balman).

Miguel Jorge, Ingra l.iberato, Alex Moletta, Aurora, Rogério Santana, Rosamaria Murtinho e Débora Torres: cada um, a seu modo, contribuindo pro RESTA UM

Qual deveria ser o próximo passo então ? Como alinhavar os elos das intersecções que fomos amealhando ao longo daqueles dias, arejados de imagens e plenos do oxigênio das afinidades que se impõem pela naturalidade de ideais siameses ? Como traduzir pelo gesto da palavra e a alquimia do olhar análogo aquela luminosidade que nos arrebatava e intrometia-se em nossas conversas, todas as horas, noite adentro ? Como significar a eloqüência do instantâneo entrosamento em Goiânia e o contato absolutamente conversor expresso no encontro com a Belair ? A Belair de Júlio Bressane, Rogério Sganzerla e Helena Ignêz…

Cineasta Júlio Bressane, inspirador do clima nas gravações do Resta Um

As idéias então foram tomando assento: no restaurante do hotel, na van que nos conduzia ao cinema, nas cadeiras da sala de exibição, nas trocas de assunto a palpitar quando, a maioria de nós, assumia a função de jurados.

Então Samuel Reginatto, imagem da alegria numa única noite de cinema e festa, se juntou a Júlio Léllis, cineasta amante da Literatura e da sensatez; e se somou à disponibilidade integral de Ingra Liberato, ganhando a benfazeja cumplicidade de Rosamaria Murtinho; e conquistou Miguel Jorge, sábio escritor que de imediato aderiu à nossa idéia de fazermos um filme; e chegou até a Alex Moletta, ator e roteirista a nos encher de ânimo e verdade; e encontrou guarita em Débora Torres, chegando até Rogério Santana, e extrapolando fronteiras para ganhar Sílvio Tendler, Henrique Dantas e o próprio Bruno Safadi. 

Assim, em apenas cinco dias de absoluta imersão no universo da Sétima Arte, do qual Goiânia é âncora todos os novembros, foi gestado o Resta Um, curta-metragem agora ofertado para o olhar, a mente e o coração de quem estiver na platéia ou com este texto em mãos.

Resta Um é um curta digital, colorido, tem 19’25”, roteiro e direção de Aurora Miranda Leão. Ingra Liberato é a presença mais constante, embora não possamos dizê-la “personagem principal” ou protagonista. Isso não existe nos filmes Belair. Lá como cá, os atores não representam mas valem pelo que representam, como nos diz Antônio Medina Rodrigues, e aí a cabeça do espectador tem todo o controle e pode optar por entender o que quiser. O que pra uns pode estar explícito, para outros pode ser apenas um jogo do roteiro ou uma insinuação da direção.  

A imagem icástica de Ingra Liberato a ilustrar o cartaz, bem como o material de divulgação do filme, mostra o indicador da atriz apontando… como a indicar que Resta Um

O que resta encontrar então neste novo filme que Aurora Miranda Leão ora nos oferece ? 

O que resta pode ser você, espectador, que não participou das filmagens e não conviveu com o grupo formado em Goiânia. Resta você que entende a intenção da obra ou resta você que vai sair do cinema perguntando sobre o que é mesmo que viu e qual o sentido deste filme. 

Resta Um filme a ser feito, um fotograma a ser exibido. 

Resta Um desejo de falar da vida e contar da alegria através do cinema. Resta Um desejo de contagiar e fazer coro ao convite de Sílvio Tendler para tentar fazer mais gente entrar nesta canoa. 

Resta Um ator que não estava nas filmagens, um vinho que não foi tomado, e um beijo que não foi roubado. Resta você que se pergunta sobre o sentido deste filme, resta você que poderia ter dado um depoimento. Resta Um espectador que chegou atrasado e um diretor que não foi convidado.

Resta Um convite que não foi aceito e um amor que não se realizou. Resta Um filme que não foi feito e um roteiro inacabado, um caminho a ser seguido e um piano esquecido no canto da sala. 

Resta Um punhado de bons filmes a ver e belas músicas pra ouvir.

Resta Um violão que emudeceu e um canto de passarinhos que não se reproduziu.   

Resta Um carinho esquecido, um afago a ser lembrado e um afeto nunca recebido.

Resta Um filme a ser visto, um aplauso a ser ouvido e um som a ser imitado.

Resta Um enquadramento por fazer, um som e uma luz em sintonia.

Resta Um coração a ser tocado, um amor a ser encontrado.

Resta Um barco no oceano e um barco-olho rumo ao infinito.

Resta Um motivo a mais para se cultivar a ética, um passo a mais a ser dado, um gesto a menos a ser esquecido.

Resta Um belo quadro na parede, flores viçosas na varanda e um roteiro a ser escrito.

Resta Um canto triste a embalar a solidão e um tango sempre disposto a tocar.

Resta Um coro de pássaros a anunciar uma manhã na qual os jornais só estampem boas notícias e um amor de pai e mãe que nem a dor da ingratidão abafou.

Resta Um gol argentino a ser aplaudido, um drible de Messi a ser imitado e uma canção de Lupicínio ecoando na sala. 

Resta Um desvario a ser socorrido, um cotidiano de sonhos a percorrer o imaginário e um arrojo de Kubrick a ser lembrado. 

Resta Um quadro de Picasso a querer ver, um Renoir ainda intacto, um Rembrandt pra quem desconhece as nuances da cor e um bolero de Ravel acordando as madrugadas douradas. 

Resta Um caminho novo a buscar, uma ousadia nova a perseguir e um lixo amontoado na calçada que Vik Muniz precisa transformar. 

Resta Um samba em homenagem à nata da malandragem, um swingue de Gil e Mautner, um ator com a competência de Mauro Mendonça, um desejo de ouvir a contagiante gargalhada de Zéu Brito e mais algumas pérolas de Wisnik.

Resta Um canto feliz de andorinha a sonorizar a espera tão acalentada, e um movimento de Tchaikovsky tocando pra quem não tem medo da música clássica. 

Resta Um texto de Rubens Ewald Filho pra ler, um poema de Jorge Salomão que não nos sai da cabeça, um personagem para Fernando Eiras interpretar e um ator da grandeza de Emiliano pra gente ensinar aos que ainda vão chegar.

Resta Um brilho no olhar da criança esquecida nas madrugadas soturnas das grandes cidades, e um brilho de esperança no gesto de quem vivencia a solidariedade. 

Imagem de Aos Pés, premiado curta do cineasta gáucho Zeca Brito…

Resta Um take a mais de Zeca Ferreira, mais um documentário que Gui Castor está a concluir, uma nova inquietude imagética de André da Costa Pinto, e um novo mergulho nas invenções fílmicas de Zeca Brito.

Resta Um outro Benjamim de Gardenberg para Paulo José, um outro Suassuna para Nachtergaele, um texto com a concisão de Carlos Alberto Mattos, um novo documentário com a assinatura de João Moreira Salles e o precioso olhar de Coutinho.

Resta Um livro a ser lido e um grande autor a ser celebrado. 

Resta Um disco bonito na vitrola, um guardanapo com um poema que a noite revelou, um lenço para amparar lágrimas de amor. 

Resta um quadrilátero de paixão nas esquinas nas quais ela em vão aguardou um adeus. Resta Um um sinal de que a vida é o bem maior. 

Resta Um poeta que a noite teima em querer despertar e um silêncio revelador que o ouvido atento antevê. 

Resta Um desassossego da alma em desalinho pela paixão que arrebata e se intromete nas horas mais improváveis.

 

Resta Um violão dedilhando Bossa Nova e um bar em Ipanema rememorando Vininha.

Resta Um choro de flauta aguardando Pixinguinha e um verso ousado de Clarice, Coralina ou Adélia Prado.

Resta Um solo de Toquinho, uma marchinha do Lalá, um twiiter de Carpinejar e um olhar acurado de Caetano que a manhã precisa revelar. 

Resta Um minuto para que possamos afirmar a palavra necessária e um espanto ante à embriaguez do luar. 

Resta Um comovido apelo à Paz e uma busca incessante pela alquimia dos grandes amores. 

Resta Um olhar sempre atento à obra de Truffaut e à dramaturgia de Fassbinder, um interesse crescente pelo bandoneon de Piazzolla e um espanto ante à indiferença da sociedade do descartável. 

Resta Um motivo sempre novo para ver Fernanda representar e reler a grandeza necessária de Ibsen. 

Resta Um atrevido gosto pelos filmes incompreensíveis e um incontido apego aos lugares onde a emoção fez amigos e plantou saudades. 

Resta Um cantinho, um violão, um microfone para celebrar Mário Reis e um anseio de ouvir cantar como Francisco Alves. 

Resta Um filme de Bressane a ser visto e estudado e um olhar acurado sobre a cinematografia inspiradora da Belair. 

Resta Um dilacerante silêncio ante a brutalidade do desaparecimento de John Lennon e um inexplicável mal-estar ante as ingerências nefastas da política no cotidiano. 

Resta Um infinito e revolucionário desejo de se perpetuar nos fotogramas que hoje são pixels nas alquimias da edição digital, tão rápida e eficiente que nos faz brincar com as horas e achar graça da facilidade de criar temporalidades diversas, fazer andar pra frente e retroceder nos ponteiros de nossa imersão cotidiana. 

Resta Um constante e permanente desejo de continuar abraçando o cinema brasileiro e um desejo intermitente de ouvir o som paralâmico da guitarra de Herbert Vianna

Resta Um olhar para A Última Palavra, aquela que nos tirará do dilema profundo que parece nos atar ao nada existencial. 

Resta Um indormido desejo de expressar-se e traduzir em imagens o que vai n’alma e no pensamento. 

Resta Um permanecente intuito de reaprender a amar pra não morrer de amar mais do que pude. 

Resta, sobretudo, essa vontade enorme de acertar e prosseguir fazendo cinema e apostando em coisas nas quais acreditamos, sejam elas concludentes ou não. 

Resta ademais um desejo de falar de vida, o aconchego do abraço amigo nas noites eternas, e a ânsia de chegar a um tempo onde a ingratidão morra de sede, a indiferença naufrague de tédio, a injustiça definhe por inanição e a estupidez se envergonhe de existir… 

Porque, enfim, Resta Um desejo de amar e ser amado

Amar sem mentir nem sofrer

Desejo de amar sem mais adeus…

Até, quem sabe,

Resta Um desejo de morrer de amar mais do que pude. 

Enfim, Resta Um anseio de que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado. 

* O título deste artigo e as palavras finais nos foram inspirados por textos do cronista Artur da Távola, bem como as citações óbvias aos versos do saudoso poeta Vinícius de Moraes

Mais da BOSSA NOVA na Tela


Em fase de finalização, longa com o baterista Argus Montenegro, veterano da Bossa Nova – considerado pela crítica,  músicos e público especializado um dos mais virtuosos bateristas do mundo 

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A trajetória profissional, as experiências de vida e visões sobre a música de um dos bateristas mais talentosos do Brasil e do mundo estão documentadas no longa-metragem Argus Montenegro & a instabilidade do tempo forte

Dirigido por Pedro Lucas e produzido por Aletéia Selonk, numa realização da Artéria Filmes e Okna Produções, o documentário está em fase de finalização e tem lançamento previsto para o primeiro semestre de 2011. O projeto é patrocinado pela NET e Intral, através da Lei de Incentivo à Cultura do Estado do Rio Grande do Sul (LIC/RS) e recebeu recursos do Fundo Municipal de Apoio à Produção Artística e Cultural de Porto Alegre (Fumproarte). 

O filme acompanha o convalescimento desse artista, que não aceitou as transformações do mercado musical nas últimas décadas e se recusou a deixar de tocar por falta de espaço para o estilo de música que praticava: Bossa Nova, Jazz e Música Centro-Americana. Em uma pequena casa, no bairro Glória, em Porto Alegre, Argus Montenegro se recuperava de um acidente que o afastou das apresentações em público havia cinco anos. Possuidor de um talento natural para contar histórias, ele narra a sua trajetória e a da música no Brasil dos últimos cinqüenta anos, apresenta suas composições e demonstra porque a música brasileira possui soberania inquebrantável.

 

No início dos anos 60, Argus Montenegro participou das noites musicais no Beco das Garrafas, tocando com grandes nomes da música brasileira e do jazz mundial, tais como Sérgio Mendes, Tom Jobim, Carlos Lira e Antônio Solero. Como músico de orquestra, conheceu os ritmos afro-caribenhos da América Central e, tocando para estrangeiros, descobriu a singularidade da música brasileira. Embora tenha vivido no ostracismo em sua própria cidade natal, Porto Alegre, Argus gozou de reconhecimento internacional, principalmente nos Estados Unidos, onde foi convidado a morar, tocar e ensinar música.

 

O documentário resgata a importância de Argus Montenegro e oferece ao grande público o melhor da música brasileira, a partir da sabedoria de quem já tocou com grandes músicos e participou de eventos internacionais como o FREE JAZZ FESTIVAL. É também a oportunidade de reafirmar as raízes do instrumento bateria, suas possibilidades rítmicas, sua poética e sua contribuição à cultura musical brasileira e internacional.

QUEM SÃO 

DIRETOR
Pedro Isaías Lucas Ferreira: Bacharel em Direção de atores pelo Departamento de Arte Dramática do Instituto de Artes da UFRGS. Atuou nos seguintes filmes: roteiro e codireção do curta-metragem A Sétima Arte (1999, 16mm, ficção: exibido na mostra paralela do Festival de Gramado 2000); Roteiro e direção o documentário Africanos, sobre estudantes africanos em universidades de Porto Alegre (em fase de produção); Roteiro e assistência de direção do documentário Caminhos de Pedra – Tempo e Memória na Linha Palmeiro (direção de Pedro Zimmermann, 2008, HD); Roteiro do documentário Arte, Ordem e Caos, sobre arte e cultura no evento Fronteiras do Pensamento 2007 (direção de Pedro Zimmermann, 2008, HD).

EMPRESAS PRODUTORAS: 

 

   

Artéria Filmes: Há seis anos atuando na produção audiovisual de Porto Alegre, a Artéria Filmes tem em seu currículo principal documentários e vídeos institucionais, entre eles: Os Novos Rumos da Agroecologia, vídeo digital Institucional financiado pela Comunidade Européia para o CETAP-Centro de Tecnologias Alternativas e Populares (21 min, junho/julho 2005); MTV-Unisinos Experience- ID’s de animação para o projeto MTV-Unisinos Experience, e entrevistas com professores, alunos e personalidades da cidade (evento realizado em 2005 em escolas de segundo grau de Porto Alegre); Documentário Fórum Social Mundial 2005, projeto longa metragem em vídeo digital em fase de pós-produção, direção de Ivanir Migotto; Mau Hábito, documentário média-metragem, vídeo digital, direção de Rafael Gue Martini.

 

Okna Produções: é um bureau de produção audiovisual criado em 2006, com sede em Porto Alegre. Atualmente, realiza vários projetos audiovisuais para cinema e televisão, entre documentários e filmes de ficção, de curta, média e longa-metragem. Promove, ainda, eventos ligados ao audiovisual, a fim de fomentar a formação de público para a produção independente. Entre seus principais trabalhos destacam-se os longas A Última Estrada da Praia (2010) e Walachai (2009); os médias-metragens Um Animal Menor (2010) e Caminhos de pedra (2008); e os curtas Enciclopédia (2009), Livros no Quintal (2009), Hóspedes (2008) e Um dia como hoje (2007).

   

Três Décadas sem Vinícius de Moraes

 A Falta que o Poeta Faz…

                           

“Vinícius é o único poeta brasileiro que ousou viver sob o signo da paixão. Quer dizer, da poesia em estado natural. Eu queria ter sido Vinicius de Moraes”.   

As palavras são do poeta Carlos Drummond de Andrade, referindo-se ao amigo Vinícius de Moraes logo após a morte dele. Já o jornalista José Castello, um dos biógrafos de Vinícius, escreveu:   

“O poeta foi um homem que viveu para se ultrapassar e para se desmentir. Para se entregar totalmente e fugir, depois, em definitivo. Para jogar, enfim, com as ilusões e com a credulidade, por saber que a vida nada mais é que uma forma encarnada de ficção. Foi, antes de tudo, um apaixonado — e a paixão, sabemos desde os gregos, é o terreno do indomável. Daí porque fazer sua biografia era obra ingrata”. 

 

Neste 9 de julho, faz-se 30 da passagem de Vinícius. 30 anos mais pobres. Partiu Vinícius, perdemos todos. Perdeu o mundo. Em Poesia, Amor, Música, Letra, Beleza, vida e lições de amor, paixão, entrega, solidariedade, enfim, estamos todos mais pobres. A lacuna é enorme, profunda e incômoda.  

  

    

Vinícius de Moraes agiganta-se a cada dia nas mínimas sementes onde é germinado: em trabalhos escolares, transposições para o teatro e o cinema, saraus literários, performances poéticas, concursos de sonetos, tema de redações, enfim, difícil mensurar, difícil encontrar quem não se pegue cantando de cor ao menos um verso do Poetinha.   

Parodiando o Poeta (que considerava o músico e amigo Pixinguinha, um santo), digo: Querido São Vininha, você caminha comigo aonde quer que eu vá e me leva sempre a repetir os mesmos versos por você dedicados a Garcia Lorca: “Poeta, não precisavas da morte para nada”. E quando bate a saudade bem grande de você, como agora, neste tempo tão próximo de mais um aniversário da sua partida, só resta reouvir suas músicas, reencantar-se e reaprender com elas, reler seus livros e observar o céu. Você por certo se esconde em alguma estrela de onde sussurra versos para a Lua, a linda mulher tão cheia de pudor que vive nua. 

VININHA, atento ao amigo querido PIXINGUINHA, que ele considerava um Santo…

Vinícius de Moraes, o Poeta que veio ao mundo para celebrar o Amor e falar da importância deste sentimento para pacificar o mundo e promover a comunhão entre os povos de todas as etnias, credos e continentes, partiu cedo, em 9 de julho de 1980, numa manhã fria de inverno carioca após passar a noite compondo com o parceiro querido, Toquinho.

    

Vina com Toquinho, o parceiro mais constante

O legado de VINÍCIUS é tanto maior quanto mais passa o tempo e mais aprofunda-se o entendimento de sua obra, quanto mais evidencia-se a lacuna descomunal que deixou acometendo de carência lúdica e emotiva sem par o cotidiano, e ainda mais descobrem-se novas leituras de sua vasta e riquíssima obra, a cada vez que se nos debruçamos sobre ela.   

     É melhor ser alegre que ser triste/A alegria é a melhor coisa que existe, é assim como a luz no coração…

  

       Vinícius, ou Vininha – como carinhosamente o chamavam os amigos próximos e como meu pai ensinou-me a chamá-lo desde menina – era libriano, aniversariante do 19 de outubro. Assim, foi no outubro de 2008, de muita chuva e algum frio no Rio, que se comemoraram os 50 da Bossa Nova, da qual Vina foi seu Farol sempre a apontar novas trilhas… e vieram os Afro-Sambas com Baden, o musical Pobre Menina Rica com Carlinhos Lyra, as parcerias com Edu Lobo, Antônio Maria, Francis Hime, Edu Lobo e Chico Buarque e os quase mil shows pelo Brasil e o mundo em companhia de Toquinho, ovacionados por onde passavam. Chega de Saudade…    

   Falar de Vinícius é sempre motivo de paixão. Lê-lo, estudá-lo ou re-ouvi-lo são coisas de enorme prazer e muita saudade. Saudade de alguém lindo demais, grandioso demais, amado demais pra não ser festejado, sempre. Viva Vinícius de Moraes ! Para sempre, nosso eterno Poeta do Amor, do Violão, do Mar, do Rio e das Mulheres !

Com Luizinho Eça e Nara Leão, cantora que virou “musa da Bossa Nova” e foi uma das muitas descobertas artísticas de Vinícius

   SARAVÁ, VININHA !

 Sei lá, sei lá, só sei que é preciso paixão…

    

Com os amigos e parceiros, Tom Jobim e Chico Buarque: TESOUROS da MÚSICA POPULAR BRASILEIRA  E sobre este movimento musical, que virou estilo e revolucionou a música popular brasileira, Vininha dizia    

Bossa Nova é mais a solidão de uma rua em Ipanema que a agitação comercial de Copacabana. É mais um olhar que um beijo; mais uma ternura que uma paixão. É o canto puro de João Gilberto eternamente trancado em seu apartamento”, afirmou o Poeta em entrevista  no Songbook 2, do saudoso jornalista Almir Chediak.