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No Passo do Birim evidencia cultura popular nordestina

Novo Documentário Aurora de Cinema mostra grupo de coco do interior do Ceará em projeto aprovado no edital BNB – BNDES…

No Passo do Birim é o novo curta-metragem da jornalista, atriz e produtora audiovisual, Aurora Miranda Leão – fruto de projeto aprovado no edital Cultura da Gente (parceria BNB-BNDES).

O curta-metragem tem formato digital, com 15m, e marca os 30 anos de atuação ininterrupta do Coco das Mulheres da Batateiras, grupo de cultura popular formado por mulheres, e atuante no interior do Estado do Ceará.

NO PASSO DO BIRIM está sendo lançado em instigante volume, reunindo um CD e um DVD, a partir de trabalho conjunto do selo Equatorial Produções e da produtora Aurora de Cinema (com finalização da Cabeça de Cuia Filmes) – com produção do músico e pesquisador cearense Calé Alencar e Aurora Miranda Leão, no qual é evidenciada a cultura popular nordestina através do grupo Coco das Mulheres da Batateiras.

Brincantes do folguedo no município do Crato (CE), as mulheres que integram o Coco das Mulheres da Batateiras estão no CD-DVD NO PASSO DO BIRIM em voz, ritmo e imagens.

A caixa conjunta reúne um CD com canções gravadas pelo Coco das Mulheres da Batateiras, e um DVD, contendo 5 trabalhos audiovisuais realizados por Aurora Miranda Leão, a saber, os curtas SantAlegria, A Casca Avoa e o Miolo Fica, Resta Um, No Passo do Birim e o videoclip Batuques & Bantos (sobre música homônima do compositor cearense Calé Alencar).

Por enquanto, ainda não há lançamento oficial agendado mas o Aurora de Cinema está organizando uma ida ao Crato para exibir o documentário para suas protagonistas, além de estar recebendo convites para lançar o trabalho em alguns festivais de cinema…

Seguindo o espírito BELAIR…

Dentre os tantos aspectos relevantes a se notar no curta RESTA UM, há um praticamente impossível de não se destacar quando nos detemos em suas sequências: o caráter de documento de seu tempo. Assim nas produções da BELAIR, assim em RESTA UM.

Ademais, elementos clássicos do cinema produzido pela BELAIR (produtora que durou 3 meses, em 1970,  durante o regime de exceção que imperava no Brasil, e que realizou 7 longas-metragens) – cujos gritos revolucionários ainda ecoam no cinema brasileiro, mesmo sem a propagação de seus filmes – estão neste RESTA UM, curta que as produtoras Aurora de Cinema e Cabeça de Cuia Filmes acabam de finalizar, como o uso da câmera de mão, as filmagens na rua, a mescla de imagens (filmadora, tevê e celular), o estranhamento através de imagens destoantes, desfocadas, sons propositadamente incômodos ou mal definidos, personagens que não representam mas valem pelo que representam, intertextualidade constante, bebendo na fonte de outras referências imagéticas – como na apresentação de cenas de outros filmes -, deixando claro ser a referência proposital e ancorada numa forma autoral de expressão.

O choque como recurso estético, tão freqüentemente utilizado pela Belair (produtora criada pelos cineastas Júlio Bressane e Rogério Sganzerla), em quem a obra se inspira e a quem pretende homenagear, também se verifica em Resta Um, de Aurora Miranda Leão. Isso fica patente desde o início, quando o apito inconveniente do elevador, azucrina o ouvido da atriz Ingra Liberato e o de quem a acompanha na sala de projeção. E se condensa na tomada do barco-olho que adentra, com barulho (capaz de provocar estranhamento instantâneo), o oceano na tomada inicial (clara referência ao documentário Belair, de Bruno Safadi e Noa Bressane, grande inspirador deste curta).

Numa aparente dessintonia entre as sequências, Aurora vai construindo uma narrativa cheia de percalços, inconclusões, desconexões, onde vida real e ficção (?) se entrecruzam em associações com elementos ícônicos e intertextualidades profícuas, como as que bem ilustram o depoimento lapidar do cineasta Sílvio Tendler.

A homenagem a Júlio Bressane e o legado da Belair aos poucos se insinua, delicada e espontaneamente, nas filigranas que perpassam a anti-narrativa. Esse dado às vezes fica bem explícito, como na sequência a mostrar a noite carioca, em movimento de câmera oscilante e com nitidez rarefeita. Ou ainda através do take no qual se percebem amigos dançando numa discoteca ao som de “Queixa”, de Caetano Veloso, artista de estreita sintonia com o universo bressaniano. E, sobretudo, na sequência em que INGRA protagoniza homenagem explícita à cena de A Família do Barulho, na qual a câmera se fixa bastante tempo na atriz Helena Ignêz, que aparece em close, até chegar ao momento em que escarra “sangue”. 

Outro dado a saltar aos olhos e assolar o intelecto é o fato de o curta preservar, com propriedade, a característica mais marcante da produção Belair, qual seja filmar entre amigos e o enorme prazer daí advindo. Porque até o espectador mais leigo registra, sem dificuldade, que todas as pessoas envolvidas em Resta Um lá estão por absoluta vontade e adesão ao projeto inicial, dado prazerosamente afirmado no espontâneo depoimento de Ingra. Também a alegria que ilumina o rosto quando o escritor Miguel Jorge aparece e o semblante sereno e internamente feliz de Rosamaria Murtinho são reveladores deste prazer de estar entre amigos e experimentar cinema. E assim como a ironia pensa uma coisa e diz outra, a diretora de Resta Um aparece em seu próprio filme, criando uma instigante dissonância cognitiva, ao criticar, ela própria, o fazer cinema que contagia jovens de hoje e de ontem, de todas as idades. Como diz a pesquisadora Olgária Matos (professora de Filosofia Política da USP): “Nos filmes de Bressane, as personagens oscilam entre a lucidez e a evasão fora da luz. Na ausência de qualquer razão profunda de viver, os filmes advertem para o caráter insensato da agitação cotidiana e a inutilidade do sofrimento”.

Martha Anderson e Grande Otelo em O Rei do Baralho

Júlio Bressane trabalhou sempre com orçamentos modestos, equipes pequenas, filmagens rápidas e muita invenção, e desenvolveu ao longo dos anos um dos traços mais fortes de sua cinematografia: o intertexto artístico, tão bem captado em Resta Um.

A liberdade radical de experimentação, talvez o maior legado da singular e riquíssima cinematografia de Bressane, é o que mais aflora neste Resta Um de Aurora Miranda Leão. Afinal, como bem diz Bressane, a câmera na mão fora da altura do olho, jogo de foco, câmera giratória, ab-cenas, o infrasenso da linguagem: a câmera filma a própria equipe que filma, o “atrás da câmera”, o som direto com todas as interferências circum-cena, o diretor dirigindo o (in) dirigível etc etc… Tudo isso, toda esta escolha, todas estas figuras, todo este procedimento, toda esta concepção de produção e expressão, tudo é olho Belair. Não há isto no cinema novo. É depois do cinema novo. É Belair.”

RESTA UM… inspirações…

Elementos clássicos do cinema produzido pela BELAIR estão no curta-metragem que acaba de ser finalizado pelas produtoras AURORA DE CINEMA & CABEÇA DE CUIA FILMES como o uso da câmera de mão, as filmagens na rua, a mescla de imagens (filmadora, tevê e celular), o estranhamento através de sons propositadamente mal definidos, personagens que não representam mas valem pelo que representam, intertextualidade constante, bebendo na fonte de outras referências imagéticas, apresentando cenas de outros filmes e deixando claro que a referência é proposital e tem um sentido estético.

* Aguardem novos posts…

RESTA UM… Divulgadas Primeiras Imagens

     RESTA UM… ficou pronto… Filmagens foram realizadas em Goiânia, em novembro passado, por ocasião do VI FESTIVAL NACIONAL DE GOIÂNIA do CINEMA BRASILEIRO…

RESTA UM é uma parceria Aurora de Cinema e Cabeça de Cuia Filmes

INGRA LIBERATO  é a estrela. ROSAMARIA MURTINHO, a ATRIZ especialmente convidada.

FILME é uma declarada HOMENAGEM a Júlio Bressane, nosso cineasta mais singular, o erudito do Cinema Brasileiro, que revolucionou nossa cinematografia a partir dos filmes instigantes e semimais que realizou, como Cara a Cara, O Anjo Nasceu, e MATOU A FAMÍLIA e FOI AO CINEMA…

INGRA LIBERATO: novo trabalho, sob direção de Aurora Miranda Leão, tem declarada inspiração na atriz HELENA IGNÊZ, musa da produtora BELAIR, que fez o maior buchicho no país em 1970…

Parceria BRESSANE x SGANZERLA…

* Depois explicamos melhor… Aguardem novos posts…

RESTA UM…………

Amor & Morte Tematizados em A Última Palavra

A ÚLTIMA PALAVRA É O CONFLITO

 
Carmen sente-se dilacerada e angustiada diante da perda de Esther.

Mas quem é Esther? Afinal, quem é Carmen?

Divididas entre dois mundos, essas mulheres passam a compartilhar um sentimento forte que vai além da razão, e, passa por cima de qualquer sentimento. Resulta por assim
dizer numa forma de viver conflituosa, onde o amor é questionado e o
ódio a expressão da verdade.
O curta-metragem A Última Palavra representa o que podemos
classificar como extrema valorização da subjetividade romântica.

Uma história de duas pessoas que se conhecem, apaixonam-se e seguem seus
caminhos. O amor entre Carmen e Esther caracteriza-se pelo conflito
espiritual, da alma e do sentimento de culpa por ser quem são.

O roteiro da obra audiovisual prima por ser poético e dramático. Tem
como influência o russo Bakhtin e sua teoria do romance, baseado nos
questionamentos da literatura e da estética, limitando-se às
apreciações da linguagem acessível, assim como a expressividade e a
caracterização das personagens, sem introduzir nestas opiniões ou
quase nada de sentido artisticamente determinado.

A estética dos romances considerados sentimentais tem como
característica, num primeiro momento, a identificação visual. O que significa dizer que a linguagem da imagem apresentada está carregada de signos e ainda de apoio para representações ideológicas.

A estética apresentada na obra A Última Palavra é a expressão do gênero
idealizado, da natureza plástica onde as cores representam elementos
que compõem a história e a sensibilidade ilustrativa através das ações
das personagens.


Esther é uma mulher pobre de espírito, frágil e impulsivamente
amorosa. Enquanto a cigana, Carmen, é a representação efêmera do
pecado, do egocentrismo e do desejo de viver.

Elas são mulheres marcadas pela marginalidade, amor autodestrutivo e performance.

As duas são plural na sua sexualidade e totalmente diferentes quanto às
experiências de vida, mas partilham de algo em comum: estão perdidas
em seu mundo e são intrigantes quanto ao seu universo. São o que
podemos classificar de oposição entre o mundo material e o espiritual.


O ocultismo e a morbidez são temáticas recorrentes à obra ficcional
como elemento representativo da natureza sensitiva e da contemplação
do olhar. Há também uma influência e exploração dos efeitos sensoriais
que estão presentes no curta, tais como cor, tom, forma, volume,
sonoridade e magia.

* Texto do diretor e roteirista Júnior Cavas