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José Wilker Dirige Primeiro Longa

São 20h e os corredores da Assembleia Legislativa do Rio estão movimentados. Mas não se trata de nenhuma sessão, e sim das gravações da comédia Giovanni Improtta, primeiro filme dirigido pelo ator cearense José Wilker.

Em torno de uma mesa redonda estão Wilker, Othon Bastos, Hugo Carvana e Milton Gonçalves, ou “D’Artagnan e os três mosqueteiros”, como define o último.

Eles estão passando o texto de cena em que fazem uma reunião da cúpula do jogo do bicho. Sob gargalhadas e charutos, a noite dá sinais de que será longa.

“Você não vai tirar a minha concentração”, diz Gonçalves a Carvana, que não pára de cantarolar.

Faltando ainda três semanas para finalizar as filmagens de um mês e meio, Wilker defende o clima de descontração, apesar da responsabilidade de rodar uma obra de R$ 6 milhões. “A gente trabalha 12, 15 horas por dia. Se isso não for prazeroso, não faz sentido”, diz.

  Paula Giolito/Folhapress  
Fotografias das filmagens de "Giovanni Improtta", dirigido e protagonizado por José Wilker.
Cena de “Giovanni Improtta”, dirigido e protagonizado por José Wilker.

SUCESSO

Giovanni Improtta foi criado por Aguinaldo Silva há 30 anos, quando lançou o livro “O Homem que Comprou o Rio”. Na obra, o personagem é um poderoso bicheiro. Mas a fama veio mesmo com a novela Senhora do Destino, em 2004.

Nela, Wilker interpretou o empresário da construção civil e presidente de uma escola de samba. Sua característica marcante é a forma incorreta de usar as palavras, como no bordão “o tempo ruge e a Sapucaí é grande”.

“Novela é uma coisa horizontal, e como o Giovanni para mim foi uma invenção muito saborosa, achei que valia a pena dar uma olhada mais vertical para ele. Então, eu e Aguinaldo escrevemos uma história, que não tem nenhuma ligação com a novela”, explica Wilker.

Nesta comédia, os bicheiros estão lutando contra a invasão dos cassinos. Para um debutante, Wilker parece bem confortável à frente de um filme de 62 atores.

“Eu sempre fiz isso. Minha origem como artista foi escrevendo, atuando, dirigindo. Estou trabalhando com amigos, que conheço há 30, 40 anos, como o Cacá [Diegues, produtor], que é a pessoa com quem mais trabalhei em cinema”, diz.

Com mais de 50 filmes no currículo, Wilker vê o país no caminho de consolidar sua indústria cinematográfica.

“A gente passou por vários surtos de cinema e, agora, estamos em um bom ciclo, mais duradouro. A gente ainda não tem cinema, a gente tem filmes. Mas estamos com boas perspectivas de criar uma indústria.”

* Texto de LUIZA SOUTO, do RIO

ARUANDA: João Pessoa, Capital do Cinema

Confira a PROGRAMAÇÃO OFICIAL do VI Festival ARUANDA

De 6 a 10 de dez, às 9h00 e às 15h30 (duas sessões). Exibição de A Casa Verde, de Paulo Nascimento.

De 13 a 18 de dez, às 9h00 e às 15h30 (duas sessões). Exibição do Projeto Curta Criança, do Ministério da Cultura (MinC)

SEXTA-FEIRA, dia 10        

09h00/10h30 – SESSÃO ARUANDINHA: Exibição Longa-Metragem: A Casa Verde, de Paulo Nascimento (Sala Cine Digital/Espaço Cultural)

08h30/14h00 – Seminário Interdisciplinar: Campos emergentes e intercruzados: cinema, ciberespaço, games e hqs.

Local: Sala Cabo Branco (Hotel Tambaú)

Curadoria: Profa. Dra. Nadja Carvalho (UFPB)

20h00 – Solenidade de abertura: Homenagem aos 50 anos de “Aruanda” e ao Centenário de Nascimento de João Córdula

Local: Salão Sérgio Bernardes do Hotel Tambaú

20h30 – Exibição do Longa-Metragem Uma Noite em 67, com apresentação do diretor Renato Terra e Ricardo Calil.

 SÁBADO, dia 11       

16h00 – SESSÃO VERSPERTINA – Exibição do longa-metragem: Contratempo, de Malu Mader.

17h00 – Abertura Oficial Mostra Competitiva Curtas Digitais

19h30 – Solenidade de Homenagem aos atores JOSÉ DUMONT e ZEZITA MATOS – Troféu Aruanda CONJUNTO DA OBRA

20h00 – Exibição do Curta-Metragem: Azul, de Eric Laurence (PE)

20h30 – Exibição do Longa-Metragem: O Sol do Meio Dia (SP)       

 DOMINGO, dia 12

 07H00 – 4ª EXPEDIÇÃO À ROLIÚDE NORDESTINA – CABACEIRAS-PB

15h00 – SESSÃO VESPERTINA: Exibição do Curta-Metragem:  Antomarchi, de Alex Santos, com presença do elenco.

15h45 –  Exibição do Longa-Metragem: O Sonho de Inacin, de Eliezer Filho (PB), com presença do elenco.

17H00 – MOSTRA COMPETITIVA CURTAS DIGITAIS

20h00 – Solenidade Homenagem: BRÁULIO TAVARES/Troféu Antonio Barreto Neto pela Contribuição à Crítica Cinematográfica Paraibana

20h40 – Exibição de Longa-Metragem: Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague, produção francesa de Emmanuel Laurent, uma homenagem do Fest-Aruanda aos 50 anos do movimento.

Documentário de estréia de MALU MADER na direção, “Contratempo”, será exibido

 SEGUNDA-FEIRA, dia 13

09h00 – SESSÃO ARUANDINHA: Exibição: Curta Criança (Sala Cine Digital/Espaço Cultural)

09h30 – Seminário Nacional: Diálogos Aruanda I – Nouvelle Vague, 50 Anos.

14h00 – Reunião da Comissão Executiva da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA), no Hotel Imperial.

15h30 – SESSÃO VESPERTINA – Exibição DOC-TV Brasil: Jesus no Mundo Maravilha, de Newton Cannito

15h30 – SESSÃO ARUANDINHA: Curta Criança (Sala Cine Digital/Espaço Cultural)

17h00 – Mostra Competitiva Curtas Digitais

19h30 – Lançamento DVD BNB Nomes do Nordeste – Walter Carvalho, com apresentação de Ricardo Pinto, gerente do Centro Cultural Banco do Nordeste do Brasil (CCBNB/Sousa-PB)

20h30 – Estréia do Curta-Metragem: O Contador de Filmes, de Elinaldo Rodrigues (PB)

20h45 – Exibição de Curta-Metragem: Eu não quero voltar sozinho, de Daniel Ribeiro (SP)

21h00 – Exibição: Longa-Metragem: Dzi Croquetes, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez, uma produção Canal Brasil

TERÇA-FEIRA, dia 14

O9h00 – SESSÃO ARUANDINHA: Exibição: Curta Criança (Sala Cine Digital/Espaço Cultural)

09h30 – Seminário Nacional: DIÁLOGOS ARUANDA II – 50 Anos de “Aruanda”

14h00 – Reunião da Comissão Executiva da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA), no Hotel Imperial.

15h30 – SESSÃO ARUANDINHA: Exibição: Curta Criança (Sala Cine Digital/Espaço Cultural)

15h30 – SESSÃO VESPERTINA: Exibição do Longa-Metragem: Abaixando a Máquina, de Guillermo Planel.

17h00 – Mostra Competitiva Curtas Digitais

18h00 _ Sessão Aruandinha no Centro Interativo de Circo (CIC) _ Inauguração do Cineclube Sávio Rolim – Conjunto dos Bancários       

19H30– Exibição Curta-Metragem (estréia): Doce de Coco, de Allan Deberton (CE)

20h00 – Solenidade de Homenagem ao diretor JOSÉ JOFFILY (Troféu Aruanda pelo Conjunto da Obra) e posse na Academia Paraibana de Cinema.

20h30 – Exibição Longa-Metragem: Olhos Azuis, com apresentação do diretor José Joffily (RJ)

 QUARTA-FEIRA, dia 15

Cineasta CACÁ DIEGUES é um dos Homenageados

09h00 – SESSÃO ARUANDINHA: Exibição: Curta Criança (Sala Cine Digital/Espaço Cultural)

09h30 – Seminário Nacional: Diálogos Aruanda III – Crítica Cinematográfica: História, Impasses e Desafios na Contemporaneidade

15H00 – SESSÃO VERSPERTINA – Exibição do Longa-Metragem 5 Vezes Favela (1962)

15h30 – SESSÃO ARUANDINHA: Exibição Longa-Metragem: Curta Criança (Sala Cine Digital/Espaço Cultural)

17H00 – COLETIVA DE IMPRENSA (HOTEL TAMBAÚ): cineasta CARLOS DIEGUES e produtora ANA RENATA MAGALHÃES.

19h30 – Solenidade de Premiação

20h30 – Solenidade de Homenagem ao cineasta CARLOS DIEGUES (Troféu Aruanda pelo Conjunto da Obra, a ser entregue por LINDUARTE NORONHA).

21h00 – Exibição do Longa 5 Vezes Favela, Agora por nós mesmos, com apresentação dos produtores Carlos Diegues e Renata Almeida Magalhães.

 MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS DIGITAIS

 

  1º NOITE – MOSTRA COMPETITIVA   UF   
1 FELIZ DESANIVERSÁRIO (FIC) 12:00 RJ  
2 RECICLANDO FORMAS (EXP) 05:00  PB  
3 SEMEADOR URBANO (FIC) 07:52  MG  
4 1.21 (EXP) 10:43  PE  
5 UMA ESTRELA NO QUINTAL (ANI) 07:00  SP  
6 A DISTRAÇÃO DE IVAN (FIC) 15:00  RJ  
7 O RETORNO DE SATURNO (ANI) 12:15 RS   
8 BODE MOVIE (FIC) 11:47  PB   
9 QUANDO AS CORES SOMEM (ANI) 15:00 SP   
10 EU NÃO SEI ANDAR DE BICICLETA (FIC) 15:00  PR  
11 MADE IN TAIWAN (FIC) 06:00  PB   
         
          

                                                                         

  2º DIA – MOSTRA COMPETITIVA   UF   
1 É MUITA AREIA PRO MEU CAMINHÃOZINHO (DOC) 14:36  SP  
2 LOS MINUTOS, LAS HORAS (FIC) 11:00  CE  
3 SER HUMANO (ANI) 10:00  BH  
4 OSCAR 07-02 (DOC) 09:00  CE  
5 VELA AO CRUCIFICADO (FIC) 13:00  MA  
6 RETRATOS (DOC) 15:00  PE  
7 O OCASO E A BORBOLETA (ANI) 04:04 PR   
8 SENHORAS (FIC) 10:30  DF  
9 À MINHA AMIGA, UM BREVE RELATO SOBRE NÓS (DOC) 10:29  PB   
10 3.33 (FIC) 12:00  SP  
11 O SOM DO TEMPO 10:00 CE  
         
          

 

  3ª NOITE – MOSTRA COMPETITIVA   UF   
1 O TEMPO DAS COISAS (FIC) 15:00 PR  
2 1.21 (EXP) 10:43 PE  
3 CHEIROSA (FIC) 05:00 MG  
4 SINTONIZE-SE (EXP) 01:00 PB  
5 RUA MÃO ÚNICA (FIC) 12:00 SP  
6 NEM DIA, NEM NOITE (EXP) 09:40 SP  
7 FEIJÃO COM ARROZ (FIC) 08:30  DF  
8 FAMILIA VIDAL (DOC) 15:00  PB   
9 UM PAR (FIC) 08:00  SP  
10 MENINO ARTÍFICE (DOC) 15:00  PB  
11 UM PAR A OUTRO (FIC) 12:00  SP  
12 FEIJÃO COM ARROZ (FIC) 08:30  DF  
13 LAPIDAR O BRUTO (DOC) 15:00  SP  
14 DIREITA (FIC) 05:00    PB  
          

                                                                         

 

  4ª NOITE – MOSTRA COMPETITIVA   UF   
1 ENSAIO DE CINEMA 15:00 RJ   
2 O DIVINO, REPENTE (DOC) 06:20  SP  
3 SÚBITO (EXP) 05:40 PE   
4 OPERAÇÃO MAMÃE (FIC) 15:00  RJ  
5 IOLOVITCH, O AZUL DE BRASÍLIA (DOC) 03:45  DF  
6 RELATIVAMENTE INCONSCIENTE (EXP) 05:19 SP   
7 NEGO FUGIDIO 16:00  BA  
8 ÚLTIMO RETRATO (DOC) 10:00  RJ  
9 O CICLO (ANIM) 09:00  PR  
10 AVIÁRIO (FIC) 14:45  SP  
11 BOKEH (EXP) 05:00 PE   
12 DESASSOSSEGO (FIC) 14:38  PB  
13 CONTRACORRENTE (DOC) 15:00    PB  
14 BAILARINO E O BONDE (ANIM) 10:20  SP  
          

                                                                          

ATIVIDADES PARALELAS:

 SEMINÁRIO NACIONAL

 DIA 13

09h30 – SALA MANAÍRA

DIÁLOGOS ARUANDA I – Nouvelle Vague, 50 anos

Painelista: Alfredo Manevy (Secretário-Executivo do Ministério da Cultura do Brasil)

Debatedores: Luiz Zanin (Jornal O Estado de São Paulo), Bráulio Tavares (jornalista e escritor) e Alex Santos (cineasta)

Moderadora: Maria do Rosário Caetano (Revista de Cinema)

14h00 – Reunião da Comissão Executiva da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA), no Hotel Imperial.

14:00 OFICINA TVs Públicas e a produção das TVs Universitárias, com Pedro Ortiz (TV USP)

DIA 14

09h30 – SALA MANAÍRA

Painel Nacional: DIÁLOGOS ARUANDA II – 50 Anos de “Aruanda”

Painelistas: Marília Franco (ECA-USP), Wills Leal (Academia Paraibana de Cinema), João de Lima Gomes (UFPB) e Linduarte Noronha (diretor de “Aruanda”)

Debatedores: Regina Behar (UFPB), Carlos Dowling (cineasta) e Pedro Nunes (UFPB) e Paulo Cunha (UFPE)

Moderadora: Maria do Rosário Caetano

14h00 – Reunião da Comissão Executiva da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA), no Hotel Imperial.

14:00 OFICINA TVs Públicas e a produção das TVs Universitárias, com Pedro Ortiz

DIA 15

09h30 – SALA MANAÍRA

PAINEL NACIONAL:  DIÁLOGOS ARUANDA III – Crítica Cinematográfica: História,  impasses e desafios contemporâneos

Painelistas: Luiz Zanin (jornal O Estado de São Paulo), Fernando Trevas (UFPB), João Batista de Brito (UFPB) e Rolf de Luna Fonseca (crítico e escritor/SP)

Debatedor: Sílvio Osias (Jornal A União), Renato Felix (jornal Correio da Paraíba) da Paraíba),  Carlos Dowling (cineasta) e Jãmarri Nogueira (crítico/jornal Correio da Paraíba)

Moderador: Lúcio Vilar  

14h00 – Sala Cabo Branco: Fórum Permanente do Audiovisual Paraibano

SEMINÁRIO INTERDISCIPLINAR

TEMÁTICA: Campos emergentes e intercruzados: cinema, ciberespaço, games e HQs

DIA 10, 08h30

1º PAINEL: A usabilidade no youtube

Moderadora: Nadja Carvalho (UFPB)

Painelista: Thiago Marinho (Mestrado de Comunicação-UFPB)

2º PAINEL: Enquadramentos de exploração em gamescapes

Painelista: Daniel Abath (Mestrado de Comunicação-UFPB)

3º PAINEL: Façade  e a convergência entre games e narrativas.

Painelista: Rennan Ribeiro (Arte e Mídia-UFCG)

4º PAINEL: Visão e espaço na fotografia 360º online

Painelista: Mainara Nóbrega (Arte e Mídia-UFCG)

Moderadora: dos painéis: Nadja Carvalho (UFPB)

DIA 10, 14h00

5º PAINEL: Narrativa do documentário um lugar ao sol

Bárbara Duarte (Mestra em Sociologia-UFPE)

6º PAINEL: Reinvenção da estética da fome: uma análise do “Baixio das bestas”

Painelista: Antônio Fabrício Evangelista (Cineasta e Jornalista-UFT)

7º PAINEL: Relações entre as narrativas do cinema e das HQs

Painelista: André Pereira (Mestrando em Sociologia-UFPE)

PROJETO ARUANDANDO CCBNB Cultural – Sousa-PB

Exibição dos curtas premiados no 6º Fest-Aruanda, janeiro de 2011

 OFICINAS

Animação

Ítalo Cajueiro (14h00/Sala Mestrado/111)

Roteiro para cinema (14h00/Sala Mestrado/111)

Di Moreti

Som para cinema e vídeo (08h00/Sala 111 – CCTA)

Débora Opolski

 

5 Vezes Favela e Cearense Vencem Biarritz

 

O filme 5 x Favela – Agora por Nós Mesmos, de Cacá Diegues, venceu ontem o prêmio do público do 19° Festival de Biarritz, na França. O prêmio de interpretação feminina foi coletivo, entregue às brasileiras Nanda Costa, Amanda Diniz e Kika Farias, do filme Sonhos Roubados, de Sandra Werneck.

5 x Favela – Agora por Nós Mesmos reúne cinco curta-metragens, de 20 minutos cada, que se desenvolvem nas favelas do Rio de Janeiro. O filme foi exibido este ano no Festival de Cannes, fora da competição, e dá voz ao ponto-de-vista de cinco jovens que cresceram e vivem nas favelas do Rio.

Mas o vencedor do Grande Prêmio El Abrazo do Festival de Biarritz foi o filme mexicano Revolución, uma interpretação crítica da revolução de 1910 realizada por dez cineastas.

O filme vencedor, que recebeu também o prêmio da crítica francesa, é um compêndio de dez curtas dirigidos por Carlos Reygadas, Amat Escalante, Gael García Bernal, Diego Luna, Mariana Chenillo, Patricia Riggen, Fernando Eimbcke, Rodrigo García, Gerardo Naranjo e Rodrigo Plá, que dão sua visão pessoal à revolução mexicana.

No ano passado, o Festival de Cinema e Cultura da América Latina também premiou o México, ao coroar como melhor longa-metragem “Cinco días sin Nora”, de Mariana Chenillo, uma das realizadoras de Revolución.

O filme boliviano Zona Sur, no qual o realizador Juan Carlos Valdivia narra uma Bolívia em transição, através da decadência de uma família de classe alta, ganhou o Prêmio do Júri, presisido pelo diretor francês Patrick Chesnais e do qual fizeram parte o escritor chileno Luis Sepúlveda e a atriz argentina Martina García.

O prêmio de melhor ator foi para o argentino Osmar Núñez, protagonista de “La Mirada Invisible”, de Diego Lerman, um retrato obscuro e dramático da ditadura argentina.

O prêmio El Abrazo de melhor curta-metragem foi para Los Minutos, las Horas, uma produção da escola de cinema San Antonio de los Baños, de Cuba, que foi filmado por uma de seus estudantes, a cearense Janaína Marquez Ribeiro.

O El Abraço de melhor documentário ficou com a também brasileira Flávia Castro, de Diário de Uma Busca, que tenta retratar a vida e a morte de um militante de esquerda dos anos 1960 no Brasil.

Um Livro para Cinco Vezes Favela…

Livro com bilhetes, fotografias e e-mails trocados pelos diretores do filme,  será lançado Amanhã

O filme 5 x Favela, Agora Por Nós Mesmos, com produção de Cacá Diegues e Renata de Almeida Magalhães, vai migrar das telas de cinema para o universo literário. O roteiro do longa será lançado em livro homônimo, amanhã, na livraria da Travessa de Ipanema, às 19h30. O evento, aberto ao público, contará com a presença dos sete diretores da produção.

Quem assistiu e gostou do longa — que na primeira semana mobilizou mais de 40 mil espectadores —, poderá rever imagens e ler os textos sobre os bastidores do filme. O material foi organizado por Paola Barreto e Isabel Diegues, da editora Cobogó.

5 X Favela Agora Por Nós Mesmos reúne fotografias e textos dos bastidores do filme, que retrata o cotidiano em comunidades | Foto: Divulgação

“O livro é como um inventário de ideias e discussões a partir de roteiros reescritos, ‘storyboards’, decupagens, trocas de e-mails e diários de filmagens. Ele conta as diferentes experiências desses jovens diretores, que, em determinado momento, se encontram”, descreve Isabel Diegues, que esteve junto nas gravações e coletou o material que inclui bilhetes e mensagens trocadas entre atores, diretores e elenco.

A obra, que tem 168 páginas e custa R$ 48, reúne trechos das conversas entre Cacá Diegues e o diretor Luciano Vidigal, por exemplo. Luciano cresceu na Comunidade do Vidigal, é ator e professor de teatro do Nós do Morro há 21 anos.

O filme 5 x Favela, Agora Por Nós Mesmos  tem 5 episódios, contados por sete diretores que, de alguma maneira, participaram do universo das comunidades cariocas. São eles ‘Fonte de Renda’ (Manaíra Carneiro & Wagner Novais), ‘Arroz com Feijão’ (Cacau Amaral & Rodrigo Felha), ‘Concerto para Violino’ (Luciano Vidigal), ‘Deixa Voar’ (Cadu Barcelos) e ‘Acende a Luz’ (Luciana Bezerra).

No livro:

“Não foi fácil criar estas histórias até o fim, mas eu segui o coração, experiência de vida, crença e realidade”,
Luciano Vidigal diz a Cacá Diegues

“Acho que esse filme é visceral mesmo, o mais visceral dos cinco. E é melodramático. Se não tivermos clareza disso é melhor fazer outra história. Esse é o ‘larger than life’ dos cinco, e é bom que seja bem diferente dos outros”,
Cacá Diegues responde.

“Fazia bastante tempo que não tinha a sensação de set. É como sexo. Você sempre pensa na última vez quando vai iniciar uma nova. Por isso é tão importante que todas sejam prazerosas. Pensava nestas coisas. Motivação, motivação”,
Luciana Bezerra, em nota.

“João Moreira Salles, como quase todos os professores que passaram por esta oficina, repetiu que você nunca filma idêntico ao que roteirizou e nunca edita idêntico ao que filmou”,
Cacau Amaral, no diário escrito durante as filmagens do longa-metragem.

Com informações de  PRISCILLA COSTA

Xica da Silva no MoMA

  

 Trinta e quatro anos depois da estreia de Xica da Silva (1976) nas telas brasileiras, o filme protagonizado por Zezé Motta estreia em Nova York, com legendas em inglês e a presença do diretor Cacá Diegues e da atriz para apresentar o longa ao público da oitava edição do Premiere Brazil !. 

  O festival de cinema brasileiro anual do MoMA, que segue até dia 29, homenageia o alagoano CACÁ (um dos ícones do Cinema Novo) com a exibição do longa já citado e de Bye bye Brasil (1979). Ambos foram adquiridos pelo Museu para fazer parte de seu acervo cinematográfico, e suas cópias restauradas poderão ser exibidas para cinéfilos americanos. 

Ao lado da brasileira Ilda Santiago, diretora do Festival do Rio, que faz a curadoria da mostra nova-iorquina junto de Jytte Jensen, responsável pelo departamento de filmes do MoMA, Zezé Motta disse que se sentia tão emocionada quanto na época da estreia do filme no Brasil. 

– Sei que pelo menos 20 pessoas foram testadas para fazer a Xica. Não acreditava que pudesse ser escolhida até o dia em que recebi um telefonema da produção e a pessoa do outro lado da linha disse: “Bom dia, senhora Xica da Silva” – recorda a atriz, cujo currículo antes do filme resumia-se a oito anos de teatro e pequenos papéis na televisão. 

Cacá Diegues, que viajou direto do Festival de Paulínia (SP) para Nova York, ressaltou a importância da atriz para o longa: 

Estava convicto na época de que, se não encontrasse a pessoa ideal para o papel, abandonaria o projeto. Na condição de atriz, cantora e dançarina, Zezé reunia todos os predicados necessários para o papel. 

 

A história da ex-escrava, um personagem real, era até então desconhecida do grande publico. Cacá conta que ouviu falar dela graças ao samba do Salgueiro, de 1963, e a partir dali decidiu levar sua trajetória para o cinema. A divertida sátira de costumes que ele produziu em 1976 é citada até hoje, embora o cineasta lamente que nem todos levem em consideração o contexto político brasileiro da época em que o filme foi feito. 

Existe uma concepção errada quanto ao meu filme, que vive se repetindo – salientou o cineasta. – Não se trata de um filme sobre escravos ou sobre a sua herança étnica, mas sobre os exageros a que as pessoas podem chegar com uma liberdade obtida a partir de uma opressão extrema. Eu queria antecipar e comemorar o fim da ditadura que estava para ocorrer no Brasil. Não queria esperar por uma revolução, e sim comemorar o fim daquele período negro. 

Distribuído às portas da abertura, o filme não foi censurado, apesar da forte interpretação de Zezé Motta e das alegorias sobre os abusos que quem está no poder pode cometer. Dentro desse contexto, o filme é visto pelo MoMA como um importante documento da época em que foi produzido, e por isso mesmo merece lugar em seu acervo. 

A cenografia e o roteiro já são um espetáculo à parte – enaltece Jytte Jensen. – Quando levamos em consideração as condicoes em que foi realizado, o filme se torna ainda mais espetacular. Não é à toa que o filme faz sucesso até hoje

Relacionada à personagem até hoje, Zezé Motta não se mostra incomodada com a referência constante. 

Antes de fazer o filme eu só tinha saído do Brasil três vezes e, graças a ele, fui a 17 países para apresentá-lo – celebra a atriz. – Basta dizer que todos os papéis que consegui na televisão ou no cinema depois foram de protagonistas ou de personagens marcantes. A imagem mítica de Xica da Silva me acompanha e me dá muito orgulho. 

* Texto de Franz Valla, especial p/o JB   

  

Zezé Motta: interpretar Xica da Silva abriu portas para a atriz

CINEMA Vai Brilhar na Sapucaí

O Salgueiro já tem tema para 2011. A vermelho e branco da Tijuca levará toda a magia do cinema para a Sapucaí com o enredo ‘Salgueiro apresenta, o Rio no cinema: 2011, a ser desenvolvido pelo carnavalesco Renato Lage. O desfile terá um patrocínio de aproximadamente R$ 5 milhões da Fox Film do Brasil e servirá como plataforma para o lançamento do filme Rio 3D, uma animação produzida por Carlos Saldanha, o mesmo de A Era do Gelo.

A ideia chegou até a diretoria do Salgueiro através do prefeito Eduardo Paes, que após uma conversa com Carlos Saldanha, viu no desfile uma excelente forma de promover o filme, que tem a Cidade Maravilhosa como cenário. Antes, no entanto, o tema foi proposto à Vila Isabel. A diretoria da escola tijucana fará o anúncio oficial amanhã, quando promoverá festa que marcará também a reinauguração de sua quadra.

Passeio por clássicos do cinema

Na Avenida, o Salgueiro, que foi campeão em 2009, lembrará grandes filmes ambientados no Rio e que tiveram repercussão internacional, entre eles: ‘Voando para o Rio’, ‘Interlúdio’, ‘Orfeu Negro’, ‘007 – O espião que me amava’, Central do Brasil, Cidade de Deus, Tropa de Elite e O Incrível Hulk.

Walter Salles será um dos homenageados na Sapucaí

Diversas fases do cinema brasileiro também serão homenageadas pela Academia do Samba, começando pelo pioneirismo de Humberto Mauro, passando pelas chanchadas e o Cinema Novo e indo até o momento atual. Cineastas importantes como Glauber Rocha, Cacá Diegues, Leon Hirszman, Fernando Meirelles e Walter Salles serão citados no enredo.

Salgueiro exaltará a primeira animação ambientada no Rio

Rio 3D conta a história de uma arara azul que deixa o conforto de sua gaiola, no interior do Estado do Minnesota, nos EUA, e parte para o Rio. Anne Hathaway, Rodrigo Santoro e Neil Patrick Harris estão entre os dubladores. A produção fica por conta de Chris Jenkins e Bruce Anderson. O filme tem lançamento previsto para  abril de 2011.

Cacá Diegues Leva Favela a CANNES

Cacá Diegues participará do júri do prêmio Cinéfondation e da seção de curtas-metragens do 63º Festival de Cannes.

Além de ser um dos jurados, Diegues terá seu mais novo longa –exibido fora de competição: 5 x Favela, Agora Por Nós Mesmos, um filme em 5 episódios totalmente concebido e realizado por jovens moradores de favelas da cidade do Rio de Janeiro.

Entre outros colegas de Diegues como jurado estarão as atrizes Emmanuelle Devos (França) e Dinara Droukarova (Rússia).

O ator portorriquenho Benicio del Toro e o diretor espanhol Víctor Erice serão membros do júri da Seleção Oficial do Festival de Cannes, presidido pelo cineasta americano Tim Burton.

Já o ator mexicano Gael García Bernal (Diários de Motocicleta)será jurado no prêmio Caméra d’Or.