Arquivo da tag: Carmen Miranda

Cinema e TV Mobilizam Ouro Preto

Na programação da Mostra de Cinema de Ouro Preto hoje, lançamento do livro

A CINEMATECA BRASILEIRA – DAS LUZES AOS ANOS DE CHUMBO

Editora UNESP
Autor: Fausto Douglas Correa Jr.

Já às 19h no cine Vila Rica, exibição do clássico Alô, Alô Carnaval, de Adhemar Gonzaga, onde se destacam as irmãs Carmen e Aurora Miranda

O Filme – Ficção, Preto & Branco, 35mm, 75min, 1936, RJ
 

Mostra de Cinema de Ouro Preto também tem seminários: um para discutir o acesso a informações públicas e Direito Autoral, e outro sobre 

A MEMÓRIA DA TELEVISÃO BRASILEIRA EM SEUS 60 ANOS

Ações, projetos e relatos de experiências sobre a preservação e acesso da memória da televisão brasileira, da era da TV ao vivo à chegada da TV Digital.

Convidados:
 

  • Ridley Silva – Supervisor Tráfego e Arquivo de Imagens – Rede Record
  • Ana Paula Goulart – Coordenadora do Projeto Memória do Jornalismo Brasileiro da UFRJ e Memória Globo – RJ
  • Alexandra Oliveira – Líder do Núcleo de Documentação e pesquisa TV Brasil – RJ
  • Kalled Adib – Superintendente de Operações da Rede TV!  – SP
  • Sabina Anzuategui – Professora, roterista e escritora – SP
  • Teder Muniz Morás – coordenador do Centro de Documentação e Pesquisa da Fundação Padre Anchieta – TV Cultura – SP

Mediador: João de Lima – Professor UFPB

Saiba mais: http://www.cineop.com.br

FILME CULTURA de Volta. VIVA !

A histórica revista Filme Culturauma referência de leitura sobre cinema no Brasil entre 1966 e 1988 -, volta a ser publicada a partir deste mês, com o lançamento da edição nº 50, marcado para a próxima terça, 27, entre as 18h30 e às 21h30, na Casa de Rui Barbosa, em Botafogo.

O novo projeto Filme Cultura consiste, além da revista, no lançamento do website: www.filmecultura.org.br e da coleção histórica em versões fac-símile e microfilmes, esta em convênio com a Biblioteca Nacional’.

A Filme Cultura 50 traz um núcleo temático intitulado Cinema Brasileiro Agora, com artigos e mesa-redonda sobre o estado atual do cinema na Bahia, Ceará, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo, pois como afirma no editorial  Gustavo Dahl, diretor da publicação, ‘Viajar de Norte a Sul pelos ambientes de produção audiovisual que estão gerando novos olhares é uma opção que se impôs, como recomeço de conversa’.

Outros textos abrangem ensaios, críticas além de diversas seções voltadas para aspectos de atualidades, tecnologia, curtas-metragens, resenhas de livros e internet, perfil de personalidades da cultura cinematográfica brasileira, republicação de textos históricos, etc. Além do corpo de redatores fixos da revista, escrevem também críticos e pesquisadores de várias regiões do país.

Em texto de apresentação do nº 50, o ex-secretário do Audiovisual do Minc, Silvio Da-Rin, fala da vocação de fênix da Filme Cultura: ‘Desaparecida, por vicissitudes comuns às iniciativas que vicejam no campo estatal, por várias vezes renasceu, renovada, para cumprir a função que o singelo título sugere, em forma de binômio indissolúvel.’

A Filme Cultura amparada pela força do estado, foi a mais longeva de todas as revistas de cinema já editadas no Brasil. Entre seus articulistas estavam Antônio Moniz Vianna, Carlos Fonseca, Sérgio Augusto, Jean-Claude BernardetIsmail Xavier, Inácio Araújo, João Luiz Vieira, Orlando SennaRogério Sganzerla e Jairo Ferreira.

Carmen Miranda em cena de Alô, Alô Carnaval, grande êxito da CINÉDIA

Seus editores foram Flávio Tambellini, Ely Azeredo, José Carlos Monteiro, David Neves, José Haroldo Pereira, Leandro Tocantins, José Carlos Avellar, João Carlos Rodrigues, Cláudio Bojunga e Paulo Roberto Ferreira.

No endereço www.filmecultura.org.br os internautas poderão encontrar o conteúdo completo da revista, assim como matérias adicionais, íntegra de mesas-redondas e vídeos. O site vai disponibilizar também a coleção histórica completa de Filme Cultura em PDF, página a página e com sistema de busca por palavras-chave.

O site está em construção e entrará no ar em duas etapas – uma com a edição mais recente já na data do lançamento – e outra quando do lançamento da coleção fac-símile, que será simultâneo em papel e internet. No site os visitantes poderão deixar seus comentários, sugerir pautas para a revista e interagir com a equipe de redação.

A publicação será trimestral, podendo ser adquirida em livrarias de referência e na Funarte (Rio). A revista também será distribuída gratuitamente a bibliotecas e instituições culturais do país.

A coleção histórica em fac-símile também estará à venda a partir de julho.

A versão em microfilmes pode ser consultada na sessão de periódicos da Biblioteca Nacional.

Cena de Matou a família e foi ao cinema, clássico de Júlio Bressane

O projeto foi concretizado graças a uma parceria entre o Centro Técnico Audiovisual e o Instituto Herbert Levy, com patrocínio da Petrobras.   

Casa de Rui Barbosa – Rua São Clemente, 134Botafogo Tel.: (21) 32894600

Acesse: http://carmattos.wordpress.com / https://twitter.com/carmattos

 

CAETANO na infância da velhice

Para Caetano Veloso, o tempo ajuda a melhorar, a se renovar e a incorporar aprendizagens para seguir desfrutando de uma música que rendeu ao cantor o deu reconhecimento mundial e com a qual hoje se sente na infância da velhice.

Estou na infância da velhice. Sem querer, dediquei toda a minha vida à música popular e foi algo muito bom porque desde muito pequeno adorava cantar”, disse Caetano à AFP, em uma série de entrevistas via e-mail, antes de sua chegada a Miami para um show na terça-feira.

Caetano, de 67 anos, conta que quando era jovem tinha outros interesses, como a literatura e o cinema, mas que a música foi se impondo em sua vida com força.

Ele diz que se sente “agradecido”, como “se uma mulher bonita o tivesse escolhido”, e que, por isso, trabalha “como se não tivesse dado ainda tudo que ela merece”.

O mais popular e reconhecido músico brasileiro contemporâneo mencionou o crescimento da música em espanhol nos Estados Unidos e a influência da brasileira, e disse que a entrada de sua obra no mercado americano não é um objetivo que o motiva.

“Não penso em ganhar ou perder espaço nos Estados Unidos, e sim, em poder fazer uma música melhor do que a que fiz até agora. Vejo o futuro de uma perspectiva mais brasileira, que não depende muito dos Estados Unidos”.

Em relação ao restante do continente, CAETANO  diz que o “Brasil é um estranho e enorme país onde as pessoas falam português”, o que o diferencia da grande onda hispânica ou do mercado latino que vem influenciando os Estados Unidos.

No entanto, a música brasileira conta com

 figuras comoCarmen Miranda, João Gilberto, Tom Jobim e Milton Nascimento” que são conhecidos e admirados por muitos em um país que fala inglês e que é o mais poderoso do mundo, e isso é muito valorizado por nós”, completou.

Sobre as novas tendências musicais, Caetano diz gostar do “reggaeton e também do funk carioca”, apesar de considerar um estilo “muito menos polido”.

E em relação às novas gerações de músicos no Brasil, afirma que se deve prestar atenção tanto na cantora de samba e bossa nova Roberta Sá, como nas bandas alternativas Babe Terror e Rabotnik.

Pensa em Miami como um lugar em que há forte impacto da música latina e diz que em seu show, no teatro Fillmore de Miami Beach, espera encontrar muitos imigrantes hispânicos e brasileiros que vivem na cidade, mas também alguns “jovens americanos que me descobriram através de David Byrne, Beck, David Longstreth, Devendra Banhart e Panda Bear, que se interessaram pela minha música”.

A apresentação em Miami tem também uma sensação especial porque é sua primeira visita aos EUA desde que o presidente Barack Obama, por quem sente um “particular afeto”, chegou àCasa Branca.

“O look de Obama encanta tanto a mim como às minhas irmãs, porque se parece muito com nosso pai, que era um mulato elegante, com as orelhas de abano”, disse.

“Acredito que sua chegada à presidência é um grande acontecimento”, completou Caetano, que valoriza as conversas iniciadas por Washington com a Rússia para reduzir os arsenais nucleares e o possível fechamento de Guantánamo, mas lembra: “os Estados Unidos não podem apagar no Afeganistão as mentiras do Iraque”.

 

CAETANO: Artista atravessa o tempo como vinho…

Sonho de Adhemar Gonzaga faz 80

Do jovem fascinado por cinema, que recortava suas tirinhas em papel e as projetava em caixas de sapato, ao empreendedor responsável pela consolidação da indústria cinematográfica no Rio de Janeiro, Adhemar Gonzaga (1901-1978) não poderia imaginar que a Cinédia Estúdios Cinematográficos, que fundou em 15 de março de 1930, iria completar oito décadas de atividades nesta segunda – sua filha Alice Gonzaga esta à frente da restauração dos filmes e da organização dos arquivos.

Os clássicos da Cinédia serão revisitados – em fotogramas devidamente recuperados – em festivais pelo Brasil a partir deste ano. Alice conta:

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Gramado vai exibir Ganga Bruta, o Festival de Belém pediu para escolhermos cinco, assim como o de Curitiba. Depois vamos realizar uma retrospectiva em dezembro no Instituto Moreira Salles com todos os filmes em condições de serem exibidos.

Alice Gonzaga comanda a produtora desde os anos 70, quando o pai se afastou das operações por problemas de saúde. Desde então vem se concentrando no processo de restauração dos filmes e organização dos arquivos. Ao todo, 17 filmes foram restaurados.

O nome que virou símbolo da indústria cinematográfica brasileira nos anos 30 e 40 do século passado também vai adornar um espaço que vai celebrar não apenas a história da Cinédia, mas também ajudar na formação de outros apaixonados por cinema.

Vamos começar em abril os cursos na área de cinema e cultura, concretizando o sonho do Centro Cultural Cinédia – anuncia Alice, que recebeu o Caderno B na atual sede da companhia, na Rua Santa Cristina, 5, em Santa Teresa.

Cineasta por acaso

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Cena de Alô, Alô Carnaval !, uma das preciosidades do acervo CINÉDIA

Antes de se tornar cineasta e posteriormente empresário do ramo, o pai da atual comandante da Cinédia incentivou o cinema nacional como jornalista. Não tardou para que fundasse sua própria revista, a Cinearte, uma das primeiras publicações inteiramente dedicadas ao cinema na imprensa brasileira. Diante de sua significativa tiragem e do sucesso entre o público feminino, o Circuito Nacional de Exibidores (CNE) propôs à revista um concurso para selecionar entre suas leitoras a atriz para o longa Barro Humano. É quando o jornalista se torna cineasta por acaso.

Mas mesmo com o sucesso do concurso, o CNE não tinha recursos para bancar o filme. Foi aí que um dos membros do Circuito, Paulo Benedetti, se propôs a ajudar na produção. Os dois se associaram e o filme estreou em 1929, com meu pai na direção e Benedetti na fotografia.

Com o grande sucesso de público de Barro Humano, Adhemar se entusiasmou a criar a primeira produtora cinematográfica carioca, concretizando uma campanha que já vinha empreendendo na Cinearte.

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Cena de Lábios sem Beijos, direção de Humberto Mauro com  produção de Adhemar Gonzaga

Instalada na Rua Abílio, 26, em São Cristóvão, a Cinédia começou a produzir Lábios sem Beijos uma semana após sua fundação, com direção de Humberto Mauro. Logo em seguida, vieram Limite (1931), de Mário Peixoto; Mulher (1931), de Octávio Gabus Mendes; e Ganga Bruta (1933), também de Mauro, que iniciou as atividades de distribuição da Cinédia.

Limite não chegou a ser exibido comercialmente. Já Lábios sem Beijos e Mulher, apesar de terem sido sucesso de bilheteria, não deram retorno financeiro à Cinédia, pois eram distribuídos pela Paramount, dos EUA, o que fez a Cinédia começar a distribuir seus filmes. Ganga Bruta foi um fracasso de público, pois representou a passagem do cinema mudo para o sonoro, e quando um ator brasileiro falava todo mundo caçoava. Diziam que o brasileiro não sabia falar no cinema.

Diante da falta de retorno financeiro, Gonzaga partiu para a realização de comédias musicais carnavalescas como Voz do Carnaval (1933), Alô, Alô Brasil ! (1935), Estudantes (1935) e Alô! Alô! Carnaval ! (1936). Foram os precursores das chanchadas dos anos 50.

Esses musicais eram a oportunidade de o público poder ver a imagem dos artistas do rádio como Lamartine Babo e Carmen Miranda. Mas não era o tipo de filme que meu pai queria fazer.

Durante os anos 40, depois de ter produzido cerca de 60% dos filmes brasileiros lançados na década anterior, a Cinédia voltou a passar por dificuldades financeiras devido à Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Ficou quase impossível importar as matérias-primas. Meu pai estava falido quando, em 1942, Orson Welles alugou nossos estúdios. Com o dinheiro do aluguel, o estúdio produziu Berlim na Batucada, em 1944, mostrando a influência da guerra no nosso cinema. O Ébrio, de 1946, grande sucesso de público, ajudou muito a Cinédia nessa época.

No início dos anos 50, com o surgimento em São Paulo das produtoras Vera Cruz, Maristela e Multifilmes, Gonzaga transferiu-se para lá, areditando que se formaria o principal pólo do cinema nacional.

Mas quando os amigos começaram a frequentar a casa dele em São Paulo dizendo que haviam sido contratados pela Vera Cruz com salário fixo mensal, ele começou a desconfiar: “Isso não vai dar certo, foi o mesmo erro que cometi na Cinédia”. Arrumou suas coisas e voltou para o Rio.

Adhemar vendeu a casa de São Paulo e o terreno de São Cristóvão e instalou a Cinédia na Estrada da Soca, 400, em Jacarepaguá. Era o ano de 1956, quando foi lançado Rio, 40 graus, de Nelson Pereira dos Santos, que inaugura uma nova estética no cinema brasileiro. As locações passam a ser privilegiadas em detrimento das filmagens em estúdio. Nas décadas de 60 e 70, a Cinédia sobrevive com os aluguéis da TV Globo, de empresas publicitárias e de produções estrangeiras.

* Com informações de Bernardo Costa, do JB

PATRIMÔNIO CINÉDIA

Acabo de rever o programa Arquivo N da Globo News em homenagem aos 80 anos da CINÉDIA, a primeira companhia produtora de cinema do país e que continua viva, funcionando no bairro carioca de Santa Teresa, graças ao empenho indormido e a determinação de Alice Gonzaga, filha de seu fundador, o pioneiro Adhemar Gonzaga.

                O Arquivo N é um dos bons programas da grade da Globo News, um entre tantos apresentados pela emissora líder de audiência da tevê em circuito fechado. Sempre um grande tema, um assunto que merece ser mais conhecido.

                Em especial este Arquivo N com a Cinédia, apresentado por Leilane Neubarth – jornalista das melhores entre tantos do time da emissora -, vale a pena ser visto, revisto, gravado para a posteridade.

                 No programa, que começa mostrando cenas onde aparece Nélson Gonçalves cantando, e faz um passeio por imagens do Rio de outrora – Copacabana e Ipanema quase desertas, evidenciando uma cidade onde o carnaval “ano a ano transbordava por todas as ruas do Rio” -, um bom prólogo para falar sobre a criação da Cinédia. A companhia nasceu no bairro de São Cristóvão numa iniciativa impensável para a época e, através do rico material de arquivo (guardado a sete chaves e mil emoções por Alice Gonzaga), vislumbramos o que foi a iniciativa ousada e pioneira de Adhemar Gonzaga, o jornalista que sempre teve paixão por cinema e cujo grande sonho era ver consolidada uma indústria de cinema no Brasil.

                Adhemar foi aos Estados Unidos para conhecer de perto a “fábrica de sonhos” de Holywood. E quando desembarcou de volta no Rio de Janeiro, trazia na bagagem (ainda muito mais forte) o sonho da fundação da Cinédia, ancorado no que viu de melhor e mais moderno.

        Antes da CINÉDIA, o trabalho jornalístico de Adhemar se fez , notar em duas publicações: as revistas Palcos e Telas e a Cinearte, de 1926. E como o próprio Adhemar conta em imagens que o Arquivo N mostrou, “A Cinédia foi fruto de dois trabalhos anteriores, a Cinearte,  e o filme Barro Humano”.

 Mas tem ainda a história de Lábios sem Beijos, que a cineasta pioneira Carmen Santos tentou fazer com direção de Ademar mas acabou não conseguindo concluir. Como era dele mesmo o roteiro, Adhemar acabou dirigindo o filme, que foi lançado em 1930, com produção de Paulo Benedetti, e que os registros guardam como o primeiro grande êxito bilhetérico da Cinédia.

Já o professor Hernani Heffner, que leciona História do Cinema na PUC carioca, destaca o fato de que, numa época em que não havia patrocínios nem leis de incentivo, Adhemar Gonzaga “resolveu inventar uma coisa que ele mesmo chamava de Cinema Brasileiro: o sonho era criar uma grande produtora de Cinema Brasileiro, nos moldes do que se fazia de melhor no mundo.”
 
O Arquivo N da Globo News mostra imagens preciosas de Adhemar Gonzaga em documentário onde informações relevantes compõem um mosaico no qual se compreende a grandeza e importância do trabalho de Adhemar, inclusive revelando passagens inusitadas como uma cena na qual um personagem precisava ser atropelado e ele mesmo se dispôs a ser a vítima “para dar mais realismo” à cena .

Adhemar Gonzaga dirigindo a “estrela” Carmen Miranda…

Do Arquivo N sobre a Cinédia, anotamos algumas máximas para atiçar a curiosidade e interesse de jovens estudantes e pesquisadores da Cultura e do Audiovisual Brasileiros:

* Adhemar falava sempre em nome de uma coletividade
* Adhemar foi praticamente o “descobridor” de Carmen Miranda
* Grandes nomes foram revelados através dos filmes da Cinédia: Grande Otelo, Oscarito, Paulo Gracindo, Dercy Gonçalves, Cyl Farney, Rodolpho Mayer, Emilinha Borba, Marlene…

* Um dos grandes sucessos da Cinédia foi Pinguinho de Gente, de 1949, direção de Gilda de Abreu, uma das mais caras produções da companhia, à época dois mil contos, sendo uma das mais caras produções do cinema brasileiro – como diz Alice: “Só a cascata de baianas brancas descendo as escadas, já valia o filme”. De fato, a seqüência é primorosa !

Carmen Miranda: Artista “descoberta” pelo pioneiro Adhemar Gonzaga

A Cinédia estava sempre produzindo mas como era a própria companhia quem bancava os filmes, era preciso sempre fazer o que dava,  mais retorno de bilheteria, os musicais para que entre um musical e outro, fosse possível ousar mais e fazer então um filme mais sério  – foi o caso de O Cortiço, de 1945, direção de Luiz de Barros.

Entre as grandes produções da CINÉDIA, o emblemático Alô, Alô Carnaval, direção de Adhemar Gonzaga, “um filme eterno porque as gerações que se sucedem vão estar sempre interessadas em vê-lo porque os grandes nomes da música brasileira da época estão lá – Lamartine, Almirante, Carmen e Aurora Miranda, Marlene, Emilinha…”, afirma Alice Gonzaga.

As irmãs Carmen e Aurora Miranda: Estrelas da CINÉDIA

Aliás, outra pérola do Arquivo N é a entrevista de Leilane feita com Alice em 1986, quando a pesquisadora/escritora conta detalhes de produções como Anjo do Lodo, de 1951, direção de Luiz de Barros, que teve problemas com a censura por conta de uma cena onde a ex-vedete Virgínia Lane aparecia em “trajes menores”. Há ainda a passagem com a famosa “cena das rabanadas”, onde o saudoso Grande Otelo conta (em entrevista de 1985 a Sandra Passarinho) sobre as “dificuldades” para fazer a cena – um trunfo !

Nestes 80 anos de Cinédia, são 56 longas realizados e mais de 700 documentários entre curtas e médias-metragens e cinejornais, a maioria perdidos pelo desgaste do tempo.

E o programa termina com um precioso alerta de Alice Gonzaga, cuja sabedoria é fruto da familiaridade de muitos anos de trabalho e dedicação, na lida cotidiana com as dificuldades de preservação de um acervo do porte do da Cinédia:

” Se os donos de seus acervos não se mexerem e deixarem por conta de terceiros a preservação de seu material pensando que eles vão fazer, não se enganem não porque eles não vão fazer mesmo”.

    E nós, apreciadores, estudantes, estudiosos, pesquisadores e amantes da História do Cinema Brasileiro solidarizamo-nos com Alice Gonzaga e prestamos nossa sincera homenagem ao pioneirismo exemplar da CINÉDIA e de Adhemar Gonzaga, ao mesmo tempo em que parabenizamos a determinação e bravura de Alice em seguir firme e apaixonadamente a trajetória iniciada por seu pai, legando às atuais e futuras gerações o mais rico patrimônio privado de preservação da memória audiovisual brasileira.

Na edição 2008 do GUARNICÊ, em São Luís, Alice Gonzaga, Aurora Miranda Leão e Euclides Moreira Neto

           Preservando a memória audiovisual da CINÉDIA, Alice colabora sobremodo para manter viva parte significativa de décadas de História Brasileira – conservando-se através dos filmes a atuação de artistas do teatro, do rádio, da música, da moda, técnicos, fotógrafos, ambiência sócio-política-econômica, paisagens naturais, enfim, através desta singular memória audiovisual preserva-se todo um acervo riquíssimo da vida cultural do país.

     Portanto, VIVA a CINÉDIA ! Salve Alice Gonzaga !

     

E Parabéns à equipe da Globo News (Leilane Neubarth, em especial) pelo senso de oportunidade de realização do Arquivo N e à Petrobrás, que vem contribuindo fortemente na restauração de filmes do acervo da CINÉDIA. Saravá !