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Carnaval das Marchinhas…

6º CONCURSO NACIONAL DE MARCHINHAS

Abertas até 29 de outubro as inscrições ao 6º Concurso Nacional de Marchinhas Carnavalescas da Fundição Progresso – Prêmio João de Barro. Além da gravação do CD “As melhores marchinhas do carnaval 2011”, os vencedores ganharão R$18 mil em dinheiro: R$ 10 mil para o primeiro lugar; R$ 5 mil para o segundo lugar e R$ 3 mil para o terceiro colocado. 

Este ano, a inscrição pode ser feita também via internet, pelo site www.concursodemarchinhas.com.br, onde estão disponíveis edital, formulário e ferramentas para upload das músicas. Cada concorrente poderá cadastrar três marchinhas na disputa. As inscrições na portaria do centro cultural e via correio também serão aceitas, de acordo com as regras do edital, as mesmas dos anos anteriores. 

O resultado das 10 músicas finalistas, eleitas pelo corpo de jurados da Fundição Progresso, sairá a partir de 23 de novembro. Dia 16 de dezembro, um grande evento celebra o concurso, reunindo renomados artistas e grupos musicais. 

Dia 2 de fevereiro, os concorrentes defenderão suas marchinhas no baile de lançamento do CD. A final será dia 20 de fevereiro, uma semana antes do carnaval. Neste dia, os jurados assistem às apresentações de todos os concorrentes e escolhem as três que terão seus clipes exibidos pelo Fantástico, da TV Globo. O vencedor será escolhido em votação interativa e popular, aberta para todo o país. 

Braguinha – pseudônimo “João de Barro”

Autor de marchinhas célebres como “Chiquita bacana”, “Yes, nós temos bananas” e “Touradas em Madri”, com Alberto Ribeiro, e “As pastorinhas”, com Noel Rosa, entre outros sucessos carnavalescos, Carlos Alberto Ferreira Braga, o Braguinha, é o homenageado desta edição do concurso. Falecido em 2006 aos 99 anos, o artista figura entre os mais importantes nomes da música brasileira, seara em que ficou conhecido também como João de Barro. O codinome foi usado para driblar o preconceito do pai, que não queria ver o filho envolvido com música popular. Ao lado de Henrique Brito, Alvinho, Noel Rosa e Almirante, Braguinha fundou o grupo “Flor do Tempo”, chamado posteriormente de “Bando dos Tangarás”. Fez parcerias internacionais com nomes como Charles Chaplin e foi um grande entusiasta do cinema, trabalhando inclusive como roteirista.

O concurso

Idealizado por Perfeito Fortuna em 2005, em cinco edições do concurso mais de 4.100 marchinhas foram inscritas, vindas de todos os estados brasileiros. O sucesso do projeto ecoou para fora do país e, na última edição, contou com inscrições de brasileiros radicados no exterior. Os bailes e desfiles realizados pelo concurso já entraram para a tradição da folia carioca, reunindo mais de 30 mil pessoas anualmente. 

Premiados e homenageados

2006 – Prêmio Emilinha Borba: Homero Ferreira – “Milagre do Viagra”

2007 – Prêmio Chiquinha Gonzaga: Bete Bissoli – “Pra Carmen”

2008 – Prêmio Lamartine Babo: Mauro Diniz e Claudio Jorge – “Volante e Cachaça não combina”

2009 – Prêmio Carmen Miranda: Edu Krieger – “Bendita Baderna”

2010 – Prêmio João Roberto Kelly – Renato Torres Lima –  “Bom Dia”

 

SERVIÇO
6° Concurso Nacional de Marchinhas Carnavalescas da Fundição Progresso – Prêmio João de Barro 

Inscrições: até  29 de outubro

Edital: www.concursodemarchinhas.com.br e distribuído em impresso na portaria da Fundição Progresso (Rua dos Arcos, 24 – Lapa – Rio de Janeiro)

Mais informações:

Fundição Progresso – (21) 2220-5070  –  carnaval@fundicao.org

CINEMA Vai Brilhar na Sapucaí

O Salgueiro já tem tema para 2011. A vermelho e branco da Tijuca levará toda a magia do cinema para a Sapucaí com o enredo ‘Salgueiro apresenta, o Rio no cinema: 2011, a ser desenvolvido pelo carnavalesco Renato Lage. O desfile terá um patrocínio de aproximadamente R$ 5 milhões da Fox Film do Brasil e servirá como plataforma para o lançamento do filme Rio 3D, uma animação produzida por Carlos Saldanha, o mesmo de A Era do Gelo.

A ideia chegou até a diretoria do Salgueiro através do prefeito Eduardo Paes, que após uma conversa com Carlos Saldanha, viu no desfile uma excelente forma de promover o filme, que tem a Cidade Maravilhosa como cenário. Antes, no entanto, o tema foi proposto à Vila Isabel. A diretoria da escola tijucana fará o anúncio oficial amanhã, quando promoverá festa que marcará também a reinauguração de sua quadra.

Passeio por clássicos do cinema

Na Avenida, o Salgueiro, que foi campeão em 2009, lembrará grandes filmes ambientados no Rio e que tiveram repercussão internacional, entre eles: ‘Voando para o Rio’, ‘Interlúdio’, ‘Orfeu Negro’, ‘007 – O espião que me amava’, Central do Brasil, Cidade de Deus, Tropa de Elite e O Incrível Hulk.

Walter Salles será um dos homenageados na Sapucaí

Diversas fases do cinema brasileiro também serão homenageadas pela Academia do Samba, começando pelo pioneirismo de Humberto Mauro, passando pelas chanchadas e o Cinema Novo e indo até o momento atual. Cineastas importantes como Glauber Rocha, Cacá Diegues, Leon Hirszman, Fernando Meirelles e Walter Salles serão citados no enredo.

Salgueiro exaltará a primeira animação ambientada no Rio

Rio 3D conta a história de uma arara azul que deixa o conforto de sua gaiola, no interior do Estado do Minnesota, nos EUA, e parte para o Rio. Anne Hathaway, Rodrigo Santoro e Neil Patrick Harris estão entre os dubladores. A produção fica por conta de Chris Jenkins e Bruce Anderson. O filme tem lançamento previsto para  abril de 2011.

Lembrando meu amigo TONINHO DANTAS

Todas as vezes em que nos falamos foi sempre muito bom.
A imagem que terei dele, sempre, é a de um extrovertido, simpático e bonachão por excelência. O sorriso dele começava nos olhos e o coração não se fartava de repartir benquerença, amizade, interesse sincero e indormido sobre os rumos da Arte e da Cultura.

Falo de TONINHO DANTAS, meu querido, enorme e inolvidável amigo santista, a quem tive a honra e a gratíssima satisfação de conhecer em 2008.

Ele foi o mentor do festival de curtas-metragens de Santos e seu coordenador por 6 edições. Ainda sabendo do festival só por notícias via imprensa, aquele festival me despertou curiosidade. Quis muito estar lá em 2007, quando os queridos Julinha Lemmertz e Beto Brant foram homenageados, mas à época eu seguia para outro festival bacana e necessário, a MoVA Caparaó, que acontece num dos mais belos e recônditos lugares do país, o entorno da serra do Caparaó, na divisa Espírito Santo-Minas Gerais.

E enquanto eu curtia as belezas e encantos da mística Patrimônio da Penha, amigos como Gui Castor e André Costa estavam em Santos, tendo oportunidade de conhecer Toninho.
          

Ano seguinte, já formigando de vontade de ir a Santos e conhecer o festival, recebi – através de indicação do estimado amigo Marcelo Pestana – convite para integrar a comissão julgadora do festival e lá fui eu… levava ótimas expectativas na bagagem mas confesso que tudo foi muito melhor do que minha imaginação conseguiu supor.

Cineasta BETO BRANT foi um dos homenageados do Curta Santos em 2006

O Curta Santos criou uma tradição de abrir o festival com uma Noite de Gala, quando a platéia é brindada com diversos números artísticos. Em 2008, esta noite foi no belo e histórico Teatro COLISEU, onde Eva Wilma recebeu homenagem das mãos da colega Irene Ravache, José Wilker das mãos de Marisa Orth e Lea Garcia interpretou belo poema sobre trajetória de lutas, percalços e vitórias da mulher brasileira. Na platéia perto de mim, revi os amigos Lili Caffé e Lírio Ferreira. E a noite virou apoteose quando a escola de samba X-9 assumiu o palco e fez um dos mais emocionantes espetáculos já flagrados por minhas retinas.

Fachada do imponente Teatro Coliseu, em Santos

Trajados com inspirado figurino e nutridos de inegável paixão pela magia transfiguradora da Arte, atores-bailarinos e dançarinos-intérpretes tomaram todos os escaninhos do palco e embeveceram a platéia. Com o signo carnavalesco dramaturgicamente celebrado no palco, a configuração cênica do espetáculo tinha raizes fincadas na linguagem consistente e arquetípica de Plínio Marcos, um amigo santista a quem Toninho não deixava de sempre citar com carinho, admiração, alegria e orgulho pelas atuações conjuntas em muitos anos de luta em prol da justiça social, livre expressão e respeito às liberdades individuais.

Mesclando carnaval e teatro, a profundidade pliniomarquiana com a algarravia sadiamante feliz dos passos carvalizantes, a turma da escola muitas vezes campeã da folia santista – X 9 – deixou a platéia estarrecida diante de tamanha festa para os olhos e a vontade era seguir dançando junto com eles. E a X 9 encerrou a noite provando porque é “tão fácil” dominar os circundantes, de forma apoteótica, fez-nos dançar e encher a alma de sonho, festa e magia.
                   

 No meio deles, a alegria de Toninho parecia a de um garoto recém-saído da escola, vibrando pela certeza da tarefa bem feita e extasiado com a euforia que dominava a escola e contamina a platéia, na qual estavam realizadores de audiovisual de todo o país.  
               

A semana só começava e a acolhida da equipe do festival ia começando a plantar saudades. Todo o elenco participante do festival ancorou no confortável Hotel Avenida, onde se toma um dos melhores cafés-da-manhã do país, de frente para a profusa beira-mar santista.

 
Naquele Curta Santos, tive a feliz companhia do incomparável André Costa. Conheci também Jefferson D, Rodrigo Azevedo, Ricardo Prado, a Inês Cardoso (filha da Ruth Escobar), Mariana Bezerra (filha de Octávio), Ana Cris, Daniel Tavares (do curta Café com Leite), Ruy Burdisso  além de diversos realizadores argentinos (Cine Vivo) – a cinematografia do país foi gentilmente homenageada pelo festival -, a poeta Alzira Rufino e todas as guerreiras da Casa de Cultura da Mulher Negra (onde Toninho era recebido com indisfarçável alegria), além da bela Madi Soquer, modelo escolhida para todas as peças publicitárias do festival. E ganhei um especial presente no encontro com Juninho Brassalotti, o produtor-executivo do festival, braço direito e esquerdo de Toninho, figura exemplar de companheiro e compromisso com os deveres assumidos.

Lembro bem quando Toninho avisou com sua espontaneidade contagiante do sábado de “cangerê” na quadra da X9. Seus olhos brilhabam quando o ônibis com os realizadores aportou em frente à quadra da escola de samba de seu coração. E que delícia foi aquela tarde de chuvoso e animado sábado ao som da pulsante bateria da campeã santista. Como não podia faltar no script, tendo Toninho tinha sempre muita conversa descontraída, muito papo franco e muitas palavras para saudar os companheiros. E ele tinha prazer em repartir o microfone: queria ouvir a voz de todos, conhecer a alma de cada um, conviver o mais possível com a bagagem cultural de quem convidava pra sua cidade como para fazer conhecer um pouquinho de casa e repartir um muito de sua alegria.

Coube a Juninho me informar da passagem de Toninho e imagino o quão difícil isso foi. Ele sabe bem o quanto eu e Toninho éramos ligados… sempre que pedi qualquer coisa a Toninho, fui mais do que atendida. Desde que nos conhecemos, a troca de idéias entre nós correu franca, livre e constante. Toninho pedia opiniões, dava sugestões, queria palpites e acatava idéias com impressionante cordialidade. 

Foi assim que acatou minha idéia de reverenciar, em 2009, o ator Matheus Nachtergaele, ilustre Homenageado da última noite do Curta Santos ano passado. Para entregar o troféu Claudio Mamberti, convidou o irmão do saudoso ator, Sérgio Mamberti, e, por coincidência, naquele dia lembrava-se mais um ano da partida de Claudio.
Generoso e integro, Toninho convidou-me ao palco para saudar Matheus, abrindo valeiras para ancorar minha emoção ante ao Artista tão Admirado. Conferiu-me então uma das mais marcantes noites de minha vida. Matheus é um símbolo do ácme a que pode chegar um Ator. Tornou-se amigo de quem o admira desde o início, quando começou a ganhar destaque nacional pela qualidade de sua atuação visceral em O Livro de Jó, com a companhia da Vertigem.

Então não sabíamos que aquela seria a última noite de Toninho à frente de seu filho mais novo e amado, a quem fez brotar com a chama do amor pelo Cinema, respeito pelos colegas, vontade de ver os abraços florescerem em forma de realização artística, e a determinação de quem sempre apostou no afeto e na Arte como senda para uma humanidade mais fraterna, sensível e solidária . A noite de homenagem a Matheus Nachtergaele no mais antigo cinema de Santos – o REX do Gonzaga – foi uma noite onde tudo deu certo e todos pareciam se abraçar numa comunhão sem dissonâncias nem assintonias.

 

Toninho Dantas, idealizador do CURTA SANTOS, sempre cercado de amigos, deixa Santos de luto…
Naquele 2009, agora tão forte na lembrança e tão distante no espaço, o ator Ney Latorraca, outro santista ilustre, também foi homenageado recebendo uma “estrela” na Calçada da Fama do REX. Com ele, e mais o ator Edi Botelho, o cineasta Luís Carlos Lacerda (de quem foi exibido o curta Vida Vertiginosa), o empresário da noite Cabbet e a empreendedora Edna Fuji, passamos momentos agradáveis e de benfazeja fruição discursiva e gastronômica, que agora marejam nossos olhos de doída saudade.

Este ano, Toninho pretendia instituir uma temática feminina ao festival e queria ter como ícone a carioquíssima atriz Leila Diniz. Ainda não sabia se Janaína embarcaria na idéia mas chegou a me falar sobre o assunto todo animado. Como era de costume, passei-lhe várias idéias para a programação. Uma dessas dizia respeito à homenagem que há tempos queria fazer ao cineasta Karim Aïnouz, de quem sou orgulhosa conterrânea. Outra sobre a possibilidade de uma mostra especial de curtas femininos, os quais recrutaria entre trabalhos de tantas colegas realizadoras.

                  De pronto, Toninho vibrou com as idéias e disse-me que faltava apenas fechar patrocínios, mas eu ainda tive tempo de dizer-lhe que faria tudo quanto estivesse ao meu alcance antes e apesar de existir ou não verba.
                 Despedimo-nos com a mesma recíproca satisfação e eu contava os  meses para regressar à querida Santos, rever amigos feitos pelo condão acolhedor da alquimia de Toninho, como Juninho Brassalotti, Ricardo, Jamila, Marcelo Pestana, Carlos Cirne, Rodrigo , Jackson, Milena Guimarães e tantos tantos outros. E abria espaço na bagagem para levar a Toninho meu maior abraço, meu carinho mais “exagerado” e minha sintonia atemporal, expressos com serena convicção porque se sabiam irmãs e bem-vindas.
TONINHO DANTAS, vai com Deus, amigo ! E até qualquer dia.

PATRIMÔNIO CINÉDIA

Acabo de rever o programa Arquivo N da Globo News em homenagem aos 80 anos da CINÉDIA, a primeira companhia produtora de cinema do país e que continua viva, funcionando no bairro carioca de Santa Teresa, graças ao empenho indormido e a determinação de Alice Gonzaga, filha de seu fundador, o pioneiro Adhemar Gonzaga.

                O Arquivo N é um dos bons programas da grade da Globo News, um entre tantos apresentados pela emissora líder de audiência da tevê em circuito fechado. Sempre um grande tema, um assunto que merece ser mais conhecido.

                Em especial este Arquivo N com a Cinédia, apresentado por Leilane Neubarth – jornalista das melhores entre tantos do time da emissora -, vale a pena ser visto, revisto, gravado para a posteridade.

                 No programa, que começa mostrando cenas onde aparece Nélson Gonçalves cantando, e faz um passeio por imagens do Rio de outrora – Copacabana e Ipanema quase desertas, evidenciando uma cidade onde o carnaval “ano a ano transbordava por todas as ruas do Rio” -, um bom prólogo para falar sobre a criação da Cinédia. A companhia nasceu no bairro de São Cristóvão numa iniciativa impensável para a época e, através do rico material de arquivo (guardado a sete chaves e mil emoções por Alice Gonzaga), vislumbramos o que foi a iniciativa ousada e pioneira de Adhemar Gonzaga, o jornalista que sempre teve paixão por cinema e cujo grande sonho era ver consolidada uma indústria de cinema no Brasil.

                Adhemar foi aos Estados Unidos para conhecer de perto a “fábrica de sonhos” de Holywood. E quando desembarcou de volta no Rio de Janeiro, trazia na bagagem (ainda muito mais forte) o sonho da fundação da Cinédia, ancorado no que viu de melhor e mais moderno.

        Antes da CINÉDIA, o trabalho jornalístico de Adhemar se fez , notar em duas publicações: as revistas Palcos e Telas e a Cinearte, de 1926. E como o próprio Adhemar conta em imagens que o Arquivo N mostrou, “A Cinédia foi fruto de dois trabalhos anteriores, a Cinearte,  e o filme Barro Humano”.

 Mas tem ainda a história de Lábios sem Beijos, que a cineasta pioneira Carmen Santos tentou fazer com direção de Ademar mas acabou não conseguindo concluir. Como era dele mesmo o roteiro, Adhemar acabou dirigindo o filme, que foi lançado em 1930, com produção de Paulo Benedetti, e que os registros guardam como o primeiro grande êxito bilhetérico da Cinédia.

Já o professor Hernani Heffner, que leciona História do Cinema na PUC carioca, destaca o fato de que, numa época em que não havia patrocínios nem leis de incentivo, Adhemar Gonzaga “resolveu inventar uma coisa que ele mesmo chamava de Cinema Brasileiro: o sonho era criar uma grande produtora de Cinema Brasileiro, nos moldes do que se fazia de melhor no mundo.”
 
O Arquivo N da Globo News mostra imagens preciosas de Adhemar Gonzaga em documentário onde informações relevantes compõem um mosaico no qual se compreende a grandeza e importância do trabalho de Adhemar, inclusive revelando passagens inusitadas como uma cena na qual um personagem precisava ser atropelado e ele mesmo se dispôs a ser a vítima “para dar mais realismo” à cena .

Adhemar Gonzaga dirigindo a “estrela” Carmen Miranda…

Do Arquivo N sobre a Cinédia, anotamos algumas máximas para atiçar a curiosidade e interesse de jovens estudantes e pesquisadores da Cultura e do Audiovisual Brasileiros:

* Adhemar falava sempre em nome de uma coletividade
* Adhemar foi praticamente o “descobridor” de Carmen Miranda
* Grandes nomes foram revelados através dos filmes da Cinédia: Grande Otelo, Oscarito, Paulo Gracindo, Dercy Gonçalves, Cyl Farney, Rodolpho Mayer, Emilinha Borba, Marlene…

* Um dos grandes sucessos da Cinédia foi Pinguinho de Gente, de 1949, direção de Gilda de Abreu, uma das mais caras produções da companhia, à época dois mil contos, sendo uma das mais caras produções do cinema brasileiro – como diz Alice: “Só a cascata de baianas brancas descendo as escadas, já valia o filme”. De fato, a seqüência é primorosa !

Carmen Miranda: Artista “descoberta” pelo pioneiro Adhemar Gonzaga

A Cinédia estava sempre produzindo mas como era a própria companhia quem bancava os filmes, era preciso sempre fazer o que dava,  mais retorno de bilheteria, os musicais para que entre um musical e outro, fosse possível ousar mais e fazer então um filme mais sério  – foi o caso de O Cortiço, de 1945, direção de Luiz de Barros.

Entre as grandes produções da CINÉDIA, o emblemático Alô, Alô Carnaval, direção de Adhemar Gonzaga, “um filme eterno porque as gerações que se sucedem vão estar sempre interessadas em vê-lo porque os grandes nomes da música brasileira da época estão lá – Lamartine, Almirante, Carmen e Aurora Miranda, Marlene, Emilinha…”, afirma Alice Gonzaga.

As irmãs Carmen e Aurora Miranda: Estrelas da CINÉDIA

Aliás, outra pérola do Arquivo N é a entrevista de Leilane feita com Alice em 1986, quando a pesquisadora/escritora conta detalhes de produções como Anjo do Lodo, de 1951, direção de Luiz de Barros, que teve problemas com a censura por conta de uma cena onde a ex-vedete Virgínia Lane aparecia em “trajes menores”. Há ainda a passagem com a famosa “cena das rabanadas”, onde o saudoso Grande Otelo conta (em entrevista de 1985 a Sandra Passarinho) sobre as “dificuldades” para fazer a cena – um trunfo !

Nestes 80 anos de Cinédia, são 56 longas realizados e mais de 700 documentários entre curtas e médias-metragens e cinejornais, a maioria perdidos pelo desgaste do tempo.

E o programa termina com um precioso alerta de Alice Gonzaga, cuja sabedoria é fruto da familiaridade de muitos anos de trabalho e dedicação, na lida cotidiana com as dificuldades de preservação de um acervo do porte do da Cinédia:

” Se os donos de seus acervos não se mexerem e deixarem por conta de terceiros a preservação de seu material pensando que eles vão fazer, não se enganem não porque eles não vão fazer mesmo”.

    E nós, apreciadores, estudantes, estudiosos, pesquisadores e amantes da História do Cinema Brasileiro solidarizamo-nos com Alice Gonzaga e prestamos nossa sincera homenagem ao pioneirismo exemplar da CINÉDIA e de Adhemar Gonzaga, ao mesmo tempo em que parabenizamos a determinação e bravura de Alice em seguir firme e apaixonadamente a trajetória iniciada por seu pai, legando às atuais e futuras gerações o mais rico patrimônio privado de preservação da memória audiovisual brasileira.

Na edição 2008 do GUARNICÊ, em São Luís, Alice Gonzaga, Aurora Miranda Leão e Euclides Moreira Neto

           Preservando a memória audiovisual da CINÉDIA, Alice colabora sobremodo para manter viva parte significativa de décadas de História Brasileira – conservando-se através dos filmes a atuação de artistas do teatro, do rádio, da música, da moda, técnicos, fotógrafos, ambiência sócio-política-econômica, paisagens naturais, enfim, através desta singular memória audiovisual preserva-se todo um acervo riquíssimo da vida cultural do país.

     Portanto, VIVA a CINÉDIA ! Salve Alice Gonzaga !

     

E Parabéns à equipe da Globo News (Leilane Neubarth, em especial) pelo senso de oportunidade de realização do Arquivo N e à Petrobrás, que vem contribuindo fortemente na restauração de filmes do acervo da CINÉDIA. Saravá !

EMOÇÃO PULSA AZUL e AMARELO

UNIDOS DA TIJUCA e BOCA JUNIORS têm as mesmas cores… VIVAAAAAAAAAAA !!!