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Carpinejar: “Somos o que ficamos depois de sofrer”

Carpinejar questiona a supervalorização do celular nos ...

Poeta Carpinejar faz lives na quarentena e vai prosear com o #auroradecinema nesta quarta, 15 de abril…

 

Gostei do que ele escreve desde as primeiras frases que li. Era tão bonito e diferente, que fui procurar saber do autor. Fui encontrando outros textos, e descobri matérias de jornais e sites. E fui procurar outros textos, e encontrei, e gostei mais ainda. Até que cheguei às entrevistas, e um dia lá estava ele na tevê, no saudoso programa do qual a gente lembra com saudade porque não ia pra cama sem ele. Jô Soares entrevistou por mais de uma vez o poeta gaúcho de Caxias do Sul, filho do escritor Carlos Nejar (sobre quem meu pai costumava falar) e foi sempre ótimo: a poesia se derramava em respostas ágeis, inteligentes, espontâneas e sempre de mãos dadas com a transgressão. Seria impossível não empatizar.

Fabrício Carpinejar: o olhar de despedida é o mais bonito: o ...

Desde aquele 2000, nunca mais deixei de ler CARPINEJAR. E ele escreve coisas novas todos os dias. Adoráveis. Leio as novas, e revisito as antigas, cotidianamente. Nas manhãs de quarta, é possível ver o poeta no programa de Fátima Bernardes. Mas sua grandeza e eloquência são muito anteriores à presença na TV: ao contrário, a tevê é que o chamou para enriquecer suas manhãs.

Fabrício Carpinejar é um esteta da emoção. Impressiona-me sua capacidade de dizer tão bem sobre temas tão diversos e trazer sempre um frescor em sua poética tão singular. Interrogo-me sobre como é possível dizer e escrever com tanta maestria, e procuro, em vão, uma palavra capaz de traduzir a riqueza imagética, sensorial e emocional que habita suas crônicas diárias.

Fabrício Carpinejar: "Como eu amo quem se importa em amar, apesar ...

Difícil não sintonizar Carpinejar. O poeta gaúcho parece dotado de infinita capacidade de transformar tudo que escreve em metal precioso. Não raras vezes, arrepio ou choro lendo texto dele. Não canso de repetir isso, nem de ler o poeta, tampouco de aplaudir o que faz.

Os que o acompanham sabem, e são milhares: Carpinejar foi criança vista com limitado coeficente de atenção, sem condição de ser alfabetizado e frequentar uma escola. À mãe dele, recomendaram colocá-lo para estudar numa escola especializada em pessoas desprovidas de capacidade. Sim, aos 8 anos, o poeta foi “diagnosticado” com deficiência motora grave, incapaz de ter desenvolvimento motor sadio, normal, em contato com outras crianças.

Pois foi graças à sabedoria, dedicação e suprema ousadia e lucidez da poetisa Maria Carpi que a criança “descapacitada” transformou-se neste que é hoje o Mais Aplaudido Poeta Brasileiro Vivo, notável expressão da poesia nacional, com mais de 40 livros publicados, os maiores prêmios literários do país, programas de rádio, e milhares de seguidores em diversas redes sociais. Carpi já chegou ao teatro, divide parceira musical com a dupla Kleiton e Kledir, e faz semanalmente um consultório sentimental chamado “Procon do Amor”, no qual há espaço para desabafos e confissões de apaixonad@s, sobretudo do sexo masculino. É o poeta, mais uma vez, trilhando a contramão da normalidade e reafirmando o poder da transgressão e da livre profusão de caminhos.

Foi ela, a ousada e aguerrida Maria Carpi, sua mãe, que resolveu ensinar as letras que a escola não o julgava capaz de aprender: Maria assumiu a árdua e doce tarefa de alfabetizar o filho e conduzi-lo pelos caminhos das letras. Foi inventando versos, rascunhando tarefas – em dimensões que só o amor alcança, e lapidando modos para ensinar as letras que a escola formal não o julgava capaz de aprender -, que a mãe deu força, luz, fé, garra e confiança ao filho para chegar onde chegou. E o Poeta sabe bem disso. É de uma gratidão linda, comovente, profunda e constante à mãe. Como cabe ao tamanho de Poeta e Homem Iluminado que é Carpinejar.

Enquanto a escola da infância o taxava de ‘incapaz de estudar junto às crianças normais”, “incapaz de aprender como os outros”, “incapaz de ser alfabetizado com as mesmas regras das crianças normais”, o amor de mãe prosseguiu lhe ofertando amor, respeito, inteligência e dedicação, e assim foi lapidando o vigor intelectual e o redemoinho de emoções que o poeta espraia pela profícua obra que chegou ao público em 1998 com o primeiro livro, “Um terno de pássaros ao sul”.

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Carpinejar acaba de disponibilizar na internet o audiobook de seu penúltimo mais recente livro (“Família é tudo” é o mais recente), “Cuide dos pais antes que seja tarde”, mais um best-seller da carreira, com mais de 40 mil cópias vendidas. Para fazer o download, basta acessar o site da Auti Books: queroacessar/autibookscom/vamosajudar e utilizar o cupom de desconto integral. A obra traz pequenas reflexões, sem títulos e sem divisão em capítulos, sobre o envelhecer em família: “É uma canção de ninar aos pais, um pedido de desculpas de um filho adulto tentando ser o filho possível”, diz o poeta.

Sobre o livro, diz ainda o poeta: “É a maturação do meu processo de ser um bom filho, porque tinha percebido que não estava sendo, que odiava meus pais, que não os conhecia e que eles eram estranhos íntimos. Os filhos acabam realizando uma omissão de socorro. Por outro lado, os pais não têm medo da morte, mas sim, da solidão. Querem ouvir do filho ‘estou aqui, pai, estou aqui, mãe’. Só não querem ir para o outro lado sem segurar a mão do filho”.

 

Carpinejar acredita que há uma recuperação desse mundo paterno e materno em que nem todos se enxergam e conta como nasceu a ideia do livro: “Só nos damos conta quando perdemos. Quando fui levar meu pai ao médico, ao preencher o prontuário percebi que não sabia nada dele. Se tinha alergia a alguma medicação, se tinha feito alguma cirurgia, quais remédios tomava, o tipo sanguíneo”. A partir daquele dia, percebeu que era filho mas não amigo do pai: “Ele me sabia de cor, mas eu não sabia ele de cor. Passamos a metade da vida fugindo deles e a outra procurando-os. Os pais não querem muito. Não querem nada nababesco, faraônico, querem que os filhos cheguem à casa deles de surpresa.”
Carpinejar destaca como gestos simbólicos, como um café da tarde com os pais, são importantes:
“Não nos damos conta do tempo que a gente pode devolver, só do que a gente quer consumir. Não temos a gratidão, e isso é o que mais falta hoje. Quem tem gratidão perdoa com mais facilidade. O único jeito de curar lembranças tristes não é ficando longe, é continuando a conviver, criando lembranças felizes”.

Ele, o Poeta, que encanta e atua em várias áreas, brilhante em todas elas – seja como jornalista, radialista, apresentador de TV, cronista televisivo, conselheiro sentimental, palestrante, poeta e escritor, merecedor de vários prêmios, no país e no exterior, aplaudido onde quer que vá -, anda fazendo lives nesta quarentena. Como não podia deixar de ser: nada mais semelhante a Carpi do que abrir trilhas para o contato com o leitor/seguidor, e sua imensa capacidade de renovação.

Pois quem participará de uma LIVE com o Poeta nesta quarta, 15 de abril, é esta que vos fala: foi com muita emoção que recebemos o convite do próprio poeta na semana passada. E de lá pra cá, estamos a reler Carpi e a nos mobilizar para recomeçar uma conversa com o poeta, ainda que virtual, mesmo que cada um na sua casa. Tudo bem: o tempo exige, a quarentena dita e nós fazemos nossa parte. Mesmo porquê, próximo ou distante, eu e Carpi estamos e estaremos sempre próximos em sentimento, emoção e palavras e empatia.

Carpinejar | Aurora de Cinema Blog

Poeta Carpinejar e jornalista Aurora Miranda Leão vão se encontrar em Live nesta quarta, 15 de abril, às 20h, pela rede social Instagram…

 

A você, amigo leitor, convidamos para conferir a LIVE Eu e Meu Leitor com o poeta Carpinejar conversando com a jornalista Aurora Miranda Leão: é nesta quarta, 15 de abril, às 20h, na conta dele do Instagram ou na nossa @auroradecinema.

Até lá !

Feliz Feriado !

CARPI 372

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