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PAGU na Casa das Rosas

 COM DOCUMENTOS INÉDITOS, FOTOBIOGRAFIA EDITADA pela IMPRENSA OFICIAL e Unisanta retrata trajetória de Patrícia Galvão, a musa modernista

“Viva Pagu – Fotobiografia de Patrícia Galvão”, de Lúcia  é editada pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e Editora Unisanta.  

Escritora, jornalista, militante política e mulher de teatro, Patrícia Galvão (1910-1962) lutou com paixão em muitas trincheiras. Viva Pagu – Fotobiografia de Patrícia Galvão, de Lúcia Maria Teixeira Furlani e Geraldo Galvão Ferraz, coedição da Imprensa Oficial do Estado e da Editora Unisanta, retraça a rica trajetória da musa dos modernistas a partir de amplo material iconográfico e muitos documentos inéditos. O lançamento será dia 1o. de julho, a partir das 19 horas, na Casa das Rosas, à Avenida Paulista número 37. Viva Pagu também é o nome da mostra que será inaugurada no mesmo dia no local.

Lucia Maria reuniu documentos de e sobre Pagu durante mais de vinte anos. Na fase final do processo, nos últimos cinco anos, contou com a  ajuda do jornalista Geraldo Galvão Ferraz, filho da escritora. O livro traz muitas fotos, mas também desenhos, cartas e textos. Todas as cartas são inéditas, além de fotos e vários textos – como “Microcosmo”, que ela escreveu na prisão, em 1939, e duas peças teatrais inéditas: “Parque Industrial”, baseada no romance homônimo publicado em 1933 e “Fuga e Variações”, escrita em 1952.

A autora comenta que Patrícia é personagem típica de um tempo de grandes paixões: “Ela documentou seu próprio cotidiano, marcado por uma busca constante. Esta fotobiografia recupera as oscilações de uma vida tumultuada, contraditória e destaca a intensidade com que ela abraçou as causas. Ainda é tudo muito atual, seus questionamentos, sua busca. O livro demonstra que sua vida valeu a pena”.

Na introdução, Geraldo Galvão Ferraz, filho de Patrícia e co-autor da obra, diz que trabalhar no livro foi, de certa maneira, um jeito de conhecer Pagu e reencontrar, quarenta e quatro anos depois, Patrícia/Pat/Pagu e, até mesmo, Zazá: “Infelizmente, não conheci Pagu. Eu a chamava de Mau, cognome certamente forjado no carinho das intimidades de mãe e filho. Minha mãe não gostava de ser chamada de Pagu. Era um nome que ficara no passado, quando ela vivia outra vida, buscava outros ideais, jogava-se apaixonadamente em defesa de outras bandeiras. Temos certeza de que quem for ver/ler este livro conhecerá uma Pagu da qual nunca se suspeitou. Afinal, nossa proposta não era roubar a alma de ninguém, mas fazer nossos eventuais leitores se aproximarem dela. Se conseguirmos isso, nosso objetivo estará realizado”.

 “Patrícia Galvão tem uma biografia extraordinária. Entregou-se de corpo e alma em várias frentes culturais e políticas, movida por ideais que continuam na ordem do dia, como a justiça social e a transformação do homem por meio da cultura”, lembra Hubert Alquéres, diretor-presidente da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

 A vida de Pagu é apresentada em três blocos. O primeiro fala das origens da família e vai até os dezoito anos da biografada, quando conheceu o poeta modernista Raul Bopp, que a apresentou a Oswald de Andrade. 

O segundo bloco começa com o início de sua relação com Oswald, com quem teve um filho, Rudá, em 1930, e vai até sua libertação, em 1940, muito debilitada depois de passar quatro anos e meio em vários presídios políticos, onde sofreu torturas. Primeira mulher presa no Brasil por motivos políticos, em 1931, Pagu, foi detida dezenas de vezes por sua militância comunista. Entre 1933 e 1935 visitou a China, o Japão, a União Soviética e passou uma temporada em Paris, onde também foi presa.

Durante a estadia em Moscou, desencantou-se com o comunismo, mas pouco depois de retornar ao Brasil, em 1935, foi presa em consequência do fracassado movimento comunista de 1935. Parte considerável da iconografia deste bloco é formada por reproduções facsimilares de cartas (principalmente as enviadas para Oswald, de quem se separou em 1935, e Rudá) e de informes e prontuários do Deops, mostrando que era vigiada de perto pelo governo de Getúlio Vargas.

Os últimos 22 anos de sua vida são apresentados no terceiro bloco, período no qual a militância política aos poucos deu espaço à militância cultural. Pagu casou-se com Geraldo Ferraz e ambos trabalharam em vários jornais de São Paulo, Rio de Janeiro e Santos – cidade onde se fixaram em 1954. Ela manteve intensa atividade como cronista e crítica literária, além de se envolver cada vez mais com teatro, traduzindo, produzindo e dirigindo peças de autores praticamente ignorados no Brasil dos anos 1950, como Francisco Arrabal, Eugène Ionesco e Octavio Paz. Tornou-se uma das principais animadoras do teatro amador santista, origem de nomes como Plínio Marcos.

O volume traz ainda uma cronologia; uma bibliografia de obras de Patrícia Galvão; uma bibliografia sobre ela; um breve capítulo sobre o envolvimento de Pagu com a cidade de Santos, muito presente na vida dela na adolescência, na fase de militância política – quando residiu na cidade e trabalhou como operária – e nos últimos anos de vida.

Catalogação Bibliotecária

 

IMPRENSA OFICIAL LANÇA CÓDIGO
DE CATALOGAÇÃO BIBLIOTECÁRIO

“Código de Catalogação Anglo-Americano” é ferramenta de trabalho para os profissionais de biblioteca na organização dos acervos que a cada dia ganham mais recursos, além dos habituais livros e revistas. Lançamento da obra, composta por dois volumes, acontece dia 10 na Casa das Rosas.

Código de Catalogação Anglo-Americano, revisão 2002, 2ª edição
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições (Febab)
824 páginas (dois volumes)
R$ 200,00

Adotado na maioria das bibliotecas brasileiras, o Código de Catalogação Anglo-Americano é o instrumento técnico utilizado por bibliotecários para organizar seus acervos, compostos cada vez mais por fitas de vídeo, filmes e discos, além dos já tradicionais livros, jornais e revistas.

Por sua importância para a área, a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, em parceria com a Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições (Febab), lança no próximo dia 10 (quinta-feira) a 2ª edição do Código de Catalogação Anglo-Americano, revisão 2002. A obra foi preparada sob a direção da The Joint Steering Committee for Revision of AACR e traduzida pela Febab. O evento acontece a partir das 19 horas, na Casa das Rosas – av. Paulista, 37, São Paulo.

Presidente da Febab entre 2005 e 2008, Marcia Rosseto explica na apresentação da obra que os princípios do Controle Bibliográfico Universal foram consolidados no século XX pela institucionalização de programas e projetos internacionais. Em 1961 a “Conferência Internacional sobre Princípios de Catalogação”, realizada em Paris, apresentou propostas que resultaram na publicação do Código de Catalogação Anglo-Americano (Anglo-American Cataloging Rules-AACR), em 1967. Em 1969, foi publicada a primeira edição brasileira do código. Em 1978, um novo código foi editado em inglês, traduzido para o português e lançado pela Febab em 2 volumes: o primeiro, em 1983, e o segundo em 1985. No entanto, ambos estavam esgotados.

De acordo com o presidente da Imprensa Oficial, Hubert Alquéres, a multiplicação e a diversificação das fontes, a pluralidade dos meios utilizados e a intensificação do intercâmbio tornaram as tarefas dos bibliotecários mais complexas na hora de organizar os acervos, incluir novos suportes e atender à demanda dos usuários, requerendo o desenvolvimento das formas de armazenar, recuperar e difundir as informações. “Nesse contexto, a existência de um sistema classificatório atualizado e amplamente aceito tornou-se ainda mais vital, aumentando a importância do Código de Catalogação, conhecido como AACR2, norma internacional que subsidia o tratamento da informação e é adotada pelas grandes bibliotecas de todos os países”.

A obra foi dividida em dois volumes. O primeiro engloba os capítulos 1 ao 13 e o segundo inclui os capítulos 21 ao 26, Apêndices e Índice.

Com 376 páginas, o primeiro volume contém instruções para a formulação da descrição de materiais de biblioteca, baseadas na estrutura geral utilizada para a descrição de materiais de biblioteca – Descrição Bibliográfica Internacional Normalizada Geral ISBD(G) – conforme acordo entre a Federação Internacional de Associações de Bibliotecários e Bibliotecas (IFLA) e a Comissão Executiva Conjunta para Revisão do AACR. Seu conteúdo é composto por regras gerais de descrição; livros, folhetos e folhas impressas; materiais cartográficos; manuscritos; música; gravações de som; filmes cinematográficos e gravações de vídeo; materiais gráficos; recursos eletrônicos; artefatos tridimensionais e realia; microformas; recursos contínuos; e análise.

Já o segundo volume, com 448 páginas, trata da escolha dos pontos de acesso para as entradas principais e secundárias (capítulo 21), da forma dos cabeçalhos, dos títulos uniformes (capítulos 22-25) e das remissivas (capítulo 26). Já o capítulo 23 fala de nomes geográficos, enquanto nos 22, 23 e 24 há regras para acréscimos a nomes usados como cabeçalhos.

APLAUSO para SÉRGIO RICARDO

Um dos artistas brasileiros mais completos e criativos de todos os tempos, o compositor Sérgio Ricardo dividiu-se, e continua dividindo-se, entre as mais diversas expressões da arte.

Sérgio Ricardo – Canto Vadio, obra escrita por Eliana Pace, coincide com os 60 anos de carreira do artista e prova que ele fez muito mais do que quebrar um violão no palco. O lançamento da Coleção Aplauso acontece hoje na Casa das Rosas. 

“Quem guardou na lembrança apenas a imagem de Sérgio Ricardo quebrando seu violão, talvez ignore a biografia de um dos nomes mais marcantes da cultura brasileira.

Cantor, compositor, poeta, escritor, cineasta com assinatura em uma série de curtas e longas-metragens premiados no Brasil e no exterior, pintor e um dos precursores da Bossa Nova, Sérgio Ricardo é um artista multimídia graças à sua inquietação e que está sempre se revezando entre a música e o cinema, o cinema e a pintura, a pintura e a música”.

É dessa maneira que a jornalista Eliana Pace, autora da biografia de Sérgio Ricardo, resume o significado do artista na abertura do livro da Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, com lançamento marcado para HOJE, 10 de maio, às 19 horas, na Casa das Rosas – Av. Paulista, 37.

Todo escrito em primeira pessoa, o livro percorre a vida de Sérgio, pseudônimo de João Lutfi, desde seu nascimento em Marília, interior paulista, no ano de 1930. Seu pai, comerciante, era “um grande contador de histórias” e leitor voraz, enquanto a mãe “cantava o tempo todo, até mesmo na cozinha ou lavando roupa”.

Sua infância foi típica de um menino do interior. Mais velho de quatro irmãos, aos 17 anos foi morar em São Vicente, com um tio. Ali trabalhou na Rádio Cultura, exercendo praticamente todas as funções. Pouco tempo depois realizou o sonho de ir morar no Rio de Janeiro, dessa vez com outro tio. Logo na seqüência, sua família também se mudou para a ainda capital federal.

Após uma breve e indisciplinada passagem pelo Exército, realizou o sonho de tocar piano na noite. Nesta fase fez amizades com diversos artistas que viriam a se tornar, como ele, expoentes da música nacional. Entre eles, Tom Jobim, João Donato, Johnny Alf e João Gilberto – de quem se tornou grande amigo e o influenciou a tocar violão.

 

Uma das curiosas passagens de sua vida aconteceu com Dick Farney, um de seus ídolos: “Ele veio durante o meu ensaio para ouvir Tu És o Sol, que eu tinha acabado de compor, e assim que saí do piano, sentou-se e aprendeu a música na hora. Impressionou-me a sua rapidez, cantou e tocou lindamente, dizendo que queria gravar a música. Fez apenas um reparo num acorde, queria mudar um mi bemol menor por um mi bemol maior, achava que ficaria melhor. Discordei e foi a maior burrice que fiz na vida”. Farney levantou-se do piano, foi embora e não gravou a música.

Entre idas e vindas, foi convidado para ser ator da TV Tupi e radioator da Rádio Tamoio. Depois, passou por várias emissoras, como ator, apresentador e diretor de programas, inclusive pela TV Globo. Sergio conta também sobre seu lado cineasta, tendo dirigido diversos filmes. Era grande amigo de Glauber Rocha – foi autor da trilha sonora de Deus e o Diabo na Terra do Sol e de Terra em Transe, além de filmes de outros diretores – e conviveu com figuras como Roberto Santos, Cacá Diegues, Leon Hirzsman, David Neves, Ruy Guerra, Capovilla e Joaquim Pedro de Andrade. Como se não bastasse, Sérgio foi também ator teatral, tendo sido dirigido inclusive por Augusto Boal e Chico de Assis. 

Fica clara no livro a contrariedade de Ricardo em rotular os gêneros musicais. Até mesmo sobre sua participação na “criação” da Bossa Nova o biografado mostra-se reticente: “Eu gostava muito dos shows que fazíamos, Pernas e outras composições minhas tinham a cara do movimento, mas eu não concordava com as regras estabelecidas pelo clubinho do Ronaldo Bôscoli: ser ou não ser Bossa Nova. ser ou não ser Bossa Nova.Johnny Alf não era Bossa Nova, João Donato não poderia ser Bossa Nova, nem Vinicius com suas canções de amor maravilhosas que ganhavam uma nova dimensão e que fez uma revolução poética na música popular”.

Sua preocupação com as questões sociais brasileiras e sua ligação com os partidos de esquerda fizeram com que fosse censurado durante o regime militar. Criou o Circuito Universitário, pelo qual fazia apresentações com cenários improvisados em universidades e permitia a participação dos estudantes nas apresentações. Quanto mais a repressão aumentava, mais Sergio Ricardo atuava nos “bastidores”, quase isolado, enquanto outros artistas exilavam-se.  

Sobre o famoso episódio em que quebrou o violão no palco, durante o Festival da Record de 1967, Sergio explica que tinha a ver com o avanço da repressão. Mas as conseqüências não foram boas: “O pior foi estar, daí em diante, não só na mira da censura, mas na autocensura das gravadoras, rádios e TVs, fato que dificultava a divulgação do meu trabalho ou da minha contratação para shows. Até ser esquecido como artista”. 

Sérgio Ricardo é ainda autor de três livros e, atualmente, desenvolve outra de suas vocações artísticas: a pintura. No final do livro, há a discografia completa, todas as músicas compostas, as trilhas sonoras gravadas, os filmes dirigidos e os livros escritos.

 

HISTÓRIA DE SAMPA ESMIUÇADA…

 

 

LIVRO “OS MELHORAMENTOS DE SÃO PAULO”, DE PRESTES MAIA, ESMIÚÇA A VERTIGINOSA TRANSFORMAÇÃO URBANÍSTICA DA CAPITAL PAULISTA 

Imprensa Oficial do Estado de São Paulo relança “Os Melhoramentos de São Paulo”, obra de 1945 na qual o então prefeito Prestes Maia explica as mudanças urbanísticas que introduziu na capital paulista durante sua primeira gestão como prefeito da cidade. Lançamento será dia 3 de maio, às 19 horas, na Casa das Rosas.

O engenheiro e arquiteto Francisco Prestes Maia (1896-1965) é considerado o pioneiro do urbanismo moderno no Brasil pelas profundas mudanças que introduziu na capital paulista durante sua primeira gestão como prefeito da cidade (1938-1945). Publicado originalmente em 1945 e reeditado agora pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, com apresentação de Adriana Prestes Maia Fernandes, filha do ex-prefeito, o livro Os Melhoramentos de São Paulo vai além de um inventário das obras realizadas pelo arquiteto. Conforme resume Hubert Alquéres, presidente da Imprensa Oficial, trata-se de um “precioso documento para compreender a vertiginosa transformação sofrida pela cidade durante o século XX e que estava esquecido”. O livro será lançado segunda (3 de maio), às 19 horas, na Casa das Rosas – Av. Paulista, 37. 

Os arrojados planos urbanísticos de Prestes Maia foram inspirados pelos projetos concebidos e realizados em Paris pelo barão Haussmann, na segunda metade do século XIX. Assim como o urbanista francês, Prestes Maia estabeleceu, por meio de eixos e conexões sistêmicas, a integração dos bairros centrais e estendeu os limites da cidade, dotando-a da infra-estrutura viária que permitiu sua expansão.

O plano de avenidas desenvolvido por ele na década de 1930 tinha como referência central a proposta de Haussmann para a capital francesa: um sistema radial de avenidas, partindo do centro, em que as principais vias conduzem a áreas verdes. Com ele, São Paulo preparou-se para a expansão do uso do automóvel, que só aconteceria a partir dos anos 1960. 

Dentre as principais realizações de Prestes Maia estão o projeto e a abertura das avenidas Duque de Caxias, Nove de Julho, Ipiranga, Vieira de Carvalho, São Luís, Anhangabaú (atual Prestes Maia); a construção da Ponte das Bandeiras, da Biblioteca Municipal e de uma importante galeria, na Praça do Patriarca, dedicada a exposições, posteriormente denominada “Galeria Prestes Maia”.

Os Melhoramentos de São Paulo também destaca outros aspectos da atuação do então prefeito, como a introdução do zoneamento na cidade, os trabalhos de canalização do rio Tietê, a construção de maiores e melhores galerias pluviais, a expansão da iluminação pública e o enriquecimento da paisagem urbana com monumentos e esculturas. 

O livro traz farta documentação iconográfica, composta por dezenas de fotografias da época. Complementa a obra uma série de depoimentos, artigos e conferências de contemporâneos de Prestes Maia, que recordam a eficiência e a probidade com que exerceu duas vezes o cargo de prefeito de São Paulo – primeiro nomeado pelo interventor Adhemar de Barros (1938-1945), na ditadura de Getúlio Vargas, e posteriormente eleito pelo voto popular (1961-1965). 

Além dos projetos para a cidade de São Paulo, Prestes Maia elaborou planos urbanísticos para Santos, Belo Horizonte, Curitiba, Votuporanga, Ribeirão Preto, Campinas, Poços de Caldas, Londrina e Santo André, além de esboçar planos para cidades inteiras como Cristo Rei (RJ), Jardim Umuarama (GO) e Panorama (SP).

IMPRENSA OFICIAL na CASA DAS ROSAS

Crônicas do Inesperado, do embaixador aposentado Renato Prado Guimarães, e Viva o Brasil, com imagens em preto e branco retratadas pelo fotógrafo francês Xavier Roy, são livros com crônicas e fotografias de autores encantados pelo Brasil.. 

 

 O Brasil sob as perspectivas de um brasileiro e de um francês é o tema da noite da próxima segunda-feira (22 de fevereiro) na Casa das Rosas (Av. Paulista, 37), com o lançamento de dois livros da Imprensa Oficial. Crônicas do Inesperado (R$ 40,00), do embaixador aposentado Renato Prado Guimarães, e Viva o Brasil, do fotógrafo francês Xavier Roy (R$ 60,00), apresentam o país em suas diversas dimensões. O primeiro traz crônicas com episódios curiosos vividos por Guimarães durante os anos em que morou em diversos países em razão de sua profissão, sempre com o Brasil como pano de fundo. O segundo tem pessoas e cenários fotografados por Roy entre 2003 e 2009 nas várias cidades brasileiras que visitou neste período. Os dois autores estarão presentes ao lançamento. 

Ainda inédito no Brasil – a obra foi lançada na Feira de Livros de Frankfurt, em 2009 –, Crônicas do Inesperado mostra um autor dono de uma prosa inteligente e divertida, narrando casos curiosos sobre música, história, futebol, discursos e rotinas diplomáticas. Renato Prado Guimarães exalta a cultura brasileira e o Brasil sem esbarrar em ufanismos – ele escreve, por exemplo, que a primeira carta sobre o Brasil não foi de Pero Vaz de Caminha e que cariocas pagaram a cachaça do carrasco da seleção brasileira na Copa de 1950, o capitão uruguaio Obdulio Varela. Ele contagia o leitor com a mesma surpresa que revela ter sentido nas descobertas ao longo de suas viagens profissionais. As 42 crônicas estão divididas em nove seções, apresentadas por fotografias de Marcos Vilas Boas, também autor da imagem de capa.  

O patriotismo brota das páginas naturalmente, como no episódio da Copa do Mundo de 2006: depois da derrota na Alemanha, o diplomata viu que nossa bandeira estava em liquidação em diversos estabelecimentos da cidade japonesa de Oizumi. “Reclamando que bandeira nacional não se liquida, usei dinheiro do próprio bolso para tirar de circulação todas as que pude localizar. Fiz com isso um bom estoque”, diz.  

Viva o Brasil, por sua vez, é uma exaltação ao País por meio de 119 fotografias, captadas em preto e branco entre 2003 e 2009 durante viagens do fotógrafo Xavier Roy por diversas cidades brasileiras, de São Paulo a Santarém, do Rio de Janeiro aos Lençóis Maranhenses. Roy tem uma carreira marcada principalmente por retratar o aspecto humano dos locais visitados, o que o insere na mesma tradição de fotógrafos como Cartier-Bresson, a dos “profissionais de rua”. Ele foi apresentado ao País pela literatura de Jorge Amado e a música de Gilberto Gil. O livro é co-editado pela Imprensa Oficial e pelo Instituto Totem Cultural. 

Xavier iniciou sua carreira em 1963, como editor musical da Revista Vogue. Alguns anos mais tarde passou a fazer parte da organização da Midem Organization – atualmente Reed Midem –, a maior feira mundial da indústria da música, o que lhe obrigou a realizar inúmeras viagens ao redor do mundo, levando sempre a tiracolo suas máquinas fotográficas. Em 1985, suas fotos foram publicadas pela primeira vez, pela revista Photo Magazine. Em 2003, Xavier deixou a Reed Midem para se dedicar inteiramente à fotografia. 

Em entrevista concedida ao fotógrafo João Kulcsár e publicada na obra, Xavier afirma que no início da carreira imaginava fotografar as ‘diferenças’, mas na realidade somente percebemos essas diferenças através das imagens, e elas são somente superficiais. Para ele, o espírito humano, a alegria, a tristeza, o amor são os mesmos, aqui como em outro lugar.