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Chris Marker tem obras expostas no Centro Cultural Banco do Nordeste

A exposição O LEGADO DA CORUJA dá seguimento ao projeto Política da Arte, desenvolvido pela Coordenação de Artes Visuais da Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (MECA) da Fundação Joaquim Nabuco e a parceria com o Centro Cultural Banco do Nordeste.

Chris Marker, expoente do cinema documental, faleceu em julho, aos 91 anos, em sua casa de Paris…

O Legado da Coruja  (L’Héritage de la Chouette) é um dos mais instigantes e dos menos conhecidos dos muitos projetos realizados pelo saudoso cineasta francês Chris Marker ao longo de uma trajetória de trabalho que já conta seis décadas, apresentando temas sobre a Grécia Antiga que persistem importando como elementos organizadores do pensamento corrente no mundo ocidental. A coruja, animal que simboliza a busca por conhecimento, aparece como guia nessa jornada.

Para marcar a atualidade do projeto de Chris Marker, a exposição é dividida em duas partes. Na primeira, são exibidos os 13 episódios de O Legado da Coruja, projetados em sequência, de modo que a cada dia da exposição a série é mostrada integralmente. Na segunda, foi criado um ambiente de pesquisa e debate, no qual informações sobre o artista e sobre a crise atual na Europa são disponibilizadas por meio de jornais, revistas, livros e outros vídeos.

Quem foi CHRIS MARKER

Chris Marker inovou o cinema durante a Nouvelle Vague, a onda vanguardista francesa, que mudou as regras das filmagens nos anos 1960. Documentarista, seus filmes pareciam mais ensaios literários que cinema, repletos de observações pessoais e insights.

Nascido Christian François Bouche-Villeneuve, nos arredores de Paris, ele integrou a Resistência Francesa e lutou contra os nazistas durante a 2ª Guerra Mundial. Ao fim da guerra, trabalhou como jornalista ao lado de André Bazin, um dos maiores teóricos da Nouvelle Vague. Escreveu críticas de teatro e cinema, poemas e um romance. Até encontrar-se atrás da câmera, filmando documentários de esquerda, que ele mesmo escrevia, dirigia e filmava. Isso durou um extenso período, de 1955 a 1966, até querer ver mais gente fazendo o mesmo.

Nos anos 1960, o poeta Henri Michaux proclamou que a universidade de “Sorbonne deveria ser destruída e Chris Maker erguido em seu lugar”. A alusão se devia à qualidade do material produzido pelo cineasta, que tirou seu pseudônimo da caneta que escreve em qualquer superfície, a Magic Marker.

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Para ver o som, e descobrir a beleza essencial

O Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza convida para a abertura, terça que vem, da exposição Do ancestral ao contemporâneo – esculturas e    estruturas sonoras, com os artistas Narcélio Grud e Tércio Araripe. Aberta ao público, a exposição ficará em cartaz até 8 de setembro, de terça a sábado, de 10h às 20h; e aos domingos, de 12h às 18h.

Do ancestral ao contemporâneo – Esculturas e estruturas sonoras                                              * texto de Marcelo Santiago

Qual  será a substância do som, sua cor e brilho ?

Buscar a acústica dos corpos leva a espreitar a essência mística das formas. Na    Bahia, o teosófico suíço Smetak, esotérico da música microtonal, ousou tal    proeza; construiu obra sem igual. Sim, sem igual, pois os que vieram depois são outros magos de outras florestas, que passeiam pelas múltiplas sonoridades.

Tércio Araripe com sua alquimia sonora nos leva a cores, aromas, formas e tempos diferentes, dando aspecto visual nos instrumentos que nos remetem a um elo perdido. Narcélio  Grud como punk místico, atravessa o High-trash com esculturas extraídas na  metafísica mecânica das urbes, e depois, feitas em fábricas atonais.

Agora, para compartilhar com os sensíveis, um propósito: construir novas formas que emitam ondas sonoras e vibrações cósmicas. Não há lugar para o olhar ou o ouvido convencional.

O albino Hermeto diria: “Olha este som e enquanto tateamos o som com a    retina, vemos a beleza do timbre da cabaça metálica…”

Esse é o momento de darmos ouvidos aos nossos olhos.

Banco do Nordeste faz 60 e CCBN inaugura exposição

O Banco do Nordeste, por meio do CCBNB-Fortaleza, está promovendo a exposição 60 anos – Histórias de um Banco do Nordeste, na praça Jáder Colares e no Centro de Treinamento do CAPGV. No hotsite do aniversário do Banco, será disponibilizado um link que possibilitará aos funcionários que não estão lotados no Centro Administrativo, realizarem um tour virtual pela exposição.

Segundo o gerente do Ambiente de Gestão da Cultura, Tibico Brasil, a exposição conta a história do Banco sob o ponto de vista do desenvolvimento, mostrando como a história do BNB caminha junto com a do Nordeste: “A exposição é bastante interativa, com vídeos, fotos e um local onde as pessoas podem deixar recados sobre os 60 anos do Banco”.

Tibico Brasil é o atual “cap” do Centro Cultural Banco do Nordeste…

A mostra será inaugurada oficialmente nesta quinta-feira (19), aniversário do Banco, e segue até 19 de agosto. Ainda segundo Tibico Brasil, grupos de alunos poderão visitar o acervo, que também conta muito da história do Nordeste.

Exposição

Criada a partir de diferentes registros e interpretações, produzidos ao longo da vida da instituição, a exposição é organizada em três ambientes distintos: Trajetórias, Narrativas e Memórias. Em Trajetórias, o visitante compreenderá como as histórias de vida de personalidades públicas, marcos políticos e econômicos se cruzam com a trajetória do Banco, numa articulação que explica, muitas vezes, os caminhos e as linhas de atuação por ele seguidos.

No ambiente Narrativas, são apresentados os programas e resultados da instituição, bem como a repercussão e a interpretação de especialistas sobre ela. Já o ambiente Memórias se constitui num espaço interativo da exposição. Nele estão as imagens escolhidas pelos próprios bancários e os depoimentos daqueles que fazem o Banco do Nordeste.

Mineiros exibem Campo Branco em Fortaleza

Quinta que vem, será aberta no Centro Cultural Banco do Nordeste a coletiva Campo Branco, reunindo obras de seis artistas visuais mineiros. São eles: Francisco Magalhães, Isaura Pena, Júnia Penna, Pedro Motta, Ricardo Homen e Rodrigo Borges.

A abertura será às 18h e a mostra ficará em cartaz até 1º de abril com horário de visitação de terça a sábado, de 10h às 20h; e aos domingos, de 12h às 18h.

O objetivo da expô é apresentar a produção recente dos 6 artistas visuais mineiros, os quais vêm realizando trabalhos significativos no cenário da arte contemporânea. Eles desenvolvem pesquisas plásticas que, apesar da diversidade de meios e interesses, apontam alguns procedimentos em comum. Esses procedimentos revelam uma aproximação poética entre as obras, presente na espacialidade, na noção de vazio e no sentido construtivo. As referências geográficas apresentam-se como ponto de interesse para este grupo de artistas que trata a geometria de forma “orgânica”, e busca, no trabalho com a superfície e o espaço, o palco de suas ações artísticas. 

Observação do lugar: ferramenta para obras artísticas *

Tentar falar do mundo através da observação do lugar parece-nos comum aos interesses dos geógrafos, biólogos, físicos, sociólogos, antropólogos e artistas. A observação atenta dos fatos sociais, do relevo, da vegetação, dos movimentos demográficos, dos movimentos naturais, das etnias e das práticas desenvolvidas especificamente por uma determinada cultura são, para aqueles que trabalham no campo da ciência e da arte, uma ferramenta eficiente no desenvolvimento de seus pensamentos, enfim, de suas obras.

Para os cientistas, a observação dos fatos pode se dar de maneira aparentemente dissociada de suas histórias individuais. A paisagem é, em princípio, algo diverso, dissociado da vontade que os move em direção à compreensão do mundo, do lugar. E os artistas, de que forma se dá a observação dos artistas? O que o artista olha? O que ele vislumbra? Quais serão os seus métodos? Para os artistas, a paisagem aparece de forma quase atávica – o artista sempre estará falando do lugar. Para aquele que trabalha no campo da arte, a experiência de sua própria incursão no mundo, suas memórias, serão marcas determinantes em suas formas de criação.

Será objeto de curiosidade para o artista tudo aquilo que pode ser abarcado pelos sentidos: seu olhar perscrutador percebe a paisagem, vivencia o espaço. Absorve-o, toma-o para si, para depois transfigurá-lo dentro do embate criativo – a arte. Ao tentar compreender o que se dá no campo banal, o artista aproxima-se da essência do binômio homem/paisagem. Uma aproximação que resulta em reflexões (ação não-natural) sobre o lugar, a paisagem e sobre si mesmo. Imaginemos o artista sendo uma árvore na paisagem, um organismo alimentando-se do substrato do mundo, erguendo-se e sendo parte do lugar – modificando e sendo modificado.

O artista compreenderá o lugar ao considerar a paisagem como tudo aquilo que pode ser abarcado pelo “olhar” – a paisagem no seu entendimento mais amplo. Vale lembrar que esse vislumbre se dará pelos diversos sentidos e, se os olhos são mesmo as janelas da alma, podemos imaginar o artista como uma janela descerrada para a paisagem, estando em e sendo dela a parte mais íntima, recôndita.

Aberto para a paisagem, o artista soma-se ao mundo. Ao observar e descrever a natureza, o lugar a partir de suas experiências e memórias, o artista nos oferece a possibilidade de compartilhar sua busca, o seu objeto, seus fazeres – a sua paisagem interior, o seu lugar no mundo.

O termo “caatinga” é originário do tupi-guarani e significa mata branca. “Paisagem interior”, a parte mais dentro do Brasil, sob um mesmo céu: Minas Gerais e Ceará. O termo “campo branco”, que dá nome à exposição apresentada pelo Centro Cultural Banco do Nordeste, alude a um lugar supostamente árido, lugar ainda por ser, suporte/território no qual esses artistas estabelecem suas criações. Referências geográficas apresentam-se como interesse para este grupo. Esta ideia os reúne, ecoa como uma presença comum: a paisagem. Entendida não como gênero, mas como espaço vivo/lugar, território de toda criação. Esse território, ainda por ser, traz para a proposta uma ideia de diversidade e extensão, e que vai ao encontro da diversidade de produção que este grupo de artistas apresenta. A paisagem aparece, aqui, de diferentes formas, por vezes evidente. Em alguns momentos de maneira mais formal, em outros, mais simbólica. Isaura Pena, Pedro Motta, Francisco Magalhães, Júnia Penna, Ricardo Homen e Rodrigo Borges revelam uma aproximação poética entre as obras, presente na espacialidade, na noção de vazio e no sentido construtivo, e buscam, no trabalho com a superfície, o espaço, a matéria, o símbolo, o lastro para suas ações.

* (texto de Francisco Magalhães)

Expô de artistas mineiros no CCBN tem entrada franca…

Henilton Menezes: Cultura do Ceará em link com o Brasil e 20 anos da Lei Rouanet…

LEI ROUANET – 20 ANOS DEPOIS

                                                                    * Henilton Menezes 

No último dia 23 de dezembro, a Lei Rouanet fez 20 anos. Promulgada pelo então Presidente Collor, foi recebida como única possibilidade de avanço do setor cultural brasileiro, depois do nefasto desmonte de nossas instituições e transformação do Ministério em uma secretaria, ligada à Presidência da República. No pior momento da cultura brasileira no Governo Federal, era sancionada uma lei que viria a ser o principal mecanismo de financiamento da cultura brasileira.

Durante muitos anos, e especialmente nos últimos meses, esse mesmo mecanismo tem sido objeto de debate, em especial, na mídia e nas redes sociais. E muitos equívocos estão sendo ditos e escritos, resultados de desconhecimento e de uma visão míope sobre sua finalidade e seu funcionamento. Em muitos casos, veiculam-se dados errados, compõem-se informações sem qualidade, publicam-se críticas negativas, escritas por quem desconhece o mecanismo, com o intuito, parece, de confundir a opinião pública ou de mostrar que a lei é a vilã dos incentivos fiscais no Brasil. 

O Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio: acervo preservado por força de lei…

A Lei Rouanet criou o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), com a finalidade de captar e canalizar recursos suficientes para estimular a produção e difusão de bens culturais, preservar patrimônios materiais e imateriais, proteger o pluralismo da cultura nacional e facilitar o acesso às fontes de cultura. Esses recursos são viabilizados a partir do investimento de pessoas físicas e jurídicas que utilizam um pequeno percentual de seu imposto de renda em ações culturais, previamente aprovados pelo Ministério da Cultura (MinC). 

Outras formas de incentivos fiscais são também oferecidas pelo Governo Federal em quase todos os segmentos da economia brasileira. A indústria automobilística, por exemplo, obtêm volumosos lucros a partir dos incentivos fiscais destinados à fabricação de automóveis populares. O setor agrícola, muito justamente, também obtém resultados a partir da injeção de recursos públicos, mediante políticas de financiamentos a juros subsidiados ou garantia de preços mínimos. Ambos os casos estão dentro da legalidade. Por que, então, o segmento cultural é visto com tamanho preconceito? Por que a cultura não pode também se valer de incentivos fiscais para buscar seu desenvolvimento? O que existe de ilícito se, como outros setores, geramos renda, criamos emprego, fazemos girar a economia nacional ? Ressalte-se que, ao contrário de outros incentivos fiscais, muitas vezes definidos por decretos, ou medidas provisórias, a Lei Rouanet foi discutida, votada e aprovada no parlamento brasileiro, e continua em pleno vigor. 

O Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo: patrimônio cultural que dá visibilidade internacional ao país…

Apesar de ser pequeno o volume de recursos de incentivos fiscais destinados à cultura – cerca de 1,5% de todo o incentivo fiscal federal – ao contrário do que se comenta, o Governo tem avançado muito na destinação desses valores para o setor. Em 2003, foi destinado à renúncia fiscal para a cultura o valor de R$ 135 milhões. Em 2011, esse valor chegou a R$ 1.350 milhões, um aumento de 1.000% em 8 anos. Nesse período (2003-2011), foram destinados 5,9 bilhões para a Lei Rouanet. Somente em 2010, foram captados R$ 1.160 milhões, atendendo apenas 24,61% de toda a demanda brasileira por esses incentivos, que atingiu o montante de R$ 4.715 milhões. Nesse mesmo ano, o MinC recebeu 10.256 propostas de ações em busca de recursos, vindo de todos os estados brasileiros. 

O Pronac é o mais transparente mecanismo de incentivos fiscais do Brasil. Todos os projetos incentivados estão publicados na internet, com nomes dos beneficiários, valores aprovados e captados, constando ainda a situação de cada um deles, inclusive da prestação de contas. O processo de análise das propostas, realizado em várias instâncias, desde o crivo de peritos terceirizados, profissionais da sociedade civil que atuam no mercado, é transparente e público. As sessões plenárias da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), que acontecem nas cinco regiões brasileiras, são transmitidas ao vivo, pela internet, podendo ser acompanhadas por qualquer um, em qualquer lugar. Todos os processos estão detalhados no site do MinC e podem ser acessados, inclusive fisicamente, por qualquer cidadão brasileiro. 

O Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, um dos beneficiados pela Lei Rouanet…

A importância desse mecanismo para o Brasil é visível e inquestionável. Vinte anos depois, o cenário cultural brasileiro é outro. E foi com o auxílio dos recursos oriundos dessa Lei que milhares de ações culturais se realizaram, mantiveram-se e prosperaram. 

A manutenção de instituições culturais, como o Centro Cultural Banco do Brasil, Museu de Arte de São Paulo e Museu de Arte Moderna, Fundação Iberê Camargo, Museu Oscar Niemeyer, Instituto Cultural Itaú, Museu Asas de um Sonho, Academia Brasileira de Letras, Museu do Futebol e Museu da Língua Portuguesa. As publicações de revistas culturais como Bravo, Cult, Continente Multicultural, Aplauso e Revista de História. Intervenções de preservação de bens materiais edificados, como o Theatro Municipal e Convento de Santo Antônio, no Rio de Janeiro; o Teatro São Pedro, em Porto Alegre; o Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí.  Eventos tradicionais na área de audiovisual, responsável pela movimentação turística de dezenas de cidades brasileiras, como o CINE PE, em Recife; o Festival Guarnicê de Cinema, em São Luís; o Festival de Gramado; o Cine Ceará, em Fortaleza; o Festival de Cinema de São Paulo; o Festival de Cinema de Brasília do Cinema Brasileiro. Eventos literários, de indiscutível repercussão nos lugares onde se realizam, como a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a Feira do Livro de Porto Alegre, a Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas (Fliporto), a Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Importantes eventos de artes visuais, como Bienal de São Paulo e Bienal do Mercosul, em Porto Alegre. A manutenção de escolas de formação continuada: o Clube do Choro de Brasília, a maior escola de choro brasileiro; a escola de Dança e Integração Social para a Criança e o Adolescente (Edisca), no Ceará, que inclui jovens em situação de risco pela dança; o Instituto Baccarelli, escola de música encravada em Heliópolis, a mais populosa favela de São Paulo; o Instituto Olga Kos, projeto que inclui crianças e adolescentes com síndrome de down, através das artes visuais; o Projeto Música para Todos, escola de música em Teresina, que forma anualmente centenas de profissionais. A formação e manutenção de importantes orquestras, como a Osesp, a Osba, a Orquestra Sinfônica de Teresina, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. 

A Cia. de Déborah Colker: projeção internacional pra Cultura Brasileira…

Quase todo o movimento teatral das cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, com montagem e circulação de grandes produções, incluindo musicais de indiscutível qualidade, recebem o apoio da Lei Rouanet. Ações de preservação do patrimônio imaterial, como as festas juninas do Nordeste, o Festival de Parintins, no Amazonas, o Festival de Circo do Brasil, realizado em Pernambuco. Promoção de editais públicos dos grandes patrocinadores como Petrobrás, Eletrobrás, Natura, BR Distribuidora, esse último promovendo a possibilidade inédita de circulação de grandes espetáculos de teatro pelas 27 unidades da federação. A manutenção de grupos de arte, com trabalhos reconhecidos, como o Teatro Oficina, o Grupo Galpão, o Grupo Corpo, a Cia Quasar de Dança, Cia. de Dança Deborah Colker. E por que não, a promoção de grandes eventos nacionais, como o Rock In Rio, o BMW Jazz Festival, o Festival Jazz & Blues do Ceará, a Mostra Internacional de Música de Olinda (Mimo), o Encontro Cariri de Arte e Cultura, no Ceará, a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, em Pernambuco, o Festival de Teatro de Curitiba, Carnavais do Rio de Janeiro, de Pernambuco e da Bahia, ações geradoras de emprego e renda, que movimentam a economia brasileira de uma forma ainda não medida com a precisão que dê realce a sua importância no nosso País. 

O magnífico espetáculo dos Bois, em Parintins…

É claro que a Lei Rouanet pretendia ser, na época do desmonte das nossas instituições, a panaceia da cultura brasileira. Não foi. Hoje, é necessário e imprescindível que se pense em outras formas de financiamento. Com esse foco, foi criada a Secretaria da Economia Criativa, uma iniciativa da atual gestão do MinC, que vem ao encontro dessa busca por novos caminhos, ampliando as possibilidades de desenvolvimento sustentável da cultura brasileira, de forma complementar ao mecanismo existente.

Grupo Galpão: riqueza teatral, de Minas para embelezar o mundo…

 A Lei está em vigor e, por isso, o MinC tem buscado melhorias em seu funcionamento, simplificando processos, consolidando normativos, automatizando procedimentos, qualificando profissionais que operam o Programa, aperfeiçoando as funções da CNIC e implantando melhorias na metodologia de acompanhamento e avaliação de projetos. Tudo isso feito com diálogo intenso com as classes artísticas, produtores culturais e investidores. 

Paixão de Cristo de Nova Jerusalém: maior teatro ao ar livre do mundo, tradição que se renova e a cada ano arregimenta mais público…

Decerto, a um mecanismo que tem 20 anos, faz-se necessária e oportuna sua revisão e atualização. O conceito de cultura brasileira é hoje muito mais amplo do que a Lei Rouanet alcançou em 1991.  Por isso também o MinC encaminhou um Projeto de Lei (PL), uma  proposta de mudança da legislação. Esse PL é hoje amplamente discutido com a sociedade, a partir de provocações do parlamento brasileiro, em iniciativas democráticas e republicanas. Precisamos melhorar esse mecanismo, enfrentando, definitivamente, os problemas ainda existentes e avançando na melhor distribuição territorial dos recursos, na possibilidade de acesso igual por todos os segmentos e no fortalecimento do Fundo Nacional da Cultura, recursos que devem permitir que o MinC financie ações e setores invisíveis aos investidores que se utilizam do incentivo fiscal. 

Depois de 20 anos, a cultura brasileira deve muito à Lei Rouanet. Por isso mesmo, enquanto não temos outro mecanismo, mais justo e mais contemporâneo, temos todos a obrigação de aperfeiçoa- lá, melhorando sua gestão e qualificando o debate em torno do tema. 

HENILTON MENEZES *
Secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, do MinC

Henilton Menezes: amigo querido, profissional respeitado, ele tornou as ações culturais do Banco do Nordeste exemplo para o país e foi convidado para o Ministério da Cultura. Torcemos pra que consiga a nível nacional algumas vitórias tão importantes quanto as que conseguiu para o Banco sediado no Ceará, que se tornou modelo de gestão nacional em termos de Cultura…

Projeto Cearense Lança Videoteca com Audiodescrição

 

O projeto intitulado DVD ACESSÍVEL – Audiovisual e acessibilidade: produção e divulgação de DVDs para cegos e surdos, cujo objetivo é iniciar a construção de uma videoteca de filmes nacionais acessível ao público com deficiência sensorial, entregará nesta sexta (23), à sociedade brasileira, DVDs com recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência sensorial, uma iniciativa pioneira no Brasil.

 

Iniciado em 2009, o Projeto DVD Acessível é de autoria da Prof.ª Dr.ª Vera Lúcia Santiago Araújo da Universidade Estadual do Ceará e tem patrocínio do Banco do Nordeste e do PROCAD/CAPES.

A solenidade de entrega acontecerá às 19h no Centro Cultural Oboé, localizado à Rua Maria Tomásia, 531, Aldeota, em Fortaleza, quando serão entregues os longas-metragens Corisco & Dadá, de Rosemberg Cariry, e O Grão, de Petrus Cariry, e os curtas-metragens Adorável Rosa, de Aurora Miranda Leão, Águas de Romanza, de Gláucia Soares e Patrícia Baía, Capistrano no Quilo, de Firmino Holanda, e Reisado Miudim, de Petrus Cariry, totalmente acessíveis às pessoas com deficiência sensorial.Os DVDs possuem Título em Braille, Audiodescrição, Menus com Audionavegação, Janela na Língua Brasileira de Sinais e Legendagem para Surdos e Ensurdecidos;

O projeto conta ainda com apoio do Governo do Estado do Ceará, da CAPES, da FUNCAP, do CNPq, do Centro Cultural Oboé e da Maquilar. A tradução audiovisual foi executada pelo Grupo LEAD da UECE.

A entrada é franca.

Mais informações, falar com Klístenes Braga ou Bruna Alves Leão através dos telefones: (85) 8636.7200 ou 8657.9021. 

 
Adorável Rosa, um dos títulos da videoteca, é um documentário sobre a atriz ROSAMARIA MURTINHO com direção da jornalista Aurora Miranda Leão 

Neville d’Almeida em Fortaleza

Cineasta Neville d’Almeida inaugura série O Cinema e a Cidade no Papo XXI

 

Diretor de filmes que uniram invenção artística e consagração popular, como “A Dama do Lotação” (1978), “Os Sete Gatinhos” (1980), “Rio Babilônia” (1982), “Matou a Família e Foi ao Cinema” (1991) e “Navalha na Carne” (1997), o cineasta Neville d’Almeida inaugura a série especial O Cinema e a Cidade, dentro do programa de debates Papo XXI.

 

Além de cineasta, Neville d’Almeidanascido em Belo Horizonte (MG), – é fotógrafo, roteirista, ator, desenhista, escultor e criador de intervenções espaciais e instalações.

Com entrada franca, o debate acontece na próxima terça, 22, às 19 h, no cineteatro do Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza. No debate, o cineasta compartilhará sua história de vida, trajetória artística e metodologia de trabalho com o público presente ao CCBNB-Fortaleza.

O objetivo da série O Cinema e a Cidade é proporcionar um intercâmbio de reflexões, idéias e ideais sobre o fazer audiovisual. O projeto foi idealizado e será realizado pelo Centro Cultural Banco do Nordeste, em parceria com a Vila das Artes – Escola Pública de Audiovisual, equipamento da Prefeitura de Fortaleza vinculado à Secretaria de Cultura (Secultfor), que desde 2006 fomenta a formação em arte, apoio à produção e incentivo à pesquisa e à difusão cultural.

Mundo Livre e DJ Dolores no CCBN Cariri

A banda Mundo Livre S/A e o DJ Dolores são as principais atrações da programação especial comemorativa do quarto aniversário do Centro Cultural Banco do Nordeste-Cariri, localizado na região sul do Ceará.

Os artistas encerram a programação no próximo sábado, 5, na Praça da RFFSA – Rede Rodoviária Federal, no município do Crato. Liderada por Fred 04 (autor dos manifestos e fundador do movimento musical Mangue Beat ao lado de Chico Science, Nação Zumbi e DJ Dolores), a apresentação do Mundo Livre S/A acontece às 22 horas.

Em seguida, o DJ Dolores apresenta o show “1 Real”, título do seu terceiro CD, à meia-noite. Premiado e requisitado para arranjos musicais e trilhas sonoras de cinema, o DJ Dolores propõe uma experiência de mixagem característica dos DJ’s, porém com um diferencial, ao vivo e com banda, apresentando um show feito para dançar.

DJ Dolores já se apresentou nos principais festivais de música da Europa, dividindo, inclusive, o palco com artistas de peso como Bjork, Moby, Chemical Brothers e Elvis Costello. Remixou músicas de Bob Marley, assinou a trilha sonora do filme e da peça A Máquina, de João Falcão, além de ter vencido uma das edições do prêmio TIM de música, conquistado na categoria Música Eletrônica.

   O Amor segundo Chico Buarque

A programação especial do aniversário de quatro anos do Centro Cultural BNB-Cariri tem início na sexta-feira, 4, com a apresentação do espetáculo cênico-musical Segunda Toada para João e Maria – o Amor segundo Chico Buarque, Lado B, com o grupo paulistano Núcleo Toada.

O musical destaca músicas do cantor, compositor e escritor Chico Buarque e textos de alguns poetas e pensadores, contando a história de um casal como tantos outros. O espetáculo acontecerá no cineteatro do CCBNB-Cariri, em Juazeiro do Norte.

Emboladas, cordéis, zabumbeiros e forró

Simultaneamente, a programação do quarto aniversário do CCBNB-Cariri acontece durante a X Exposição de Produtos da Agricultura Familiar (X EXPROAF), no Crato. Também às 20h da sexta, a dupla de emboladores piauienses Jotinha e Jotão se apresenta divulgando a arte, a poesia popular e a riqueza de suas emboladas que cantam o modo simples do povo nordestino. Às 21h, a dupla reprisa a embolada ao vivo, no mesmo lugar.

Entre as duas apresentações de Jotinha e Jotão, serão lançados dois cordéis: Piqui é Mãe Generosa, de Espedito Arnaldo, do Crato, às 20h30; e Valorize a Agricultura Familiar, de Maria Rosimar Araújo, de Juazeiro do Norte, às 20h45. O primeiro cordel mostra a valor do piqui para o Cariri cearense: pela ótica do poeta Espedito, o piqui é a mãe que dá o vestir, o comer e o lazer do caboclo caririense. Já o segundo apresenta a importância que há em toda a produção da agricultura familiar.

Em seguida, às 21h30, a banda Zabumbeiros Cariris, de Juazeiro do Norte, exibe seu proseado de rabeca, triângulo, pífano, viola e zabumbas, para alegrar o palco desenhando o vale encantado do homem-cariri. Quem encerra nesse dia (sexta-feira, 4), a partir das 23h, a programação especial do quarto aniversário do CCBNB-Cariri, é a banda cratense Forró Soper de Serra, tocando o autêntico Forró Pé-de-Serra. O grupo apresenta grandes clássicos da música popular nordestina, mostrando a simplicidade e os valores do verdadeiro forró de raiz.

 Atividades infantis

Na tarde do sábado, 5, a programação especial é dedicada à garotada, com apresentação de teatro infantil, contação de histórias e realização de uma oficina de arte, nas dependências do CCBNB-Cariri. Em duas sessões, às 14h e às 16h, o grupo Armadilhas Cênicas, do Crato, apresenta o espetáculo Terreiro de Histórias.

Na peça dirigida por Edceu Barbosa, o grupo faz suas malas e sai pelo mundo em busca de terreiros, para que possa estacionar suas bicicletas e armar a lona para fazer ali mais uma sessão de contação de histórias.

Às 15h, o Grupo Parque de Teatro, oriundo de Aquiraz (CE), apresenta a contação de historias intitulada As Novas Leis do Reino de Foncé. No enredo, dois atrapalhadores contadores de histórias chegam atrasados para uma apresentação, onde contarão a história do príncipe Dauzinho – um garoto que, durante as férias do rei e da rainha, criou leis para deixar todo mundo igual, gerando uma enorme confusão.

Às 15h30, o arte-educador Cícero Carlos Oliveira, de Juazeiro do Norte, ministra a oficina Brincando, fazendo bonecos e arte com a palha do milho. O objetivo da oficina é trabalhar o lúdico, ao passo em que as crianças aprendem brincando a fazer os bonecos utilizando a palha de milho.

Teatro infantil com tradução audiovisual

Uma sessão especial gratuita de teatro infantil com serviço de tradução audiovisual (TAV) será encenada para 100 crianças deficientes audiovisuais na próxima sexta, 28, às 10h30, no cineteatro do Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941 – 2º andar – Centro – fone: (85) 3464.3108).

Segundo a coordenadora de Programação Infantil e Artes Cênicas do CCBNB, Viviane Queiroz, trata-se de “uma iniciativa pioneira, haja vista que é a primeira vez que se apresenta uma sessão com audiodescrição (TAV) para teatro infantil no Ceará”.

 

O espetáculo é A Vaca Lelé – projeto de José Alves Netto apresentado pelo Grupo Bandeira das Artes, com texto de Ronaldo Ciambroni e direção de Ana Cristina Viana – que será assistida por crianças com deficiência visual do Instituto Hélio Góes, pertencente à Sociedade de Assistência aos Cegos, e da Escola de Ensino Fundamental Instituto de Cegos.

 

Há cinco anos encantando plateias

Apresentado aos domingos de maio (dias 2, 16 e 23) no CCBNB-Fortaleza, o espetáculo A Vaca Lelé está em cartaz há cinco anos, sempre encantando as plateias por onde passa, tendo sido contemplado com o Prêmio Eduardo Campos de Teatro, o Prêmio de Melhor Espetáculo Infantil do Festival de Teatro de Fortaleza e o Prêmio Balaio Destaques do Ano em sete categorias, incluindo Melhor Espetáculo Infantil. Do elenco participam Bruna Alves Leão, Davidson Caldas, Luís Carlos Pedrosa e Solange Teixeira.

O Grupo Bandeira das Artes, que encena A Vaca Lelé, surgiu a partir da motivação de seus produtores – Bruna Alves Leão e Klístenes Braga – em levar o espetáculo para outras cidades da região Nordeste e investir em novas montagens para o teatro infantil, que tem a grande responsabilidade de iniciar os pequenos espectadores no universo do teatro, contribuindo para a formação de platéias e garantindo às crianças o direito de viverem suas fantasias.

 Enredo da peça

No enredo da peça: Matilde, uma vaquinha que vivia fugindo do curral, era cheia de sonhos e curiosidades. Tinha sede de conhecer a vida e seus segredos. Consegue ampliar seus conhecimentos quando se torna amiga do velho espantalho, que tudo sabe e tudo vê. Matilde, a Vaca Lelé, como era chamada, tinha um objetivo: conseguir asas e voar.

Na história, cada personagem que a Matilde conhece é uma lição de vida. Aprende a cantar com a Cigarra, a ser simples e ter personalidade como o Pardal, a não ser incoveniente como a Mosca, a ter ambição vendo a Galinha tão acomodada, a brilhar como os Vagalumes, a ser forte como o Touro. Mas o que Matilde não sabia era que, para ter tanta facilidade, precisaria conhecer o outro lado da vida, o lado ruim das coisas. E Matilde acaba conhecendo o medo. 

 

Audiodescrição e legendagem

O serviço de tradução audiovisual será realizado pelo LEAD, grupo de pesquisa em tradução audiovisual da Universidade Estadual do Ceará (UECE), que atua desde abril de 2008, promovendo acessibilidade audiovisual de deficientes visuais e surdos ao cinema, teatro e museus, entre outros, por meio da audiodescrição, da janela de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) e da legendagem. O grupo é formado por mestrandos em Linguística Aplicada e graduandos em Letras da UECE, coordenados pela professora-doutora Vera Lúcia Santiago Araújo. O roteiro de audiodescrição é de Klístenes Braga e Bruna Alves Leão, e a narração de Klístenes Braga.

No momento, o Centro Cultural Banco do Nordeste está estudando a possibilidade de realizar periodicamente espetáculos com esse serviço de tradução audiovisual. O CCBNB-Fortaleza também desenvolve o programa Ouvir Dizer, cujo objetivo é apresentar leituras dramatizadas de textos de autores da literatura brasileira e universal, de forma a proporcionar ao público momentos de reflexão e fruição estética, incentivando ao aprofundamento de possíveis e posteriores leituras. O programa visa ainda ampliar a audioteca do BNB, com a gravação das leituras dramatizadas, disponibilizando tal acervo sonoro a deficientes visuais e a consulta de outros interessados.