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CINESUL Termina com Homenagem à Cinédia

 

Caixa de texto:   Divulgação Na noite do último domingo, dia 27, em cerimônia no Centro Cultural Correios, encerrou-se a 17ª edição do CinesulFestival IberoAmericano de Cinema e Vídeo, com a premiação – troféu Cinesul -, pelo júri oficial, de produções do México, do Uruguai e do Brasil, além de uma co-produção entre a Espanha e os Estados Unidos.

Eleitos pelo júri, o mexicano Tierra Madre, de Dylan Verrechia (Melhor Filme de Ficção); “Sociedade de La Nieve”, do diretor uruguaio Gonzalo Arijón (Melhor Longa Documentário). Na Mostra Competitiva Videosul, de Curtas e Médias-metragens, o vencedor na categoria documentário foi o 7Voltas (Melhor Documentário), do brasileiro Rogério Nunes.  Já Flat Love (Espanha/Estados Unidos), de Andrés Sanz, foi considerado o Melhor Filme de Ficção.

Três longas receberam Menção Honrosa, também do júri oficial: Mentiras Piadosas (Argentina/Espanha), de Diego Sabanés, Sombras (Espanha/França), de Orion Canals e Perdão Mister Fiel (Brasil), de Jorge Oliveira.

Os favoritos do público em longas de ficção e de documentário foram: La Buena Nueva (Espanha), de Helena Taberna e Perdão Mister Fiel. Já na mostra Videosul, foram escolhas do público Recife Frio (Brasil), de Kleber Mendonça, como Melhor Ficção, e o “Coletivo” (Brasil), de Liara Castro, na categoria documentário.

Na cerimônia de encerramento, a diretora Alice Gonzaga recebeu prêmio e homenagem pelos 80 anos dos estúdios CINÉDIA, fazendo questão de ressaltar a importância dos técnicos: ‘Meu pai dizia que os técnicos e operadores eram a alma dos filmes e de fato sem eles nenhuma produção da Cinédia teria chegado ao fim. Esse prêmio também é para todos os técnicos’.

Alice segue os passos do pai, Adhemar Gonzaga: valorização dos técnicos é fundamental

Ao fim da homenagem e entrega da premiação a Alice Gonzaga, foram exibidos Adhemar Gonzaga, de Jurandyr Gonzaga, Flat Love, Coletivo e 7 Voltas.

Confira todos os  premiados:  

Júri Oficial – Longa de Ficção:Tierra Madre” (México), de Dylan Verrechia.

Menção honrosa:Mentiras Piedosas” (Argentina/Espanha), de Diego Sabanés.

Júri Oficial – Melhor Documentário:La Sociedad de La Nieve” (Uruguai), de Gonzalo Arijón.

Menção honrosa:Sombras” (Espanha/França), de Orion Canals; e “Perdão Mister Fiel” (Brasil), de Jorge Oliveira.

Videosul – Curtas / Médias-metragens – Melhor documentário:7 Voltas” (Brasil), de Rogério Nunes.

Melhor Ficção:Flat Love” (Espanha/Estados Unidos), de Andrés Sanz.

Menção Honrosa:Karai Norte” (Paraguai), de Marcelo Martinessi.

Voto Popular – Melhor Longa Documentário:Perdão Mister Fiel” (Brasil); “Estela” (Argentina); e “El Diario de Agustín” (Chile/Venezuela), 1º, 2º e 3º, respectivamente.

Melhor Longa Ficção:La Buena Nueva” (Espanha); “La Virgen Negra” (Venezuela); e “A Canção de Baal” (Brasil), 1º, 2º, 3º, respectivamente

Videosul – Melhor Ficção:Recife Frio” (Brasil); “Ernesto no País do Futebol” (Brasil); e “Karai Norte” (Paraguai), 1º, 2º e 3º, respectivamente.

Melhor Documentário:Coletivo” (Brasil); “El Precio de la Semilla” (Argentina); “SaaraOásis da Amizade” (Brasil), 1º, 2º e 3º, respectivamente.

CARRANCAS PARA APRECIAR

Por preconceito ou má vontade, as carrancas brasileiras permaneceram muito tempo desprezadas no mundo da arte. Feitas por artistas populares, diletantes ou autodidatas, sofreram com os rótulos simplistas e a falta de visão dos próprios conterrâneos.

Depois de uma longa luta por seu reconhecimento, levada a cabo graças a insistência de artistas nacionais, como Roberto Burle Marx, e estrangeiros, como o fotógrafo francês Marcel Gautherot, as esculturas ganharam espaço privilegiado no acervo dos mais importantes colecionadores do mundo. Escolhidas entre coleções do comendador português Joe Berardo e o galerista Jean Boghici pelo produtor cultural Romaric Büel, algumas das obras mais representativas do gênero, assinadas por carranqueiros como Agnaldo Manoel dos Santos, Afrânio Barca e Francisco Biquina dy Lafuente (popularmente conhecido como Guarany), voltam agora ao alcance do público na exposição O Triunfo das Carrancas, que abre HOJE no Centro Cultural dos Correios.

É uma boa oportunidade para reavaliar uma arte que, ainda hoje, encontra resistência entre os brasileiros – afirma Büel, ex-adido cultural do Consulado da França no Rio, e defensor apaixonado do gênero há mais de 15 anos. – Existe preconceito, que vem às vezes de suas raízes africanas, mas que, ainda bem, parece estar regredindo. Faz pouco tempo que as carrancas passaram a ser reconhecidas como arte e não como obras de feiticeiros. É uma expressão que agora está entrando nos museus. Está exposição é a maior já feita por aqui sobre gênero. É como uma pequena vitória.

A partir dos anos 60, Roberto Burle Marx foi um dos primeiros a dar a devida importância estética às figuras de madeira fincadas nas proas das embarcações que circulavam pelo Rio São Francisco. Algumas das 35 peças originais expostas nos Correios foram selecionadas em sua coleção pessoal – o paisagista, por sinal, reservou um lugar destacado às carrancas em seu sítio em Guaratiba.

Imagens da década de 40

Outro a valorizar as carrancas foi o fotógrafo Marcel Gautherot, que nos anos 40 circulou pelo Rio São Francisco registrando o cotidiano da população ribeirinha. Por tabela, ajudou a eternizar carrancas que, na época, adornavam às embarcações do rio, mas que hoje encontram-se perdidas. Uma das salas da exposição reunirá 60 imagens originais do francês, com uma ambientação musical de canções de marinheiros da década de 40.

Estava pesquisando na Biblioteca Nacional e encontrei algumas dessas canções de marinheiros. Se não houvesse um esforço em recolher essas expressões, sem essa inteligência do patrimônio do brasileiro, não teríamos mais acesso a elas – argumenta Büel. – Gautherot foi uma dessas pessoas que se esforçaram em fazer o registro de uma cultura e de uma época. Graças a ele, muitas carrancas ainda existem em imagens.

Figuras enigmáticas que mexem com o nosso imaginário, as carrancas são feitas em um único tronco de madeira, representando em geral a cabeça e o pescoço de ferozes criaturas zoomórficas, como cavalos e leões, às vezes com vastas cabeleiras e bigodes. No início do século passado, disseminaram-se pelo país. Mas demorou para que passasse de simples artigo comercial vendido em feiras a obra de arte valorizada pelo mundo cultural. A humildade de seus criadores, que trabalhavam de forma quase anônima, pode ter ajudado no processo de desvalorização da produção carranqueira.

Vamos expor uma carta escrita por Guarany, um dos principais carranqueiros, e que mostra a humildade desses  artistas – conta Büel. – Gosto dessa ideia, presente em geral na arte pré-colombiana, do artista não colocar a cara, não querer aparecer, ser apenas o intermediário para algo maior: a arte, a obrigação de ajudar os homens. Os carranqueiros não tinham o ego dos artistas contemporâneos.

* Texto de Bolívar Torres

Serviço:

O TRIUNFO DAS CARRANCAS

Centro Cultural Correios. Rua Visconde de Taboraí, 20 – Centro (2253-1580). Abertura hoje, 19h. De 3ª a dom, de 12h às 19h. Aberto nos feriados. Entrada franca. Até 21 de maio.