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Amor e Abandono Voltam ao Foco de Karim

 KARIM AÏNOUZ Lança O ABISMO PRATEADO em CANNES 

Foto: Mauro Pinheiro Jr. / Divulgação
 
A sala completamente cheia do Palais Stephanie teve poucas desistências durante a projeção de “O Abismo Prateado”, do brasileiro Karim Aïnouz, exibido na tarde desta terça-feira (17), na Quinzena dos Realizadores, mostra paralela do Festival de Cannes 2011. E olha que o filme ousa na estrutura, basicamente abdicando de uma narrativa clássica e colando na protagonista Violeta durante a hora e meia de projeção.

Inspirado na canção Olhos nos Olhos, de Chico Buarque, uma carta de uma mulher para o homem que a abandonou, Aïnouz construiu uma narrativa bastante visual sobre as horas dessa mulher (Alessandra Negrini), depois de receber um recado do marido no celular dizendo que quer se separar.

O diretor faz o espectador embarcar em uma jornada pelos estados emocionais de Violeta. Primeiro revoltada, depois numa aflição contida para confrontar o homem e só bem mais tarde finalmente caindo em prantos, o filme é um diálogo de Violeta com si mesma, como ela lida com o abandono durante essa noite e como descobre um horizonte.

Negrini luta com o personagem nos momentos de revolta e aflição contida e vai melhor quando a personagem admite sua perda. Diretor de “Madame Satã”, “O Céu de Suely” e “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo”, em parceria com Marcelo Gomes, Aïnouz faz um filme pequeno, mas cheio de significado.

 

Cena de “O Abismo Prateado”

O diretor falou ao iG após a projeção.

iG: É interessante como o choro demora a vir para a personagem.
Karim Aïnouz:
Violeta é uma mulher corajosa. Ela não teve a chance de olhar no olho do marido, ele deixa um recado no celular. Eu não queria que o filme fosse de historinha, queria apreender esse personagem, que o público sentisse suas ondas, suas sensações. Ela começa indignada, fica com raiva, depois desespero. O choro vem depois. Era muito importante para mim que fosse uma mulher forte, não uma vítima.

iG: Essa coragem seria um contraponto ao marido, que tem uma atitude covarde?
Karim Aïnouz:
Sim. Mas também não tem bem e mal. Eu tenho dificuldade de escrever vilões. As histórias amorosas podem acabar e, às vezes, a gente lida com graça, às vezes, de forma ruim. Ele não deu conta. Quis ainda discutir a masculinidade. Homem de verdade não faz isso, é uma atitude de garoto. Quis falar de uma masculinidade latina específica.

iG: Quando a Violeta encontra a menininha no banheiro da praia, e ela sai com o pai, dá a impressão de que algo errado está acontecendo ali, que ele é um pedófilo, algo assim.
Karim Aïnouz:
Fiz de propósito! Quis brincar com o espectador, mostrar que nem tudo vai dar merda, que a vida pode ser OK. Não digo que o filme seja otimista, mas quando comecei estava com saudade daquela magia misteriosa, de uma aura de encantamento, que existe em filmes como “Noites de Cabíria”. Quis experimentar, que o filme tivesse ar. Não é um “happy end”, mas queria tentar recuperar isso para o cinema brasileiro. Para mim sempre foi importante o impacto político. Mas agora queria deixar esse ar de possibilidade, de otimismo. Acho que é um reflexo de certo estado de coisas. Também queria que fosse um filme de 2011, menos narrativo. É uma história banal, meu interesse é que as pessoas entrem num fluxo com o personagem.

iG: Todas essas coisas vão influenciar seu próximo filme, “Praia do Futuro”?
Karim Aïnouz:
Com certeza. Estou mais interessado na ação física. Cinema é tempo, espaço, som e ação. Estou revendo todo o roteiro, porque cinema falado é do século passado. Gostei desse filme “destramado”, em que nenhuma cena é essencial, mas juntas criam um tom.

* Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes

Jorge Salomão Mobiliza URCA em Celebração a Nelson Cavaquinho

Querido amigo Poeta e incansável agitador cultural, JORGE SALOMÃO aprontou mais uma das suas. E até Caetano Veloso e Chico Buarque apareceram pra prestigiar !

Nelson Cavaquinho foi o pivô e, em pleno centenário. a prova de sua força e maestria de sua obra, permanecem cada vez mais vivas.

O compositor – um dos baluartes da Escola de Samba Verde e Rosa -, é reinventado no RIO e ganha outras preciosas luzes na parceria SALOMÃO, POOCK e Cravo Albin. Ele merece todas as reverências.

E no Instituto Cultural Cravo Albin, na Urca, Nelson Cavaquinho pode ser visto mais e melhor. Vamos às VOZES DE NELSON !

Poeta JORGE SALOMÃO: sempre fazendo eventos badalados no RIO…

SALVE JORGEEEEEEEEEE !!!

                 Com curadoria do poeta, compositor e agitador cultural Jorge Salomão, a mostra Vozes de Nelson Cavaquinho foi aberta ontem em noite festiva e repleta de celebridades, no Instituto Cultural Cravo Albin (ICCA), na Urca.

A mostra Vozes de Nelson Cavaquinho é uma homenagem ao centenário do compositor mangueirense e reúne imagens de 35 intérpretes que gravaram obras dele, clicados em cena pelo fotógrafo Ricardo Poock. A exposição integra as comemorações pelo centenário do nascimento do compositor mangueirense.

            Ricardo Poock é fotógrafo profissional desde 1999 e editor do boletim cultural Acontece na Cidade. Desde 2000, Poock registra shows, mantendo um acervo de cerca de 600 artistas em cena. Suas fotografias passarão a ilustrar o Dicionário da Música Popular Brasileira, que reúne mais de 5 mil referências da MPB. “Fotografar em cena exige técnica, paciência e muita sensibilidade para que a imagem retrate a emoção do artista, a intensidade da interpretação”, afirma o pesquisador Ricardo Cravo Albin.

            Sambistas tradicionais como Alcione, Beth Carvalho, Dona Ivone Lara, Elton Medeiros, Leci Brandão, Nelson Sargento, Paulinho da Viola, Wilson das Neves e Zeca Pagodinho, e a nova geração, como Diogo Nogueira e Teresa Cristina, estão entre os artistas fotografados. Mas também foram retratados intérpretes como Benito de Paula, Caetano Veloso, Chico Buarque. Gal Costa, Marisa Monte, Paulo Moska e Zeca Baleiro, entre outros.

            A mostra Vozes de Nelson Cavaquinho permanece em cartaz até 2 de junho e a visitação pode ser feita de segunda a sexta, das 11h às 17h, agendada pelo telefone 2295-2532. O Instituto Cultural Cravo Albin fica na Avenida São Sebastião, 2, cobertura, Urca, Rio.

* Com informações de Gória Castro

Olhar Inusitado para a MPB

Bastidores da MPB, com fotos incríveis, sob o olhar de Cristina Granato

Muita gente vai morrer de rir, outras ficarão um pouco envergonhadas e algumas, nostálgicas. Assim é Um olhar na Música Popular Brasileira, livro de Cristina Granato retratando shows e bastidores da MPB desde a década de 80, com lançamento HOJE, 18, no Espaço Tom Jobim, no Jardim Botânico.

Cristina tomou uma decisão que tem tudo para agradar a seus muitos amigos e, sobretudo, aos artistas retratados: a tradicional fila de autógrafos está descartada do lançamento. Em vez de autografar, Cristina quer assistir às canjas dos amigos, como o já confirmadíssimo Erasmo Carlos, além de Alcione, Fernanda Abreu, e outros. “Será a primeira vez que vou a um evento para curtir e não para trabalhar”, diz Cristina antes de completar: “Não quero ficar carregando nada. Quero dançar e curtir com os amigos. Acho uma honra o fato de o Erasmo ter topado cantar para mim. Sou superfã dele”. E vai ter muita fã dela por lá também, isso é fato.

João do Valle e Chico Buarque em foto de 1989…

CAETANO no camarim de seu show no COPACABANA PALACE, 1985

TIM MAIA e Marília Gabriela – 2º PRÊMIO SHARPP de MÚSICA, COPACABANA PALACE,  ABRIL 1989

* Da coluna de LU LACERDA, do Rio

As Histórias de Canções de Chico Buarque

  

 Dupla canta e conta Chico Buarque em duas apresentações: 21 e 22 de agosto

Tudo começou enquanto o jornalista Wagner Homem editava o site oficial de Chico Buarque. Para enriquecer o conteúdo, pesquisou histórias e anedotas sobre as canções de Chico, e foi ampliando o interesse pelo espaço virtual do compositor. Doze anos, um songbook de Chico e muitas informações de bastidores depois, Wagner lançou o livro Chico Buarque – Histórias de Canções, no qual narra os “causos” que deram origem às letras das músicas. O vasto repertório de sucessos de Chico, e suas respectivas histórias estarão, dias 21 e 22, no palco de Teatro FECAP (Av. Liberdade, 532 – www.teatrofecap.com.br).

Acompanhado do cantor Rogério Silva e do ritmista Marcelo Mali, Wagner Homem destila uma série de histórias interessantes sobre os personagens de Chico – e suas inspirações -, num clima de sarau, mostrando como surgiram tantas obras-primas da música popular brasileira. Conta-se e canta-se Chico Buarque. 

A idéia para o show aconteceu por acaso. Wagner conta: “Para fazer o lançamento do livro num clube em São Paulo convidei meu amigo Rogerio Silva que há oito anos toca e canta Chico Buarque na noite paulistana. O combinado era que ele tocaria cinco ou seis canções das 133 comentadas no livro e eu contaria as respectivas histórias para em seguida iniciar a sessão de autógrafos. Mas choveu. E muito. E a pessoa que deveria chegar com os livros ficou presa no trânsito.  E ficamos ali, cantando e contando histórias durante uma hora e quarenta minutos até que finalmente os livros chegaram. Pela receptividade do público percebemos que tínhamos um show quase pronto. Roteirizamos, ensaiamos e o livro virou o show que o Teatro FECAP apresenta.”

Nele, o público é conduzido pelas músicas de Chico a um passeio pela história recente do Brasil e da MPB. Os primeiros sucessos como “Pedro Pedreiro” e “A banda”, os embates com a censura que imperou no regime militar, o relacionamento de Chico com parceiros como Tom Jobim, Vinicius de Moraes e Toquinho, sua paixão pelo futebol e pela língua portuguesa, os festivais dá década de 1960, tudo isso é cantando e contado sempre com muito humor. O espetáculo é entremeado com vários documentos sonoros, alguns raríssimos como, por exemplo, a entrevista de Julinho da Adelaide (pseudônimo que Chico adotou para driblar a censura) ao Jornal Última Hora, ou ainda uma gravação que mostra o exato momento em que surge a canção Vai passar.

O TEATRO FECAP 

O Teatro FECAP é o espaço da música brasileira em São Paulo. Desde a sua inauguração em setembro de 2006, com quatro semanas de shows de Paulinho da Viola, o Teatro FECAP vem apresentando o melhor da música brasileira em seus diversos gêneros, quase sempre com espetáculos especialmente concebidos, que se beneficiam de sua extraordinária acústica e aparelhagem sonora. 

Entre os artistas que passaram por seu palco estão: Rosa Passos, João Bosco, Martinho da Vila, Arnaldo Antunes, Roberta Sá, Tânia Maria, Eduardo Gudin & Leila Pinheiro, Raul de Souza, Roberto Menescal & Andy Summers, Mônica Salmaso & Pau Brasil, Toninho Ferragutti, Joyce, Ângela RoRo, Quarteto Maogani, Proveta, Cristina Buarque & Terreiro Grande, Germano Mathias, Mario Adnet, Proveta, Ângela Ro Ro, Boca Livre, Chico César, Teresa Cristina & Grupo Semente, Toninho Horta, Pife Muderno, Leny Andrade, Quinteto Violado, Nana Vasconcelos & Yamandú Costa, Altamiro Carrilho e Dominguinhos. 

Ficha técnica do Teatro FECAP: Homero Ferreira (Direção artística), Américo Marques da Costa (Direção de produção), Thyago Bráulio (Produção executiva), David Alexandre e Camila Speciali (Produção executiva), Alberto Ranellucci (som), Carlos Rocha (som), Rafael Valim (som), Silvestre J. R. e equipe (iluminação), Valéria Marchesoni (design gráfico). 

Wagner Homem & Rogério Silva em Chico Buarque – Histórias de Canções

 Teatro FECAP (Av. Liberdade, 532 – http://www.teatrofecap.com.br)

Datas e horários: 21 e 22 de agosto – sábado às 21h; domingo às 19h

Lotação: 400 lugares

Duração: 90 minutos

Preços: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia)

Bilheteria: quinta e sexta, das 14h às 20h; sábado, das 15h às 21h; domingo, das 14h às 19h, no próprio teatro.

Internet: www.teatrofecap.com.br / www.ingressorapido.com.br

Fla-Flu Musical Chega às Telas

Roda Viva. Chico Buarque e o MPB4 ficaram em 3º lugar do festival que, sob a ditadura, virou cenário de uma disputa ideológica Em abril, os diretores Renato Terra e Ricardo Calil já haviam falado com o Estado, superexcitados com a escolha de seu documentário Uma Noite em 67 para abrir a etapa paulista do É Tudo Verdade. O maior festival de documentários do País foi uma vitrine e tanto para o filme que surgiu como desdobramento da monografia de conclusão do curso de Comunicação de Terra, em 2003. Ele se debruçou sobre a era dos grandes festivais de música, nos anos 1960/70. Decidido a fazer um longa documentário, chamou seu amigo jornalista, Calil. Trabalharam cinco anos no projeto, ganharam apoio da Videofilmes e da TV Record, que abriu seu arquivo.

Quatro meses e meio mais tarde Uma Noite em 67 está chegando aos cinemas, depois de passar pelos festivais de Ouro Preto e Paulínia. É o tipo do filme que levanta o público e Terra e Calil já se acostumaram a ver espectadores exaltados – e eufóricos com o que para muitos ainda é uma novidade. Uma Noite em 67 dirige seu foco para a noite de encerramento do Festival da Record de 1967, talvez o mais emblemático dos festivais de música ocorridos no País. Algo decisivo ocorreu naquela noite. O Brasil vivia sob uma ditadura e o palco virou cenário de uma disputa ideológica. A guerra da canção de protesto com a guitarra elétrica, símbolo da dominação imperialista, que Gilberto Gil usou em Domingo no Parque.

Colocar guitarra elétrica na MPB era considerado de direita. Os artistas de raiz, contrários à guitarra, eram de esquerda. Houve um clima de radicalismo – um Fla-Flu musical, como define Calil. “Não quisemos fazer um filme didático, mas trabalhar o emocional, entregando ao público um documentário que as pessoas precisam completar.” E elas completam – e como! Quatro músicas dominavam a competição – Ponteio, Domingo no Parque, Roda Viva e Alegria, Alegria. “Até hoje elas polarizam as opiniões. Tem gente que reclama por que Alegria, Alegria não ganhou, ou Roda Viva,” O público que viveu a época agradece aos diretores por trazê-la de volta. Os jovens, porque o filme os projeta num mundo que não conheceram. “Tem gente que vem falar com a gente chorando, no final”, diz Calil.

Embora o desfecho seja conhecido, o formato é de thriller, com direito a suspense. “Daniela Thomas deu um retorno muito interessante”, conta Calil. “Ela considerou o filme hitchcockiano.” Renato Terra avalia que essa reação decorre de uma característica do próprio filme. “Não montamos o filme (com Jordana Berg) visando a esse efeito, mas para expressar as diferenças entre as pessoas em cena. Havia ali concepções diversas de música, comportamento, política. Isso gera um confronto, suspense.”

Terra considera um privilégio ter feito o filme com apoio da Videofilmes. “Tínhamos o (Eduardo) Coutinho, o João (Moreira Salles), grandes documentaristas, que discutiam com a gente, davam sugestões, questionavam nossas escolhas e isso muitas vezes nos levava a fortalecer ainda mais o que queríamos.” Os diretores já foram sondados para levar Uma Noite em 67 ao Festival de Roterdã. “Não fechamos nada, mas acho legal. Esses artistas possuem grandeza, têm uma carreira internacional, há demanda pelo filme.” O público aplaude Dzi Croquettes em cena aberta nos cinemas que exibem o outro documentário. Aplaudirá Uma Noite em 67?

 “Acho que sim”, diz Terra. “São filmes que provocam orgulho, fortalecem a cidadania. Mostram do que somos capazes.”

Luiz Carlos Merten – O Estado de S.Paulo

Três Décadas sem Vinícius de Moraes

 A Falta que o Poeta Faz…

                           

“Vinícius é o único poeta brasileiro que ousou viver sob o signo da paixão. Quer dizer, da poesia em estado natural. Eu queria ter sido Vinicius de Moraes”.   

As palavras são do poeta Carlos Drummond de Andrade, referindo-se ao amigo Vinícius de Moraes logo após a morte dele. Já o jornalista José Castello, um dos biógrafos de Vinícius, escreveu:   

“O poeta foi um homem que viveu para se ultrapassar e para se desmentir. Para se entregar totalmente e fugir, depois, em definitivo. Para jogar, enfim, com as ilusões e com a credulidade, por saber que a vida nada mais é que uma forma encarnada de ficção. Foi, antes de tudo, um apaixonado — e a paixão, sabemos desde os gregos, é o terreno do indomável. Daí porque fazer sua biografia era obra ingrata”. 

 

Neste 9 de julho, faz-se 30 da passagem de Vinícius. 30 anos mais pobres. Partiu Vinícius, perdemos todos. Perdeu o mundo. Em Poesia, Amor, Música, Letra, Beleza, vida e lições de amor, paixão, entrega, solidariedade, enfim, estamos todos mais pobres. A lacuna é enorme, profunda e incômoda.  

  

    

Vinícius de Moraes agiganta-se a cada dia nas mínimas sementes onde é germinado: em trabalhos escolares, transposições para o teatro e o cinema, saraus literários, performances poéticas, concursos de sonetos, tema de redações, enfim, difícil mensurar, difícil encontrar quem não se pegue cantando de cor ao menos um verso do Poetinha.   

Parodiando o Poeta (que considerava o músico e amigo Pixinguinha, um santo), digo: Querido São Vininha, você caminha comigo aonde quer que eu vá e me leva sempre a repetir os mesmos versos por você dedicados a Garcia Lorca: “Poeta, não precisavas da morte para nada”. E quando bate a saudade bem grande de você, como agora, neste tempo tão próximo de mais um aniversário da sua partida, só resta reouvir suas músicas, reencantar-se e reaprender com elas, reler seus livros e observar o céu. Você por certo se esconde em alguma estrela de onde sussurra versos para a Lua, a linda mulher tão cheia de pudor que vive nua. 

VININHA, atento ao amigo querido PIXINGUINHA, que ele considerava um Santo…

Vinícius de Moraes, o Poeta que veio ao mundo para celebrar o Amor e falar da importância deste sentimento para pacificar o mundo e promover a comunhão entre os povos de todas as etnias, credos e continentes, partiu cedo, em 9 de julho de 1980, numa manhã fria de inverno carioca após passar a noite compondo com o parceiro querido, Toquinho.

    

Vina com Toquinho, o parceiro mais constante

O legado de VINÍCIUS é tanto maior quanto mais passa o tempo e mais aprofunda-se o entendimento de sua obra, quanto mais evidencia-se a lacuna descomunal que deixou acometendo de carência lúdica e emotiva sem par o cotidiano, e ainda mais descobrem-se novas leituras de sua vasta e riquíssima obra, a cada vez que se nos debruçamos sobre ela.   

     É melhor ser alegre que ser triste/A alegria é a melhor coisa que existe, é assim como a luz no coração…

  

       Vinícius, ou Vininha – como carinhosamente o chamavam os amigos próximos e como meu pai ensinou-me a chamá-lo desde menina – era libriano, aniversariante do 19 de outubro. Assim, foi no outubro de 2008, de muita chuva e algum frio no Rio, que se comemoraram os 50 da Bossa Nova, da qual Vina foi seu Farol sempre a apontar novas trilhas… e vieram os Afro-Sambas com Baden, o musical Pobre Menina Rica com Carlinhos Lyra, as parcerias com Edu Lobo, Antônio Maria, Francis Hime, Edu Lobo e Chico Buarque e os quase mil shows pelo Brasil e o mundo em companhia de Toquinho, ovacionados por onde passavam. Chega de Saudade…    

   Falar de Vinícius é sempre motivo de paixão. Lê-lo, estudá-lo ou re-ouvi-lo são coisas de enorme prazer e muita saudade. Saudade de alguém lindo demais, grandioso demais, amado demais pra não ser festejado, sempre. Viva Vinícius de Moraes ! Para sempre, nosso eterno Poeta do Amor, do Violão, do Mar, do Rio e das Mulheres !

Com Luizinho Eça e Nara Leão, cantora que virou “musa da Bossa Nova” e foi uma das muitas descobertas artísticas de Vinícius

   SARAVÁ, VININHA !

 Sei lá, sei lá, só sei que é preciso paixão…

    

Com os amigos e parceiros, Tom Jobim e Chico Buarque: TESOUROS da MÚSICA POPULAR BRASILEIRA  E sobre este movimento musical, que virou estilo e revolucionou a música popular brasileira, Vininha dizia    

Bossa Nova é mais a solidão de uma rua em Ipanema que a agitação comercial de Copacabana. É mais um olhar que um beijo; mais uma ternura que uma paixão. É o canto puro de João Gilberto eternamente trancado em seu apartamento”, afirmou o Poeta em entrevista  no Songbook 2, do saudoso jornalista Almir Chediak. 

Eu Te Amo em Clássicos da MPB

Mundo Livre e DJ Dolores no CCBN Cariri

A banda Mundo Livre S/A e o DJ Dolores são as principais atrações da programação especial comemorativa do quarto aniversário do Centro Cultural Banco do Nordeste-Cariri, localizado na região sul do Ceará.

Os artistas encerram a programação no próximo sábado, 5, na Praça da RFFSA – Rede Rodoviária Federal, no município do Crato. Liderada por Fred 04 (autor dos manifestos e fundador do movimento musical Mangue Beat ao lado de Chico Science, Nação Zumbi e DJ Dolores), a apresentação do Mundo Livre S/A acontece às 22 horas.

Em seguida, o DJ Dolores apresenta o show “1 Real”, título do seu terceiro CD, à meia-noite. Premiado e requisitado para arranjos musicais e trilhas sonoras de cinema, o DJ Dolores propõe uma experiência de mixagem característica dos DJ’s, porém com um diferencial, ao vivo e com banda, apresentando um show feito para dançar.

DJ Dolores já se apresentou nos principais festivais de música da Europa, dividindo, inclusive, o palco com artistas de peso como Bjork, Moby, Chemical Brothers e Elvis Costello. Remixou músicas de Bob Marley, assinou a trilha sonora do filme e da peça A Máquina, de João Falcão, além de ter vencido uma das edições do prêmio TIM de música, conquistado na categoria Música Eletrônica.

   O Amor segundo Chico Buarque

A programação especial do aniversário de quatro anos do Centro Cultural BNB-Cariri tem início na sexta-feira, 4, com a apresentação do espetáculo cênico-musical Segunda Toada para João e Maria – o Amor segundo Chico Buarque, Lado B, com o grupo paulistano Núcleo Toada.

O musical destaca músicas do cantor, compositor e escritor Chico Buarque e textos de alguns poetas e pensadores, contando a história de um casal como tantos outros. O espetáculo acontecerá no cineteatro do CCBNB-Cariri, em Juazeiro do Norte.

Emboladas, cordéis, zabumbeiros e forró

Simultaneamente, a programação do quarto aniversário do CCBNB-Cariri acontece durante a X Exposição de Produtos da Agricultura Familiar (X EXPROAF), no Crato. Também às 20h da sexta, a dupla de emboladores piauienses Jotinha e Jotão se apresenta divulgando a arte, a poesia popular e a riqueza de suas emboladas que cantam o modo simples do povo nordestino. Às 21h, a dupla reprisa a embolada ao vivo, no mesmo lugar.

Entre as duas apresentações de Jotinha e Jotão, serão lançados dois cordéis: Piqui é Mãe Generosa, de Espedito Arnaldo, do Crato, às 20h30; e Valorize a Agricultura Familiar, de Maria Rosimar Araújo, de Juazeiro do Norte, às 20h45. O primeiro cordel mostra a valor do piqui para o Cariri cearense: pela ótica do poeta Espedito, o piqui é a mãe que dá o vestir, o comer e o lazer do caboclo caririense. Já o segundo apresenta a importância que há em toda a produção da agricultura familiar.

Em seguida, às 21h30, a banda Zabumbeiros Cariris, de Juazeiro do Norte, exibe seu proseado de rabeca, triângulo, pífano, viola e zabumbas, para alegrar o palco desenhando o vale encantado do homem-cariri. Quem encerra nesse dia (sexta-feira, 4), a partir das 23h, a programação especial do quarto aniversário do CCBNB-Cariri, é a banda cratense Forró Soper de Serra, tocando o autêntico Forró Pé-de-Serra. O grupo apresenta grandes clássicos da música popular nordestina, mostrando a simplicidade e os valores do verdadeiro forró de raiz.

 Atividades infantis

Na tarde do sábado, 5, a programação especial é dedicada à garotada, com apresentação de teatro infantil, contação de histórias e realização de uma oficina de arte, nas dependências do CCBNB-Cariri. Em duas sessões, às 14h e às 16h, o grupo Armadilhas Cênicas, do Crato, apresenta o espetáculo Terreiro de Histórias.

Na peça dirigida por Edceu Barbosa, o grupo faz suas malas e sai pelo mundo em busca de terreiros, para que possa estacionar suas bicicletas e armar a lona para fazer ali mais uma sessão de contação de histórias.

Às 15h, o Grupo Parque de Teatro, oriundo de Aquiraz (CE), apresenta a contação de historias intitulada As Novas Leis do Reino de Foncé. No enredo, dois atrapalhadores contadores de histórias chegam atrasados para uma apresentação, onde contarão a história do príncipe Dauzinho – um garoto que, durante as férias do rei e da rainha, criou leis para deixar todo mundo igual, gerando uma enorme confusão.

Às 15h30, o arte-educador Cícero Carlos Oliveira, de Juazeiro do Norte, ministra a oficina Brincando, fazendo bonecos e arte com a palha do milho. O objetivo da oficina é trabalhar o lúdico, ao passo em que as crianças aprendem brincando a fazer os bonecos utilizando a palha de milho.

ARTE é Tão Importante quanto a VIDA

Felipe Hirsch não pára. Se a estréia simultânea do filme Insolação e da peça Cinema sugeria que ele pudesse dar um tempo para respirar e divulgar seus trabalhos, não é bem por aí. Hirsch trabalha as noites e madrugadas inteiras (“durmo das 6h às 11h”) e conversa sobre seus próximos projetos, música e a paixão pela arte com profundidade e desenvoltura, como se estivesse falando de algo trivial. Pura rotina.

 
AE
Felipe Hirsch: “A arte precisa ser
tão importante quanto a vida”
 

Rotina esse que segue em alta rotação. As peças do repertório da Sutil Companhia – “Não Sobre o Amor”, “Viver Sem Tempos Mortos”, “Avenida Dropsie” – seguem viajando pelo Brasil e o mundo, e outras três devem ser remontadas. A ópera “O Castelo do Barba Azul”, do compositor húngaro Béla Bartok, volta em maio; a primeira parte de “Os Solidários”, com Marco Nanini, deve retornar como “Pterodáctilos”; e o primeiro grande sucesso da carreira de Hirsch, “A Vida É Cheia de Som e Fúria”, baseado em “Alta Fidelidade”, de Nick Hornby, pode ser remontado em função de seu aniversário de 10 anos. 

“Meu desafio é tirar as pessoas da frente da televisão”, afirma o diretor em entrevista ao iG, que também serve para ilustrar sua polivalência. Afinal de contas, não é qualquer um que tem no currículo espetáculos com Fernanda Montenegro e até um show com Roberto Carlos e Caetano Veloso, no ano passado, em homenagem a Tom Jobim. Na entrevista abaixo, o diretor continua falando de como foi trabalhar com esses grandes nomes da música e da dramaturgia, da vontade de dirigir um musical e da necessidade de lotar os teatros. “A arte precisa ser tão importante quanto a vida”.

Como foi dirigir o show do Caetano e do Roberto?
Fui lá por dois motivos. Porque tenho um carinho imenso pela [produtora] Monique Gardenberg, e logicamente uma admiração imensa pelo Caetano e pelo Roberto, mas fui muito porque sou um alucinado pelo Tom Jobim. Lembro do meu pai escutando Tom, tocava muito na minha casa. Tom é o símbolo de um Rio de Janeiro que eu conheço e partilhei – sou de lá, apesar de sair muito cedo. Foi um processo intenso pelas características e visibilidade da coisa toda, mas acho que fomos muito atentos para que fosse íntegro. É muito fácil em projetos desse tamanho que a coisa se corroa por dentro, já que existe uma quantidade de vaidades, de interesses, fúteis ou não, muito grande, não só dos artistas. O tempo conta as coisas melhor. Acho que quando a gente escuta um disco do Chico Buarque e Caetano em 1972, a gente tem toda a memória para criar junto. Hoje quando a gente vê um encontro desses, as coisas são mais distantes umas das outras do que próximas. Não sei como esse trabalho ficará no tempo. Tenho muita curiosidade de olhar para trás e ver o que aconteceu.

Para mim era improvável que você acabasse trabalhando com esses medalhões da MPB.

Eu também achava improvável, mas por isso aceitei. Admiro muito o Caetano, mas ele se dirige, seus shows são lindamente dirigidos. Se ele me chamasse pra dirigir um show dele, diria que de jeito nenhum faço melhor do que aquilo. O Roberto também tem o show dele para o público dele, que é muito bem realizado para o que interessa a ele e a esse público. Foi uma situação única e por isso me uni a ela porque gosto de estar nesses lugares improváveis. Quanto mais eu misturar coisas, mais me sinto feliz.

Você também já trabalhou com grandes nomes da dramaturgia brasileira: Paulo Autran, Fernanda Montenegro, Marco Nanini, Marieta Severo. Como é sua relação com eles?

O bonito dessa história toda é quando você desperta neles uma paixão infantil, que é o que fez eles começarem. Você tem que se relacionar com isso, e não com o que eles se tornaram, de toda essa trajetória de vaidade. Quando você desperta aquilo, você percebe que eles são uns meninos, garotos lunáticos que conseguiram passar a vida inteira fazendo isso aqui [aponta para o teatro]. Eles são realmente irresponsáveis, curiosos. Você vê que eu trabalhei com o Paulo [Autran, em “O Avarento”] e ele nunca falou “eu sei fazer isso” ou “isso eu já fiz muito”. Paulo era uma criança, realmente. Fernanda [Montenegro, em “Viver Sem Tempos Mortos”] é também. É isso que você acessa neles, a paixão. E acho que por isso também de alguma maneira eles gostam de trabalhar comigo, porque não sento na frente deles para ficar cultuando. Sento pra dizer, “escuta, também sou um garoto maluco, mas comecei depois de vocês”. Existe um jogo infantil nisso tudo.

Divulgação
Fernanda Montenegro: “ela é uma criança”

O programa de rádio que você participa, “Rádiocaos”, está agora sendo transmitido também no Rio de Janeiro. Você está tocando algum outro projeto relacionado à música?


Queria muito me dedicar ao Rádiocaos. Se eu tivesse grana, só faria isso: escrever sobre música, ter um programa de rádio, amaria fazer isso por um tempo. Mas infelizmente não consigo me dedicar só a isso. E não só por grana, mas também por todas essas ideias perturbadas que você está ouvindo (risos). O fato é que eu não consigo parar a minha vida para fazer um programa de rádio. Eu adoraria fazer um musical. Mas o meu musical não ia ser muito para o [teatro] Alfa (risos).

O que você está achando dessa febre de musicais que chegou ao Brasil?

 
Eu adoro, não tenho preconceito com teatro nenhum. Eu quero é teatro lotado, de qualquer tipo. Posso não me interessar artisticamente, mas daí a ficar queimando, tendo preconceito… Meu desafio é tirar as pessoas da frente da televisão. Não vou atacar quem está fazendo algo diferente. Existe teatro para 100 pessoas, 200 e para mil. E aí? Também acho que os bombeiros deviam liberar as escadas, porque se alguém está arriscando a vida, é porque tem alguma coisa que preste lá dentro (risos). A Vida É Cheia de Som e Fúria tinha 70, 100 pessoas nas escadas. Quero 200 pessoas nas escadas ! É o seguinte: quanto mais deixarmos a relação com a arte essa massa chata, careta, que em parte também se deve aos artistas, mais a gente vai ser jogado a um canto. Quero teatro lotado, duas mil pessoas vendo Paulo Autran fazendo Molière. É uma coisa linda! Quero a Praça Roosevelt lotada. Não preciso admirar artisticamente tal espetáculo ou outro: quero discutir esse espetáculo, porque isso com certeza vai gerar outros maravilhosos. Arte não é para mesquinhar. Arte é para dominar, precisa ser tão importante quanto a vida, não é supérflua.

Vou falou do sucesso de “Som e Fúria”. Você espera repetir algo tão fenomenal em relação a público no futuro?


Não, nem nunca me preocupei com isso. Aliás, sou um mal acostumado: em qualquer lugar que a gente vá, temos público. Formamos esse público, graças a deus, que não é só de classe, é um público de arquitetos, designers, jornalistas. Desperta o interesse porque fazemos as coisas de alma aberta, acertando e errando, e a gente dá muita importância para o erro. Nunca foi o ponto fazer uma coisa mais ou menos popular, embora eu goste muito da relação do público com a casa cheia. Gosto muito de briga na porta, é um ingrediente muito importante (risos).

E vai ter algo para lembrar os 10 anos do “Som e Fúria” em 2010?

Estamos negociando direitos. Em 2006, quando paramos de fazer o espetáculo, os direitos foram vendidos pela Touchstone Pictures para um musical que faliu em 14 dias na Broadway. O problema é que a partir dessa venda, mudou muito o caráter de liberação envolvendo essa obra. Agora a negociação é com a Disney, para você ter uma ideia. Mas estamos tentando seriamente, temos até um patrocínio para fazer isso.

* Do IG…

BEZERRA da SILVA em DOC

O Brasil inteiro conhece e cantou com Bezerra da Silva sucessos como Malandragem, Dá Um Tempo, Minha Sogra Parece Sapatão e Malandro É Malandro e Mané É Mané. Porém, pouca gente ouviu falar do pedreiro, do técnico em refrigeração, do carteiro ou do bombeiro que resgata cadáveres, autores desses sambas antológicos. É aqui que pega o documentário Bezerra da Silva – Onde a Coruja Dorme, de Márcia Derraik e Simplício Neto, que passa domingo no Auditório Ibirapuera, dentro do festival In-Edit Brasil, de documentários musicais. 

Chico Buarque já tinha cantado a bola: o verdadeiro malandro é trabalhador, mora longe e chacoalha no trem. O filme de Márcia e Simplício confirma a sentença e tem caráter de denúncia: nenhum desses compositores viu a cor do dinheiro fazendo música. Em entrevista ao Estado, um deles, Roxinho (autor de diversos sambas gravados por Bezerra), diz que até teve a ilusão de um dia viver de direito autoral. “Mas o próprio Bezerra tirou isso da cabeça da gente. O Carlos Colla (compositor) uma vez me falou que com um sucesso daqueles ele trocava de carro todo ano, mas ele tem advogado, tem os canais pra cuidar dos interesses dele. Nós, não”, diz o pedreiro compositor.

No filme, Bezerra confirma as denúncias e solta farpas contra editoras, gravadoras e profissionais de rádio. “Muita gente de renome no rádio não faz nada, só rouba.” O documentário, que foi feito há quase dez anos, até agora só foi exibido esparsamente em festivais. Ironicamente, nunca entrou em circuito comercial porque, segundo Márcia Derraik, as editoras até agora não liberaram os direitos e todas músicas desses compositores que são o foco do filme e nunca receberam o que lhes é devido.

“É uma loucura você pensar que esses caras fizeram hits que deram vários discos de ouro pro Bezerra e muitos deles hoje não têm onde morar”, diz a diretora. “Adezonilton, um dos compositores de Malandragem, Dá Um Tempo, que foi gravado até pelo Barão Vermelho, é morador de rua. É muito cruel.”

O longa originou-se do curta Coruja, realizado em 2001. Desde o início, a ideia era dar visibilidade aos compositores dos quais ninguém falava. Como lembra Roxinho, Bezerra foi o único cantor de renome a colocar os autores com ele nas capas dos discos. Acusado de fazer apologia da bandidagem, Bezerra, que apareceu empunhando revólver e acuado pela polícia em capas de discos, se defende: “Isso é o Brasil, e eu canto isso. Dizem que sou cantor de bandido, mas quem defende bandido é advogado e juiz. Eu canto os compositores da favela.” Em outra sequência arremata: “Não posso cantar o amor, porque nunca tive. Sou realista.”

O amor fica de fora, mas os temas recorrentes da música de Bezerra estão lá, cantados e comentados no filme, de maneira aberta, com pitadas de bom humor e sem preconceito: gírias, crenças, drogas, armas, malandragem, política, sogras. Se como diz o cantor, “o morro não tem voz”, ele teve essa função. Como Bezerra, o documentário fascina por desvendar o que há na toca da coruja.

* Texto de Lauro Lisboa Garcia