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Luiz Carlos Lacerda: “O exercício da alegria e do prazer é político”

 

É tão verdadeira e forte a entrevista do CINEASTA Luiz Carlos Lacerda ao jornal a voz da serra, do rio de janeiro, que reproduzimos para que mais pessoas tomem conhecimento. Confira:       

  

não. Respeito, sim

Em entrevista polêmica, o cineasta Luiz Carlos Lacerda, o Bigode, fala de homossexualidade e preconceito

Por Felipe Dias

Há algum tempo venho abordando a questão homofobia e bullying no meu blog www.olivrodehelio.webnode.com.br. Infelizmente, não param de pipocar aqui e acolá casos que servem de “inspiração” para abordar o assunto. As últimas notícias que publiquei foram a do levantamento feito pelo Grupo Gay da Bahia a respeito do aumento do número de homossexuais mortos no Brasil em 2010 (250 casos confirmados, fora os não confirmados) em comparação ao ano de 2009 (198 casos), e a do caso das quatro meninas lésbicas agredidas num McDonald’s, em Taboão da Serra (SP), por dois homens e uma mulher.
Desde que comecei a discutir o tema, recebo e-mails relatando casos de agressão sofridos dentro e fora de casa. Uma das lições que aprendi com a vida foi que a melhor forma de resolver um problema é encará-lo de frente e conversar a respeito. Pensei em convidar personalidades assumidamente homossexuais para falar de suas experiências para provar que, apesar das adversidades, é possível ser respeitado. Porque, afinal, tirando a questão da notoriedade, somos todos iguais.
A cada momento, vemos celebridades emprestando suas imagens às lutas contra a violência urbana, câncer de mama, corrupção, extinção do mico-leão-dourado, entre outras. Por que não contra a homofobia? Fiz contato com muitas personalidades e, para minha surpresa, não demoraram a surgir candidatos, o que me incentivou a criar a coluna Aceitação, não. Respeito, sim.
Para a estreia convidei uma pessoa que foi fundamental no processo de entendimento da minha sexualidade. No ano em que o conheci, 1997, tinha apenas 20 anos. Fui seu estagiário em um seminário de cinema documental que ele ministrou na faculdade em que estudei. Eu era um jovem com mais medos e angústias do que certezas. Então, conheci essa pessoa assumidamente gay, mas respeitada por sua postura, ideias e, talvez até, por seu bigode de xerife de filme de bang-bang. Foi quando a minha ficha caiu. Nunca falei disso com ele. Só agora, 14 anos depois, tive a oportunidade de reencontrá-lo e admitir sua importância em minha vida. Nesta entrevista, o diretor, roteirista e professor Luiz Carlos Lacerda, o Bigode, diz o que pensa:

Quando a homossexualidade surgiu em sua vida?
LUIZ CARLOS LACERDA, O BIGODE – Desde menino sentia atração por homens. Adorava o Tarzan com aquelas coxas de fora! Morava em Copacabana e os via na praia, jogando vôlei, saindo suados pra mergulhar; depois voltando, molhados. Adorava ver o Bellini, capitão da seleção brasileira de futebol, com seu calção apertado na bunda. Mas não tinha com quem dividir isso. Minha primeira experiência sexual foi com uma prostituta; depois com um amigo (sem penetração). E muita masturbação fantasiando os homens da praia, jogadores de futebol e artistas de cinema.

Como foi seu processo de aceitação desta condição? Tentou se convencer de que era algo passageiro? O que o levou a tomar esta atitude?
BIGODE – Eu também sentia atração por uma menina em quem dava uns amassos e numa mulher mais velha. Mas o meu tesão pelos homens era mais forte, mais visceral. Não queria aceitar que era homossexual porque naquela época (anos 60) você era discriminado pelos outros garotos (da turma da rua, do colégio, na família etc). Por várias vezes os vi espancando, violentamente, gays na rua, em plena luz do dia. Achava um absurdo e não queria que aquilo acontecesse comigo. Depois de algumas paixões platônicas, a primeira transa mesmo foi com o Lúcio Cardoso, meu escritor preferido. Eu tinha uns 16 anos. Ele era “assumido”, sinônimo de homossexual. Meu pai desconfiou. Eu não queria ter problemas em casa. Meu pai era marxista militante e eu também. Mas a paixão era mais forte do que a repressão. Essa paixão me deu certeza de que eu era gay. Mas só alguns anos mais tarde (aos 19), eu já não fazia questão de esconder. Foi difícil. Conflitos em família, na escola e, claro, a turma da rua me discriminou.

Que comparação você faz da época em que se assumiu para a de um jovem que se assume nos dias de hoje?
BIGODE – Hoje é mais fácil. Tem essa coisa do politicamente correto que ajuda os hipócritas a fingirem que nos aceitam. Acho que, no entanto, ganhamos com isso, embora nada tenha sido fácil. Foi muita luta de afirmação da nossa identidade, do nosso comportamento dentro da sociedade. Antigamente, os gays eram os bobos da corte que frequentavam os salões de beleza ou os salões das grã-finas (costureiros, decoradores, atores e diretores de teatro). Era chique uma perua ter o seu “viadinho” de estimação. Mas não podia se misturar, ter opinião, se impor como pessoa. Isso começou a mudar, pelo menos pra mim, quando eu vi o poeta Walmir Ayala, apesar de muito afeminado, falar de igual pra igual com as pessoas. Vi que também podia ser respeitado. Não queria ser “aceito”, não precisava desse aval. Queria ser respeitado. E consegui. No início fui até bastante agressivo. Expunha meu tesão por um homem, na frente de todo mundo—como fazem os machistas com as mulheres. Mas isso coincidiu com a revolução sexual, com o chamado “desbunde”—a agressividade fazia parte daquele show. Depois, tudo foi se acalmando.

Ter sido amigo de uma pessoa liberal e revolucionária como Leila Diniz o ajudou na questão da homossexualidade?
BIGODE – Leila era minha amiga de adolescência. Ela vivia um período também cheio de conflitos, tinha saído da casa dos pais. Perambulávamos pelas ruas de Ipanema. Dormimos muitas noites em escadas de prédios, em trens que iam até o subúrbio, em mesas de botequim e até na casa do Lúcio—que não quis assumir a relação comigo porque eu era menor e ele não era apaixonado como eu. Tinha outros jovens parceiros. Ela me apoiava e eu a apoiava. Mas eu só assumi mesmo, pra valer, publicamente, aos 20 ou 21 anos. Sozinho. A Leila não interferiu em nada. Apenas, como era uma pessoa verdadeiramente livre e minha amiga, aceitou como uma coisa normal.

Como o fato de ser homossexual reflete em seus filmes?
BIGODE – Todos os meus filmes, cada vez mais, têm personagens homossexuais, claro! E gosto de filmar os homens sob a ótica do meu desejo. Isso é inevitável. Principalmente quando estão nus. E o que tem de homem nu nos meus filmes!…

Você foi professor da Escola de Cinema de Cuba. Em agosto de 2010, Fidel Castro admitiu ter perseguido homossexuais entre as décadas de 60 e 70, tendo exonerado de cargos públicos, funcionários gays que foram enviados para campos de trabalho forçado. O que você conta sobre sua experiência neste país que durante anos viveu sob uma ditadura homofóbica?
BIGODE – Antes disso, em 1997, uma jornalista venezuelana fez uma longa entrevista com o Fidel, publicada no livro “Un grano de maiz” [Um grão de milho], onde ele pede desculpas aos cubanos pelo “erro político” da perseguição aos gays, e até sugere às famílias que os aceitem. Mas eu não acredito na sinceridade desse ditador que mandou matar e torturar milhares de pessoas por causa de suas orientações sexuais, como na União Soviética, de Stalin, e na Alemanha nazista. O que acontece é que pegou mal—volto a insistir no “politicamente correto” que nos ajuda em muitas situações. Mas até hoje os travestis são perseguidos e extorquidos pela polícia cubana. Os soropositivos são isolados num hospital no município de Los Cocos, como eram os leprosos no século XX e só visitam as famílias com um acompanhante enfermeiro. De qualquer maneira, a ficha caiu, pelo menos parcialmente. E é diferente do Irã, onde basta os gays serem denunciados por um vizinho para serem enforcados em praça pública—como pode ser constatado em sites, com fotos horrendas. Eu não tive problemas em Cuba, até porque vivia numa escola internacional, um território livre.

Você concorda que o Brasil é um país “gay friendly”, apesar dos casos de homofobia?
BIGODE – A formação étnica do Brasil é erotizada. A miscigenação, nossa maior riqueza e característica como afirmou Darcy Ribeiro, é resultado de uma grande sacanagem. O brasileiro gosta muito de transar. E isso, apesar da repressão da igreja católica, “não tem limites”—como canta Chico Buarque em “O que será, que será?”.

Muitas pessoas não concordam com a forma como as paradas gays acontecem, deixando de ser um movimento político-social para ser uma espécie de “micareta”. Qual sua opinião?
BIGODE – Política não precisa ser o exercício do mau-humor ou da formalidade. O exercício da alegria e do prazer—como escreveu Freud tratando da questão da repressão sexual—é político. Essas paradas são muito importantes também porque dão uma visibilidade absoluta para a sociedade. Apesar da tentativa de folclorização pela mídia, que só divulga as imagens dos travestis, involuntariamente estão politizando essa questão ao tirar da obscuridade e da sombra esses seres condenados à escuridão das ruas. Os travestis e os “trans” merecem todo o brilho que exibem à luz do generoso Sol que nasce todo dia para todos. Eu prefiro esse espetáculo vital, essa alegria, do que muito seminário acadêmico de bichas intelectualizadas e carrancudas.

Qual sua opinião a respeito da forma como o governo trata a questão LGBT?
BIGODE – Fico feliz de estar vivendo os dias que vivemos hoje e de poder assistir a inclusão social dos LGBT através de programas oficiais. Quando poderíamos imaginar a criação de uma Secretaria da Diversidade vinculada à Presidência da República, por determinação e coragem política do ator Sérgio Mamberti? Hoje, a maioria dos governos (do Rio, de Minas e de São Paulo, com certeza) criou essas secretarias. No Rio, o funcionário público gay tem direito à pensão do companheiro morto. Alguns juízes começam a dar o direito de adoção para casais homossexuais. Minha única frustração é o governo brasileiro ainda não ter resolvido no Congresso a questão da criminalização da homofobia. É uma contradição! A posição dos católicos e evangélicos, que fazem parte da sustentação política do governo no Congresso, é a razão desse impasse.

O que você espera do governo Dilma Rousseff em relação à questão LGBT?
BIGODE – Continuidade da política pública de apoio ao movimento LGBT e avanços nessas questões como a criminalização da homofobia. Já conquistamos a legalização da união civil de pessoas do mesmo sexo.

Qual a sua opinião sobre a forma como homossexuais são retratados na televisão brasileira?
BIGODE – Mesmo sendo caricaturas, acho importante. A sociedade brasileira hoje não pode mais esconder os altos índices de homossexuais entre seus pares. Se as novelas e os filmes quiserem se comunicar com um público mais abrangente, terão que retratar a sociedade como ela é em sua totalidade. Hoje é difícil não ter um ou mais personagens gays nas novelas. Mais uma vez o politicamente correto, apesar de hipócrita, está nos favorecendo.

Em 2010 foi noticiado que o programa “Clandestinos—O Sonho Começou”, da Rede Globo, levaria ao ar o primeiro beijo gay da televisão brasileira, mas a cena foi cortada da edição final. No passado outros programas também tiveram beijos gays cortados. Qual sua opinião a respeito deste fato?
BIGODE – Falei com a Glória Perez por telefone quando cortaram o beijo dos dois rapazes em “América”. Ela estava chateada porque escreveu a cena, foi gravada, mas a direção da televisão decidiu cortar. Mesmo quando a Censura Federal foi extinta no Governo Sarney, as TVs demoraram muito a absorver essa mudança. Acredito que estamos caminhando… Em outros tempos “matavam” os personagens gays num desastre encomendado. Mais importante do que o beijo em si é a existência de uma relação verdadeira, com afeto, conflitos; a sua relação plena com a sociedade, e não mais e apenas a caricatura. O personagem da Paula Burlamaqui em “A Favorita”, do João Emanuel Carneiro, era uma lésbica apaixonada pelo personagem da Lilia Cabral que emocionou o Brasil. Isso é mais importante do que o beijo em si.

Como você vê a forma como a questão LGBT é tratada pelo cinema brasileiro e internacional?
BIGODE – O cinema tem uma dívida muito grande com essa questão. Nisso a TV está mais adiante. E estou falando do mundo todo. Mas já há uma filmografia bastante significativa com essa temática.

No começo é comum nos sentirmos desorientados em relação à nossa postura diante do fato de sermos homossexuais. Que conselho você dá para quem está passando por isso?
BIGODE – O único conselho que dou é para não aceitarem conselhos de ninguém. Cada um sabe o que fazer da sua vida, pois cada existência tem sua própria história. O mais importante é você se aceitar. O resto vem com o tempo.

Muitos jovens me escrevem falando sobre o fato de ainda não terem se assumido para suas famílias e amigos. Uns alegam medo da reação das pessoas, outros dizem que ainda se acham muito novos para isso, e alguns acreditam que possam viver uma vida aparentemente heterossexual (casamento, filhos etc.) alternada com momentos em que se permitam relações homossexuais. O quê você tem a dizer para eles?
BIGODE – Tenho amigos e conhecidos que levaram uma vida inteira mentindo para as esposas, os filhos e a si mesmo. Essa é a maior infelicidade que um ser humano pode viver! Depois se arrependem do tempo perdido. Aí é tarde.

Para encerrar, passe uma mensagem para nossos internautas/leitores.
BIGODE – O mais importante na vida é procurar ser feliz.

Sobre Luiz Carlos Lacerda, ou Bigode:

Filho do produtor João Tinoco de Freitas, membro do Partido Comunista Brasileiro, que ajudava a financiar filmes nos anos 50, como “Rio 40 Graus” (1955), de Nelson Pereira dos Santos, LC Lacerda começou no cinema aos 19 anos como assistente de direção de “Onde a Terra Começa” (1965), de Ruy Santos. Sua escola no cinema foi o set dos filmes de Nelson Pereira dos Santos, de quem foi assistente de direção nos filmes “El Justicero” (1966), “Fome de Amor” (1967), “Azyllo Muito Louco” (1969), “Como Era Gostoso o Meu Francês” (1970), “Quem é Beta?” (1972) e “Amuleto de Ogum” (1973).
Estreou na direção com “Mãos Vazias” (1971), uma adaptação do romance homônimo de Lúcio Cardoso, e em 1978 dirigiu “O Princípio do Prazer”, no qual aborda o incesto. Nos anos 80, fez filmes publicitários, produziu seriados e novelas para a Rede Globo e assinou alguns vídeos. Em 1987 filmou o sucesso “Leila Diniz” (1987), cinebiografia da atriz, interpretada por Louise Cardoso. Realizou e roteirizou cerca de 30 curtas sobre personagens da cultura brasileira como Nelson Pereira, Lúcio Cardoso, Cecília Meireles, Ernesto Nazareth, Antônio Parreiras, Quirino Campofiorito, Walmir Ayala, Oduvaldo Viana Filho, Alex Viany, Anísio Medeiros, Paulo Villaça, Arduíno Colasanti, Vatenor, Júlio Paraty, Zé Tarcísio, Ângelo Agostini, Mário Faustino e Alair Gomes.
Na produção, participou de “Chuvas de Verão” (1978), de Carlos Diegues, “Eu Te Amo” (1981), de Arnaldo Jabor, “O Homem da Capa Preta” (1986), de Sérgio Rezende, entre outros. Dirigiu “For All – O Trampolim da Vitória” (1997) e “Viva Sapato” (2004). O primeiro conta a história no estilo chanchada sobre a presença do exército americano na cidade de Natal (RN), durante a Segunda Guerra Mundial, e o segundo é uma coprodução Brasil/Espanha, filmada no Rio e em Havana. Bigode foi professor do curso de cinema da Escola de Cinema de Cuba (1992 e 1993) e da Universidade Estácio de Sá.
(Fontes: Filme B e Wikipedia)

Gil, Sônia Dias, Macalé e Bigode

“Vida Vertiginosa”, de Luiz Carlos Laderda. Foto: Alisson Prodlik

Nildo Parente, Um Adeus Emocionado e Emocionante

 

Conheci-o no final dos anos 60, ele belíssimo, chegado de Fortaleza e já fazendo teatro, nas mesas do La Gondola ,num jogo que consistia em lembrar o nome de atores secundários; de tecnicos de filmes principalmente americanos.E sempre ganhava! Os outros “jogadores” eram Fabiano Canosa (criador dos primeiros “cinemas de arte” no Brasil, que levou o Cinema brasileiro pra NY,onde passou a ser programador de um cinema cult no East Village e orientou Sonia Braga nos seus primeiros passos nos States);Napoleão Moniz Freyre e Renato Coutinho, ambos atores e tb amigos do Nildo.

Em 1969 ficamos amigos durante a preparação e filmagem do único filme que protagonizou – o hoje clássico Azyllo muito louco, do mestre Nelson Pereira dos Santos, filme naquela época incompreendido apesar de ter recebido no Festival de Cannes do ano seguinte o Prêmio Luis Buñuel da crítica, com a presença do diretor e dele.

Aqueles muitos meses de preparação no Rio, onde montamos atelier na Rua Paschoal Carlos Magno, em S.Teresa, comandado pelo diretor de arte Luiz Carlos Ripper, nos aproximou logo.Ripper aglutinava atores e equipe à sua volta para produzirem as bijouterias e objetos artesanais do filme.A chegada em Paraty foi triunfal.Nós tres fomos na frente.Nildo queria se deixar impregnar pela cidade que passou a frequentar através de outros filmes ali realizados ou qdo tinha tempo livre.Fez muitos amigos.

Frequentei quase todas as noites o espetáculo Hoje é dia de rock no Teatro Ipanema.Além dos amigos Nildo e Isabel Ribeiro,oriundos do filme em Paraty,o teatro virou point dos descolados de todas as áreas, atraídos pela ideologia hippie do texto de José Vicente e tb pela direção de Rubens Correia que imprimiu uma atmosfera de viagem lisérgica e comunhão ao espetáculo.

À partir do meu primeiro filme (Mãos vazias, 1970) sempre pude contar com o grande e disciplinado ator nos meus projetos (os longas O princípio do prazer e For All; o curta Acendedor de lampiões e como narrador do curta sobre nosso mestre,Nelson Filma); além de filmes que produzi para outros diretores e que o indiquei (Republica dos assassinos, de Miguel Faria Jr.; Ajuricaba, de Oswaldo Caldeira;entre outros).

Em 2009 assisti à cerimônia de entrega do Prêmio Especial pela sua carreira no For Rainbow Festival de Fortaleza – onde exibiram um audacioso curta em que atuava ao lado de Ney Matogrosso.Disciplinado, chegou mais cêdo do que todos, observando tudo, conferindo a qualidade do som, elogiando a cenografia transformadora do Cine São Luiz, na Praça do Ferreira, que frequentou durante sua juventude.Emocionado, recebeu o troféu das mãos de Verônica Guedes – diretora do Festival e autora da brilhante idéia da homenagem.

No meio do ano passado fui convidado pelo Canal Brasil , para minha surprêsa, a dirigir um documentário sobre Nildo para a série Retratos brasileiros.Ele já tinha tido o primeiro AVC, filmamos em sua pequena cobertura cercado de livros e de filmes, e parecia estar se recuperando bem.Foi uma tarde alegre onde relembramos nossa juventude, as aventuras e loucuras que vivemos juntos, e ele sorria, sentindo-se prestigiado e excitado com a lembrança de toda a sua vasta carreira no teatro; no cinema e na TV.

Mexia em fotos tiradas de caixas; irritava-se quando demorava a lembrar o nome de um espetáculo ou de um autor.

Quando enviei-lhe o DVD pronto, telefonou-me, satisfeito e agradecido.

A última vez que nos vimos foi no aniversário da empresária Yvone Kassú, no La Fiorentina, point do teatro e do cinema desde os anos 60.Elegante como sempre, com seu característico e iluminado sorriso, beijou-me com o cumprimento que marcou nossos encontros. Hy, By God ! e eu respondia, Hy, Teremp Donil .

Lembrar do Nildo é lembrar da atriz  Thais Moniz Portinho e de Fabiano Canosa – seus melhores amigos; inseparáveis companheiros de muitos anos dos 75 que Nildo viveu – agora mais órfãos do que todos nós.

Viva o Padre Simão ! como gritava o coral feminino constituído por Leila Diniz; Ana Maria Magalhães e Irene Stefânia no Azyllo muito louco que permanecerá sob seu comando na nossa história pessoal e na do cinema brasileiro.

 
Luiz Carlos Lacerda

Adeus a NILDO PARENTE…

É o cineasta LUIZ CARLOS LACERDA quem informa:

Triste notícia: hoje à tarde o nosso querido NILDO PARENTE  faleceu no Hospital Silvestre, em Santa Teresa (RJ), aos 75 anos, depois do terceiro AVC…

Nildo estava em coma há cerca de 2 meses. Ano passado fiz um documentário sobre ele para a série Retratos Brasileiros do Canal Brasil, exibido em outubro.

NILDO viu o filme e ficou muito feliz pela homenagem. Já tinha tido o primeiro AVC mas aparentava estar se recuperando. Estava contratado até hoje pelaTV Globo e iria participar, mais uma vez, de uma novela de GILBERTO BRAGA, destavez INSENSATO CORAÇÃO, mas não chegou a gravar.
Vamos prestar uma homenagem ao querido ATOR. Assim que souber do local e hora, eu avisarei. Hoje essa informação é capaz de sair no Jornal da Globo.
Adeus, amigo !
Beijos,
Bigo.
 
NILDO, ao lado de NEY MATOGROSSO, no curta DEPOIS DE TUDO
Com Daisy Lúcidi: destaque em PARAÍSO TROPICAL, do amigo Gilberto Braga
NILDO contracena com NEY MATOGROSSO no curta DEPOIS DE TUDO, de Rafael Saar
UM POUCO MAIS sobre NILDO PARENTE
 
Nildo Parente estreou no cinema, no filme O Homem que Comprou o Mundo (1968), de Eduardo Coutinho.

Em seguida, fez o papel principal no longa Azyllo Muito Louco (1969), de Nelson Pereira dos Santos, onde atuou ao lado de Luiz Carlos Lacerda e Leila Diniz, voltando a filmar com Nelson “Quem é Beta?” (1972), “Tenda dos Milagres” (1977) e “Memórias do Cárcere” (1983).

O período em que NILDO PARENTE mais atuou foi na década de 70, quando, em papéis de diferentes importâncias e sob a direção de cineastas diversos, fez mais de 20 filmes, entre esses “Anjos e Demônios” (1970), de Carlos Hugo Christensen: “São Bernardo” (1972), de Leon Hirszman: “Os Condenados” (1973), de Zelito Viana: e “Coronel Delmiro Gouvêa” (1977), de Geraldo Sarno.

Nos anos 1980 e no começo dos 1990, fez mais de dez filmes: “Luz del Fuego” (1981), de David Neves; “Rio Babilônia” (1982), de Neville D’Almeida; “O Beijo da Mulher-Aranha” (1984), de Hector Babenco; e “Natal da Portela” (1988), de Paulo Cezar Saraceni.

Nos anos 90, participou dos filmes “Bela Donna” (1998), de Fábio Barreto; “Seja o que Deus Quiser” (2002), de Murilo Salles; e “Inesquecível”, de Paulo Sérgio Almeida.

Seus principais trabalhos em teatro foram “Hoje é Dia de Rock”, de Rubens Corrêa; “Francisco de Assis”, de Ciro Barcellos; e “Ai Ai Brasil”, de Sergio Brito.

Nildo fez parte do elenco do Grande Teatro Tupi, onde encenou aproximadamente 20 peças do programa, de 1958 a 1963.

Na televisão, trabalhou em diversas novelas, como “Água Viva”, “América”, “Senhora do Destino” e “Celebridade”. Em 2007, Nildo Parente participou da novela Paraíso Tropical.

Em 2008, após participar do espetáculo “As Eruditas”, Nildo voltou aos palcos, desta vez ao lado de Francisco Cuoco e grande elenco, com a peça “Circuncisão em Nova York”. O ator também esteve na TV, em participação especial nos últimos capítulos da novela Amor e Intrigas, na Record.

Ainda em 2008, NILDO esteve no curta Depois de Tudo, co-produção da ONG Cinema Nosso com a Universidade Federal Fluminense (UFF) e pôde ser visto também no longa Meu Nome é Dindi, de Bruno Safadi.

Em 2009, Nildo Parente fez participação especial na série “A Lei e o Crime”, da Record. No mesmo ano, subiu ao palco no espetáculo “Medida por Medida”.

Seu mais recente trabalho foi no longa-metragem Chico Xavier. dirigido por Daniel Filho.

NILDO PARENTE era cearense e esteve em Fortaleza muitas vezes, aqui tinha muitos amigos, entre eles a estilista Fátima Castro. Numa das últimas vezes, subiu ao palco do Teatro José de Alencar ao lado de EMILIANO QUEIROZ, conterrâneo e grande amigo, e Ada Chaseliov, entre outros, no belo espetáculo OS FANTÁSTIKOS
Encontrei com Nildo várias vezes e era sempre um prazer estar com o ator, figura das mais agradáveis e educadas, aquele tipo que de imediato chamamos BONACHÃO, além de ser um ator querido na classe artística, sem nenhuma afetação e muito talento.
NILDO PARENTE já deixa saudades… Descansa em paz, NILDO !
 

Luiz Carlos Lacerda: APLAUSO para Leila Diniz

Alguns Festivais, Muitos Amigos …

Cada festival de cinema é um momento de celebração especial. Cada um tem sua personalidade e em cada um encontramos motivos  para angariar momentos inesquecíveis, pois – como dizia nosso adorável VININHA -, “A Vida é a Arte do Encontro”… 

Portanto, vamos relembrar festivais de 2008, 2009, 2010…

Zanella, Aurora e Bernardo em Ribeirão Pires...

Aurora e André Costa agitam noite do Comunicurtas

Julinho Science, Aurora, Marão e Zeca Brito

 

Zeca Ferreira e Aurora na animação de Jeri

 

Carlos Segundo curtindo no Festival de Jeri

Filipe Wenceslau, Valério Fonseca e Zeca Ferreira: amigos queridos

Jornalistas em Jeri: Síria Mapurunga e Aurora Miranda Leão

Animação em JERI

Filipe, Zeca, Aurora, Valério, Síria e Lucas Harry

 Rosamaria Murtinho, Alice Gonzaga e Aurora

Ney Latorraca, Aurora e Luiz Carlos Lacerda

Leona Cavalli, Aurora, Fafy Siqueira e Teca Pereira

Victor Arruda:PINTURAS COM PALAVRAS e 1 NÉON

Exibição e lançamento do DVD com filme de Luiz Carlos Lacerda na Galeria Anna Maria Niemeyer

 

 Na exposição – inédita – a ser inaugurada dia 28 de setembro na Galeria Anna Maria Niemeyer, as telas não apresentam figuras, apenas palavras. Seja de uma forma emocional e subjetiva, como “Pintura de agradecimento aos amigos”, de 1992, ou aforismos, como na tela “O destino é uma possibilidade”, de 2009, ou ainda pinturas ligadas ao cotidiano como “Diário”, de 1975.  Também fará parte da exposição o curta-metragem Esta pintura dispensa flores – de Luiz Carlos Lacerda,o Bigode –  retratando obras do artista desde a década de 70 e cujo lançamento do DVD acontecerá durante a inauguração da mostra.

LUIZ CARLOS-Bigode: admirador das Artes, cineasta registra obra de Victor Arruda para as novas gerações e a posteridade

As pinturas de Victor Arruda são conhecidas por seu erotismo, por sua feitura propositadamente bruta e pela abordagem sócio-política.

 

Victor Arruda, na década de setenta, participou de coletivas como o “Salão de Verão”, no MAM-RJ (1975) e “Salão Nacional de Arte Moderna (1976)”, quando mostrou obras em que citava, à sua maneira, as revistinhas clandestinas de Carlos Zéfiro. Ele foi o primeiro artista a fazer referência ao já famoso pornógrafo, então apenas conhecido por seu pseudônimo. Victor arruda recriava o clima erótico dos desenhos de Zéfiro, mas com uma conotação crítica em que apontava a hipocrisia das relações em que o sexo estava ligado ao poder. Como na pintura “Salário mais justo”, de 1975, em que o patrão se prepara para discutir o salário com a nova empregada que perguntava – já nua à beira da cama – “Pronto Doutor. O que devo fazer?” e ele respondia: “Deita aqui meu bem”. Suas pinturas na década de oitenta abordam a violência e a solidão nos grandes centros urbanos.

 

O interesse do artista pelas questões sociais o levou a criar e desenvolver com a colaboração de Marluce Brasil – técnica em educação – o primeiro atelier de arte livre da antiga FUNABEM em que juntos examinavam e orientavam meninas com dificuldade de aprendizado assistidas naquele projeto social.

 Victor Arruda e sua tela Autorretrato com peruca loura. Foto Pedro Stephan
Victor Arruda e sua tela Autorretrato com peruca loura (foto: Pedro Stephan)

Victor Arruda foi absorvido pelo movimento chamado “Geração 80” e sua pintura foi examinada em textos por Achille Bonito Oliva (o crítico italiano que criou o termo “transvanguarda”), por Frederico Morais, Jorge Guinle, Lígia Canongia, Marcus de Lontra Costa, Reynaldo Röels Jr., Roberto Pontual, entre outros.

A partir da década de 90, retomou as antigas pinturas dos anos 70 e, nelas, a maior utilização de textos pintados, sempre atrelados às emoções de alguns momentos de sua vida. Quem não se recorda do famoso anúncio de jornal que ele mesmo colocou sobre a sua morte? Foi uma comoção só. Tudo não passava de mais um trabalho seu com as palavras.  Em 2008, convidado a participar de uma exposição coletiva no Solar Grandjean de Montigny-PUC-RJ, usou uma idéia que lhe surgiu quando, há alguns anos, houve uma revolta de imigrantes no subúrbio de Paris. O então presidente francês, Nicolas Sarkozy (na época ministro do interior da França), disse que aqueles cidadãos de segunda categoria só conseguiam se comunicar com 56 palavras. Victor Arruda chamou 56 conhecidos – de formação, classe social, profissão e idade diversas – e pediu para cada um deles escrever “as suas 56 palavras”, que reunidas resultaram no livro “56 Palavras”. Em uma outra exposição: “A respeito da corrupção”, no fim do ano passado, exibida na Galeria Amarelonegro, Victor também apresentou obras utilizando palavras e frases, neste caso baseadas no escândalo do ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Victor aproveitou a deixa e a coincidência do sobrenome para dizer que não era ele.

 

Este é um resumo das muitas contribuições de Victor Arruda no campo das artes: polêmico, com boa formação, culto, inteligente e, além de tudo, muito divertido. Estas são algumas características deste artista.

 

SERVIÇO

 

 

TÍTULO INDIVIDUAL: PINTURAS COM PALAVRAS E 1 NÉON

ARTISTA: VICTOR ARRUDA

ABERTURA:  20h, 28 DE SETEMBRO (TERÇA-FEIRA)

EXPOSIÇÃO ATE: 24 DE OUTUBRO

LOCAL: GALERIA ANNA MARIA NIEMEYER (MATRIZ) 

              RUA MARQUES DE SÃO VICENTE, 52/205 – SHOPPING DA GÁVEA – RIO DE JANEIRO – RJ – BRASIL

              TEL: 21 22399144  –  FAX: 21 22592082

HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO, DE SEGUNDA A SÁBADO DAS 10 ÀS 22H, DOMINGOS E FERIADOS DAS 15 ÀS 21H

O artista reúne na exposição “PINTURAS COM PALAVRAS E 1 NÉON”, cerca de 10 trabalhos e um único objeto (néon), todos da série “Pinturas com Palavras”.  Integrando a mostra estará sendo lançado o DVD do curta-metragem (20’) “Esta Pintura Dispensa Flores”, dirigido por Luiz Carlos Lacerda (Bigode), que documenta a obra do artista contemporâneo Victor Arruda, realizado com o apoio do Canal Brasil e já apresentado em diversos festivais. 

A série PINTURAS COM PALAVRAS, composta por pinturas inéditas (produzidas entre 1975 e 2010), onde o artista – apenas com a utilização de palavras – aborda situações emocionais e subjetivas (como nas obras “Pintura de agradecimento aos amigos” e “Por favor, procure outra vítima”) ou ainda aforismo, neste caso presente na obra “O destino é uma possibilidade”.

Bigode Vai Colocar CASA 9 na Tela

Compositor JARDS MACALÉ é um dos que dará depoimento sobre a CASA 9 
 
Luiz Carlos Lacerda, incansável, trabalha em novo filme, que terá depoimento de seu grande amigo, cineasta Nélson Pereira dos Santos
 
Poeta JORGE SALOMÃO feliz da vida com participação no novo filme de Bigode
 
 * Transcrito da coluna de Joaquim Ferreira dos Santos, do Globo…