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O diferencial de Sergipe… ARRASTÃO CURTA-SE 11…

Rosângela Rocha criou o CURTA-SE há 11 anos. O Festival de Cinema nasceu como uma atividade dentro do Encontro Nacional de Estudantes de Comunicação, o ERECOM, da Universidade Federal de Sergipe.

Primeiro iria se chamar FIS – Fórum da Imagem e do Som. Mas depois de muita troca de idéias, idas e vindas, optou-se por Festival Brasileiro de Curtas-Metragens de Sergipe (CURTA-SE).

Rosângela Rocha: contribuição fundamental para o movimento de Cinema em Sergipe

O primeiro Curta-SE foi muito bem sucedido, embora o panorama audiovisual sergipano ainda fosse  pouco movimentado, tanto em produção como em difusão. Mas na segunda edição, o Curta-SE já virava Festival Luso-Brasileiro de Curtas-Metragens de Sergipe, passando a contar com produções portuguesas, a partir de uma parceria com o Festival Luso-Brasileiro de Santa Maria, que acontece anualmente em Lisboa. 

Em 2003, a determinação e constância das atividades audiovisuais implementadas por Rosângela e sua irmã Deyse Rocha, fizeram nascer a Casa Curta-SE, Organização Não-Governamental que contribui para a difusão do audiovisual em Sergipe, e hoje entidade realizadora do Festival.

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Deyse e Rosângela Rocha com o cineasta Geraldo Motta na noite de abertura

Em 2008, o festival transforma-se em Festival Iberoamericano de Curtas-Metragens. Isso possibilitou a participação de países abrangidos pelo programa Ibermedia, do qual fazem parte a Argentina, Brasil, Chile, Uruguai, Cuba, México, Venezuela, Colômbia, além de Portugal e Espanha. Além disso, no mesmo ano, o Curta-SE passou a integrar, em sua programação, mostras competitivas de longas-metragens.

Do início pra cá, os passos foram acelerados: de 50 inscritos em 2001, o festival teve 605 inscrições neste 2011. 

Uma obra de porte para Aracaju: Teatro Tobias Barreto, com capacidade para 1,300 pessoas…

A 11ª edição aconteceu de 12 a 17 de setembro. Além das mostras competitivas, o festival contabiliza mostras informativas, exibidas em espaços alternativos e em cidades do interior sergipano, e promove seminários, oficinas e workshops gratuitos e abertos ao público.

Viaduto Carvalho Deda: obra marcante com bela iluminação…

Conhecer Aracaju era um sonho antigo, conforme falei em post anterior. Desta vez, pude aceitar o amável convite de Rosângela. Cheguei na madrugada em que o festival começaria: ao descer do avião, já me esperava a locomotiva Adriana, simpatia e eficiência, que me levou ao hotel Jatobá, na famosa Passarela dos Caranguejos – logo eu, que amo este marisco – ‘vocês não querem que eu vá embora’, pensei de imediato.

O festival foi aberto no imponente Teatro Tobias Barreto (de onde se avista um coloridamente iluminado viaduto Jornalista Carvalho Deda) – beleza e acuidade visual e sonora adequadas. O hall do teatro foi cenário de uma exposição relativa ao ícone sergipano Arthur Bispo do Rosário – tema do filme exibido na noite com oatração: O Senhor do Labirinto foi rodado em Sergipe, com maioria da equipe sergipana – surpreendente a competência e rigor com que artesãos e artistas visuais criaram uma ambiência cênica para o filme, inspirada nas criações da lendária figura, tão assemelhada ao que conhecemos como produção de Bispo. As peças criadas para o filme foram o mote de interessante exposição na ampla sala de recepção do Teatro Tobias Barreto. Tudo muito bem feito, delicado, inspirador.

* O protagonista do filme de abertura é Flávio Bauraqui, cujo manancial interpretativo já é bem conhecido de quem milita nas áreas do Teatro/TV/Cinema. Bauraqui é contagiantequando interpreta, de tal modo convincente, sempre, que já virou praxe chamá-lo “ladrão de cenas”… Dá um baile em O Senhor do Labirinto. Ao seu lado, uma graciosa Maria Flor, conduzida pela imensidão da atuação do colega. 

Flávio Bauraqui na exposição sobre o legado de Arthur Bispo do Rosário

A história de Arthur Bispo do Rosário, um homem acometido por esquizofrenia, produzia espantosos bordados, com fortes traços de arte pop contemporânea. Este é o foco de O Senhor do Labirinto, filme lançado em Aracaju na abertura do Festival, e apresentado por seu diretor, Geraldo Motta, que, muito emocionado, agradeceu a toda a comunidade sergipana que contribuiu para o filme e aos organizadores do Curta-SE.

Depois da exibição, com casa lotada, foi a vez de Jessie Evans subir ao palco e fazer seu show. A artista inglesa foi bem assediada pela platéia que a acompanhou até o fim. Ficou uns dois dias em Aracaju, e não deixou de aproveitar a praia em nenhum deles.


A performática Jessie Evans: atração da noite de abertura do CURTA-SE 11 

Neste 2011, o CURTA-SE aconteceu em Aracaju e outras 3 cidades sergipanas – Estância, Laranjeiras e São Cristóvão. As exibições da Mostra competitiva aconteceram numa das salas do amplo e confortável CineMark, abrigado no Shopping Jardins, onde os participantes e convidados do festival podiam ser vistos toda noite em boas rodadas de conversas – entre uma sessão e outra, uma pausa para jantar e trocar idéias.

E o CURTA-SE transcorreu tranquilo (porque tudo deu certo) e agitado (porque eram muitas as atividades, o dia inteiro, em locais diferentes): na programação, debates, lançamento de livros, oficinas e, o melhor de tudo, os passeios Cinema & Turismo, responsáveis por promover um verdadeiro encantamento co ma capital sergipana e por unir gente de todas as partes do Brasil, e de países como Portugal e Espanha.

Neste item, sobretudo, o CURTA-SE assinala um importante diferencial entre os festivais de cinema do país: Rosângela Rocha se esmera em fazer não só o Cinema IberoAmericano chegar em várias partes de Sergipe, como também capricha para que, cada um dos participantes do festival, fique encantado com o lugar, leve um pouco ou muuito dele no coração, e despeça-se de Aracaju quase com um pedido em uníssono – “Eu quero estar aqui ano que vem”.

Aliás, essa era a frase mais ouvida na noite de encerramento do festival pelos muitos jurados, ‘entregadores de troféus”, apoiadores do Curta-Se e vencedores que ali estiveram – não havia um só que não falasse da intenção de retornar em 2012.

Festa na noite de encerramento do CURTA-SE: celebração do encontro…

Por si só, isso deve ser para Rosângela Rocha a satisfação de um dever cumprido além do “manual” e a certeza de estar no caminho certo com o CURTA-SE. É impressionante como esta moça e sua equipe se desdobram para agradar aos convidados, realizadores e demais participantes do CURTA-SE. Impossível não sair dali completamente encantado com Aracaju e a força e sintonia da equipe que faz o CURTA-SE com tanta dedicação.

Tony Viegas, Aurora, Rosângela Rocha e Amilton Pinheiro: Brasileiros rumo à Bahia…

Difícil sair dali e não pensar num regresso futuro. Porque o que Rosângela pensou, e muito acertadamente vem fazendo, é aliar duas coisas que são primas-irmãs: Cinema & Turismo – a magia da tela e a beleza dos cenários naturais de sua terra. Que ela nos “apresenta” despretensiosamente, como quem está ali só observando o tempo passar.

E assim, mansa mas decididamente, Rosângela Rocha nos levou para conhecer e usufruir das belezas de São Cristóvão (a bela cidade cuja praça centenária virou Patrimônio Imaterial do Brasil), das delícias de Mangue Seco (que embora fique na Bahia, acaba sendo uma boa extensão do território sergipano, pela facilidade de acesso até lá), e da simplicidade pacata das belas e largas ruas da capital sergipana.

Cavi Borges, Aurora M. Leão, Flávio Bauraqui e Amilton Pinheiro rumo a Mangue Seco: pura curtição !

Em Aracaju, uma das coisas mais notáveis, é a imensa faixa de beira-mar, quase ‘intocada’, sem um edifício pra empatar que se usufrua da beleza da orla e impedir que se aproveite uma boa brisa, que nunca dá trégua ao calor. Delícia observar as generosas avenidas que compõem a orla de Atalaia e a de Aruana, como se fossem feitas exclusivamente para o desfrute de nosso olhar, e ainda ter uma bela região de moradias elegantes e bem cuidadas, cuja vista principal é o imponente rio Sergipe. Um luxo singular, numa capital que tem tudo pra virar uma coqueluche do Nordeste.

Lucênio Carvalho e Roseli, Zé Agripino e Aurora: passeio pelo Mercado…

Ainda há detalhes relevantes a falar sobre esta décima-primeira edição do Curta-Se  mas vou deixar isso para um próximo post pois o cansaço agora se aninha entre meus dedos e  não quero expressar-me sem o cuidado necessário sobre dias tão felizes, curtidos em tão boas companhias.

O centenário prédio do Mercado Municipal, um dos mais amplos e melhores do Brasil, com impressionante variedade de artesanato, comidas e bebidas típicas. Passeio imperdível em Aracaju…

Bernadete Duarte, A Repórter, sempre cobrindo com o diferencial da qualidade, o movimento cinematográfico brasileiro. Aqui ela entrevista a homenageada Guta Stresser, em foto de Aurora Miranda Leão.

Os premiados realizadores Cata Preta, Lisandro Santos e José Agripino com esta jornalista: manhã de passeio pelo centro histórico de Aracaju.

Aurora entre os queridos Amilton Pinheiro e Itamar Borges: curtição sergipana

Um troféu CURTA-SE para a “curtição” promovida por Rosângela Rocha…

Em todo caso, pra encerrar bem, vale dizer : o CURTA-SE é um Festival de Cinema que cresceu, consolidou-se e se firma como um vasto território para vôos muito mais altos.

Que venha mais Curtição ! Viva o CURTA-SE !

Aguardem um próximo post.

Roseli Honorato, Andrezza, Cata Preta, Aurora M. Leão, Lisandro Santos e José Agripino, fotografados por Lucênio Carvalho.