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‘Boa Sorte, meu Amor’ é único brasileiro em Locarno

Filme pernambucano em Festival na Suíça …

O filme brasileiro Boa Sorte, Meu Amor  será o único representante do país no 65º Festival de Locarno, a acontecer de 1º a 11 de agosto, na Suíça.

O primeiro longa-metragem dirigido pelo pernambucano Daniel Aragão, assistente de direção do longa Cinema, Aspirinas e Urubus (2004), integrará a seleção “Cineastas do Presente”, mostra oficial com novos diretores de diversos países.

Daniel Aragão estará em Locarno com seu primeiro longa…

O drama, ou um “anti-romance”, como diz o diretor, fala sobre um casal de jovens (Vinícius Zinn e Christiana Ubach), de raízes interioranas, que lida de forma diferente com a vida numa grande cidade.

Filmado em preto e branco, o longa também aborda a busca apai­xo­nada e tem no elenco Christiana Ubach, Jack Mugler e Jr. Black. As loca­ções acon­te­ce­ram no Recife e no inte­rior de Pernambuco. A pro­du­ção é de Pedro Severien. O filme estreia em Locarno dia 9 de agosto e ainda não tem pre­vi­são de che­gada ao cir­cuito comercial.

Um dos festivais mais antigos do mundo, Locarno tenta recuperar o prestígio que já teve no passado, principalmente nas décadas de 1960 e 1970 quando servia de base de lançamentos para longas de cineastas como Stanley Kubrick e Bernardo Bertolucci.

Para isso, o diretor artístico Olivier Père aposta numa mostra competitiva eclética e uma paralela para o público com destaques de festivais recentes.

A dificuldade do festival, cujo troféu principal é o Leopardo de Ouro para os vencedores, é a proximidade com o Festival de Veneza, que acontece no fim de agosto e ganhou mais fama ao longo dos anos, atraindo celebridades hollywoodianas.

Na presidência do júri de Locarno está o tailandês Apichatpong Weerasethakul, ganhador da Palma de Ouro de Cannes por “Tio Boonme, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas”, em 2010.

Confira o teaser: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1120002-filme-de-pernambucano-integra-mostra-de-festival-de-locarno-na-suica.shtml

* Com informações de RODRIGO SALEM, da Folha SP

BESOURO vence mais um Festival, desta vez no Canadá

O filme Besouro, de João Daniel Tikhomiroff, conquistou o título de Melhor Filme Internacional no ReelWorld Film, realizado em Toronto, no Canadá.

A ação se desenrola no recôncavo baiano nos anos 1920 e conta a história de Manoel Henrique Pereira, o Besouro, capoeirista que lutou contra a opressão durante o período de escravidão no Brasil.

Besouro, longa que levou mais de 600 mil espectadores ao cinema, estreou em 2009, e recebeu alguns prêmios internacionais: melhor filme no Pan African Film Festival, em Los Angeles (EUA), em março, e, em 2010, levou o troféu Campus Giuventù Award, no Festival de Taormina, na Itália.

Também em 2010, foi apresentado na mostra Panorama Especial do Festival de Berlim.

Sobre o filme, vale lembrar as palavras do crítico Carlos Alberto Mattos:

“Besouro é aventura destinada a um público diversificado, que inclui o infanto-juvenil. A formação do mítico capoeirista baiano é contada como uma história de mestre e discípulo na linha Karatê Kid. O surgimento do herói se dá à base de culpa por um descuido na proteção ao mestre. Seus poderes sobrenaturais vêm do encontro com um Exu que reúne traços de guerreiros africanos, orientais e medievais. A rivalidade entre colonizadores brancos e lavradores e serviçais negros tem o sabor um tanto esquecido dos nordesterns. Já as lutas de Besouro ganham o caráter vertiginoso de O Tigre e o Dragão, tendo bananeiras no lugar dos bambuzais de Ang Lee.

Ungido por Exu, Besouro é capaz de incorporar-se em outras pessoas e transmitir sua força. Mas tem um ponto fraco, a sua kryptonita. Esse talvez seja o primeiro superherói afro-brasileiro explícito do cinema, o oposto da sátira subdesenvolvida encarnada pelo Superoutro de Edgar Navarro. Aqui a técnica aspira o top de linha da aventura contemporânea, com imagens de tirar o fôlego. É admirável como o filme integra a alta tecnologia com elementos da natureza tropical. Basta ver a importância dos rios, ventos, fogo, animais e paisagens brasileiros no protagonismo da trama.

João Daniel Tikhomiroff quer dialogar com o cinema de gênero internacional sem deixar de fazer um filme mestiço bem brasileiro. Besouro deve ser prestigiado não apenas por ser nosso, mas por ser um belo e luxuriante espetáculo popular”.    

Confira o trailler: http://www.youtube.com/watch?v=FXiob6SamEE