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Zeca Ferreira consagra sua ALDEIA e Hempocrisy é Melhor Documentário

AURORA DE CINEMA direto do Festival de Jericoacoara

A noite de encerramento do III Festival de Cinema Digital de Jericoacoara teve céu estrelado, pastelzin e brigadeiro barato da dona Maria, expectativa e propensão geral à festa.

 

Começando com cantoria puxada por Rodger Rogério, acompanhado pelo violão do filho Rami Rogério, acrescida depois da voz de Teti, a noite continuou com a exibição do longa Fronteira das Almas, do cearense Hermano Penna, e em seguida a divulgação dos vencedores.

Em foto Aurora de Cinema, a fotógrafa e cineasta Aline Moraes…

Aline Moraes, a bela e doce realizadora pernambucana, teve seu primeiro Doc consagrado: HEMPOCRISY foi escolhido Melhor Doc, levando cheque de R$ 5 mil reais e consagrando o filme de Aline em muitos abraços e aplausos.

A vila de Jericoacoara, por um momento, virou a ALDEIA de Zeca…

Mas o grande vencedor do Festival foi o realizador carioca Zeca Ferreira: seu segundo curta, o poético ALDEIA – rodado numa pequena cidade mineira, com roteiro e direção de Zeca, fotografia de Pedro Urano e edição de Lulu Correa, com produção do próprio diretor, Antônio Ferreira e Júlio Carvana -, levou 4 estatuetas: Melhor Trilha, Melhor Fotografia, Melhor Diretor e Melhor Ficção.

Na edição 2011, Zeca Ferreira curtindo a deliciosa calmaria de Jeri…

Seguindo o que dissemos anteriormente aqui no AURORA DE CINEMA, a ALDEIA de Zeca Ferreira começou em Jeri uma turnê vitoriosa por vários festivais: o filme já está selecionado para a Mostra de Ouro Preto e o Festival de Triunfo, e outros mais virão.

Confira a lista completa dos vencedores do III Festival de Jericoacoara:

Melhor Ator: Maksin Oliveira – “Doido Pelo Rio” – Ficção – RJ

Melhor Atriz: Nayara Tavares – “Marcas D`água” – Ficção – GO

Melhor Diretor: Zeca Ferreira – “Aldeia” – Ficção – RJ

Melhor Edição: Eliza Cabral e Laurita Caldas – “Ritmos” – Experimental – PB

Melhor Fotografia: Pedro Urbano – “Aldeia” – Ficção – RJ

Melhor Trilha Sonora: Mário Gil – “Aldeia” – Ficção – RJ

Melhor Roteiro: Humberto Rosa e Thiron Mendes – “O Quadro” – Ficção – RJ

Melhor Direção De Arte: Uirandé Holanda – “Doido Pelo Rio” – Ficção – RJ

Os filmes “Soy Loco por Ti”, de Natália Barreto (documentário, RJ), “Irmãs”, de Gian Orsini (documentário, PB) e “O Mar de Lia”, de Hanna Godoy (documentário, PE) receberam Menção Honrosa.

Os troféus do III Festival de Jericoacoara – Cinema Digital foram disputados por 40 filmes selecionados para o festival – produções cearenses e de outros 13 estados -, escolhidos entre mais de 300 trabalhos inscritos. O júri do festival foi formado por profissionais da área, a saber: o poeta Nirton Venâncio, a fotógrafa Lena Trindade, a jornalista Déa Barbosa, e Duarte Dias.

BABAUPARATODOS no Cine Ceará e em JERI

O cambista que virou artista e não quer nem

saber em que bicho isso vai dar

 (Documentário – duração: 15 minutos – ano de produção: 2010 – direção: Carlos Normando*)

Fotografia/câmera:  Rômulo Fonseca e J. Moreira (Pastinha)

Som direto:  Weffiston Brasil

Produção/Edição/Direção:  Carlos Normando

Músicas:  Babau do Pandeiro

Participações: Babau do Pandeiro, Paulo Oliveira, Cleílton dos Teclados e o brega star Falcão

Prêmios em Festivais:  3º lugar na 6ª Mostra do Curta Nordestino (FestNatal 2010); selecionado para o 18º Gramado Cine Vídeo (2010); selecionado para o 8º Festival de Cinema de Maringá (2011).

Conheça um pouco mais sobre o filme através de seu próprio criador, o cineasta CARLOS NORMANDO: 

Qual o motivo da escolha desse tema?

 O Babau do Pandeiro é antes de tudo um cara corajoso. Com mais de 70 anos, resolveu ser cantor e com tudo o que não se espera de um cantor. Como diz o Falcão no filme, ele não tem cara de galã e nem voz de veludo… Então foi esse o motivo principal da escolha do Babau como personagem do documentário. Se ele fosse bonito e tivesse uma voz espetacular, seria apenas mais um.

Como foi o trabalho de captação das imagens?

Foi tudo muito planejado e com antecedência. Corri o risco até dele não topar fazer o filme. Quando fui conhecê-lo pessoalmente, as anotações com as primeiras ideias já estavam bastante avançadas. Mas funcionou legal. Quando se planeja tudo direitinho, você já chega sabendo o que quer fazer e como fazer. E o resultado disso é o aproveitamento do material filmado. Juntando tudo, não usei nem três fitas de Mini-DV.

Foram cinco manhãs de filmagens. E uma equipe altamente enxuta e sintonizada: eu o cinegrafista e o técnico de som. Fui tudo produzido com o apoio técnico do Laboratório de Audiovisual e Novas Mídias da Universidade de Fortaleza – Unifor.

 E de onde saiu esse título?

Ah! A etapa da criação do título é talvez a mais importante para mim. Enquanto eu não consigo um título convincente, eu não me sinto com segurança para dar início ao projeto. É uma das primeiras coisas em que penso. Inicialmente, tinha pensado em “Babau para todos”. Aí uma aluna minha de Publicidade, a Carolina Saraiva, deu a ideia de juntar tudo numa só palavra. Fica tão estranho quanto o personagem, disse-me ela. Comprei na hora a ideia!

E a edição?

Por mais que se planeje um documentário como esse, a edição é o momento em que o trabalho realmente nasce. Diante de todos os clipes de vídeo disponíveis, você vai definindo uma sequência que considere interessante. Só não dá pra se apaixonar pelo material, pois muitas vezes você é obrigado a cortar determinado trecho e isso pode ser uma decisão muito difícil. Mas a edição é outra etapa que odoro. Acho até que todo diretor deveria sentar diante do computador e, ele mesmo, operar a máquina.

Onde o documentário será exibido?

Inicialmente, na TV Unifor. E no circuito dos festivais. São mais de cem festivais no Brasil inteiro. Meus outros trabalhos tiveram um excelente desempenho nesses festivais. Só para citar alguns exemplos, ganhei prêmios de melhor curta nos festivais de Maringá-PR, no Fricine, em Nova Friburgo-RJ, no Guarnicê, em São Luís, no Cine Ceará, entre outros. Mas o grande lance é mostrar o trabalho por aí… Já tive três documentários meus selecionados para exibição em rede nacional pela TV Câmara (programa Olhares).  

Quem é Carlos Normando

Cearense de Fortaleza, jornalista e professor universitário dos cursos de Audiovisual e Novas Mídias (Unifor) e de Publicidade e Propaganda (Faculdade Cearense). Fez estágio em “Cinema Verdade” na escola Varan Ateliers de Paris. É autor dos documentários “Lolô S.A.”, “Possante Velho de Guerra”, “Tons de Totonho” entre outros.

Jeri também teve futebol e Afonsinho…

 

Encontro inusitado no festival de cinema de Jeri: realizadores encontram ex-craque Afonsinho, que jogou pelo querido BOTAFOGO de Vinicius, João Moreira Salles e Garrincha…

Sobre AFONSINHO, publicamos este contundente texto de Plínio Sgarbi:

Como o Navegante Negro do Aldir Blanc, aquele que tinha por monumento as pedras pisadas do cais, Afonsinho não colheu todas as glórias que um craque como ele poderia colher. Mas obteve uma glória que poucos jogadores obtiveram na carreira: o respeito como cidadão e líder. Em meio a tantos jogadores que se calaram, Afonsinho teve a coragem de lutar, ainda mais… naquela época.

Se o futebol teve um herói de esquerda, esse cara foi o Afonsinho. Personagem carismático, destemido, engajado, por vezes quase quixotesco, o rebelde meia do Botafogo ocupou um lugar muito especial no imaginário coletivo do Brasil dos anos 70, um país ansioso por transformações sociais e em busca da tão sonhada abertura política. Ele foi o primeiro líder profissional das estrelas dos gramados a lutar pelo seus direitos, uma luta pela qual pagou um preço caro, mas que, como ele mesmo não se cansa da dizer, valeu a pena.

 
Afonsinho dentro de campo era um gênio, no toque de bola e no drible, fora dela o gênio foi cassado, por suas escolhas não serem do agrado dos generais e dos cartolas de então.
Infelizmente o meio campista nunca foi convocado para a seleção Brasileira, o que se justifica pelo fato de suas posturas serem de confronto ao regime militar e a estrutura do futebol nas décadas de 70 e 80 do século XX.


Afonso Celso Garcia Reis, jogador, médico, musicista, boêmio, viveu até sua adolescência em Jaú, cidade do interior de São Paulo. No início da década de 60 ingressou nas divisões de base do XV de Jaú e em seguida, foi jogar no Botafogo Carioca.

 

Recordação feliz do festival de Jeri: realizadores confraternizam com ex-craque alvinegro. Na foto, emoldurando AFONSINHO, Carlos Segundo, Valério Fonseca, Aurora Miranda Leão,  Zeca Ferreira, Síria Mapuranga e Lucas Harry Sá…