Arquivo da tag: construção da paz

Edgar Morin em Fortaleza

Mesmo prejudicado pelo som, o pensador francês Edgar Morin empolgou o público na abertura da Conferência Internacional sobre os Sete Saberes para uma Educação do Presente, ontem no hotel Praia Centro

Professores, estudantes, pesquisadores, políticos. Era grande a variedade de públicos na manhã de ontem no auditório da Fábrica de Negócios do hotel Praia Centro. O motivo principal da casa cheia era a presença do antropólogo, sociólogo e filósofo francês Edgar Morin. Ele veio a Fortaleza especialmente para participar da Conferência Internacional sobre os Sete Saberes para uma Educação do Presente, evento promovido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e pela Universidade Estadual do Ceará (Uece), junto com a Universidade Católica de Brasília (UCB), que segue até a próxima sexta-feira (24) discutindo novas propostas para a educação.
Impressionando tanto pelo conhecimento quanto pela simplicidade, Morin começou suas palavras anunciando que falaria num misto de português com espanhol e explicando que usava chapéu por conta do clima. Tossindo e pigarreando muito, ele apresentou durante cerca de uma hora as bases do que considera os sete saberes necessários para a educação do futuro, por ele chamados de “1º- Erro e ilusão”, “2º – O conhecimento pertinente”, “3º – Ensinar a condição humana”, “4º – Identidade terrena”, “5º – Enfrentar as incertezas”, “6º – Ensinar a compreensão” e “7º- Ética do gênero humano”. “Acredito que um dos saberes, que cada vez me parece mais importante, é a compreensão humana. Compreensão em grupo, entre amigos, entre marido e mulher. Está havendo uma degradação nisso”, apontou Morin.
Mesmo incomodado com o som e com a ausência de um tradutor, o que na maior parte do tempo tornava incompreensível as palavras de Morin, o público acompanhou atento e concentrado cada palavra que ele dizia. “Penso que é possível melhorar a condição humana”, afirmou ele antes de apontar a necessidade de aproveitar o melhor de cada cultura. “A concepção planetária há que conceber a simbiose das culturas. A simbiose do que há de melhor”. E continuou: “Quando um sistema não tem mais poder de resolver seus problemas, ele se destrói e nasce um meta-sistema. É quando ocorre uma metamorfose. Acontece na natureza, como na borboleta. A vida é uma regeneração permanente”.
Público atento

Mesmo ressaltando a dificuldade de ouvir as palavras do filósofo, o estudante de psicologia João Campos saiu satisfeito com a oportunidade de assisti-lo. “Acho muito interessante pessoas com propostas de novas ideias, como é o caso do Edgar Morin. Ele está vendo mais o todo, a complexidade”. A técnica em educação Maria Conceição concorda. “Sua expectativa de esperança é estimulante. Ele ensina que se deve aprender a caminhar caminhando”.

Ruth Cavalcante, representando o Centro de Desenvolvimento Humano e a Universidade Biocêntrica, considerou o evento como um “marco histórico na educação mundial”. Convidada para coordenar os círculos de diálogo sobre os saberes de Edgar Morin e sobre educação biocêntrica, ela comentou “a educação biocêntrica é uma das poucas abordagens que tem como base o pensamento complexo do Edgar Morin. E é importante tirar da conferência a construção da paz. Eu só posso celebrar a vida se eu estiver voltado para essa construção da paz”.

* Texto de Marcos Sampaio