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Conversa com Bial: pra ficar tudo jóia rara…

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Jornalismo, Entretenimento, Atualidade e Memória no Conversa com Bial    

                                                                                                     *Aurora Miranda Leão

         Desde dois de maio, os madrugadores contam com nova opção na TV: Conversa com Bial é o talk show que o jornalista Pedro Bial comanda a partir das 24h. O programa assumiu o lugar até então ocupado pelo programa de Jô Soares, que ficou 20 anos no ar com o programa de entrevistas mais famoso da TV brasileira.

       Conversa com Bial estreou numa terça-feira, tendo a ministra Carmen Lúcia (presidente do Supremo Tribunal Federal) e a atriz Fernanda Torres como convidadas. O programa começou um tanto “engessado” porque os primeiros números foram gravados antecipadamente, mas desde que isso mudou – com gravações mais próximas do dia em que vai ao ar -, o programa mostra-se cada vez mais interessante. A fórmula é simples e bem conhecida:  junta boa conversa, assuntos interessantes, convidados que já possuem alguma sintonia com o público, pouca música, tempo para exposição dos assuntos e espaço para diálogos entre os convidados.

           Isso nos parece ser um dos motivos pelos quais o Conversa com Bial vem ganhando a adesão do público: se antes muita gente queixava-se de que Jô Soares não deixava o entrevistado falar, hoje as pessoas sabem que, se ligarem a TV para ver o programa do Bial, vão ter a oportunidade de ouvir mesmo os convidados.

        O jornalista-apresentador-cineasta, que passou mais de uma década no comando do BBB, tem-se esmerado em deixar que o outro fale mais que ele próprio. Isso faz com que o telespectador saiba que vai ouvir um convidado a contar de seus planos, idéias, ações e atualidades. Outro diferencial deste talk show é a presença de pessoas que estão muito em evidência nas redes sociais, ou ainda pessoas que vem falar de assuntos quase inéditos, como um show que está para estrear, um livro que acaba de sair ou um filme que está às vésperas da estréia, por exemplo.

    Por outro lado, se o programa mantém uma banda em seu auditório – qual o famoso sexteto do Jô, que acabou virando quarteto -, por outro lado incluiu o que nos parece ser o grande diferencial que o diferencia e eleva o nível das edições: a inclusão de pequenos vídeos históricos, os quais referendam a conversa em evidência, atualizam o contexto e trazem um apelo à memória forte, bonito, singular. Isso eleva sobremodo o nível do programa e faz com que a entrevista realmente traga dados novos ao assunto abordado. Foi o caso, por exemplo, do programa em que Guimarães Rosa foi o epicentro e imagens preciosas do escritor na Alemanha, e outras com depoimento de sua viúva, deram à Conversa um quê de ineditismo digno de aplausos. Assim como nesse exemplo, poderíamos citar diversos outros em que isso se observou, como o programa da semana passada, que mostrou imagens muito antigas da atriz Elisangela no início da carreira e até sua fase cantora. Esse viés documental, que traz preciosas imagens de arquivo, por certo está alicerçado na presença de importantes jornalistas ligados ao cinema na redação do programa. É o caso de Renato Terra e Ricardo Calil, autores do belo e importante Uma noite em 67 sobre o histórico festival de música da Record.

         Mas se o Conversa com Bial tem isso de ganho, a um desfalque importante em relação ao programa do Jô: a ausência do prolífico debate que Jô Soares comandava às quartas-feiras quando abria generoso espaço para a participação feminina e reunia um time de mulheres jornalistas (diferente a cada quarta) para comentar assuntos da área política. Destacar a participação feminina no espaço do pensamento político era realmente um auspicioso dado novo, evidenciador de uma decisão editorial relevante, e muito adequado a este momento em que se faz tão necessário dar vez, voz e destaque à presença feminina nas mais diferenças esferas, ajudando a quebrar paradigmas que tanto contribuíram para desmerecer a mulher e dar a elas um lugar sempre à margem da história.

         Assim, acreditamos que o Conversa com Bial entra para o anuário da TV como uma das boas estréia do ano: um programa leve, recheado com boa música, conteúdo pertinente, e informações inéditas até então, o que reforça no imaginário geral o convite de seu antecessor para que o público vá para a cama mais tarde. Ou então, corre-se o risco de ficar sabendo, apenas no dia seguinte, que você perdeu Caetano Veloso tocando e cantando com os três filhos, pela primeira vez na telinha, em momento singular, com revelações incríveis e cenas do arquivo pessoal do artista, anunciando, em primeira mão, o show que estrearia alguns dias depois em São Paulo e no Rio.

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Juliana Paes e Elisangela esbanjaram simpatia e carisma no Conversa com Bial…

Enfim, são em média 40 minutos de programa diário, no qual se acompanha um bate papo interessante com convidados dispostos a contar de si e com visível interesse para trocar idéias, que muitas vezes tempo da atração parece pequeno demais para o que se tem a verouvir.

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Bial recebeu Jô Soares numa bela homenagem ao emérito Artista Brasileiro de mil talentos… #aplausoblogauroradecinema 😉