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Cinema em Destaque: nova Revista TEOREMA

Na próxima sexta, 26, acontece o lançamento da 18a edição da revista Teorema Crítica de Cinema, em Porto Alegre.

No momento em que atinge a maioridade, e prestes a completar uma década, os editores da revista independente renovam o compromisso de seguir trabalhando para manter o espaço de reflexão sobre a arte cinematográfica.

Esta edição reflete a qualidade e a variedade dos lançamentos de 2011 em solo brasileiro, com ênfase, se considerado  o número de artigos, para o cinema produzido na França, ou a partir da França.  Mas, pela ordem das páginas,  o primeiro texto vai para Ásia:  Ivonete Pinto  faz um panorama do atual cinema sul-coreano, tendo como mote o filme  Poesia,  de Lee Chang-Dong. As aventuras francesas de Woody Allen no delicioso Meia Noite em Paris são objeto de detalhada análise de Enéas de Souza. O colaborador mineiro da revista, Marcelo Miranda, defende o recém-lançado (ainda que apenas em home video) Aterrorizada, filme que marca o bem vindo retorno de John Carpenter aos sets de filmagens, depois de um silêncio de 10 anos. A presença mineira se mantém firme nas páginas seguintes, nas quais Paulo Henrique Silva se dedica a esmiuçar Bróder, primeiro longa do cineasta Jeferson De.

         O polêmico documentário Pacifc, grande vencedor da última edição do festival CineEsquemaNovo, dá origem a um produtivo diálogo entre o diretor do filme, Marcelo Pedroso, e o crítico Jean-Claude Bernardet. A capa vai para o longamente aguardado Trabalhar Cansa, de Juliana Rojas e Marco Dutra. O longa de estréia da premiada dupla de curta-metragistas revelada pela produtora Sara Silveira ganha artigo assinado por Marcus Mello.

         Fernando Kinas ataca a unanimidade em torno do francês Homens e Deuses, de Xavier Beauvois. O também francês Turnê, de Mathieu Amalric, é objeto de leitura extremamente pessoal e afetiva por Fabiano de Souza.

         Finalmente, a presente edição (e este pequeno bloco gaulês) se encerra com as impressões de Milton do Prado sobre o cinema de Claire Denis, estimuladas por vários encontros do articulista com a diretora de Beau Travail e Minha Terra, África durante sua passagem pela capital gaúcha, em julho último.

SERVIÇO

Lançamento revista Teorema 18 

Quando: 26/08, sexta-feira, a partir das 19h 

Onde: PALAVRARIA – R. Vasco da Gama, 165 – F : 51 32684260 – Porto Alegre 

QUANTO: R$ 10,00 

Editores: Enéas de Souza, Fabiano de  Souza, Flávio Guirland, Ivonete Pinto, Marcus Mello.

Locais onde a Teorema pode ser encontrada: 

Porto Alegre:  Livraria Cultura, Cinemateca Paulo Amorim, Locadora E O Vídeo Levou,  Palavraria

São Paulo: Livrarias Cultura, Livrarias Fnac, Espaço Unibanco (Augusta)

Rio de Janeiro: CCBB (Livraria Travessa), Estação Botafogo

Cavideo Locadora (Botafogo, RJ)

Salvador: Livraria Cultura

Recife: Livraria Cultura

Brasília: Livraria Cultura

Rio de Janeiro: Livraria Cultura  (em breve)

Campinas/SP: Fnac

 

LG Analisa Cinema Alemão

Runze completa 85 anos de batente

Cineasta germânico dos melhores, mas pouco conhecido dos cinéfilos, tão raro ver celulóides alemães por estas plagas, Ottokar Runze completou neste 2011 nada menos de 85 anos bem vividos, tempo durante o qual atuou como realizador e também como escritor cinematográfico, ator e produtor de filmes tanto para a telona como para a TV!. Mestre da concisão e do preciso, cônscio da importância dos signos visuais, mormente daqueles sugestivos de algo subjacente ou prestes a acontecer, Runze lega para os amantes da 7ª Arte um registro de 18 filmes de categoria (v. filmografia mais adiante) recomendáveis para o cinéfilo atento e, naturalmente, para quem estuda cinema e conseguiu ver pelo menos alguns dos seus filmes.Assim, pareceu-nos bastante justo este preito a Runze, pois nem todos os cineastas chegam aos 85 anos com saúde e disposição para trabalhar – e muito – por trás das câmaras e orientar os jovens iniciantes sobre como aproveitar a experiência e as lições de mestres como Schirk, Weingarter, Schwenke e vários outros, máxime no tocante à sempre difícil transformação de uma obra literária em representação cinematográfica. A noção segundo a qual as ações de um filme oscilam entre a continuidade e o intervalo também não pode ser esquecida por quem se inicia na carreira diretorial ou quer aventurar-se na crítica.

Ponto de partida

Nascido em Berlim em 1925/26, Runze começou sua carreira aos 23 anos como ator, mas já aos 26 foi “manager” de um dos teatros de vanguarda atuantes em Berlim, Munique e Hamburg, quando assumiu a TV Aurora. Também atuou no “Deutsches Theater” e de 1956 em diante dirigiu o prestigiado “British Center´s Berlin Theater”. Foi “free lance” até 1968, quando começou a produzir pequenos filmes independentes. Seu primeiro grande sucesso como diretor foi com “Der Lord von Barmbeck” (1973) pelo qual ganhou seu primeiro Prêmio de Cinema concedido pelo Governo Federal. Precederam-no “Viola e Sebastian” (Viola und Sebastian, 1972) e “O Dinheiro Está no Banco” (Das Geld Liegt auf der Bank, 1971), este feito para a TV. Seus filmes, assim como boa parte da sua atuação no “script”/direção, focalizaram o drama criminal, os erros judiciais, a questão da culpa e da pena, e também as falhas do sistema prisional e da nossa visão dos criminosos e de como os tratamos, conforme registra Sandra Brennan, biógrafa de Runze. Como escritor de “teleplays” e realizador, Runze muito contribuiu, segundo Sandra, para o salto qualitativo da TV alemã, uma das melhores da Europa.Quanto ao mais, é preciso não esquecer as lições deixadas pelos cobras do cinema alemão no tocante à adaptação de textos literários para as telas dos cinemas. Poucos fizeram tão bem, daí o motivo pelo qual vale a pena revê-los em DVD, se for possível conseguir os filmes dessa plêiade à frente da qual estão Runze, Farberbock, Müller, Kluge, Tykwer, Schlondorff, Herzog, Monk, Staudte, Baier, Richter, Hirschbiegel, Becker e tantos outros.

 Conceito

“Da retrospectiva do novo cinema alemão destaco particularmente ´O Vulcão´ (Der Vulkan, 1999), ´O Estandarte´ (Die Standarte, 1977), ´O Assassinato´ (Der Mörder, 1979), todos de Ottokar Runze e, naturalmente, ´Inquérito´ (Aufrage, 1962), ´Um Dia´ (Ein Tag, 1967) e ´Os Irmãos Oppermann´ (Die Geschwister Oppermann, 1983), estes de Egon Monk, de categoria ímpar”. (Eberhard Fechner, transcrito do “Deustsche Zeitung”, 1999).

Rumo ao cinema

Findas as experiências ganhas por Runze depois de assumir a Televisão Aurora em 1972, e também o sucesso conquistado por ele como diretor cinematográfico em 1973, pode-se incluir a seu favor o rico aprendizado decorrente do trabalho persistente com os atores e as discussões com os autores, um tanto difíceis, a maioria delas concernente a problemas de iluminação, desenho, adequação de cenários. Tanto o “regisseur” de cinema como o de teatro enfrentam às vezes dificuldades outras nos bastidores, mas Runze logrou resolvê-las. Ele também trabalhou como técnico incumbido da dublagem de filmes estrangeiros para o idioma alemão, e veio daí sua aproximação com a magia do cinema e o interesse em aprofundar-se nos meandros da arte do século. Foi quando Runze começou a fazer seus próprios filmes experimentais e penetrar no mundo de possibilidades ensejadas pela arte das imagens em movimento.

Essa ambiência cinematográfica naturalmente o contaminou, levando-o a estudar cinema não só analisando os livros dos melhores autores do seu tempo, como Bela Balázs, André Bazin, Renato May, Peter Wollen, Ralph Stevenson, Hans Richter, Jean Marie Straub, Visevolod Pudovkin e Sergei Eisenstein, mas também vendo e revendo os filmes dos cineastas mais importantes de alguns países, como Orson Welles, William Wyler, Stanley Kubrick, Ingmar Bergman, Michelangelo Antonioni, e naturalmente da Alemanha, como os clássicos de F. W. Murnau, Joseph von Sternberg, Arnold Fanck, Walter Ruttmann, Sepp Algeir e Leni Riefenstahl (cineasta de talento invulgar mas infelizmente, como sabemos, peça importante da máquina de propaganda nazista e do sanguinário ditador), e os modernos Alexander Kluge (a inteligência condutora e a voz eminente do novo cinema alemão), Egon Monk, Helmut Käutner, Rainer W. Fassbinder, para citar apenas estes nomes vindos à memória.

Sobre “O Vulcão”

“O Vulcão” (Der Vulkan), elogiada adaptação da obra de Klaus Mann, com “script” do próprio Runze e de sua filha Rebecca e de Ursula Grützmachertabori, tem sido exibido em alguns cineclubes daqui e dali. Por isso mesmo, dos filmes alemães vistos e revistos por este crítico, tanto na Casa de Cultura Alemã da UFC como no Instituto Goethe do Rio de Janeiro, selecionamos “Der Vulkan” para homenagear o derradeiro filme de Runze para a tela, pois soubemos ter retornado novamente para a TV. Além disso, já havíamos comentado “Aimée & Jaguar” (1998), de Max Farberbock (filme louvado por Kenneth Turan, do Los Angeles Times), “Despedida de Ontem” (Abschied von Gestern, 1966), de Alexander Kluge, “O Jovem Torless” (Der Junge Torless, 1967) e “O Tambor” (Die Blechtrommel, 1979), ambos de Volker Schlöndorff, e “A Deusa Imperfeita” (Die Macht der Bilder, 2003), de Ray Müller.

O título O Vulcão foi escolhido pelo romancista Klaus Mann para sugerir metaforicamente o perigo iminente, algo está para explodir o “status quo” socioeconômico e político da França, pouco tempo antes de estourar a II Guerra Mundial, embora alguns franceses desavisados confiassem na intransponibilidade da Linha Maginot ! Como se enganaram ! Em verdade, o Rei da Bélgica, fascista disfarçado e simpatizante de Hitler, não permitiu o prolongamento da linha de defesa da França até o território belga, motivo pelo qual os exércitos do ditador alemão puderam contornar a Linha Maginot em maio de 1940 com suas Divisões Panzer e derrotar as forças de defesa da França para logo chegar em Paris, apesar da bravura dos combatentes franceses.

L.G. DE MIRANDA LEÃO

Concurso de Crítica Cinematográfica

A Diretoria de Audiovisual da Fundação Cultural da Bahia (Dimas) abriu inscrições para o III Concurso Estadual de Crítica Cinematográfica Walter da Silveira. O edital, que tem o objetivo de incentivar a reflexão cinematográfica e o surgimento de novos críticos de cinema, é válido apenas para críticos não-profissionais.

As propostas contempladas serão premiadas com R$ 3.000 (três mil reais) para o primeiro colocado, R$ 2.000 (dois mil reais) para o segundo, e R$ 1.500 (hum mil e quinhentos reais) para o terceiro. O regulamento do edital, a ser aberto até 16 de julho, está disponível para download e consulta nos sites www.dimas.ba.gov.br e www.funceb.ba.gov.br.

Outras informações: (71) 3116-8100