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Livro de Felipe Brida é um mergulho no mundo do Cinema

Cercado de amigos e interessados na Sétima Arte, autor lançou seu livro de estreia em CATANDUVA, sua cidade natal…

Uma enorme fatia de amigos, estudantes, profissionais da área cultural, e interessados em Cinema de modo geral compareceram a noite de lançamento do livro CINEMA EM FOCO, de autoria do jornalista/radialista/blogueiro e professor universitário FELIPE BRIDA. Sem dúvida, o momento revestiu-se num dos mais concorridos lançamentos literários dos últimos tempos em Catanduva, numa bela noite que teve como cenário o espaço do SESC.

Felipe autogr

Felipe Brida autografando seu livro de estreia como crítico de cinema em concorrida noite em Catanduva…

O livro Cinema em Foco – Críticas Selecionadas, do jornalista e crítico de cinema paulista Felipe Brida, reúne 290 resenhas de filmes de sua autoria, publicadas ao longo de uma década, em diversos veículos de comunicação de todo o país, como sites, boletins eletrônicos, jornais, blogs e revistas.

São 356 páginas que contém minuciosas análises de filmes que marcaram a história, de todos os gêneros e épocas. Conta com prefácio da atriz e produtora de cinema Aurora Miranda Leão, além de notas do jornalista Marcelo Pestana e palavras do renomado produtor e cineasta baiano Walter Webb.

Felipe Brida e Thatiana Pizarro na noite do lançamento em Catanduva…

QUEM É FELIPE BRIDA

Felipe Brida é jornalista formado pela Unirp – Centro Universitário de Rio Preto e especialista em “Artes Visuais e Intermeios” pela Unicamp. Pesquisador de cinema desde 1998 e professor de Comunicação e Semiótica no Imes Catanduva, ministra cursos de extensão e workshops de História da Arte Contemporânea e História do Cinema em faculdades e festivais de cinema em todo o país (como Anápolis e Goiânia/GO, Brasília/DF, São Paulo/SP, Bagé/RS e Belém/PA). Comentarista de cinema na rádio Globo e na Nova TV, também publica críticas de cinema no jornal “O Regional”, nos sites “E-pipoca”, “Observatório da Imprensa” e “Argumento.net”, no clipping eletrônico “Colunas & Notas”, na revista “Middia Magazine” e no informativo semestral da Unesp/Bauru. Mantém dois blogs de cinema (“Cinema na Web” e “Setor Cinema”). Trabalhou como repórter e comentarista de cinema na rádio Jovem Pan de Catanduva, no jornal Notícia da Manhã, na rádio Bandeirantes e na revista Maxxis.

Aurora Miranda Leão, Murilo Rosa e Felipe Brida durante a primeira edição do Festival de Cinema de Anápolis, em 2011…

ALGUMAS PALAVRAS sobre CINEMA EM FOCO

Felipe era ainda um adolescente quando o cinema começou a dominar sua atenção. Enveredou pelo jornalismo e desde 1998 pesquisa sobre a Sétima Arte. Essas vivências só ratificaram sua decisão de seguir na trincheira da Arte, da Cultura e da Comunicação. Especializou-se em Artes Visuais e Intermeios pela Unicamp, e tornou-se professor de História da Arte, Semiótica e Comunicação em universidades paulistas. Ainda bem moço, este jornalista polifacético tem, no entanto, uma considerável bagagem cultural. Além de escrever sobre Cinema e manter dois sites, ele ainda arranja tempo para ministrar cursos e workshops, participar de festivais, estar sempre bem informado, e ser comentarista também no rádio.

Neusa Borges, Aurora de Cinema e Felipe Brida em noite memorável…

A presença de Felipe Brida, em todos os espaços onde atua, mostra o quanto pode contribuir positivamente alguém atuante na área com seriedade, responsabilidade e compromisso com a história. Quem dedica-se ao que faz com o empenho, proficiência e compromisso histórico como o autor de quem agora falamos dignifica a profissão e empresta um diferencial relevante para alavancar o entendimento do cinema como ferramenta muito mais funcional do que possa parecer num primeiro olhar, sem tempo suficiente para apreender conceitos.

Ler as críticas de Felipe Brida é um gostoso entretenimento e um benfazejo aprendizado. Porque a prosa dele é clara, expressiva e de fácil compreensão para quem quer se interesse por saber mais e melhor sobre um filme. Acertou em cheio ao escolher o ofício.

Brida e Leonardo 2011 foto AML

Felipe Brida e o ator Leonardo Medeiros durante encontro de Cinema…

Mais que um apanhado de várias críticas escritas ao longo de suas atividades em tantos meios diferentes, o livro de Brida é um generoso convite a todos os interessados em conhecer mais sobre cinema, cultura, arte, sociedade e contemporaneidade.

E é com imensa e afetiva satisfação que partilho este convite com você, leitor, na certeza de estar indicando uma valiosa fortuna crítica para sua estante cinéfila, em andamento ou por se fazer, pois será difícil ler o livro de Brida e não ficar com imensa vontade de rever muitos dos filmes por ele comentados, ou ir a uma locadora pegar a cópia correspondente ao título cuja leitura lhe aguçou mais a curiosidade.

Felipe e a mãe

Felipe Brida na noite de lançamento em Catanduva, ao lado da mãe Fátima Boso…

Recomendo a leitura porque foi com encantamento pelo profundo sentido de objetividade, síntese, boa informação, coerência e clareza – pilares do bom jornalismo – que as palavras de Brida de imediato me tocaram, há alguns anos, quando comecei a descobrir seus textos em andanças pela web, muito antes de vir a desfrutar de sua amizade leal, sincera, afetuosa e cheia de imagens a tracejar linhas de empatia e emoções a transpassar ideias sonoras e visuais, as quais o acompanham sem o menor sentido de convencimento mas encravadas na alma de um profissional cujo trabalho espelha amor ao que faz, e muito respeito e apreço pela sua audiência.

O livro de Felipe Brida, portanto, é digno de nosso melhor aplauso e o deve ser de sua melhor leitura. Portanto, vamos a ela !

Em noite festiva, Felipe Brida, o poeta Jorge Salomão, a jornalista Aurora Miranda Leão e o cineasta Luís Alberto Cassol – Bagé, novembro 2012…

O lado B de Hollywood pelo crítico LG de Miranda Leão

O crítico L.G. de Miranda Leão reconstitui a história das produções B e sua contribuição para a Sétima Arte

Em 30 de abril passado, neste Caderno 3, publicamos texto sobre o valor intrínseco dos filmes “noir” (Luz sobre Sombras) e do “thriller”,louvando-os em seu conjunto e no legado das influências individuais deixadas pelos cineastas dos anos 40/50, um dos quais, Robert Siodmak, está a merecer uma homenagem póstuma por sua contribuição à arte do cinema. Tratamos hoje dos filmes B, nos quais, mesmo com baixo orçamento e dificuldades outras, foi possível fazer alguns filmes sugestivos de sua importância.

Cena de “Detour”, um filme de Edgar G. Ulmer…

Afinal, como conceituar o filme B, denominado pelos americanos de “B movie”? Um celuloide de orçamento modesto geralmente exibido como o segundo filme de um programa duplo, o chamado “double feature” ou “double bills”. Os B movies começaram a aparecer regularmente nas telas americanas em 1932 e foram a norma e não a exceção em 1935. O fenômeno do filme B, como se sabe, foi gerado pela forte demanda por um entretenimento pouco dispendioso durante a Depressão de 1929 nos EUA e pela necessidade dos grandes estúdios de Hollywood (e nem eram tão grandes assim) para manter suas cadeias de exibição de filmes supridas com uma programação constante. Havia pouco lucro, mas também pouco risco na produção de filmes B, como registra Gerald Mast em seu “The Studio Years”.

“The Man from Planet X, de Edgar G. Ulmer

 

Quanto aos filmes A, isto é, produções mais ricas no topo das “double bills” eram exibidos na base de um percentual dos ganhos das bilheterias, enquanto os filmes B eram arrendados por uma taxa básica de juros (“fixed flat rate”) sem levar em consideração a frequência de espectadores. À medida em que os maiores estúdios gradualmente perdiam interesse no filme B, surgiu uma proliferação de pequenos estúdios independentes (coletivamente conhecidos como Poverty Row fila da pobreza), Gower Gulch (ravina aurífera do poeta inglês John Gower) ou B-Hive (enxame de abelhas) especializados na produção de filmes B por um lucro pequeno mas quase sempre garantido. Os principais estúdios B foram chamados Republic e Monogram, mas havia muitos outros, incluindo-se nomes agora esquecidos como Grand National, Mascot, PRC (Producers Releasing Corporation), Tiffany, Sono Art-World Wide, Chesterfield, Victory, Invincible, Ambassador-Conn, Puritan e Majestic.

O ator Boris Karloff, em “The Body Snatcher”, de Robert Wise

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Produção dos Estúdios B

Na luta para consolidar-se, os estúdios B começaram a produzir seus filmes com velocidade surpreendente como compensação pela perspectiva de lucro insuficiente por cada filme concluído. O típico filme B, como já frisamos, era um filme curto (o chamado “quickie”) feito num orçamento do tipo “bargain-basement” com “coolies” (trabalhadores braçais, indianos ou chineses) sob condições e horas de trabalho extremamente apertados para filmagens, enquanto os diretores (e futuros cineastas) dispunham de pouco tempo para inspiração ou criatividade. Esses filmes eram tipicamente de gênero com um conceito de fórmula, com maior frequência um melodrama criminal ou um Western, mas muitas vezes uma despretensiosa comédia tipo “lowbrow”, um romance leve ou um filme de horror ou fantasia de ciência-ficção.

Cartaz de filme do cineasta Rudolph Maté…

No todo, o filme B era tratado pelos críticos do “establishment” com o maior desprezo, isso quando os roteiros chegavam a ser lidos e, na verdade, a grande maioria dos milhares desses filmes produzidos por baixo preço e filmados ao longo dos anos mereciam ser mesmo ignorados. A maioria deles era mesmo mal escrita ou mal roteirizada, presos a fórmulas desgastadas e direção padrão, com falsos cenários de papelão, pano de fundo e uma cinematografia indiferente, traindo suas origens humildes. Nada obstante, de tempos em tempos a fábrica do B Pictures chegou, pasmem os leitores, a produzir verdadeiras gemas e até mesmo clássicos menores, segundo consta na análise feitas por analistas da época. Houve alguns realizadores expatriados, ansiosos para trabalharem nos EUA, e diretores admirados e de talento. Muitos tinham afinidades com a arte do século, outros já conheciam a importância das imagens em movimento e do que poderiam sugerir, outros primavam pela síntese visual com desprezo pelo supérfluo, outros ainda pela importância da luz e dos movimentos de câmara.
Assim, cineastas como Val Lewton, Edgar G. Ulmer, Andre de Toth, Rudolph Maté e, muito depois, Roy Rowland são alguns dos nomes de “filmmakers” que de alguma forma conseguiram atuar com nobreza dentro do sistema da “fábrica” de filmes B e criar muito boas realizações plenas de ação e atmosfera, com atores de categoria interpretando personagens incomuns e recriando fórmulas através de inventividade, competência e afinidade com a arte.

Fim do “Double Feature”

Em 1948, a decisão antitruste da Suprema Corte dos EUA forçou os principais estúdios a desfazerem-se de suas próprias cadeias teatrais, considerando o crescimento concorrente da TV e a crescente sofisticação dos frequentadores das salas de cinema. A decisão histórica de 1948 sinalizou o fim do “double feature” e também o declínio do filme B. Películas de baixo orçamento continuaram a ser feitos, enquanto as novas fábricas de filmes B, como a Allied Artists e a American International Pictures (AIP), emergiram da cena hollywoodiana. Mas a era do grande filme B, capaz de produzir milhões de fotogramas (ou suportes) desperdiçados, e também de alguns memoráveis e despretensiosos pequenos filmes de qualidade, tinha desaparecido no início dos anos 50 ou mesmo pouco antes disso. Chegaram outros tempos e com eles a nostalgia que marcou de forma indelével a juventude desaparecida de milhares de cinéfilos. Fomos um deles.

* L. G. DE MIRANDA LEÃO é crítico de CINEMA com mais de 50 anos de atividade ininterrupta, e autor dos livros ANALISANDO CINEMA e ENSAIOS DE CINEMA, ambos encontráveis na Livraria CULTURA.

LG Miranda Leão ressalta legado de cineasta japonês

 A arte de Akira Kurosawa

Há treze anos saía de cena o pintor, roteirista e diretor cinematográfico japonês Akira Kurosawa (1910-98), aclamado “auteur” de algumas obras-mestras do cinema. Percorrer-lhe o universo de criação, a poética de suas imagens, eis o motivo central deste comentário.

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Akira Kurosawa aos 70 anos, quando dirigia “Kagemusha, A Sombra do Samurai” (1980)    ACERVO L.G. Miranda Leão

Como santo de casa não faz milagre, no dizer do velho adágio popular, Kurosawa, apesar de universalmente admirado, era menosprezado em sua terra e considerado por muitos um “regisseur” de segunda linha, quando se deve a ele, na realidade, a descoberta de um cinema japonês no exterior, graças ao pleno êxito artístico de filmes como “Rashomon” (1950), “Os 7 Samurais” (1954), “Trono Manchado de Sangue” (1957), “Dersu Uzala” (1975) e “Ran” (1985).

Magoado e deprimido por isso, Kurosawa chegou a tentar o suicídio em 1970, quando lhe negaram recursos financeiros para filmar dois roteiros de “Sonhos” e “Kagemusha”, já prontos. Salvaram-no seus admiradores americanos Steven Spielberg, Francis Coppola e Martin Scorsese, os quais o ajudaram a conseguir os dólares necessários para a concretização desses projetos.

Os Primeiros Tempos

As enciclopédias registram o nascimento de AK em 23 de março de 1910 em Omori, distrito de Tóquio. O mais velho de sete filhos de um veterano oficial do exército, AK mostrou desde cedo um talento invulgar para a pintura e aos 17 anos matriculou-se numa escola de artes plásticas, onde se valorizavam os estilos ocidentais. Foi quando se iniciou como pintor. Sem conseguir sustentar-se como artista, resolveu atender em 1936 ao anúncio de um estúdio cinematográfico nipônico no qual se recrutavam e treinavam assistentes de produção e direção, bem como de outras funções. Submetido a vários testes e neles aprovado, cumpriu estágio nos “sets” de filmagem e foi designado assistente de Kajiro Yamamoto (1902-74), realizador de quase trinta filmes de 1924 a 1967 e o responsável por “Horse” (1941), com o qual influenciou decisivamente o movimento documentário japonês. AK considerava Yamamoto seu mestre em matéria de 7° Arte.

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Toshiro Mifune um dos atores preferidos de AK, aqui em cena de Rashomon

Para F. Klein e R.D. Nolan, a contribuição mais importante de Yamamoto foi ter sido professor e mentor de Kurosawa. Já em 1941, AK estava redigindo “scripts” e dirigindo seqüências inteiras dos filmes de Yamamoto, enquanto crescia sua admiração pela arte das imagens em movimento e revia clássicos do cinema mudo: do expressionismo alemão aos experimentos russos na montagem, dos cinemas americanos, sueco, italiano e inglês aos filmes franceses e Germânicos da década de 30. Assim, estreou no longa com “Sugata Sanshiro” (1943), seguindo-se-lhe “Yoko Yaguchi” (1944), “Zoku Sugata Sanshiro” e “Os Homens que Pisaram na Calda do Tigre” (ambos de 1945), quando logo se revelou como técnico altamente habilidoso e desafiador “com olho vivo para a criação de belas imagens e aptidão na economia de meios para expressar-se”.

Na II Guerra

O traiçoeiro ataque japonês a Pearl Harbor em 07 dez 41 marcou a entrada do Japão na II Guerra e isso freou de certa forma o crescimento profissional de Kurosawa. Hoje, seja-nos permitido breve parêntese, há informações segundo as quais o Almirante Isoruku Yamamoto (1884-1943), um dos grandes estrategistas militares do século XX, ex-aluno na Universidade de Harvard e ex-attaché militar em Washington, era contra a guerra com os EUA, pois o Japão iria despertar um gigante adormecido. Ironicamente foi ele quem recebeu as ordens para planejar o ataque e paralisar a frota americana no Pacífico… Abatido em 1943 numa emboscada por aviões P-38, quando fazia um vôo de inspeção sobre as Ilhas Solomon (os americanos haviam decifrado o código secreto japonês algum tempo antes), sua perda foi considerada como equivalente à vitória numa batalha…

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Um dos esboços do mestre japonês, pintor de expressão, para seu filme Sonhos (1990)

Com a guerra, AK teve de conformar-se em filmar temas prescritos pela propaganda oficial do Estado. Daí o motivo pelo qual o jovem diretor se obrigou a concentrar-se no aperfeiçoamento técnico do seu trabalho, tanto de roteirista como de artesão de primeira linha. AK só entrou na fase madura e pessoalmente mais expressiva de sua carreira no pós-guerra, quando dirigiu “Asu o Tsukuru Hirobito” (1946), “Subarashiki” (1947) e “O Anjo Embriagado” (1948). Este marcou coincidentemente a primeira de 12 colaborações com o ator Toshiro Mifune, protagonista de boa parte de suas realizações. “Neste filme”, disse AK, “finalmente me encontrei”. Daqui em diante o mestre japonês afirmou cada vez mais sua independência criativa, eventualmente assumindo controle completo sobre o conteúdo e a forma de suas produções. Como não dispomos dos títulos em português de vários filmes nipônicos, mantivemos no alfabeto latino os originais recebidos.

Para a maioria dos críticos europeus e americanos como Kline & Nolan, AK é o cineasta de todos os gêneros, de todos os períodos e de todos os lugares, conectando em seus filmes o velho e o novo, as culturas do leste e do oeste. Como diria depois seu ex-professor Kajiro Yamamoto, “os dramas de época de AK têm significação contemporânea e seus temas modernos se caracterizam por uma compaixão pelos seus personagens, um humanismo profundo capaz de mitigar a violência com a qual ele os cerca com freqüência e uma preocupação aguda pelas ambigüidades da existência humana”.

L.G. DE MIRANDA LEÃO
* Redator exclusivo


FRASES

“O cinema de Kurosawa impressiona não apenas o espectador, mas também o crítico pelo senso do trágico demonstrado pelo realizador e pela perfeita interação entre o olho do pintor e a sensibilidade de um poeta. Com isso, Kurosawa faz do cinema aquilo que ele essencialmente é: um espetáculo de imagens em movimento e muita coisa a dizer com elas”.

François Truffaut, in Arts (entretien), Paris, 1963

“Neste grande autor de filmes a violência intervém muitas vezes, sempre como manifestação de cólera e de revolta contra as injustiças sociais de ontem e de hoje: este humanista põe ao serviço de um ideal o seu sentido plástico, a direção de atores, a mise-en-scène bem acabada e a montagem rigorosa”.

– Georges Sadoul, in Dicionário dos cineastas, Coleção Horizonte de Cinema, 1977

Grandes Filmes e Cineastas Inesquecíveis em Ensaios de Cinema

Mergulho no Mundo do Cinema

Caso você seja daqueles interessados em cinema, a recomendação do momento é ler Ensaios de Cinema, mais recente livro do crítico LG de Miranda Leão, colaborador do Diário do Nordeste há mais de duas décadas.

Ensaios de Cinema teve concorrido lançamento no Centro Cultural Oboé, ocasião na qual foi exibido o curta LG – Cidadão de Cinema, homenagem do cineasta capixaba Gui Castor ao profícuo ensaísta (o curta tem 15 minutos e é uma produção Ceará-Espírito Santo, com roteiro assinado por estaredatora, filha do homenageado).

Ensaios de Cinema é mais um produto cultural lançado com o aval do programa Cultura da Gente – linha de ação do Banco do Nordeste que apóia a produção e lançamento de obras artísticas e culturais de seus funcionários aposentados. LG é um destes. Dedicou mais de 30 anos de trabalho ao BNB e foi lá, por exemplo, onde conheceu o aplaudido cineasta Walter Hugo Khoury, na década de 1970.

Khoury tinha vindo a Fortaleza a convite do BNB para realizar algumas peças publicitárias para a instituição. Ainda no avião, deparou-se com uma página do jornal Diário do Nordeste, onde alguns críticos da cidade apontavam seus filmes preferidos do ano anterior. LG era um desses e o único a indicar dois filmes de Khoury como alguns dos Melhores.  Logo ao chegar ao Banco do Nordeste, o cineasta paulista então perguntou ao fotógrafo da instituição, José Alves, se alguém ali conhecia aquele crítico. E qual não foi sua surpresa ao descobrir que LG trabalhava ali mesmo, como assessora do Gabinete da Presidência.

O encontro de LG e Khoury, crítico e cineasta, foi como o encontro de dois amigos de infância. E culminou com uma amizade que durou até o fim da vida de Walter Hugo Khoury, em 2003.
Os desdobramentos deste feliz encontro é um dos temas do livro Ensaios de Cinema, onde o leitor também pode ficar sabendo mais e melhor sobre a cinematografia de nomes emblemáticos como Orson Welles, Stanley Kubrick, Ingmar Bergman, François Truffaut, Federico Fellini e Michelangelo Antonioni, e ainda sobre a relevância do Cinema Europeu, Sueco e Alemão, e as dimensões dos filmes de guerra e dos filmes B, por exemplo.

Conhecido nas lides cinematográficas por seu profícuo exercício da crítica, o cearense LG Miranda Leão conta em seu Ensaios de Cinema com prefácio assinado pelo renomado jornalista Rubens Ewald Filho, único jornalista brasileiro a cobrir, in loco, a badalada entrega do Oscar: “Tivemos o prazer de editar pela Coleção Aplauso da Imprensa Oficial uma seleção de seus textos. Mas que são apenas uma pequena representação do que ele escreveu nesta última década. Agora temos mais de seus escritos, maior e melhor. Neste livro, todos os textos referem-se a filmes, cineastas ou cinematografias especiais (como cinema alemão, sueco, americano) e há outra coisa que eu admiro, seu rigor. L.G. não  escreve sem ter visto pelo menos três vezes o filme ou a obra a qual se reporta. Antes de tudo, é um livro para mergulhar de cabeça e alma, coração aberto e olhos cheios de imagem”.

 

SERVIÇO

Livro ENSAIOS DE CINEMA 

Editado pelo Banco do Nordeste do Brasil

(programa Cultura da Gente)

280 páginas, sugestão de preço: R$ 20,00

ONDE ENCONTRAR

Livraria Oboé (Center Um)

Livraria Lua Nova (Benfica)

Locadora Distrivídeo

Mais informações: (85) 9103.0556

Novo Livro de LG Será Lançado Terça em Fortaleza

TERÇA, 7 de Dezembro, às 18h, crítico LG de Miranda Leão estará no TROCA de IDÉIAS do Centro Cultural Banco do Nordeste Fortaleza para lançar seu novo livro, que já teve lançamentos no FestCine Goiânia e no V Festival de Cinema e Vídeos dos Sertões, realizado em Floriano, no Piauí. Dia 13, o livro será lançado no Festival ARUANDA, em João Pessoa, e dia 17 no I Festival de Cinema de Maracanaú, região metropolitana da capital cearense.

O livro ENSAIOS DE CINEMA é editado pelo Banco do Nordeste do Brasil através do programa CULTURA DA GENTE, que apóia trabalhos de Arte & Cultura de funcionários aposentados da instituição.

                                        

            Ensaios de Cinema, Um Olhar Acurado sobre a Sétima Arte 

            De autoria do crítico LG de Miranda Leão, ENSAIOS DE CINEMA reúne alguns dos principais ensaios escritos pelo jornalista cearense ao longo de muitas décadas de dedicada inspiração à arte de imortalizar um filme através das reflexões por ele inspiradas.

  

Orson Welles, genial criador, é um dos pilares da preciosa pena de LG

            Nomes como os de Orson Welles, Stanley Kubrick, Ingmar Bergman, François Truffaut, Federico Fellini e Michelangelo Antonioni, entre tantos outros, são foco da pena do Mestre a nos guiar delicada e inteligentemente pelas vastas searas onde se inscrevem as obras destes grandes samurais da alquimia de perceber a vida e adentrar o mundo, através de pontos-de-vista especiais transformados em sabedoria pela magia eterna da Sétima Arte.

François Truffaut está no ensaio inicial, que saúda a Nouvelle Vague…

            Conhecido nas lides cinematográficas por seu profícuo exercício da crítica, LG lança agora seu segundo livro, cujo prefácio leva a assinatura do jornalista Rubens Ewald Filho: “Tivemos o prazer de editar pela Coleção Aplauso da Imprensa Oficial uma seleção de seus textos. Mas que são apenas uma pequena representação do que ele escreveu nesta última década. Agora temos mais de seus escritos, maior e melhor. Neste livro, todos os textos referem-se a filmes, cineastas ou cinematografias especiais (como cinema alemão, sueco, americano) e há outra coisa que eu admiro, seu rigor. L.G. não  escreve sem ter visto pelo menos três vezes o filme ou a obra a qual se reporta.Antes de tudo, é um livro para mergulhar de cabeça e alma, coração aberto e olhos cheios de imagem”.

 

Stanley Kubrick, um dos cineastas preferidos de LG, retratado em ensaio antológico 

Dos mais profícuos críticos de Cinema do país, Mestre LG – como é mais conhecido – é Bacharel em Literatura de Língua Inglesa e Portuguesa, aposentado pelo Banco do Nordeste e pela Universidade Estadual do Ceará. Nascido em Fortaleza, filho de pais amazonenses, LG é jornalista, Sócio-Honorário da Associação Cearense de Imprensa e membro fundador da Academia Cearense da Língua Portuguesa. Na área do Magistério, fez estudos em Nova Iorque e estágio didático nas Escolas Berlitz e Cambridge em Manhattan, tendo lecionado por uma década no Instituto Brasil-Estados Unidos (IBEU) e na Escola Americana, sediada em Fortaleza nos anos 1960 e 1970.

Cultor de Cinema desde ainda garoto, presenciou as filmagens de Orson Welles no Mucuripe (fato registrado no documentário Cidadão Jacaré, de Firmino Holanda e Petrus Cariry), levado por seu pai (o cinéfilo e médico-pediatra Dr. João Valente de Miranda Leão, um dos fundadores da Maternidade-Escola de Fortaleza): viu o grande cineasta americano vadear na praia do Meireles e fazer algumas prises de vues. Foi dos mais atuantes membros do extinto Clube de Cinema de Fortaleza (CCF), décadas 1960 e 1970, através do qual ministrou diversos cursos e pronunciou palestras sobre A Arte do Filme com apoio nas obras de Welles, Bergman, Kubrick, Truffaut, Losey e Melville.

A Sétima Arte é assunto recorrente em seus artigos, publicados em todos os jornais já editados no Ceará.Tem artigos em diversas publicações, além de revisar, fazer apresentações e contribuir com a publicação de livros nas mais diferentes áreas, desde Poesia, passando por Cinema, Literatura, Língua Portuguesa, Inglês e diversos trabalhos acerca de Xadrez, seu exercício intelectual preferido, daí ter criado e organizar, há mais de duas décadas, o torneio Memorial CAPABLANCA de Xadrez, realizado anualmente no BNB Clube Fortaleza. Por seu dignificante trabalho em prol da Sétima Arte, recebeu homenagem do cineasta capixaba Gui Castor através do curta LG – Cidadão de Cinema, lançado em 2007. 

LG na cena de abertura do curta LG – Cidadão de Cinema, de Gui Castor

Como diz a jornalista Neusa Barbosa, “É de admirar que um profissional da crítica mantenha intocado seu fôlego intelectual tantas décadas num mister assim polêmico, não raro ingrato e carregado de incompreensões. Afinal, alguns desavisados costumam confundir os críticos com infalíveis juízes do bom gosto e alguns entre estes, os mais vaidosos, aceitam assim ser considerados. Não é o caso de Miranda Leão que, embora mestre, ensina nas entrelinhas de seus iluminados comentários com a sutileza que cabe aos dotados da melhor sabedoria, amparado numa pedagogia que vem da enorme intimidade com o assunto que comenta.{…} Mestre em literatura de língua inglesa e portuguesa, Miranda Leão domina a língua com uma fina expressão, construindo frases certeiras que, embora se alonguem num estilo precioso, cultivado em épocas mais eruditas do que esta apressada nossa, sempre sabem onde querem chegar. Suas palavras acertam sempre no alvo, construindo análises e conceitos capazes de enriquecer o universo de seus leitores”.

Walter Hugo Khoury e LG: amizade consolidada e registro em texto emocionante