Arquivo da tag: cultura popular

‘Meu Pedacinho’ termina hoje depois de encharcar a TV de beleza e inventividade

Novela tratou com singular deferência a educação, os sentimentos nobres, a cultura popular, a arte dos grandes mestres do Cinema e da Pintura, primou por uma trilha sonora delicada e altamente eficaz, e o resultado foi a obra que chega ao fim esta noite com uma notável assimilação pelo público, e a ênfase inconteste à necessidade de se pensar novos paradigmas para a narrativa teledramatúrgica.

Sim, com #MeuPedacinhodeChão ficou provado: é possível investir em obras de qualidade excepcional, com referências notáveis no mundo da Arte e da Cultura mais consagrada – como Monet, Chacal, Van Gogh, Kurosawa -, e, mesmo que se veja a obra sem saber de nada disso, é possível encantar-se e mergulhar naquele universo mágico, e ao mesmo tempo tão familiar, onde o dialeto caipira dialoga em perfeita sintonia com os figurinos e cenários de material reciclado, e encontram num elenco primoroso e numa equipe altamente competente e dedicada, os condões para entrar na história da TV Brasileira como uma obra magistral, capaz de percorrer o mundo embevecendo crianças, jovens e adultos, de todas as idades, cores, credos, etnias, quereres e saberes.

Um antológico #AplausoBloigAuroradeCinema para a telenovela de Benedito Ruy Barbosa, Carlos Araújo, Luiz Fernando Carvalho e Raimundo Rodriguez ! Viva #MeuPedcinhodeChão !

ENCANTADORAS – Bruna Linzmeyer e Geytsa Garcia, Professora Juliana e Pituca…

atelier

O altar de ‘Dona Tê’, criação do artista Raimundo Rodriguez para a personagem de Inês Peixoto… foto Marcia Zoé Ramos

Jo e Ju

Johnny Massaro e Juliana Paes atuaram de forma apaixonante…

bruna e Zelão

Final feliz para Juliana e Zelão: público criou torcida para o casal…

Latis

Latifúndios de Raimundo Rodriguez para Meu Pedacinho de Chão – foto Marcia Zoé Ramos

Gina

Paula Barbosa compôs com maestria uma personagem cheia de nuances emocionais… o público foi afetuosamente conquistado por sua GINA !

Peda Roda

Flávio Bauraqui esteve estupendo como o engraçado ‘Rodapé’, trabalhador da fazenda do temível Coronel EPA…

osmar

Osmar Prado em atuação notável como Coronel Epaminondas, o EPA…

TIM

O maestro e pianista TIM Rescala: garantia de qualidade na trilha sonora, que foi um capítulo à parte em Meu Pedacinho de Chão

equipe

Leandro Vieira, Wladimir Pinheiro, Ignacio Aldunate e Anderson Dias nos bastidores…

Lepe língua

E com o encantador Tomás Sampaio, que deu vida ao adorável LEPE, deixamos nosso carinhoso abraço a todos quanto fizeram de #MeuPedacinhodeChão um oásis de sonho, beleza e puro encantamento na programação televisiva !

* Hoje, sexta, 1 de agosto, vai ao ar o último capítulo da novela MEU PEDACINHO DE CHÃO, que amanhã será reprisado, sempre a partir das 18:20h, pela TV Globo.

FOTOGRAFIAS do NORDESTE Podem ser Premiadas

Concurso fotográfico nacional sobre a cultura nordestina: inscrições até 10 de julho

Concurso fotográfico Um Olhar sobre a Cultura Popular Nordestina vai revelar novos talentos da fotografia. As 20 melhores fotografias serão premiadas com valores em dinheiro, num total de R$4.900.

 

A segunda edição do concurso fotográfico Um Olhar sobre a Cultura Popular Nordestina tem inscrições gratuitas abertas até o próximo dia 10 de julho. O concurso é aberto à participação da população em geral, maior de idade e residente no país, desde fotógrafos profissionais e amadores a pessoas que tenham interesse na arte de fotografar. Regulamento em www.olharcultural.com.

 

O principal objetivo é valorizar a cultura popular da região Nordeste através dos olhos das pessoas no espaço em que elas vivem. A cultura nordestina é caracterizada pela riqueza de suas crenças, musicalidade, história e culinária, que constitui o rico patrimônio cultural do povo do Nordeste. Os participantes deverão focalizar essas características através das lentes de suas câmeras, despertando o olhar e o interesse pela cultura popular nordestina e suas manifestações.

 

Para participar do concurso o candidato deve enviar, no máximo, três fotografias medindo 20x30cm em papel fotográfico fosco para o seguinte endereço: Concurso Fotográfico “Um Olhar sobre a Cultura Popular Nordestina” – Caixa Postal 1653, CEP 59078-970 – Natal (RN). As fotografias deverão ser enviadas, obrigatoriamente, com etiquetas informando: nome do fotógrafo, local, data e título da foto, preenchidas e coladas no verso das mesmas. 

Para as inscrições será levada em conta a data do carimbo postal dos Correios, por carta registrada. Não serão aceitas fotografias no formato digital, enviadas por CD ou outro dispositivo de armazenamento similar.

Premiação – prêmios serão concedidos aos 10 primeiros colocados. A novidade desta edição é que a comissão julgadora concederá também 10 menções honrosas, e os fotógrafos selecionados receberão, além do certificado, um prêmio em dinheiro no valor de R$100, cada. No total, as 20 melhores fotografias serão premiadas com valores em dinheiro num total de R$4.900.  

As 20 fotos selecionadas serão transformadas em cartões postais e distribuídas de forma gratuita. Faz parte da premiação também a realização de uma mostra virtual no site do concurso e uma Mostra itinerante que percorrerá os Centros Culturais do BNB. Além disso, as fotografias serão distribuídas de forma gratuita através de cartões postais que difundirão as imagens selecionadas.  

O concurso é patrocinado pelo Banco do Nordeste, sendo promovido pelo grupo potiguar de produtores independentes Caminhos Comunicação & Cultura

CCBN no Twitter e You Tube

O Centro Cultural Banco do Nordeste está disponibilizando dois canais em mídias sociais: um perfil no microblog Twitter e um canal de vídeos no You Tube.

O perfil no Twitter (www.twitter.com/ccbnb) está compartilhando e colhendo – junto aos internautas – informações, sugestões e opiniões sobre a programação dos três Centros Culturais Banco do Nordeste (Fortaleza; Cariri, em Juazeiro do Norte, na região sul do Ceará; e Sousa, no alto sertão paraibano). O perfil atualmente conta com 363 seguidores.

Recentemente, dentro da programação do IV Festival BNB das Artes Cênicas, a entrevista com o ator, dramaturgo e diretor teatral Ricardo Guilherme foi tuitada ao vivo no perfil do CCBNB, destacando e compartilhando frases emitidas pelo artista sobre sua história de vida e trajetória artística, no decorrer da conversa.

Por sua vez, o canal do Centro Cultural Banco do Nordeste no You Tube (www.youtube.com/user/centroculturalbnb) está exibindo vídeos de entrevistas com os cantores e compositores Raimundo Fagner, Ednardo, Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Antônio Nóbrega, com o dramaturgo, romancista e poeta Ariano Suassuna e com o ator Emiliano Queiroz, além de um debate sobre Literatura na Internet e um vídeo institucional sobre o BNB.

Com duração média total de 55 minutos, cada uma dessas entrevistas e debate disponível no canal do CCBNB no You Tube está dividida em cinco a sete blocos. Ao todo, são 44 vídeos publicados no referido canal, segmentados em sete programas especiais (entrevistas e debate), mais o vídeo institucional.

Entre os diferenciais interessantes do acesso a esses vídeos publicados no canal do CCBNB no You Tube, o designer gráfico do Ambiente de Comunicação do BNB, Gabriel Ramalho, aponta: “os vídeos podem ser vistos na Internet, no momento e na ordem em que o internauta desejar e, também, através de dispositivos móveis, em qualquer lugar, como Ipod, Iphone e demais smartphones; além disso, os usuários podem optar por se inscrever no canal de vídeos, recebendo, assim, todas as atualizações em primeira mão; e todos os vídeos podem ser compartilhados em blogs, redes sociais ou enviados aos amigos”.

As entrevistas foram gravadas no cineteatro do Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza, dentro dos programas Nomes do Nordeste, Literato e Papo XXI. O Nomes do Nordeste mostra a trajetória de vida e a atuação artístico-cultural dos principais nomes da cultura nordestina, por meio de depoimentos de profissionais e artistas reconhecidos nacional e internacionalmente.

Já o Literato contempla a realização de palestras com autores nordestinos, além de debates sobre temas ligados à literatura regional. Nesses encontros, os leitores são apresentados às idéias dos autores, discutindo obras ou temas.

Além do Nomes do Nordeste e do Literato, o CCBNB realiza o Papo XXI. Nesse programa de debates, o tema central são as tendências da cultura para o Século XXI. O objetivo é discutir e aprofundar os conhecimentos sobre temas emergentes da atualidade, com forte repercussão no Nordeste.

Editados no formato DVD, as entrevistas, debates, depoimentos e palestras referentes a esses três programas são veiculados na rede de TVs públicas brasileiras. Organizadas em cinco coleções de dez volumes, esses DVDs são distribuídos gratuitamente pelo Centro Cultural Banco do Nordeste para bibliotecas e estabelecimentos de ensino públicos, equipamentos culturais e organizações não-governamentais, mediante solicitação por ofício. A íntegra das entrevistas com os cantores e compositores Alceu Valença e Geraldo Azevedo também está disponível em forma de livro.

Veja a seguir a sinopse de cada uma dessas entrevistas disponíveis no canal do Centro Cultural Banco do Nordeste no You Tube (www.youtube.com/user/centroculturalbnb):

Mazzaropi no Teatro

Estreou ontem em Sampa o espetáculo Hoje tem Mazzaropi – versão fictícia baseada na vida e obra do ator, diretor e empresário paulista Amacio Mazzaropi (1912/1981), inesquecível personagem da cultura popular brasileira -, escrito pelo dramaturgo Mário Viana, com direção de Hugo Coelho.

A montagem explora a graça popular e simplória do artista que encarnou o personagem criado por Monteiro Lobato, o típico caipira de calças pula-brejo, paletó apertado, camisa xadrez e botinas (borzeguins).

O embrião da peça foi o personagem Philaderpho – criação do ator Júlio Lima, que fazia pequenos shows pelo interior paulista com um grupo de teatro.

O espetáculo tem no elenco, Iara Jamra, Silvia Poggetti, Beto Galdino, Dani Mustafci e Maria Carolina Dressler.

Hoje tem Mazzaropi

Texto: Mário Viana Direção: Hugo Coelho Elenco: Iara Jamra, Julio Lima, Silvia Poggetti, Beto Galdino, Dani Mustafci e Maria Carolina Dressler

Figurinos: Regina Camargo Cenários: Paula De Paoli e Edinho Rodrigues Iluminação: Rafael Burgath

Trilha original e arranjos: Kalau

Onde: Teatro União CulturalRua Mário Amaral, 209Paraíso Tel.: (11) 21482900/ 2904

FITINHAS da FÉ: Adesão Européia

Os corpos continuam bem encobertos por casacos pesados e luvas, em um inverno europeu com temperaturas glaciais. Mas, dentro de dois meses, quando os braços e pulsos estiverem mais à mostra nas principais capitais do continente, como Paris e Londres, um pequeno adereço estético, colorido e bem familiar, vai chamar a atenção dos brasileiros: fitinhas do Nosso do Senhor do Bonfim. Isso porque, a exemplo do fenômeno Havaianas, as pulseirinhas de tecido vêm se tornando um novo hit dos fashionistas e “brasilófilos” de plantão.

Os mais atentos à moda já perceberam a aparição das fitinhas. Evidentemente, não há estatísticas para explicar o fenômeno, mas a sensação de quem trabalha com acessórios, ou os admira, é taxativa. “Todo mundo usa”, sentencia a jornalista franco-americana Jenny Barchfield, especialista em moda da agência Associated Press em Paris. “Durante muitos anos, eu usava, mas não uso mais por causa disso. Tem “bobo” demais usando”, conta, valendo-se da expressão típica do francês para designar os parisienses “burgueses-boêmios”.

Outro indicativo do sucesso das fitinhas é o rumor de que elas estariam prestes a desembarcar em pelo menos dois templos fashionistas parisienses, uma grande loja de departamentos e uma butique – caríssima -, ponto de romaria dos “mais descolados” à Rue Saint-Honoré. Os paninhos baianos benditos, conhecidos na França como “porte bonheur”, acabaram supervalorizados por vendedores de lojinhas badaladas. Seu preço pode variar de ? 0,50 a ? 5. Customizadas, são vendidas com o apelo “desenho Saint-Tropez” em lojas como a Spirit Wire, na Côte D”Azur, por valores de ? 11 a ? 25.

Boa parte da propaganda das fitas é feita no boca a boca. A “tendência” é mais presente entre os familiares e amigos de brasileiros e entre quem já foi ao Brasil. É, de certa forma, um símbolo de distinção de quem conhece o país, cuja imagem é positiva na Europa. “São bonitinhas demais!”, derrama-se Mélanie Durand, de 27 anos, uma francesa aficionada por capoeira que conhece o litoral do Nordeste melhor que muitos brasileiros.

Entre algumas tribos, a fitinha é até polêmica. Há quem defenda o uso respeitando ritos baianos. “A fitinha não se compra, se ganha! Enfim, as que eu recebi em Salvador me foram todas doadas”, reitera Laure Nakara, de 29 anos. Alheia à polêmica, a arquiteta Cláudia Cerantola, proprietária do site de comércio online de produtos brasileiros Pur Suco, que comercializa desde 2006 o “Souvenir du Dieu de Bahia”, por meio euro, trata de aproveitar a onda. “Viraram acessório da moda. As vendas só aumentam.” Segundo ela, empresas francesas as estão copiando, produzindo e vendendo como fitas “tipo brasileiras”, e com a escrita que o cliente quiser.* Texto de Andrei Netto

INEZITA: 8 DÉCADAS de Cultura Popular e Viola

Na sala de sua casa, no bairro de Santa Cecília, onde até o sofá foi retirado para abrigar seus 22 passarinhos em dezenas de gaiolas, ela comemora hoje 85 anos de vida. Com uma lucidez e uma memória assombrosas, Inezita Barroso está sempre rodeada de gente, mas, no fundo, sente-se solitária.

A solidão, que não tem a ver com valores afetivos – já que ela enche a boca de encantos para falar de amigos e da família, principalmente de seus bisnetos -, diz respeito à falta de aliados na longeva batalha para não deixar morrer o cancioneiro brasileiro de raiz, com especial devoção à música caipira. “Essa música moderninha de hoje, que chamam de sertanejo, não tem valor. É sempre a mesma coisa, com a mulher que abandonou o marido. Com a agravante que eles só tocam no mesmo ritmo, parece um realejo. É completamente diferente da música caipira e a folclórica, que têm vários ritmos, como chamamé, catira, cateretê e tantos outros”, diz Inezita.

A cruzada, que extrapola o campo musical, busca também a preservação do modo simples de agir e de ser do povo caipira. “A Globo se esforça para destruir, mas não consegue – está dentro da gente. É ridículo ver um personagem do campo falando com sotaque carioca”, explica a apresentadora.


Na longa estrada da vida, Inezita carrega uma vida profissional de 55 anos como cantora, lembrando com detalhes a gravação de seu primeiro disco. Acostumada a cantar o repertório de Dolores Duran, Noel Rosa e Ary Barroso em boates como Oasis, em São Paulo, e Vogue, no Rio de Janeiro, ela viu a carreira deslanchar com Moda da Pinga, de Laureano, no lado A, e Ronda, de Paulo Vanzolini, no B, pedidas até hoje nas apresentações pelo País.

Da faceta de apresentadora, a Dama Caipira ostenta a marca de ter o programa de TV que está há mais tempo no ar, sem nunca deixar de ser exibido nem trocar de emissora. São 30 anos de Viola, Minha Viola, na Cultura, exibido sempre aos domingos, às 9 horas, com exigências pertinentes. “O Moacir Franco e o Sérgio Reis já tentaram levar tecladistas, eu não deixo entrar porque isso destoa da música caipira, eles me entendem”, diz Inezita. A postura firme é mais uma forma de respeito ao público.

Até a segunda grande paixão da apresentadora, a natação, fica de lado por causa da falta de tempo. As gravações do Viola, Minha Viola, sempre às tardes das quartas-feiras, no Teatro Cultura, na Avenida Tiradentes, são compromisso sagrado. “Quando pegávamos a estrada para gravar o programa, eu cheguei a viajar de bicicleta e em carro de boi, por respeito ao meu auditório. Há quatro anos, sofri um acidente sério em casa, levei um tombo e rasguei minha canela. Os médicos disseram que só me dariam alta em uma semana. Não podia esperar e fugi do hospital, detesto reprise. A vida é assim, eu gosto de trabalhar”, relembra Inezita. A história se repetiu no ano passado. Com suspeita de pneumonia, a cantora não abandonou um público de 6 mil pessoas que se espremiam debaixo de chuva no Sesc Itaquera. “Eu vou pôr a viola lá no alto. Se tivesse mais aliados nesta luta… Mas não gastei 55 anos da minha carreira à toa. Hoje vejo cada vez mais orquestras de violas e fábricas do instrumento para crianças. É um orgulho tremendo.”

* Com texto de Lucas Nobile