Arquivo da tag: curta Resta UM

Porque Resta Um atrevido gosto pelos filmes incompreensíveis…

Porque o Resto é sempre maior que o principal… 

Antes que os desavisados venham me perguntar o que resta em um de meus mais recentes trabalhos, o curta RESTA UM, prefiro responder numa das formas onde sou mais afoita: escrevendo. 

Resta você que entende a intenção da obra ou resta você que vai sair do cinema perguntando sobre o que é mesmo o assunto do filme, ou ainda, qual o sentido deste filme. 

Porque…. 

Resta Um filme a ser feito, um fotograma a ser exibido. 

Resta Um desejo de falar da vida e contar da alegria através do cinema. Resta Um desejo de contagiar e fazer coro ao convite de Sílvio Tendler para tentar fazer mais gente entrar nesta canoa. 

Resta Um ator que não estava nas filmagens, um vinho que não foi tomado, e um beijo que não foi roubado. 

Resta até mesmo você que pensa que o filme homenageia o Cinema Marginal, que de marginal só tem mesmo a má vontade e incompetência dos que não tem coragem de ousar porque se pelam de medo de errar, e errando, revelar-se, afirmando sua ignorância suprema ante a importância e história do Cinema Brasileiro. 

Resta um ator que não entrou neste filme mas estará num próximo, feliz da vida pela alegria de celebrar o encontro e a verdade das palavras. 

Resta Um espectador que chegou atrasado e um diretor que não foi convidado. 

Resta Um convite que não foi aceito e um amor que não se realizou. Resta Um filme que não foi feito e um roteiro inacabado, um caminho a ser seguido e um piano esquecido no canto da sala. 

Resta Um punhado de bons filmes a ver e belas músicas pra ouvir. 

Resta Um violão que emudeceu e um canto de passarinhos que não se reproduziu.  

Resta Um carinho esquecido, um afago a ser lembrado e um afeto nunca recebido.

Resta Um filme a ser visto, um aplauso a ser ouvido e um som a ser imitado.

Resta Um enquadramento por fazer, um som e uma luz em sintonia. 

Resta Um coração a ser tocado, um amor a ser encontrado.

Resta Um barco no oceano e um barco-olho rumo ao infinito.

Resta Um motivo a mais para se cultivar a ética, um passo a mais a ser dado, um gesto a menos a ser esquecido.

Resta Um belo quadro na parede, flores viçosas na varanda e um roteiro a ser escrito.

Resta Um canto triste a embalar a solidão e um tango sempre disposto a tocar. 

Resta Um coro de pássaros a anunciar uma manhã na qual os jornais só estampem boas notícias e um amor de pai e mãe que nem a dor da ingratidão abafou. 

Resta Um gol argentino a ser aplaudido, um drible de Messi a ser imitado e uma canção de Lupicínio ecoando na sala. 

Resta Um desvario a ser socorrido, um cotidiano de sonhos a percorrer o imaginário e um arrojo de Kubrick a ser lembrado. 

Resta Um quadro de Picasso a querer ver, um Renoir ainda intacto, um Rembrandt pra quem desconhece as nuances da cor, e um bolero de Ravel acordando as madrugadas douradas. 

Resta Um caminho novo a buscar, uma ousadia transgressora a perseguir e um lixo amontoado na calçada que Vik Muniz precisa transformar. 

Resta Um samba em homenagem à nata da malandragem, um swingue de Gil e Mautner, uma atriz com a grandeza e a competência genuína de Helena Ignêz, um desejo de ouvir a contagiante gargalhada de Zéu Brito e mais algumas pérolas de Wisnik. 

Helena Ignêz evidencia beleza e altivez da mulher brasileira no cinema…

Resta Um canto feliz de andorinha a sonorizar a espera tão acalentada, e um movimento de Tchaikovsky tocando pra quem não tem medo da música clássica. 

Resta Um verso de Ferreira Gullar pra ler, um texto de Graciliano que não nos sai da cabeça, um personagem para Selton Mello interpretar, e um ator da grandeza de Emiliano pra gente ensinar aos que ainda vão chegar. 

Resta Um brilho no olhar da criança esquecida nas madrugadas soturnas das grandes cidades, e um brilho de esperança no gesto de quem vivencia a solidariedade. 

Resta Um take a mais de Zeca Ferreira, mais um documentário que Gui Castor está a concluir, uma nova inquietude imagética de André da Costa Pinto, e uma constante disposição de celebrar as invenções fílmicas de Zeca Brito. 

Resta Um outro Benjamim de Gardenberg para Paulo José, um outro Suassuna para Nachtergaele, um texto com a concisão de Carlos Alberto Mattos, um novo documentário com a assinatura de João Moreira Salles e o precioso olhar de Coutinho. 

Resta Um livro a ser lido e um grande autor a ser celebrado.

Resta Um disco bonito na vitrola, um guardanapo com um poema que a noite revelou, um lenço para amparar lágrimas de amor.

Resta um quadrilátero de paixão nas esquinas nas quais ela em vão aguardou um adeus. Resta Um um sinal de que a vida é o bem maior.

Resta Um poeta que a noite teima em querer despertar e um silêncio revelador que o ouvido atento antevê.

Resta Um desassossego da alma em desalinho pela paixão que arrebata e se intromete nas horas mais improváveis. 

Resta Um violão dedilhando Bossa Nova e um bar em Ipanema rememorando Vininha.

Resta Um choro de flauta aguardando Pixinguinha e um verso ousado de Clarice, Coralina ou Adélia Prado.

Resta Um solo de Toquinho, uma marchinha do Lalá, um twiiter de Carpinejar e um olhar acurado de Caetano que a manhã precisa revelar.

Resta Um minuto para que possamos afirmar a palavra necessária e um espanto ante à embriaguez do luar.

Resta Um comovido apelo à Paz e uma busca incessante pela alquimia dos grandes amores.

Resta Um olhar sempre atento à obra de Truffaut e à dramaturgia de Fassbinder, um interesse crescente pelo bandoneon de Piazzolla e um espanto ante à indiferença da sociedade do descartável. 

Resta Um motivo sempre novo para ver Fernanda representar e reler a grandeza necessária de Ibsen. 

Resta Um atrevido gosto pelos filmes incompreensíveis e um incontido apego aos lugares onde a emoção fez amigos e plantou saudades.  

Resta Um cantinho, um violão, um microfone para celebrar Mário Reis e um anseio de ouvir cantar como Francisco Alves. 

Resta Um filme de Bressane a ser visto e estudado, e um olhar acurado sobre a cinematografia inspiradora da Belair.

 

Resta Um dilacerante silêncio ante a brutalidade do desaparecimento de John Lennon e um incontido mal-estar ante as ingerências nefastas da política no cotidiano. 

Resta Um infinito e revolucionário desejo de se perpetuar nos fotogramas que hoje são pixels nas alquimias da edição digital, tão rápida e eficiente que nos faz brincar com as horas e achar graça da facilidade de criar temporalidades diversas, fazer andar pra frente e retroceder nos ponteiros de nossa imersão cotidiana. 

Resta Um constante e permanente desejo de continuar abraçando o cinema brasileiro e um desejo intermitente de ouvir o som paralâmico da guitarra de Herbert Vianna.  

Resta Um indormido desejo de expressar-se e traduzir em imagens o que vai n’alma e no pensamento. 

Resta Um permanecente intuito de reaprender a amar pra não morrer de amar mais do que pude. 

Resta, sobretudo, essa vontade enorme de acertar e prosseguir fazendo CINEMA e apostando em coisas nas quais acreditamos, sejam elas concludentes ou não.  

Carvana e Milton Gonçalves em O Anjo Nasceu, segundo filme de Bressane…

Resta ademais um desejo de falar de vida, o aconchego do abraço amigo nas noites eternas, e a ânsia de chegar a um tempo onde a ingratidão morra de sede, a indiferença naufrague de tédio, a injustiça definhe por inanição e a estupidez se envergonhe de existir… 

Porque, enfim, Resta Um desejo de amar e ser amado

Amar sem mentir nem sofrer

Desejo de amar sem mais adeus… 

Enfim, Resta Um anseio de que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado. 

* O título deste artigo e as palavras finais nos foram inspirados por textos do cronista Artur da Távola, bem como as citações óbvias aos versos do saudoso poeta Vinícius de Moraes. 

 

Vinícius de Moraes, poeta que ilumina e inspira…

INGRA LIBERATO Abre Hoje mais um ComuniCurtas

Atriz INGRA LIBERATO estará hoje em Campina Grande para lançar curta cearense RESTA UM, que vai abrir Festival COMUNICURTAS


Em atuação cheia de erotismo e espontaneidade, INGRA LIBERATO faz homenagem à musa HELENA IGNÊZ…

 
Hoje a noite é de festa e Cinema em Campina Grande. Ali, a atriz baiana INGRA LIBERATO desembarca hoje para promover o lançamento do filme RESTA UM, da jornalista e atriz cearense Aurora Miranda Leão, no qual ela encabeça elenco que tem ainda Rosamaria Murtinho, Sílvio Tendler, Samuel Reginatto, Miguel Jorge, Bruno Safadi, Henrique Dantas e Júlio Léllis.

 
“A presença de Ingra é aguardada com bastante expectativa e, sem dúvida, é um diferencial importante no ComuniCurtas deste ano”, diz o cineasta paraibano André da Costa Pinto, idealizador e coordenador-geral do Festival ComuniCurtas de Cinema e Vídeo, que acontece anualmente em Campina Grande e hoje é considerado um dos mais importantes festivais de curta-metragem do país.
 
A edição deste ano começa nesta segunda e prossegue até 3 de setembro, nas dependências do SESC e da UEPB.
 
Segunda-feira (29/08)
19h: Cerimônia de Abertura no SESC Centro
Homenagem aos cineastas Marcus Vilar e Torquato Joel
Entrega do Prêmio Machado Bitencourt de Contribuição ao Cinema Paraibano
 
19:30h – exibição do curta-metragem RESTA UM da jornalista/documentarista cearense Aurora Miranda Leão, tendo INGRA LIBERATO como protagonista.

Este ano, foram mais de 600 trabalhos inscritos, sendo 80 selecionados nas categorias de Ficção, Documentário, Experimental e Animação.

Composto por debates, oficinas, mostras especiais e competitivas, o Comunicurtas apresentará os debates no período da manhã, no Departamento de Comunicação Social da UEPB. Público, produtores e idealizadores vão discutir produções exibidas na noite anterior.

As oficinas – entre elas uma de Antônio Leal e outra de Beth Formaggini – acontecem todas as tardes, também no Departamento de Comunicação. As mostras especiais, como a de produções argentinas e a infantil acontecem pela manhã, no Sesc-Centro. 

O FILME 

A cerimônia de abertura terá início às 19h, no Cine Teatro do Sesc-Centro, com a exibição de Resta Um, curta-metragem da jornalista/atriz/cineasta e produtora cultural cearense Aurora Miranda Leão, estrelado por Ingra Liberato, que estará presente à sessão.  

RESTA UM traz no elenco também a atriz Rosamaria Murtinho, o ator Samuel Reginatto, o escritor Miguel Jorge e os cineastas Sílvio Tendler, Bruno Safadi, Henrique Dantas, Alex Moletta e Júlio Léllis.

Com referências explícitas à produção Belair, o filme experimental mistura estéticas e homenageia o cineasta JÚLIO BRESSANE, pilar da produtora carioca que, nos anos de 1970, conseguiu realizar 7 longas-metragens em apenas 3 meses. Além disso, o roteiro de RESTA UM, conduzido por instigante depoimento do cineasta Sílvio Tendler, assume a inspiração BELAIR e faz citações exponenciais aos trabalhos de cineastas como Zeca Ferreira, Gui Castor, Zeca Brito e André da Costa Pinto. 

Filme Amanda & Monick é uma das citações do curta RESTA UM

RESTA UM é mais uma realização Aurora de Cinema em parceria com a Cabeça de Cuia Filmes, da fotógrafa Lília Moema. 

O FESTIVAL

Nesta edição, o festival homenageará os curta-metragistas paraibanos Marcus Vilar e Torquato Joel, que receberão o Prêmio Machado Bittencourt pela contribuição ao Cinema paraibano.

Além da dupla, o Comunicurtas ainda prestará uma homenagem ao cineasta e roteirista Hilton Lacerda pelo conjunto de sua obra.

Objetivando promover a “socialização da cultura cinematográfica local”, todas as atividades oferecidas pelo Festival são gratuitas, com exceção das oficinas, para as quais pede-se a entrega de brinquedos para doação, no ato de inscrição.
www.comunicurtas.com.br 

Porque o RESTO é sempre MAIOR que o Principal

Em apenas cinco dias de absoluta imersão no universo da Sétima Arte, do qual Goiânia é âncora todos os novembros, foi gestado o Resta Um, curta-metragem agora ofertado para o olhar, a mente e o coração de quem estiver na platéia ou com este texto em mãos. 

Resta Um é um curta digital, colorido, tem 19’25”, roteiro e direção de Aurora Miranda Leão. Ingra Liberato é a presença mais constante, embora não possamos dizê-la “personagem principal” ou protagonista. Isso não existe nos filmes Belair. Lá como cá, os atores não representam mas valem pelo que representam, como nos diz Antônio Medina Rodrigues, e aí a cabeça do espectador tem todo o controle e pode optar por entender o que quiser. O que pra uns pode estar explícito, para outros pode ser apenas um jogo do roteiro ou uma insinuação da direção.  

A imagem icástica de Ingra Liberato a ilustrar o cartaz, bem como o material de divulgação do filme, destacando o indicador da atriz apontando… como a indicar que Resta Um

O que resta encontrar então neste novo filme que a produtora Aurora de Cinema nos oferece ? 

O que resta pode ser você, espectador, que não participou das filmagens e não conviveu com o grupo formado em Goiânia. Resta você que entende a intenção da obra ou resta você que vai sair do cinema perguntando o que é mesmo o filme que viu, qual seu sentido, e o que querem significar suas imagens.

Resta Um filme a ser feito, um fotograma a ser exibido. 

Resta Um desejo de falar da vida e contar da alegria através do cinema. Resta Um desejo de contagiar e fazer coro ao convite de Sílvio Tendler para tentar fazer mais gente entrar nesta canoa. 

Resta Um ator que não estava nas filmagens, um vinho que não foi tomado, e um beijo que não foi roubado. Resta você que se pergunta sobre o sentido deste filme, resta você que poderia ter dado um depoimento. Resta Um espectador que chegou atrasado e um diretor que não foi convidado. 

Resta Um convite que não foi aceito e um amor que não se realizou. Resta Um filme que não foi feito e um roteiro inacabado, um caminho a ser seguido e um piano esquecido no canto da sala. 

Resta Um violão que emudeceu e um canto de passarinhos que não se reproduziu.   

Resta Um carinho esquecido, um afago a ser lembrado e um afeto nunca recebido.

Resta Um filme a ser visto, um aplauso a ser ouvido e um som a ser imitado.

Resta Um enquadramento por fazer, um som e uma luz em sintonia.

Resta Um coração a ser tocado, um amor a ser encontrado.

Resta Um barco no oceano e um barco-olho rumo ao infinito.

Resta Um motivo a mais para se cultivar a ética, um passo a mais a ser dado, um gesto a menos a ser esquecido.

Resta Um belo quadro na parede, flores viçosas na varanda e um roteiro a ser escrito.

Resta Um canto triste a embalar a solidão e um tango sempre disposto a tocar.

Resta Um coro de pássaros a anunciar uma manhã na qual os jornais só estampem boas notícias e um amor de pai e mãe que nem a dor da ingratidão abafou. 

Resta Um gol argentino a ser aplaudido, um drible de Messi a ser imitado e uma canção de Lupicínio ecoando na sala. 

Resta Um desvario a ser socorrido, um cotidiano de sonhos a percorrer o imaginário e um arrojo de Kubrick a ser lembrado. 

Resta Um enorme impulso pra falar de vida, celebrar a Paz e espalhar a alegria. RESTA UM desejo quase incontido de perseguir a utopia do amor sem mentiras, da amizade sem sustos, do afeto sem medo de se ofertar em público, da ternura sem hora marcada pra se instalar. 

Resta Um quadro de Picasso a querer ver, um Renoir ainda intacto, um Rembrandt pra quem desconhece as nuances da cor e um bolero de Ravel acordando as madrugadas douradas. 

Resta Um caminho novo a buscar, uma ousadia nova a perseguir e um lixo amontoado na calçada que Vik Muniz precisa transformar. 

Resta Um canto feliz de andorinha a sonorizar a espera tão acalentada, e um movimento de Tchaikovsky tocando pra quem não tem medo da música clássica. 

Resta Um brilho no olhar da criança esquecida nas madrugadas soturnas das grandes cidades, e um brilho de esperança no gesto de quem vivencia a solidariedade. 

Resta Um livro a ser lido e um grande autor a ser celebrado. 

Resta Um disco bonito na vitrola, um guardanapo com um poema que a noite revelou, um lenço para amparar lágrimas de amor. 

Resta Um quadrilátero de paixão nas esquinas nas quais ela em vão aguardou um adeus. Resta Um um sinal de que a vida é o bem maior. 

Resta Um poeta que a noite teima em querer despertar e um silêncio revelador que o ouvido atento antevê. 

Resta Um desassossego da alma em desalinho pela paixão que arrebata e se intromete nas horas mais improváveis. 

Resta Um violão dedilhando Bossa Nova e um bar em Ipanema rememorando Vininha.

Resta Um choro de flauta aguardando Pixinguinha e um verso ousado de Clarice, Coralina ou Adélia Prado.

Resta Um solo de Toquinho, uma marchinha do Lalá, um twiiter de Carpinejar e um olhar acurado de Caetano que a manhã precisa revelar. 

Resta Um minuto para que possamos afirmar a palavra necessária e um espanto ante à embriaguez do luar. 

Resta Um comovido apelo à Paz e uma busca incessante pela alquimia dos grandes amores. 

Resta Um olhar sempre atento à obra de Truffaut e à dramaturgia de Fassbinder, um interesse crescente pelo bandoneon de Piazzolla e um espanto ante à indiferença da sociedade do descartável. 

Resta Um motivo sempre novo para ver Fernanda representar e reler a grandeza necessária de Ibsen. 

Resta Um atrevido gosto pelos filmes incompreensíveis e um incontido apego aos lugares onde a emoção fez amigos e plantou saudades. 

Resta Um microfone para celebrar Mário Reis e um anseio de ouvir cantar como Francisco Alves. 

Resta Um filme de Bressane a ser visto e estudado, e um olhar acurado sobre a cinematografia inspiradora da Belair. 

Resta Um dilacerante silêncio ante a brutalidade do desaparecimento de John Lennon e um inexplicável mal-estar ante as ingerências nefastas da política no cotidiano

Resta Um infinito e revolucionário desejo de se perpetuar nos fotogramas que hoje são pixels nas alquimias da edição digital, tão rápida e eficiente que nos faz brincar com as horas e achar graça da facilidade de criar temporalidades diversas, fazer andar pra frente e retroceder nos ponteiros de nossa imersão cotidiana.

Resta Um constante e permanente desejo de continuar abraçando o cinema brasileiro e um desejo intermitente de ouvir o som paralâmico da guitarra de Herbert Vianna. 

Resta Um olhar para A Última Palavra, aquela que nos tirará do dilema profundo que parece nos atar ao nada existencial. 

Resta Um indormido desejo de expressar-se e traduzir em imagens o que vai n’alma e no pensamento. 

Resta Um permanecente intuito de reaprender a amar pra não morrer de amar mais do que pude. 

Resta, sobretudo, essa vontade enorme de acertar e prosseguir fazendo cinema e apostando em coisas nas quais acreditamos, sejam elas concludentes ou não. 

Resta ademais um desejo de falar de vida, o aconchego do abraço amigo nas noites eternas, e a ânsia de chegar a um tempo onde a ingratidão morra de sede, a indiferença naufrague de tédio, a injustiça definhe por inanição e a estupidez se envergonhe de existir… 

Porque, enfim, Resta Um desejo de amar e ser amado

Amar sem mentir nem sofrer

Desejo de amar sem mais adeus…

Até, quem sabe,

Resta Um desejo de morrer de amar mais do que pude. 

Enfim, Resta Um anseio de que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado. 

*O título deste artigo e as palavras finais nos foram inspirados por textos do cronista Artur da Távola, bem como as citações óbvias aos versos do saudoso poeta Vinícius de Moraes.

 

SERVIÇO: 

Curta-metragem RESTA UM

Exercício coletivo realizado no VI Festival de Cinema de Goiânia

Direção: Aurora Miranda Leão

Produção: Júlio Léllis

Edição: Aurora Miranda Leão e Lília Moema

Colaboração no roteiro: Miguel Jorge, Alex Moletta e Rogério Santana

Estrelando: Ingra Liberato

Participação: Rosamaria Murtinho, Sílvio Tendler

Bruno Safadi, Carol Paraguassu, Henrique Dantas

Realização: Aurora de Cinema e Cabeça de Cuia Filmes

Duração: 20m, cor, digital, gênero Experimental

 

Coquetel de lançamento  

QUANDO e ONDE: 19 de julho, 19:30h

CENTRO CULTURAL OBOÉ – rua Maria Tomásia, 531 – Aldeota

ENTRADA FRANCA
COLABORE, COMPAREÇA, AJUDE A ESPALHAR por aí !

RESTA UM.. filme marcante na cabeça de cada um

São tantas as opiniões que anotamos sobre nosso curta RESTA UM, que resolvemos publicá-las para partilhar com você, leitor amigo, que já conhece ou ainda vai ver este exercício audiovisual coletivo…

Roteiro inteligente, edição competente e condução elegante com Ingra Liberato esbanjando sensualidade.
                                               – Maria Letícia, cineasta

Foi um grande prazer te ajudar nessa. Adorei o filme!
               – Cavi Borges, cineasta

Importa pelo que é capaz de despertar no espectador…
                            – Edinha Diniz, pesquisadora de Música
Absolutamente transgressor, dá gosto ver, faz bem à alma.
                                               – Jorge Salomão, poeta

Bom de ver, leve, descontraído e alegre como sua diretora. Já disse que quero fazer parte do próximo.

                                      – Vera Ferreira, atriz


 Leve, descontraído, dá vontade de assistir mais de uma vez para adentrar melhor neste universo a que o filme nos remete.
                                                                     – Sérgio Fonta, ator

Supimpa ! Um sopro de bendita transgressão no universo audiovisual contemporâneo.
                                            – Carmem Araújo, filósofa

Uma excelente loucura, digna do Bressane… Você é demais, parabéns!
                                          – Miguel Jorge, escritor


Enfim, um filme que faz exatamente o que se propõe: instigar, confundir, mexer com o intelecto. E é gostoso de ver…
                                                      – Alice Gonzaga, pesquisadora

Resta Um é uma bela homenagem à Belair, mostra que ainda hoje a intuição pode vencer a forma e criar algo sensível e singelo.
                                                                          – Alex Moletta, dramaturgo

Tá muito legal o filme e é uma honra ter um trechinho do Áurea passeando lá dentro. Ver o filme deu vontade de estar lá.

                                                                          – Zeca Ferreira, cineasta


 Aurora constrói com habilidade e leveza um painel espontâneo sobre o fazer cinematográfico, renovando nosso espírito de querer encontrar o novo.  
                                                      – Jorge Ritchie, ator     

           
Um filme que reaviva a crença no cinema de invenção. 
                                                – Phylis Lilian Huber, jornalista

Inteligente, ousado, instigante, tão experimental como sua própria diretora.

                                                – Walter Webb, produtor e cineasta

Aurora, o filme é muito bommmmmmm ! Estou encantado… ele passa o tempo inteiro uma enorme vontade de fazer e isso é contagiante. E que atriz espetacular essa Ingra ! Parabéns !

                                                               – Gui Castor, cineasta

 

* O CARTAZ de RESTA UM é criação do amigo Chico Cavas Júnior…

Seguindo o espírito BELAIR…

Dentre os tantos aspectos relevantes a se notar no curta RESTA UM, há um praticamente impossível de não se destacar quando nos detemos em suas sequências: o caráter de documento de seu tempo. Assim nas produções da BELAIR, assim em RESTA UM.

Ademais, elementos clássicos do cinema produzido pela BELAIR (produtora que durou 3 meses, em 1970,  durante o regime de exceção que imperava no Brasil, e que realizou 7 longas-metragens) – cujos gritos revolucionários ainda ecoam no cinema brasileiro, mesmo sem a propagação de seus filmes – estão neste RESTA UM, curta que as produtoras Aurora de Cinema e Cabeça de Cuia Filmes acabam de finalizar, como o uso da câmera de mão, as filmagens na rua, a mescla de imagens (filmadora, tevê e celular), o estranhamento através de imagens destoantes, desfocadas, sons propositadamente incômodos ou mal definidos, personagens que não representam mas valem pelo que representam, intertextualidade constante, bebendo na fonte de outras referências imagéticas – como na apresentação de cenas de outros filmes -, deixando claro ser a referência proposital e ancorada numa forma autoral de expressão.

O choque como recurso estético, tão freqüentemente utilizado pela Belair (produtora criada pelos cineastas Júlio Bressane e Rogério Sganzerla), em quem a obra se inspira e a quem pretende homenagear, também se verifica em Resta Um, de Aurora Miranda Leão. Isso fica patente desde o início, quando o apito inconveniente do elevador, azucrina o ouvido da atriz Ingra Liberato e o de quem a acompanha na sala de projeção. E se condensa na tomada do barco-olho que adentra, com barulho (capaz de provocar estranhamento instantâneo), o oceano na tomada inicial (clara referência ao documentário Belair, de Bruno Safadi e Noa Bressane, grande inspirador deste curta).

Numa aparente dessintonia entre as sequências, Aurora vai construindo uma narrativa cheia de percalços, inconclusões, desconexões, onde vida real e ficção (?) se entrecruzam em associações com elementos ícônicos e intertextualidades profícuas, como as que bem ilustram o depoimento lapidar do cineasta Sílvio Tendler.

A homenagem a Júlio Bressane e o legado da Belair aos poucos se insinua, delicada e espontaneamente, nas filigranas que perpassam a anti-narrativa. Esse dado às vezes fica bem explícito, como na sequência a mostrar a noite carioca, em movimento de câmera oscilante e com nitidez rarefeita. Ou ainda através do take no qual se percebem amigos dançando numa discoteca ao som de “Queixa”, de Caetano Veloso, artista de estreita sintonia com o universo bressaniano. E, sobretudo, na sequência em que INGRA protagoniza homenagem explícita à cena de A Família do Barulho, na qual a câmera se fixa bastante tempo na atriz Helena Ignêz, que aparece em close, até chegar ao momento em que escarra “sangue”. 

Outro dado a saltar aos olhos e assolar o intelecto é o fato de o curta preservar, com propriedade, a característica mais marcante da produção Belair, qual seja filmar entre amigos e o enorme prazer daí advindo. Porque até o espectador mais leigo registra, sem dificuldade, que todas as pessoas envolvidas em Resta Um lá estão por absoluta vontade e adesão ao projeto inicial, dado prazerosamente afirmado no espontâneo depoimento de Ingra. Também a alegria que ilumina o rosto quando o escritor Miguel Jorge aparece e o semblante sereno e internamente feliz de Rosamaria Murtinho são reveladores deste prazer de estar entre amigos e experimentar cinema. E assim como a ironia pensa uma coisa e diz outra, a diretora de Resta Um aparece em seu próprio filme, criando uma instigante dissonância cognitiva, ao criticar, ela própria, o fazer cinema que contagia jovens de hoje e de ontem, de todas as idades. Como diz a pesquisadora Olgária Matos (professora de Filosofia Política da USP): “Nos filmes de Bressane, as personagens oscilam entre a lucidez e a evasão fora da luz. Na ausência de qualquer razão profunda de viver, os filmes advertem para o caráter insensato da agitação cotidiana e a inutilidade do sofrimento”.

Martha Anderson e Grande Otelo em O Rei do Baralho

Júlio Bressane trabalhou sempre com orçamentos modestos, equipes pequenas, filmagens rápidas e muita invenção, e desenvolveu ao longo dos anos um dos traços mais fortes de sua cinematografia: o intertexto artístico, tão bem captado em Resta Um.

A liberdade radical de experimentação, talvez o maior legado da singular e riquíssima cinematografia de Bressane, é o que mais aflora neste Resta Um de Aurora Miranda Leão. Afinal, como bem diz Bressane, a câmera na mão fora da altura do olho, jogo de foco, câmera giratória, ab-cenas, o infrasenso da linguagem: a câmera filma a própria equipe que filma, o “atrás da câmera”, o som direto com todas as interferências circum-cena, o diretor dirigindo o (in) dirigível etc etc… Tudo isso, toda esta escolha, todas estas figuras, todo este procedimento, toda esta concepção de produção e expressão, tudo é olho Belair. Não há isto no cinema novo. É depois do cinema novo. É Belair.”

RESTA UM… Divulgadas Primeiras Imagens

     RESTA UM… ficou pronto… Filmagens foram realizadas em Goiânia, em novembro passado, por ocasião do VI FESTIVAL NACIONAL DE GOIÂNIA do CINEMA BRASILEIRO…

RESTA UM é uma parceria Aurora de Cinema e Cabeça de Cuia Filmes

INGRA LIBERATO  é a estrela. ROSAMARIA MURTINHO, a ATRIZ especialmente convidada.

FILME é uma declarada HOMENAGEM a Júlio Bressane, nosso cineasta mais singular, o erudito do Cinema Brasileiro, que revolucionou nossa cinematografia a partir dos filmes instigantes e semimais que realizou, como Cara a Cara, O Anjo Nasceu, e MATOU A FAMÍLIA e FOI AO CINEMA…

INGRA LIBERATO: novo trabalho, sob direção de Aurora Miranda Leão, tem declarada inspiração na atriz HELENA IGNÊZ, musa da produtora BELAIR, que fez o maior buchicho no país em 1970…

Parceria BRESSANE x SGANZERLA…

* Depois explicamos melhor… Aguardem novos posts…

RESTA UM…………

INGRA LIBERATO Estrela RESTA UM…

Que ela tem charme e competência, todos sabemos !

Afinal, “estourou” quando fez Ana Raio e Zé Trovão (novamente no ar e com muito boa audiência) e depois vieram outros personagens, mais aplausos e até prêmios como Atriz.

Nós só não sabíamos é que ela é uma pessoa Super ESPECIAL, cheia de graça e simplicidade, uma “pantera” das telas, divertida, alegre, animada, amiga de quem faz Arte e companheira cuja convivência faz bem à alma.

Pois foi esta impressão que ela nos passou quando mais uma vez estivemos juntas, alguns anos depois da época em que ela rodou no Ceará o filme de Florinda Bolkan Eu Não Conhecia Tururu…

Quando INGRA veio a Fortaleza, ao tempo da pré-produção do filme, fizemos uma longa entrevista com ela – eu era então editora de Arte & Cultura do extinto jornal Tribuna do Ceará. Foi então, encantada com o jeito brejeito, simpático e sem nenhum estrelismo da “Pequena Notável Baiana”, que concedemos a INGRA uma página do caderno que editávamos.

Ano passado, colega dela no júri da sexta edição do FestCine Goiânia, tive a oportunidade de privar mais amiúde da agradável companhia de INGRA.

E esta ATRIZ, vocacionada para a Arte e iluminada pelo toque de uma docilidade cativante, dona de impressionante fotogenia, topou na hora (e sem criar nenhum tipo de exigência) nossa idéia de fazermos um curta-metragem sem roteiro pré-definido, do jeito que pudéssemos fazer, inteirinho, ali mesmo, na capital goiana, durante os animados dias do FestCine, tão profissionalmente realizado por nossa adorável amiga-comum, Débora Torres (com luxuoso auxílio do escritor e poeta Miguel Jorge).

E nasceu o RESTA UM

Do qual INGRA LIBERATO é a Protagonista, esbanjando charme e sensualidade.

E vocês, então, hão de concordar comigo.

Aguardem novos posts sobre o RESTA UM