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CINÉDIA Convida: Mostra Fenelon

A propósito da Mostra Moacyr Fenelon, alguns dados sobre Cinema e preservação da Memória Audiovisual:

A ajuda do diretor de conservação da Cinemateca do MAM, Hernani Heffner, que trabalha com Alice Gonzaga desde 1986 , foi fundamental para salvar o acervo da CINÉDIA.

– Boa parte do cinema silencioso foi perdida. E há obras mais recentes que sobreviveram, mas sem os negativos, como Garrincha, alegria do povo (1962), Capitu (1968), Terra em transe (1967) e O dragão da maldade contra o santo guerreiro (1969) – destaca Heffner.

Felizmente, a preocupação com a preservação tem aumentado no decorrer do tempo. O Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro (CPCB) vem realizando trabalho importante na restauração de filmes como Aviso aos Navegantes (1950), de Watson Macedo, e A hora da estrela (1985), de Suzana Amaral.

– A formação de laboratórios de restauração na Cinemateca Brasileira e na Cinemateca do MAM foi iniciativa determinante – observa Heffner. – E, a partir dos anos 90, empresas e famílias passaram a desenvolver projetos de restauração, a exemplo da preservação da filmografia de cineastas como Glauber Rocha, Leon Hirszman e, agora Carlos Diegues. As Cinematecas do MAM e Brasileira salvaram a maior parte dos filmes brasileiros.

Nem tudo, claro, está resolvido.

Os acervos estão saindo do Rio de Janeiro. Os da Vera Cruz, da Atlântida e do Jean Manzon estão em São Paulo, na Cinemateca Brasileira – alerta Alice Gonzaga.

A conexão com o passado do cinema brasileiro atravessa a trajetória de Alice, engajada agora na recuperação de filmes de Moacyr Fenelon – como Obrigado, Doutor (1948), Poeira de Estrelas (1948) e O Dominó Negro (1949) – e responsável por um excelente livro – Palácios e Poeiras, lançado em 1996 – que reúne impressionante conjunto de imagens e informações sobre as salas de cinema do Rio de Janeiro. Dedicada ao trabalho de preservação há décadas, Alice se posiciona diante do advento das novas tecnologias.

Na minha concepção, mesmo que lide com vários suportes na Cinédia, restauração tem que ser em película – opina Alice.

Coordenador da Comissão Executiva da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA), Rafael de Luna atenta para as diferenças.

Sabe-se da necessidade de abrigar película em locais com temperatura e umidade controladas. E o suporte em película pode sobreviver durante mais tempo, esclarece Luna. – No digital é preciso fazer novas migrações a cada cinco anos. É outro tipo de gerenciamento de acervos.

É fundamental ainda ter em mente que os problemas de preservação não atingem tão-somente o cinema brasileiro.

– Gilda (1946), com Rita Hayworth, teve negativo e cópias perdidos. O filme foi salvo com materiais que existem fora dos EUA – exemplifica Heffner.

* Matéria de Daniel Schenker

NOVELAS em Destaque no CCBB

 Elas começaram vinculadas ao teatro, alcançaram projeção nacional impressionante e hoje são exportadas e desenvolvidas de acordo com as oscilações da audiência. As novelas de televisão, uma das maiores especialidades brasileiras, despontam como o foco do evento A História da Telenovela, série de nove encontros mensais que começa hoje, às 18h30, no Teatro 1 do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), com entrada franca

Na abertura, Regina Duarte conversa com o público sobre a sua trajetória na TV, desde a primeira novela (A Deusa Vencida, de Ivani Ribeiro, na extinta TV Excelsior), sempre como protagonista.  

 

Também vão ajudar a contar a história dos 60 anos de TV no Brasil, Nathalia Timberg, Eva Wilma, Laura Cardoso, Ana Rosa, Nicette Bruno, Paulo Goulart e Silvio de Abreu

    

Idealizador do evento, o produtor Hermes Frederico evoca as novelas mais marcantes ao longo das décadas, como 25499 Ocupado, O Direito de Nascer, Irmãos Coragem, Selva de Pedra, Roque Santeiro e Vale Tudo, tanto pelo pioneirismo quanto pela consolidação da audiência. Hermes tinha 5 anos quando assistiu a 25499 Ocupado, primeira novela diária da TV brasileira, com Tarcísio Meira e Glória Menezes.  

– Na minha infância, na década de 60, os capítulos duravam meia hora, e pude assistir a O direito de nascer, assim como a várias novelas da Excelsior e da Tupi, além dos primeiros sucessos da Globo, como Um rosto de mulher e O sheik de Agadir – recorda. 

Origem no teleteatro

A televisão começou diretamente vinculada ao teatro. Basta lembrar os teleteatros, que proporcionavam ao telespectador contato com peças inteiras, gravadas ao vivo. 

Todas as emissoras tinham os seus teleteatros, com as peças ao vivo e depois em videotape, com boa audiência. As novelas foram ocupando esse espaço – analisa Hermes. – Nos anos 60 e 70, a televisão reuniu nas novelas grandes autores e atores de teatro.  

 

Sônia Braga dança com Paulete na saudosa Dancing Days de Gilberto Braga, uma das novelas de maior audiência da TV … 

Pioneira na televisão, Eva Wilma firmou parcerias artísticas importantes com os maridos, John Herbert (Alô, Alô Doçura) e Carlos Zara, e com autores como Cassiano Gabus Mendes

 

Eva Wilma é uma das atrizes que vão abrilhantar o evento do CCBB 

Cassiano foi meu mestre na televisão. Tão importante quanto José Renato e Antunes Filho foram para mim no teatro – confirma a atriz. 

O grande salto qualitativo de Eva Wilma veio com a oportunidade de interpretar as gêmeas Ruth e Rachel em Mulheres de Areia, de Ivani Ribeiro, outra autora determinante na sua carreira: 

Fiz heroína e vilã, ao mesmo tempo, numa época em que a televisão era mais artesanal. Passei por um período intenso de ensaios. E me dei conta de que os vilões são interessantes porque repletos de conflitos. Procuro mostrar o lado humano deles, com humor e uma alegria suicida. 

 

Regina Duarte e a inesquecível Dina Sfat em Selva de Pedra, clássico de Janete Clair 

A composição da megera de A Indomada, de Aguinaldo Silva, contrastou com a sobriedade da personagem do seriado Mulher. A atriz traz à tona uma série de trabalhos marcantes, como O meu pé de laranja lima, adaptação de Ivani Ribeiro para o romance de José Mauro de Vasconcelos. 

Propunha marcações para a personagem. Lembro que antigamente a televisão não era simultânea – compara a atriz. – Então, a novela tinha terminado em São Paulo, mas não em Minas Gerais. Fomos até lá fazer um grande capítulo ao vivo. Quando saí do avião, uma multidão gritava o nome da personagem. 

Em A Viagem, a atriz entrou em contato com o mundo espiritual. 

Tivemos uma palestra interessantíssima com Chico Xavier, antes do início das gravações – lembra Eva. 

Eva Wilma abordou ainda o período da ditadura militar em Roda de Fogo, de Lauro Cesar Muniz, através da torturada Maura. 

Foi uma oportunidade de falar sobre o que a nossa geração passou – sublinha a atriz, que se prepara agora para as gravações de Araguaia, próxima novela das 18h, de Walter Negrão. 

Com história acumulada na televisão, Nicette Bruno fez teleteatro, passou por emissoras como a Tupi, a Rio e a Continental até desembarcar na Globo, no seriado Obrigado, Doutor

 

Reginaldo Faria e Luís Gustavo na primeira versão de Ti Ti Ti,  de 1985 

Antigamente, a TV era um bico para os atores. Até que o hábito de ver novelas começou a deslanchar – destaca Nicette, que pode ser vista atualmente no remake de Ti-Ti-Ti, de Maria Adelaide Amaral.

* Texto de Daniel Schenker, do JB    

Pra não esquecer RUBENS CORREA

O ator Sergio Fonta lembra perfeitamente do impacto que sentiu ao ver Rubens Corrêa (1931-1996) em cena pela primeira vez. Foi na montagem do Teatro Ipanema para O arquiteto e o imperador da Assíria, de Fernando Arrabal, em 1970.

Assisti nove vezes. Fiquei deslumbrado com o espetáculo de Ivan de Albuquerque (1932-2001) e com as interpretações de Rubens e José Wilker. Nós entrávamos no teatro e tínhamos a sensação de que estávamos no meio de uma densa floresta. Quando as luzes eram acesas, percebíamos que havia jornais pendurados como longas folhas. Nós atravessávamos esta “floresta”, até que as folhas eram suspensas e nos deparávamos com o palco nu – reconstitui o ator.

Mais tarde, Fonta iria iniciar uma convivência marcante com o ator, seja entrevistando-o para veículos como Jornal de Ipanema e o Jornal de Letras e até contracenando em peças. A partir de suas lembranças e de uma vasta pesquisa, prepara, neste momento, uma biografia sobre Corrêa para a Coleção Aplauso, da editora Imprensa Oficial, coordenada pelo crítico de cinema Rubens Ewald Filho.

Na época de O arquiteto e o imperador da Assíria, Fonta trabalhava como jornalista. Ainda não tinha ingressado na carreira de ator. Um pouco antes conheceu Rubens pessoalmente.

A imagem mais nítida que tenho dele é a do sorriso largo. E do olhar que brilhava – lembra Sergio Fonta, dividido atualmente entre o desenvolvimento da pesquisa, o trabalho como membro do júri do Prêmio Shell e a expectativa da retomada da temporada de Amadeus, encenação de Naum Alves de Souza para o texto de Peter Shaffer.

Os caminhos de Rubens Corrêa e Sergio Fonta também se cruzaram em Flor do milênio, espetáculo poético-teatral dirigido pelo primeiro em 1982, a partir de um roteiro do segundo em cima de poesias de Denise Emmer. Fonta viveu intensamente a fase do Teatro Ipanema, marcada pela parceria entre Rubens Corrêa e Ivan de Albuquerque, desde o fim da década de 50, no Teatro do Rio.

Rubens morava com a mãe numa bela casa de pedra. Tinha o sonho de construir um teatro. Vendeu a casa com a condição de que o prédio construído no lugar abrigasse um teatro no térreo. Assim aconteceu, e ele foi morar na cobertura – conta.

Fonta não esquece o impacto de montagens como Hoje é dia de rock.

– Era um texto libertário encenado numa época de repressão e que ganhava com a interpretação espiritualizada do elenco – sublinha Fonta, acerca do texto de José Vicente (1945-2007), centrado na travessia de uma família, do interior do Brasil rumo à cidade grande. – O cenário do Luiz Carlos Ripper (1943-1996) era a estrada que a família percorria e rasgava o espaço do Ipanema. No último dia de apresentação havia tanta gente querendo ver que todo mundo foi celebrar na praia. Um belo momento de comunhão.

Muitos outros trabalhos de Rubens virão à tona no livro. Um deles, em O beijo da mulher aranha, montagem de Ivan de Albuquerque para o texto de Manuel Puig (1932-1990), foi, inclusive, esmiuçado no livro Sobre o trabalho do ator, de Mauro Meiches e Silvia Fernandes. Cabe mencionar O futuro dura muito tempo, seu último espetáculo, no qual dividiu o palco com Vanda Lacerda (1923-2001), sob a direção de Marcio Vianna (1949-1996). Artaud foi, com certeza, um capítulo à parte.

Considero Artaud o legado de Rubens, a herança de toda uma vida. Quem o viu em cena não passou incólume pela experiência de entrega e reflexão sobre sanidade e insanidade – constata Fonta, bastante emocionado.

Mesmo que tenha se notabilizado como ator de teatro, Rubens será lembrado no livro através de seus trabalhos no cinema e na televisão.

No cinema e na TV ele nunca chegou perto da dimensão que alcançou no teatro. Mesmo assim, esteve bem em novelas como Kananga do Japão. No cinema se destacou em Álbum de família (1981), de Braz Chediak, e, especialmente, em Na boca da noite (1971), adaptação de Walter Lima Jr. da peça O assalto, de José Vicente, que fez com Ivan de Albuquerque – enumera.

Durante a fase de pesquisa, Sergio Fonta vem recorrendo ao arquivo impresso guardado na Funarte e a livros como Reflexões sobre o teatro brasileiro no século 20, organizado por Fernando Peixoto, e realizando entrevistas com artistas bastante próximos de Rubens, como Nildo Parente, Ivone Hoffman, Fernando Eiras e Sergio Mamberti, além dos filhos de Ivan de Albuquerque e Leila Ribeiro.

Num determinado momento, Mamberti precisou mudar-se mudar para São Paulo e não tinha onde guardar a mobília. Como coincidiu com a época de construção do Teatro Ipanema, Rubens falou para colocá-la no palco – revela Fonta, que deverá conversar com José Wilker, Simon Khoury, Angel Vianna e Rosamaria Murtinho.

Não é sua estreia no campo da pesquisa. Há alguns anos, ajudou Sergio Viotti na concepção da Dulcina e o teatro de seu tempo, biografia da atriz e diretora Dulcina de Morais (1908-1996).

Desejo fornecer um painel para que o leitor que porventura não o tenha visto em cena entenda o que significou. Era uma pessoa dotada de grande generosidade natural – resume.

* Texto de Daniel Schenker

NR: ATOR MONUMENTAL, a biografia de RUBENS CORREA  a sair pela Colecão APLAUSO, tem importância seminal para a dramaturgia brasileira.

RUBENS CORREA atingiu um patamar interpretativo de rara sensibilidade, perspicácia, pertinência.

Lamentável que as novas gerações pouco ou nada saibam do Artista, que também foi diretor e produtor de montagens marcantes na história da cena teatral brasileira. Até na web, é quase impossível achar imagens de Rubens…

Tive a feliz oportunidade de ser aluna de RUBENS CORREA em oficina ministrada aqui em Fortaleza, no Teatro José de Alencar, se não me trai a memória, ainda em 1994. Rubens era mesmo um Ser Humano Iluminado, raro, sensível, inteligência, refinado.

Quando ele entrava na sala – como o era quando adentrava o palco – era como se todas as energias parassem pra que algum alquimista assumisse o leme da embarcação. Antes disso, tive também oportunidade de entrevistá-lo, ainda em meados da década de 1980, quando protagonizou o belíssimo espetáculo QUASE 84 no Teatro Ipanema, ao lado de Ivan de Albuquerque, com primorosa direção de Fauzi Arap.

RUBENS CORREA merece todo APLAUSO.

Era um Gigante dos nossos PALCOS & TELAS.

Daniel Schenker comenta PRÊMIO SHELL

A tempestade que caiu segunda-feira sobre a região metropolitana do Rio, causando um caos urbano poucas vezes visto na cidade, não impediu a realização da cerimônia do Prêmio Shell de Teatro, no Complexo Vitória, do Jockey Club. Natural que a atriz Patricia Selonk, escolhida para apresentar a premiação deste ano, só tenha dado início ao evento por volta das 22h, duas horas depois do horário marcado.

Mesmo assim, Paulo César Medeiros chegou após o anúncio de sua vitória pela iluminação de O Despertar da Primavera; Alberto Renault não conseguiu comparecer para receber o troféu por sua original instalação cenográfica para Dois irmãos, e, no momento mais inusitado da noite, Enrique Diaz agradeceu o prêmio de Direção de In on it pelo celular – o ator Fernando Eiras ligou para o diretor e subiu ao palco conversando com ele.

Botelho reclama e é vaiado

Os musicais, destacados nas indicações, não venceram sozinhos. Claudio Botelho expressou descontentamento.

Eu e Charles (Möeller) tivemos 10 indicações, mas só ganhamos dois prêmios – ressaltou Botelho, referindo-se à já citada iluminação de O despertar da primavera e à vitória pela versão das músicas de Avenida Q na categoria especial. – Parece que os meus espetáculos não são tão expressivos.

Os convidados presentes não hesitaram em vaiar Botelho. Polêmicas à parte, o júri – formado por Fabiana Valor, João Madeira, Jorginho de Carvalho, Sergio Fonta e Tânia Brandão – elegeu como grande vencedor o minimalista In on it, ótima montagem de Enrique Diaz para o texto de Daniel MacIvor totalmente centrada nas interpretações de Emilio de Mello e Fernando Eiras, escolhido como Melhor Ator. Uma consagração surpreendente num ano marcado pela força dos musicais.

Meu pai me dizia: “Você é capaz”. Perguntou por que eu queria fazer teatro. Respondi que era algo de que tinha necessidade. Ser ator é uma profissão que dá visibilidade, glamour e talvez dinheiro. No entanto, nós celebramos o fato de precisarmos fazer teatro – destacou Eiras, o mais aplaudido da noite, que prestou tributo a Rubens Corrêa e Ivan de Albuquerque, parceiros no Teatro do Rio (depois, Teatro Ipanema), “meus mestres”.

O Shell de Melhor Atriz ficou com Beth Goulart, por sua elogiada atuação em Simplesmente eu, Clarice Lispector.

Clarice costumava dizer que escrevia porque encontrava nisso um prazer… Eu atuo porque encontro  nisso um amor – sublinhou a atriz.

No universo dos musicais, além de O Despertar da Primavera e Avenida Q, foram lembrados Oui oui… A França é Aqui ! A revista do ano, irreverente sátira à influência francesa no Rio de Janeiro, e Miranda por Miranda, evocação da saudosa Carmen Miranda. O primeiro ganhou o prêmio de Melhor Texto, assinado por Gustavo Gasparani e Eduardo Rieche.

Tenho 42 anos. Estou terminando o primeiro tempo da vida e ganhei essa surpresa de escrever para teatro – ressaltou Gasparani, autor de outros musicais bem-sucedidos, como Otelo da Mangueira.

Homenagem a Eva Todor

O segundo foi contemplado na categoria Música

– Andava afastado da direção musical para teatro e fico muito feliz de voltar com esse prêmio – comemorou Tim Rescala, que lembrou de sua parceria profissional com o recémfalecido ator e diretor Buza Ferraz.

A brasilidade de Farsa da Boa Preguiça também  foi evocada através do Shell de Melhor Figurino para Rodrigo Cohen, numa cerimônia marcada pela homenagem à atriz Eva Todor, que dedicou grande parte de sua carreira ao teatro, especialmente durante todos os anos em que foi empresariada pelos dois maridos, Luiz Iglesias e Paulo Nolding.

Venho pensando em algo bonito para dizer. Mas não encontrei palavras para agradecer por este reconhecimento aos meus 76 ininterruptos anos de carreira. É, sem dúvida, uma compensação bonita – exclamou Eva.

* Texto de Daniel Schenker