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Cinema reverencia Domingos Oliveira

O dramaturgo, cineasta, ator, diretor, homem de Teatro, Cinema e Televisão,  Domingos Oliveira, recebe esta noite o prêmio principal da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Prêmio Leon Cakoff.

A cerimônia acontecerá às 21h20, entre as sessões de Primeiro Dia de Um Ano Qualquer e Paixão e Acaso, ambos dirigidos por Domingos. A Mostra contempla, com o Prêmio Leon Cakoff, antes prêmio Humanidade, personalidades do meio cinematográfico que se destacaram ao contribuir para o enriquecimento do cinema mundial.

Além de Domingos Oliveira, receberão o prêmio Leon Cakoff o diretor Abbas kiarostami e a atriz Claudia Cardinale.

UM POUCO MAIS SOBRE DOMINGOS OLIVEIRA, um MESTRE !

Domingos Oliveira é um dos mais profícuos criadores brasileiros, autor de obras marcantes, seja no teatro, cinema ou televisão. Nascido no Rio de Janeiro, Domingos começou a carreira no teatro, em 1963, com Somos Todos do Jardim da Infância, texto de sua própria autoria.

Em 1966, dirigiu Todas as Mulheres do Mundo, sua estreia no cinema, protagonizado por Leila Diniz e Paulo José. Apesar de inserido no grupo do Cinema Novo, Domingos sempre tendeu mais para Tchecov do que Brecht, passando ao largo dos regionalismos que dominavam as atenções de significativa parcela do Cinema Novo. Suas preocupações sempre foram mais urbanas e de classe média, onde as disfunções e desatinos das relações humanas e do amor se convertem em filmes calcados na força do texto e das atuações, impregnados de um humanismo sem concessões.

Entre seus principais filmes, destacam-se Edu Coração de Ouro (1968), As Duas Faces da Moeda (1969), A Culpa (1971) e Teu, Tua (1976). Nos anos 80, Domingos iniciou um prolífico trabalho para a televisão, colaborando em roteiros de episódios de séries e especiais, e coordenando a série Caso Especial na TV Globo. Voltou ao teatro em 1981 e, em 1995 escreveu, com Priscilla Rozenbaum, a peça Amores, levada às telas em 1996, reaproximando Domingos do cinema depois de um afastamento de quase 20 anos. Amores venceu três Kikitos no Festival de Gramado.

Com a companheira Priscilla Rozenbaum, uma parceria de sucesso…

Seus filmes mais recentes são Separações (2002, 26ª Mostra), Feminices (2004, 28ª Mostra), Carreiras (2005, 29ª Mostra), Juventude (2008, Prêmio do Público na 32ª Mostra) e Todo Mundo tem Problemas Sexuais (2008, 32ª Mostra).

Nesta edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Domingos Oliveira participacom seus filmes É Simonal (1971), e Primeiro dia de um Ano Qualquer (2012), e Paixão e Acaso (2012).

SERVIÇO

Prêmio LEON CAKOFF para Domingos Oliveira   

25/10/2012 – QUINTA – CINESESC

19:20 Exibição do filme: PRIMEIRO DIA DE UM ANO QUALQUER, de Domingos Oliveira (81′).

21:20 Exibição do filme: PAIXÃO E ACASO, de Domingos Oliveira (83′).

OBS.: A entrega do prêmio será feita antes da exibição do filme PAIXÃO E ACASO.

Patrocinadores da 36ª Mostra

A 36ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo é realizada com patrocínio da PETROBRAS pela LEI DE INCENTIVO À CULTURA do MINISTÉRIO DA CULTURA; copatrocínio do BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL (BNDES); apoio institucional da PREFEITURA DE SÃO PAULO; apoios da FAAP, ITAÚ e SESC; apoio cultural da SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA DO GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO pelo PROAC – PROGRAMA DE AÇÃO CULTURAL DO ESTADO DE SÃO PAULO, SÃO PAULO TURISMO, SABESP e IMPRENSA OFICIAL; colaboração da editora COSAC NAIFY, do MASP – MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO, HOTEL TIVOLI, CHIVAS, AUDITÓRIO IBIRAPUERA, INGRESSO.COM e do CONDOMÍNIO CONJUNTO NACIONAL; promoção da FOLHA DE SÃO PAULO, TV CULTURA, GLOBO FILMES, CANAL BRASIL, BAND NEWS FM e RÁDIO BANDEIRANTES.

A 36ª Mostra é produzida pela ABMIC – Associação Brasileira Mostra Internacional de Cinema.

Troféu Leon Cakoff para Domingos Oliveira

Contemplado com R$ 1 milhão em edital BNDES, Cineasta e dramaturgo DOMINGOS OLIVEIRA receberá Homenagem na Mostra de Cinema de São Paulo

Dois novoss filmes do múltiplo DOMINGOS estarão na tradicional Mostra de São Paulo disputando o Prêmio Itamaraty. São eles: Primeiro Dia de Um Ano Qualquer, exibido com êxito no Festival do Rio, e o recentíssimo Acaso e Paixão, com Vanessa Gerbelli, o encenador Aderbal Freire-Filho (!), e grande elenco.

A merecidíssima Homenagem que DOMINGOS OLIVEIRA receberá é o Troféu Leon Cakoff – reverenciando a memória do criador da Mostra -, que também será entregue à atriz Claudia Cardinale e ao diretor iraniano Abbas Kiarostami.

Além disso. Domingos Oliveira fará palestra com o tema “Os Filmes da Minha Vida”, tarefa que ele conta, “realizarei com muita emoção”.

Viva DOMINGOS OLIVEIRA, uma das mais iluminadas Inteligências deste País !

Documentário com Domingos Oliveira será lançado hoje

O jornal Folha de São Paulo e o Cine Livraria Cultura promovem hoje, dia 22, às 20h, pré-estreia gratuita de Domingos, documentário da atriz e diretora  Maria Ribeiro, seguido de debate com a diretora.

Domingos Oliveira, um dos mais brilhantes artistas de teatro e cinema do país, chega às telas em documentário de Maria Ribeiro…

Autor de mais de 20 textos teatrais e 13 filmes, de Todas as Mulheres do Mundo (1966) ao lindo Juventude (2008), Domingos de Oliveira vive como um menino que estivesse apenas começando a viver. ‘Não tenho 70 anos, tenho 7’, costuma brincar. Um artista inquieto, que resiste a rótulos e que não pára de escrever nem de pensar coisas novas, ele percorre os dias com uma rotina simples, à qual não podem faltar nem o amor, nem a liberdade.

No documentário – lançado há 2 anos, no Festival do Rio -, o diretor/ator/dramaturgo e cineasta fala sobre os cineastas que mais o influenciaram – Truffaut, Godard, Chaplin e Fellini -, enquanto ensaia mais uma peça e reflete sobre o mundo, o Cinema Novo, a esquerda, o movimento hippie e sua negação da morte. Não falta nem mesmo a própria autocrítica: ‘Minha obra é medíocre, a minha visão de mundo é que é linda’.

A sessão é GRATUITA e as senhas poderão ser retiradas na bilheteria do cinema, uma hora antes do início da sessão.

Domingos (Brasil200872’) Direção: Maria Ribeiro Distribuição: Forte Filmes

Cine Livraria Cultura Av. Paulista, 2073 Tel.: (11)32853696

Aderbal Freire-Filho, ou simplesmente, TEATRO

Tenho a honra de dizer que fui aluna dele, por várias vezes, e confesso que tenho por ele uma admiração que só cresce quanto mais o vejo, mais o ouço falar e mais fico sabendo de sua atuação ininterrupta e impressionante – seja no Teatro, no Cinema, escrevendo, fazendo músicas, dando entrevistas e ou envolvido em projetos os mais audaciosos possíveis.

Aderbal Freire-Filho é um homem por quem é fácil se encantar. Tem uma inteligência refinada, uma cultura vicejante, um brilhantismo temperado com uma simplicidade cativante. A sensibilidade aguçada e o olhar indormido para tudo o que perpassa o humano preenchem sua personalidade de um estilo criativo raro cuja originalidade só revigora a força que faz dele um dos
Artistas mais profundos, relevantes e respeitados do país.

De temperamento inquieto e sempre antenado com seu tempo, Aderbal saiu do Ceará há muitos anos para viver do Teatro, para o Teatro, pelo Teatro e com o Teatro. Aliás, em termos de Palco e Dramaturgia, eu diria que Aderbal está muitos anos-luz à frente de seu tempo.

Sou sua fã confessa, mantenho por ele o mesmo encantamento da primeira vez em que o vi, já bem sintonizada com seus passos na Arte porque desde menina meu pai sempre me falava dele, com enorme carinho e admiração. Lembro como se fora hoje: “Loló, você precisa conhecer o Aderbalzin, este é o homem do Teatro”… O Mestre LG de Miranda Leão tem por ele o respeito de quem o sabe um oficiante no acme da Arte de Shakespeare.

Aderbal está mais uma vez nos palcos, pra honra e glória do Teatro Brasileiro. São 3 peças em cartaz ao mesmo tempo, com sua direção. Numa delas, ele também atua. É Depois do Filme que ele escreveu e dirige, e que nasceu a partir do filme JUVENTUDE, no qual ele é ator ao lado dos amigos Domingos Oliveira e Paulo José. Um trio magnânimo, um filme comovente.

Reproduzo aqui a entrevista de Aderbal Freire-Filho à Folha porque é sempre importante ouvir ADERBAL FREIRE-FILHO, um homem que, se não existisse, precisava ser inventado.

Saravá, Aderbal ! E um beijo no coração…

Aderbal Freire-Filho só parece ter os 70 anos que não aparenta (“Já fui mais velho”, diz) quando fala sobre tudo que fez até se firmar como um dos mais requisitados diretores teatrais do país.

Trabalhou na Petrobras, foi dono de cinema e de bar, ator de rádio e de telenovela, publicitário e advogado –isso até os 29 anos, quando largou a família (incluindo mulher e um filho) em sua Fortaleza natal e veio fugido para o Rio, pela segunda vez, disposto a viver de teatro.

A partir daí, montou cerca de cem espetáculos, atuou em outros tantos e ganhou praticamente todos os prêmios do teatro brasileiro, além da Ordem do Mérito Cultural, entregue pelo Ministério da Cultura, em 2009.

Sua boa fase atual é facilmente mensurável: no fim de semana, terá três peças em cartaz simultaneamente.

  Paula Giolito/Folhapress  
O diretor Aderbal Freire-Filho posa para retrato no palco da peça "Na Selva das Cidades"
O diretor Aderbal Freire-Filho posa para retrato no palco da peça “Na Selva das Cidades”

“Na Selva das Cidades” abre para o público hoje, no Rio; “Depois do Filme”, em que é autor, ator e diretor, segue em cartaz na mesma cidade; e “As Centenárias”, um de seus maiores sucessos (estrelada por sua mulher, Marieta Severo, e por Andréa Beltrão), estará em Fortaleza.

Freire-Filho conversou com a Folha anteontem, depois do último ensaio de sua nova peça. Falou das frustrações e alegrias de sua “profissão sem rosto” e de sua vida. Abaixo, uma resumo editado dessa conversa, em tópicos.

Estreia na direção

Vim para o Rio em 1970, para investir numa carreira de ator. Nessa fase eu estava me separando, mudando de pele, como o Garga [de “A Selva das Cidades”]. Eu era advogado, casado e com um filho, trabalhava no escritório do meu pai. E aí vim fugido, sem avisar ninguém, de ônibus. Foi uma mudança muito brusca. Cheguei no Rio com endereço certo e queria me mudar rapidamente para minha família não saber onde eu estava.

A primeira peça que eu fiz aqui foi “Diário de um Louco”, dentro de um ônibus que circulava por Ipanema, Leblon e Copacabana. Lembro que o Glauber [Rocha] namorava com a produtora da peça, o Euclides Marinho, que virou escritor de novela, era o fotógrafo.

Depois, um produtor me convenceu a fazer teatro infantil, para ganhar uma grana. Eu criei uma peça inspirada no “Flicts”, do Ziraldo, que não queria que mexessem na obra-prima dele, mas leu meu texto e adorou. Ofereci para outras pessoas dirigirem, mas ninguém podia, então dirigi eu mesmo e descobri que era isso aí, que minha forma de expressão era essa.

Trabalho de diretor

Pouca gente sabe. Nem falo fora do teatro, porque aí é ninguém. Eu brinco dizendo que esse era o problema da minha mãe na hora de explicar o que o filho fazia. “É diretor de teatro”. “Mas o que ele faz?”

É muito difícil eu me identificar profissionalmente na sociedade, para o taxista, o cara da farmácia. Eu falo que sou diretor de teatro e o sujeito me pergunta que teatro eu dirijo, como se eu fosse administrador.

É difícil explicar mesmo dentro do teatro. Eu leio críticas e vejo que os críticos não têm ideia. Até tenho reconhecimento, ganhei muitos prêmios, mas esse desconhecimento às vezes me fere. Já teve época em que eu sentia cansaço, a idade, pensava “chega, vou ser pescador no Ceará”. Mas hoje estou animadíssimo de novo e, à medida em que quero fazer outras coisas que não dirigir, como atuar e escrever, reconheço a beleza dessa profissão sem rosto, do ofício de diretor de teatro.

Atuar x dirigir

Eu sou um diretor-ator, me comunico com os atores com a proximidade de quem jogou essa bola. Tem uns diretores que pré-concebem seu espetáculo, estudam muito antes de começar os ensaios, até desenham as cenas que vão ensaiar. O oposto disso são os diretores que chegam e pedem para os atores improvisarem. Eu não sou nem um, nem outro. Sou um diretor que não prepara, mas sou muito rigoroso no sentido da coreografia do espetáculo, acho que a espontaneidade não vai longe. No ensaio, me considero num ateliê em que eu crio na hora, e isso é próprio do ator, e do diretor que eu sou.

O ator tem o prazer incomparável de fazer a peça na frente do público. Isso o diretor não tem. E é o que eu faço no “Depois do Filme”, e quero continuar essa história. Tenho esboços de ideias paradas, quero dar uma pausa para pensar nisso, estou trabalhando sem parar desde 2007.

A conta que não fecha

O teatro no Brasil tem uma equação econômica impossível. O preço que faria o teatro ser acessível para um mercado como o brasileiro não paga o produto. Se eu cobrar R$ 5 e R$ 10, fazendo três ou quatro vezes por semana, em uma plateia de poucos lugares, não pago os custos de elenco, técnicos, aluguel do espaço, divulgação. Não dá para viver de um ingresso menor.

Antigamente as peças paravam no seu tempo natural, quando o público ia acabando. Hoje em dia você vê peças lotadas que acabam porque terminou o dinheiro do patrocínio e a bilheteria não paga a manutenção. As peças morrem atropeladas.

Eu sou um cara que vive só de teatro, diria que sou um dos que cobra o cachê mais alto. E o que eu cobro não equivale ao salário mensal de um ator razoável na TV. E é um cachê para eu trabalhar três meses. Sou contratado por um cachê e mais uma porcentagem da bilheteria. Peças como “Hamlet” e “As Centenárias” me dão muito mais de porcentagem do que de cachê. Ganho a vida como diretor de teatro. Tenho um carro 96, moro num apartamento alugado de quarto-sala, mas perto da praia, e moro só.

Aderbal Freire-filho no lugar onde mais gosta de estar, o PALCO…

O teatro e a TV

Até acho que a classe C tem ido a um tipo de teatro como extensão da TV. Mas [o teatro] não está no repertório de consumo, então é difícil associar isso à ascensão de uma parte da população para a classe média.

O teatro no Brasil não criou uma necessidade de consumo como no primeiro mundo. O fenômeno das telenovelas estabeleceu uma concorrência brutal. Você tem em casa um folhetim que te prende e que, apesar de ter uma outra linguagem, uma outra poética, é teatro, tem os atores, os diálogos.

Eu não fiz TV por burrice, que é um dos nomes do sectarismo. Eu era da seita do teatro, achava que fazer televisão era me corromper. Quando a TV completou 50 anos, eu me dei conta de que esse negócio é absolutamente contemporâneo meu. Eu poderia ter crescido junto, desde os primórdios, que idiota que eu fui. Ainda mais porque eu fiz telenovela no Ceará. A TV lá começou em 1960, na época em que eu vim para o Rio pela primeira vez. Quando voltei para Fortaleza, em 62, meus colegas de teatro amador estavam fazendo telenovela. Me lembro de uma chamada “Arrastão”, em que eu era o galã. Também apresentei programas e fui locutor.

Admirador de Lula

Eu vejo hoje muita gente se rendendo à Dilma e continuando a falar mal do Lula. Quem descobriu a Dilma, quem brigou com o partido para impô-la, não foi o Lula? Me lembro de uma crônica do [Arnaldo] Jabor ofensiva, em que ele dizia “essa pobre mulher está sendo usada”. E agora ela dá uma demonstração de firmeza, de determinação. E o Lula viu isso. Esse talento, essa sensibilidade do Lula, surpreende o mundo.

A inteligência brasileira ainda acredita no neoliberalismo como uma coisa nova. A inteligência europeia já esgotou sua crença no neoliberalismo, está esperando surgir uma luz, um pensamento, uma coisa nova. Pode ser que não seja o Lula, pode ser que ele seja um erro total, mas o fato de ele ser respeitado internacionalmente mostra que eles têm pelo menos a curiosidade de ouvir esse cara.

Uma parte enorme da crítica à incultura do Lula é burra, muito burra. Não consigo entender. Quando não se localiza na política, esses mesmos críticos admiram alguns talentos incultos. Na música popular, temos Nelson Cavaquinho, Cartola. Somos grandes produtores de talentos incultos. Na política isso é impossível? E, por falar em cultura, quem são os cultos na política brasileira? O Fernando Henrique é um homem culto, tem outros, mas são as exceções. O nível cultural do Lula dentro da política brasileira é alto.

Tenho o maior carinho pelo Fernando Henrique, não sou um radical, me lembro de quando fui a uma assembleia em que ele estava e fiquei encantado com a inteligência dele. Mas eu era [professor] da universidade pública, me lembro da falta de atenção do período Fernando Henrique. Ele é um cara da USP, e não houve um aumento, nada, quem cresceu foi a universidade privada. E eu vejo o que é a universidade pública pós-Lula, o analfabeto. Respeitada inclusive internacionalmente.

Fala-se muito da corrupção, mas ela aparece agora porque cresceu a repressão. Antes, os caras dominavam a corrupção e os aparelhos anti-corrupção, então nada aparecia. Nunca vi ela ser tão combatida como agora. Na época do mensalão, os maiores canalhas da política nacional faziam discurso sobre a moralidade.

Aderbal Freire-filho e Aurora Miranda Leão: encontro em Fortaleza 2011 

Trabalho do MinC

O Gil e o Juca [Ferreira, ex-ministros da Cultura no governo Lula] estruturaram um ministério como nunca houve. Mas eu tive divergências: quando quiseram polarizar famosos x não famosos, por exemplo [na discussão sobre direcionamento de patrocínios públicos]. Os famosos brasileiros fazem o melhor teatro. O Wagner [Moura] faz “Hamlet”, a Renata Sorrah trouxe para o teatro brasileiro autores importantes que a gente não conhecia, como [o alemão] Botho Strauss. A gente não tem uma companhia dramática nacional, quem faz esse papel são alguns famosos. Não faz sentido colocar famosos contra não famosos, dá para atender os dois.

Quando vem o novo governo, com a Ana [de Hollanda, atual ministra da Cultura], num primeiro momento me surpreenderam algumas atitudes dela, mas eu a conheço, sei que é uma pessoa séria, dedicada, honesta, de muito boa fé, então eu torço por ela e por esse ministério. Como eleitor da continuidade, eu defendia a continuidade do trabalho do Juca. Mas acredito que ela virá, numa certa medida. Eu acredito nesse projeto no ritmo das possibilidades. Quem tentou um outro ritmo, mais acelerado, não se deu bem.

* MARCO AURÉLIO CANÔNICO, do Rio

A Propósito de JUVENTUDE…

Soterrados pela Magia do Cinema 

Sessão lotada. Filme aguardado. Platéia ansiosa. Afinal, era mais um Domingos Oliveira na tela. Dramaturgo e cineasta dos mais respeitados, com um filme novo, falando de Juventude... Domingos, Paulo José e Aderbal Freire-Filho, três homens de Teatro, essencialmente, homens da Cena.

 

Domingos, Aderbal e Paulo José: belas lições de amor à vida em JUVENTUDE

Juventude era, desde o princípio do festival, um dos filmes mais aguardados pela imprensa, logo, um dos mais esperados também pela enorme turma de cinema e convidados presentes ao mais concorrido festival de cinema do país. 

Burburinho no Palácio dos Festivais. Lugares disputadíssimos, Domingos e Paulo José na platéia. O cineasta-dramaturgo sobe ao palco antes da exibição e convida a equipe de Juventude para subir com ele… 

Começa a sessão e um silêncio respeitoso toma conta do espaço. A projeção vai dominando a sala e, aos poucos, o riso e a sincronia vão ganhando corpo… Uma energia que não se vê mas intui-se nos pequenos gestos vai criando aquela atmosfera própria dos contos-de-fada… o mesmo respirar, os silêncios e idênticas pausas, risos em momentos semelhantes, uma cumplicidade involuntária parecia irmanar a todos naquela noite que tinha um quê de cinema e um não-sei-o-quê de teatro… tudo parecia contaminar uma platéia cada vez mais identificada com os temas e as reflexões propostas pelos três atores que protagonizam JUVENTUDE.

 

E essa sensação quase onírica, quase etereal, difícil de traduzir mas antevê-se, parece quase explodir quando sobem os letreiros do filme: entre risos, aplausos, acenos e gestos de apoio, a platéia vai deixando o Palácio dos Festivais absolutamente emocionada. 

A sensação soberana era a de que alguém havia jogado por sobre as pessoas aquele pozinho da fada Sininho da história de Peter Pan, como se algo muito contagioso e contagiante tivesse saído da tela e invadido o coração do público… como se Vinícius de Moraes tivesse dali extraído seus versos: “E no entanto é preciso cantar/Mais que nunca, é preciso cantar/É preciso cantar e alegrar a cidade…”, entregando de bandeja o mote pra Toquinho continuar: “Ando escravo da alegria, hoje em dia minha gente, isso não é normal/ Se o amor é fantasia, eu me encontro ultimamente em pleno carnaval…” 

Se alguém, completamente por fora do que estava acontecendo, adentrasse o cinema de Gramado naquele momento, sem dúvida sentiria uma sensação refrescante, assim como se ali tivesse sido derramada – ainda que não se saiba como nem porquê – a tão almejada água da vida…  ou tivesse sido descoberto, de repente, o Tesouro da Juventude.

 

Depois de assistir à JUVENTUDE, o sentimento que parecia dominar o coração de todos quanto tiveram o prazer e a alegria de assistir ao filme de Domingos, Paulo José e Aderbal, era o de que finalmente alguém havia encontrado o elixir da Juventude Eterna, e era preciso sair pelo mundo abraçando e contando a todos que ser feliz é possível em qualquer lugar, a qualquer tempo, de qualquer maneira. A partir daquele filme, Ser Jovem passou a ser uma disposição do espírito, um adestramento da vontade, uma determinação involuntária, intraduzível e necessária. 

Deixamos o cinema como a nos perguntar: aquilo era só um filme ? O filme era a história de uma peça ? Onde acaba o cinema e recomeça a vida ? O que é mesmo Vida e o que é Cinema ? Onde estão os limites que separam a noção do cinema e a emoção da vida ? Quem sabe quando começa a ficção e onde impera a verdade ?  

Entre aqueles atores e nós, o público, havia uma tela, mas entre os atores e cada um de nós que formava aquela seleta platéia, naquela noite de emoção contagiante, não havia elisão, nem diferença, nem contradita: entre os atores de Juventude e a platéia de Gramado reinava gloriosa a empatia da generosidade e a cumplicidade do afeto; uma sutil, intensa e desafiadora vontade de prosseguir apostando no bem, no bom e no belo como fontes essenciais da alquimia de saber viver.                              

CINEMA BRASILEIRO, Música, Teatro e Coisas que Valem a Pena…

BAND Aposta em Seriados e Domingos Oliveira

 A Band vai entrar firme na disputa pela audiência do horário nobre. A partir da próxima segunda, às 21h, a emissora passará a exibir seriados estrangeiros que fizeram sucesso nos canais pagos, seguindo a mesma estratégia adotada pelo SBT e pela Record para enfrentar a novela das nove da Globo. Para estrear a faixa, uma das novidades da programação 2010, a Band programou um título de peso: Irmãos de guerra – Band of brothers, premiada minissérie de Steven Spielberg e Tom Hanks, inédita na TV aberta.

Baseada numa história real, a superprodução mostra, em 10 episódios, a trajetória de um grupo de soldados americanos, todos voluntários, que lutaram durante a Segunda Guerra.

A partir de 17 de maio, a faixa das 21h será ocupada, de segunda a sexta-feira, por diferentes seriados. Entre os títulos estão Bones, Gangues da noite (Dark angel), Que dureza (Complete savages), Acerto de contas (Leverage) e Queima de arquivo (Burn notice). A série dramática Família Soprano, produzida pelo HBO, também faz parte do pacote, mas ainda não tem data de exibição.

A emissora também está produzindo para o horário nobre a sitcom Anjos do sexo, escrita pelo dramaturgo e cineasta Domingos Oliveira. Em 26 capítulos, a série conta a história de uma casal de anjos que tenta resolver os problemas sexuais das pessoas. A estréia está prevista para agosto.

Além dos seriados, a Band terá outras novidades na grade de programação 2010, apresentada quarta-feira, durante coletiva em São Paulo. Entre os novas produções está A Liga (terças, com estreia em 4 de maio, às 22h15).

Criado pela Eyeworks – Cuatro Cabezas, a mesma que produziu o CQC, o programa contará com quatro repórteres (Rafinha Bastos, Thaíde, Débora Vilalba e Rosanne Mulholland, além da participação de Tainá Muller), que investigarão um tema sob olhares diferentes.

O Tribunal na TV (sextas, a partir de 7 de maio, às 22h15), com Marcelo Rezende, vai recordar casos julgados nos tribunais, misturando dramatização e investigação jornalística. Já o Polícia 24 horas, sem data de estreia, vai acompanhar a rotina da polícia de São Paulo. O humorístico É tudo improvisovoltará a ser exibido a partir de 11 de maio, logo após A Liga.

Em julho, ainda estão previstas as estréias do reality Busão do Brasil e do talk show O Formigueiro, com Marco Luque, que receberá, a cada programa, um convidado para uma entrevista divertida num cenário de um formigueiro.

Domingos Volta ao Teatro com Texto de Estréia

Domingos Oliveira admite estar vivendo uma das experiências mais pitorescas de sua longa trajetória nos palcos. É que em Do fundo do lago escuro, que estreia depois de amanhã no Teatro das Artes do Shopping da Gávea, e fica em cartaz até 27 de maio, o dramaturgo interpreta uma personagem inspirada em alguém com quem conviveu de perto: a própria avó.

De peruca, maquiagem e enchimentos, ele se transforma na severa Dona Mocinha, uma velha matriarca que se esforça para manter o controle e preservar a moral de uma típica família burguesa carioca da década de 50.

Em um dos ensaios, fui para o camarim de calção e coloquei aquele sutiã de peitos grandes. Quando me olhei no espelho, tomei um susto. Pensei: “Sou uma hermafrodita!”. Não está sendo nada fácil – brinca Domingos.

Escrita há mais de três décadas, a obra narra um dia na vida da família do autor e tem como matéria-prima as memórias afetivas de sua infância.

É a famosa história da família brasileira que dilapida uma fortuna em uma única geração – afirma o diretor. O pano de fundo da trama é a tensão dos últimos momentos da Era Vargas, com Dona Mocinha esperando ansiosamente por um discurso de Carlos Lacerda.

DOMINGOS OLIVEIRA é um dos PATRIMÔNIOS do TEATRO BRASILEIRO. Estando no Rio, conferir seus espetáculos é um prazer e uma feliz obrigação.

VIVA  DOMINGOS !!!

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