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De Borboletas, Sonhos, Amores e Abandonos…

Sexta e sábado, juazeiro poderá ver Peça A Mecânica das Borboletas, com um time de ótimos atores !

É por demais interessante o espetáculo A Mecânica das Borboletas, que será apresentado amanhã e sábado no Teatro do SESC de Juazeiro do Norte, no cariri cearense. 

Com dramaturgia de Walter Daguerre e direção de Paulo Moraes, os atores Eriberto Leão, Otto Jr., Betina Vianny e Ana Kutner conduzem a história no palco. O tema é bem conhecido, forte, instigante: a história de uma família marcada pelo abandono e de pessoas que estacionaram seus sonhos por fraqueza, medo, falta de determinação e/ou acomodação.

Numa pequena cidade do sul do Brasil, que poderia ser também qualquer cidade
de qualquer país, os irmãos Rômulo (Eriberto) e Remo (Otto), separam-se aos 15
anos, quando um deles desaparece de casa – levando todas as economias da
família – para “fazer o mundo”. Ao voltar, 20 anos depois, Rômulo encontra um
cenário extremamente modificado: é outra a atmosfera sentimental, são outras as condições familiares. Para criar a ambiência cênica do espetáculo, Paulo Moraes e Carla Berri assinam um cenário poeticamente funcional, enriquecido pela bela iluminação do craque Maneco Quinderé, enquanto Rita Murtinho responde pelo figurino e Rico Vianna pela caprichada trilha.

Os irmãos, de personalidades distintas, tiveram caminhos diversos porque
diversos foram os caminhos trilhados. Depois de duas décadas distantes, o
inesperado retorno de Rômulo reaviva antigas rivalidades, e faz ascender mágoas e conflitos ao explicitar o contraste das experiências vividas, evidenciador de perdas e ganhos. Perderam e ganharam todos. o quanto cabe a cada um nessa equação, depende do olhar e da sensibilidade de cada um.

Como diz o aclamado crítico Lionel Fischer em sua análise do espetáculo: “Um belo texto de Walter Daguerre está inserido no programa distribuído ao público e nele o autor explicita as razões que o levaram a escrever A mecânica das borboletas. Em resumo, expõe uma contradição: se por um lado deseja uma vida pacífica, isenta de tecnologias e dos turbilhões inerentes aos grandes centros urbanos, por outro lado também almeja uma existência eletrizante e sempre renovada, o que implicaria em sair pelo mundo e conhecer o maior número possível de países”.

Liza, a filha (vivida por Ana Kutner, filha da Musa Dina Sfat), e Rosália, a mãe
(papel de Betina Vianny), são as outras personagens. Juntos, esses 4 dão conta de vivenciar no palco um texto de inegáveis qualidades, focando temas de amplidão universal e atemporal.

Betina

Cabe a Betina Vianny (filha do saudoso jornalista, crítico e cineasta Alex Vianny) a primeira entrada no palco. E os primeiros cinco minutos de um espetáculo são fundamentais para o desenrolar satisfatório ou não de sua dramaturgia. E aqui A Mecânica das Borboletas acerta duas vezes: a entrada de Betina tem força e beleza, calcada num dos momentos mais belos e delicados do espetáculo, ocasião em que Daguerre inspira-se claramente em Shakespeare e reafirma a importância de se “cuidar do jardim para que as borboletas possam aparecer”. E os autores – escritor e diretor – parecem ter encontrado a atriz certa para dizer as melhores palavras: Betina aparece lindamente serena, terna e eloquente no palco, e conquista o espectador de imediato. É ela quem abre o caminho à adesão da platéia ao espetáculo, e a atriz o faz com riqueza de detalhes. Nota DEZ !

Na sequência, temos a sólida construção do personagem Otto pelo ator Otto Júnior – grata surpresa ! -, a presença bonita e enigmática de Ana Kutner, e a explosão de sentimentos que nos traz o ótimo Eriberto Leão, ator em merecida ascensão graças à notória dedicação ao ofício, ao carisma e ao talento sensível e poderoso que faz dele um dos ótimos exemplos de sua geração.

E assim, diante de um espetáculo recheado de qualidades, com direção
competente e em completa sintonia com o vigor da dramaturgia encenada, além do naipe de atores da melhor qualidade, só temos a indicar a você, leitor, a ida ao
Teatro para ver A Mecânica das Borboletas. Agora o espetáculo chega a Juazeiro, mas daqui a pouco poderá estar chegando à sua cidade, e terá o mesmo padrão. Portanto, recomendamos: vá ao Teatro !

  

Ao dramaturgo Walter Daguerre, nossa estima e votos de que continue se
dedicando à Dramaturgia, arte por demais difícil e fascinante, na qual se insere
com saudável conhecimento de causa.

A ele, e a toda equipe de A Mecânica das Borboletas, o blog Aurora de Cinema envia um super abraço com os melhores brados de Parabéns ! E que os Aplausos possam ecoar e reverberar sempre em vossas carreiras.

Em Juazeiro, o espetáculo será apresentado em duas noites: sexta e sábado,
sempre às 20 horas, no Teatro Sesc Patativa do Assaré, localizado na Rua da Matriz, no centro da cidade.

A peça tem apoio logístico da Secretaria de Cultura da Prefeitura de Juazeiro do
Norte. A entrada custa R$ 50,00 e meia R$ 25,00. Censura 12 anos.

Marco Pigossi, Eriberto Leão e Malvino Salvador após estreia de peça no Rio (Foto: Henrique Olivveira/ Photo Rio News)

Eriberto Leão recebe cumprimentos dos amigos Marco Pigossi e Malvino Salvador na estreia carioca de ‘A Mecânica das Borboletas’…

Sérgio Fonta e a Dramaturgia Carioca: É Hoje !

 

 

Academia Carioca de Letras

A Academia Carioca de Letras tem a honra de convidar V. Exa. e Exma. Família para a palestra O Rio de Janeiro e a dramaturgia nacional no início do século XX, que será proferida pelo ator, dramaturgo e pesquisador Sergio Fonta.

Atenciosamente,

Nelson Mello e Souza

Presidente

Dia: 4 de Março de 2013, às 17h30 min.

Local: Auditório da Academia Carioca de Letras

Rua Teixeira de Freitas, 5, 3º andar – Lapa-RJ

Sérgio Fonta: jornalista, ator, escritor, é biógrafo de Rubens Corrêa… na foto, ao lado da atriz Aracy Cardoso…

Dias Gomes recebe justa Homenagem na ABL

Dramaturgo dos mais importantes, criador de peças e telenovelas inesquecíveis, o baiano DIAS GOMES faria 90 anos neste 19 de outubro

O Convite que este AURORA DE CINEMA recebe vem de Serginho Fonta – escritor, ator, dramaturgo e grande pesquisador da história do Teatro -, e também de Denise Emmer – escritora, compositora, cantora e poetisa carioca, filha do ilustre homenageado e da saudosa escritora Janete Clair.

Dias Gomes, que faleceu prematuramente num acidente de carro em maio de 1999, aos 76 anos, motivado por imperícia do condutor do táxi em que trafegava, faria 90 anos amanhã, mesma data em que o Poeta VINÍCIUS DE MORAES faria 99…

Dias Gomes, sempre inovador: nas novelas, temas que estavam na ordem do dia…

A Associação Brasileira de Imprensa e DeniseEmmer Dias Gomes Gerhardt convidam para a homenagem aos 90 anos de Dias Gomes

Depoimentos ao vivo de atores e escritores

Apresentação da Camerata Dias Gomes 

Mestre de Cerimônia Sérgio Fonta 

Denise Emmer e Sérgio Fonta à frente da oportuna Homenagem a DIAS GOMES…

Sexta, 19 de outubro, 18h

Rua Araújo Porto Alegre, 71/9º andar

Edifício Herbert Moses / ABI  Auditório Oscar Guanabarino

tel: 2282-1292

Entrada Franca

Denise Emmer no colo da mãe Janete Clair, tendo ao lado o pai, o dramaturgo Dias Gomes…

UM POUCO MAIS SOBRE DIAS GOMES, Imortal do TEATRO BRASILEIRO

“Inconformista”. Esse é o adjetivo que o baiano Alfredo de Freitas Dias Gomes (1922-1999), autor de “O Pagador de Promessas”, “O Bem-Amado” e “Roque Santeiro” -peças que viraram novelas- usava com orgulho para falar de sua obra e de si.

“Meu teatro, como tudo que escrevo, é inconformista. Quando você se conforma, não há por que escrever mais. Se você está de acordo com tudo, não há razão para ocupar o tempo de ninguém.”

A declaração dada ao programa “Roda Viva”, em 1995, é uma das que estão no livro “Dias Gomes”, uma compilação de depoimentos organizada por suas filhas Luana e Mayra Dias Gomes, que será lançada na próxima sexta (19/10), quando o dramaturgo completaria 90 anos.

Mayra, Dias Gomes e Luana: as filhas mais novas do autor…

“Montar este livro foi uma maneira que eu e minha irmã encontramos de conhecê-lo melhor”, diz Mayra, filha de Dias com sua segunda mulher, a atriz Bernadeth Lyzio; ela tinha 11 anos (sua irmã Luana, 8) quando o pai morreu, em um acidente numa corrida de táxi em São Paulo.

Segundo Mayra, o autor deixou caixas lotadas de reportagens e textos, incluindo trabalhos inéditos “que provavelmente virão à tona nos próximos anos”.

Paulo Gracindo, Emiliano Queiroz e Lima Duarte protagonizaram a emblemática novela de Dias Gomes, “O Bem Amado”, marco da teledramaturgia…

Criador de uma série de personagens que perduram no imaginário popular com seus trejeitos e bordões -Sinhozinho Malta e Viúva Porcina (de “Roque Santeiro”), Odorico Paraguaçu (de “O Bem-Amado”), Tucão (de “Bandeira 2”) etc.-, Dias, pai da telenovela genuinamente brasileira, era primordialmente um homem de teatro.

Começou a escrever aos 15 anos e foi encenado pela primeira vez aos 19, quando Procópio Ferreira montou “Pé-de-Cabra” (1942), que foi sua primeira obra censurada. Socialista até o fim da vida, filiado ao Partido Comunista, imprimiu à sua produção um tom de crítica política e sátira social que lhe renderia fama e perseguição.

Dias Gomes é autor da obra que deu origem ao filme de Anselmo Duarte ganhador da Palma de Ouro em Cannes, O Pagador de Promessas

Com a decretação do AI-5 em 1968, “ficou impossível exercer qualquer atividade cultural neste país”, o que o levou à TV. “Lá era o único local em que poderia trabalhar para sobreviver”, disse em entrevista presente no livro de suas filhas.

Com sua entrada na Globo, em 1969, colegas comunistas acusaram-no de estar se vendendo. “Houve um certo patrulhamento, mas não de pessoas que eu respeitasse”, disse no “Roda Viva”.

Dias considerou que teve liberdade para criar: “Sempre escrevi sem intervenção nenhuma. Quer dizer, eu podia ser um som dissonante dentro da Globo, como era ‘O Bem-Amado’, que passava alguma crítica ao regime.”

Usou o espaço que teve para revolucionar a teledramaturgia, impondo a temática brasileira e o “realismo crítico” às novelas, quase todas adaptações de suas peças.

Também inaugurou a novela em cores com “O Bem-Amado” (1973), que está sendo relançada em caixa de dez DVDs (R$ 165, Globo Marcas); introduziu ainda o realismo fantástico na TV, com “Saramandaia” (1976), que vai ser refeita pela Globo como sua próxima novela das 23h.

Juca de Oliveira viveu ‘Zelão das Asas”, outro personagem marcante da obra de DIAS GOMES…

Seu aniversário, na próxima sexta, será comemorado em evento na Associação Brasileira de Imprensa, no Rio, organizado por uma de suas filhas com a novelista Janete Clair (1925-1983), a violoncelista Denise Emmer:

“Estou bolando a homenagem há mais de um ano. Acho que meu pai está bastante esquecido, principalmente como homem de teatro.”

Para ela, se seu pai estivesse vivo, “estaria à tarde assistindo ao mensalão na TV”. Inconformista, encontraria material farto no julgamento. “E faria uma paródia da situação política atual, com bastante imaginação.”

DIAS GOMES ORGANIZAÇÃO Luana Dias Gomes e Mayra Dias Gomes EDITORA Azougue QUANTO R$ 29,90 (208 págs.)

* Com informações de MARCO AURÉLIO CANÔNICO

Delícia de Sobremesa: Vida e atuação de Emiliano Queiroz viram espetáculo teatral

Em cartaz no Teatro dos Quatro, no Shopping da Gávea, Rio, o espetáculo Na Sobremesa da Vida cumpriu breve temporada em Fortaleza, e teve casa lotada todas as noites. Por isso, deve voltar à cena cearense em teatro que leva o nome do protagonista da peça, EMILIANO QUEIROZ.

Em 60 de carreira, são mais de 300 personagens em 60 filmes, 50 peças e inúmeras novelas. Emiliano Queiroz é um Mestre: conta a história da própria vida, encenando passagens marcantes, e revivendo personagens que marcaram a história da Dramaturgia Brasileira. E o faz com absoluto domínio da cena. Ao lado dele, Ivone Hoffmann – Patrimônio do nosso Teatro -, Antônio dos Santos e a neta Ana Queiroz compõem um belo quarteto, capaz de fazer rir, emocionar, e receber aplausos em cena aberta, várias vezes.

Julinha Lemmertz foi prestigiar a estreia de Emiliano no Rio…

Essa capacidade singular de EMILIANO de conquistar adesões e cativar seguidores é cada vez mais impressionante. A confirmação disso vem através de um teatro lotado nos 4 dias em que o espetáculo dirigido pelo querido e respeitado encenador Ernesto Piccolo esteve em Fortaleza: plateia lotada, estacionamento abarrotado, cadeiras extras e gente voltando da porta, todas as noites.

Cercado de fãs: foi assim que Emiliano Queiroz ficou ao terminar a temporada de ‘Na Sobremesa da Vida’ em sua terra natal…

Emiliano Queiroz, cearense de Aracati, é uma das figuras mais queridas do Teatro, Tv e Cinema Brasileiros. Já conta mais de 70 de vida e está comemorando no palco seus 60 de carreira artística.

Em cena, o texto é sua própria história, registrada de forma lúdica e poética pela companheira Maria Letícia, cineasta premiada, poetisa e escritora de belas pérolas literárias.

A trajetória de EMILIANO QUEIROZ, na qual vida e obra se entrelaçam -como é corriqueiro entre os Artistas vocacionados, para quem não existe separação entre Vida e Arte -, resultou num dos mais bem escritos e tocantes livros da Coleção APLAUSO – meritório projeto idealizado e coordenado pelo crítico Rubens Ewald Filho para a Imprensa Oficial de São Paulo (infelizmente, encerrado abruptamente, sem qualquer explicação).

Este livro – NA SOBREMESA DA VIDA -, que se inicia com os primeiros passos de Emiliano ainda na cidade litorânea de Aracati, chegou ao cinema, em curta-metragem dirigido por Maria Letícia e exibido em alguns festivais, e agora chega ao teatro, com competente direção do também ator Ernesto Piccolo. Ao lado de Emiliano, a neta Ana Queiroz, o conterrâneo Antônio dos Santos, e a grande Ivone Hoffmann.

Tive a oportunidade de ver o filme e assisti ao espetáculo na temporada de Fortaleza. E posso dizer: Na Sobremesa da Vida é um espetáculo encantador ! Merece ser visto, por atores, não atores, gente da classe, artistas, estudantes de teatro, fãs de Emiliano e gente que quer conhecer, com olhares de poeta, alguns escaninhos onde a vida se mistura com a Arte.

Aurora Miranda Leão, Ivone Hoffmann e Maria Letícia em noite de teatro…

O espetáculo de Emiliano Queiroz, Ernesto Piccolo e Maria Letícia emocionou-me. Como eu, eram muitos sentindo igual na plateia. NA SOBREMESA DA VIDA flui com leveza, humor inteligente, e os gostos próprios de quem se aventura pelas delícias de saborear o que vem depois de um bom prato. Exatamente assim.

Ernesto Piccolo, Ivone Hoffmann, Emiliano, Ana Queiroz e Antônio dos Santos…

Ao lado da alegria por rever um Ator Magnânimo no palco, um Conterrâneo mais que querido, e um artista admirável, Na Sobremesa da Vida marca porque vem embalada em profundo sentido humanitário, temperada com comovente sinceridade, e lapidada com o condão mágico de uma direção que alcança um nível elevado de emoção com simplicidade, coerência, e senso do melhor Teatro.

O diretor Ernesto Piccolo saudado por Cissa Guimarães…

Ernesto Piccolo, do alto de sua profícua e bela trajetória no teatro – dirigindo sempre espetáculos de grande beleza, profundidade e conhecimernto da carpintaria cênica -, consegue transformar a ‘simples contação de história’ da vida de Emiliano Queiroz num espetáculo de teatro eloquente, gostoso de ver, de extrema comunicação com a plateia, engraçado quando assim se faz necessário, e capaz de tocar – com sensibilidade e elegância – em feridas históricas importantes (que marcaram não só a carreira de Emiliano mas a de tantos colegas de Teatro, como é o caso do exemplo de Tônia Carrero, que recebe bela homenagem em cena) de forma nada panfletária e muito convincente.

Desde o início, Emiliano Queiroz cativa por sua capacidade suprema de interpretar, teatralizando a própria vida, passando dos 6 anos à idade atual com tamanha competência que quase chegamos a vê-lo criança querendo ‘convencer’  a mãe do desejo de ser padre, adolescente vendo o cinema até no serviço militar, e contaminado pelo vírus do Ator quando resolve se mandar para São Paulo em busca de aprender o ofício.

É belíssima a cena em que ele vai na boléia de um caminhão para Sampa, momento no qual uma bem arquitetada projeção dá ao público a impressão de viajar junto com o ator em busca do sonho de ganhar as telas. Nesta cena em especial, há momentos hilários e revela-se a fina sintonia entre atores e direção – Emiliano e Antônio dos Santos estão ótimos !

Na Sobremesa da Vida: Ana Queiroz, Emiliano e Antônio dos Santos em cena hilária com primorosa direção de Ernesto Piccolo…

Outra cena incrível é quando Emiliano resolve ir morar numa casa de praia e lá recebe a ‘visita’ de dois colegas hippies… Antônio dos Santos (outro ator cearense) está muito bem, assim como a jovem Ana Queiroz. Aliás, todo o elenco reveza-se em vários papéis, mostrando agilidade e capacidade de incorporar outros personagens. E todos o fazem com muita maestria, o que mais uma vez empresta dividendos à direção de Piccolo e assegura um espetáculo que merece ser visto.

Ana Queiroz e Aurora Miranda Leão embarcando Na Sobremesa da Vida

Bacana também quando Emiliano conta de sua incursão no mundo da televisão, quando a então escritora Glória Magadan o convida para escrever uma telenovela. A cena é engraçada porque engraçada é esta passagem na vida do ator. Mas o mais bacana é saber que a notável novelista Janete Clair tinha por Emiliano uma imensa admiração e carinho, que ele revela com orgulho e retribui destacando a importância da exímia teledramaturga em sua vida e na história da televisão.

Emiliano Queiroz e Maria Letícia: parceria da vida inteira…

Esse modo  de ser de Emiliano Queiroz – generoso, humano, amigo, afetuoso, pleno de gentilezas, e profundamente grato – perpassa todo o espetáculo. E aos méritos dele por cultivar sentimentos tão bonitos e dignificantes, junta-se o mérito da escritora Maria Letícia em conseguir traduzir isso pro papel com firmeza e objetividade, e o talento de Ernesto Piccolo para untar, com um tipo de polvilho que só o bom teatro consegue, as tantas passagens da vida de Emiliano, tornando acessíveis as alquimias que Emiliano Queiroz carrega consigo e que são as grandes responsáveis pelo Ator Magnânimo que o público aplaude e a crítica aprova. Um Ator cujo magnetismo está aí a revelar – mesmo sem o querer – o ser humano especial que é. Daí ser Emiliano Queiroz um semeador de grandes plateias e um encantador de almas.

Meu beijo carinhoso e o APLAUSO sincero e comovido deste AURORA DE CINEMA para Emiliano Queiroz, Ernesto Piccolo, e a querida amiga Maria Letícia !

Emiliano Queiroz recebe abraço de Aurora Miranda Leão no teatro…

Vestido de Noiva, ainda e sempre… Nelson Rodrigues e o Teatro

Peça mais conhecida de Nelson Rodrigues ganha análise do escritor SÉRGIO FONTA

Leandra Leal brilhou na versão Vestido de Noiva de Gabriel Villela, em 2009

A conferência de SÉRGIO FONTA está marcada para o próximo dia 21 de agosto, terça-feira, a partir das 16h, com entrada franca.

Julinha Lemmertz ao lado do escritor Sérgio Fonta, autor de ótima biografia do ator Rubens Corrêa…

A Academia Luso-Brasileira de Letras, através de seu Presidente Francisco dos Santos Amaral Neto convida para Conferência com o ator/diretor e escritor SÉRGIO FONTA – que comanda o programa TRIBO DO TEATRO, toda sexta, às 12:30h, na rádio Roquette Pinto -, que vai comentar a obra de um dos Dramaturgos Brasileiros mais importantes de todos os tempos, o pernambucano NELSON RODRIGUES.

Nelson Rodrigues, um dos dramaturgos mais festejados do país…

A atual montagem de Vestido de Noiva pelo grupo Os Satyros: em cartaz até domingo no Teatro Cacilda Becker (SP). Direção Rodolfo García Vázquez e Helena Ignez como Madame Clecy.

Marília Pera: Madame Clecy na versão cinematográfica de Vestido de Noiva

A obra a ser destrinchada por Sérgio Fonta é a mais popular de Nelson, a emblemática Vestido de Noiva, que ganha sucessivas montagens em todas as partes do país, já tendo também chegado ao cinema e à tela da TV Globo.

Tônia Carrero e Suzana Vieira na versão de Vestido de Noiva para a TV Globo – Programa APLAUSO, 1979…

Considerada marco inicial do moderno teatro brasileiro, encenada pela primeira vez em 1943 com direção do polonês Ziembinski, Vestido de Noiva causa polêmica desde sua primeira montagem. Segundo o professor e crítico Sábato Magaldi, grande estudioso de Teatro, esta faz parte de uma série de peças psicológicas do dramaturgo, com uma linguagem forte que transporta para o palco a profunda angústia presente nos textos do autor, capaz de chocar e emocionar o público há gerações pelo modo cru e abrupto de retratar a realidade velada da classe média carioca.

Uma das montagens de Vestido de Noiva em 1965…

A trama acontece através de ações simultâneas, as quais vão-se desenhando em três planos – realidade, alucinação e memória.

Versão dos Sátyros: Ivam Cabral, Helena Ignez e Cléo De Páris (foto: André Stéfano)

VESTIDO DE NOIVA é a peça que deu início ao processo de modernização do teatro brasileiro

Essa era a segunda peça escrita por Nelson. O autor trabalhava como jornalista, profissão que herdara do pai, e procurava, naquele período, uma fonte de sustento complementar. Seu primeiro trabalho para os palcos, A Mulher sem Pecado, tinha como pretensão conseguir o sucesso obtido por outras produções da época, como A Família Lero-Lero, comédia do cearense Raimundo Magalhães Júnior.

O grupo Os Comediantes na revolucionária versão de Vestido de Noiva, 1943

De acordo com os estudiosos, embora a peça de Nelson fosse obra de valor artístico muito superior a de Magalhães Júnior, ao estrear, em 1942, não obteve a simpatia do público e resultou em fracasso de bilheteria. Um ano depois, Vestido de Noiva iria revolucionar o teatro brasileiro através da lendária montagem sob a direção do polonês Zbigniew Marian Ziembinski, que chegara ao Brasil cerca de dois anos antes. E aqui, pela primeira vez, foi então usado o hoje muito conhecido Método de encenação do russo Stanislavski, através do qual é o próprio ator quem empresta aos personagens suas emoções pessoais para então criar uma outra persona através de sua própria vivência, suas experiências, sua memória afetiva.

Ziembinski deu nova forma ao texto de Nelson. Seu rigor na encenação  com a exigência de ensaios constantes, e a transmissão de novas diretrizes em termos de interpretação elevou a concepção brasileira de teatro a novos níveis.

Yoná Magalhães como Alaíde na versão de Vestido de Noiva, em 1965…

A representação de VESTIDO DE NOIVA, conforme a divisão em 3 planos, desenvolve-se em três atos, cuja relação não é exatamente cronológica, a não ser no plano da realidade, o qual acompanha a degradação do estado de saúde de Alaíde e a aniquilação consequente dos outros dois planos.

A versão dirigida por Gabriel Villela em 2009 com Leandra Leal, Marcello Antony e Vera Zimmermann…

 A palestra de SÉRGIO FONTA intitula-se VESTIDO DE NOIVA: NELSON RODRIGUES EM TRÊS ÂNGULOS DE HISTÓRIA e acontece na próxima terça, com ENTRADA FRANCA.

SERVIÇO

Luciana Braga e Malu Mader em uma das versões de Vestido de Noiva

Conferência VESTIDO DE NOIVA: NELSON RODRIGUES EM TRÊS ÂNGULOS DE HISTÓRIA

Com o escritor SÉRGIO FONTA

ONDE:  Academia Luso-Brasileira de Letras
(Confederação das Academias de Letras do Brasil)

Endereço: rua Teixeira de Freitas, 5 / 3º andar, Lapa , RJ
perto da Estação Metrô/Cinelândia (saída Passeio)

Horário: 16h

ENTRADA FRANCA

Marcello Antony como Pedro e Leandra Leal como Alaíde em montagem dirigida por Gabriel Villela…

A Dramaturgia Brasileira em livro de Sérgio Fonta

 

O esplendor da comédia e o esboço das ideias: dramaturgia brasileira dos anos 1910 a 1930

O ator, escritor, pesquisador e diretor sérgio fonta convida para o lançamento de seu novo livro, quarta, no theatro dulcina, centro do Rio.

O livro, a ser lançado pela Funarte, reúne o melhor da produção teatral carioca do início do século XX: são 10 peças daquele tempo, todas com atualização ortográfica, sinopse de cada texto e biografia de cada autor, além de fotos e mais de 70 notas ao pé de página, delineando uma época e trazendo à tona dez de nossos maiores dramaturgos.

Algumas peças que dormiam nos escaninhos da memória, agora estão prontas para voltar à cena. É um livro para atores, diretores, estudantes, produtores e todos aqueles que amam o teatro.

Sérgio Fonta e a atriz Aracy Cardoso em noite de Teatro…

Como Serginho Fonta, este querido amigo, pesquisador contumaz, ator e escritor de nossos melhores.

VAMOS AO TEATRO e Viva a Dramaturgia Brasileira !