Arquivo da tag: Duca Rachid

Jóia Rara e uma fosforescência especial

Mel Maia protagoniza Jóia Rara com brilhantismo, talento e muito carisma

Temas pulsantes e que devem estar sempre em foco para que sejam removidos do cotidiano ganham espaço e condução acertada na novela de Duca Rachid e Thelma Guedes, que está em seus capítulos finais…

A novela JÓIA RARA – pérola da Teledramaturgia, que está em seus capítulos finais -, deu mais uma demonstração da mentalidade avançada, construtiva e libertária que rege as autoras e sua diretora-mór. Sim, Duca Rachid, Thelma Guedes e Amora Mautner assinam uma obra-prima (num horário ingrato pra se acompanhar, 18h) recheada de citações oportunas, benfazejas e coerentes com a postura humanitária que caracteriza o trabalho dessas três mulheres que tão bem nos representam, e nos orgulham.

Segundo a wikipédia, fosforescência é um caso particular de um fenômeno geral denominado luminescência, sendo um tipo de fotoluminescência relacionado à capacidade que uma espécie química tem de emitir LUZ, mesmo no escuro, devido à sua estrutura eletrônica especial que favorece a absorção de radiação por seus elétrons, os quais passam a irradiar luz vísivel ou radiação de maiores comprimentos de onda.

Assim, o #BlogAuroradeCinema reputa à novela JÓIA RARA o mérito de possuir uma fosforescência teledramatúrgica indubitável, irretocável e iluminadora para o vasto leque de telenovelas brasileiras (notadamente as que são produzidas pela Rede Globo de Televisão), sendo ademais ainda mais digna de APLAUSOS por ser exibida numa faixa de horário (18h) não considerada ‘nobre’ (tendo aqui “nobre” o sentido da telenovela que é exibida quando a maioria  telespectadora já não está mais em horário de trabalho, o que corresponde, atualmente, à faixa das 21h).

As grandes questões que mobilizam o comportamento nacional – a força do amor, a importância do perdão, e a rejeição a toda forma de preconceito – vem embutidas em todas as temáticas que Jóia Rara aborda. Lá estão o trabalho escravo infantil; operários se organizando politicamente para conquistar avanços sociais; o patrão desumano e corruptor; a funcionária submissa; o homem que quer subir na escala social a qualquer preço; os casamentos ‘arranjados’ pelas famílias, sem nem mesmo os noivos se conhecerem; o jovem cheio de preconceitos, ‘malandrinho’ bem nascido e que só pensa em se dar bem; o racismo e sua negação; os danos do machismo; o marido que mantém caso extraconjugal, ignora a esposa como mulher mas a quer como ‘vitrine’ para a vida social aceita pelos cânones vigentes na época; o vislumbre de novos paradigmas sociais para a mulher – mulheres trabalhando fora de casa; a ideia de creches voluntárias; mulheres que não querem casar; mulheres enveredando pela carreira artística; a audiência das novelas radiofônicas, entre tantas outras. E lá também estão temas comuns aos folhetins – o amor capaz de vencer barreiras, um caso de amor não correspondido, um inocente perseguido por um crime que não cometeu, a competição desleal, a maldade, a inveja, o ímpeto da vingança.

Tudo está lá, pensado e escrito pelas autoras Duca Rachid e Thelma Guedes, numa trama aparentemente despretensiosa e sem grandes possibilidades de provocar discussões e/ou reflexões… acredita-se, em geral, que o horário das 18h é para temas ‘bobinhos’, dedicados às crianças e às ‘mulheres q são (‘apenas’) donas de casa’… pois é numa novela das 18h, que tem como principais cabeças pensantes três mulheres, que questões sobremodo relevantes são colocadas de forma plasticamente bela e meritória, e com uma empatia poderosa, alicerçada num conjunto de acertos magníficos que faz de JÓIA RARA um marco da nossa Teledramaturgia.

Amelinha (Bianca Bin) é vítima de tramóia e vai presa injustamente…

Presença de Dja Marthins e José Araújo: atores participam da novela em momento crucial da personagem Sílvia, vivida por Nathália Dill…

Zefinha (Cristiane Amorim) e Pérola (Mel Maia): cilada para complicar a vida de Amelinha (Bianca Bin)…

As vedetes Aurora (Mariana Ximenes) e Lola (Letícia Spiller) disputam primazia na noite do Cabaret Pacheco Leão…

Reconstituição de época, Direção de Arte, Fotografia,  Cenografia, Figurinos, Maquiagem, Trilha sonora e Elenco são Nota DEZZZ e isso faz com que a novela vá deixar uma lacuna difícil de preencher no horário. Como se não bastasse tudo isso, JÓIA RARA ainda incluiu um caso de amor homoafetivo, que veio se somar ao festival de acertos que é a novela feminista de Duca, Thelma e Amora ( além de toda a colossal equipe que colabora com elas, na qual se incluem meu ex-professor, cineasta e roteirista Newton Cannito, e o diretor Ricardo Waddington).

Luíza Valdetaro abraça com talento e beleza uma personagem difícil…

Bi e Franz

Casamento de Amelinha e Franz, um amor recheado de paixão e obstáculos

No capítulo desta sexta, finalmente Aderbal revela seu encantamento por Joel. Tudo tem sido feito com a delicadeza peculiar que cerca a novela, e a abordagem pode até passar despercebida por uma imensa plateia que acompanha as novelas desse horário das 18h. Mas é muito relevante que o tema apareça. E nesse horário. É mais um pioneirismo de JÓIA RARA ! Bastando ressaltar que a novela tem como personagem principal uma criança, simbolizando uma ‘reencarnação’ de Buda (tanto que o primeiro título pensado foi O Pequeno Buda), e esse personagem é interpretado por uma garota – a maravilhosa Mel Maia, que conquistou os espectadores, os colegas, diretores e – cremos nós do #Blog Aurora de Cinema -, toda a equipe de Teledramaturgia da TV Globo, tão impressionantemente dotada de carisma é esta linda atriz-mirim.

Os atores Armando Babaioff e Marcelo Médici são os intérpretes dos dois personagens que vão viver um romance em pleno Rio de Janeiro dos anos 40. E os dois estão ótimos, sendo eles dois de nossos bons Atores ! Parabéns a eles, às autoras e à direção de JÓIA RARA pela inclusão de mais um tema que merece ser abordado em obra tão repleta de acertos e sinalizadora de avanços numa sociedade que começava a desenhar outros caminhos…

Delicadeza e sensibilidade na revelação de um amor homoafetivo: mais um pioneirismo da novela JÓIA RARA

JÓIA RARA: novela é um festival de acertos !

Duca Rachid e Thelma Guedes assinam a melhor das obras dramatúrgicas da TV Brasileira atual: JÓIA RARA configura-se uma auspiciosa reunião de múltiplos talentos

Já comentamos aqui sobre a atual novela das 18h, JÓIA RARA. Mas a novela é tão espetacular que qualquer elogio que se faça, ainda fica a dever à brilhante obra, assinada com maestria por Duca Rachid e Thelma Guedes (as autoras), Amora Mautner, Joana Jabace, José Vilamarim e Ricardo Waddignton (os diretores), e um elenco excepcional, onde avultam grandes solos, lindas atrizes e atores, e um elenco secundário de primeira linha.

Some-se a tudo isso uma trilha sonora magnífica, casando à perfeição com o enredo, uma fotografia fenomenal, uma reconstituição de época de dar água na boca, os conflitos evocados, e a questão de sentimentos universais como o Amor, o Perdão, a Fé, a Esperança, a Solidariedade, a Humildade, e a Maldade no centro da história, ambientada no Rio de Janeiro do final da década de 30 e adentrando todos os anos 40, e você tem uma obra digna dos Melhores Aplausos, de todos os elogios, e de todos os prêmios que hão de vir.

É um luxo ser de um país que produz TELEDRAMATURGIA com a qualidade de JÓIA RARA. Assim como de tantas outras novelas inesquecíveis, como os festejados sucessos de Janete Clair, Dias Gomes, obras de Jorge de Andrade, Bráulio Pedroso, Cassiano Gabus Mendes, e, mais recentemente, A Favorita e Avenida Brasil (!!!), e Lado a Lado (recém-laureada com o EMMY), para citar apenas algumas.

Vou falar hoje de alguns pontos cruciais. Por certo, muita coisa vai-me escapar, involuntariamente, pelo adiantado da hora em que escrevo, depois de um dia cheio de tarefas e contato com amigos e leitores de todo o país. Peço desculpas antecipadas aos profissionais aos quais, por força do cansaço, se me escaparão os nomes. Voltarei outras vezes ao tema pois é um prazer ver, acompanhar e escrever sobre JÓIA RARA.

VAMOS AOS DESTAQUES DA HORA:

MIGUEL RÕMULO – Que primor está a atuação deste ‘garoto’. Com poucos anos de estrada, desde que ele estreou, revelou um carisma fabuloso e a empatia foi imediata. Sou fã de Miguel mas com o personagem atual, Décio  – do filho ‘malandro’ e massacrado pelo pai, um empresário inescrupuloso – ele vem superando todas as expectativas. O ator está casando ritmo, entonação, trejeitos, olhares, esgares com uma interpretação prodigiosa. Um DEZ enorme e um beijo emocionado para Miguel Rômulo.

NATHÁLIA DILL

Como Sílvia, Nathália Dill esbanja talento e deixa a audiência com merecido horror da vilã… Atriz de beleza retumbante e meiguice singular, quem primeiro me chamou a atenção sobre o talento da atriz foi minha amada filha Joyce, desde quando Nathália Dill apareceu na telinha. Ela começou em ‘Malhação’ (a grande escola de atores da Globo) em 2007, e estreou como protagonista em 2009 vivendo Maria Rita na novela Paraíso, a que eu nem assistia, mas, a partir daí, passei a observá-la com atenção. Logo depois, foi Mauro Mendonça (querido e grande ator, de quem tenho a honra de provar da amizade) quem me elogiou Nathália (ele contracenava com ela em Paraíso). E eu mesma estive com ela aqui em Fortaleza há alguns anos num festival de cinema. Nathália, portanto, já tinha feito outros papéis (ela é egressa do teatro) onde seu talento se destacou, mas em JÓIA RARA, vivendo sua primeira vilã, a atriz dá um baile de atuação e é certamente uma das grandes responsáveis pela força dramática da história. Um Aplauso caloroso e cheio de afeto para Nathália Dill.

ANA CECÍLIA COSTA

Atriz baiana que estava há alguns anos afastada da telinha, ela ressurgiu como a sofrida Gaia, lituana moradora de um cortiço no Rio de Janeiro e integrante do partido comunista, onde conhece, se apaixona e casa-se com o belo Toni, personagem de Thiago Lacerda. Gaia é dada como morta por mais de 10 anos e agora, há 2 capítulos, é reencontrada, e uma nova fase começa. A atriz espargiu beleza e carisma na fase posterior à extradição. Agora, com a volta da personagem, ela reaparece com todas as marcas do duro tempo de exílio, sofrimento, clausura, e a atriz vem com o tom certo, a dor lancinante cravada no semblante, o olhar dolorido e, ao mesmo tempo, um sorriso cheio de esperança e amor ao antigo parceiro. Ainda vai ter grandes picos de atuação esta querida Ana Cecília Costa numa série de situações que deverão exigir muito dela, coisa que é um prato cheio pruma atriz do nível de Ana Cecília e com um texto supimpa nas mãos, além de uma direção que sabe o poder que é dar a um Ator a chance de extrapolar seus próprios limites. Que venha o desafio porque a baiana Ana Cecília está pronta para assumi-lo com força, garra e muito talento !

LUIZA VALDETARO

LV

Ela é Hilda Hauser, filha do maléfico Ernest Hauser, e esposa do humanitário Toni (Thiago Lacerda). Atriz que une talento e  beleza (é um dos rostos mais bonitos da trama), Luíza Valdetaro faz um papel difícil – da sofrida filha de um homem que só pensa em ter poder e usa de qualquer artifício pra atingir seus objetivos, carrasco e desamado por todos quanto o conhecem), além de ter o frustrado (até então) desejo de ser uma cantora. O papel de Luíza é intrincado sobretudo porque é sempre muito difícil fazer uma ‘mocinha’ e não cair no descrédito, no pieguismo, no apelo fácil da compaixão. Mas a atriz é mais uma a confirmar que as louras podem ter beleza, talento, vocação, carisma e muita determinação. Tudo isso a Hilda de Luiza Valdetaro transmite através de sua atuação comovida e comovente. PARABÉNSSS !!!

E JÓIA RARA se completa com um naipe de atores 36 quilates, como ANA LÚCIA TORRE, JOSÉ DE ABREU, CARMO DALLA VECCHIA, MARCOS CARUSO, CAIO BLAT, CAROLINA DICKMANN, e DOMINGOS MONTAGNER. Em outro post, falaremos sobre suas atuações. E também sobre as relevantes contribuições no enredo, uma delas do notável roteirista Newton Cannito, de quem já tive a honra de ser aluna.

Sem deixar também de destacar a atuação magistral destes dois gigantes da cena que são BIANCA BINN e BRUNO GAGLIASSO, secundados pela sensacional MEL MAIA, e Letícia Spiller, Mariana Ximenes, Cacau Protásio, Rosi Campos, Nicette Bruno, Leandro Lima, Rafael Cardoso, Pedro Neschling, Fabiula Nascimento, Claudia Ohana, Leopoldo Pacheco, Cláudia Missura, Ângelo Antônio, Marcelo Médici, Norma Blum, Vicentini Gomez, Jorge Maia, Marcelo Aquino, e tantos tantos outros.

Mariana Ximenes e Leandro Lima: casal ganha torcida do espectador…

A trilha sonora é outro ponto de destaque: um DEZ muito grande e especialmente efusivo para quem assina esse rosário de pérolas do cancioneiro nacional, mesclando – com imensa sensibilidade e senso de entrosamento com o cerne emocional da história – músicas de ontem, de hoje, antigas, permanentes e necessárias. De Tim Maia, a Caetano Veloso, passando pela Valsinha de Vinícius, Garoto e Chico, com Marisa Monte, Guilherme Arantes e Elis Regina, a TRILHA SONORA de JÓIA RARA é mais um fator preponderante para o conjunto de acertos magistrais desta novela que, sem dúvida, é o passaporte que faltava para colocar as autoras Duca Rachid e Thelma Guedes no patamar dos autores sagrados das 21 horas.

Duca Rachid e Thelma Guedes: criadoras de obra espetacular da Teledramaturgia Brasileira…

UM DEZ EMOCIONADO para JÓIA RARA, suas excepcionais autoras, e a sensacional equipe de realização desta pérola da teledramaturgia brasileira.

Bruno Gagliasso, Mel Maia e Bianca Binn: trinca responsável pelo maior pique emocional de JÓIA RARA, novela da TV Globo que é orgulho para qualquer pessoa de bom senso !

Jóia Rara e a Arte de Bem Escrever Novelas

Atração das 18h, novela de Duca Rachid e Thelma Guedes é um marco da Teledramaturgia Brasileira

Bruno Gagliasso, Bianca Bin e Mel Maia: o trio principal, foco das maiores emoções…

Não vi a novela anterior delas, mas soube que Cordel Encantado marcou um diferencial importante ! O que mais ouvia dizer é que era Cinema na TV.

Quando se diz isso de uma telenovela, está-se dizendo que tudo na trama é bom, do enredo à ambientação cênica, da pesquisa de cena à direção de arte, do elenco à direção de fotografia… e por aí vai.

Pelo que tenho acompanhado agora em JÓIA RARA dá pra compreender o que diziam sobre Cordel Encantado. De fato, o telespectador tem logo vontade de sair gritando ‘É Cinema, É Cinema !’

Nathália Dill e Carmo Dalla Vecchia: atores tão bonitos quanto vilões malvados e abjetos…

Não sou de acompanhar novelas das 18h: o horário é ingrato porque, em geral, hora na qual se está voltando pra casa, enfrentando trânsito, ou fazendo compras em supermercados ou padarias, pegando filhos em escolas, fechando reuniões de trabalho… mas esforcei-me para ver o primeiro capítulo. Afinal, o marketing realizado pela TV Globo foi espetacular, como sói acontecer quando a emissora vai lançar um novo produto.

Assim, preparei-me pra ver apenas os primeiros capítulos. Mas já lá se vão algumas semanas de JÓIA RARA e é cada vez mais difícil desgrudar da telinha.

Que história linda criaram Duca Rachid e Thelma Guedes ! E que elenco fabuloso ! Bruno Gagliasso e Bianca Bin estão encantadores como protagonistas, o Romeu & Julieta da vez, casal que sofre terríveis agruras e soberbas dificuldades para vivenciar sua linda história de amor. Os atores já tinham mostrado ambos, em tramas anteriores, o quão são extremamente talentosos e vocacionados. Mas agora, como protagonistas de trama tão bem engendrada, ficam mais evidentes as qualidades de suas incríveis interpretações. Afinal, tudo nasce deles, por causa deles ou através deles. Fossem dois protagonistas sem empatia ou de pouco talento, e seria fácil a história resvalar para outros caminhos, ou ficar dando voltas em torno de tramas paralelas.

Bi e MEL

Novela das 18h, Jóia Rara tem ambiência, trama, elenco, direção e tudo o mais que a tornariam uma tremenda história para o nobre horário das 21h. Uma novela que está a merecer todos os melhores aplausos.

Tudo em JÓIA RARA é bom, a começar pela música de abertura, uma balada belíssima de Gilberto Gil que cola no ouvido e nos acompanha como se fosse um mantra – tudo bem encaixado no que se propõe a linha dramatúrgica de Jóia Rara.

Personagens do núcleo pobre e trabalhador, tendo à frente Paula Burlamaqui e Cacau Protássio…

Acredito no poder da PALAVRA como força motriz de qualquer empreendimento humano. Ademais, em se tratando de obra dramática, é óbvia a necessidade de um texto bem escrito… para que seja bem dito, bem incorporado, bem recebido e bem espalhado.

Carolina Dickmann: sofrida e distante da sensualidade glamurosa de outros personagens…

Assim sendo, definindo-se de cara o texto de JÓIA RARA como um trunfo precioso da trama, partamos para o elenco, porque sem atores de envergadura até o melhor dos textos se perde no vazio, no descrédito, e tende a naufragar por inanição.

José de Abreu e Carmo Dalla Vecchia: incorporação da maldade e vilania

Então, citemos alguns ícones preciosos de JÓIA RARA: encabeçados pelo trio já citado – BIANCA BIN, BRUNO GAGLIASSO  e MEL MAIA -, vamos chegar a Carmo Dalla Vecchia – monstro de Ator, consagrado por sua atuação soberba em A Favorita, de João Emanuel Carneiro – que vem arrasando e já é forte candidato a Melhor Coadjuvante, embora seu personagem tenha peso de Protagonista. Que luxooooo é ter Carmo Dalla Vecchia num elenco. Dá gosto ver a atuação do ator, suas expressões, pequenos e essenciais gestos de maldade, já que ele é um dos sórdidos vilões. Ao lado dele, o deplorável Ernest Hauser – vivido com maestria por José de Abreu ! Só de pensar no maléfico personagem já dá arrepio…

E vem Nathália Dill (magnífica em sua primeira vilã), Domingos Montagnier (talento grandioso emprestando vida, emoção e vigor ao líder comunista Mundo), Carolina Dieckmann (revelando todo seu talento na pele de uma mulher sem glamour algum, sofrida, massacrada, densa – a atriz vem dando um Showwww como Iolanda !); Thiago Lacerda e Ricardo Pereira, ambos arrasando como trabalhadores do campo popular – THIAGO teve seu ácme de interpretação até agora com a cena na qual sabe da morte da mulher e do filho – tempo preciso da emoção, gestos e expressões absolutamente coerentes com o que pedia a emocionante cena.

E que alegria ver em cena de novo os magníficos  Ana Lúcia Torre, Luís Gustavo (estava fazendo falta), Nicette Bruno, Rosi Campos, Marcos Caruso… estes, bastam aparecer e já se tem ideia de que ali estão personagens que vão tomar de conta da nossa emoção.

Foi muito bom também acompanhar, mais uma vez, a presença forte e sempre carismática de Prazeres Barbosa em JÓIA RARA. A atriz, grande símbolo do teatro pernambucano, fez uma participação super especial como Djanira – a boa tia nordestina de Amelinha -, que acolheu os sobrinhos (ela e Mundo) e o padrinho (Luiz Gustavo)  em casa… foi a tia quem ajudou no parto da filha de Amélia e Franz, a linda Pérola… e quem deu abrigo a eles quando precisaram fugir da capital… era ela quem fazia o bom café da manhã com cuscuz e quem se despetalava em mil para bem acolher a família… nem isso passou despercebido a Duca e Thelma: a existência de um membro da família vivendo no Nordeste, o colo do sertão abrigando os sangues que correm em veias semelhantes, e uma tia bondosa  e sempre disposta a doar amor… e escolher um ícone como a magnífica Prazeres Barbosa para assumir a tia Djanira foi mais um achado da direção e da produção de elenco.

Praz e Bianca

Bianca Bin e Prazeres Barbosa: sobrinha e tia em Jóia Rara

Só uma ressalva: o talento de Prazeres – nossa Laura Cardoso do Nordeste – bem podia voltar à cena e, quem sabe, reaparecer no Rio de tanta vida florescendo e tantas reviravoltas que ainda estão por vir… há sempre uma tia generosa a quem recorremos em tempos difíceis, e ainda vem muito tempo ruim para Amelinha e Franz… fica a singela sugestão do blog Aurora de Cinema.

Lola 2

Letícia Spiller: a espevitada e serelepe Lola, vedete de Jóia Rara

E tem Letícia Spiller vivendo Lola, principal vedete do Cabaré Pacheco Leão, de propriedade do casal Miquelina e Arlindo, vividos pelos ótimos Rosi Campos e Marcos Caruso. Letícia Spiller empresta à personagem seu talento soberbo e um glamour próprio da época (final dos anos 30), ainda mais realçado por sua beleza a la Marilyn

E tem também Caio Blat, Ana Cecília Costa, Luíza Valdetaro, Cláudia Ohana, Leopoldo Pacheco, Ângelo Antônio, Reginaldo Faria, Paula Burlamaqui, Cacau Protásio, Cláudia Missura, Pedro Neschling, Sílvia Salgado, Vicentini Gomez (ótimo como o delegado venal), Jorge Maya, Suely Franco, Tiago Abravanel, e muitos muitos outros que, ao longo da novela, iremos aqui citar e comentar.

Domingos Montagner, Ana Cecília Costa e Thiago Lacerda: trio comunista encantador…

Amora Mautner, com auxílio luxuoso de Henrique Diaz e mais dois outros diretores, confirma e reafirma sua magistral capacidade de dirigir uma telenovela onde tudo colabora em prol da excelência – assim como aconteceu na inesquecível AVENIDA BRASIL: da Dramaturgia refinada de Duca e Thelma à direção geral de Ricardo Waddington, tudo em JÓIA RARA é um banho de competência, emoção, beleza, sensibilidade.

Marcos Caruso e Rosi Campos fazem os donos do Cabaré Pacheco Leão: magníficos !

Impossível assistir a um só capítulo. Mas se você ainda não começou, se ligue ! Ainda há bastante tempo para você se programar com a TV Globo no horário das 18h e sintonizar essa que é já, sem sombra de dúvida, uma das MELHORES NOVELAS DAS 18h de todos os tempos.

Bianca Bin: Amélia é mais uma chance para evidenciar talento singular …

No enredo de JÓIA RARA um bem desenhado recorte do que foram os primeiros tempos de um país em formação: a lua do bem contra o mal, opressores e oprimidos, pobres e ricos, repressão à mulher e aos que querem viver na Arte e da Arte, a força do dinheiro a corromper e mudar destinos, a vingança tramando sortes, a bondade escapando entre os escombros mas seguindo apesar das pancadas e das rasteiras… tudo isso é ingrediente que sustenta o núcleo principal, colore de força e emoção as cenas mais tocante. mobiliza atenções para a história do país, e configura um painel sonoro-visual-cênico-imagético da mais bela e bem alinhavada tessitura dramática.

Estão em JÓIA RARA a guerra, o nascente comunista e seus líderes tão bem intencionados, as vítimas da opressão, as mulheres desabrochando em beleza e vontade de ousar, a feminilidade reprimida, amores impossíveis, a ternura consistente da espiritualidade, homens vítimas do vício do jogo e da bebida, as pessoas dos subúrbios que pegam bonde e passam dificuldades financeiras, os jovens querendo seguir carreira artística e sendo impedidos pelo pai, o patrão perverso, a mulher que amou e jamais foi correspondida, o filho bastardo, e as vítimas vingativas a tramar maldades estúpidas.

Mas tudo isso já é assunto pra outro post, que em breve voltaremos a redigir.

Acompanhe aqui no blog Aurora de Cinema comentários sobre a novela JÓIA RARA e outras telenovelas da TV Globo.

MEL MAIA: a verdadeira JÓIA RARA, que conquistou o telespectador de todo o país assim que apareceu na telinha como ‘um pequeno Buda’…

E aqui este Blog Aurora de Cinema arrisca-se numa previsão: JÓIA RARA deve ser a última novela das 18h que escrevem Duca e Thelma. Provavelmente, a TV Globo vai convocar as duas experts em Dramaturgia para ingressar no cobiçado, difícil e concorrido horário das 21h. E vai ser mais GOL de placa desta irretocável dupla Duca Rachid e Thelma Guedes.

Thelma Guedes e Duca Rachid: parceria que faz enorme bem à telenovela…

Por tudo isso, PARABÉNS aos criadores e a toda a brava equipe que atua forte e apaixonadamente para fazer de JÓIA RARA o marco televisivo que a novela já é para a extensa lista de grandes obras teledramatúrgicas made in Brasil.

Ricardo Waddington e Amora Mautner: dupla coleciona êxitos da telinha…