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Coleção FILME CULTURA

 

 

 Todos os números históricos da revista Filme Cultura que circularam entre 1966 e 1988 estão finalmente preservados. O Centro Técnico AudiovisualCTAv/SAV/MinC‘ acaba de editar uma coleção com cinco livros de capa dura contendo as 48 edições do período, além de duas revistas especiais, feitas para os festivais de Cannes e Berlim. O projeto é uma iniciativa do Instituto Herbert Levy e tem patrocínio da Petrobras. Além da coleção histórica impressa na edição facsimilar, as quase 4.000 páginas publicadas naquele período já estão disponíveis no setor de periódicos da Biblioteca Nacional em microfilmes e, a partir de hoje, dia 1º de julho, estarão também no site: www.filmecultura.org.br. 

A revista Filme Cultura voltou a circular em 2010 e tem cinco novas edições garantidas neste mesmo projeto. O nº 51 será lançado amanhã, dia 2, na Livraria Cultura do Shopping Bourbon, no mesmo dia da “Edição Fac Similar Revista Filme Cultura”.

Clássicos do cinema brasileiro, como Eles não Usam Black-Tie, são enfocados na Filme Cultura

Em seu período histórico, a Filme Cultura foi editada sucessivamente pelo INCE (Instituto Nacional do Cinema Educativo); pelo INC (Instituto Nacional de Cinema); pela Embrafilme (Empresa Brasileira de Filmes); e pela FCB (Fundação do Cinema Brasileiro). Depois de 19 anos fora de circulação, o CTAv (Centro Técnico Audiovisual) da SAv (Secretaria do Audiovisual) do MinC (Ministério da Cultura), lançou em 2007 o nº 49, Edição Especial comemorativa dos 70 anos do INCE. Em abril de 2010 foi lançado o nº 50 e a revista voltou a circular regularmente com periodicidade trimestral.

Os cinco volumes da coleção fac-similar reproduzem fielmente as edições de 1966 a 1988 de Filme Cultura. Ali, foi feita a crônica do cinema brasileiro e, de importantes aspectos do cinema internacional no período. Em suas páginas, encontram-se textos hoje clássicos de Jean-Claude Bernardet, Sérgio Augusto, Antonio Moniz Vianna, Ismail Xavier, Inácio Araújo, João Luiz Vieira, Rogério Sganzerla e Jairo Ferreira, entre muitos outros. A revista contou com

Ely Azeredo, Flávio Tambellini, David Neves, José Carlos Avellar, Cláudio Bojunga e João Carlos Rodrigues, entre seus editores.

O conteúdo da revista abrangia críticas de filmes, ensaios, pesquisas, entrevistas, perfis, catalogação de diretores brasileiros e internacionais, bem como artigos sobre técnica, produção, mercado, festivais e premiações. Há também um precioso material iconográfico sobre a história do cinema brasileiro, fundamental para cinéfilos, pesquisadores e estudantes. 

A Coleção pode ser encontrada ao preço de R$ 100, nas principais livrarias do Brasil.

Os pontos de venda, válidos também para os números recentes da revista, são divulgados no site: www.filmecultura.org.br

Filme Cultura Nº 51

 A edição nº 51 de Filme Cultura é centrada nos personagens do cinema brasileiro. Como Gustavo Dahl, diretor da revista, destaca no editoriala proposta deste número de Filme Cultura é recontextualizar a questão dentro do cinema brasileiro histórico, moderno ou contemporâneo.’.

Assim, personagens populares, marginais e intelectuais, personagens de documentários e de tramas multiplot receberam a atenção de articulistas do corpo de redatores da revista, bem como de convidados de diversas regiões do país além de distintas inserções no estudo do cinema brasileiro.

Fernanda Montenegro e Selton Mello ganharam matérias especiais pela riqueza de suas galerias de personagens.

A revista traz também as mesmas seções do nº 50, que lançam um olhar às margens do mercado, à história do cinema brasileiro e a disciplinas correlatas à do cinema.

Confira abaixo a lista das matérias da Filme Cultura 51: Editorial por Gustavo Dahl; O filho desviante e a morte do pai’, por João Silvério Trevisan; Quando a narrativa perde o centro’, por Cléber Eduardo; A vida depois do doc, por Carlos Alberto Mattos; Coutinho, o cinema e a gente, por Daniel Caetano; Heróis do real‘, por Carlos Alberto Mattos; Carapiru e Orson Welles: a melhor defesa é o ataque, por Daniel Caetano; Entrevista com Silvio de Abreu’, por Daniel Caetano.

Personagens e tipos do cinema popular, por João Carlos Rodrigues; Intelectuais na linha de frente’, por Luís Alberto Rocha Melo; Margem sem limites, por Cássio Starling Carlos; Zulmira, Romana, Dora… Fernanda, por Ivonete Pinto; Entrevista com Selton Mello; Um filme: Estômago’’, por Fábio Andrade e Rodrigo de Oliveira; Perfil: Walter da Silveira, advogado do cinema‘, por Orlando Senna; Cinemateca de textos: Jean-Claude Bernardet; Outro olhar: Grande sertão: veredas, Avancini em grande estilo‘, por João Carlos Rodrigues; E agora, Laís (Bodanzky)?; E agora, Ivan (Cardoso)?; Lá e cá: O desconhecido cinema de nossos vizinhos argentinos, por Daniel Caetano; Busca avançada: Cinema passageiro, por Carlos Alberto Mattos; Curtas: De/com/sobre/para Helena Ignez’, por Joana Nin; Atualizando: A morte do transfer?’, por Marcelo Cajueiro; Livros: História e economia do cinema e do audiovisual no Brasil: passado, presente e futuro‘, por André Gatti; Peneira digital’, por Carlos Alberto Mattos; ‘Cinemabilia: Simão, o caolho.

Acesse: http://carmattos.wordpress.com / https://twitter.com/carmattos

FILME CULTURA de Volta. VIVA !

A histórica revista Filme Culturauma referência de leitura sobre cinema no Brasil entre 1966 e 1988 -, volta a ser publicada a partir deste mês, com o lançamento da edição nº 50, marcado para a próxima terça, 27, entre as 18h30 e às 21h30, na Casa de Rui Barbosa, em Botafogo.

O novo projeto Filme Cultura consiste, além da revista, no lançamento do website: www.filmecultura.org.br e da coleção histórica em versões fac-símile e microfilmes, esta em convênio com a Biblioteca Nacional’.

A Filme Cultura 50 traz um núcleo temático intitulado Cinema Brasileiro Agora, com artigos e mesa-redonda sobre o estado atual do cinema na Bahia, Ceará, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo, pois como afirma no editorial  Gustavo Dahl, diretor da publicação, ‘Viajar de Norte a Sul pelos ambientes de produção audiovisual que estão gerando novos olhares é uma opção que se impôs, como recomeço de conversa’.

Outros textos abrangem ensaios, críticas além de diversas seções voltadas para aspectos de atualidades, tecnologia, curtas-metragens, resenhas de livros e internet, perfil de personalidades da cultura cinematográfica brasileira, republicação de textos históricos, etc. Além do corpo de redatores fixos da revista, escrevem também críticos e pesquisadores de várias regiões do país.

Em texto de apresentação do nº 50, o ex-secretário do Audiovisual do Minc, Silvio Da-Rin, fala da vocação de fênix da Filme Cultura: ‘Desaparecida, por vicissitudes comuns às iniciativas que vicejam no campo estatal, por várias vezes renasceu, renovada, para cumprir a função que o singelo título sugere, em forma de binômio indissolúvel.’

A Filme Cultura amparada pela força do estado, foi a mais longeva de todas as revistas de cinema já editadas no Brasil. Entre seus articulistas estavam Antônio Moniz Vianna, Carlos Fonseca, Sérgio Augusto, Jean-Claude BernardetIsmail Xavier, Inácio Araújo, João Luiz Vieira, Orlando SennaRogério Sganzerla e Jairo Ferreira.

Carmen Miranda em cena de Alô, Alô Carnaval, grande êxito da CINÉDIA

Seus editores foram Flávio Tambellini, Ely Azeredo, José Carlos Monteiro, David Neves, José Haroldo Pereira, Leandro Tocantins, José Carlos Avellar, João Carlos Rodrigues, Cláudio Bojunga e Paulo Roberto Ferreira.

No endereço www.filmecultura.org.br os internautas poderão encontrar o conteúdo completo da revista, assim como matérias adicionais, íntegra de mesas-redondas e vídeos. O site vai disponibilizar também a coleção histórica completa de Filme Cultura em PDF, página a página e com sistema de busca por palavras-chave.

O site está em construção e entrará no ar em duas etapas – uma com a edição mais recente já na data do lançamento – e outra quando do lançamento da coleção fac-símile, que será simultâneo em papel e internet. No site os visitantes poderão deixar seus comentários, sugerir pautas para a revista e interagir com a equipe de redação.

A publicação será trimestral, podendo ser adquirida em livrarias de referência e na Funarte (Rio). A revista também será distribuída gratuitamente a bibliotecas e instituições culturais do país.

A coleção histórica em fac-símile também estará à venda a partir de julho.

A versão em microfilmes pode ser consultada na sessão de periódicos da Biblioteca Nacional.

Cena de Matou a família e foi ao cinema, clássico de Júlio Bressane

O projeto foi concretizado graças a uma parceria entre o Centro Técnico Audiovisual e o Instituto Herbert Levy, com patrocínio da Petrobras.   

Casa de Rui Barbosa – Rua São Clemente, 134Botafogo Tel.: (21) 32894600

Acesse: http://carmattos.wordpress.com / https://twitter.com/carmattos

 

BODAS DE CINEMA com ELY AZEREDO

 
Com alguma modéstia, Ely Azeredo apresenta-se ao leitor que não o conhece como o crítico de cinema que atuou em diários de circulação nacional pelo mais longo período de tempo no Brasil.  Foram 50 anos de reflexão, divididos especialmente com os do leitores de Tribuna da Imprensa, Jornal do Brasil e O Globo.

Ao lançar, Olhar Crítico (Instituto Moreira Salles, 416 págs., R$ 54), Azeredo oferece uma súmula de sua produção – 98 textos que deixam claro que o tamanho de sua contribuição não se mede apenas pelo tempo de prática, mas pelo que ensina sobre o ofício ao qual dedicou sua carreira.

Azeredo teve atuação notável num dos períodos mais ricos da produção e discussão cinematográfica no Brasil, o da eclosão do Cinema Novo, no final da década de 50. Como se deu na França, com a Nouvelle Vague, o Cinema Novo promoveu a entrada em cena não apenas de uma nova geração de cineastas, mas também de críticos, que apoiaram o movimento com entusiasmo.

De uma geração anterior, em atividade desde o final da década de 40, Azeredo viu com simpatia a onda de renovação provocada pela geração de Glauber Rocha, a ponto de, em 1961, batizar o movimento com o rótulo (Cinema Novo) que ficou para a história, mas logo entrou em atrito com os cineastas e críticos “alinhados”.

 
Os textos de Azeredo sobre filmes do Cinema Novo incluídos na coletânea expõem a luta de um crítico independente, analisando obras no calor da hora e sob pressão dos próprios cineastas e de seus aliados.

Azeredo elogia Barravento e aprecia “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber, embora sublinhe: “Sem ser o maior filme até hoje produzido neste planeta, como querem alguns exagerados”. Gosta de Garrincha, Alegria do Povo e extasia-se com Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade, mas não poupa críticas a “Terra em Transe”, de Glauber, e a Porto das Caixas, de Paulo Cesar Saraceni, entre outros.

Na introdução do livro, Azeredo lembra uma observação do cineasta Cacá Diegues, para quem o Cinema Novo foi, entre outras coisas, “um partido”. Questionado pelo UOL sobre o assunto, o crítico observa que o núcleo central do Cinema Novo, formado por Glauber, Cacá, Joaquim Pedro, Leon Hirszman e Gustavo Dahl, “desejava uma crítica ‘alinhada’ com as diretrizes do movimento”. Conta Azeredo:

“Restrições a qualquer filme cinemanovista eram consideradas ‘alienação’, submissão ao colonialismo cultural etc. Quando me desliguei da ‘militância’ no Cinema Novo e critiquei alguns filmes frustrados, Glauber me pediu pessoalmente que parasse de ‘atacar o Cinema Novo’. Meus artigos na ‘Tribuna da Imprensa’, segundo ele, estariam criando dificuldades para a liberação de empréstimo no Banco Nacional para a produção de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”. Ora, como um crítico pode se pautar pelas expectativas bancárias de produtores?”

Azeredo lembra de outros três problemas que afetaram o trabalho dos críticos de cinema durante o período. Em primeiro lugar, a militância cinemanovista via com restrições a produção de cineastas não alinhados ao movimento, independente da qualidade dela.

“Nunca aceitei tentativas de terrorismo contra os cineastas ‘não cinemanovistas’. Aqui, como ocorreu na França com o grupo (da revista) Cahiers du Cinéma da Nouvelle Vague ao negar aptidão profissional a (Henri-Georges) Clouzot, (Claude) Autant-Lara e outros, houve tentativas de enxovalhar a reputação profissional dos não alinhados”, diz o crítico.

Em segundo lugar, lembra Azeredo, a defesa intransigente do Cinema Novo levou a militância a defender filmes de pouca qualidade. “Alguns ‘novos’ eram louvados pelos cinemanovistas, apesar de sua mediocridade. David Neves era considerado uma espécie de mestre de cerimônias do clã, e era louvado pelos CN, embora jamais tenha realizado um filme de valor”, afirma o crítico. “Só para mencionar um desastre: Neves jogou fora todos os valores de ‘Lucia McCartney’, de Rubem Fonseca, o que causou revolta na atriz protagonista, Adriana Prieto, que se solidarizou com minha crítica.”

Por fim, Azeredo fala do seu espanto com a adesão de críticos já experientes, na época, à defesa do movimento. “Estranhei que críticos de valor, como Alex Viany e Maurício Gomes Leite, tenham ingressado no ‘partido’ CN, perdendo a visão de conjunto da produção nacional. Um intelectual como Paulo Emílio Sales Gomes se tornou um ‘papa’ do novo culto, chegando a roteirizar uma das frustrações da vertente, ‘Capitu’, dirigido por Saraceni”.

Olhar Crítico não se detém no período do Cinema Novo. Estende-se até os primeiros anos do século 21, passando em revista a produção das décadas de 70, 80 e 90, até chegar aos principais títulos da chamada “retomada” do cinema brasileiro.

Fiel a seu mote desde os anos 60 – “promover um novo cinema brasileiro paralelamente a posições críticas independentes” – Azeredo avalia cada filme em função das qualidades e problemas que enxerga na obra em si, e também no contexto de sua época, dos diálogos do autor com os seus predecessores e com seus contemporâneos e do lugar do filme dentro da trajetória do cineasta. Um exercício duro, sujeito a erros e acertos, cumprido com coragem e honestidade pelo crítico.