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Emílio Di Biasi na Coleção Aplauso

 

 

A longa carreira em teatro e televisão deste que é um dos mais atuantes e criativos artistas brasileiros é agora contada em detalhes e fotos no livro Emilio Di Biasi – O tempo e a vida de um aprendiz, escrito pela jornalista Erika Riedel. O lançamento do novo título da Coleção Aplauso é na próxima terça (20), em Sampa

Emilio Di Biasi – O tempo e a vida de um aprendiz

Erika Riedel  Coleção Aplauso / Imprensa Oficial do Estado de São Paulo     620 páginas        R$ 15,00

Poucos artistas nacionais possuem currículo tão extenso quanto Emilio Di Biasi. Somente a cronologia dos trabalhos no teatro e televisão ocupa 10 páginas do livro que conta em detalhes a vida e obra desse ator e diretor que teve o primeiro contato com o teatro de forma inusitada para um menino de sua idade na época: a ópera. E ao contrário do que grande parte das crianças de hoje pensaria sobre esse programa – estamos falando da década de 1940 –, sua expectativa pelo dia era tão grande que ficou até doente na véspera. Filho de italianos, o pai o levou para ver “A Tosca”, de Puccini, no Teatro Municipal de São Paulo. Desde então Emílio nunca mais largou o teatro, mesmo sem lembrar exatamente como foi o espetáculo – desse dia guardou a sensação de encantamento. E é essa história que abre o novo livro da Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, Emílio Di Biasi – O tempo e a vida de um aprendiz, escrito pela jornalista Erika Riedel e com lançamento marcado para terça-feira (20 de julho), às 18h30, na Loja de Artes da Livraria Cultura (Conjunto Nacional – Av. Paulista 1.475).

Sua vida no palco começou durante o curso ginasial em São Paulo, no Colégio São Bento, quando participou de uma opereta depois de passar  por testes. Um pouco mais tarde, trabalhando no Citibank, onde entrou como office-boy, ingressou no grupo de teatro da empresa, “Os Diletantes”, pelo qual encenou diversas peças. Depois atuou em grupos amadores, mas sem a garantia de que conseguiria sobreviver do teatro e temendo a reação do pai pela escolha pelos palcos, prestou concurso para o Banco do Brasil. Passou, começou a trabalhar e, ao mesmo tempo entrou na faculdade de Direito do Largo São Francisco. Porém, mal assistia às aulas, uma vez que era da turma dos boêmios e abandonou o curso no fim do segundo ano. Quando foi chamado por Antonio Abujamra para atuar em uma peça do Teatro Oficina começou a carreira profissional, tentando conciliar com a vida de bancário.

 Na seqüência, Abujamra criou um outro grupo e chamou Emílio para algumas peças, como Sorocaba, Senhor e Terror e Miséria do III Reich e outras. Di Biasi descreve na obra o trabalho que desenvolvia voltado para a conscientização política, especialmente da classe operária e dos estudantes, por meio das peças.  

Em uma das passagens do livro, ele narra o dia em que eclodiu o golpe militar de 1964, quando estava em Porto Alegre para uma estréia. “Fomos para uma praça em frente ao teatro São Pedro ver no que podíamos ajudar, a gente estava disposto até a pegar em armas. Clima de revolução mesmo. Foi um momento fascinante. A gente era revolucionário no teatro e de repente surgiu a oportunidade de ser revolucionário fora do teatro”. Nessa época, ainda era funcionário do Banco do Brasil. Mas após o terceiro pedido de licença não remunerada para excursionar com o grupo, saiu de lá e assumiu a carreira profissional de teatro.

Outro trecho da obra é a viagem de navio para a Europa, para onde foi disposto a passar algum tempo e ter contato com o teatro daquele continente. Para isso, conseguiu uma bolsa do Itamaraty, que embora curta ajudava a pagar algumas despesas. Ficou quase um ano em solo europeu, assistindo a ensaios e fazendo pequenos estágios em produções na Itália, França, Alemanha, Inglaterra. Chegou até a fazer um teste para um filme de Fellini. 

A primeira peça que Di Biasi dirigiu foi Cordélia, espetáculo com Norma Bengell como protagonista e que enfrentou problemas com a censura – em sua narrativa ele descreve também as dificuldades em se fazer e tentar sobreviver de teatro naquela época de repressão política e as “visitas” que os artistas recebiam de homens do DOPS. Apesar disso, fez sucesso em São Paulo e no Rio de Janeiro e, a partir de então, sua carreira de diretor foi em frente.  

Na década de 1980, Emilio chegou à televisão. Sua primeira novela foi na TV Bandeirantes. Ali também fez sua primeira direção, na novela “Os adolescentes”. A ida para a Rede Globo aconteceu em 1988, para ser assistente de direção da novela “Vida Nova”, de Benedito Ruy Barbosa. Mais para a frente tornou-se diretor do Departamento de Recursos Artísticos da emissora. Ao mesmo tempo, dirigia também algumas novelas, como “Renascer”, “Rei do Gado” e “Esperança”, todas em parceria com Luiz Fernando Carvalho e de muito sucesso. Passou também pela Record e Cultura.  

Sua participação no cinema, começando por Filme Demência, de Carlos Reichenbach, também é lembrada no livro.  

Sobre a autora

Paulistana, Erika Riedel começou sua carreira na área econômica do jornal O Estado de S. Paulo, para o qual retornou alguns anos depois e passou pelas áreas de artes plásticas, música clássica e teatro. Atualmente desenvolve seus trabalhos na SP Escola de Teatro e é autora de dois textos teatrais: “Folheto” e “Os sapatos azuis da Poodle Branca ”. É crítica teatral e membro da Associação Paulista de Críticos de Arte desde 2005. Para escrever o livro, teve diversos encontros com Emílio Di Biasi.