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No Varal da Cultura Popular

Coletivo O ESTENDAL apresenta exposição PÉ NA JACA

Todos os excessos possíveis e imaginários estão representados na série Pé na Jaca, do coletivo de fotógrafos O Estendal, que imprime em tecido e pendura num varal as mais diferentes interpretações inspiradas na expressão popular.

Com curadoria de Walter Firmo, a exposição integra o calendário do FotoRio – Encontro Internacional de Fotografia do Rio de Janeiro – e acontece a céu aberto dias 8 e 9, na Praça XV,  e depois parte para dentro da Galeria do Convento, em temporada que se estende até 6 de agosto.

Os momentos de alegria estão retratados tanto no cachorro acabado na sarjeta, em flagrante de Karin Lerner, como no folião que descansa ao lado das alegorias carnavalescas de girafa, de Philippe Machado. A empolgação toma conta dos clicks de Henrique Andrade, Bel Junqueira e Fred Pacífico, que mostram os excessos da noite. No dia seguinte, ainda lamentando a ressaca, temos a água e o remédio de Daniel Chiacos e a mulher esperando o marido com o rolo de macarrão na mão, na visão de Stella Mello.

Walter Firmo, além de curador, expõe a foto do homem bem à vontade na praia e também aparece como modelo de Maya Zalt, num momento de intimidade soterrado por papéis. Participam ainda os fotógrafos Ana Rodrigues, Kelly Lima, Silvio Moréia, Dalton Valério e Guito Moreto. 

Desde agosto de 2010 o Estendal – que significa varal em português arcaico – apresenta exposições em praças, tendo as expressões “Por um Fio”, “Salve-se Quem Puder”, “Diabo a Quatro” e “Pinto no Lixo” como tema. Já passaram por Lisboa, Praça Tiradentes, Espaço Figura, Paraty em Foco, Praça São Salvador, Quinta da Boa Vista, Praia Vermelha, Largo do Machado, Afonso Pena, Edmundo Rego e Complexo do Alemão. “Em plena praça, envolvido por fotografias que balançam ao vento, o diálogo plástico com o mundo extrapola as paredes do museu e vem-se misturar com a vida cotidiana. A cada varal, o diálogo com a população vai ganhado outros contornos e o processo vai-se enriquecendo. O autor se vê confrontado com o insólito e isso enriquece o fazer fotográfico”, analisa Milton Guran, antropólogo e curador do FotoRio. 

O V I S G O D A  J A C A

por Walter Firmo

É tendencioso, mas desacredito numa pessoa que não gosta de jaca. Primeiro porque a jaca é uma dessas frutas cuja configuração desenha-se utópica quanto à forma e conteúdo físico aparente. Veja a figura de uma pêra, uva ou maçã, todas perenes enquanto elegantes, ciosas pelos olhares alheios dos humanos  que parecem dizer: “Essas sim são frutas bonitas e saborosas de verdade…”

O problema da jaca é seu incomensurável tamanho, disforme para alguns, deselegância faustosa caída de uma árvore, aberta e parida de seus bagos, a exalar cheiro e adubo alavancando aromas inconfessáveis de uma tesão nada refreada, seja no paladar, seja no desejo e lembrança de uma vulva.

O “pé na jaca” comove e seduz por isso. Desencontros, desordens, e mais aquele cheirinho às vezes deprimente quanto aliciador. Perdoa-me por me traíres, pero yo te necessito (bem bolerão), na fuerza e razon de vivir. Alguma vez você já pisou numa jaca ? Então pise e sinta calafrios com o pé sujo e visgoso. Se desarrume e seja feliz !

 

SERVIÇO

Exposição PÉ NA JACA

Curadoria: Walter Firmo

Artistas O Estendal: Ana Rodrigues, Daniel Chiacos, Fred Pacífico, Henrique Andrade, Karin Lerner, Kelly Lima, Silvio Moreia e Stella Mello

Artistas convidados: Bel Junqueira, Dalton Valério, Guito Moreto, Maya Zalt e Philippe Machado 

Data: Dias 8 e 9 de julho

Local: Praça XV de Novembro – Rua 1º de março – Centro – RJ

Horário: Sexta e sábado, de 10h às 20h   

Data: De 10 de julho até 6 de agosto 

GRÁTIS

Local: Galeria do Convento – Primeiro de Março, 101 – Centro – RJ

Horário: Segunda a sexta, de 12h às 18h   

Informações: oestendal.wordpress.com