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Francisco Carvalho e um país pródigo em exímios Atores

Se há uma coisa que gosto imenso de fazer é ver Grandes Atores intepretando.

Fernanda Montenegro: consagração que lhe valeu em vida o título de Primeira Dama do Teatro Brasileiro…

Dos mais conhecidos aos menos famosos, dos nordestinos aos gaúchos, passando pelos goianos e os mineiros, que delícia é ver um Ator dando vida a um personagem, uma Atriz ‘sumindo’ para que o personagem apareça, um Ator transformando palavras em gestos e ações, uma Atriz comovendo a plateia… enfim, como é comovente e oxigenante ver um INTÉRPRETE emocionando quem o assiste.

Paulo Gracindo, inesquecível intérprete de personagens memoráveis…

Sou completamente fascinada pelo trabalho do Ator. Daí porque, muito cedo, decidi que o Teatro era o lugar onde eu queria estar, sempre. Mas, por certo, pra quem convivia com aquela garota que mal conseguia dizer duas frases na frente de ‘desconhecidos’, não era fácil acreditar nas minhas palavras. Logo eu que nunca sequer tive coragem de subir ao palco do colégio para interpretar papel algum, enquanto muitos de meus colegas o faziam por achar mais fácil fazer as tarefas de Literatura através da encenação que através de trabalhos onde a gramática e a interpretação do texto seriam o foco principal.

Roberto Birindelli: ator gaúcho consagrado através de criação antológica de obra do dramaturgo italiano Dario Fo, Il Primo Miracolo

Mas eu de fato segui o que profetizava já aos 11 de idade. Enquanto nenhum de meus colegas de escola optou pela profissão artística, eu aos 13 já era aluna de teatro, e aos 15 ou 16 pisei num palco pela primeira vez. De lá pra cá, peças e mais peças, e maior e mais permanecente é meu amor pelo ofício de ATUAR. Seja no Teatro, no Cinema, ou na TV.

Mariana Ximenes e Prazeres Barbosa em cena do filme A Máquina, de João Falcão…

Tudo isso vem a propósito de tantos encontros com tantos atores e atrizes de minha maior Admiração, e de meu constante renovar de emoções através dos inúmeros e inesquecíveis personagens tão bem vividos pelos atores brasileiros. E como temos excelentes ATORES e ATRIZES no Brasil.

Adriana Esteves: uma ATRIZ digna dos Melhores Aplausos…

Isto pra mim é um motivo de imenso ORGULHO. Somos um país verdadeiramente pródigo em INTÉRPRETES Sensacionais, que vão desde aos muito conhecidos pelo grande público – como a magistral Fernanda Montenegro, a estupenda adriana esteves, e o MAGNÂNIMO EMILIANO QUEIROZ, passando pelos inolvidáveis Paulo Autran e Paulo Gracindo -, até os menos conhecidos mas não menos encantadores. Nessa categoria, vou incluir – apenas a título de ilustração – os pernambucanos geniais IRANDHIR SANTOS e PRAZERES BARBOSA – e os gaúchos singulares – ROBERTO BIRINDELLI e PAULO JOSÉ.

Porque há inúmeros outros aos quais este AURORA DE CINEMA aplaude igualmente e com euforia. Não haveria tempo e espaço hábil para apontá-los todos, com imagens e alusão devidas às suas magníficas atuações.

O magistral ator pernambucano Irandhir Santos, que agiganta qualquer papel…

O cearense Emiliano Queiroz: genial criador de tipos inesquecíveis…

E para reafirmar que QUALQUER GRANDE ATOR me comove e eu APLAUDO COM O MESMO ENTUSIASMO, posto abaixo um comentário que fiz em minha página no Facebook a respeito do magistral ator piauiense FRANCISCO CARVALHO.

Para que se consagre de vez o nome, a versatilidade e o talento do notável ator piauiense.

Ele é mais um piauiense que esbanja competência no que faz. A exemplo de João Cláudio Moreno no humor, o ator piauiense FRANCISCO CARVALHO é um dos destaques da novela ‘Salve, Jorge’, que chega ao fim esta semana. O personagem que a autora Glória Perez deu ao ator faz interessante referência ao lendário personagem da vida real do Ceará, o famoso comerciante da cidade de Juazeiro do Norte, ‘Seu Lunga’. O morador de Juazeiro povoa o imaginário popular devido ao temperamento forte e à pouca paciência relatada em diversas anetodas bem populares em terras cearenses.

E o personagem Seu Galdino, exímio conhecedor do ‘invocado’ e verídico Seu Lunga, chega a citar o próprio conterrâneo em suas falas, irritadas, irritantes e tantas vezes preconceituosas, em seu cotidiano lá na Comunidade do Morro do Alemão.

Francisco Carvalho: ator é referência piauiense no cenário artístico nacional…

Pois nós, cearenses, devíamos estar todos muito contentes e honrados com a interessante homenagem de Glória Perez para um ícone popular da cultura do Ceará. Ainda mais, quando coube ao grande ator Francisco Carvalho interpretá-lo, emprestando veracidade, emoção, e profundo domínio na criação do típico personagem do cariri cearense.

FRANCISCO CARVALHO compôs com tão notória competência o Seu Galdino que o personagem virou um dos trunfos do núcleo onde atua. O ator piauiense fez um mergulho no universo do Seu Lunga só possível quando se sabe estar diante de Grandes Interpretações.

Todos os sotaques, gestos, expressões e ranzinzices possíveis e necessárias ao cearense que abomina ‘pergunta abestada’ estão na exímia interpretação de FRANCISCO CARVALHO, tornando bonita, honrosa e merecida a bela homenagem da autora Glória Perez ao Ceará e ao Nordeste.

O verdadeiro ‘Seu Lunga’ e o ator Francisco Carvalho, que interpretou personagem inspirado no lendário cearense…

Através do ‘Seu Galdino’, Glória Perez introduziu o típico nordestino que deixa seu torrão para tentar a vida na Cidade Maravilhosa, e – como é mais facilmente observável -, são os cearenses que parecem ‘estar em toda parte do mundo’.  Assim, com o irritado e, ao mesmo tempo, hilário, Seu Galdino, Glória Perez nos concedeu uma chance extra para aplaudir o talento, a versatilidade, e a extrema capacidade de bem interpretar do ator Francisco Carvalho, um piauiense da maior responsa, como meus diletos amigos João Cláudio Moreno (o fenomeal humorista) e Lília Moema Santana (a grande fotógrafo que adotou o Ceará como morada). 

Parabéns a Glória Perez pela ótima maneira encontrada de homenagear o Ceará e os nordestinos ! E vida longa ao sensacional intérprete de Seu Galdino, o ator FRANCISCO CARVALHO, para quem deixamos um carinhoso APLAUSO AURORA DE CINEMA.

UM POUCO MAIS SOBRE FRANCISCO CARVALHO

Francisco Carvalho tem uma extensa carreira no teatro, cinema e TV. Participou de novelas e minisséries da TV Globo, entre estas, História de Amor, Agosto, Memorial de Maria Moura, Engraçadinha, Presença de Anita, Som & Fúria, Amazônia, e nas novelas O Rei do Gado, Malhação, Terra Nostra, Torre de Babel, Sassaricando, Vereda Tropical, e Alma Gêmea.

Francisco Carvalho como pescador no filme ”Espelho D’Água”…

No teatro, atuou em dezenas de peças, dentre as quais: “Viagem ao Centro da Terra” – Direção: Ricardo Karman; “A Hora e vez de Augusto Matraga”; “Macunaíma” – Direção: Antunes Filho; “O Santo e a Porca”; “A Grande Viagem de Merlim”; “A Ilha do Tesouro”.   E na filmografia do ator estão, entre outros, os filmes Canta Maria, Espelho D’Água, e Boleiros, o premiado filme de Ugo Giorgetti.

Francisco Carvalho em cena de Espelho D’Água –  Uma Viagem no Rio São Francisco, filme de Marcus Vinícius Cesar…

Fco e amigos

Francisco Carvalho entre os colegas de ‘Salve,Jorge’: Walter Breda e Nando Cunha…

Guerra dos Sexos: ‘farsa’ envolvente e cheia de grandes atuações

Novela de Sílvio de Abreu tem grandes atuações e momentos hilários

A novela Guerra dos Sexos, atração das 19h na telinha da Globo, demorou pra engatar, mas há meses vem tendo boa audiência. Agora, nesta reta final – termina dia 27 -, vem tendo grandiosos momentos de atuação, direção, dramaturgia.

A novela assume claramente o gênero farsesco, e talvez o não entendimento do gênero tão logo a novela começou, seja o motivo para a baixa aceitação da trama no início. A ‘farsa’ vem anunciada desde a abertura da novela, na qual ‘as cartas são logo colocadas na mesa’ com animações evidenciadoras do jogo entre o gato e o rato, o gato e o cachorro, como clássicos exemplares da guerra entre os gêneros. Acresce-se ainda nesta releitura da obra de 1983 a bela homenagem do autor aos primeiros protagonistas da trama, Fernanda Montenegro e Paulo Autran, presentes no cenário principal em quadros com as imagens dos personagens Charlot e Otávio (cujos olhos se movimentam), mais um ícone reafirmador do assumido estilo farsesco.

Em post anterior, falamos aqui em alguns ‘trunfos’ da obra, citando a atuação de Tony Ramos, Drica Moraes e Marianna Armellini como grandes DESTAQUES.

E de fato, estes três atores, cada um de forma exponencial, criaram e desenvolveram personagens com competência, maneiras de ser e estar muito peculiares, e inegável talento. E, sobretudo agora, quando o desfecho se aproxima, é preciso reiterar a vontade de ‘Tirar o Chapéu’ para estes três atores – Tony, Drica e Marianna -, os quais assinam com maestria as cenas mais eloquentes da bem armada trama de Silvio de Abreu.

Como ‘Nieta’, Drica Moraes irradia vocação num dos melhores papéis da carreira…

Ao lado de Fernando Eiras, Drica Moraes responde por cenas irretocáveis…

Tony Ramos e Drica Moraes já eram bem conhecidos do público e da crítica, todos sabemos de suas atuações memoráveis, mas isso não os faz menos merecedores de comentários elogiosos e aplausos calorosos. Tony exacerba dna capacidade de atuar com extrema competência, e Drica Moraes assumiu a personagem ‘Nieta” como um desafio, criando uma das melhores coisas da trama e um dos mais relevantes papéis de sua carreira.

O linguajar típico da moradora de subúrbio paulista, iletrada e tosca, e a junção disso com sutilezas de trejeitos, falas e achaques que a atriz emprestou à personagem fazem da sua Nieta um trunfo de Guerra dos Sexos e um dos melhores papéis de sua carreira tão pródiga em grandes trabalhos, sobretudo no teatro e cinema.

Marianna Armellini: a ‘Frô’ cheia de caras e bocas, fofocas e paixão recolhida…

Ao lado deles, esta atriz, Marianna Armellini, quase iniciante, jovem, cheia de vocação e sutilezas de intérprete, torna-se uma grata surpresa da novela, inserindo-a já como um dos grandes DESTAQUES da telinha neste 2013.

Johnny Massaro e Marianna Armellini: os atrapalhados Kiko e Frô em Guerra dos Sexos

É sensacionallllll a ‘Frô’ criada por Marianna Armellini. A atriz afirma um talento raro e salutar para a comédia, sendo egressa da ECA (uam das mais respeitadas escolas de Dramaturgia do país, ligada à USP) e, portanto, tendo passado por grandes construções drampaticas também. O que só confirma que os grandes atores da Comédia alcançam esse estágio depois de muito exercitar-se nos pântanos da Tragédia. É lá, sobremodo, que aprendem a destrinchar os meandros da condição humana, onde tem mais e maiores oportunidades de depurar a sensibilidade em exercícios de introspecção e mergulho fundo nas dores humanas, e de lá, emergem então com força de ciclone para os intrincados e sutis caminhos da comédia.

Marianna Armellini é um exemplo típico disso. A ela, a esta Atriz que muito ainda vai nos deliciar com a força de seu carisma e a competência de sua capacidade interpretativa, o carinhoso Aplauso AURORA DE CINEMA.

Nesse mesmo viés, queremos ressaltar a atuação altamente sensível e convincente de Reynaldo Gianechinni. É impressionante como tem vocação e talento este Ator. Muitas vezes ‘atrapalhado’ por sua beleza física, que por vezes deixou e deixa muita gente sem prestar atenção no quanto é intensa, eloquente e sensível sua interpretação, Giannechini fez do papel de Nando outro destaque de Guerra dos Sexos e, sobretudo, um destaque em sua lista de personagens.

Mariana Ximenes e Gianecchini: o amor atrapalhado e cheio de paixão de Juliana e Nando…

Quem primeiro me chamou a atenção para o talento e versatilidade de Gianny foi Aderbal Freire-Filho, ator/dramaturgo e consagradíssimo diretor de Teatro e encenador, de quem tenho a honra de ser conterrânea, e a alegria de ser amiga e ex-aluna. Lembro que, em conversa com Aderbal há alguns anos, ele me falava do quanto se impressionara com Gianny, a quem ele foi dirigir atendendo a convite da jornalista Marília Gabriela. A partir daí, Gianny passou a ser pra mim um Ator em quem deveria prestar atenção com cuidado e olhar dedicado.

Reynaldo Gianecchini em grande momento como ‘Nando” de Guerra dos Sexos…

Pois quando vejo agora o que Gianny vem alcançando em empatia, força e imenso poder de persuasão com sua refinada criação para o caipira Nando só me lembro do quanto é sábio Aderbal Freire-Filho e o quanto Gianecchini é, de fato, um Ator digno de nossa melhor atenção, nosso maior carinho e mais veemente aplauso. Que grande Alegriaaaaaaaa é acompanhar as inocências, trapalhadas e sem jeitices de Nando ! Quanta verdade Gianny soube emprestar ao personagem, tornando-o crível num piscar de olhos e respondendo por algumas das mais marcantes e hilárias cenas da gostosa trama de Sílvio de Abreu.

Mas nenhuma obra de arte dramatúrgica se faz só: se o conjunto dos trabalhadores envolvidos não for inteiramente competente e dedicado, a obra não vai funcionar como um TODO – harmônico, bem absorvível, verossímil, e no qual se mergulha com vontade, entrega e assinando o pacto implícito, proposto pela ficção.

Assim, cabe afirmar: os méritos de Guerra dos Sexos – e são muitos – cabem a uma trama bem forjada, repleta de qualidades, amparada numa equipe técnica primorosa e num elenco afinado, coeso, e repleto de excelentes intérpretes, os quais dignificam e dão respaldo à obra aberta de tão difícil consecução e tão pouco olhar sem preconceito e análise séria por parte da crítica.

Irene Ravache, Glória Pires, Edson Celulari, Marilu Bueno, Eriberto Leão, Fernando Eiras, Bianca Bin, Luana Piovanni, Mariana Ximenes, Daniel Boaventura, Johnny Massaro e Débora Olivieri são os principais alicerces da atuação em Guerra dos Sexos. Todos eles estão ótimos em seus papéis. E como é gostoso observar a maestria com que atores criam seus personagens – dos mais ‘bobos’ aos mais ‘compenetrados’ ! Como é bom deliciar-se vendo o trabalho competente desta turma que faz Guerra dos Sexos ! E, ademais, como é lindo ver um trabalho com o vigor, a acuidade e a alquimia que conseguimos constatar ao assistir à Guerra dos Sexos.

Nesta reta final, vale destacar a impressionante capacidade interpretativa de Tony Ramos. Tendo de assumir ‘dois’ papéis de uma hora pra outra – saudável ousadia da trama que Tony agarrou com unhas e dentes -, ao mesmo tempo fazendo um brasileiro arrogante, chato, mandão, e um português agradável, refinado, bonachão, o ator vem fazendo boas ‘misérias’ na telinha, e arranca dúvidas até de quem acompanha a trama.

Tony está num momento absoluto de magistral criação, vivenciando lances impagáveis e extrapolando em sua condição de Ator Magnífico, cuja excelência já é tão conhecida de todos.

Tony Ramos como o português Dominguinhos em ‘Guerra dos Sexos’…

Dá gosto ver o ator em cena, cheio de caras e bocas (como exige a ‘farsa’ em que está inserida a trama), trejeitos e achaques impecáveis, que ele compõe com invejável talento, escancarando competência e demonstrando enorme prazer no que está fazendo.

É bom demais acompanhar os apuros e controvérsias em que se metem os personagens dos primos Otávio e Dominguinhos, grande sacada desta trama que vai se afirmar – mesmo tendo demorado a emplacar – como uma das mais criativas e bem realizadas do horário das 19h.

‘Guerra dos Sexos’ vai deixar saudades…

Por tudo isso, um grande VIVA ! à equipe criadora da novela, Parabéns ao autor Sílvio de Abreu, ao diretor Jorge Fernando (!), e um enorme e caloroso APLAUSO AURORA DE CINEMA para este elenco formidável que vem possibilitando intensos momentos de boa diversão diante da telinha, em horário sempre difícil de emplacar.

Jorge Fernando e Tony Ramos: diretor e protagonista em parceria perfeita…

PARA ENTENDER MELHOR A FARSA:

O gênero dramático FARSA caracteriza-se por seus personagens e situações caricatas. Distingue-se da comédia e da sátira por não preocupar-se com a verossimilhança nem pretender o questionamento de valores. Busca apenas o humor e, para isso, vale-se de todos os recursos: assuntos introduzidos rapidamente, evitando-se qualquer interrupção no fio da ação ou análises psicológicas mais profundas; ações exageradas e situações inverossímeis.Recorre a estereótipos (a alcoviteira, o amante, o pai feroz, a donzela ingênua) ou situações conhecidas (o amante no armário, gêmeos trocados, reconhecimentos inesperados).

A estrutura e a trama farsesca baseiam-se em situações nas quais as personagens se comportam de maneira extravagante, ainda que possam manter no geral uma cota de credibilidade.

Misto de comédia e crítica social dos comportamentos desviantes, o gênero FARSA surgiu em meados do Século XII com o Teatro Medieval e ainda hoje destaca-se como gênero literário muito usual na literatura popular universal. O objetivo sempre foi arrancar gargalhadas do público.

Edson Celulari, Glória Pires, Sílvio de Abreu, Mariana Ximenes, Tony Ramos, Irene Ravache, Gianecchini e Jorge Fernando…

Millôr Fernandes, inteligência e humor que farão falta

O reverenciado escritor carioca MILLÔR FERNANDES, autor das melhores traduções já encenadas pelo Teatro Brasileiro, além de portador de uma das inteligências mais refinadas e bem humoradas do país, faleceu ontem às 21h em sua casa, no bairro de Ipanema. Segundo Ivan Fernandes, filho do escritor, ele teve falência múltipla dos órgãos e parada cardíaca. Millôr tinha ainda a filha Paula, e um neto, Gabriel. Ele foi casado com Wanda Rubino Fernandes. De acordo com sua certidão, ele nasceu em 27 de maio de 1924, mas o escritor afirmava que a data correta era 16 de agosto do ano anterior.

Segundo a família, o velório está marcado para esta quinta (29), das 10h às 15h, no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju,  Zona Portuária do Rio. Em seguida, o corpo será cremado em cerimônia só para a família.

Em 2011, o escritor chegou a ser internado duas vezes na Casa de Saúde São José, no Humaitá, Zona Sul. Na época, a assessoria do hospital não detalhou o motivo da internação a pedido da família.

Nascido no bairro do Méier, Millôr sempre fez piada em relação ao seu registro de nascimento. Costumava brincar que percebeu somente aos 17 anos que o seu nome havia sido escrito errado na certidão: onde deveria estar Milton, leu “Millôr” (o corte da letra “t” confundia-se com um acento circunflexo, e o “n” com um “r”). Seja como for, gostou do novo nome e o adotaria a partir de então. “Milton nunca foi uma boa escolha”, comentaria anos mais tarde, durante uma entrevista. A data de nascimento também não estaria correta: em vez de 27 de maio de 1924, ele teria nascido em 16 de agosto do ano anterior.

 

Desenhista, tradutor, jornalista, roteirista de cinema e dramaturgo, Millôr foi um raro artista que obteve grande sucesso, de crítica e público, em todas as áreas nas quais enveredou. Ele, que se autodefinia um “escritor sem estilo”, começou no jornalismo em 1938, aos 15 anos, como contínuo e repaginador de “O Cruzeiro”, então uma pequena revista. Ele retornou à publicação em 1943, ao lado de Frederico Chateaubriand e a tornou um sucesso comercial. Lá, criou a famosa coluna Pif-Paf, que também teria desenhos seus.

Em 1948, viajou para os Estados Unidos e conheceu Walt Disney. “Nessa época eu ainda acreditava que Disney sabia desenhar. Só mais tarde, lendo sua biografia, aprendi que até aquela assinatura bacana com que ele autentica os desenhos é criação da equipe”, provoca, na autobiografia que escreveu em seu site. No ano seguinte, Millôr assinou seu primeiro roteiro cinematográfico, Modelo 19, e já foi logo agraciado com o Prêmio Governador do Estado de São Paulo, criado na década seguinte.

O início dos anos 50 seria importante na vida do autor, tanto pessoal quanto profissionalmente. Na companhia do também escritor Fernando Sabino, fez uma viagem de carro pelo Brasil, com duração de 45 dias. Em 1952, seria a vez da Europa, por onde permaneceria quatro meses. Um ano depois, veria a estreia de sua primeira peça de teatro, Uma mulher em três atos, no Teatro Brasileiro de Comédia, em São Paulo.

 E foi no teatro, como dramaturgo, que Millôr mais colecionou prêmios. Como em ”Um elefante no caos”, em 1960. Anos depois, diria em seu site: “Foi transformada num excelente espetáculo pela genial direção de João Bittencourt. Uma das poucas vezes que um diretor melhorou um trabalho meu”.

Também no teatro foi um tradutor prolífico e importante. Clássicos como “Rei Lear”, de William Shakespeare, a moderna As lágrimas Amargas de Petra von Kant, de Fassbinder, ou o musical Chorus Line, de James Kirkwood e Nicholas Dante, chegaram aos palcos brasileiros através de suas mãos. “Ao traduzir é preciso ter todo o rigor e nenhum respeito pelo original”, diria em uma entrevista.

Um dos mais fortes e inesquecíveis papéis de Fernanda Montenegro: Petra von Kant, nascida de tradução impecável de Millôr Fernandes,,,

Roteirista
Como roteirista, escreveu mais de uma dezena de textos, dentre eles o longa Terra estrangeira, e “Memórias de um sargento de milícias”, adaptação da obra de José Manuel de Macedo produzida pela Rede Globo de Televisão. Também roterizou espetáculos musicais, como o musical Liberdade liberdade, escrito em parceria com Flávio Rangel, e “Do fundo do azul do mundo”, ao lado de Elizeth Cardoso e do Zimbo Trio.

Marco do Cinema Brasileiro, TERRA ESTRANGEIRA tem roteiro assinado por Millôr…

Recebeu uma homenagem durante o carnaval carioca de 1983, quando foi samba-enredo da Escola de Samba Acadêmicos do Sossego, de Niterói (RJ), e lá esteve para participar do desfile.

Fernanda Montenegro mantinha com Millôr Fernandes uma amizade de muitas décadas e intensa cumplicidade: o escritor assina alguns dos principais textos que Fernanda levou ao palco…

Dentre os veículos de imprensa, colaborou ainda com artigos e crônicas nos jornais O Correio Brasiliense, Jornal do Brasil, O Estado de São Paulo, O Diário Popular, Correio da Manhã, O Dia, Folha da Manhã e Diário da Noite. Para internet, criou o site Millôr Online, sobre o qual diria posteriormente: “Se eu soubesse o que atrai tanta gente, nunca mais faria de novo”.

E, como bom roteirista, ainda escreveria sobre a própria vida: “Meu destino não passa pelo poder, pela religião, por qualquer dessas entidades idiotas. Meu script é original, fui eu quem fez. Por isso não morro no fim”.

Seu perfil no Twitter já contava com mais de 285 mil seguidores.

* O AURORA DE CINEMA agradece a Millôr Fernandes pelo tanto que nos trouxe de alegria, reflexão, sensibilidade e inteligência, e pede a Deus que o acolha em PAZ…

Nesta hora, dói saber que não ficou nenhum registro em Documentário sobre este Grande Brasileiro que nos deixou um legado vigoroso, importante e necessário. Até quando nossos geniais Artistas, Escritores, Músicos, homens das Letras e das Artes vão passar para a outra Dimensão sem que se lembre de reverenciá-los devidamente, em forma de registro para as novas gerações ?

Curta traz FERNANDA MONTENEGRO como prostituta

A Dama do Estácio é dirigido por Eduardo Ades

Fernanda Montenegro durante gravação do curta-metragem "A Dama do Estacio" na Lapa, Rio de JaneiroFernanda Montenegro durante gravação na Lapa, Rio (Roberto Filho/AgNews)

A atriz Fernanda Montenegro será uma prostituta no curta-metragem A Dama do Estácio, de Eduardo Ades, rodado na madrugada desta quarta no bairro boêmio da Lapa, no Rio . Nos intervalos das gravações, a atriz aguardava sua vez de voltar à cena dentro de um carro da produção.

Fernanda Montenegro é uma prostituta em curta-metragem (620)Fernanda Montenegro é uma prostituta em curta-metragem

La PIRES é a GLÓRIA !

 

Uma fonte inesgotável de talento, Gloria Pires nos surpreende a cada novo papel. Basta ligar o seu televisor no horário nobre global para se deparar com um show de interpretação da atriz. Na pele da vilã Norma, ela promete uma memorável interpretação, assim como na famosa novela “Vale Tudo”, na qual ela deu vida a Maria de Fátima. Se você é fã, admirador ou curioso pela trajetória de Gloria Pires, não perca a chance de ler a biografia dos 40 anos de Glória na teledramaturgia.

Ela é uma das atrizes brasileiras mais bem sucedidas de todos os tempos. O seu currículo é de dar inveja a qualquer profissional. Foram 21 novelas, 13 filmes, duas minisséries e diversos programas especiais em 40 anos de carreira. Seu nome é sinônimo de sucesso.  

Em uma simples consulta no Google, Gloria Pires aparece em mais de um milhão de citações. A atriz está à frente de todas as grandes estrelas da tevê nacional. “O tempo não apaga da lembrança dos fãs a maquiavélica Maria Fátima, na telenovela “Vale Tudo”, ou as inesquecíveis irmãs gêmeas Ruth e Raquel, de” Mulheres de Areia” .  

Para coroar essa brilhante carreira, a Geração Editorial lançou em 2010 “40 anos de Gloria”, (346 páginas, R$ 39,90, com mais de 100 fotografias coloridas e em preto-e-branco), a história da longa e vitoriosa carreira de uma atriz ainda jovem, mas com 40 anos de atuações marcantes e cenas antológicas. Embora trate da vida de Gloria, o livro não é propriamente uma biografia, mas a história de sua carreira na televisão e no cinema.

Os autores Eduardo Nassife e Fábio Fabrício Fabretti desvendam a trajetória de Gloria desde a sua estreia em 1969, aos quatro anos de idade, até o período que viveu em Paris com a família, em paz e longe dos holofotes.

Na obra há detalhes da vida de atriz, de mãe, de esposa, da celebridade, inclusive da cantora (sim, Gloria canta) com relatos em primeira pessoa de Gloria Pires sobre todos os grandes acontecimentos da sua carreira e do dia-a-dia de uma mãe de quatro filhos. Os depoimentos são em ordem cronológica e reveladores.  

O livro – uma edição de luxo a preço quase popular, apenas R$ 39,90 – foi impresso em tamanho 21 x 23 centímetros e papel especial, com mais de 100 imagens resgatadas de álbuns de família, arquivos pessoais, divulgação e mais um ensaio exclusivo realizado pelo reconhecido fotógrafo Marcelo Faustini. A capa foi um presente do designer Giovanni Bianco, que também trabalha para Madonna e é um dos maiores designers de moda do planeta, com escritório em Nova York.


Capítulos de uma vida que mais lembra um filme 

Entre os 25 capítulos, há histórias sobre a gravidez de risco da mãe da atriz, o início precoce da carreira de Gloria aos quatro anos, o trabalho com o pai, o talentoso ator Antonio Carlos Pires, as primeiras participações em programas humorísticos, uma reprovação traumatizante, os primeiros papéis de repercussão, como Marisa, em “Danci’n Days” e Zuca em “Cabocla”, a convivência com os amigos mais velhos, como Lauro Corona e Daniel Filho, os nascimentos dos seus quatro filhos e a interrupção de duas gestações precocemente.

O livro contém curiosidades, como os dois convites feitos pela revista Playboy, para posar nua, as cirurgias dentárias reparadoras, a tatuagem no pé, além dos frequentes problemas de saúde ao longo da sua premiada carreira.  

Os autores abordam o rigoroso profissionalismo da atriz e sua obsessão com a disciplina nas preparações para viver seus personagens. Exemplo: para viver a heroína Maria Moura, na minissérie “Memorial de Maria Moura”, em 1994, Gloria Pires fez aulas de equitação, tiro e até curso básico de sobrevivência na selva. “Maria Moura trouxe uma mulher poderosa dentro de mim”, conta. Para interpretar com maior riqueza de detalhes a heroína, durante um treinamento de tiro, a atriz quase se machucou quando atirou com uma espingarda calibre 12. 

Nas páginas também há relatos emocionantes e sinceros sobre com a convivência com as atores mais velhos como Lauro Corona, seu grande amigo e Daniel Filho, que a reprovou em um teste para quando ainda era garota.  


No set de filmagem 

Gloria esteve presente nos filmes de maiores públicos e de reconhecimento internacional desde a retomada no cinema nacional, como nos papéis de Helena e Claudio, em “Se Eu Fosse Você 1 e 2”, além de fazer parte do elenco de “O Quatrilho”, que levou um longa-metragem brasileiro a concorrer ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 1995, depois de um jejum de 33 anos. Além de estrelar a mãe do presidente Lula, Dona Lindu, em “Lula, O Filho do Brasil” neste ano e participou de outras 10 produções nacionais. Ela quase interpretou a pintora mexicana Frida Khrlo, em uma produção estrangeira. 

Recebendo o troféu Candango no Festival de Brasília…


DEPOIMENTOS  

Na parte final da obra, diretores, atores, atrizes e familiares deixam um recado para Gloria Pires. Entre eles estão Stephan Nercessian, Daniel Filho, Cléo Pires, Joanna Fomm, Reginaldo Faria, Rogéria, Arlete Salles, Malu Mader, Regina Duarte, Denis Carvalho, Orlando Morais e Aguinaldo Silva. Confira alguns trechos: 

Em “A Partilha”, tinha pouco dinheiro para o filme e todo mundo sabia disso. Meu prazo era curto e a Gloria passando mal com a gravidez. As pessoas falavam para substituí-la. Respondia que não faria isso de jeito nenhum. Sem ela, não teria filme. Resolvi dar uma parada e banquei tudo até ela melhorar”, Daniel Filho 

“Ela tem uns recursos espontâneos, naturais, que eu admiro demais numa atriz. Era difícil contracenar com ela. Levava aquela frieza da Maria de Fátima às últimas consequências, com muita propriedade e talento”, Regina Duarte 

“Adoro escrever para a Glorinha porque ela encaixa o tom do personagem como realmente queremos.”, Aguinaldo Silva 

“Tenho grande admiração por Gloria. Fui muito amiga do pai dela. Trabalhamos juntos em rádios e tevês. Ele só podia fazer uma filha como Gloria Pires. Ela é uma atriz inteira, quente, aglutinadora. Ela sempre se põe no jogo da comunicação humana e se entrega de uma forma simples e delicada. Mas muito forte. Merece todo o sucesso que tem. E todo o nosso carinho. E todo o nosso reconhecimento” Fernanda Montenegro

 

Geração Editorial

Fernanda, Nossa Eterna Dama

Fernanda Montenegro completando 81 anos
Com 65 anos de carreira e um currículo que inclui 55 peças, 22 filmes, 25 novelas, um Urso de Prata de melhor atriz e uma indicação ao Oscar pela atuação em Central do Brasil, Fernanda Montenegro chega aos 81, cada vez mais consolidada no posto de Diva da TV e do cinema nacionais. Por vezes, ela se vê pensando em guardar as lágrimas e alegrias dos seus personagens num baú. Aposentadoria mesmo. Com isso, poderia rodar o mundo, conhecer o Egito, aprender a enviar e-mails e, quem sabe, fazer um curso livre de filosofia. Mas desde a morte do marido, Fernando Torres, em 2008, com quem passou 56 anos casada, ela vê no trabalho a única razão de continuar. “Não sou mórbida. Nunca tive depressão. Não cavuco lágrimas. Sigo trabalhando. Eu me apeguei à profissão. Ele faria o mesmo”, diz Fernanda, com a voz serena e segura que lhe é peculiar.

Nas madrugadas, a atriz se dedica à leitura. Pode ser na sala ou no quarto. Não existe um lugar exato para Fernanda mergulhar nos problemas da matriarca Bete Gouveia, seu personagem em Passione. Só uma regra é básica: o silêncio. Quase todos os dias, chega em casa às 22h. Antes de começar a maratona de 40 a 60 páginas de texto, janta – evita alimentos com lactose e difícil digestão –, fala com os filhos ao telefone, conversa com um assistente – que se encarrega de pagar suas contas e responder e-mails – e vai trabalhar. Com o texto em mãos, Fernanda se considera ‘uma principiante’. “Não sou daqueles atores que invejo, que pegam um papel e decoram tudo em meia hora. Eu sou demorada nesse processo”.

Com uma novela no ar, Fernanda Montenegro vive para o trabalho. Até parou com as caminhadas que gosta de fazer na beira da praia. Na agenda, reserva um horário para assistir ao longa Tropa de Elite 2. Principalmente, para prestigiar o ator Wagner Moura.

“Ele sofre de uma inquietação. Foi de um Capitão Nascimento para um Hamlet e voltou ao coronel. Ele é um jovem ator do qual me orgulho”, diz. Mas o tempo para consumir artes, por enquanto, é curto. Por causa de Passione, ela está sem tempo para nada há 15 meses, entre preparação e gravações da novela. Aos domingos, às vezes, almoça com os filhos – Fernanda Torres e Cláudio Torres – e netos – Antônio, 3 anos, e Joaquim, 10, ambos de Fernanda. “Sou aquela avó que tem tempo para o neto, dá carinho. Mas domingo também é dia de decorar capítulos” (risos).

A vida atarefada não é uma reclamação. Fernanda tem muito orgulho da profissão. Para construir os 65 anos de carreira, ela batalhou, enfrentou a ditadura – em 1979, ela e o marido tiveram de atuar com as luzes do teatro acesas e amparados por seguranças – e a oposição dos pais. “Quando comecei, todo mundo achava que teatro era um mundo de marginais, prostitutas. Hoje, isso é diferente”, diz dona Fernanda, como é chamada no meio artístico.

Apesar dos obstáculos, ela não desistiu. Não se apegou à religião que a família seguia – o catolicismo –, frequentou algumas igrejas ao longo da vida – entrou numa mesquita em Istambul, na Catedral Notre Dame, na França, e visitou a Igreja de São Bento, no Rio de Janeiro. E fez seu nome. O primeiro prêmio veio em 1952, quando foi consagrada Atriz Revelação pela Associação Brasileira de Críticos Teatrais. Fez teleteatros na extinta TV Tupi, foi dirigida pelo marido, aclamada no exterior e, na TV, ficou conhecida por personagens cômicos, picaretas, vilões e dramáticos – respectivamente, Charlotte, de Guerra dos Sexos (1983); a cafetina Olga Portela, de O Dono do Mundo (1991); Bia Falcão, de Belíssima (2005); e Bete Gouveia, de Passione (2010).

De todos esses trabalhos, três são do novelista Silvio de Abreu. “Conheci o Silvio, ele ainda usava perucas (nos anos 70, quando era ator). Adoro ele, o Gilberto (Braga), a Glória (Perez), entre outros autores. Mas não tenho tempo de ver TV”, conta Fernanda. Nem para ver novelas, nem o horário político. “Quando cheguei aos 80 anos, prometi para mim não falar mais de política. Eu já lutei, falei, resisti, reivindiquei. Agora, aposentei”. Mas não para a carreira. “Não me imagino parada. Mas não sei o dia de amanhã. Por enquanto, vivo os personagens”, diz a Diva.

* Por Aline Nunes

Coleção FILME CULTURA

 

 

 Todos os números históricos da revista Filme Cultura que circularam entre 1966 e 1988 estão finalmente preservados. O Centro Técnico AudiovisualCTAv/SAV/MinC‘ acaba de editar uma coleção com cinco livros de capa dura contendo as 48 edições do período, além de duas revistas especiais, feitas para os festivais de Cannes e Berlim. O projeto é uma iniciativa do Instituto Herbert Levy e tem patrocínio da Petrobras. Além da coleção histórica impressa na edição facsimilar, as quase 4.000 páginas publicadas naquele período já estão disponíveis no setor de periódicos da Biblioteca Nacional em microfilmes e, a partir de hoje, dia 1º de julho, estarão também no site: www.filmecultura.org.br. 

A revista Filme Cultura voltou a circular em 2010 e tem cinco novas edições garantidas neste mesmo projeto. O nº 51 será lançado amanhã, dia 2, na Livraria Cultura do Shopping Bourbon, no mesmo dia da “Edição Fac Similar Revista Filme Cultura”.

Clássicos do cinema brasileiro, como Eles não Usam Black-Tie, são enfocados na Filme Cultura

Em seu período histórico, a Filme Cultura foi editada sucessivamente pelo INCE (Instituto Nacional do Cinema Educativo); pelo INC (Instituto Nacional de Cinema); pela Embrafilme (Empresa Brasileira de Filmes); e pela FCB (Fundação do Cinema Brasileiro). Depois de 19 anos fora de circulação, o CTAv (Centro Técnico Audiovisual) da SAv (Secretaria do Audiovisual) do MinC (Ministério da Cultura), lançou em 2007 o nº 49, Edição Especial comemorativa dos 70 anos do INCE. Em abril de 2010 foi lançado o nº 50 e a revista voltou a circular regularmente com periodicidade trimestral.

Os cinco volumes da coleção fac-similar reproduzem fielmente as edições de 1966 a 1988 de Filme Cultura. Ali, foi feita a crônica do cinema brasileiro e, de importantes aspectos do cinema internacional no período. Em suas páginas, encontram-se textos hoje clássicos de Jean-Claude Bernardet, Sérgio Augusto, Antonio Moniz Vianna, Ismail Xavier, Inácio Araújo, João Luiz Vieira, Rogério Sganzerla e Jairo Ferreira, entre muitos outros. A revista contou com

Ely Azeredo, Flávio Tambellini, David Neves, José Carlos Avellar, Cláudio Bojunga e João Carlos Rodrigues, entre seus editores.

O conteúdo da revista abrangia críticas de filmes, ensaios, pesquisas, entrevistas, perfis, catalogação de diretores brasileiros e internacionais, bem como artigos sobre técnica, produção, mercado, festivais e premiações. Há também um precioso material iconográfico sobre a história do cinema brasileiro, fundamental para cinéfilos, pesquisadores e estudantes. 

A Coleção pode ser encontrada ao preço de R$ 100, nas principais livrarias do Brasil.

Os pontos de venda, válidos também para os números recentes da revista, são divulgados no site: www.filmecultura.org.br

Filme Cultura Nº 51

 A edição nº 51 de Filme Cultura é centrada nos personagens do cinema brasileiro. Como Gustavo Dahl, diretor da revista, destaca no editoriala proposta deste número de Filme Cultura é recontextualizar a questão dentro do cinema brasileiro histórico, moderno ou contemporâneo.’.

Assim, personagens populares, marginais e intelectuais, personagens de documentários e de tramas multiplot receberam a atenção de articulistas do corpo de redatores da revista, bem como de convidados de diversas regiões do país além de distintas inserções no estudo do cinema brasileiro.

Fernanda Montenegro e Selton Mello ganharam matérias especiais pela riqueza de suas galerias de personagens.

A revista traz também as mesmas seções do nº 50, que lançam um olhar às margens do mercado, à história do cinema brasileiro e a disciplinas correlatas à do cinema.

Confira abaixo a lista das matérias da Filme Cultura 51: Editorial por Gustavo Dahl; O filho desviante e a morte do pai’, por João Silvério Trevisan; Quando a narrativa perde o centro’, por Cléber Eduardo; A vida depois do doc, por Carlos Alberto Mattos; Coutinho, o cinema e a gente, por Daniel Caetano; Heróis do real‘, por Carlos Alberto Mattos; Carapiru e Orson Welles: a melhor defesa é o ataque, por Daniel Caetano; Entrevista com Silvio de Abreu’, por Daniel Caetano.

Personagens e tipos do cinema popular, por João Carlos Rodrigues; Intelectuais na linha de frente’, por Luís Alberto Rocha Melo; Margem sem limites, por Cássio Starling Carlos; Zulmira, Romana, Dora… Fernanda, por Ivonete Pinto; Entrevista com Selton Mello; Um filme: Estômago’’, por Fábio Andrade e Rodrigo de Oliveira; Perfil: Walter da Silveira, advogado do cinema‘, por Orlando Senna; Cinemateca de textos: Jean-Claude Bernardet; Outro olhar: Grande sertão: veredas, Avancini em grande estilo‘, por João Carlos Rodrigues; E agora, Laís (Bodanzky)?; E agora, Ivan (Cardoso)?; Lá e cá: O desconhecido cinema de nossos vizinhos argentinos, por Daniel Caetano; Busca avançada: Cinema passageiro, por Carlos Alberto Mattos; Curtas: De/com/sobre/para Helena Ignez’, por Joana Nin; Atualizando: A morte do transfer?’, por Marcelo Cajueiro; Livros: História e economia do cinema e do audiovisual no Brasil: passado, presente e futuro‘, por André Gatti; Peneira digital’, por Carlos Alberto Mattos; ‘Cinemabilia: Simão, o caolho.

Acesse: http://carmattos.wordpress.com / https://twitter.com/carmattos

PASSIONE Vem Aí…

Mariana Ximenes grava na Toscana a próxima novela, Passione…

Fotos de Márcio de Souza / Divulgação / TV Globo

As regiões da Toscana e Roma foram os cenários escolhidos para as gravações Passione na Itália, que duraram um mês. 

Mais de 40 pessoas, entre figurinistas, cenógrafo, diretores, produtores e atores, viajaram para a Itália, entre eles Tony Ramos (Totó), Mariana Ximenes (Clara), Reynaldo Gianecchini (Fred), e Bruno Gagliasso (Berilo).

Lá, os atores sofreram com o frio, principalmente em Firenze. Não dava, por exemplo, para eles ficarem de bobeira no set. Eles tinham que ser retirados enquanto havia alguma troca de luz ou posição de câmera. 

Em San Quirico, o Sol saiu e a neve foi sumindo em alguns pontos. A equipe vibrou ao gravar cenas de  Tony num campo verde, já com as flores dando o sinal da primavera. Quando a locação era mais movimentada, como Fontana Di Trevi, uma rua mais conhecida ou uma estação de trem, a equipe era cercada por turistas brasileiros, que acompanhavam as gravações.

 A estréia de Passione, de Sílvio de Abreu, está prevista para 17 de maio, entrando no horário da novela Viver a Vida…

No elenco da nova novela também estão Fernanda Montenegro, Emiliano QueirozCauã Reymond, Marcelo Anthony, Aracy Balabanian, Leandra Leal, Marcelo Médici e Gabriela Duarte.

Mauro Mendonça fará uma especialíssima participação, apenas no primeiro capítulo, no qual morrerá e, a partir daí, toda a trama se desenvolverá.

Betty Faria no Teatro Santa Isabel

Betty Faria não teve feriado nesta semana. “Foi feriado para Tiradentes, porque eu gravei novela”, brinca. Atriz de televisão, teatro e cinema, Betty diz que a calmaria não tem vez no seu cotidiano. “Gostaria que o dia tivesse 36 horas”. Atualmente, a eterna Tieta do Agreste está na telinha na novela Uma Rosa com Amor, do SBT, e no teatro com a montagem Shirley Valentine, com apresentações neste sábado e domingo, no Teatro Santa Isabel.


Espetáculo será apresentado neste sábado e domingo, no Teatro  Santa Isabel Foto: Aguida Amaral/Divulgacao

O texto da peça,  já adaptada ao cinema, é do inglês Willy Russel (o papel no teatro também já foi de Renata Sorrah, em 1991). Trata-se de uma mulher que, depois de um casamento de anos, filhos criados, se vê – literalmente – conversando com as paredes. Até que uma amiga a convida para fazer uma viagem pelas ilhas gregas. Mas ela ainda não tem certeza se vai viajar. “Não é papo de mulherzinha. Toca o coração de homens, jovens, mulheres, gays. Essa mulher é uma pessoa que tem uma vontade imensa de viver, mas que está amortecida”.

A atuação (que rendeu à atriz a indicação ao prêmio Shell na categoria melhor atriz – vencida por Fernanda Montenegro, de Viver sem Tempos Mortos) no monólogo marca o reencontro de Betty Faria com os palcos, depois de mais de dez anos longe do teatro. “São coisas da vida. Não sei te dizer porque foi tanto tempo. Realmente não sei. Quando estreei em São Paulo, vi como tinha sido uma boba. Deixei a vida me levar. E é verdade que foi uma década bastante complicada em minha vida, em vários sentidos”.

A atriz conta que o primeiro ‘encontro’ com Shirley Valentine aconteceu em janeiro de 2008, quando recebeu o texto de um produtor paulista interessado em montar a peça.

Só que, à época, Betty estava na televisão, na novela global Duas Caras. O trabalho, aliás, vinha se sucedendo de forma quase ‘engatinhada’. Betty fez o show BettyFaria.Doc, em que era acompanhada por uma banda, no Rio e em Fortaleza; atuou no filme Chega de Saudade, de Laís Bodanzky; nas novelas Pé na Jaca e Duas Caras.

Tempos depois, numa homenagem que recebeu do Banco do Brasil, Betty fez a leitura do texto. “Não pensava em fazer um monólogo, já tinha feito Camaleoa (1993), estive até aí no Recife. Mas ela (Shirley) aconteceu. Fui me encantando pela mensagem de força, superação, mudança, esperança”. A atriz conta ainda que não esperava a repercussão da peça e que está feliz por vir ao Recife. “É minha cidade de coração. Sou cria de ‘vó pernambucana’. Só tem uma tristeza: “não vou ficar o tempo que preciso para matar a saudade”.

Querida e aplaudida em todo o país, Betty Faria aporta em Recife para apresentação no histórico Teatro Santa Isabel

Shirley Valentine estreou em abril do ano passado, com direção de Guilherme Leme. O texto foi traduzido por Euclydes Marinho, com adaptação dele e de Leme, e mostra de forma muito contundente a situação limite de uma mulher. “Eu não sabia se fazia o que eu queria ou o que eu tinha de fazer. Estávamos em pé na fila do check-in, eu e a Jane. Eu perguntei para ela ‘pra que tanta vida se a gente não usa?’ Ela disse que era culpa dos homens e continuou a ler sua revista. Bobagem, não são os homens que fazem isso com as mulheres”.

Serviço  Shirley Valentine, com Betty Faria
Onde: Teatro Santa Isabel
Quando: sábado, às 21h; e domingo, às 20h
Quanto: R$ 80 (plateia), R$ 40 (meia); R$ 60 (camarote), R$ 30 (meia), à venda na bilheteria do teatro e na Saraiva do Shopping Recife
Informações: (81) 3232-2940

* Reportagem de Pollyanna Diniz, de Recife

Fernanda Montenegro Ganha Shell

Fernanda Montenegro, premiada como melhor atriz na 22ª edição do Prêmio Shell de Teatro de São Paulo por sua atuação no monólogo Viver sem tempos mortos, se disse surpresa com o prêmio, em entrevista à rádio Bandeirantes.

 – Aos 80 anos deveríamos ser remidos e a premiação deveria se voltar aos mais jovens, que estão vindo com um talento imenso e necessitam deste reconhecimento. Graças a Deus o teatro se renova. Existe ainda uma devoção ao teatro que é comovente – declarou a atriz, que creditou sua vitória à “antiguidade”. – Às vezes os anos contam. Não me acho nem melhor nem pior do que minhas amigas que concorreram comigo. Tenho uma galeria de prêmios e a gente sempre acha que depois desse não haverá nenhum outro, porque há novas gerações e novos trabalhos – declarou Fernanda, brincando que agora sua “galeria de prêmios está completa”.

Após uma hiato de sete anos, Fernanda voltou ao teatro em Viver sem tempos mortos como Simone de Beauvoir, em um espetáculo austero e focado na interpretação, concebido pela prória atriz, que se baseou na troca de correspondências entre a filósofa francesa e seu marido, Jean-Paul Sartre, sob a direção de Felipe Hirsch.

 – Toda maneira de amar vale a pena. Nunca tive preconceiro com nenhum gênero, desde que a gente não se avilte. Tenho como norma que se experimente, especialmente no campo da interpretação. Todo trabalho é um aprendizado e um desafio de realização. É preciso dismistificar nossa profissão. É um ofício e queremos fazê-lo bem, com domínio de seu instrumental. Todo o período de TV, de cinema, de teatro que eu tenha feito, mesmo que com textos menos nobres ou com direções menos extraordinárias, tudo isto serve. Mas o que me norteia é o teatro. Se eu faço TV, eu levo a sério como no teatro. No cinema, levo minha bagagem de teatro – afirmou a atriz, falando sobre a diferença entre atuar na TV, no teatro ou no cinema. 

Fernanda revelou que é a primeira vez em que ganha um prêmio Shell em São Paulo. 

São Paulo é uma cidade que me recebe sempre muito bem. Não tinha na minha galeria de prêmios um Shell de SP. Quero agradecer a plateia paulista que é extraordinária. Tem uma pulsação que é arrebatadora, dá vontade de aplaudir quando acaba o espetáculo – completou.

 Fernanda falou também sobre a dificuldade em obter recursos para produzir cultura no Brasil. 

– Hoje a cultura brasileira está estatizada, temos que ir à Meca mesmo, à Basílica de São Pedro, fazer o pedido. Aí a cúria vai lá e diz se merece ou não, se está de acordo com as normas deste governo. A vida levou nos levou a bater na porta do governo. Durante 30 anos, para se fazer qualquer tipo de teatro no Brasil, do mais experimental ao mais complacente, íamos ao banco, nos endividávamos. Agora não se faz nada sem aprovação de uma comissão – avaliou a atriz.