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Olhar sobre Vik Muniz Dá Prêmio ao Brasil em Berlim

O Doc Lixo Extraordinário (Waste Land), co-produção Brasil e Reino Unido exibida na seção Panorama do Festival de Berlim, ganhou os prêmios do público e da Anistia Internacional (AI).
 

Dirigido por Lucy Walker e com 99 minutos de duração, o filme mostra trabalho desenvolvido pelo artista plástico brasileiro Vik Muniz com catadores de lixo do Jardim Gramacho, bairro do município fluminense de Duque de Caxias.  

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O filme (Vik em foto de Camila Girardelli) foi o mais votado pelo público presente às projeções da seção Panorama. O prêmio será entregue amanhã, Dia do Espectador, fechando o Festival de Berlim. Além disso, Lixo Extraordinário recebeu neste sábado o prêmio da Anistia Internacional junto com a produção palestino-egípcia Son of Babylon, dirigida por Mohammed Al-Daradji.
 

VIK MUNIZ: trabalho reconhecido chega em breve aos cinemas

Após receber o prêmio da AI, Walker disse à Agência Efe que os catadores de lixo são pessoas “dignas, valentes e inspiradoras” e afirmou se sentir “muito feliz” pelo fato de que o prêmio vai permitir que mais espectadores os conheçam. Segundo a cineasta, é uma “honra” que seu documentário, também premiado no último festival de Sundance, sirva para explicar “ao mundo” a vida dessas pessoas.
 

Walker insistiu na importância da reciclagem do lixo afirmando que “cada ação individual conta e é importante” e assegurou que trazer seu documentário para Berlim e conquistar um prêmio “foi um sonho”. O júri do prêmio da Anistia Internacional destacou o grande valor e compromisso político e social tanto de Lixo Extraordinário como de Son of Babylon.
 

Son of Babylon é um road-movie que narra com humor a situação no Iraque semanas depois da queda do regime de Saddam Hussein. A história é contada a partir do ponto de vista de um menino curdo que percorre o norte do país em busca do pai. Os prêmios do júri internacional do Festival de Berlim, presidido pelo diretor alemão Werner Herzog, serão divulgados esta noite durante a festa de encerramento.

FILME BRASILEIRO ESTRÉIA em BERLIM

Primeiro longa de Jeferson De, criador do Dogma Feijoada, Bróder será exibido no Festival de Berlim e projeta Capão Redondo na tela de um dos maiores festivais do mundo

Bróder tem première mundial hoje.  Primeiro longa do diretor, representa o Brasil na Panorama, uma das mais prestigiadas mostras competitivas do festival que termina sábado.

“Berlim vai mostrar o preto que voa e o preto que não voa, que usa bilhete único.” Assim De comentou a participação de outro filme do Brasil, Besouro (o do preto que voa, de Daniel Tikhomiroff), e do seu Bróder na mesma seção.

O diretor resolveu dar a um ator branco (Caio Blat)  o papel de seu primeiro longa para, na verdade, questionar o que é ser negro e o que é ser branco em um país em que, como diz a canção, as riquezas são diferentes, mas miséria ainda é miséria em qualquer canto. Não é por acaso que Bróder é o primeiro longa a projetar o mítico Capão na tela. “Nenhum cineasta paulista cumpriu bem a tarefa de retratar a periferia paulistana. Está na hora dos diretores tirarem suas lentes da Vila Madalena e mirarem a perifa”, provoca De. E filmes como Antônia, Os 12 Trabalhos, Contra Todos, Linha de Passe? “Respeito meus colegas, mas nenhum conseguiu traduzir bairros complexos como o Capão.”

Seja como for, o fato é que Bróder traz finalmente um diretor negro à frente de um filme sobre essa fatia ainda tão mal entendida do Brasil. “É um projeto de dentro para fora. Não importa quem é negro ou branco. Importa quem é excluído. É uma história de irmandade, para pegar pela emoção e não um manifesto.”

Caio Blat diz que o mais importante foi conhecer as pessoas no Capão e ter a bênção para representá-las. “Conheci muitas histórias como a do Macu, muitas mães que perderam seus filhos. Mas o clima lá agora é de superação. Os dias de guerra dos anos 90 passaram, e, por incrível que pareça, o que pacificou o bairro não foram programas de governo. O que mais contribuiu foi a organização do crime, a unificação, acabando com as disputas entre gangues.”