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SELTON MELLO é Melhor Diretor e Febre do Rato ganha Ficção

Com a exibição de Assalto ao Banco Central e a presença do diretor Marcos Paulo, foi encerrada ontem a quarta edição do Festival PAULÍNIA de Cinema. Em seguida os apresentadores Marina Person e Rubens Ewald Filho anunciaram os vencedores.

 
 
Rubens Edwald Filho e Marina Person comandaram a noite: Festival nasceu de um projeto do crítico

Selton Mello, que mobilizou Paulínia durante o Festival, foi aclamado MELHOR DIRETOR                    

Júri 

Longas (Documentário e Ficção):

denise weinberg (atriz), heloisa passos (diretora de fotografia), isabela boscov (crítica de cinema), gustavo moura (documentarista) e sérgio rezende (diretor). 

 
 
Curtas (Regional e Nacional):

Bruno Torres Moraes (Ator), Daniel Ribeiro (Diretor), Leila Bourdoukan (Produtora E Jornalista), Pedro Butcher (Jornalista) E Sérgio Borges (Diretor). 

 

Filmes de Longa Metragem

Melhor Filme Ficção: R$ 250 mil Febre do Rato, Claudio Assis
Melhor Documentário: R$ 100 mil  Rock Brasiliaera de ouro, Vladimir Carvalho
Melhor Diretor Ficção: R$ 35 mil Selton Mello – O Palhaço
Melhor Diretor Documentário: R$ 35 mil  Maíra Buhler e Matias Mariani – Ela Sonhou Que eu Morri
Melhor Ator: R$ 30 mil  Irandhyr Santos – Febre do Rato
Melhor Atriz: R$ 30 mil  Nanda Costa – Febre do Rato
Melhor Ator Coadjuvante: R$ 15 mil  Moarcir Franco – O Palhaço
Melhor Atriz Coadjuvante: R$ 15 mil  Maria Pujalte – Onde Está a Felicidade?
Melhor Roteiro: R$ 15 mil  Selton Mello e Marcelo Vindicatto – O Palhaço
Melhor Fotografia: R$ 15 mil  Walter Carvalho – Febre do Rato
Melhor Montagem: R$ 15 mil  Karen Harley – Febre do Rato
Melhor Som: R$ 15 mil  Trabalhar Cansa – Gabriela Cunha, Daniel Turini e Fernando Henna
Melhor Direção de Arte: R$ 15 mil  Renata Pinheiro – Febre do Rato
Melhor Trilha Sonora: R$ 15 mil  Jorge Du Peixe – Febre do Rato
Melhor Figurino: R$ 15 mil  Kika Lopes – O Palhaço
Especial do Júri: R$ 35 mil  Trabalhar Cansa
 
O paraibano Vladimir Carvalho, diretor do Melhor Documentário: Rock Brasília
 
Cláudio Assis e Nanda Costa, que sagrou-se Melhor Atriz pela atuação no filme dele
 

Curtas Regionais

Melhor Filme: R$ 25 mil  Diego Costa, Argentino
Melhor Direção: R$ 15 mil  Diego Costa, Argentino
Melhor Roteiro: R$ 10 mil  Cauê Nunes e Maurício de Almeida, 3 x 4

Curtas Nacionais

Melhor Filme: R$ 25 mil  Carlos Nader, Tela
Melhor Direção: R$ 15 mil  Gabriela Amaral Almeida, Primavera
Melhor Roteiro: R$ 10 mil  Gustavo Suzuki, O Pai Daquele Menino

 

Júri Popular

Melhor Longa Ficção: R$ 25 mil  Carlos Alberto Riccelli, Onde Está a Felicidade?
Melhor Documentário: R$ 15 mil  Damià Puig, A Margem do Xingu – Vozes Não Consideradas
Melhor Curta Nacional: R$ 5 mil  Thiago Luciano, Café Turco
Melhor Curta Regional: R$ 5 mil  Diego Costa, Argentino

 

Paulo José, Selton Mello, Jorge Loredo e Moacyr Franco: 3 troféus para O Palhaço
 
 

Júri da Crítica

Melhor Longa Ficção Claudio Assis, Febre do Rato
Melhor Documentário Lucia Murat, Uma Longa Viagem
Melhor Curta Nacional Carlos Nader, Tela
A eterna BRUNA LOMBARDI, que ganhou Júri Popular para seu novo longa com o marido Riccelli,Onde está a Felicidade ?
 

Marcos Paulo: Cinema, Força e vontade de voltar a Grécia

Fernando Schlaepfer/EGO

Marcos Paulo: viagem à Grécia após a cura da doença 

O ator e diretor MARCOS PAULO, um dos mais bonitos artistas que o Brasil já viu, vive uma fase dificil. Às vésperas de sua estreia como diretor de cinema, à frente do longa “Assalto ao Banco Central” – que chega aos cinemas no próximo dia 22 – e comemorando nada menos que 55 anos de carreira, o ator e diretor da TV Globo enfrenta uma batalha contra uma doença séria, descoberta há alguns meses. Mas ele não pára  – nem pensa em parar. 

“Enquanto eu tiver força, e cabeça, e minha profissão me permite trabalhar até muito velho, tanto como ator e diretor, eu não quero parar, eu não posso parar, eu tenho que estar em movimento”, disse ele em entrevista ao EGO em seu apartamento na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, ontem, 8 de julho. 

Aos 60 anos, Marcos Paulo, que começou no teatro aos 5 e aos 15 já estava na TV, levado pelo pai de criação, o autor Vicente Sesso, falou sobre seus projetos de trabalho e a luta contra a doença: “Não vai ser a primeira guerra que eu enfrento nem a primeira batalha que vou vencer.” Confira os principais trechos da entrevista:

 

“Assalto ao Banco Central”

“Desde que aconteceu o assalto, em 2005, o assunto me interessou muito. Não pela apologia ao bandido, ao crime, mas pela precisão cirúrgica e competência com que eles conseguiram fazer esse trabalho. Eles conseguiram fazer um túnel de 80 metros, passando por baixo de um canal, sem provocar um curto circuito, sem arrebentar um cano e saindo exatamente embaixo do cofre do Banco Central. Ou seja, é um trabalho de mestres.” 

Estreia no cinema
“Demorei a estrear como diretor de cinema porque queria uma história que me animasse muito e também me sentir maduro para dirigir. Apesar de ter entrado na TV em 1978, isso já tem 30 e poucos anos, eu queria que, quando eu colocasse a mão no cinema, não fosse uma brincadeira. Queria poder fazer um filme legal, com uma história bacana, porque o filme fica na história da gente, na história de um país. Queria fazer um filme com a certeza de que estava colocando a mão na massa com a quantidade certa de farinha, de água, de ovo, de todos os ingredientes.” 

 

Fernando Schlaepfer/EGO

Marcos Paulo: mais projetos de cinema

Novos filmes
“Fiquei muito animado e tenho outros projetos para fazer. Quero deixar claro que fazemos um filme inspirado em fatos reais. Não é um documentário nem um docudrama. É importante que as pessoas saibam que é um trabalho inspirado em fatos reais. Foi uma história de ficção partindo de fatos reais.”

Personalidade inquieta
“Em 1970 cheguei na Globo como o galãzinho da vez. Em 1978 fazia papéis de meninos bonzinhos, galãzinhos. Enchi a paciência do Daniel Filho (diretor da Rede Globo) para fazer o bandido de uma história. Em 1978 tive vontade de virar o jogo e partir para outra coisa. Conversando com o Boni (ex-diretor da Central Globo de Produções), fui embora para Nova York e morei lá um ano, onde estudei direção. Quando voltei para o Brasil, já foi como diretor. Sempre fui insatisfeito com as coisas, tentando descobrir um outro lado meu.”

Insatisfação
“Eu continuo sendo insatisfeito. Acho que, como disse a avó gaúcha de um amigo meu, a gente não pode colocar o pijama para sestear, fazer a sesta, dormir à tarde. Quando acontece isso, você praticamente está assinando seu atestado de óbito. Enquanto eu tiver força, e cabeça, e minha profissão me permite trabalhar até muito velho, tanto como ator e diretor, eu não quero parar, eu não posso parar, eu tenho que estar em movimento.” 

 

O câncer
“Quando você encara uma doença como essa é importante ter objetivos, ideias de trabalho para frente, não pode parar. Só parei para pensar nela nos momentos em que o tratamento me fez parar para descansar e dar um tempo para o corpo. A doença não me atrapalhou em nada. Apesar da reação ser esperada, o tratamento, sim, mexeu comigo. Sabia que em alguns momentos isso iria acontecer. Nos momentos que isso não acontece, estou em absoluta atividade. Eu não consigo ficar parado.”

Descoberta da doença
“A primeira sensação que tive foi de que havia perdido a batalha. Porque achava que nunca ia ter essa doença. A segunda reação que eu tive foi: ‘Não perdi a batalha, eu sou um ser humano e ele é passível de ficar doente. Agora eu tenho uma guerra pela frente com várias batalhas e vamos embora’. Não vai ser a primeira guerra que eu enfrento nem a primeira batalha que vou vencer. 

Na verdade, acho que a segunda grande sensação foi eu me sentir um ser humano e não um deus, um super-homem. Na verdade, a gente nunca sente que é vulnerável. Sempre achei que comigo não iria acontecer nada. Mas a cada vez que me sentia assim, levava uma cacetada. Talvez a primeira delas tenha sido em 1975, quando sofri um feio acidente de moto. São coisas que acontecem na vida da gente para colocarmos o pé no chão e que nos mostram que somos vulneráveis e que temos que tomar cuidado.” 

Aos 60 anos 
“Foi num momento em que estou fazendo 60 anos, que é uma idade emblemática. Acho que aconteceu numa hora que me faz rever muitas coisas na vida. As que foram feitas e as que virão. A pergunta não é por que aconteceu isso comigo, mas sim para que está acontecendo isso comigo. Daqui a um tempo acho que encontrarei a resposta. ”

 

Como as filhas souberam
“Não foi fácil. Tenho duas filhas adultas [Vanessa, 39 anos, do namoro com a modelo italiana Tina Serina, e Mariana, 30, filha do casamento com Renata Sorrah], e a menor, de 11 anos [Giulia, do casamento com a atriz Flávia Alessandra]. Chamei as três para jantar e contei para elas. Elas deveriam saber por mim. Se soubessem por outras vias iam se sentir traídas. Assim como resolvi abrir publicamente. 

O fato de você ser uma pessoa pública e ser passível de uma doença não é vergonha nenhuma. Ela hoje é praticamente uma epidemia. Depois que você entra nesse mundo, você descobre várias pessoas que já passaram ou passam por isso. Isso não é ‘privilégio’ só seu. Acontece até com pessoas do seu círculo de amizades. Acho que a melhor coisa que fiz foi ter aberto e falar.”

Como descobriu
“Descobri a doença porque faço check-up de seis em seis meses. Há seis meses não tinha nada. Nos últimos exames, em abril, o tumor apareceu. Acho que estou passando o para as pessoas uma mensagem superimportante. Qualquer doença que é descoberta no início, com o avanço da medicina, tem mais chances de obter a cura.”

Tratamento
“Acabei minha quimioterapia e radioterapia. Diria que é meu primeiro estágio. Tenho um exame grande daqui a cinco semanas, quando eu e os médicos vamos ver que atitudes tomar.”

Equilíbrio
“Acho que o trabalho é um dos tripés da vida junto com a família. Isso é o que move a gente e nos toca para frente. Não posso reclamar da vida não. Meu tripé está bem implantado (risos).”

Sonho quando receber alta
“A primeira coisa que quero fazer é uma grande viagem. Talvez voltar para a Grécia, que é um lugar que eu amo. Um país lindo e com gente muito gostosa de conviver. Depois, voltar e tocar os projetos para frente. Para o ano que vem tenho duas novelas, e uma minissérie para o semestre que vem.”

 * Entrevista de Luciana Tecídio, do EGO (Rio)

Festival de Paulínia começa na Quinta

Evento que mobiliza todas as atenções do Cinema Nacional em Julho será aberto com  filme Corações Sujos, de Vicente Amorim, seguido de show da cantora Rita Lee

Na próxima quinta, 7 de julho, começa o Paulínia Festival de Cinema, com exibição de filmes, debates e shows de grandes nomes da MPB, levando cerca de 700 convidados ao município paulista entre atores, diretores, produtores e distribuidores de filmes.

Rodrigo Santoro, Cauã Reymond, Bruno Garcia, Maria Paula, Thiago Lacerda, Isis Valverde, Bruna Lombardi, Carlos Alberto Ricelli, Debora Duboc e Eduardo Moscovis são alguns dos atores que já confirmaram presença. 

Caetano Veloso e Seu Jorge, Gilberto Gil e Vanessa da Matta também se apresentam em Paulínia, respectivamente dias 8 e 9. Philippe Seabra e André Muller, do Plebe Rude, que estão no documentário Rock Brasília – Era de Ouro, vão prestigiar a sessão do filme, no sábado, dia 8.

A premiação do Paulínia Festival de Cinema vai acontecer após a exibição de Assalto ao Banco Central, do ator e diretor Marcos Paulo, no encerramento do evento, dia 14, quinta-feira.