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Cerrado terá HELENA IGNEZ em sua primeira Mostra de Cinema

Este é o flyer da primeira edição da Mostra de Cinema do Cerrado, que começa na próxima quarta, 25, na cidade mineira de Araguari, e prossegue até dia 31. 

A MOSTRA DE CINEMA DO CERRADO é uma realização de Sílvio Aguiar com apoio da Fundação Araguarina de Educação e Cultura ( FAEC) e parceiros.

 A intenção é provocar o estudo e a reflexão sobre a memória e a produção audiovisual brasileira contemporânea; a hegemonia de uma cultura universal de massas, e suas relações com o mercado e o Estado.

Djin Sganzerla e André Guerreiro Lopes estão em Luz nas trevas

Diz o material da Mostra: “Enquanto sujeitos culturais, temos a responsabilidade de romper paradigmas de mercado, e de políticas públicas de cultura, combinar ações e interações com órgãos públicos gestores de cultura para atender às demandas crescentes dos municípios, com um nível cada vez mais elevado de participação e controle social, consolidar uma produção cultural diversificada em um país plural, democratizando o acesso aos bens culturais”.

Filme de João Batista de Andrade está na programação…

A Mostra de Cinema do Cerrado será também uma oportunidade para divulgar o trabalho de estudantes de Cinema e Comunicação Social, que desenvolvem suas ideias sem recursos financeiros.  As apresentações prometem ainda movimentar o cenário cultural araguarino com palestras e oficinas de renomados cineastas brasileiros como João Batista de Andrade, Carlos Ebert,  João Rocha, Marina Person, Leopoldo Nunes e Sara Rocha.

Helena Ignez e esta Aurora de Cinema: sintonia de muitos afetos…

Entre as muitas atividades, um workshop com a premiada atriz e cineasta HELENA IGNÊZ (a eterna ‘mulher do Bandido’ e ‘moça do Padre’), que leva para o cerrado mineiro um pouco de sua múltipla experiência em Teatro, TV, Cinema, Artes Plásticas, Dança, energias orientais, e tudo o mais que envolva sensibilização e movimentos libertários.

Soube que já há mais de 200 pessoas inscritas para esta oficina com Helena Ignez. Prova de que, em Araguari, há uma gente ávida por novos conhecimentos na seara da Arte. Que maravilha ! E este contato com pessoas jovens de todas as idades, interessadas em conhecer Arte e apreender Cultura, é tudo que Helena Ignez mais aprecia. Portanto, a presença desta Mulher singular do nosso CINEMA em Araguari será um momento único de especial encontro com uma grande cineasta e atriz que marcou uma época de suma importância para a Cultura Brasileira.

E na grade de filmes convidados, filmes emblemáticos e raridades:

A Miss e o Dinossauro, de Helena Ignez
Anabazys, de Paloma Rocha e Joel Pizzini
Canção de Baal, de Helena Ignez
Helena Zero, de Joel Pizzini
Luz nas Trevas, de Helena Ignez
O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla
O País dos Tenentes, de João Batista de Andrade
O Tronco, de João Batista de Andrade
Profana, de João Rocha

Luz nas Trevas pelo olhar, a inteligência e sensibilidade de Carlos Alberto Mattos

 
O filme de Helena Ignez  (e Rogério Sganzerla) – Luz nas Trevas – A Volta do Bandido da Luz Vermelha, que começa a entrar em circuito comercial em todo o país – vem amealhando elogios, aplausos, prêmios e convites para exibições e debates em todo o país, e até no esterior.

NEY MATOGROSSO é o protagonista. André Guerreiro Lopes, Djin Sganzerla e a própria Helena Ignez também estão no elenco.

Em face da propriedade exemplar da crítica de CARLOS ALBERTO MATTOS – um dos mais importantes, respeitados e consistentes analistas da Sétima Arte no país -, o AURORA DE CINEMA republica a crítica do emérito jornalista por julgá-la uma iguaria do mais alto quilate na apreciação fílmica de LUZ NAS TREVAS, um filme que todo estudioso de cinema, profissional da área, cinéfilo e interessado em boa diversão deve ver.

Com vocês, a análise de CARLOS ALBERTO MATTOS para LUZ NAS TREVAS… 

 
O BANDIDO ESTÁ VIVO !

Luz nas Trevas é, se não a primeira a merecer esse nome, uma das mais consistentes aventuras intertextuais já empreendidas pelo cinema brasileiro. Não é uma continuação do clássico O Bandido da Luz Vermelha, até porque o personagem do filme de 1968 morria no final imitando um pouco o Michel Poiccard de Acossado, um pouco o Pierrot le Fou de Godard. Não é uma resposta, nem uma usurpação. Talvez não seja nem mesmo uma retomada do mesmo personagem, já que o bandido maduro que apodrece na cadeia, vivido por Ney Matogrosso, contesta “o filme que fizeram sobre mim”.

Essa falta de “explicação” só faz acentuar os prazeres de se assistir a Luz nas Trevas. Desde, é claro, que o espectador passe pelo primeiro tranco do roteiro, logo no início, quando a narrativa em primeira pessoa passa de Luz para seu filho, e a história deste assume o protagonismo. O que é retomado, na verdade, é algo do espírito anárquico e ludicamente questionador do filme de Rogério Sganzerla. Se O Bandido era já um filme intertextual, colagem tropicalista de signos policiais, políticos e culturais da época, o roteiro que o próprio Sganzerla deixou para Luz nas Trevas permite incorporar o filme de 68 em sua malha de referências.

André Guerreiro Lopes e Bruna Lombardi em cena de Luz nas Trevas, dirigido por Helena Ignez

Assim, frases, trechos de áudio e de cenas em preto e branco do Bandido invadem a fantasmagoria colorida de Luz. Ora estão ali como um eco, ora como parte mesmo da continuidade da história que agora se conta. Há tanto a reedição em cores de alguns planos do Bandido quanto a recuperação, em outro contexto, de cenas memoráveis, como a do personagem comendo uma espiga de milho e olhando pelo binóculo. A edição em livro do roteiro do Bandido dá margem a uma sequência de Luz, assim como Sérgio Mamberti, visto em 68 como uma bicha caricata, volta como político assemelhado ao vivido antes por Pagano Sobrinho.

Os tempos são outros, claro, e o filme escancara isso de todas as maneiras. Sai o AI-5, entra o AR-15. Saem o rádio, as lojas de rua e as guarânias, entram as TVs de plasma, os shoppings e o rap. O que antes era trepidação agora é deslizamento em superfícies lustrosas. Jorge, o filho de Luz, segue os passos do pai sem a mesma boçalidade que caracterizava o cafajeste dos anos 60. Agora ele só quer saber de “ouro ou euro”. Não passa de um neobabaca cuja maior virtude, além de namorar Djin Sganzerla, é nos deixar ver que a lanterna era de fato vermelha.

O bandido, por sua vez, não avacalha mais nada. Virou um presidiário amargo, um brasileiro revoltado que inspira certos clichês do discurso anticorrupção. As reiteradas alusões aos “políticos” e aos “ricos”, que nunca vão para a cadeia, são um dos poucos traços óbvios num filme cheio de frescor e de um legítimo compromisso com a diversão crítica. É surpreendente ver como o personagem de Ney Matogrosso acaba incorporando marcas de Helena Ignez (o misticismo que o leva a adotar o novo pseudônimo de Luz Divina) e se transformando aos poucos no próprio Ney Matogrosso. A sobreposição de suas vozes de ontem e de hoje na apoteose musical fecha o círculo da habilidosa operação empreendida pelo filme.

De alguma forma, Luz nas Trevas lembra A Força do Amor (Breathless), a versão pop de Acossado que Jim McBride realizou em 1983 com Richard Gere e Valerie Kaprisky. Faz o mesmo deslocamento de contexto, de época e de referenciais. A maior diferença é que, no filme dirigido por Helena Ignez e Ícaro C. Martins, a metalinguagem é expressão de um engajamento mais autêntico e orgânico, familiar mesmo, com o original. Tudo bem que a indisciplina, visceral no filme de 68, aqui é mais premeditada. Mas não acredito que a temeridade de voltar ao Bandido pudesse ser mais bem-sucedida.  
 
 

André Guerreiro Lopes e Djin Sganzerla revivem romance de Jane e o Bandido

Luz nas Trevas: Rogério Sganzerla por Helena Ignez. Em maio, nos cinemas

Apesar de ter morrido eletrocutado, envolto em fios elétricos, ao final de O Bandido da Luz Vermelha, o personagem-título do clássico do cineasta Rogério Sganzerla, ressurge no cinema 40 anos depois.

E outro filme surge: LUZ NAS TREVAS – A Volta do Bandido da Luz Vermelha – continuação do filme de 1968 que revolucionou a linguagem do cinema -,dirigido pela atriz, produtora, cineasta HELENA IGNEZ. Premiado em diversos países e em festivais no Brasil, Helena Ignez gosta de enfatizar que tudo o que está no roteiro é do próprio companheiro, Sganzerla: “Foram mais de mil páginas, lidas e pesquisadas, e não mudei uma vírgula: tudo que está no filme saiu da cabeça de Rogério”. 

A atriz fala com comovente simplicidade. A deferência, cumplicidade, apreço e respeito de quem compartilhou do convívio com um dos cineastas considerados gênios no país é indubitável.

Acontece que Helena Ignez e Rogério Sganzerla, que viveram juntos, amantes e cúmplices por 35 anos, tinham tanto em comum e professavam tanto as mesmas ideias, os mesmos ícones, cores, sabores, e influências, que é quase impossível dissociar o intelecto de um da extrema sensibilidade do outro; a sensível criação de um da absoluta emoção e empatia do outro.

Assim, na modesta opinião desta redatora, Luz nas Trevas tem tanto de Helena Ignez quanto o tem de Rogério Sganzerla. A linha que poderia colocar no ponto o imaginário e a sensibilidade de um e, no outro, o emocional e a energia do segundo, é invisível, indefasável, tênue demais para ser percebida ou definida.

Helena Ignez e Rogério Sganzerla: sintonia que extrapolou o set e virou união da vida inteira …

E isso é provavelmente uma das coisas mais tocantes, profundas e belas da relação Sganzerla x Helena Ignez: onde está um está o outro. Assim, Luz nas Trevas, filme que tem estréia no circuito comercial agendada para o próximo mês de maio, é o roteiro de um na direção do outro; o foco da sensibilidade de um pelo viés do emocional do outro; a energia de um guiando e revelando os passos do outro.

Só isso já seria o bastante para despertar a curiosidade por Luz nas Trevas. Ademais, o filme é uma obra profundamente contemporânea, visualmente ágil, esteticamente colorida (em vários matizes), poeticamente emocionada e emocionante, repleta de grandes reflexões embutidas em pequenas frases, soltas aqui acolá, mas ditas com precisão de ourives, seja por André Guerreiro Lopes, que compõe seu ‘novo bandido’ com garra de veterano, seja por Helena Ignez – que tem a capacidade invejável de tornar interessante, sensível e singular tudo o que faz -, seja pela impressionante performance de Ney Matogrosso, provando ser o magistral intérprete da MPB que é porque carrega n’alma uma carga dramática só presente nos Atores de formação visceral.

Thiago Fogolin/UOL

Jane (Djin Sganzerla) é namorada de Tudo-Ou-Nada (André Guerreiro Lopes)

Não vou contar o filme porque quero que você, leitor amigo e potencial espectador, tenha o direito de ir ver a obra como se fora uma página em branco, onde possa escrever seus sentimentos conforme eles lhe chegarem, deixando-os conduzi-lo pelos caminhos que melhor se ajustarem aos seus padrões.

Mas quero deixar registrado o quanto é magnânimo, vigoroso e de extrema beleza o final ‘preparado’ por esta Pequena Grande Mulher de nossa Sétima Arte, a eterna Musa, querida Diva e colossal Artista que assina pelo nome de HELENA IGNÊZ. 

O bandido da luz vermelha

Helena sobre NEY: ‘um símbolo que quebra tabus, que alarga o comportamento mental’.

Ainda que outros méritos não tivesse, só por seu final antológico, LUZ NAS TREVAS já merece entrar em toda seleção de qualquer festival do mundo, e deve constar, com louvor, em qualquer relação dos grandes filmes da década.

LUZ NAS TREVAS tem o poder avassalador do cinema Sganzerliano e a doçura e delicadeza poética que são marca registrada de HELENA IGNÊZ.

LUZ NAS TREVAS – A Volta do Bandido da Luz Vermelha tem estreia marcada para 4 de maio, no Rio de Janeiro, e dia 11 na capital paulista. 

Vamos ao Cinema ! E vamos logo na primeira semana: no Brasil, o filme que não fizer bilheteria “X” na primeira semana de exibição, é retirado de cartaz.

Portanto, vamos ao cinema e vamos logo na semana de estreia !!! 

Simone Spoladore tem participsção expressiva (foto Gabriel Chiarastelli) 

LUZ NAS TREVAS honra todos os prêmios recebidos, e sua inteligência merece um filme com a marca, a grandeza e a competência desta obra-prima de Sganzerla-Helena e Rogério-Ignez. Um casamento de ideias, reflexões, pensamentos e sentidos que resultou em mais uma obra-prima da Cinematografia SGANZERLA – aqui entendida como uma ‘obra de família’, para a qual colaboram – com vida, sentimentos, força, corpo e alma – Helena Ignez, Sinai e Djin Sganzerla – os dois frutos do lendário casal – e André Guerreiro Lopes, o ator e genro querido, marido de Djin, e grande Artista das linguagens multimídias tão em voga nos dias que correm.  

UMA SÍNTESE SENSORIAL

 
“…quis mostrar também o lado neurótico, incômodo, difícil, da mulher moderna. Pela primeira vez em nosso cinema, uma mulher canta, berra, bate, dança, deda, faz o diabo. Neste filme ela é Marlene Dietrich, co-dirigida por Mack Sennet e José Mojica Marins, isto é, por mim.” (Rogério Sganzerla, sobre Helena Ignez em A Mulher de Todos, seu filme de 1969)
 
Em 2009, na direção de Luz Nas Trevas, Helena Ignez filma diversas mulheres que cantam, berram, batem, dançam, dedam, fazem o diabo. E, ela mesma, está no elenco, no papel de Madame Zero.
 
 
Helena Ignez nos bastidores do filme: dedicação e paixão em tom maior…
 
São muitas as intersecções de Luz Nas Trevas com o primeiro filme, como, por exemplo, o uso de diversas narrações com diferentes pontos-de-vista. O Bandido da Luz Vermelha volta como presidiário, e agora é interpretado por Ney Matogrosso, que dá vida ao personagem imortalizado por Paulo Villaça (1946-1992), no primeiro filme. “Quando Helena me convidou e disse do meu olhar, eu já sabia o que eles queriam”, afirma Ney.
 
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Bruna Lombardi é uma das mulheres fortes de Luz nas Trevas
 
Além dele e de Helena Ignez, o elenco conta com mais de 80 atores, e a participação de diversos figurantes da comunidade de Heliópolis. Estão no trama, André Guerreiro Lopes, Djin Sganzerla, Maria Luísa Mendonça, Sérgio Mamberti, Simone Spoladore, Sandra Corveloni, Bruna Lombardi e Arrigo Barnabé.

Ney Matogrosso é o Bandido da Luz Vermelha (Foto: Gabriel Chiarastelli/Divulgação)
 
Esta não é a estreia de Ney na telona. O cantor, que já atuou num longa-metragem e em dois curtas, admite que aceitou o convite “meio assustado”, mas topou o desafio e diz que chega a se identificar com Luz Vermelha – personagem a um só tempo cruel, engraçado e debochado: “Ele faz crítica social. Ele se diz um Robin Hood dos pobres. O ponto de vista dele é de defesa do povo brasileiro e eu concordo com isso. (…) Ele se refere muito ao terceiro mundo, ao terceiro imundo, ele fala.”Já a personagem de Djin, se chama Jane – tal como a personagem de Helena no  filme de 1968. Helena interpretou a namorada de Luz Vermelha, e, em LUZ NAS TREVAS, Djin é a companheira de Tudo-Ou-Nada, filho do bandido com a personagem da atriz Sandra Corveloni, vencedora da Palma de Ouro de Melhor Atriz em Cannes.“O que se leva dessa vida, é a vida que se leva”. É com essa fala da Jane que a atriz começa a contar um pouco sobre sua personagem, que não têm apenas o nome em comum com a personagem vivida por sua mãe, garante a atriz: “As duas são mulheres fortes. São independentes e não esperam nada do homem, além da satisfação, da alegria do momento presente”. 

 
Djin: desafio e alegria em protagonizar roteiro do pai…
 
Ao mesmo tempo são Janes distintas. Para Djin, a principal diferença entre elas é que a sua personagem gosta do Tudo-Ou-Nada. A Jane do Bandido, porém, tem outra relação: “Ela é uma pistoleira tanto quanto ele. Ela é quem o dedura e se vinga. A minha Jane já não entraria no mundo do crime ao ponto de se incriminar. Por mais que ela seja um pouco selvagem, um pouco louca, ao mesmo tempo ela pensa que ele poderia mudar de vida”.
 
 
O preparo para viver a Jane de Luz nas Trevas – A Revolta de Luz Vermelha foi feito de diversas formas. Djin buscou inspiração em filmes, no trabalho da mãe e, principalmente, em uma fonte interna. “Eu empresto para a personagem uma certa liderança, a determinação e a vontade de viver, mas, ao mesmo tempo, sou diferente de tudo isso. Eu acho que esse é o grande prazer de viver uma personagem que é e não é como eu sou”, afirma a atriz. “A Jane é uma mulher que vive o momento presente. Ela representa o ápice do frescor, da alegria e do amor”, completa. 
 
 
Para DJIN, participar do filme é uma satisfação enorme e ela aponta o roteiro como ponto forte do filme: “É muito original, não convencional na forma de pensar e fazer cinema. É poético e, ao mesmo tempo, anárquico, um roteiro dos tempos atuais, é algo extraordinário”.
 
* Com informações de Silvia Ribeiro (G1, São Paulo), e Danielle Noronha, do UOL

Depois de virar “Bandido”, Ney Matogrosso conquista Sampa

Salva de Palmas: Aniversário da capital paulista terá show do magnífico Artista na praça da República …

A Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo convida para os festejos de hoje quando a cidade comemora seus 458 anos. A grande atração é o show Beijo Bandido com Ney Matogrosso na Praça da República, a partir das 20h. 
Com direção musical e arranjos de Leandro Braga, o show mergulha numa atmosfera intimista, em contraponto à sonoridade roqueira do projeto anterior do cantor. O título, Beijo Bandido foi inspirado na letra da música Invento, integrante do repertório, de Victor Ramil.

A seleção das músicas é enfatizada pela excelência e singularidade vocal de Ney, com tangos e canções populares brasileiras, algumas nunca gravadas por ele, como Medo de Amar, de Vinicius de Moraes e Bicho de Sete Cabeças, de Geraldo Azevedo, Ramalho e Renato Rocha.

No espetáculo desta noite, sai de cena o figurino exótico que tornou conhecido e amado o ex-vocalista da banda Secos & Molhados para dar lugar a um terno de cor clara, criação do festejado estilista Ocimar Versolato.

A produção tem caráter acústico e a banda que acompanha NEY reúne artistas como Leandro Braga (piano), Lui Coimbra (violoncelo e violão), Alexandre Casado (violino e bandolim) e Felipe Roseno (percussão).

Com sua performance espetacular e voz singular de contra-tenor, Ney Matogrosso empresta sua original leitura a canções como Tango para Teresa, sucesso na interpretação de Ângela Maria; De Cigarro em Cigarro, e Segredo, ambas gravadas em trabalhos anteriores.

Nascido na pequena cidade de Bela Vista, no Mato Grosso do Sul, Ney Matogrosso também vai mostrar no show desta noite clássicos como A Bela e a Fera, de Chico Buarque e Edu Lobo; e Nada por Mim, verdadeiro hino dos anos de 1980, criação do poeta Herbert Viannaque cedeu parceria a Paula Toller.

Cor do desejo é a única canção inédita do projeto e foi entregue pessoalmente a Ney por um dos compositores, Junior Almeida, durante a turnê do espetáculo anterior do cantor, Inclassificáveis, em Maceió.

Dentre as 19 músicas previstas para o show do aniversário da cidade de São Paulo, estão ainda As Ilhas, Doce de Coco, e À Distância, sucesso de Roberto Carlos e Erasmo Carlos.

TRADUZINDO: a praça da República de São Paulo viverá esta noite um de seus mais impactantes momentos artísticos com o imperdível SHOW deste Artista fenomenal que é NEY MATOGROSSO, um Midas da MPB – tudo que Ney canta vira preciosidade.

Arrisco-me até a dizer que, caso NEY resolvesse cantar o hit Ai, se eu te pego, do paranaense Michel Teló,  a música ganharia outra sonoridade, e talvez até se descobrisse nela algum valor a mais do que o de ser uma típica música-chiclete.

O que se comenta nas entrelinhas: depois de arrasar pelos festivais do mundo com sua magnífica performance como Ator, vivendo o BANDIDO DA LUZ VERMELHA, no filme de Helena Ignez – a partir de cuidadoso roteiro de Rogério Sganzerla -, Ney Matogrosso conquistou definitivamente o coração da paulicéia.

Quem já viu LUZ NAS TREVAS, o premiado filme da eterna musa Helena Ignez sabe do que estou falando. O filme se passa numa graande cidade qualquer, e é ambientado numa São Paulo moderna, caótica, contraditória, onde NEY vive o famoso Bandido da Luz Vermelha em outro momento de sua história – o primeiro foi em 1968, e o Bandido era Paulo Villaça.

Ney em cena de Luz nas Trevas: consagrado também como grande Ator

Helena Ignez colocou Ney Matogrosso para filmar em meio a comunidade de Heliópolis e ali NEY foi rigorosamente aclamado. O cantor, que iniciou carreira artística como ator, dá um show de atuação no filme e, sobretudo na cena final, onde aparece cantando e atuando, NEY conquista plateias e adesões, mundo afora. Não poderia ser diferente com Sampa. 

Os que ainda não viram, aguardem: LUZ NAS TREVAS será lançado nacionalmente em maio.

Viva São Paulo ! E PARABÉNS ao enorme público da capital paulista que tem hoje a chance de verouvir, de graça, UM SHOW  do mais alto quilate, o SHOW do Artista genial e singular que é NEY MATOGROSSO.

Todos à praça da República !

SARAVÁ !!!

 

HELENA IGNÊZ: “Com a minha pequena contribuição, espero tornar o Brasil melhor, mais interessante”

Musa do cinema marginal, Helena Ignez fala da vida e da relação com Glauber Rocha: “Paguei um preço altíssimo”

A atriz que foi casada com dois dos maiores diretores de cinema brasileiros, Glauber Rocha e Rogério Sganzerla, fala sobre a vida e o cinema 


Helena Ignez continua em ritmo frenético de trabalho…

Naquela quinta-feira, 1º de dezembro, ela estava triste. Havia recebido a notícia de que um amigo querido, e pai de sua neta Helene, tinha falecido de câncer, na França. Ao telefone, sua voz parecia embargada, e a emoção trouxe lembranças de tempos bons, vividos em Salvador, onde o conheceu. Extremamente ligada aos sentimentos, e aos encontros que a vida lhe proporcionou, Helena Ignez, completamente baiana, como ela se define, é do mundo. Tudo por causa do cinema. Participa de festivais de cinema realizados fora e dentro do país, ou para receber homenagens, ou para divulgar os filmes dela e do cineasta Rogério Sganzerla, com quem foi casada.

Aliás, ter sido esposa dos cineastas Glauber Rocha e Rogério Sganzerla, considerados pela crítica como gênios do cinema brasileiro, não seria o bastante para que Helena fosse reconhecida. Embora tenham sido fatos muitos importantes, são pouco para definir o que ela é, e o que significa para a cultura cinematográfica brasileira. Atriz de cinema e teatro, construiu sua carreira no Brasil, dentro do gênero do cinema marginal, termo, aliás, que ela discorda, pois para ela, “a própria essência do cinema brasileiro são esses filmes, no mais, os outros, ou estão muito ligados à televisao ou à outras áreas do consumo”.

Inventou uma forma nova de atuar, debochada, extravagante. Linda e provocante, aos 16 anos foi Glamour Girl em Salvador, tal como uma Miss, fez muitos homens das artes suspirarem, como João Ubaldo Ribeiro, com quem acabou só cultivando amizade. Começou a atuar com 17 anos, no curta ‘O Pátio’, de Glauber Rocha. Dentre tantos clássicos do cinema marginal, atuou em ‘A Grande Feira’ (1961), de Roberto Pires e ‘O Bandido da Luz Vermelha’ (1968), de Rogério Sganzerla. Aos 70 anos, continua trabalhando em um ritmo frenético. Em entrevista ao iBahia, Helena Ignez fala sobre seus projetos atuais e futuros, as dificuldades de se fazer cinema no país, a sua relação com Salvador, e a mágoa de não ter podido criar a sua primeira filha, Paloma Rocha. Confira.

Como está a sua vida atualmente?

A minha vida, hoje em dia, é uma vida completamente voltada ao trabalho, à arte e aos sentimentos, porque a arte é como a vida, é imensa. A forma de me dedicar a ela é acreditando nela profundamente. Levo uma vida de trabalho intenso, não só no Brasil, como fora do Brasil. Faço uma média de três a quatro viagens internacionais por ano, levando os filmes de Rogério Sganzerla e os meus, como ‘Luz nas Trevas’, que acabei de apresentar em Berlim, há cinco dias. Apesar de todas as dificuldades que nós, realizadores e artistas em geral, enfrentamos, meu trabalho tem se desenvolvido muito bem.

Aurora, Rosa Malagueta e Helena Ignêz durante o Amazonas Film Festival…

Quais são as dificuldades, especificamente?

A alta burguesia brasileira ainda não percebeu exatamente o valor da arte. Nesse momento da era Lula, o cenário se modificou um pouco. Todos os meus filmes, eu faço através de editais. De certa forma melhorou, porque pelo menos temos os editais e a possibilidade de, com isso, termos nossos filmes e peças de teatro realizados.

E o que você tem realizado? Fala um pouco sobre seus projetos.

Agora me descobriram para homenagens e como júri em festivais. Inclusive, em breve, vou receber uma homenagem no Festival de Cinema de Bagé. Atualmente estou em São Paulo com ‘O Belo Indiferente’. É uma instalação, da qual faço a direção, junto com André Guerreiro Lopes e minha filha Djim Sganzerla, e tem uma modernidade total. Uma instalação cênica extremamente ligada às artes plásticas, e que vai se tranformar num filme. Esse espetáculo foi considerado por algumas revistas brasileiras, como a Bravo, como um dos melhores do Brasil atualmente, e a Folha de São Paulo distinguiu entre os melhores espetáculos em cartaz. A grande alegria da minha vida é, junto com minhas filhas, está continuando essa obra, que comecei extremamente jovem em Salvador, com 17 anos, estreando e produzindo ‘O Pátio’, junto com Glauber.

Eu tenho três projetos. Um que é de transformar ‘Belos Indiferentes’ em filme, e já começamos a filmar. Tenho um roteiro, chamado ‘Ralé’, que é meu projeto maior, que pretendo filmar em maio. Ele fala um pouco do pensamento sobre o indígena, do antropólogo Eduardo Ribeiro de Castro, e tem no elenco muitos atores que fizeram o ‘Luz nas Trevas’, como Ney Matogrosso, que é um ator extremamente amado, Dijim Sganzerla, Aurora Miranda, que esta me ajudando na produção, Igor Cotrim, que ganhou um prêmio com ‘Elvis e Madona’, e tem o lançamento, em 2012, do ‘Luz nas Trevas volume 1 e 2’, a partir do edital em distribuição da Petrobrás, que ganhamos.

Helena Ignêz (con Alice Gonzaga): no Amazonas, onde foi homenageada, em defesa da reabertura do Cine Éden…

Você citou as homenagens que tem recebido. O que você acha sobre o reconhecimento do seu trabalho estar acontecendo?

Eu vejo que existe uma valorização desse trabalho que eu fiz com Rogério e com outros artistas, como Glauber e Julio Bressane, e isso tudo é muito valorizado principalmente pelas novas gerações. Acho isso bacana, porque vai ser jogado no futuro, sem a menor dúvida. Mas eu acho que não merecia. Sinceramente eu lutei sem ego. Acreditando numa coisa maior que eu mesma, sem esquecer jamais a frase de ‘O Bandido da Luz Vermelha’ “Sozinho a gente não vale nada”. Com a minha pequena contribuição, espero tornar o Brasil melhor, mais interessante.

O que você acha do título que te deram de musa do Cinema Marginal?

Essa palavra marginal carrega a dignidade vinda da frase de Hélio Oiticica “seja marginal, seja herói”, mas eu penso que não é marginal. A própria essência do cinema brasileiro são esses filmes, no mais, os outros, ou estão muito ligados à televisão, ou à outras áreas do consumo. Então esse cinema tem que ser considerado como muito importante, porque é um cinema livre, de pensamento, que questiona e que quer saber. Sou uma atriz que tem 70 anos de idade, que lutou sua vida inteira e que encontrou seus pares no mundo. É cinema marginal por isso, porque não é para a grande maioria.

Como foi a sua formação no cinema e no teatro, em Salvador?

A minha formação foi a mesma de Glauber, na Escola de Teatro, Música e Dança de Salvador, e assim até hoje venho desfilando esse colar de pérolas que, não sei se por sorte ou por carma, tenho a felicidade de ter nas mãos. Desde muito cedo eu venho sabendo o que é cinema e o que é arte, e com essa responsabilidade é que vou desenovolvendo a minha vida. Sou extremamente ligada emocionalmente a Salvador, e estou triste pela Salvador atual, que eu chamo de ex-Salvador.

Helena Ignêz passeia por Manaus com uma inquietação  criativa admirável… (foto de Aurora M. Leão)

Em que a cidade atual difere da Salvador presente nas suas lembranças?

Salvador se dedicou excessivamente ao comercialismo, ao axé, a cultura fácil e a cultura de massa, que não dignifica. Ela não acredita na inteligência do público, só no que há de mais medíocre. Eu conheci uma Salvador extremamente criativa, com artistas absolutamente geniais, como João Gilberto, o primeiro dos artistas baianos, que em nada é lembrado hoje em dia na música popular baiana. Tem surgido músicos extraordinários como Letieres Leite, que produz, mas não alcança o público por causa do axé, um axé estranho e que está, de certa forma, encobrindo essa grande força que é o ritmo, e sua riqueza. No momento a música está amarrada a esse Carnaval voltado para os camarotes. É um momento de vulgaridade e de desinteresse. Eu estou indignada porque faço parte disso também. Eu sou baiana, sou completamente baiana.

E o cinema baiano, você tem acompanhado? Se sim, tem gostado do que tem visto?

Adoro o cinema baiano. Ele tem sofrido muitíssimo, de certa forma, injustamente, porque foi onde nasceu um grande gênio, uma figura extraordinária e que tinha uma luz que cega, que é Glauber Rocha. Agora eu tive com um artista baiano da nova geração, o Henrique Dantas, que também está tentando trazer essa imagem de Salvador que a gente conheceu. Edgar Navarro é outro cineasta que eu acho interessante, o Pola, com ‘O Jardim das Folhas Sagradas’, o Gilson Rodrigues, quem conheceu de perto sabe o valor dele. E tantos outros baianos.

Houve um tempo em que você se afastou um pouco do trabalho, viajou muito, visitou muitos templos, e chegou a morar em um. Em que período da sua vida, isso ocorreu?

Eu tinha 30 anos, e achava que era uma idade extremamente madura! Hoje eu vejo que as pessoas começam a fazer seus trabalhos nessa fase, de 28 a 30 anos. E eu já tinha feito muitos filmes, e estava cansada. Ai resolvi parar um pouco a carreira e me dedicar ao tai chi chuan, e outras práticas energizadoras. A única coisa que me interessava era saber de onde viemos, e para onde vamos. Só queria saber a essência da vida, mas é uma coisa que a gente nunca vai saber, mas só o esforço de querer saber já traz alguma coisa muito boa. Hoje não pratico com a mesma intensidade, mas o que sobrou foi muito profícuo em mim, e eu nunca vou esquecer.


Sinônimo de elegância, simpatia e força, HELENA IGNÊZ agradece aplausos no Theatro Amazonas….

Para terminar, recentemente Nelson Motta lançou a biografia de Glauber Rocha, “A Primavera do Dragão”. Nele, seu nome aparece muitas vezes, e seu relacionamento com Glauber é contado minuciosamente. Você já chegou a ler?

Não cheguei a ler por inteiro, por estar trabalhando muito, e vários jornalistas têm me telefonado, querendo saber a minha opinião. Eu acho que é um livro dele. É mais uma ficção do que um livro documental, porque existe uma dramatização de fatos corriqueiros. Mas existe uma boa intenção no livro, eu sei que ele gostava muito de Glauber. É um livro de honra a Glauber, com quem fiquei casada durante cinco anos. Nossa relação sempre foi muito profunda, até próximo a morte dele.

No livro, ele cita os problemas vividos por vocês, durante a separação. Teve ficção em algum momento do relato?

Realmente houve aquele caso relatado por Nelson (no livro, Nelson Motta conta que Helena teve um namorado, enquanto era casada com Glauber). Eu me separei dele por causa de um motivo que, hoje em dia, seria totalmente natural, mas há alguns anos, foi um escândalo enorme! Vivi todos os preconceitos possíveis do machista. Eu acabei ferindo ele, sem nenhuma vontade. Eu simplesmente precisava viver a minha vida. Havia um sufoco muito grande dele pra mim. No fundo ele não acreditava nessa ética machista mas, ao mesmo tempo, ele sofria muito com isso.

Ele sofreu muito com a separação e eu também. Eu paguei um preço altíssimo, porque não criei minha filha, Paloma (Paloma Rocha é cineasta, e presidente do Templo Glauber Rocha, local onde está reunida toda a obra de Glauber, seu pai). Judicialmente, ele tomou ela de mim, simplesmente porque eu era uma atriz jovem, bonita, tinha 20 poucos anos, enquanto que, por traz, ele tinha uma família. E foi por ela que Paloma foi criada. Apesar de não ter tido nenhum impedimento, não fui eu a responsável pela criação dela. Ela já tem 50 anos e pra mim é um assunto do momento. Afinal, ela é minha filha.

Por Flavia Vasconcelos, do Correio da Bahia

Berlim recebe Helena Ignêz, Babenco, Henrique Dantas e Erik Rocha

Com a exibição de Vip’s, de Toniko Melo, será aberta logo mais,  às 20h, na Casa das Culturas do Mundo, na Alemanha, a terceira edição da Première Brasil Berlim, a qual vai exibitr até dia 27, dez títulos brasileiros recentes, com curadoria de Ilda Santiago, diretora do Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro.

 

O homenageado desta edição é o diretor Hector Babenco que terá três de seus filmes projetados ao longo no evento.

Os filmes a serem exibidos em BERLIM:

Vip’s, de Toniko Melo; Abismo Prateado, de Karim Ainouz; Luz nas Trevas, de Helena Ignez e Ícaro Martins; PixoteA Lei do Mais Fraco, de  Hector Babenco; O Passado, de Hector Babenco; Utopia e Barbárie, de Silvio Tendler; Diário de Uma Busca, de Flavia Castro; Transeunte, de Eryk Rocha; Filhos de JoãoO Admirável Mundo Novo Baiano, de Henrique Dantas.

Filme de Henrique Dantas, adorável passeio sobre música brasileira da Bahia, será exibido em Berlim…

No sábado, dia 19, às 18h, haverá um painel de discussão.

Casa das Culturas do MundoJohn-Foster-Dulles-Allee, 10 10557–  Berlin.

  

Ney Matogrosso protagoniza Luz nas Trevas: atuação que vem lhe rendendo só elogios…

LUZ NAS TREVAS, longa de Helena Ignêz e Icaro Martins, será exibido em Berlim.

Helena Ignêz é a presença feminina na Première Brazil em Berlim este ano, ao lado dos também cineastas Erik Rocha e Henrique Dantas.