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Cerrado terá HELENA IGNEZ em sua primeira Mostra de Cinema

Este é o flyer da primeira edição da Mostra de Cinema do Cerrado, que começa na próxima quarta, 25, na cidade mineira de Araguari, e prossegue até dia 31. 

A MOSTRA DE CINEMA DO CERRADO é uma realização de Sílvio Aguiar com apoio da Fundação Araguarina de Educação e Cultura ( FAEC) e parceiros.

 A intenção é provocar o estudo e a reflexão sobre a memória e a produção audiovisual brasileira contemporânea; a hegemonia de uma cultura universal de massas, e suas relações com o mercado e o Estado.

Djin Sganzerla e André Guerreiro Lopes estão em Luz nas trevas

Diz o material da Mostra: “Enquanto sujeitos culturais, temos a responsabilidade de romper paradigmas de mercado, e de políticas públicas de cultura, combinar ações e interações com órgãos públicos gestores de cultura para atender às demandas crescentes dos municípios, com um nível cada vez mais elevado de participação e controle social, consolidar uma produção cultural diversificada em um país plural, democratizando o acesso aos bens culturais”.

Filme de João Batista de Andrade está na programação…

A Mostra de Cinema do Cerrado será também uma oportunidade para divulgar o trabalho de estudantes de Cinema e Comunicação Social, que desenvolvem suas ideias sem recursos financeiros.  As apresentações prometem ainda movimentar o cenário cultural araguarino com palestras e oficinas de renomados cineastas brasileiros como João Batista de Andrade, Carlos Ebert,  João Rocha, Marina Person, Leopoldo Nunes e Sara Rocha.

Helena Ignez e esta Aurora de Cinema: sintonia de muitos afetos…

Entre as muitas atividades, um workshop com a premiada atriz e cineasta HELENA IGNÊZ (a eterna ‘mulher do Bandido’ e ‘moça do Padre’), que leva para o cerrado mineiro um pouco de sua múltipla experiência em Teatro, TV, Cinema, Artes Plásticas, Dança, energias orientais, e tudo o mais que envolva sensibilização e movimentos libertários.

Soube que já há mais de 200 pessoas inscritas para esta oficina com Helena Ignez. Prova de que, em Araguari, há uma gente ávida por novos conhecimentos na seara da Arte. Que maravilha ! E este contato com pessoas jovens de todas as idades, interessadas em conhecer Arte e apreender Cultura, é tudo que Helena Ignez mais aprecia. Portanto, a presença desta Mulher singular do nosso CINEMA em Araguari será um momento único de especial encontro com uma grande cineasta e atriz que marcou uma época de suma importância para a Cultura Brasileira.

E na grade de filmes convidados, filmes emblemáticos e raridades:

A Miss e o Dinossauro, de Helena Ignez
Anabazys, de Paloma Rocha e Joel Pizzini
Canção de Baal, de Helena Ignez
Helena Zero, de Joel Pizzini
Luz nas Trevas, de Helena Ignez
O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla
O País dos Tenentes, de João Batista de Andrade
O Tronco, de João Batista de Andrade
Profana, de João Rocha

Pizzini revela SGANZERLA e vence É Tudo Verdade…

Recebemos com alegria a notícia de que o filme Mr. Sganzerla – Os Signos da Luz venceu o festival É Tudo Verdade.

Este Sganzerla, ao qual o também cineasta e professor Joel Pizzini, nos aproxima, é o lendário Rogério Sganzerla, criador de O Bandido da luz vermelha, um dos mais festejados filmes brasileiros de todos os tempos.

Esperamos conhecer o filme de Joel muito em breve.

Enquanto isso não acontece, deixo com você, leitor amigo, o abalizado comentário do jornalista Luiz Zanin Oricchio, publicado no blog dele do Estadão…

Galáxia Sganzerla, ainda inexplorada

Mr. Sganzerla – Os Signos da Luz , de Joel Pizzini, é um filme-colagem, ou filme-ensaio sobre este que foi um dos mais importantes realizadores brasileiros.

Rogério Sganzerla, cuja trajetória, durante muito tempo, parecia resumir-se à sua obra-prima, O Bandido da Luz Vermelha, ressurge aqui em toda a sua paradoxal integridade. Paradoxal, porque, no caso de Rogério, teríamos de falar de uma integridade estilhaçada, o que pode parecer uma contradição em termos, mas talvez seja a única forma de se aproximar desse artista genial.

De maneira acertada, Pizzini não tenta uma abordagem linear da trajetória de Sganzerla, mas trabalha sobre núcleos de concentrações dos interesses do cineasta. Tampouco convoca palavra de especialistas sobre a obra do autor ou especula sobre a psicologia do personagem. Trabalha com trechos de filmes do próprio Sganzerla, e também as inúmeras entrevistas que este concedeu ao longo da sua vida. Mr. Sganzerla é um filme de montagem e, em sua feitura, incorpora as ideias do personagem sobre o processo de edição. Poderíamos portanto dizer que não se trata de um filme sobre Sganzerla, mas um filme com Sganzerla.

Das aproximações pelos núcleos de interesse, destaca-se, em primeiro lugar, o fascínio por Orson Welles. Objeto de vários filmes de Sganzerla – inclusive do último, seu testamento, O Signo do Caos, a malfadada, porém muito simbólica passagem de Welles pelo Brasil em 1942 assombra, por assim dizer, toda a obra de Rogério Sganzerla.

Como se sabe, Welles veio ao Brasil em 1942, durante a 2.ª Guerra, como parte da “política da boa vizinhança” do governo americano. Sua missão: filmar o carnaval brasileiro. Só que Welles via muito mais do que isso. Interessou-se pelas favelas e pelo samba, e teve em Grande Otelo e Herivelto Martins seus cicerones na noite carioca. Interessou-se também pela expedição dos jangadeiros cearenses que navegaram de Fortaleza ao Rio para reivindicar direitos trabalhistas a Vargas. Welles quis refazer a chegada dos jangadeiros à Baía de Guanabara e um deles, Jacaré, afogou-se, em acidente pouco esclarecido. Welles jamais se recuperou desse golpe e o filme, chamado It’s All True (É Tudo Verdade), foi interrompido.

Esse episódio marca toda a vida de Orson Welles e o “filme brasileiro”, como ele se referia a It’s All True, restou como trauma, como ele diz em seu depoimento a Peter Bogdanovich. Sganzerla incorpora esse trauma do mestre e o retoma como reflexão sobre a realidade brasileira. Passa a vida escavando esse acontecimento, com suas implicações simbólicas para a cultura brasileira. É o cerne de Mr. Sganzerla, como foi o núcleo duro da obra do próprio diretor.

Em torno dele se organizam outros planetas do imaginário de Sganzerla, como o tropicalismo, a paixão pela música nacional e Oswald de Andrade. Nossos telescópios críticos ainda investigam essa galáxia de modo muito distante.