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Inscrições ao SERCINE

A Cacimba de Cinema e Vídeo informa a abertura das inscrições do SERCINE – Festival Sergipe de Audiovisual, a acontecer de 8 a 13 de julho próximos.

Nessa terceira edição, o SERCINE reforça a busca para democratizar o acesso do público sergipano a obras audiovisuais de grande destaque, possibilitar a disseminação dos trabalhos de novos realizadores, disseminar a produção audiovisual da região nordeste, além de promover o acesso de portadores de necessidades especiais ao cinema através de mostras de acessibilidade.

Se você é um realizador e deseja participar, esta é sua chance ! As inscrições podem ser feitas através do site do SERCINE até 21 de fevereiro.

Os realizadores podem concorrer na Mostra Competitiva Cão de Telha, voltada ao Cinema Nordestino, e na Mostra Competitiva Nacional Universitária, voltada para realizadores universitários de todo o país.

A Ficha de Inscrição e o Regulamento estão disponíveis no www.sercine.com.br.

Mais informações: mostras@sercine.com.br

O SERCINE é uma realização da Cacimba de Cinema e Vídeo, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Cinema Brasileiro no Cazaquistão

O Palhaço é um dos filmes da programação da Mostra

Talento e versatilidade de SELTON MELLO serão aplaudidos na Rússia…

Idealizado pela Linhas Produções Culturais, em parceria com a Embaixada do Brasil no Cazaquistão, festival estreia em Almaty e Astana com produções de destaque em 2011 e 2012

Pela primeira vez, a Linhas Produções Culturais, em parceria com a Embaixada do Brasil no Cazaquistão e o Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores, realiza a Mostra de Cinema Brasileiro no Cazaquistão.

Com patrocínio da Embraer, a mostra acontecerá em duas das principais cidades do país. A partir desta sexta, e até dia 11 de dezembro, a Mostra passa por Almaty, um dos maiores pólos culturais da Ásia. Já entre os dias 10 e 13, o festival chega à capital Astana, destino preferido de muitos jovens empreendedores.

O projeto, que integra esforços da iniciativa privada e do poder público, tem como objetivo disseminar a cultura brasileira, apresentando produções cinematográficas contemporâneas a uma das mais importantes economias emergentes do mundo.

Para o embaixador do Brasil no Cazaquistão, Oswaldo Biato Júnior, a Mostra ganha este ano um novo impulso com a abertura em Almaty. “O Festival simboliza a importância do Brasil para o Cazaquistão, nossos vínculos culturais. A realização em Almaty, um dos maiores centros culturais da Ásia e maior centro financeiro do Cazaquistão, é a demonstração prática de nossa aproximação com o país”, afirma.

A opinião do embaixador é compartilhada por Fernanda Bulhões, diretora da Linhas Produções Culturais. “Há cinco anos organizamos o mesmo projeto na Rússia. O evento é um sucesso e já faz parte do calendário cultural oficial da capital do país. É um prazer poder expandir o festival para levar a um público cada vez maior a qualidade e diversidade do cinema brasileiro. Esperamos repetir o sucesso”.

Em cada uma das localidades, serão exibidos oito filmes. Para a abertura oficial, foi escolhido O Palhaço, de Selton Mello, na corrida por uma vaga ao Oscar 2013 na categoria Melhor Filme Estrangeiro. Além deste, foram selecionados outros grandes lançamentos do cinema nacional em 2011 e 2012: os dramas Amor?, de João Jardim,  Corações Sujos, de Vicente Amorim;  Estamos Juntos, de Toni Venturi; Heleno, de José Henrique Fonseca; Meu País, de André Ristum, e VIPs, de Toniko Melo. Completando a lista, o longa Capitães da Areia, de Cecília Amado, baseado no livro homônimo de Jorge Amado. A película comemora o centenário do escritor baiano, um dos mais festejados representantes da literatura brasileira.

Cronograma oficial da Mostra

Almaty:

7/12 (sexta-feira): O Palhaço, às 19h;

8/12 (sábado): VIPs, às 18h30;

Estamos Juntos, às 20h30;

9/12 (domingo): Corações Sujos, às 18:30

Heleno, às 20h30

10/12 (segunda-feira): Amor?, às 18h30;

Meu País, às 20h30;

11/12 (terça-feira): Capitães da Areia, às 20h

Astana:

10/12 (segunda-feira): Heleno, às 18h30;

                                 O Palhaço, às 20h30;

11/12 (terça-feira): Capitães da Areia, às 18h30

                                   Estamos Juntos, às 20h30

12/12 (quarta-feira): Corações Sujos, às 18h30

Meu País, 20h30

13/12 (quinta-feira): VIPs, 18h30

              Capitães da Areia, 20h30

Tudo pronto para o I Araxá Cine Festival

Semana de intensa e diversificada programação vai movimentar o festival mineiro

Começa amanhã a edição inaugural do Araxá Cine Festival, festival de cinema idealizado pela produtora e cineasta Débora Torres, e que promete colocar Araxá de vez no circuito dos grandes eventos de cinema do país.

Com solenidade de abertura agendada para às 19 horas desta segunda, 10 de setembro, o Araxá Cine Festival terá como sede o Tauá Grande Hotel e Termas de Araxá, um marco turístico importante da cidade, lugar dos mais visitados e apreciados por turistas de todas as partes do mundo, além de ter servido de cenário para muitas das cenas do filme Vazio Coração, de Alberto Araújo.

Durante o dia, haverá uma extensa e diversificada programação, oferecida aos participantes do festival, moradores de Araxá, realizadores e estudantes de Comunicação, Artes e Audiovisual, além de um chamado ‘Festivalzinho’, dedicado à garotada. Todas as atividades do Araxá Cine Festival serão gratuitas, o que, por si só, já é um atrativo a mais numa programação recheada de atrações relevantes.

Entre oficinas e workshops, em número de seis, haverá também debates, lançamentos de livros e DVDs, bate-papo com a imprensa, shows musicais, homenagens e exibições especiais. O produtor e cineasta Walter Webb vai ministrar oficina conjugando o tripé Produção/Roteiro/Direção;  o diretor Aluizio Abranches vai ministrar workshop de Direção; o ator e escritor Germano Pereira fará workshop abordando questões ligadas ao tema Adaptação Literária para o Cinema. Já o cineasta João Batista de Andrade responde pelo workshop sobre Cinema Brasileiro, enquanto a atriz Ingra Liberato vai comandar o workshop sobre Interpretação; e Rosamaria Murtinho vai conversar sobre sua experiência no cinema, televisão e teatro.

Incluída no Circuito Turístico da Canastra, a cidade de Araxá vai viver dias de epicentro do Cinema Brasileiro, a partir do Tauá Grande Hotel e Termas…

A  programação do 1º Araxá Cine Festival consiste em mostras competitivas cinematográficas, nas seguintes categorias: longas-metragens brasileiros de ficção convidados, curtas-metragens mineiros convidados e curtas-metragens araxaenses selecionados, além do “Festivalzinho” para as crianças da rede municipal e estadual de ensino, palestras, debates, lançamentos de livros, shows musicais, oficinas e workshops de audiovisual.

Débora Tôrres à frente do festival que vai fazer de Araxá a Capital do Cinema Brasileiro

O festival é um projeto da produtora cinematográfica Débora Tôrres (que também produziu em Araxá o longa-metragem VAZIO CORAÇÃO),  realizado através da Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet – Ministério da Cultura)  com apoio da Associação de Música de Araxá – Sra.Débora Arantes – e da Secretaria Municipal de Turismo – Sra. Alda Sandra -, e patrocínio da CBMM e CEMIG. Todas as atividades  são gratuitas e de livre acesso. Não é necessária a retirada de convites para as mostras, apenas interessados na oficina e nos workshops deverão fazer suas inscrições antecipadamente através do site do festival.

Local onde fica a antiga Fonte da Jumenta, atual Fonte Dona Beja, um dos pontos turísticos mais procurados de Araxá devido a seus poderes de rejuvenescimento.

SERVIÇO

1º ARAXÁ CINE FESTIVAL

Data: 10 a 16 de setembro de 2012

Locais: Tauá Grande Hotel de Araxá e Teatro Municipal de Araxá (festa de premiação)

Mais informações: www.araxacinefestival.com.br e www.facebook.com/araxacinefestival

Araxá na tela: VAZIO CORAÇÃO terá pré no Araxá Cine Festival

AURORA DE CINEMA na cobertura do ARAXÁ CINE FESTIVAL

O Grande Hotel Termas de Araxá, cenário de cinema que vai abrigar o I Araxá Cine Festival…

O filme Vazio Coração, que teve 80% das cenas gravadas em Araxá, no Alto Paranaíba, é uma das mais aguardadas atrações da noite de abertura do I Araxá Cine Festival. O filme de Alberto Araújo terá uma prévia lançada para convidados e público do Festival que vai tornar Araxá a Capital do Cinema Brasileiro, a partir desta segunda, 10 de setembro.

Pontos turísticos e ruas de Araxá fazem parte de 80% do filme. A produção-executiva é da também cineasta Débora Tôrres e o elenco vai estar presente nesta noite de lançamento festivo no Tauá Grande Hotel e Termas de Araxá, onde também se passam algumas cenas.

Um dos ambientes do Grande Hotel de Araxá, já em clima de Cinema…

As primeiras cenas foram rodadas durante a 48ª edição da Feira Agropecuária de Uberlândia (Camaru), quando o protagonista, o ator Murilo Rosa, subiu ao palco do parque de exposições, interpretando o cantor Hugo Kari.

Murilo Rosa vive Hugo Kari e ‘assume’ seu lado cantor…

De Uberlândia, o elenco seguiu para Araxá, Patrocínio e Brasília. Murilo Rosa cantou a música Ouça Bem, um pop sertanejo, de autoria de Willian Borjazz e do próprio diretor, Alberto Araújo. Mas cantar não foi novidade para o ator, que iniciou carreira em 1993, no teatro, com o musical A Gente Não Tem Cara de Babaca, sobre a vida de Gonzaguinha. “Eu canto sempre e tenho uma voz razoável. Mas lá no palco, meu personagem me protegeu. Estive como ator, não como cantor”, disse Murilo Rosa.

Murilo Rosa, Oscar Magrini, Alberto Araújo e Othon Bastos nos bastidores das filmagens de Vazio Coração

Conforme a produção prometera, Vazio Coração será visto, pela primeira vez, pela própria cidade de Araxá. Com investimento da Prefeitura Municipal da cidade mineira, o longa-metragem de 90 minutos conta com atores bastante conhecidos e de trabalho aplaudido pelo grande público, como o já citado  Murilo Rosa, Othon Bastos, Lima Duarte, Bete Mendes, Oscar Magrini, Larissa Maciel, e ainda o Embaixador Lauro Moreira.

Murilo Rosa conversa com a produtora Débora Tôrres…

O filme Vazio Coração é também uma espécie de retorno às origens do elenco. Murilo Rosa retorna a Brasília, e Patrícia Naves a Patrocínio. O diretor Alberto Araújo, natural de Coromandel, mas radicado em Goiânia, diz ter uma relação forte com a região, onde há 20 anos gravou o curta Minha Senhora Solidão, vencedor do 1º Festival Latino Americano de Florianópolis: “Este é meu segundo filme e coincidentemente em Araxá. Quando pensei na cena do show, não tive dúvida que seria em Uberlândia”.

Segundo Débora Torres, produtora-executiva do longa, 80% do filme acontece em Araxá, passando pelo Grande Hotel, Museu da Dona Beja e pelas paisagens do Horizonte Perdido.“Foi lindo lá, com imagens de parapentes, asas deltas”.

Segundo Murilo Rosa, que não esconde a satisfação por protagonizar mais um longa, “É um filme familiar e fala dessa liberdade em escolher o que se quer ser. Nunca vivi isso… meu pai, Odair, é meu empresário e sempre me apoiou”.

A população de Araxá colaborou com a realização de Vazio Coração

Rodado no segundo semestre de 2010, o filme movimentou a cidade da Dona Beja. Oitenta pessoas da equipe técnica e atores, além de quase três mil figurantes do município, fizeram dos pontos turísticos e ruas da cidade de locações para as filmagens.

Lima Duarte e Alberto Araújo no set do filme rodado em Araxá e cidades vizinhas…

Vazio Coração  conta a história de Hugo Kari, cantor brasileiro de renome nacional que resolve fazer uma pausa em sua atribulada agenda para se encontrar com o pai, o embaixador Mário Meneses, no Grande Hotel Termas de Araxá, onde a família passava férias, quando Hugo era criança. Ali, naquele cenário bucólico, de boas recordações para ambos, filho e pai  tentam colar os cacos de uma relação, quebrada por desencontros de sonhos, ideais e uma tragédia que os marcou para sempre. Mas Hugo não imagina o quanto precisará  cavar para reabrir o túnel sob essa montanha de sentimentos que os separa.  Vazio Coração é uma reflexão sobre os laços de família.

Alberto Araújo e Débora Tôrres quando Vazio Coração ainda estava só no papel…

O filme tem produção-executiva da nossa querida amiga Débora Torres, cineasta e profissional das mais aguerridas, enquanto Alberto Araújo assina roteiro e direção.

Detalhes do lançamento no ARAXÁ CINE FESTIVAL você acompanha aqui, a partir da próxima segunda, 10 de setembro, quando terá início o I Araxá Cine Festival.

Reta final de inscrições ao BRAFFTV

A organização do BRAFFTV se prepara para a etapa de seleção dos filmes participantes da Mostra Competitiva, logo após o encerramento das inscrições, na próxima quarta, 25 de julho, às 23 horas e 59 minutos (hora Canadá). Os filmes poderão ser inscritos no link http://www.brafftv.com/brafft/regulamento.html

  

A mostra competitiva do BRAFFTV apresenta ao mercado canadense produções brasileiras realizadas nos últimos dois anos – documentário e ficção – longas, média e curtas-metragens. Os filmes premiados recebem o troféu Golden Maple para Melhor Público,  Ator, Atriz, Diretor e Filme nas  seguintes categorias:   “Curta/Média”  e  “Longa”. O Melhor Documentário também é contemplado. 
Este ano, a programação se estenderá por todo o mês de outubro, no Bloor Cinema, Carlton Cinema e TIFF Bell Lightbox, com atividades variadas em torno do mercado cinematográfico:
* Pré-BRAFFTV com apresentação gratuita na Biblioteca Pública de Toronto,
* Mostra Convidada e Competitiva,

* Mostra Brah-zoo-kah – filmes feitos por brasileiros que moram foram do país,

* Mostra Brazil through other eyes (O Brasil visto por outros olhos )– dedicada a cineastas internacionais que utilizam o Brasil como tema de suas obras,

* Encontro com profissionais da indústria cinematográfica canadense com o objetivo de fomentar negócios e  incentivar novas co-produções,

  * Visitas técnicas a estúdio de cinema e produtora canadense,

  * Vitrine Televisiva com a exibição de pilotos  para compradores de televisão e produtores canadenses,

  * Painel sobre mercado brasileiro para produtores canadenses,

* Seminários, palestras e oficinas profissionalizantes na Universidade
de Toronto,

* Feira permanente de produtos e serviços brasileiros no Carlton Cinema.

Os festivais filhotes gerados pelo BRAFFTV como o UpTo3′ – filmes transmídias de até 3 minutos – e o Pink Latino – mostra de filmes de diversidade e gênero – também acontecerão em outubro.

25 anos de imigração

Em 2012, comemora-se o aumento da grande leva de brasileiros no Canadá. Para marcar essa data, o BRAFFTV irá apresentar  diversas histórias na festa de lançamento, dia 3 de outubro, no Lula Lounge.   O assunto também será tema de debate na Universidade de Toronto. O  filme Under the Table (Toni Venturi),  rodado no Canadá, quando Toni estudou na Ryerson University, abrirá as discussões.

Os vencedores do É Tudo Verdade, por Carlos Alberto Mattos

A força dos personagens

Meirelles, Cuíca, Sganzerla

Apesar do espaço cada vez maior que os festivais de cinema brasileiros vão abrindo para os documentários, o É Tudo Verdade continua a ser a menina dos olhos da turma do real. É ali onde se forma um certo senso de comunidade, e o foco se concentra nas questões dessa modalidade de cinema. O festival virou um motivo a mais para novos documentaristas se aventurarem a bordo de suas câmeras.

No último dia 31, foram conhecidos os premiados da 17ª edição, encerrada no Rio e em São Paulo, seguindo dia 10 para Brasília e em maio para Belo Horizonte. O vencedor da competição brasileira de longas-metragens leva um prêmio no valor de 110 mil reais – mais um motivo de interesse para quem lida com os orçamentos miúdos da chamada não-ficção.

O que salta aos olhos desse conjunto de sete trabalhos selecionados pelo festival é, mais que tudo, a força dos personagens centrais. À exceção de Tokiori – Dobras do Tempo, de Paulo Pastorelo, que trata de uma rede de imigrantes japoneses numa área rural de São Paulo, os demais são dominados por personalidades fortes. Quatro delas dão título aos respectivos filmes, mostrando como a personalização é dado recorrente na pauta dos documentaristas brasileiros. De todos, Mr. Sganzerla, de Joel Pizzini, e Os Irmãos Roberto, de Ivana Mendes e Tiago Arakilian, antípodas em matéria de estilo, são os que mais se colam à forma de expressão dos seus personagens.

Pizzini cria uma espiral barroca de referências para apresentar o cineasta Rogério Sganzerla através de quatro grandes admirações: Orson Welles, Oswald de Andrade, Noel Rosa e Jimmi Hendrix. Pelo uso abundante de falas de Sganzerla, numa edição veloz, o filme reproduz a sua verve de enfant terrible, as alusões obsessivas e o estilo indisciplinado que o fizeram, assim como Glauber Rocha, quase tão importante pelo que disse e escreveu como pelo que filmou. A impressão de excesso é parte da proposta um tanto avassaladora de ser fiel ao personagem.

No extremo oposto da escala de irreverência, Os Irmãos Roberto enfoca, com imagens e depoimentos bem organizados, o trabalho dos arquitetos modernistas Marcelo, Milton e Maurício Roberto, responsáveis pelo célebre escritório MMM Roberto. O filme os apresenta através de falas e imagens bem compostas, editadas de maneira a sugerir linhas de continuidade e harmonia de formas condizentes com a obra que enfoca. Embora nada se fale da vida pessoal dos Roberto, são eles, como personagens, que norteiam um debate mais amplo sobre os destinos arquitetônicos do Rio de Janeiro.

Uma figura como Dino Cazzola, o produtor cinematográfico italiano que registrou a criação e consolidação de Brasília durante três décadas, tem sua vida privada referida rapidamente em Dino Cazzola – Uma Filmografia de Brasília. No filme, Andrea Prates e Cleisson Vidal trazem uma seleção de imagens daquele acervo praticamente desconhecido. A intenção é contar a história da capital por um viés crítico, ainda que se utilizando de filmagens quase sempre “chapa branca” em sua origem. Mas os poucos dados biográficos de Cazzola despertam a curiosidade do espectador. Com sua cidade destruída, ele teria ajudado os pracinhas brasileiros na Itália e vindo com eles para o Brasil ao fim da II Guerra.

Paralelo 10, de Sílvio Da-Rin, e Coração do Brasil, de Daniel Santiago, são filmes de expedição que se inscrevem numa das primeiras tradições do documentário brasileiro. Mesmo assim, são os personagens principais que controlam o timão dos docs. Paralelo 10 viaja com o sertanista José Carlos Meirelles por um rio do Acre, nas proximidades da área dos índios isolados. Meirelles é um dos fundadores da nova mentalidade indigenista que visa respeitar o direito do índio ao não contato. Já em Coração do Brasil, são três homens de idade avançada que se dispõem a refazer a viagem que empreenderam 30 anos antes ao centro geográfico do Brasil, em terras indígenas do Mato Grosso. Aqui também, é a personalidade dos viajantes que acaba se sobrepondo às peripécias do trajeto.

Nenhum, porém, é mais pitoresco do que o personagem-título de Cuíca de Santo Amaro. O poeta de cordel que fez a crônica social e política de Salvador nos anos 40 a 60 era um Malasartes nativo, um “canalha modesto” no dizer aproximado de Millôr Fernandes. Sua trajetória entre escândalos, propinas e a picardia dos versos é contada com gosto no filme de Joel de Almeida e Josias Pires. Há poucas imagens de Cuíca, mas seu perfil está na tela pelas vias de um bom relato.

Acesse: http://carmattos.wordpress.com/ https://twitter.com/carmattos.