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Workshop, bate-papo e exposições no Encontros de Agosto

Prosseguem amanhã, 20, as atividades do Encontros de Agosto 2011, que acontece em comemoração ao mês da Fotografia, numa iniciativa do Forum da Fotografia – Ceará. O evento tem como tema Fotografia Contemporânea – linguagem e pensamento, e conta com exposições, seminários, palestras e workshop, na busca de refletir sobre as questões da fotografia e sua inserção no campo das artes.

A galerista e curadora Isabel Amado ministra neste sábado, a partir das 9h30, workshop com o tema Fotografia e o mercado da arte no auditório do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. A participação é mediante inscrições já encerradas. À tarde, das 16h às 18h, no Centro Cultural Banco do Nordeste – CCBNB (Rua Floriano Peixoto, 941, Centro) acontece um bate-papo sobre Fotografia Contemporânea, com Eder Chiodetto (SP) e Silas de Paula (CE). 

O Encontros de Agosto é uma iniciativa do Fórum da Fotografia – Ceará, sob coordenação-geral de Patrícia Veloso e coordenação-executiva de Glícia Gadelha, tendo como conselheiros os fotógrafos Silas de Paula, Solon Ribeiro e Tiago Santana. A realização é do Instituto Anima Cult, Imagem Brasil e Centro Cultural Banco do Nordeste; em parceria com o Instituto da Fotografia (Ifoto), Rede de Produtores Culturais da Fotografia Brasileira (RPCFB) e Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal do Ceará; e apoio de Gráfica Santa Marta, Prefeitura de Fortaleza e Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura. 

Como parte da programação, estão abertas as seguintes exposições: 

Tudo é Fotografia Até 2 de outubro no Sobrado Dr. José Lourenço (Rua Major Facundo, 154, Centro, Fortaleza/CE. Tel: 85-3101.8826. Visitação de terça a sábado, das 9h às 19h, e aos domingos, das 10h às 14h. Coletiva de trabalhos de cerca de 60 fotógrafos cearenses e residentes no Ceará, selecionados pelo Encontros de Agosto 2011 (www.encontrosdeagosto.net). Abertura dia 19, às 19h. 

Encontro de Olhares – Até 10 de setembro na Galeria Multiarte (Rua Barbosa de Freitas, 1727 – Aldeota). Visitação de segunda a sexta, das 9h às 18h, aos sábados, de 14h às 20h. A exposição é composta pelas mostras Die Reise (Beatriz Pontes), Rendez-Vous (Bia Fiúza), Europa (José Albano) e Mucuripe 1952 (homenagem a Chico Albuquerque) e integra a programação do Encontros de Agosto 2011. Informações: 85.3261.7724 e www.galeriamultiarte.com.br.

Foto José Albano

Na Avenida – Até 17 de setembro na Galeria Antônio Bandeira (Rua Conde D’Eu, 560, Centro. Tel: 85-3253.0377). Visitação de segunda a sexta, das 9h às 17h, e aos sábados, das 9h às 13h. A expô do fotógrafo Chico Gomes também é parte do Encontros de Agosto 2011 (www.encontrosdeagosto.net). 

Do instante à Imaginação – Até 26 de agosto na Galeria Casa D’Arte (Rua Barbosa de Freitas, 1035, Aldeota. Tel: 85-3224.9870). Visitação de segunda a sexta, das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 13h. A individual é assinada pelo fotógrafo Gentil Barreira.  (www.encontrosdeagosto.net). 

Nas esquinas – Até 17 de setembro na Galeria Antônio Bandeira (Rua Conde D’Eu, 560, Centro. Tel: 85-3253.0377). Visitação de 12 de agosto a – de segunda a sexta, das 9h às 17h, e aos sábados, das 9h às 13h. A individual é do fotógrafo Henrique Torres (www.encontrosdeagosto.net). 

 

Foto Sheila Oliveira

Postais do Ceará – Até 13 de setembro no Centro Cultural Bom Jardim (Rua 3 Corações, 400, Bom Jardim. Tel: 85-3497 5981). Visitação de terça a domingo, das 9h às 12h e das 14h às 18h. Coletiva de 20 fotógrafos cearenses, realizada pelo Instituto da Fotografia (Ifoto). www.encontrosdeagosto.net 

Correspondências Visuais – Até 16 de setembro no Centro Cultural do Banco do Nordeste (Rua Floriano Peixoto, 941 – Centro – Tel: 85- 3464.3108). Visitação de terça a sábado, das 10h às 20h, e aos domingos, das 12h às 18h. A coletiva é de Marcelo Brodsky, Tiago Santana e Cássio Vasconcellos.  

Foto de Marcelo Brodsky

Buena memória – Até 18 de setembro no Centro Cultural do Banco do Nordeste. Visitação de terça a sábado, das 10h às 20h, e aos domingos, das 12h às 18h. A individual é assinada por Marcelo Brodsky. 

Ensaístas Até 16 de setembro na Galeria Mariana Furlani (Rua Canuto de Aguiar, 1401, Meireles. Tel: 85-3242.2024). Visitação de segunda a sexta, das 10h às 19h, e aos sábados, das 9h às 13h. A exposição é composta das mostras Beira mar de todos os dias (Sheila Oliveira), Encante (Gustavo Pellizzon) e Down Under (João Palmeiro). 

Barbearia do Tempo – Na Casa da Cultura de Cascavel (Av. Chanceler Edson Queiroz, 3335, Centro. Cascavel – CE). A individual de Sérgio Carvalho está em www.encontrosdeagosto.net 

Múltiplos – Até 1º de setembro na Galeria Mestre Rosa (Rua Ana Gonçalves, 342, São João do Tauape. Tel: 85-3257.8000). Visitação de segunda a sexta, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 14h. A individual é da fotógrafa Nely Rosa.

Tempos sombrios em Mostra no CCBN

 

Exposição fotográfica de Marcelo Brodsky é documento sobre ditadura militar na Argentina e no mundo

A exposição “Buena Memoria”, do fotógrafo argentino Marcelo Brodsky, será aberta no Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza na próxima terça, 16, às 18 horas, ficando em cartaz até 18 de setembro, com entrada franca (horários de visitação: terça-feira a sábado, de 10h às 20h; e aos domingos, de 12h às 18h).

Um lugar de ausência? (texto de Diógenes Moura)

O fotógrafo argentino Marcelo Brodsky construiu um ensaio fotográfico a partir de ausências tão próximas quanto ele mesmo, o desaparecimento do seu irmão Fernando, do seu amigo Martín, dos amigos dos seus amigos, dos que ele já tinha ouvido falar, dos que ele nunca ouviu falar e mesmo não conhecendo eram tão próximos de uma mesma dor, de uma fenda que se abriu na vida e nas famílias de cada um dos desaparecidos, dessa amargura de um adeus nunca revelado: “Buena Memoria” é um documento sobre a ditadura militar na Argentina e em todas as outras partes do mundo onde o sistema político atiçou (e ainda atiça) as suas garras.

Com fotografias de família e retratos dos colegas de turma do Colégio Nacional de Buenos Aires, o artista reescreveu uma identidade perdida a partir das imagens dos que estão vivos, para localizaar em algum lugar do passado, a sua própria história e, nesse caso, tratar sobre uma memória universal que não se perdeu e é definitiva para o hoje mundo “democrático” entender que não poderemos seguir adiante sem que todos esses nomes sejam repetidos, repetidos e repetidos como verdadeiramente o são no corpo vivo de “Buena Memoria”. Assim, teremos o retrato de um tempo. É esse tempo que Brodsky perpetua acompanhado pelas suas próprias palavras e pelas palavras de amigos que sabem o que significam até hoje aqueles anos de assassinatos, desaparecimentos, silêncio, mudez e morte anunciada.

Trata-se também de uma exposição sobre a literatura dessa ausência. Sobre a forma verídica de um acontecimento. Chega ao Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza num momento importante, o bicentenário das lutas de resistência na América Latina. “Buena Memoria” é, portanto, um livro aberto que poderá mudar a cada instante: Claudio, Martín, Fernando e todos os outros nomes desaparecidos vistos simbolicamente pelos alunos de hoje nas imagens da série Ponte da Memória. Refletidos nos rostos deles, os outros, nos mesmos, os que aqui ficamos para não esquecer, para nunca esquecer que o terrorismo foi assim: apagou de sua frente nomes e sobrenomes sem se importar com o trauma que apenas encontra sinônimo nos horrores da guerra.

“Buena Memoria” reconstrói Marcelo Brodsky para si mesmo. Traz de volta (sim, sabemos que isso não é possível) o seu amigo Martín quando os dois queriam ser fotógrafos. Traz de volta seu irmão Fernando, numa foto feita por Sara, a mãe dos dois. Uma única fotografia do filho que não voltou, sentado num teatro vazio. Apenas (e tudo) isso. Não será jamais uma fotografia muda. Traz para diante de nós o retrato 3 x 4 de Claudio onde ele olha e pensa que os “fins justificam os meios”, e traz ele mesmo, Brodsky, num navio, ao lado de seu irmão sobre as águas marrons do rio da Prata (“permanecemos em um lugar desconhecido”) onde os corpos eram atirados e onde hoje, em Buenos Aires, está instalado o Parque da Memória. É lá, naquele espaço onde a emoção perde o nome, que justamente estão inscritos os nomes de quase todos os desaparecidos. Ao trazer para os nossos olhos a própria história de Marcelo Brodsky irmanada à história de muitas outras famílias, “Buena Memoria” cruza o espaço da vida com o que a vida, a palavra, a memória e a fotografia têm de mais extraordinário: ir do ontem ao muito além.