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Déborah Secco: talento e beleza em novos personagens

Deb Secco

Atriz de beleza, talento e versatilidade, Deborah Secco faz da mocinha à periguete com a mesma determinação, passando pela vilã com igual competência…

Deb Natalie

Deborah Secco como Natalie Lamour, inesquecível personagem de Gilberto Braga na novela Insensato Coração

DEB simples

A atriz se prepara para voltar às telas em dois novos papéis: será uma  viciada e soropositiva no filme Boa Sorte, de Carolina Jabour, e vai interpretar a cantora Joelma em filme sobre a Banda Calypso.

No filme Boa Sorte, Débora Secco vai interpretar uma mulher que beira a insanidade e quer curtir seus últimos instantes na Terra intensamente.Para assumir o desafio, Deborah cortou os cabelos. Mas avisa que ainda vai descolorir os fios, em breve, assim que as filmagens começarem.

Deb model

O filme BOA SORTE tem roteiro de Jorge Furtado: “Ela vai querer aproveitar seus últimos momentos de vida de uma forma muito louca”, revela a atriz.

Deb Surfistinha

Como Bruna Surfistinha, personagem que rendeu à atriz troféu de Melhor do Ano pela Academia Brasileira de Cinema…

Quando junho chegar, Deborah Secco começa a gravar ‘Isso é Calypso — O Filme’, enfocando a história da dupla Joelma e Chimbinha. Para viver a protagonista, Deborah vai colocar aplique louro nos cabelos.

Um dos mais belos rostos da telinha brasileira, Deborah Secco é também atriz versátil e de muito talento…

Deb Chic

Deborah Secco é também uma de nossas atrizes mais elegantes e vive participando de desfiles e editoriais de moda…

Deb em Contos de Verão

Deborah Secco: linda, sapeca e talentosa desde garota…

Saiba mais sobre DEBORAH SECCO:

Ela tinha apenas 8 anos quando estreou na telinha fazendo publicidade; aos 10 anos, encenou seu primeiro espetáculo, Brincando de Era uma Vez; e, aos 11 fez sua primeira novela, Mico Preto da Rede Globo.

No teatro, sua atuação na peça Sapatinhos Vermelhos lhe valeu a indicação ao Prêmio Coca Cola de Teatro, na categoria de Atriz Revelação. Mas foi em 94 que ganhou o respeitado prêmio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) por sua atuação no seriado  Confissões de Adolescente, na pele da esperta Carol, em 1994, dirigida por Daniel Filho, em texto de Maria Mariana adaptado pelo dramaturgo/ator/diretor e cineasta Domingos Oliveira.

De lá pra cá, Deborah Secco não parou mais e vem acumulando troféus, simpatias, fãs e boas críticas por onde passa.

Deborah Secco em Confissões de Adolescente

No episódio ‘A suicida da Lapa’, do seriado As Cariocas…

Deborah Secco hoje tem lugar cativo no coração do´grande público…

Rô Caetano Vê INSENSATO CORAÇÃO…

 
Com a sensatez, perspicácia e olhar acurado que lhe são próprios, querida jornalista MARIA DO ROSÁRIO CAETANO faz breve mas judiciosa análise da novela INSENSATO CORAÇÃO, do craque do estilo, GILBERTO BRAGA, atual atração das 21h na TV Globo.

Glória Pires e Gabriel Braga Nunes: fortes emoções aguardam desenrolar da trama…

Fiquei feliz de ver que minha admiração por Gilberto tem uma parceira da envergadura de Rô… parece que, como eu, ela também é uma noveleira braba

EBAAAAAAAAAAAA !!!

Vamos ao comentário:
 
            Li, com imenso atraso, em O Globo, análise de Patrícia Kogut (de quem sou leitora fiel) sobre possíveis causas da novela de Gilberto Braga & parceiros ainda não estar bombando no ibope.

Entre outras razões, ela aponta a semelhança de papéis atribuidos a determinados atores. Ou seja, eles (os atores) estariam, em curto espaço de tempo, repetindo  personagens muita semelhantes, ainda muito presentes na lembrança dos espectadores…

Paola Oliveira e Maria Clara Gueiros também na nova trama de Gilberto Braga

Na minha avaliação (ainda não perdi um só capítulo da novela de Braga!!!!), esta é uma causa secundaríssima.
Creio que o que está pegando é o tratamento OUSADO das relações familiares (a anatomia
rodrigueana de famílias disfuncionais), o sexo onipresente e despudorado e… também …. o racismo da sociedade brasileira. Ou, pelo menos, de parte dela. Com ousadia (muita CORAGEM, mesmo!),Braga & parceiros entregaram a um ator negro (Lázaro Ramos, talentosíssimo, que eu amo!!!) o papel de um PEGADOR.

E pegador de mocinhas brancas, louríssimas (como a maravilhosa, neste tipo de papel!!!, Debora Secco: a maluquete dela é fascinante!!!).
Lázaro — repito — é talentosíssimo e está dando conta do RECADO, com louvor.

Lázaro e Pitanga: dupla ainda vai dar muito o que falar…

Para agravar, em mentes mais fechadas,  ele nem é um tipo bonitão (como Rodrigo Santos, Toni Garrido, Seu Jorge, César Negro: é este o nome do black lindíssimo de “Boleiros 1”???)… Eu custo a esperar as entradas dele (Lázaro Ramos)… A sequência em que ele levou Carol (Pitanga) para um passeio de iate foi show… e o dia em que ele perfumou o dito cujo???

Fico pensando numa “Senhora de Santana” (lembram delas???) vendo isto. Deve ficar escandalizada e mudar de canal… Gilberto Braga pagou caro pela ousadia inicial de “O Dono do Mundo” (Fagundes desfrutando das primícias de Mallu Mader, antes do jovem marido dela!!!). É gente conservadora que está rejeitando a novela…

Deborah é destaque como Natalie Lamour: ibope sobe quando personagem aparece

 

Eu não me interesso pelo casal protagonista, achei as cenas a la AEROPORTO ultra-inconvincentes, folhetinescas demais… mas estou
adorando as partes “família” rodrigueana… E adorando ver o show de atrizes como
Ana Lúcia Torre (ouvi entrevista maravilhosa dela na Rádio Jovem Pan, incluindo REFLEXÕES DE UM LIQUIDIFICADOR), Glória Pires, Debora Evelyn e Debora Secco (pavorosa em novela em que fazia uma roceira!!!), inigualável… Ninguém faz uma “bonitinha mas ordinária-angelical” melhor do que ela atualmente !!!!

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Deborah Secco: performance estupenda da atriz ganha elogios de Rô Caetano, que assinamos embaixo… Deborah vai “arrebentar” na trama gilbertobraguiana

Entre os homens, dá gosto ver Carvana rabugento-resmungando, Lázaro arrasando como PEGADOR (sem ter phisique-de-role para tal, só com o TALENTO), Gabriel Braga Nunes (que vi em Cidadão Brasileiro e Poder Paralelo, em bela dupla com Paloma Duarte), etc….
Os diálogos “familiares-rodrigueanos” da  novela estão demais !!!!

Hugo Carvana em ótima atuação, ao lado do diretor Dênnis Carvalho: ponto alto de INSENSATO

         P.S. – Maurício Stycer escreveu um texto dos mais interessantes-instigantes, ontem, na Folha sobre o personagem de Lázaro Ramos. Mas não concordo com ele. Ele diz que o personagem é um negro que não sofre preconceito. Que é bem aceito sem causar nenhum contratempo, como o casal de gays de “Paraíso Tropical”.

Para mim, Lázaro interpreta um personagem cheio de arestas. Ele, quando era pobre, passou por maus bocados e contou isso a Carol (Pitanga) no passeio de iate. Mostrou-se ressentido pela pobreza de outrora, pelo pai alcóolatra (Milton Gonçalves, que entrará dentro de algumas semanas), pela discriminação que sofreu…

Mas hoje, famoso como designer, entra e sai em lugares finos, como se fosse BRANCO. É assim, no Brasil. PELÉ está aí para provar. Famoso e rico, ele é recebido em todos os salões. O personagem do Lázaro é o “Pelé de Gilberto Braga” (e Débora Secco é a Xuxa Meneghell dele)… Mas está na cara que ele faz o que faz com as mulheres (uma por noite, sem repetir, como se elas fossem um “vestido” aliás, um terno Armani) para se vingar de discriminações dos tempos em que era pobre e filho de alcoólatra.

Adeus a NILDO PARENTE…

É o cineasta LUIZ CARLOS LACERDA quem informa:

Triste notícia: hoje à tarde o nosso querido NILDO PARENTE  faleceu no Hospital Silvestre, em Santa Teresa (RJ), aos 75 anos, depois do terceiro AVC…

Nildo estava em coma há cerca de 2 meses. Ano passado fiz um documentário sobre ele para a série Retratos Brasileiros do Canal Brasil, exibido em outubro.

NILDO viu o filme e ficou muito feliz pela homenagem. Já tinha tido o primeiro AVC mas aparentava estar se recuperando. Estava contratado até hoje pelaTV Globo e iria participar, mais uma vez, de uma novela de GILBERTO BRAGA, destavez INSENSATO CORAÇÃO, mas não chegou a gravar.
Vamos prestar uma homenagem ao querido ATOR. Assim que souber do local e hora, eu avisarei. Hoje essa informação é capaz de sair no Jornal da Globo.
Adeus, amigo !
Beijos,
Bigo.
 
NILDO, ao lado de NEY MATOGROSSO, no curta DEPOIS DE TUDO
Com Daisy Lúcidi: destaque em PARAÍSO TROPICAL, do amigo Gilberto Braga
NILDO contracena com NEY MATOGROSSO no curta DEPOIS DE TUDO, de Rafael Saar
UM POUCO MAIS sobre NILDO PARENTE
 
Nildo Parente estreou no cinema, no filme O Homem que Comprou o Mundo (1968), de Eduardo Coutinho.

Em seguida, fez o papel principal no longa Azyllo Muito Louco (1969), de Nelson Pereira dos Santos, onde atuou ao lado de Luiz Carlos Lacerda e Leila Diniz, voltando a filmar com Nelson “Quem é Beta?” (1972), “Tenda dos Milagres” (1977) e “Memórias do Cárcere” (1983).

O período em que NILDO PARENTE mais atuou foi na década de 70, quando, em papéis de diferentes importâncias e sob a direção de cineastas diversos, fez mais de 20 filmes, entre esses “Anjos e Demônios” (1970), de Carlos Hugo Christensen: “São Bernardo” (1972), de Leon Hirszman: “Os Condenados” (1973), de Zelito Viana: e “Coronel Delmiro Gouvêa” (1977), de Geraldo Sarno.

Nos anos 1980 e no começo dos 1990, fez mais de dez filmes: “Luz del Fuego” (1981), de David Neves; “Rio Babilônia” (1982), de Neville D’Almeida; “O Beijo da Mulher-Aranha” (1984), de Hector Babenco; e “Natal da Portela” (1988), de Paulo Cezar Saraceni.

Nos anos 90, participou dos filmes “Bela Donna” (1998), de Fábio Barreto; “Seja o que Deus Quiser” (2002), de Murilo Salles; e “Inesquecível”, de Paulo Sérgio Almeida.

Seus principais trabalhos em teatro foram “Hoje é Dia de Rock”, de Rubens Corrêa; “Francisco de Assis”, de Ciro Barcellos; e “Ai Ai Brasil”, de Sergio Brito.

Nildo fez parte do elenco do Grande Teatro Tupi, onde encenou aproximadamente 20 peças do programa, de 1958 a 1963.

Na televisão, trabalhou em diversas novelas, como “Água Viva”, “América”, “Senhora do Destino” e “Celebridade”. Em 2007, Nildo Parente participou da novela Paraíso Tropical.

Em 2008, após participar do espetáculo “As Eruditas”, Nildo voltou aos palcos, desta vez ao lado de Francisco Cuoco e grande elenco, com a peça “Circuncisão em Nova York”. O ator também esteve na TV, em participação especial nos últimos capítulos da novela Amor e Intrigas, na Record.

Ainda em 2008, NILDO esteve no curta Depois de Tudo, co-produção da ONG Cinema Nosso com a Universidade Federal Fluminense (UFF) e pôde ser visto também no longa Meu Nome é Dindi, de Bruno Safadi.

Em 2009, Nildo Parente fez participação especial na série “A Lei e o Crime”, da Record. No mesmo ano, subiu ao palco no espetáculo “Medida por Medida”.

Seu mais recente trabalho foi no longa-metragem Chico Xavier. dirigido por Daniel Filho.

NILDO PARENTE era cearense e esteve em Fortaleza muitas vezes, aqui tinha muitos amigos, entre eles a estilista Fátima Castro. Numa das últimas vezes, subiu ao palco do Teatro José de Alencar ao lado de EMILIANO QUEIROZ, conterrâneo e grande amigo, e Ada Chaseliov, entre outros, no belo espetáculo OS FANTÁSTIKOS
Encontrei com Nildo várias vezes e era sempre um prazer estar com o ator, figura das mais agradáveis e educadas, aquele tipo que de imediato chamamos BONACHÃO, além de ser um ator querido na classe artística, sem nenhuma afetação e muito talento.
NILDO PARENTE já deixa saudades… Descansa em paz, NILDO !
 

Novela de Gilberto Braga Vai Ganhar o Cinema

A Novela das Oito Marca Estreia de Odilon Rocha como cineasta 

O cenário montado no antigo colégio Sagrado Coração de Jesus, no Alto da Boa Vista, transporta quem está presente no set de filmagem de A Novela das Oito diretamente para a década de 70. Ao ver todos os elementos daquele tempo reproduzidos para o longa de estreia de Odilon Rocha, a impressão que se tem é de estar assistindo aos bastidores de um folhetim de época. O que não deixa de ser verdade, já que o pano de fundo para esta história é Dancin’ Days, novela de 1978 escrita por Gilberto Braga.
 
Odilon, radicado há 20 anos em Londres, é um pernambucano fascinado por novelas e ‘Dancin’’ marcou sua infância. “É uma homenagem aos folhetins. O futebol e o Carnaval que me desculpem, mas a telenovela é o fenômeno nacional”, afirma. Sendo uma paixão dos brasileiros, nada melhor que atores que a representem. Claudia Ohana é a musa, segundo Odilon, acompanhada por Vanessa Giácomo, Mateus Solando e Alexandre Nero, entre outros nomes televisivos.
Cláudia Ohana será a protagonista de A Novela das Oito
Com roteiro também assinado por Odilon, A Novela das Oito conta a história entrelaçada de um grupo de seis pessoas, em que o fio condutor da trama são os adolescentes Caio e sua melhor amiga, Mônica (Thaís Muller). Os personagens estão vivendo o auge da década de 70 e sonham com tudo que está sendo mostrado por ‘Dancin’ Days’, a boate, a moda e o clima ali representados. “Quis fazer um filme para mostrar que o importante é acreditar no sonho. Eu não gosto de filme feio, quem gosta desse tipo é intelectual. Eu quero atingir uma grande audiência, como as novelas”, afirma Odilon, que quer ser reconhecido por ser um cineasta brasileiro, mesmo que more em Londres, na Inglaterra.

Na cena rodada sob um forte dia de sol, Dora, personagem de Ohana, vai atrás do filho, Caio, vivido por Paulo Lontra, na saída da escola. O menino foi criado pelos avós, já que a mãe fugiu por problemas políticos, típicos dos anos da ditadura militar. O que ela não sabe é que no mesmo momento era seguida por Amanda (Giácomo), uma perua, patroa de Dora, que está desconfiada dos passos da empregada e futura amiga.

Foto:   Divulgação
Este é o primeiro trabalho de Vanessa Giácomo após o nascimento do seu filho mais novo, Moisés, e o figurino é repleto de cor e brilho. “Eu sempre tenho que chegar antes de todo mundo. Ela tem muitos elementos, usa várias perucas, troca de esmalte o tempo todo. Ela é toda trabalhada no exagero”, diz, rindo.

GILBERTO BRAGA de VOLTA !

As ondas batem de mansinho em frente ao apartamento de Gilberto Braga, no Arpoador. Com esse barulhinho, ele escreve Insensato Coração, sua próxima novela em coautoria com Ricardo Linhares, que estreia dia 17 de janeiro na Globo. Porém, nem tudo até agora correu em velocidade de cruzeiro. Os dois protagonistas saíram com a produção em curso. De Ana Paula Arósio, ele fala secamente, mas para Fábio Assunção tem palavras doces. Agora que os problemas foram contornados e o céu parece de brigadeiro, Gilberto retomou o trabalho intenso e promete uma produção em que voltará a retratar a classe média, como fez em “Anos dourados” e “Anos rebeldes”. No ar também no canal Viva com “Vale tudo” (que escreveu com Aguinaldo Silva e Leonor Bassères), um grande sucesso, ele afirma que pouco mudou em seu ofício desde 1988, quando criou a inesquecível Odete Roitman: “Como dizem meus amigos Titãs, o povo quer comida, diversão e arte.” Palavra de quem já está há anos reinando nessa praia.

Quais serão as principais marcas de Gilberto Braga em “Insensato Coração”? Devemos esperar vilãs espetaculares, festas memoráveis, enfim, o que você citaria?

GILBERTO BRAGA: Acho que a marca preponderante de “Insensato coração” é a minha volta à classe média, uma vertente que começou em “Dancin’ days” com a casa de Alberico (Mário Lago) e que eu desenvolvi mais em minisséries – “Anos dourados”, com as fofocas da Tijuca nos anos 50, e “Anos rebeldes”, com a casa do Damasceno (Geraldo Del Rey), pai de Maria Lúcia (Malu Mader). Assim, na espinha dorsal, temos em Florianópolis uma família em que há uma grande inveja de um personagem (Gabriel Braga Nunes) pelo irmão bem-sucedido (Eriberto Leão), num momento em que o casamento dos pais (Antônio Fagundes e Natália do Vale), juntos já há 35 anos, está em forte crise. O primeiro capítulo mostra uma comemoração desse aniversário de casamento que acaba virando uma grande lavação de roupa suja em família. No Rio, via Lázaro Ramos e Camila Pitanga, começa a parte glamourosa e com bastante comédia romântica. Deborah Secco defende a comédia, misturada a crítica social, com o personagem do Herson Capri, o banqueiro corrupto, que vai nos levar a falar de impunidade. Enfim, acho que a minha marca está lá, sim. E isso é curioso, porque eu nunca tive tantos coautores quanto nesta novela, sem contar com o parceiro maior, Ricardo Linhares. E o Dennis (Carvalho), depois de ler seis capítulos, disse que é “Gilberto Braga na veia”. Costumo opor em minhas novelas duas mulheres. Desta vez, pra variar, opus dois homens. O grande vilão é o personagem do Gabriel. A Glória Pires é uma vilã diferente, porque começa como boa moça, mas leva uma rasteira fortíssima e vai se vingar. Acredito que ela seja uma personagem muito forte.

Você estará no ar com duas novelas simultaneamente, “Insensato coração” e “Vale tudo”. Isso te faz pensar nas mudanças no panorama da audiência da televisão de lá para cá? Na época de “Paraíso tropical” você declarou que tinha uma expectativa em relação a números e ela se frustrou. Agora, está provado que isso não tinha nada a ver com a sua novela, era um patamar novo que tinha se estabelecido. O que você espera desta vez?

Minha cabeça é meio complicada. Acho que os números de “Paraíso” tinham razão de ser. O espectador não torcia pelo casal principal (Alessandra Negrini e Fábio Assunção). Espero que isso não se repita. Eriberto e Paola Oliveira estão formando um casal lindo, forte. Quanto às mudanças nos últimos 20 anos, acho que a televisão avançou, há mais concorrência, isso é ótimo para todos, especialmente para o espectador.

Gilberto Braga e o parceiro de novelas, Ricardo Linhares

Voltando a “Vale tudo”, o Brasil mudou muito de lá para cá, mas o que mudou para quem escreve novela? O que é impossível hoje com o politicamente correto e com a classificação indicativa? O politicamente correto te freia ou você não está nem aí para isso?

Para quem escreve novela acho que não mudou nada. Como dizem meus amigos Titãs, o povo quer comida, diversão e arte. Quanto ao politicamente correto, tento não pensar muito nisso, pra não pirar.

Mas, falando em “Vale tudo”, a que atribui a grande força que a novela mostra ter até hoje?

Apesar de estar tecnicamente ultrapassada por causa de iluminação etc., a história e os personagens são muito fortes, eu próprio me surpreendi vendo alguns capítulos. Não lembrava que a novela fosse tão interessante.

Gilberto Braga e uma das atrizes de seu “time”, Glória Pires

Você já declarou que gosta de trabalhar com sua turma de atores. Como ela é? Você cria personagens pensando num determinado ator? E agora como está fazendo para se inspirar de novo para os postos que eram de Ana Paula Arósio e Fábio Assunção?

Continuo com minha turma, escrevo para eles. Os dois saíram, tento me adaptar a Paola e Gabriel Braga Nunes, que estão ótimos, e com certeza vão entrar pra minha turma pra sempre. Já estamos escrevendo os novos capítulos pensando neles.

De que maneira os acontecimentos envolvendo os dois atores impactaram na novela – objetivamente – e como você pessoalmente sente isso tudo? Fica magoado? Ou consegue ver com frieza profissional?

Não comento esse assunto. A (Ana Paula) Arósio para não ser descortês com ela. E o Fábio por motivos óbvios. É um grande amigo, é como um filho, não vou falar publicamente dessa relação. Inclusive porque acho a vida mais importante do que o trabalho.

Fábio Assunção e Gilberto Braga: amizade de muitas décadas

Depois de ter enfrentado dificuldades com Fábio Assunção em “Paraíso tropical” e agora novamente, voltaria a trabalhar com ele?

Claro que sim, espero muito escrever pro Fábio o protagonista da minha próxima novela. Além de amigo, ele é um ator esplêndido.

* Texto e entrevista de PATRÍCIA KOGUT, publicada no jornal O GLOBO

Fernanda, Nossa Eterna Dama

Fernanda Montenegro completando 81 anos
Com 65 anos de carreira e um currículo que inclui 55 peças, 22 filmes, 25 novelas, um Urso de Prata de melhor atriz e uma indicação ao Oscar pela atuação em Central do Brasil, Fernanda Montenegro chega aos 81, cada vez mais consolidada no posto de Diva da TV e do cinema nacionais. Por vezes, ela se vê pensando em guardar as lágrimas e alegrias dos seus personagens num baú. Aposentadoria mesmo. Com isso, poderia rodar o mundo, conhecer o Egito, aprender a enviar e-mails e, quem sabe, fazer um curso livre de filosofia. Mas desde a morte do marido, Fernando Torres, em 2008, com quem passou 56 anos casada, ela vê no trabalho a única razão de continuar. “Não sou mórbida. Nunca tive depressão. Não cavuco lágrimas. Sigo trabalhando. Eu me apeguei à profissão. Ele faria o mesmo”, diz Fernanda, com a voz serena e segura que lhe é peculiar.

Nas madrugadas, a atriz se dedica à leitura. Pode ser na sala ou no quarto. Não existe um lugar exato para Fernanda mergulhar nos problemas da matriarca Bete Gouveia, seu personagem em Passione. Só uma regra é básica: o silêncio. Quase todos os dias, chega em casa às 22h. Antes de começar a maratona de 40 a 60 páginas de texto, janta – evita alimentos com lactose e difícil digestão –, fala com os filhos ao telefone, conversa com um assistente – que se encarrega de pagar suas contas e responder e-mails – e vai trabalhar. Com o texto em mãos, Fernanda se considera ‘uma principiante’. “Não sou daqueles atores que invejo, que pegam um papel e decoram tudo em meia hora. Eu sou demorada nesse processo”.

Com uma novela no ar, Fernanda Montenegro vive para o trabalho. Até parou com as caminhadas que gosta de fazer na beira da praia. Na agenda, reserva um horário para assistir ao longa Tropa de Elite 2. Principalmente, para prestigiar o ator Wagner Moura.

“Ele sofre de uma inquietação. Foi de um Capitão Nascimento para um Hamlet e voltou ao coronel. Ele é um jovem ator do qual me orgulho”, diz. Mas o tempo para consumir artes, por enquanto, é curto. Por causa de Passione, ela está sem tempo para nada há 15 meses, entre preparação e gravações da novela. Aos domingos, às vezes, almoça com os filhos – Fernanda Torres e Cláudio Torres – e netos – Antônio, 3 anos, e Joaquim, 10, ambos de Fernanda. “Sou aquela avó que tem tempo para o neto, dá carinho. Mas domingo também é dia de decorar capítulos” (risos).

A vida atarefada não é uma reclamação. Fernanda tem muito orgulho da profissão. Para construir os 65 anos de carreira, ela batalhou, enfrentou a ditadura – em 1979, ela e o marido tiveram de atuar com as luzes do teatro acesas e amparados por seguranças – e a oposição dos pais. “Quando comecei, todo mundo achava que teatro era um mundo de marginais, prostitutas. Hoje, isso é diferente”, diz dona Fernanda, como é chamada no meio artístico.

Apesar dos obstáculos, ela não desistiu. Não se apegou à religião que a família seguia – o catolicismo –, frequentou algumas igrejas ao longo da vida – entrou numa mesquita em Istambul, na Catedral Notre Dame, na França, e visitou a Igreja de São Bento, no Rio de Janeiro. E fez seu nome. O primeiro prêmio veio em 1952, quando foi consagrada Atriz Revelação pela Associação Brasileira de Críticos Teatrais. Fez teleteatros na extinta TV Tupi, foi dirigida pelo marido, aclamada no exterior e, na TV, ficou conhecida por personagens cômicos, picaretas, vilões e dramáticos – respectivamente, Charlotte, de Guerra dos Sexos (1983); a cafetina Olga Portela, de O Dono do Mundo (1991); Bia Falcão, de Belíssima (2005); e Bete Gouveia, de Passione (2010).

De todos esses trabalhos, três são do novelista Silvio de Abreu. “Conheci o Silvio, ele ainda usava perucas (nos anos 70, quando era ator). Adoro ele, o Gilberto (Braga), a Glória (Perez), entre outros autores. Mas não tenho tempo de ver TV”, conta Fernanda. Nem para ver novelas, nem o horário político. “Quando cheguei aos 80 anos, prometi para mim não falar mais de política. Eu já lutei, falei, resisti, reivindiquei. Agora, aposentei”. Mas não para a carreira. “Não me imagino parada. Mas não sei o dia de amanhã. Por enquanto, vivo os personagens”, diz a Diva.

* Por Aline Nunes

Trama de Gilberto Braga: Novo Recorde, agora na Tv Paga

Mesmo que para saber quem matou Odete Roitman baste digitar as palavras certas no Youtube, a novela Vale Tudo volta a se transformar em fenômeno depois que começou a ser exibida no canal pago Viva, semana passada.

A trama, que além da vilã vivida pela atriz Beatriz Segall tem uma galeria grande de personagens inesquecíveis –como Heleninha (Renata Sorrah), Maria de Fátima (Gloria Pires), Raquel (Regina Duarte) e Solange (Lídia Brondi)– entra quase diariamente para os trending topics, a lista de assuntos mais comentados do Twitter, quando está sendo exibida.

“Alguém aqui está revendo a novela ‘Vale Tudo’? Eu estou praticamente escravizado”, comenta um usuário do serviço de microblogging. “Isso sim vale a pena ver de novo!”, se empolga outra.

O detalhe é que o horário escolhido para a reprise é de madrugada, às 0h45. A trama também passa novamente ao meio-dia.

Lídia Brondi e Glória Pires: personagens marcantes em Vale Tudo

Diversos usuários afirmam que a novela tem sido responsável pelo “sono tardio”. “Minha insônia tem nome: ‘Vale Tudo’. Que novela sensacional”, afirma um. “Bom dia para quem assistiu ‘Vale Tudo’ até de madruga e não conseguiu acordar às 7h”, ironiza outro.

Consultado, o canal Viva diz que ainda não tem os números de audiência da novela.

Mesmo sem dados oficiais, muitos internautas têm certeza de que a novela caiu mesmo –novamente– nas graças do público.

“Pelos comentários aqui, a reprise de ‘Vale Tudo’ no canal Viva está dando mais ibope que o ‘Programa do Jô’ (Globo)”, diz um. “Acho que se ‘Vale Tudo’ passasse no horário das 21h ia ter mais audiência do que ‘Passione'”, aposta outro.

  Divulgação  
A atriz Beatriz Segall, que viveu a empresária Odete Roitman na novela "Vale Tudo", que está sendo reprisada no Viva
Beatriz Segall, a empresária Odete Roitman na novela Vale Tudo, que está sendo reprisada

SAUDOSISMO

Entre os comentários sobre a novela, há principalmente elogios ao texto da trama, que para eles continua atual.

“O discurso de Odete Roitman sobre o Brasil continua atual. A reprise de ‘Vale Tudo’ é uma utilidade pública”, afirma um internauta. “Assistindo o canal Viva a gente consegue perceber como se desaprendeu a fazer televisão”, concorda outro.

Parte dos internautas se diverte ainda relembrando o final dos anos 80, “tempo em que videocassete era modernidade e só o filho da Odete Roitman tinha”.

Renata Sorrah como a alcoólatra de Vale Tudo

“Vou comprar a trilha sonora de Vale Tudo em vinil só para criar um clima…”, diverte-se um rapaz no Twitter. Para outra usuária do site, “é muito engraçado ver os atores todos novinhos”. Enquanto isso, um terceiro se choca com uma cena em que a mocinha e seu amigo se preparavam para fumar um baseado. “Estranho ver isso, mas era 1988”, afirma.

Sempre do Contra

Voz dissonante na internet, o autor de novelas Aguinaldo Silva, que assinou o texto de Vale Tudo junto com Gilberto Braga e Leonor Bassères, comentou sobre a reprise da novela em seu blog. Para ele, “quem vive de passado é museu”.

“Novela é ótimo quando está no ar, mas quando termina acabou, é descartável, a gente trata de pensar em outra, e depois em outra e em mais outra…”, escreveu.

“Quem disse que vou pagar 36 mirréis por mês pra ver uma novela que eu mesmo escrevi? Por causa de Odete Roitman? Mas quem precisa de Odete Roitman quando já teve Perpétua, Altiva Pedreira, Maria Regina, Nazaré, e já tem programado pelo menos meia dúzia de outras?”, questiona o autor.

Gilberto Braga, o bam-bam-bam da telinha: criador das melhores telenovelas

Silva diz ainda que não fica chateado de o crédito principal de Vale Tudo ser atribuído a Gilberto Braga. “‘Vale Tudo’ foi uma ideia original de Gilberto Braga, e é natural que isso seja sempre reafirmado”, afirma.

GILBERTO BRAGA: ABL APLAUDE NOVELISTA

Gilberto Braga posou de estrela em seminário realizado na Academia Brasileira de Letras, nesta quinta-feira, pouco depois do chá dos imortais. Cercado de escritores, Braga defendeu o valor artístico dos folhetins escritos para a televisão que, segundo ele, podem ser classificados como textos literários.

Se cordel é literatura, se temos a literatura oral, as novelas também são um tipo de literatura”, disse. Na mesa do debate, organizado pela ABL, também estavam o escritor e dramaturgo Walcyr Carrasco e o ator José Wilker. Braga citou o constante intercâmbio entre novelas de TV e romances impressos, ressaltando ter sido autor das versões para televisão de livros como “Helena”, de Machado de Assis, “Senhora”, de José de Alencar, e “A Escrava Isaura”, de Bernardo Guimarães. Segundo ele, até livros mal escritos podem render boas novelas. “Escrava Isaura é mal escrito e mal estruturado, mas tem um dos melhores enredos para fazer um novelão”, disse. Ele negou a influência da Rede Globo em suas criações artísticas. “Há uma fantasia sobre a existência de uma entidade TV Globo. Mas a emissora é um esforço de 30 pessoas de temperamento forte que brigam por seu espaço”, disse. Walcyr Carrasco também disse não haver interferência direta da emissora nos roteiros que não dão Ibope. “Se houvesse alguém na Globo que soubesse o que mudar, eu me ajoelharia diante dele para pedir ajuda. O que queremos é fazer um sucesso, e nós mesmos temos que encontrar os caminhos”, disse. Na defesa da telenovela, José Wilker, o último palestrante, foi além: “O Brasil é um país continental e poderia ter se dividido em quatro, mas a televisão e as novelas ajudaram a uni-lo”, disse. A plateia aplaudiu

Malu Mader:”Minha Relação com a Moda é Superficial”

Às vésperas de mais um aniversário, Malu Mader, a Suzana da novela Ti-Ti-Ti, revela que, depois de delicada cirurgia na cabeça em 2005, se preocupa com questões mais graves do que um simples pé de galinha

Como Suzana, editora de revista de moda em Ti Ti Ti

O DIA — Você fez ‘Ti-Ti-Ti’ em 1985. Qual é a emoção de estar nesta nova versão?
Malu Mader — É uma grande alegria. Gostava muito do Cassiano Gabus Mendes. Fiquei toda feliz quando fui convidada para fazer ‘Ti-Ti-Ti’ porque adorava o Luiz Gustavo. Também comecei uma parceria legal com o Cássio Gabus naquela novela.

– Ao mesmo tempo em que ‘Ti-Ti-Ti’ estreia, a Globo já pensa no elenco da próxima novela de Gilberto Braga para o horário das oito. Você não foi convidada? Tem vontade de trabalhar com ele novamente?

— Sempre tenho vontade de trabalhar com o Gilberto, pois ele é um ótimo autor. Não pintou convite para a próxima novela dele ou talvez esse tenha pintado primeiro. Gilberto não tem nenhum contrato assinado comigo, não é um casamento. Temos uma amizade que extrapola o profissional e nos falamos de vez em quando.

— Em ‘Ti-Ti-Ti’, sua personagem é editora de uma revista de moda. Qual é o seu envolvimento com esse universo?
— Não sou muito ligada a moda, minha relação é muito superficial. Profissionalmente, muitos atores desfilam, é mais uma possibilidade de trabalho. Eu sempre descarto porque fico bastante tímida. Sempre tive pavor. Não gosto nem de opinar sobre moda porque só uso tênis e calça jeans. Quem é desse universo deve achar que me visto sem personalidade. A verdade é que gosto de chegar antes da roupa.

— Sua última novela foi ‘Eterna Magia’, em 2007. Por que ficou todo esse tempo longe da TV?
— Não sei explicar exatamente. Não houve um motivo especial. Estava esperando um convite que me empolgasse. Tenho preferência por bons papéis e não por horário. O bom é estar envolvido em um ambiente legal. Às vezes, você pega um excelente papel numa novela que não vai tão bem e começa a ser contagiado. Um bom clima nos bastidores segura qualquer ibope. Faço 44 anos em setembro e já aconteceu de tudo um pouco. Bom papel em novela que não está indo bem, galera legal com ibope péssimo, todo mundo malhando no jornal e você feliz porque vai encontrar uma turma legal…

— Às vésperas de completar 44 anos, você lida tranquilamente com o envelhecimento?
— Não penso muito sobre envelhecer. Sou a filha caçula, meus irmãos eram mais velhos e eu já tinha questões filosóficas sobre envelhecer e morrer desde cedo. Também já tive muitos problemas de saúde e essas questões mais graves são mais importantes para mim do que um ligeiro pé de galinha.

— Já fez ou faria plástica?
— Nunca fiz, o que não quer dizer que eu nunca farei. Sou como toda mulher. Um belo dia você acorda e pensa que quer fazer.

— Em 2005, você passou por uma delicada cirurgia na cabeça para a retirada de um cisto. O que mudou na sua vida depois disso?
— Sempre muda alguma coisa. Fiquei um pouco mais quieta, no meu canto. É natural ficar meio triste logo depois. Tem gente que gosta de dividir isso com os outros, eu não gosto muito. Foi bem na época em que estava fazendo o documentário ‘Contratempo’. Depois atuei em ‘Eterna Magia’, talvez tenha feito numa fase em que não estava totalmente recuperada. Por outro lado, fiquei animada para voltar, o trabalho é bom para te trazer de volta. Não trabalhar muito tempo é meio esquisito para mim, que faço isso desde os 16 anos.

Com o parceiro de tantas décadas, o músico Tony Bellotto

— Seus filhos, João e Antônio, já são dois adolescentes. Eles demonstram vontade de seguir seus passos ou a carreira do pai (o músico Tony Bellotto)?
— Eles tocam, demonstram algum talento para atuação, mas não falo nada. Não fico dizendo para eles irem fazer teste ou para uma gravadora. Deixo rolar. Vejo eles tocando com o pai e fico louca porque não tenho talento nessa área e amo música mais que tudo nessa vida. Me sinto uma analfabeta perto deles em relação a muita coisa, mas adoro ser mãe de adolescentes.

* GABRIELA GERMANO, jornal O Dia

NOVELAS em Destaque no CCBB

 Elas começaram vinculadas ao teatro, alcançaram projeção nacional impressionante e hoje são exportadas e desenvolvidas de acordo com as oscilações da audiência. As novelas de televisão, uma das maiores especialidades brasileiras, despontam como o foco do evento A História da Telenovela, série de nove encontros mensais que começa hoje, às 18h30, no Teatro 1 do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), com entrada franca

Na abertura, Regina Duarte conversa com o público sobre a sua trajetória na TV, desde a primeira novela (A Deusa Vencida, de Ivani Ribeiro, na extinta TV Excelsior), sempre como protagonista.  

 

Também vão ajudar a contar a história dos 60 anos de TV no Brasil, Nathalia Timberg, Eva Wilma, Laura Cardoso, Ana Rosa, Nicette Bruno, Paulo Goulart e Silvio de Abreu

    

Idealizador do evento, o produtor Hermes Frederico evoca as novelas mais marcantes ao longo das décadas, como 25499 Ocupado, O Direito de Nascer, Irmãos Coragem, Selva de Pedra, Roque Santeiro e Vale Tudo, tanto pelo pioneirismo quanto pela consolidação da audiência. Hermes tinha 5 anos quando assistiu a 25499 Ocupado, primeira novela diária da TV brasileira, com Tarcísio Meira e Glória Menezes.  

– Na minha infância, na década de 60, os capítulos duravam meia hora, e pude assistir a O direito de nascer, assim como a várias novelas da Excelsior e da Tupi, além dos primeiros sucessos da Globo, como Um rosto de mulher e O sheik de Agadir – recorda. 

Origem no teleteatro

A televisão começou diretamente vinculada ao teatro. Basta lembrar os teleteatros, que proporcionavam ao telespectador contato com peças inteiras, gravadas ao vivo. 

Todas as emissoras tinham os seus teleteatros, com as peças ao vivo e depois em videotape, com boa audiência. As novelas foram ocupando esse espaço – analisa Hermes. – Nos anos 60 e 70, a televisão reuniu nas novelas grandes autores e atores de teatro.  

 

Sônia Braga dança com Paulete na saudosa Dancing Days de Gilberto Braga, uma das novelas de maior audiência da TV … 

Pioneira na televisão, Eva Wilma firmou parcerias artísticas importantes com os maridos, John Herbert (Alô, Alô Doçura) e Carlos Zara, e com autores como Cassiano Gabus Mendes

 

Eva Wilma é uma das atrizes que vão abrilhantar o evento do CCBB 

Cassiano foi meu mestre na televisão. Tão importante quanto José Renato e Antunes Filho foram para mim no teatro – confirma a atriz. 

O grande salto qualitativo de Eva Wilma veio com a oportunidade de interpretar as gêmeas Ruth e Rachel em Mulheres de Areia, de Ivani Ribeiro, outra autora determinante na sua carreira: 

Fiz heroína e vilã, ao mesmo tempo, numa época em que a televisão era mais artesanal. Passei por um período intenso de ensaios. E me dei conta de que os vilões são interessantes porque repletos de conflitos. Procuro mostrar o lado humano deles, com humor e uma alegria suicida. 

 

Regina Duarte e a inesquecível Dina Sfat em Selva de Pedra, clássico de Janete Clair 

A composição da megera de A Indomada, de Aguinaldo Silva, contrastou com a sobriedade da personagem do seriado Mulher. A atriz traz à tona uma série de trabalhos marcantes, como O meu pé de laranja lima, adaptação de Ivani Ribeiro para o romance de José Mauro de Vasconcelos. 

Propunha marcações para a personagem. Lembro que antigamente a televisão não era simultânea – compara a atriz. – Então, a novela tinha terminado em São Paulo, mas não em Minas Gerais. Fomos até lá fazer um grande capítulo ao vivo. Quando saí do avião, uma multidão gritava o nome da personagem. 

Em A Viagem, a atriz entrou em contato com o mundo espiritual. 

Tivemos uma palestra interessantíssima com Chico Xavier, antes do início das gravações – lembra Eva. 

Eva Wilma abordou ainda o período da ditadura militar em Roda de Fogo, de Lauro Cesar Muniz, através da torturada Maura. 

Foi uma oportunidade de falar sobre o que a nossa geração passou – sublinha a atriz, que se prepara agora para as gravações de Araguaia, próxima novela das 18h, de Walter Negrão. 

Com história acumulada na televisão, Nicette Bruno fez teleteatro, passou por emissoras como a Tupi, a Rio e a Continental até desembarcar na Globo, no seriado Obrigado, Doutor

 

Reginaldo Faria e Luís Gustavo na primeira versão de Ti Ti Ti,  de 1985 

Antigamente, a TV era um bico para os atores. Até que o hábito de ver novelas começou a deslanchar – destaca Nicette, que pode ser vista atualmente no remake de Ti-Ti-Ti, de Maria Adelaide Amaral.

* Texto de Daniel Schenker, do JB