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Filme brasileiro na Mostra Latina de Gramado


Pela primeira vez na história da competição, um filme coproduzido pelo Brasil e dirigido por brasileiro, vai competir na Mostra Latina

Com roteiro e direção de Paulo Nascimento (Em Teu Nome), o drama romântico A Oeste do Fim do Mundo é um dos selecionados para o 41o Festival de Cinema de Gramado.

Detalhe: pela primeira vez na história do Festival, um filme coproduzido pelo Brasil e dirigido por um cineasta brasileiro, vai competir na Mostra Latina de Gramado, ao lado de produções da Colômbia, Portugal, Argentina e Uruguai.

A Oeste do Fim do Mundo é uma coprodução da Accorde Filmes (Brasil) e da Bufo Filmes (Argentina), tendo como produtora associada a Panda Filmes (Brasil).

O filme une três personagens solitários na bela e desolada paisagem da Cordilheira dos Andes.

Nélson Diniz e Cesar Troncoso enriquecem elenco de filme que estará na tela de Gramado…

A HISTÓRIA: Ruta 7, Argentina. Um velho posto de gasolina, perdido na imensidão da estrada transcontinental, é o refúgio do introspectivo Leon (César Troncoso). De poucas palavras, poucos gestos e nenhum amigo, sua solidão só é quebrada por um ou outro caminhoneiro eventual que passa por ali para abastecer. Ou pelas visitas sempre bem humoradas do sarcástico Silas (Nelson Diniz), um motociclista com ares de hippie aposentado. Até o dia em que a enigmática e inesperada chegada de Ana (Fernanda Moro) transforma radicalmente o cotidiano de Leon e Silas. Aos pés da imponente Cordilheira dos Andes, segredos que pareciam estar bem enterrados vêm à tona, reabrindo antigas feridas e mudando para sempre a vida dos protagonistas.

“Tudo começou há quatro anos, quando li uma matéria sobre a Guerra das Malvinas, informando que, dos 10 mil soldados que foram enviados para o conflito, cerca de 400 se suicidaram. Fiquei impressionado com este número e comecei a desenvolver esta história sobre perdas e solidão”, afirma o cineasta.

FICHA TÉCNICA 

Cesar Troncoso e Jean Pierre Noher (Foto: Flor do Caribe / TV Globo)

César Troncoso e Jean Pierre Noher no elenco do novo filme de Paulo Nascimento que está na Mostra Latina de Gramado…

Elenco:

· LEON Cesar Troncoso, esteves em O Banheiro do Papa, XXY, Em Teu Nome, Cabeça a Prêmio, Circular, El Viaje Hacia el Mar, Faroeste Caboclo, Hoje e Inocência Clandestina.

· ANA  Fernanda Moro, de Valsa para Bruno Stein, Em Teu Nome, A Casa Verde, e O Tempo e o Vento (versão de 2013).

· SILAS  Nelson Diniz, de O Homem que Copiava, Neto Perde Sua Alma, Neto e o Domador de Cavalos, A Última Estrada da Praia, Sal de Prata, Tolerância.

E MAIS: Jean Pierre Nhoer, Marcos Verza, Clemente Viscaíno, e Nayara  Harris

Clemente Viscaíno e Fernanda Moro contracenam em A Oeste do Fim do Mundo

DIREÇÃO E ROTEIRO

Paulo Nascimento, diretor e roteirista de A Casa Verde, Em Teu Nome, Valsa para Bruno Stein, e Diário de um Novo Mundo.

Direção de Fotografia: Alexandre Berra Direção de Arte: Voltaire Danckwardt

Montagem: Márcio Papel Trilha Sonora: Renato Muller Produção: Paulo Nascimento, Leonardo Machado, Marilaine Castro da Costa Produtores Associados: Beto Rodrigues (Brasil) e Martin Viaggio (Argentina) Coprodução: Bufo Films (Argentina) e Panda Filmes (Brasil)

A Oeste do Fim do Mundo: filme é co-produção Brasil-Argentina…

Distribuição: Espaço Filmes

Sky

Araxá Cine: Débora Torres cria mais um Festival de Cinema

Débora Torres vai fazer de Araxá território do Cinema Brasileiro

410918 termas de araxa fotos atrativos cvc Termas de Araxá   Fotos, atrativos CVC

Em formato de Castelo, o Tauá Grande Hotel e Termas de Araxá chama a atenção pela sua intensa beleza…

Eu a conheci numa das edições do Festival de Cinema de Gramado. O primeiro contato foi ainda de dia em meio ao alvoroço que toma conta dos  stands do Festival de Gramado. De cara, achei-a uma pessoa muito simpática, espontânea, acessível, alto astral, como deve ser alguém que pretende atuar junto ao público. À noite, na sessão do Palácio dos Festivais, frio danado em Gramado, nos reencontramos. Lá estava ela, mais uma vez com um sorrisão festeiro estampado no rosto. Conhecia várias pessoas ali mas a conversa fluiu mais bacana foi com ela. Papo vai ideia vem, contou-me estar ali para entender melhor como se faz um festival de cinema, pois estava à frente de um que aconteceria em Goiânia, quando novembro chegasse. Eu então falei que queria muito ir, pois não conhecia a capital goiana e aquela seria uma ótima oportunidade. Ao que ela de pronto respondeu, ‘você já é minha convidada’. Semanas depois, recebia um telefonema dela confirmando o convite. E em novembro de 2005, lá estava eu embarcando a Goiás para conferir o I Festival de Goiânia do Cinema Brasileiro.

Esta mulher, de quem falo com o maior respeito e a mais profunda admiração chama-se Débora Torres. Desde essa época, do tempo de nosso providencial encontro em Gramado, ficamos amigas. Já ao tempo daquela primeira edição do Festival de Goiânia percebi nela a enorme vocação para o trabalho, a dedicação incansável por fazer sempre melhor as coisas nas quais acredita, a determinação em alcançar os objetivos aos quais se propõe, a invejável disposição para fazer acontecer o que delimitou como meta, e a disponibilidade em atender sempre bem a quem quer que lhe procure. Assim é Débora Torres. Um vulcão em constante ebulição, espraiando sua energia com uma força delicada e rebeldes cachos louros, os quais,  por semelharem aos meus,  fazem com que muitos perguntem se somos irmãs. “Sim”, tantas vezes respondo, “de alma, intenção e objetivos”.

Assim como idealizou, criou e fez nascer o Festival de Goiânia do Cinema Brasileiro (apoiada  pelo escritor Miguel Jorge e contando com o peso do nome e da trajetória de Rubens Ewald Filho), Débora o fez também em Anápolis, e tanto lá como cá, criou dois importantes e respeitados festivais de Cinema Brasileiro. Agora parte pra criar mais um, desta vez na mineira Araxá. E capricha na construção de uma infra-estrutura super qualificada, junto a uma equipe de grande disposição. É assim que Débora vem conquistando a adesão de grandes produtores, realizadores, artistas e técnicos, capazes de contribuir para o melhor desenvolvimento de seu ideal de fazer e produzir cinema neste cenário tão pródigo em histórias, tão rico em cultura, e ainda tão deficitário em investimentos.

Débora Torres e Aurora Miranda Leão na segunda edição do Festival de Anápolis

E para quem pensa que entre um festival e outro, Débora estava só recarregando as baterias, aí vai uma ressalva: depois da primeira edição em Anápolis, Débora conseguiu arranjar fibra e assumiu a produção-executiva do filme Vazio Coração, primeiro longa do cineasta goiano Alberto Araújo, que terá pré-estreia dia 16 de setembro, na noite de encerramento do I Araxá Cine Festival.

Além de reunir grandes profissionais na equipe técnica, Débora conseguiu juntar, no elenco de Vazio Coração, nomes de peso como Lima Duarte, Othon Bastos, Murilo Rosa, Beth Mendes, Oscar Magrini, o embaixador Lauro Moreira e Larissa Maciel, entre outros. Ao lado desta profissional competente e sempre disposta a fazer mais e melhor, Débora Torres é uma pessoa que cultivou minha admiração e cativou minha estima também pelo seu perfil humanitário. É amiga para todas as horas, mãe dedicada, irmã solidária, e filha exemplar. Ao mesmo tempo em que muitas vezes está ‘aperriada’ com tantas solicitações, sempre desatando os nós naturais numa produção com a intensidade e extensão de um festival de cinema – podemos vê-la reiteradas vezes ao telefone se virando em mil (ela cuida pessoalmente de tudo porque sabe que o olho do dono é que engorda o boi) -, ela também é capaz dos mais ternos gestos de delicadeza, afeto, simpatia e compreensão, bem como adora promover encontros, reverenciar os que simbolizam relíquias e trazem lições, e não se nega a uma boa dose de festa e comemoração.

Alberto Araújo e Débora Torres planejando Vazio Coração

Foi Débora quem me trouxe a amizade de Rubens Ewald Filho; o encontro com os queridos Walter Webb, Guido Campos e Ângelo Lima; a oportunidade de desfrutar da companhia de Gustavo Falcão e Beto Brant; de conhecer Zezita Mattos e Lola Laborda; e até o inesquecível encontro com a doce Isabella – a atriz que fez a inspirada ‘Capitu” de Paulo César Sarraceni. Sem falar em tantos tantos outros afetos e encontros marcantes.

Débora Torres e Alice Gonzaga: amizade promovida por esta Aurora de Cinema

Por outro lado, eu tive a honra de apresentar Débora a Alice Gonzaga, esta figura que tanto admiramos, grande e querida amiga, herdeira do pioneiro Adhemar Gonzaga (baluarte da crítica de Cinema, criador da histórica revista Cinearte, e fundador da primeira produtora de cinema do país, a Cinédia). À Débora também apresentei outra amiga querida, a atriz Rosamaria Murtinho, e ela me reaproximou de Ingra Liberato, que eu não via pessoalmente há tanto tempo.

Débora Torres e Aurora Miranda Leão ‘tietam’ Rafaela Torres, uma querida…

Eu poderia ficar muitas horas e páginas comentando sobre Débora Torres e dizendo de sua importância no meu caminho. Tenho somente coisas boas a contar e muitas risadas para rememorar. Mas sobre Débora terei muitas e muitas outras ocasiões para  agradecer pela convivência e as oportunidades, e parabenizar pela disposição e maneira de estar na vida como quem sabe que o  relevante é construir pontes, ignorando as farpas da estrada, e buscando sempre alcançar as dimensões do Bem, do Bom e do Belo, para que a vida seja uma construção de somas favoráveis e não um rosário de lamentações tediosas  e infrutíferas.

Um beijo muito carinhoso a você, Débora, desta admiradora que tem a grata satisfação de inscrever-se entre suas amigas.

Gramado verá ‘Toda nudez será castigada’…

Neste ano no qual comemora sua quadragésima edição, o Festival de Cinema de Gramado vai exibir o primeiro filme premiado de sua história: Toda Nudez Será Castigada, clássico do cineasta Arnaldo Jabor.

A exibição será na sexta, dia 17, no Palácio dos Festivais. Na mesma noite, Jabor recebe o Troféu Eduardo Abelin, uma das quatro homenagens que o Festival entrega nesta edição.

Darlene Glória é a protagonista do premiado “Toda Nudez”…

Quando seu filme inaugurou a galeria de vencedores do Festival de Cinema de Gramado, em 1973, Arnaldo Jabor não estava presente na cerimônia. Toda Nudez Será Castigada chegou na serra gaúcha cercado de polêmicas por narrar a história de um homem que ia contra todos os costumes de sua época ao se casar com uma prostituta.

O filme é um marco não só para o Festival, mas para o próprio diretor: “Foi meu primeiro filme de ficção, muito mais de acordo com os meus desejos do que Pindorama, que era um trabalho anterior mais adequado às regras da época. Toda Nudez… foi um encontro comigo mesmo. Foi o filme que mais me marcou”.

Sonho de Adhemar Gonzaga faz 80

Do jovem fascinado por cinema, que recortava suas tirinhas em papel e as projetava em caixas de sapato, ao empreendedor responsável pela consolidação da indústria cinematográfica no Rio de Janeiro, Adhemar Gonzaga (1901-1978) não poderia imaginar que a Cinédia Estúdios Cinematográficos, que fundou em 15 de março de 1930, iria completar oito décadas de atividades nesta segunda – sua filha Alice Gonzaga esta à frente da restauração dos filmes e da organização dos arquivos.

Os clássicos da Cinédia serão revisitados – em fotogramas devidamente recuperados – em festivais pelo Brasil a partir deste ano. Alice conta:

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Gramado vai exibir Ganga Bruta, o Festival de Belém pediu para escolhermos cinco, assim como o de Curitiba. Depois vamos realizar uma retrospectiva em dezembro no Instituto Moreira Salles com todos os filmes em condições de serem exibidos.

Alice Gonzaga comanda a produtora desde os anos 70, quando o pai se afastou das operações por problemas de saúde. Desde então vem se concentrando no processo de restauração dos filmes e organização dos arquivos. Ao todo, 17 filmes foram restaurados.

O nome que virou símbolo da indústria cinematográfica brasileira nos anos 30 e 40 do século passado também vai adornar um espaço que vai celebrar não apenas a história da Cinédia, mas também ajudar na formação de outros apaixonados por cinema.

Vamos começar em abril os cursos na área de cinema e cultura, concretizando o sonho do Centro Cultural Cinédia – anuncia Alice, que recebeu o Caderno B na atual sede da companhia, na Rua Santa Cristina, 5, em Santa Teresa.

Cineasta por acaso

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Cena de Alô, Alô Carnaval !, uma das preciosidades do acervo CINÉDIA

Antes de se tornar cineasta e posteriormente empresário do ramo, o pai da atual comandante da Cinédia incentivou o cinema nacional como jornalista. Não tardou para que fundasse sua própria revista, a Cinearte, uma das primeiras publicações inteiramente dedicadas ao cinema na imprensa brasileira. Diante de sua significativa tiragem e do sucesso entre o público feminino, o Circuito Nacional de Exibidores (CNE) propôs à revista um concurso para selecionar entre suas leitoras a atriz para o longa Barro Humano. É quando o jornalista se torna cineasta por acaso.

Mas mesmo com o sucesso do concurso, o CNE não tinha recursos para bancar o filme. Foi aí que um dos membros do Circuito, Paulo Benedetti, se propôs a ajudar na produção. Os dois se associaram e o filme estreou em 1929, com meu pai na direção e Benedetti na fotografia.

Com o grande sucesso de público de Barro Humano, Adhemar se entusiasmou a criar a primeira produtora cinematográfica carioca, concretizando uma campanha que já vinha empreendendo na Cinearte.

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Cena de Lábios sem Beijos, direção de Humberto Mauro com  produção de Adhemar Gonzaga

Instalada na Rua Abílio, 26, em São Cristóvão, a Cinédia começou a produzir Lábios sem Beijos uma semana após sua fundação, com direção de Humberto Mauro. Logo em seguida, vieram Limite (1931), de Mário Peixoto; Mulher (1931), de Octávio Gabus Mendes; e Ganga Bruta (1933), também de Mauro, que iniciou as atividades de distribuição da Cinédia.

Limite não chegou a ser exibido comercialmente. Já Lábios sem Beijos e Mulher, apesar de terem sido sucesso de bilheteria, não deram retorno financeiro à Cinédia, pois eram distribuídos pela Paramount, dos EUA, o que fez a Cinédia começar a distribuir seus filmes. Ganga Bruta foi um fracasso de público, pois representou a passagem do cinema mudo para o sonoro, e quando um ator brasileiro falava todo mundo caçoava. Diziam que o brasileiro não sabia falar no cinema.

Diante da falta de retorno financeiro, Gonzaga partiu para a realização de comédias musicais carnavalescas como Voz do Carnaval (1933), Alô, Alô Brasil ! (1935), Estudantes (1935) e Alô! Alô! Carnaval ! (1936). Foram os precursores das chanchadas dos anos 50.

Esses musicais eram a oportunidade de o público poder ver a imagem dos artistas do rádio como Lamartine Babo e Carmen Miranda. Mas não era o tipo de filme que meu pai queria fazer.

Durante os anos 40, depois de ter produzido cerca de 60% dos filmes brasileiros lançados na década anterior, a Cinédia voltou a passar por dificuldades financeiras devido à Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Ficou quase impossível importar as matérias-primas. Meu pai estava falido quando, em 1942, Orson Welles alugou nossos estúdios. Com o dinheiro do aluguel, o estúdio produziu Berlim na Batucada, em 1944, mostrando a influência da guerra no nosso cinema. O Ébrio, de 1946, grande sucesso de público, ajudou muito a Cinédia nessa época.

No início dos anos 50, com o surgimento em São Paulo das produtoras Vera Cruz, Maristela e Multifilmes, Gonzaga transferiu-se para lá, areditando que se formaria o principal pólo do cinema nacional.

Mas quando os amigos começaram a frequentar a casa dele em São Paulo dizendo que haviam sido contratados pela Vera Cruz com salário fixo mensal, ele começou a desconfiar: “Isso não vai dar certo, foi o mesmo erro que cometi na Cinédia”. Arrumou suas coisas e voltou para o Rio.

Adhemar vendeu a casa de São Paulo e o terreno de São Cristóvão e instalou a Cinédia na Estrada da Soca, 400, em Jacarepaguá. Era o ano de 1956, quando foi lançado Rio, 40 graus, de Nelson Pereira dos Santos, que inaugura uma nova estética no cinema brasileiro. As locações passam a ser privilegiadas em detrimento das filmagens em estúdio. Nas décadas de 60 e 70, a Cinédia sobrevive com os aluguéis da TV Globo, de empresas publicitárias e de produções estrangeiras.

* Com informações de Bernardo Costa, do JB