Arquivo da tag: Gui Castor: o antropófago da Fotografia Brasileira – leia no #blogauroradecinema

A antropofagia imagética de Gui Castor em diálogo com mestres da Fotografia

Resultado de imagem para FOTOS gui castor

GUI CASTOR começa o mundo em Vitória…

Homem do espaço6

Daqui começo o mundo este é o título da instigante exposição do artista, fotógrafo e cineasta GUI CASTOR em cartaz na Galeria Homero Massena em Vitória, capital do Espírito Santo.

O mundo de Gui Castor começa sempre com um farto sorriso e é isso que convoca imediata empatia com o artista. Na sequência, a sensibilidade de GUI promove conexões com uma benfazeja capacidade de descobrir porções do inusitado que ele sai recolhendo por onde passa e oferece em porções imagéticas através de belas fotografias e inusitados vídeos e filmes.

A trajetória de GUI CASTOR é pontilhada de participações em eventos internacionais, exposições coletivas, festivais de cinema, oficinas, e coisas afim. Agora, o jovem capixaba juntou as paixões – fotografia e cinema – e reúne alguns de seus principais takes e olhares no livro Daqui começo o mundo.

Na obra atual de GUI Castor há um diálogo evidente com a exposição “Moderna Para sempre – Fotografia Modernista Brasileira na Coleção Itaú”, em cartaz no Palácio Anchieta na capital do Espírito Santo, que reúne um dos mais importantes e significativos conjuntos dos primórdios da fotografia artística no Brasil.

Resultado de imagem para FOTOS gui castor DAQUI COMEÇO O MUNDO

A galeria Humberto Massena abriga a exposição com obras de GUI Castor…

Como parte integrante desta programação dedicada aos temas da fotografia no campo da arte, a Galeria Homero Massena recebe o trabalho fotográfico e em vídeo do artista capixaba Gui Castor. A intenção dos organizadores foi criar uma exposição com referência histórica e consolidada no campo da fotografia, ao mesmo tempo em que um jovem artista elabora trabalhos que podem ser interpretados como respostas contemporâneas a questões semelhantes às desenvolvidas pelos grandes fotógrafos brasileiros dos anos 1940 a 1970, apresentados pela mostra do Instituto Itaú Cultural.

Assim, as duas exposições apresentam complementaridade em suas abordagens. O visitante que vai ao Palácio Anchieta e tem contato com uma produção das mais importantes do Brasil, poderá também ter contato intenso com a produção atual, a partir do olhar inspirado de GUI CASTOR, jovem artista capixaba.

Resultado de imagem para exposição gui castor DAQUI COMEÇO O MUNDO

Gui Castor é também o idealizador do popular festival de cinema Cine Rua 7

O título Daqui começo o mundo é inspirado em pintura do renomado Cícero Dias, na qual há uma valorização do local para a interpretação do mundo. O artista escreve em sua tela uma das jóias do modernismo pernambucano/brasileiro: “Eu vi o mundo, ele começava no Recife”. Esta é uma frase que faz com que a herança européia e as referências dominantes da arte sejam metabolizadas e reinterpretadas segundo um sotaque local.

Nesse sentido, há um trânsito que incorpora aspectos da alteridade, ao mesmo tempo em que constrói a própria identidade, um contato com o outro mas com constante referências ao local. Segundo o curador da mostra, o mineiro Júlio Martins,“Gui Castor é um artista que possui muitas obras em solo estrangeiro, mas ele estabelece contatos e firma seu local de fala a partir de um sotaque próprio, um sotaque capixaba.”

Resultado de imagem para exposição gui castor DAQUI COMEÇO O MUNDO

Gui Castor finalizando a montagem da exposição…

As várias linguagens presentes na mostra contribuem com a politização do discurso do modernismo brasileiro que hoje, na contemporaneidade, é matéria para o trabalho de muitos artistas, que pesquisam, problematizam e desdobram as heranças da estética moderna. Novamente, segundo Martins, “a produção de Gui Castor é interessante pois traça uma voz que foi esquecida pelo discurso dominante da modernidade e que ressurge na modernidade como problematização”.

Por exemplo, foram construídas, sob a mesma lógica moderna, cidades para abrigar e excluir os leprosos do convívio social, e Gui Castor passou dois anos investigando como esta cidade hoje, no interior do Espírito Santo, bastante à margem portanto, lida com os dilemas de consciência em relação à doença ter se modificado enquanto que o preconceito continua o mesmo.

De certa maneira a leitura do modernismo é muito formal, somente interessado nas formas, nos jogos de percepção, deixando de lado o contexto social e político. Os trabalhos de Gui Castor lidam com a herança moderna mas realizam uma contra leitura, uma leitura crítica e atual dos temas. É um convite aos contrapontos.

O título da exposição de GUI CASTOR é inspirado na tela do pintor modernista pernambucano Cícero Dias: a obra “Eu vi o mundo, ele começava no Recife” é uma afirmação muito forte e no melhor espírito da antropofagia brasileira. A frase é uma afirmação antropofágica e de autoestima. Desenha a possibilidade de se apropriar de diversas influências, de vários lugares, como a dita alta cultura européia, numa mistura própria. Para o curador, “a antropofagia constitui uma das matrizes mais poderosas da formação da nossa cultura brasileira. O sentido da frase que batiza a exposição Daqui começo o mundo diz respeito a esta habilidade em receber a cultura que vem de fora e devolvê-la em novos contornos, aqueles que me interessam. É algo muito poderoso e de extrema autoestima, algo que precisamos recuperar na contemporaneidade”.

Imagem relacionada

Artista capixabamente universal, GUI CASTOR é um Querido desde sempre !

Outro aspecto a se destacar é a postura do artista Gui Castor como antropólogo do contemporâneo. O artista participa de uma tendência das artes atuais em buscar o convívio e o diálogo com o outro, de construir relações, encontros, tal como o approach de um antropólogo, que chega em uma tribo sem informações prévias e busca conhecer e evidenciar os fatos que vivencia, relacionando-se diretamente com seu objeto de estudo.

O curador Júlio Martins relembra uma frase de Cildo Meireles: “o artista, tal como o garimpeiro, vive de procurar o que nunca perdeu.” Assim, nessa postura de “artista como etnólogo”, como conceituou o crítico de arte Hal Foster, Gui Castor procura em seus trabalhos estabelecer encontros e relações com o outro. O artista define sua postura assim: Exercito um olhar aberto que recolhe, nos encontros rápidos e anônimos, a busca do contato com o outro”.

Gui e eu

Esta redatora e Gui Castor: sempre um encontro de ótimas energias !

SERVIÇO:

Daqui começo o mundo: fotografias, videos e livros de GUI CASTOR

Curadoria Júlio Martins

Galeria Homero Massena
Dia 29 de maio, TERÇA: lançamento do livro COLÔNIA com bate-papo entre Gui Castor e Júlio Martins

HORA e LOCAL: 19h, galeria Homero Massena – ENTRADA FRANCA