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Gui Castor fará Websérie no Japão e avisa: últimos dias de inscrição ao CINE RUA SETE

O aguerrido, sagaz e super especial cineasta, GUI CASTOR, de tantos e tão bons filmes, alguns já premiados, e amigo querido de Vila Velha, informa:

Prosseguem somente até sábado as inscrições para o festival que ele fará neste novembro na principal rua da capital capixaba, o CINE RUA SETE.

Só para filmes que já estão na net.

GUI Castor, nas ruas da terra onde MESSI é Rei, trabalhando pra concluir um filme…

Corra e inscreva, inda dá tempo:  www.cineruasete.com.br

* Por falar em Gui Castor, que além de cineasta, publicitário e documentarista, é fotógrafo dos melhores, ele está com passaporte carimbado pro Japão.

Gui foi convidado a ir até lá fazer uma websérie e uma exposição de seus belos trabalhos imagéticos – detalhes no site :

 
Saravá, GUI ! Toda sorte por lá, Queridão !

GUI CASTOR vai transformar RUA SETE em território de CINEMA

A mais badalada rua da cAPITAL capixaba, A ADORÁVEL VITÓRIA, prepara-se para ganhar visibilidade nacional através do Cinema.

O destemido, inteligente, inquieto, aguerrido e desbravador de sonhos, GUI CASTOR,  cineasta dos melhores, com formação em publicidade e pós-graduação em Documentário, em Universidade da multifária Barcelona, criou um acontecimento que deve virar ponta de lança dos festivais de cinema do país.

CINE RUA 7 É O SIMPÁTICO TÍTULO ESCOLHIDO POR GUI.

Este ano, será apenas uma Mostra, pois vai acOntecer já em novembro e não há mais tempo hábil pra correr com toda a papelada necessária para torná-lo um Festival em sua justa acepção.

GUI CASTOR quer fazer exibições em praça pública, destacando A RUA MAIS IMPORTANTE DA CAPITAL DO ESPÍRITO SANTO, para que todos tenham acesso à SÉTIMA ARTE – de graça !

GUI está praticamente sozinho nesta ousada empreitada, e tem, até agora, apenas o apoio da SECRETARIA ESTADUAL DE CULTURA.

Mas a idéia é ótima e tem tudo pra florescer numa vitrine diversificada e original para escoar a produção nacional – e por que não internacional – de audiovisual.

cINE RUA SETE – em homenagem à famosa rua onde a tela será armada – tem como tema A Cidade e suas Diversidades.

A data já está grifada: 17, 18 e 19 de novembro.

GUI CASTOR tem um talento avassalador, que trabalha sem muito alarde, mas que atira sempre no alvo certo, com determinação, criatividade, visão abrangente e sentimentos libertários.

Simpatia, competência e generosidade são as armas de gui. 

foto

Desde que o conheci, em meados dos anos de 2006, ele me cativou pelo sorriso espontâneo, belo e constante, e por sua maneira singela, tranquila, sem rebuscamentos nem frescuras de espécie alguma – GUI nunca está num pedestal.

Com ele, aprendi o fundamental: cinema pode ser feito por qualquer um, em qualquer lugar- não existe o manual do filme bom ou do filme certo. quem define o objeto a ser filmado é a sensibilidade, perspicácia e sagacidade de quem sintoniza uma possibilidade imagética para ganhar as retinas de quem estiver apto a enxergar, com vontade de conhecer novas expressões, sem restrições caolhas ou convenções baseadas na Incongruência.

Gui aposta no que acredita. Por isso, vem mantendo uma trajetória respeitável, acumulando prêmios e elogios, e ainda há muitos outros caminhos por onde desfilará seu rosário de aptidões.

foi com ele que melhor aprendi: fazer CINEMA é, sobretudo, vontade de expressar-se através de imagens.

FILME “a iNICIAÇÃO”… a FOTO É DO CINEASTA gUI caSTOR…

GUI É UM SUPER QUERIDO e aposto nele integralmente, mesmo que seja preciso andar às cegas: onde GUI está, estará sempre acontecendo alguma coisa muito importante em termos de Arte & Cultura, com DESTAQUE ESPECIAL para a SÉTIMA ARTE, sua grande paixão.

Com sua Força, Garra e Simpatia – além do enorme talento e vocação -, GUI fará da RUA SETE um espaço onde o CINEMA será a LUZ mais vibrante.

Um beijo no coração, MEU QUERIDO, e conte com todo e qualquer apoio do aurora de cinema.

SARAVÁAAAAAAAAA !!!

RESTA UM na noite de Fortaleza

Um filme só acontece depois que chega ao espectador. Por isso, você é a pessoa mais importante desta noite de TERÇA na qual RESTA UM será exibido, pela primeira vez, em Fortaleza.

O CONVITE para esta noite no Centro Cultural Oboé tem a intenção de ser espalhado por aí aos quatro ventos pra que possamos ter uma sessão de cinema com casa cheia.


Aurora Miranda Leão e Rubens Ewald Filho durante o período de gravações em Goiânia…

Vá e leve os amigos ! Se não puder ir, pelo menos recomende a uma porção de parceiros porque, afinal, sempre RESTA UM

Venha você também descobrir porque O Resto é sempre maior que o Principal…

 

FICHA TÉCNICA e ARTÍSTICA RESTA UM 

Argumento, Roteiro, Fotografia e Direção – Aurora Miranda Leão

Trilha: Ricardo Bacelar

Câmera adicional – Julinho Léllis

Imagens de celular: Aurora M. Leão e Ingra Liberato

Contribuição afetiva – Rubens Ewald Filho

Colaboração no Roteiro: Alex Moletta,Miguel Jorge,Rogério Santana 

Estrelando INGRA LIBERATO

 Participação: Rosamaria Murtinho, Sílvio Tendler, Bruno Safadi, Samuel Reginatto, Miguel Jorge, Henrique Dantas, Carol Paraguassu e Patrícia Luciene

Produção: Aurora M. Leão e Julinho Léllis 

Edição: Aurora Miranda Leão e Lília Moema

Filmes citados:  Amanda & Monick, de André da Costa Pinto

                              Aos Pés, de Zeca Brito

                              Áurea, de Zeca Ferreira

                             Harmonia do Inferno, de Gui Castor     

 

Realização: Aurora de Cinema & Cabeça de Cuia Filmes       

                                      

RESTA UM – LANÇAMENTO em Fortaleza
HOJE, 19, 19:30h
COQUETEL no Centro Cultural Oboé – rua MARIA TOMÁSIA, 531

Informações: 3264.7038
ENTRADA FRANCA

RESTA UM.. filme marcante na cabeça de cada um

São tantas as opiniões que anotamos sobre nosso curta RESTA UM, que resolvemos publicá-las para partilhar com você, leitor amigo, que já conhece ou ainda vai ver este exercício audiovisual coletivo…

Roteiro inteligente, edição competente e condução elegante com Ingra Liberato esbanjando sensualidade.
                                               – Maria Letícia, cineasta

Foi um grande prazer te ajudar nessa. Adorei o filme!
               – Cavi Borges, cineasta

Importa pelo que é capaz de despertar no espectador…
                            – Edinha Diniz, pesquisadora de Música
Absolutamente transgressor, dá gosto ver, faz bem à alma.
                                               – Jorge Salomão, poeta

Bom de ver, leve, descontraído e alegre como sua diretora. Já disse que quero fazer parte do próximo.

                                      – Vera Ferreira, atriz


 Leve, descontraído, dá vontade de assistir mais de uma vez para adentrar melhor neste universo a que o filme nos remete.
                                                                     – Sérgio Fonta, ator

Supimpa ! Um sopro de bendita transgressão no universo audiovisual contemporâneo.
                                            – Carmem Araújo, filósofa

Uma excelente loucura, digna do Bressane… Você é demais, parabéns!
                                          – Miguel Jorge, escritor


Enfim, um filme que faz exatamente o que se propõe: instigar, confundir, mexer com o intelecto. E é gostoso de ver…
                                                      – Alice Gonzaga, pesquisadora

Resta Um é uma bela homenagem à Belair, mostra que ainda hoje a intuição pode vencer a forma e criar algo sensível e singelo.
                                                                          – Alex Moletta, dramaturgo

Tá muito legal o filme e é uma honra ter um trechinho do Áurea passeando lá dentro. Ver o filme deu vontade de estar lá.

                                                                          – Zeca Ferreira, cineasta


 Aurora constrói com habilidade e leveza um painel espontâneo sobre o fazer cinematográfico, renovando nosso espírito de querer encontrar o novo.  
                                                      – Jorge Ritchie, ator     

           
Um filme que reaviva a crença no cinema de invenção. 
                                                – Phylis Lilian Huber, jornalista

Inteligente, ousado, instigante, tão experimental como sua própria diretora.

                                                – Walter Webb, produtor e cineasta

Aurora, o filme é muito bommmmmmm ! Estou encantado… ele passa o tempo inteiro uma enorme vontade de fazer e isso é contagiante. E que atriz espetacular essa Ingra ! Parabéns !

                                                               – Gui Castor, cineasta

 

* O CARTAZ de RESTA UM é criação do amigo Chico Cavas Júnior…

A propósito do Resta Um…

Porque o RESTO é sempre MAIOR que o Principal 

Estávamos todos contagiados. O mesmo sentimento de euforia e entusiasmo contagiou a mim, Ingra Liberato, Rosamaria Murtinho, Miguel Jorge, Rogério Santana e Alex Moletta naquela agradável noite goiana, ancoradouro privilegiado para nossa emoção, transformando em vibração entusiástica os pilares e preceitos nos quais se ergueu a Belair. A calorosa sensação de ter encontrado alguma coisa que parecíamos buscar há tempos, invadiu o espírito de todos, e nossa vontade era sair abraçando cada um, como dizia a inspirada letra de Chico : “Era uma canção, um só cordão, uma vontade, de tomar a mão de cada irmão pela cidade”… Sim, era como se, a partir das contundentes e belas imagens garimpadas por Bruno Safadi e Noa Bressane, tudo começasse a criar sua própria lógica e os sentidos eregiam conexões absolutamente inovadoras, criando sensorialidade onde antes havia interrogação e tédio. Uma incisiva sintonia aflorou e o rosto de cada um estampava fulgores até então impensáveis.

Capital goiana foi a concha envolvente que abrigou o RESTA UM

Assim, foi-se desenhando com mais clareza a idéia inicial de fazer um registro imagético do inesperado encontro em Goiânia, cidade aprazível demais para deixarmos perder-se nos desvãos do andamento voraz do cotidiano, próprio da modernidade líquida onde estamos imersos(tão bem definida pelo sábio sociólogo Zigmunt Balman).

Miguel Jorge, Ingra l.iberato, Alex Moletta, Aurora, Rogério Santana, Rosamaria Murtinho e Débora Torres: cada um, a seu modo, contribuindo pro RESTA UM

Qual deveria ser o próximo passo então ? Como alinhavar os elos das intersecções que fomos amealhando ao longo daqueles dias, arejados de imagens e plenos do oxigênio das afinidades que se impõem pela naturalidade de ideais siameses ? Como traduzir pelo gesto da palavra e a alquimia do olhar análogo aquela luminosidade que nos arrebatava e intrometia-se em nossas conversas, todas as horas, noite adentro ? Como significar a eloqüência do instantâneo entrosamento em Goiânia e o contato absolutamente conversor expresso no encontro com a Belair ? A Belair de Júlio Bressane, Rogério Sganzerla e Helena Ignêz…

Cineasta Júlio Bressane, inspirador do clima nas gravações do Resta Um

As idéias então foram tomando assento: no restaurante do hotel, na van que nos conduzia ao cinema, nas cadeiras da sala de exibição, nas trocas de assunto a palpitar quando, a maioria de nós, assumia a função de jurados.

Então Samuel Reginatto, imagem da alegria numa única noite de cinema e festa, se juntou a Júlio Léllis, cineasta amante da Literatura e da sensatez; e se somou à disponibilidade integral de Ingra Liberato, ganhando a benfazeja cumplicidade de Rosamaria Murtinho; e conquistou Miguel Jorge, sábio escritor que de imediato aderiu à nossa idéia de fazermos um filme; e chegou até a Alex Moletta, ator e roteirista a nos encher de ânimo e verdade; e encontrou guarita em Débora Torres, chegando até Rogério Santana, e extrapolando fronteiras para ganhar Sílvio Tendler, Henrique Dantas e o próprio Bruno Safadi. 

Assim, em apenas cinco dias de absoluta imersão no universo da Sétima Arte, do qual Goiânia é âncora todos os novembros, foi gestado o Resta Um, curta-metragem agora ofertado para o olhar, a mente e o coração de quem estiver na platéia ou com este texto em mãos.

Resta Um é um curta digital, colorido, tem 19’25”, roteiro e direção de Aurora Miranda Leão. Ingra Liberato é a presença mais constante, embora não possamos dizê-la “personagem principal” ou protagonista. Isso não existe nos filmes Belair. Lá como cá, os atores não representam mas valem pelo que representam, como nos diz Antônio Medina Rodrigues, e aí a cabeça do espectador tem todo o controle e pode optar por entender o que quiser. O que pra uns pode estar explícito, para outros pode ser apenas um jogo do roteiro ou uma insinuação da direção.  

A imagem icástica de Ingra Liberato a ilustrar o cartaz, bem como o material de divulgação do filme, mostra o indicador da atriz apontando… como a indicar que Resta Um

O que resta encontrar então neste novo filme que Aurora Miranda Leão ora nos oferece ? 

O que resta pode ser você, espectador, que não participou das filmagens e não conviveu com o grupo formado em Goiânia. Resta você que entende a intenção da obra ou resta você que vai sair do cinema perguntando sobre o que é mesmo que viu e qual o sentido deste filme. 

Resta Um filme a ser feito, um fotograma a ser exibido. 

Resta Um desejo de falar da vida e contar da alegria através do cinema. Resta Um desejo de contagiar e fazer coro ao convite de Sílvio Tendler para tentar fazer mais gente entrar nesta canoa. 

Resta Um ator que não estava nas filmagens, um vinho que não foi tomado, e um beijo que não foi roubado. Resta você que se pergunta sobre o sentido deste filme, resta você que poderia ter dado um depoimento. Resta Um espectador que chegou atrasado e um diretor que não foi convidado.

Resta Um convite que não foi aceito e um amor que não se realizou. Resta Um filme que não foi feito e um roteiro inacabado, um caminho a ser seguido e um piano esquecido no canto da sala. 

Resta Um punhado de bons filmes a ver e belas músicas pra ouvir.

Resta Um violão que emudeceu e um canto de passarinhos que não se reproduziu.   

Resta Um carinho esquecido, um afago a ser lembrado e um afeto nunca recebido.

Resta Um filme a ser visto, um aplauso a ser ouvido e um som a ser imitado.

Resta Um enquadramento por fazer, um som e uma luz em sintonia.

Resta Um coração a ser tocado, um amor a ser encontrado.

Resta Um barco no oceano e um barco-olho rumo ao infinito.

Resta Um motivo a mais para se cultivar a ética, um passo a mais a ser dado, um gesto a menos a ser esquecido.

Resta Um belo quadro na parede, flores viçosas na varanda e um roteiro a ser escrito.

Resta Um canto triste a embalar a solidão e um tango sempre disposto a tocar.

Resta Um coro de pássaros a anunciar uma manhã na qual os jornais só estampem boas notícias e um amor de pai e mãe que nem a dor da ingratidão abafou.

Resta Um gol argentino a ser aplaudido, um drible de Messi a ser imitado e uma canção de Lupicínio ecoando na sala. 

Resta Um desvario a ser socorrido, um cotidiano de sonhos a percorrer o imaginário e um arrojo de Kubrick a ser lembrado. 

Resta Um quadro de Picasso a querer ver, um Renoir ainda intacto, um Rembrandt pra quem desconhece as nuances da cor e um bolero de Ravel acordando as madrugadas douradas. 

Resta Um caminho novo a buscar, uma ousadia nova a perseguir e um lixo amontoado na calçada que Vik Muniz precisa transformar. 

Resta Um samba em homenagem à nata da malandragem, um swingue de Gil e Mautner, um ator com a competência de Mauro Mendonça, um desejo de ouvir a contagiante gargalhada de Zéu Brito e mais algumas pérolas de Wisnik.

Resta Um canto feliz de andorinha a sonorizar a espera tão acalentada, e um movimento de Tchaikovsky tocando pra quem não tem medo da música clássica. 

Resta Um texto de Rubens Ewald Filho pra ler, um poema de Jorge Salomão que não nos sai da cabeça, um personagem para Fernando Eiras interpretar e um ator da grandeza de Emiliano pra gente ensinar aos que ainda vão chegar.

Resta Um brilho no olhar da criança esquecida nas madrugadas soturnas das grandes cidades, e um brilho de esperança no gesto de quem vivencia a solidariedade. 

Imagem de Aos Pés, premiado curta do cineasta gáucho Zeca Brito…

Resta Um take a mais de Zeca Ferreira, mais um documentário que Gui Castor está a concluir, uma nova inquietude imagética de André da Costa Pinto, e um novo mergulho nas invenções fílmicas de Zeca Brito.

Resta Um outro Benjamim de Gardenberg para Paulo José, um outro Suassuna para Nachtergaele, um texto com a concisão de Carlos Alberto Mattos, um novo documentário com a assinatura de João Moreira Salles e o precioso olhar de Coutinho.

Resta Um livro a ser lido e um grande autor a ser celebrado. 

Resta Um disco bonito na vitrola, um guardanapo com um poema que a noite revelou, um lenço para amparar lágrimas de amor. 

Resta um quadrilátero de paixão nas esquinas nas quais ela em vão aguardou um adeus. Resta Um um sinal de que a vida é o bem maior. 

Resta Um poeta que a noite teima em querer despertar e um silêncio revelador que o ouvido atento antevê. 

Resta Um desassossego da alma em desalinho pela paixão que arrebata e se intromete nas horas mais improváveis.

 

Resta Um violão dedilhando Bossa Nova e um bar em Ipanema rememorando Vininha.

Resta Um choro de flauta aguardando Pixinguinha e um verso ousado de Clarice, Coralina ou Adélia Prado.

Resta Um solo de Toquinho, uma marchinha do Lalá, um twiiter de Carpinejar e um olhar acurado de Caetano que a manhã precisa revelar. 

Resta Um minuto para que possamos afirmar a palavra necessária e um espanto ante à embriaguez do luar. 

Resta Um comovido apelo à Paz e uma busca incessante pela alquimia dos grandes amores. 

Resta Um olhar sempre atento à obra de Truffaut e à dramaturgia de Fassbinder, um interesse crescente pelo bandoneon de Piazzolla e um espanto ante à indiferença da sociedade do descartável. 

Resta Um motivo sempre novo para ver Fernanda representar e reler a grandeza necessária de Ibsen. 

Resta Um atrevido gosto pelos filmes incompreensíveis e um incontido apego aos lugares onde a emoção fez amigos e plantou saudades. 

Resta Um cantinho, um violão, um microfone para celebrar Mário Reis e um anseio de ouvir cantar como Francisco Alves. 

Resta Um filme de Bressane a ser visto e estudado e um olhar acurado sobre a cinematografia inspiradora da Belair. 

Resta Um dilacerante silêncio ante a brutalidade do desaparecimento de John Lennon e um inexplicável mal-estar ante as ingerências nefastas da política no cotidiano. 

Resta Um infinito e revolucionário desejo de se perpetuar nos fotogramas que hoje são pixels nas alquimias da edição digital, tão rápida e eficiente que nos faz brincar com as horas e achar graça da facilidade de criar temporalidades diversas, fazer andar pra frente e retroceder nos ponteiros de nossa imersão cotidiana. 

Resta Um constante e permanente desejo de continuar abraçando o cinema brasileiro e um desejo intermitente de ouvir o som paralâmico da guitarra de Herbert Vianna

Resta Um olhar para A Última Palavra, aquela que nos tirará do dilema profundo que parece nos atar ao nada existencial. 

Resta Um indormido desejo de expressar-se e traduzir em imagens o que vai n’alma e no pensamento. 

Resta Um permanecente intuito de reaprender a amar pra não morrer de amar mais do que pude. 

Resta, sobretudo, essa vontade enorme de acertar e prosseguir fazendo cinema e apostando em coisas nas quais acreditamos, sejam elas concludentes ou não. 

Resta ademais um desejo de falar de vida, o aconchego do abraço amigo nas noites eternas, e a ânsia de chegar a um tempo onde a ingratidão morra de sede, a indiferença naufrague de tédio, a injustiça definhe por inanição e a estupidez se envergonhe de existir… 

Porque, enfim, Resta Um desejo de amar e ser amado

Amar sem mentir nem sofrer

Desejo de amar sem mais adeus…

Até, quem sabe,

Resta Um desejo de morrer de amar mais do que pude. 

Enfim, Resta Um anseio de que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado. 

* O título deste artigo e as palavras finais nos foram inspirados por textos do cronista Artur da Távola, bem como as citações óbvias aos versos do saudoso poeta Vinícius de Moraes

Ensaios de Cinema na Oboé…

Ensaios de Cinema Será Lançado QUINTA na OBOÉ 

O mais constante crítico de Cinema em atuação no Norte e Nordeste, com mais de 50 de batente, LG de Miranda Leão é cearense, Bacharel em Literatura de Língua Inglesa e Portuguesa, aposentado pelo Banco do Nordeste do Brasil e pela Universidade Estadual do Ceará.
 
Na próxima quinta-feira, dia 20, LG lança seu novo livro ENSAIOS DE CINEMA (selo Cultura da Gente, programa do Banco do Nordeste que apóia iniciativas de funcionários aposentados), em noite festiva no Centro Cultural Oboé, quando será exibido o curta LG – Cidadão de Cinema, feito em sua homenagem pelo cineasta capixaba Gui Castor.

 

Ensaios de Cinema vem tendo ótima repercussão em festivais de cinema pelo país, já tendo sido lançado em Goiânia, Floriano (PI), João Pessoa, e no FestCine Maracanaú, e conta com convites também para lançamentos em São Luís, Santos, Rio de Janeiro, Jericoacoara, Canoa Quebrada, Campina Grande e Taquaritinga (PE).

 

Nomes como os de Orson Welles, Stanley Kubrick, Ingmar Bergman, François Truffaut, Federico Fellini e Michelangelo Antonioni, entre tantos outros, são foco da pena do Mestre LG a nos guiar delicada e inteligentemente pelas vastas searas onde se inscrevem as obras destes grandes samurais da alquimia de perceber a vida e adentrar o mundo, através de pontos-de-vista especiais transformados em sabedoria pela magia eterna da Sétima Arte, como diz sua filha e organizadora da obra, jornalista Aurora Miranda Leão.

 

Walter Hugo Khoury e LG: amizade registrada em Ensaios de Cinema         

Conhecido nas lides cinematográficas por seu profícuo exercício da crítica, Ensaios de Cinema tem prefácio do jornalista Rubens Ewald Filho: “Tivemos o prazer de editar pela Coleção Aplauso da Imprensa Oficial uma seleção de seus textos. Mas que são apenas uma pequena representação do que ele escreveu nesta última década. Agora temos mais de seus escritos, maior e melhor. Neste livro, todos os textos referem-se a filmes, cineastas ou cinematografias especiais (como cinema alemão, sueco, americano) e há outra coisa que eu admiro, seu rigor. L.G. não  escreve sem ter visto pelo menos três vezes o filme ou a obra a qual se reporta.Antes de tudo, é um livro para mergulhar de cabeça e alma, coração aberto e olhos cheios de imagem”.

   

 SERVIÇO

 LIVRO ENSAIOS DE CINEMA

LANÇAMENTO: programa CULTURA DA GENTE/ BANCO DO NORDESTE DO BRASIL

ONDE: CENTRO CULTURAL OBOÉ

QUANDO: Quinta-feira, 20 de Janeiro

HORA: 19:30h

 * Livro à venda na Livraria Oboé (Center Um)

 

Mais informações: 3264.7038

Lembrando meu amigo TONINHO DANTAS

Todas as vezes em que nos falamos foi sempre muito bom.
A imagem que terei dele, sempre, é a de um extrovertido, simpático e bonachão por excelência. O sorriso dele começava nos olhos e o coração não se fartava de repartir benquerença, amizade, interesse sincero e indormido sobre os rumos da Arte e da Cultura.

Falo de TONINHO DANTAS, meu querido, enorme e inolvidável amigo santista, a quem tive a honra e a gratíssima satisfação de conhecer em 2008.

Ele foi o mentor do festival de curtas-metragens de Santos e seu coordenador por 6 edições. Ainda sabendo do festival só por notícias via imprensa, aquele festival me despertou curiosidade. Quis muito estar lá em 2007, quando os queridos Julinha Lemmertz e Beto Brant foram homenageados, mas à época eu seguia para outro festival bacana e necessário, a MoVA Caparaó, que acontece num dos mais belos e recônditos lugares do país, o entorno da serra do Caparaó, na divisa Espírito Santo-Minas Gerais.

E enquanto eu curtia as belezas e encantos da mística Patrimônio da Penha, amigos como Gui Castor e André Costa estavam em Santos, tendo oportunidade de conhecer Toninho.
          

Ano seguinte, já formigando de vontade de ir a Santos e conhecer o festival, recebi – através de indicação do estimado amigo Marcelo Pestana – convite para integrar a comissão julgadora do festival e lá fui eu… levava ótimas expectativas na bagagem mas confesso que tudo foi muito melhor do que minha imaginação conseguiu supor.

Cineasta BETO BRANT foi um dos homenageados do Curta Santos em 2006

O Curta Santos criou uma tradição de abrir o festival com uma Noite de Gala, quando a platéia é brindada com diversos números artísticos. Em 2008, esta noite foi no belo e histórico Teatro COLISEU, onde Eva Wilma recebeu homenagem das mãos da colega Irene Ravache, José Wilker das mãos de Marisa Orth e Lea Garcia interpretou belo poema sobre trajetória de lutas, percalços e vitórias da mulher brasileira. Na platéia perto de mim, revi os amigos Lili Caffé e Lírio Ferreira. E a noite virou apoteose quando a escola de samba X-9 assumiu o palco e fez um dos mais emocionantes espetáculos já flagrados por minhas retinas.

Fachada do imponente Teatro Coliseu, em Santos

Trajados com inspirado figurino e nutridos de inegável paixão pela magia transfiguradora da Arte, atores-bailarinos e dançarinos-intérpretes tomaram todos os escaninhos do palco e embeveceram a platéia. Com o signo carnavalesco dramaturgicamente celebrado no palco, a configuração cênica do espetáculo tinha raizes fincadas na linguagem consistente e arquetípica de Plínio Marcos, um amigo santista a quem Toninho não deixava de sempre citar com carinho, admiração, alegria e orgulho pelas atuações conjuntas em muitos anos de luta em prol da justiça social, livre expressão e respeito às liberdades individuais.

Mesclando carnaval e teatro, a profundidade pliniomarquiana com a algarravia sadiamante feliz dos passos carvalizantes, a turma da escola muitas vezes campeã da folia santista – X 9 – deixou a platéia estarrecida diante de tamanha festa para os olhos e a vontade era seguir dançando junto com eles. E a X 9 encerrou a noite provando porque é “tão fácil” dominar os circundantes, de forma apoteótica, fez-nos dançar e encher a alma de sonho, festa e magia.
                   

 No meio deles, a alegria de Toninho parecia a de um garoto recém-saído da escola, vibrando pela certeza da tarefa bem feita e extasiado com a euforia que dominava a escola e contamina a platéia, na qual estavam realizadores de audiovisual de todo o país.  
               

A semana só começava e a acolhida da equipe do festival ia começando a plantar saudades. Todo o elenco participante do festival ancorou no confortável Hotel Avenida, onde se toma um dos melhores cafés-da-manhã do país, de frente para a profusa beira-mar santista.

 
Naquele Curta Santos, tive a feliz companhia do incomparável André Costa. Conheci também Jefferson D, Rodrigo Azevedo, Ricardo Prado, a Inês Cardoso (filha da Ruth Escobar), Mariana Bezerra (filha de Octávio), Ana Cris, Daniel Tavares (do curta Café com Leite), Ruy Burdisso  além de diversos realizadores argentinos (Cine Vivo) – a cinematografia do país foi gentilmente homenageada pelo festival -, a poeta Alzira Rufino e todas as guerreiras da Casa de Cultura da Mulher Negra (onde Toninho era recebido com indisfarçável alegria), além da bela Madi Soquer, modelo escolhida para todas as peças publicitárias do festival. E ganhei um especial presente no encontro com Juninho Brassalotti, o produtor-executivo do festival, braço direito e esquerdo de Toninho, figura exemplar de companheiro e compromisso com os deveres assumidos.

Lembro bem quando Toninho avisou com sua espontaneidade contagiante do sábado de “cangerê” na quadra da X9. Seus olhos brilhabam quando o ônibis com os realizadores aportou em frente à quadra da escola de samba de seu coração. E que delícia foi aquela tarde de chuvoso e animado sábado ao som da pulsante bateria da campeã santista. Como não podia faltar no script, tendo Toninho tinha sempre muita conversa descontraída, muito papo franco e muitas palavras para saudar os companheiros. E ele tinha prazer em repartir o microfone: queria ouvir a voz de todos, conhecer a alma de cada um, conviver o mais possível com a bagagem cultural de quem convidava pra sua cidade como para fazer conhecer um pouquinho de casa e repartir um muito de sua alegria.

Coube a Juninho me informar da passagem de Toninho e imagino o quão difícil isso foi. Ele sabe bem o quanto eu e Toninho éramos ligados… sempre que pedi qualquer coisa a Toninho, fui mais do que atendida. Desde que nos conhecemos, a troca de idéias entre nós correu franca, livre e constante. Toninho pedia opiniões, dava sugestões, queria palpites e acatava idéias com impressionante cordialidade. 

Foi assim que acatou minha idéia de reverenciar, em 2009, o ator Matheus Nachtergaele, ilustre Homenageado da última noite do Curta Santos ano passado. Para entregar o troféu Claudio Mamberti, convidou o irmão do saudoso ator, Sérgio Mamberti, e, por coincidência, naquele dia lembrava-se mais um ano da partida de Claudio.
Generoso e integro, Toninho convidou-me ao palco para saudar Matheus, abrindo valeiras para ancorar minha emoção ante ao Artista tão Admirado. Conferiu-me então uma das mais marcantes noites de minha vida. Matheus é um símbolo do ácme a que pode chegar um Ator. Tornou-se amigo de quem o admira desde o início, quando começou a ganhar destaque nacional pela qualidade de sua atuação visceral em O Livro de Jó, com a companhia da Vertigem.

Então não sabíamos que aquela seria a última noite de Toninho à frente de seu filho mais novo e amado, a quem fez brotar com a chama do amor pelo Cinema, respeito pelos colegas, vontade de ver os abraços florescerem em forma de realização artística, e a determinação de quem sempre apostou no afeto e na Arte como senda para uma humanidade mais fraterna, sensível e solidária . A noite de homenagem a Matheus Nachtergaele no mais antigo cinema de Santos – o REX do Gonzaga – foi uma noite onde tudo deu certo e todos pareciam se abraçar numa comunhão sem dissonâncias nem assintonias.

 

Toninho Dantas, idealizador do CURTA SANTOS, sempre cercado de amigos, deixa Santos de luto…
Naquele 2009, agora tão forte na lembrança e tão distante no espaço, o ator Ney Latorraca, outro santista ilustre, também foi homenageado recebendo uma “estrela” na Calçada da Fama do REX. Com ele, e mais o ator Edi Botelho, o cineasta Luís Carlos Lacerda (de quem foi exibido o curta Vida Vertiginosa), o empresário da noite Cabbet e a empreendedora Edna Fuji, passamos momentos agradáveis e de benfazeja fruição discursiva e gastronômica, que agora marejam nossos olhos de doída saudade.

Este ano, Toninho pretendia instituir uma temática feminina ao festival e queria ter como ícone a carioquíssima atriz Leila Diniz. Ainda não sabia se Janaína embarcaria na idéia mas chegou a me falar sobre o assunto todo animado. Como era de costume, passei-lhe várias idéias para a programação. Uma dessas dizia respeito à homenagem que há tempos queria fazer ao cineasta Karim Aïnouz, de quem sou orgulhosa conterrânea. Outra sobre a possibilidade de uma mostra especial de curtas femininos, os quais recrutaria entre trabalhos de tantas colegas realizadoras.

                  De pronto, Toninho vibrou com as idéias e disse-me que faltava apenas fechar patrocínios, mas eu ainda tive tempo de dizer-lhe que faria tudo quanto estivesse ao meu alcance antes e apesar de existir ou não verba.
                 Despedimo-nos com a mesma recíproca satisfação e eu contava os  meses para regressar à querida Santos, rever amigos feitos pelo condão acolhedor da alquimia de Toninho, como Juninho Brassalotti, Ricardo, Jamila, Marcelo Pestana, Carlos Cirne, Rodrigo , Jackson, Milena Guimarães e tantos tantos outros. E abria espaço na bagagem para levar a Toninho meu maior abraço, meu carinho mais “exagerado” e minha sintonia atemporal, expressos com serena convicção porque se sabiam irmãs e bem-vindas.
TONINHO DANTAS, vai com Deus, amigo ! E até qualquer dia.

GUI: Documentando a Vida…

Querido Amigo, GUI CASTOR, cineasta capixaba dos melhores da nova safra, envia recuerdo de Barcelona onde reside atualmente dividindo-se entre fotografia, novos estudos do Documentário e curso na Faculdade de Belas Artes…

GUI tem vários filmes premiados – Anjo Preto (sobre o sambista Édson Papo Furado da Velha Guarda do Samba de Vila Velha, ES), Harmonia do Inferno – tb. rodado na periferia de Vila Velha -, LG – Cidadão de Cinema (com o crítico LG de Miranda Leão), LITA (homenagem à sua querida vó paterna), e O Homem que não pode responder por sua própria existência…

GUI CASTOR é menino bonito e inteligente, de sorriso franco e alegria contagiante, determinado, perspicaz, sempre atento ao que corre em volta (como sói a um bom documentarista), sensível, vocacionado para a imagem e com um futuro brilhante pela frente, sendo ademais uma figura humana adorável, dessas que você encontra e gosta à primeira vista. 

                           VIVA GUI CASTOR !!!