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JORGE SALOMÃO Revive HÉLIO OITICICA e Platéia Delira

É o que diz a antenada HILDEGARD ANGEL em sua coluna do GLOBO:

Brasília pegou fogo neste domingo, com o encerramento da exposição Hélio Oiticica: O Museu é o Mundo, com performance do poeta, escritor Jorge Salomão, no Museu da República
Eram quatro da tarde quando o som detonou nas caixas as músicas de Jimmy Hendrix
Jorge não usou sunga, mas um short. Também não estava de salto, mas sapatos prateados. E vestia uma camisa branca em que lia-se, na frente, “Eu sou” e, atrás, completava a frase “Hélio Oiticica”…
Gritando ao microfone frases de Hélio Oiticica como “eu não penso, eu não ligo, eu fascino”, assim chegou Salomão, enquanto um balão vermelho subia aos ares da Capital Federal. Depois, Jorge iniciou a leitura do texto Experimentar o Experimental de HO
Uma leitura recheada de acentuações guturais e de dramaticidade, criação dos irmãos Andreas e Thomas Valentin que será repetida em Belém e no Rio, onde a exposição também será mostrada…
Para terminar, perguntado por um jornalista como se conceituaria, se poeta, se escritor se etecétera e tal, Jorge Salomão, no calor de sua performance, não vacilou e soltou: “Sou um explosivo”…
Fotos de Andreas Valentin

Edição 10 da Revista Tatuí

 

Da edição 00 para a número 10. Com essa veia essencialmente experimental, a Revista Tatuí de Crítica de Arte circula no universo das artes visuais como uma das mais importantes e experimentais revistas de crítica de arte do País. O lançamento da edição número 10 acontecerá em Fortaleza no próximo dia 26, às 19 horas, no auditório do Centro Cultural Banco do Nordeste.

Como é tradição, exemplares da revista serão distribuídos gratuitamente.  Haverá também um Troca de Idéias de duas editoras da revista – Ana Luisa Lima e Clarissa Diniz – com o público. Paralelamente ao lançamento, as duas editoras ministrarão juntas, no mesmo auditório, a oficina “Experimentação editorial coletiva sobre crítica de arte”. Com inscrições gratuitas, a oficina acontecerá de 26 a 29 (de 14h às 18h) e no dia 30 (de 13h às 17h). As inscrições prosseguem até dia 26.

Depois da número 00 (lançada no último mês de julho) – que marcou um retorno da revista a um caráter ainda mais experimental em sua edição –, mais uma vez 8 artistas/críticos/curadores/cineastas/escritores/designers de vários cantos do país se juntam em residência – de imersão total, ao longo de 21 dias – para “gerar” a nova edição da Tatuí, a número 10.

Entre julho e agosto deste ano, numa casa alugada em Olinda, um time de peso, cuja atuação profissional transborda definições tradicionais, pôde dar uma “nova” dimensão à atual complexidade das possibilidades da arte. Os residentes foram Pablo Lobato (MG), Daniela Castro (SP), Kamilla Nunes (SC), Deyson Gilbert (SP), Vitor César (CE) e Cristhiano Aguiar (PE), que se juntaram às editoras Ana Luisa Lima e Clarissa Diniz. E a revista só saiu da residência editorial quando pronta para ir para a gráfica, sendo editada e diagramada ao longo dos dias de convívio e produção do corpo editorial convidado para a Tatuí nº 10.

A Tatuí 10 traz grande variedade de textos, de caráter analítico, ficcional, poético, gráfico e de intervenção. “Esta edição reúne um conjunto de pensamentos que problematizam a linguagem, borrando as fronteiras entre literatura, crítica, arte e design em colaborações desenvolvidas também em parceria entre os editores e, em alguns casos, a partir de apropriações/traduções de textos/imagens/pensamentos alheios”, explica Clarissa Diniz, uma das editoras.

 

Residência

Elaborada ao longo de uma vivência de caráter coletivo e colaborativo, a Tatuí 10 traz, em seu projeto editorial, evidências dessa experiência como, por exemplo, nos vários textos que pensam sobre o lugar da fala, do silêncio e do pensamento nas relações sociais e na arte (como na imagem, na crítica de arte e na história). As negociações entre indivíduos, para a constituição de um tecido social, é também outro foco da revista. Permeando questões como essas – como horizonte metodológico de parte da Tatuí 10 -, a liberdade em apropriar-se (das mais variadas formas) de pensamentos de outros indivíduos, coletivizando a autoria tanto internamente – entre o grupo de residentes-editores – como socialmente, a partir do empréstimo e da releitura da obra de pessoas como Hélio Oiticica, Haroldo de Campos ou Ulises Carrión, processo compositivo indicado no sumário da revista.

 

Projeto gráfico

Discutido por seu corpo editorial e executado pelo editor e designer Vitor César, é também pela forma gráfica que a Tatuí edição 10 incorpora as discussões que permeiam seus textos/poemas/ficções… constituindo-se a partir de apropriações/traduções de identidades visuais genéricas (como livros de romance ou cartas datilografadas) e de imagens, colecionadas ao longo do período da residência editorial e identificadas aos conteúdos abordados na revista.

 

Tatuí de Crítica de Arte

A Tatuí, revista de crítica de arte com versões online (www.revistatatui.com) e impressa, surgiu no Recife (PE) em 2006 a partir do encontro de críticos de arte em formação. Seu primeiro número, em forma de fanzine, foi concebido durante o SPA das Artes (evento anual de artes visuais da cidade), sob a ideia de uma crítica de imersão, experimento de crítica de arte que pretendia não se vincular à concepção de distanciamento crítico.

Nos números seguintes da Tatuí, expandiram-se suas intenções editoriais. Contando com apoios pontuais que em muito colaboraram com seu financiamento, a revista – mantendo seu caráter de independência, experimentalismo e pluralidade – tem proposto debates aos quais se agregam colaborações diversas cujos conteúdos alicerçam um observatório acerca da arte hoje produzida, em especial, no Brasil. Atualmente, encontram-se publicados nove números da revista, com tiragem média de 1.500 exemplares.

 

“Experimentação editorial coletiva sobre crítica de arte”

Ementa

Tomando como ponto de partida a experiência da revista Tatuí, suas editoras propõem esta oficina, que tem por intenção a discussão acerca das possibilidades da crítica de arte a partir da construção coletiva de um projeto editorial composto de textos e outros tipos de conteúdo crítico, produzidos ao longo do período proposto. Partindo dessa prática, pretende-se investigar a relação entre arte e crítica, objeto e sujeito da análise, forma e conteúdo, pensamento e práxis, levando em consideração as especificidades do contexto local. Ao final da oficina, ocorrerá o lançamento do produto editorial, com debate aberto ao público.

 

Público-alvo

A oficina é voltada para todo aquele interessado em arte e seu debate crítico (história, sociologia, filosofia, antropologia e crítica de arte, entre outros). Como a oficina pretende gerar um produto editorial, é importante que os participantes tenham interesse na escrita, bem como disponibilidade de tempo para produção de textos (e/ou outros conteúdos) para além do horário dos encontros. A oficina é indicada para no máximo 15 participantes.

 

Datas e Horários

26 a 30 de outubro, sendo de 14h às 18h no período de 26 a 29 (terça-feira a sexta-feira), e de 13h às 17h no dia 30 (sábado). No dia da abertura da oficina (terça-feira, 26), será lançada a revista Tatuí, edição nº 10, às 19h, com uma troca de ideias entre as editoras e o público presente, no auditório do CCBNB-Fortaleza (3º andar).

 

Ministrantes da oficina

Ana Luisa Lima (PE) – Editora da revista Tatuí. Graduada no curso de Lic. Ed. Artística/Artes Plásticas pela UFPE. Foi curadora do I Salão Universitário de Arte Contemporânea – UNICO (SESC-PE), já escreveu diversos textos para exposições e catálogos, é pesquisadora membro do Grupo de Pesquisa do MAMAM (crítica e história da arte), Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães – Recife-PE. É autora de um dos artigos do livro Artes Visuais: Conversando Sobre (Org. Madalena Zaccara e Sebastião Pedrosa), Editora Universitária/UFPE, além de ser crítica de arte convidada da Sala Recife.

 

Clarissa Diniz (PE) Editora da revista Tatuí. Crítica de arte, é graduada em Lic. Ed. Artística/Artes Plásticas pela Universidade Federal de Pernambuco, UFPE. Membro do coletivo Branco do Olho. Foi premiada com bolsa-pesquisa do 47º Salão de Artes Plásticas de Pernambuco, a partir da qual publicou o livro Crachá – aspectos da legitimação artística (Recife: Massangana, 2008). De curadorias desenvolvidas, destacam-se Encarar-se – Fernando Peres e Rodolfo Mesquita (Museu Murillo La Greca, Recife-PE, 2008), O Lugar Dissonante, co-curadoria com Lucas Bambozzi (Espaço Cultural Torre Malakoff, Recife-PE, 2009) e contidonãocontido, co-curadoria com Maria do Carmo Nino e EducAtivo Mamam (Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, 2010). Tem textos publicados em revistas, catálogos e livros especializados. Foi curadora assistente do Programa Rumos Artes Visuais 2008/2009 (Instituto Itaú Cultural, São Paulo). Integra do Grupo de Críticos do Centro Cultural São Paulo, CCSP.

PERMANÊNCIA de HÉLIO OITICICA

Em 1979, o penetrável Nas Quebradas (PN28), “assimilação das construções das favelas”, como define o curador Fernando Cocchiarale, foi instalado num galpão em São Paulo por Hélio Oiticica. Tal como definia o artista sobre essas instalações, era um labirinto sem teto, “espaço livre” para o “participador” entrar, caminhar, ter uma “visão e posição diferentes” do que seria a obra – e agora, o Nas Quebradas renasce e retorna à cidade, abrigado dentro do Teatro Oficina (foto abaixo).

“O penetrável vai ser incorporado às nossas peças”, diz a atriz Camila Mota, integrante do grupo do diretor José Celso Martinez Corrêa. A partir da abertura da exposição Hélio Oiticica – Museu É o Mundo, realizada pelo Itaú Cultural, Nas Quebradas poderá ser experimentado pelo público e, em abril, a instalação vai integrar as apresentações dos espetáculos Taniko, Estrela Brazyleira a Vagar – Cacilda!!, Bacantes e O Banquete.

Nas Quebradas (PN28). Penetrável de Oiticica com “assimilação das construções das favelas”

Ainda, de frente para o Teatro Oficina, Oiticica estará presente: sete de seus Cama-Bólide, caixas de madeira com tendas criadas em 1968 que, como o título, se transformam em camas, ficarão abrigados na Rua Jaceguai. “É o mais imprevisível dos trabalhos”, diz Camila Mota – naturalmente, as obras estarão à disposição dos mendigos da região. “Nosso objetivo de atuar com os bólides era inventar algo criativo para lidar com o problema de falta de moradia“, continua a atriz.

Antiarte. O anarquista e “marginal” Hélio Oiticica – que tinha uma vida social no Morro da Mangueira e, como “amigo bandido”, o Cara de Cavalo. Em 1965 foi expulso da abertura da mostra Opinião 65 do Museu de Arte Moderna do Rio por levar ao evento os integrantes da escola de samba Mangueira vestidos com parangolés (as capas coloridas que eram a pintura-viva do artista) – ficaria satisfeito se hoje presenciasse suas obras no bairro do Bixiga.

“Antiarte é a proposição da fusão criador-espectador”, disse Hélio em 1966. “Sua vivência no morro não foi a de um sociólogo, mas verdadeira e íntegra”, diz Cocchiarale, completando que a postura política do artista era “libertina”, voltada para a “revolução comportamental do indivíduo”.

Perenidade de OITICICA confirma magnitude do Artista

Ao mesmo tempo em que um trabalho de 1968 como o Cama-Bólide seja atual e provocativo, a inauguração da mostra do artista, no sábado, no Itaú Cultural, já revela que alguma coisa mudou: 13 integrantes da Mangueira vestidos com parangolés foram convidados pela instituição para abrir a exposição e isso, agora, não causa mais estranhamento (a abertura ainda contará com participação do músico Jards Macalé e de integrantes do Teatro Oficina). Inevitavelmente, como afirma Cocchiarale, o mercado, “como absorve tudo”, incorporou a antiarte de Oiticica, valorizando suas obras, hoje presentes em renomadas instituições internacionais. Inevitavelmente, ainda, o incêndio, no ano passado, que destruiu obras do artista (leia abaixo) contribuiu para elevar ainda mais seus preços.