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Amazonas celebra GANGA BRUTA com Filarmônica em manhã memorável

Clássico de Humberto Mauro, produzido pela CINÉDIA, lotou o Theatro Amazonas, e foi apresentado por Alice Gonzaga, herdeira do pioneiro Adhemar Gonzaga…

A organização do VIII Amazonas Filme Festival esmerou-se em todos os detalhes e brindou o público amazonense, bem como sua ampla cartela de convidados e imprensa, com uma manhã dominical de riqueza imagética e sonora fazendo da exibição de GANGA BRUTA um momento especial em sua recheada programação.

Hernani Heffner e Alice Gonzaga apresentam Ganga Bruta para um Theatro Amazonas lotado…

A Cinédia produziu Ganga Bruta (1933), filme que, ao lado de Limite, de Mário Peixoto, se tornaria marco do cinema brasileiro e um dos mais importantes filmes da história do cinema mundial.

Em sua primeira exibição, Ganga Bruta não foi bem, fazendo pouco menos de 15 mil réis, e o público carioca não gostou, chamando o filme de “Abacaxi da Cinédia”, “o pior filme de todos os tempos”. 

Ganga Bruta teria locações no Amazonas, lugar aonda inesplorado pelo Cinema, mas  filmar lá era muito caro, e as cenas foram transferidas para a Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro…

Isso porque, como de costume, o olhar tem espírito preguiçoso e gosta de ver o que já conhece, por isso a tendência das imagens é se repetir, e os que tentam inovar pagam sempre um preço alto pela ousadia. Assim, filmes e músicas que fogem do senso comum, com um sentido na vanguarda, recebem a rejeição como primeiro sentimento, quase sempre.

Nesse cenário, Ganga Bruta, logo saiu de circulação. Mas o tempo, esse “Senhor dos Enganos”, como bem canta o poeta Herbert Vianna, encarregou-se de fazer sua obra. E ainda ganhou uma ‘ajudinha’ providencial: 

o pesquisador Carl Scheiby, remexendo nos arquivos da Cinédia, encontrou os negativos do filme, remontou-os (com aprovação de Humberto Mauro) e exibiu-os, em 1952, na I Retrospectiva do Cinema Brasileiro. Foi então que Ganga Bruta passou a ter outra receptividade, até obter a justa consagração.

A Orquestra Filarmônica do Amazonas executa a trilha de Ganga Bruta

A primeira filmagem de Ganga Bruta foi a 2 de setembro de 1931, tendo estreado no Rio de Janeiro, no cinema Alhambra, a 29 de maio de 1933, por iniciativa de Francisco Serrador.

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Para o diretor Glauber Rocha, falecido em 1981, Ganga Bruta – roteiro e direção do mineiro Humberto Mauro (com argumento de Octávio Gabus Mendes) -, seria o primeiro grande clássico da produção brasileira. Em seu famoso livro Revisão Crítica do Cinema Brasileiro,  o cineasta baiano o consideraria “um dos vinte maiores filmes de todos os tempos” e atribuiria a Humberto Mauro o título de “pai do cinema brasileiro”.

A obra de Humberto Mauro é considerada um dos mais belos e inovadores filmes de sua época. Não apenas pelo roteiro, apresentando a trama de forma não linear, através de flashbacks, mas sobretudo pela qualidade técnica, pela inventiva utilização de recursos cinematográficas de vanguarda, em perfeita sincronia com uma linguagem sensorial, instintiva, sensual.

A revista CINEARTE, editada por Adhemar Gonzaga (fundador da Cinédia), contava:

“Pela primeira vez, nada menos de três câmeras foram utilizadas para a tomada de uma seqüência passada em interiores. Antigamente, o operador tinha de andar com a máquina às costas, toda vez que devia fazer uma nova tomada. Em Ganga bruta, havia uma câmera para os close-ups, outra já assentada para os long-shots e a terceira aguardando o momento de apanhar outras cenas”.

Já o número da CINEARTE de 15 de abril de 1933, publicava:

“A música é do maestro Radamés e tem, além de uma canção e um batuque original, uma composição dramática, que acompanha uma das seqüências mais fortes do filme. As demais músicas são motivos tirados da canção citada e do batuque. Há, ainda, isoladamente, uma outra canção da autoria de Heckel Tavares, com letra de Joracy Camargo. Essa canção é cantada por Jorge Fernandes, o conhecido cantor carioca, que é acompanhado por um grupo de notáveis violinistas, chefiados por Pereira Filho, considerado o melhor violinista do Rio, Jorge André e Medina. Ouviremos também algumas músicas portuguesas, executadas em guitarra por Pereira Filho, que por sua vez faz o solo do violão, que se ouvirá em várias partes da história. A canção de Heckel Tavares foi ensaiada por ele próprio, ensaio esse que se realizou no próprio estúdio, durante vários dias, com a presença de Déa Selva, que aliás canta trechos no filme. Todas essas músicas são genuinamente brasileiras.
E terminando convém frisar ainda que a orquestra do Maestro Radamés foi composta dos mais exímios executantes que se poderiam desejar, entre eles Iberê Gomes, o melhor violoncelista da América do Sul.
Ganga Bruta não é um filme propriamente falado, mas não é silencioso: tem ruídos, falas, músicas e melodias que exprimem situações e muitas são as cenas silenciosas que falam mais do que a voz do movietone ( )”.

Pesquisador Hernani Heffner, expert em Cinema Brasileiro e curador da Cinédia, ao lado de Alice Gonzaga, herdeira de Adhemar Gonzaga, considerada Primeira Dama do Cinema Brasileiro…

Patrimônio da Cultura Brasileira, Theatro AMAZONAS faz manhã de celebração para o filme Ganga Bruta, clássico de Humberto Mauro, com produção da CINÉDIA

Um Hotel 5 Estrelas com categoria de DEZ

Dos acertos do Amazonas Film Festival ou de como me tornei manauara

Conhecer Manaus foi uma dádiva. Terra de meus avós paternos, do  Amazonas só ouvi desde menina boas notícias. Meus queridos João  – o doce – e Virgínia – a pimenta, não se furtavam nunca a falar da terra querida, a qual deixaram porque vovô queria fazer Medicina, e na Amazônia, àquele tempo, isso não era possível. E depois da Bahia e do Rio, o Dr. João Valente de Miranda Leão veio ancorar no Ceará e aqui teve seus três queridos Luiz, Júlia Luzia e Reynaldo.

Confesso não conseguir gostar do Açaí nem do Cupuaçu, mas os sabores do Tucunaré, Tambaqui, Aruanã, Surubim e Pirarucu são deveras incomparáveis. Meus avós tinham mesmo, entre tantas outras qualidades, um paladar refinado.  Sem contar que minha avó era uma índia de fortes poderes: conquistou vovô João de forma irremediável; sabia cozinhar como poucas – tudo que fazia era bom além da conta; desenhava e confeccionava seu próprio figurino – assaz moderno pra época (chegou a escandalizar Fortaleza por ser talvez a primeira mulher da ‘sociedade’, esposa de médico, que ousou usar calça comprida em praça pública e à luz do dia); tinha uma voz magnética e tocava qualquer música ao piano, que teclava sem jamais ter estudado.

Essa digressão afetiva vem a propósito de minha recente visita a Manaus, onde fui recebida com a melhor das atenções e o maior dos carinhos pela organização milimetricamente competente do VIII Amazonas Film Festival. A avalanche de cuidados e esmero com a qual a equipe comandada pelo poeta Robério Braga (pra sorte do povo amazonense, Secretário de Cultura do Estado) recebe seus convidados é qualquer coisa além da excelência. Nada a reclamar, nenhuma crítica é cabível, muito ao contrário, só há o que bem louvar neste Amazonas Film Festival que está tornando o Amazonas uma vigorosa vitrine da Cultura Brasileira para o mundo.

Secretário Robério Braga: presença constante no Festival…

O mais notável: este tratamento especial da equipe de produção, comandada com afinco e competência por Cervantes Sobrinho (o produtor-executivo mais sereno com quem já pude partilhar o convívio), não é privilégio apenas para os convidados ilustres, artistas ou imprensa. A fartura de generosidade e gentilezas parece um grande braço do rio Amazonas impregnando-se por todos os afluentes onde a produção se faz erigir. 

Seguindo nessa trilha, outro não  poderia ter sido o hotel encontrado para acolher os felizes participantes do Amazonas Film Festival. O Caesar Business, de tantas e tão profundas qualidades, foi o nosso porto seguro em Manaus. Difícil ter vontade de deixar suas dependências pra fazer qualquer coisa.

A produção do festival, atenta a detalhes que somam positivamente, cuidou de nos receber desde a entrada com enormes banners. No hall do Caesar Business, adesivos e cartazes do Festival por todos os lados, até mesmo no chão, criando uma atmosfera de adesão ao festival anunciada já nos primeiros passos.

É preciso dizer: tudo no Caesar Business de Manaus apresenta-se com precisão de ourives: são três elevadores, com os quais nunca se perde tempo esperando; quartos extremamente funcionais, confortáveis e delicadamente decorados; um ar-condicionado que funciona sem dar alarde; telefonistas que nos atendem ao primeiro toque; um impecável room-service; uma bonita e agradável piscina, com bela vista por sobre parte de Manaus, com abundante espaço para pegar um bronze ou engrenar uma conversa (à noite, sempre estavam ali os notívagos de plantão); e então chegamos ao principal atrativo, a cozinha do Caesar Business.

O que é aquilo ? Como definir as deliciosamente incomparáveis iguarias ali ofertadas todos os dias, manhã/tarde/noite ? O que são aqueles funcionários sempre de cara alegre, nos atendendo com prestimosidade e inigualável desvelo e simpatia ?

Eu deixei Manaus, como todos os amigos com quem troquei idéias sobre, absolutamente cheia de boas recordações daquela terra singularmente poderosa e hospitaleira, e encharcada de saudade daquele Hotel onde qualquer um se sente uma pessoa especial e necessária.

Tão bom ou melhor ainda do que apregoavam meus adoráveis avós, João e Virgínia, são os peixes saídos das mãos e ‘fabricados’ pela exímia criatividade de alguns experts da Culinária abrigados no Caesar Business. Sem dúvida, ali o Tucupi, o Surubim, o Pirarucu e o Tucunaré ganham novos e requintados sabores, tantas são as formas pelas quais nos são oferecidos, cada um mais excepcionalmente delicioso que o outro. Não lembro nunca de ter passado uma semana inteira comendo peixe. Pois lá no Caesar Business isso aconteceu e só vim me dar conta depois. Tive a felicidade de passar uma semana provando e aprovando novas modalidades das finas receitas com diferentes tipos de peixe, as quais os prestativos garçons e garçonetes nos ofereciam sempre com um sorriso no rosto.

Parte da equipe do Caesar Business Manaus: primando pelo bom atendimento…

Depois de uma semana de puro desfrute da mais dedicada e atenciosa produção de festival de cinema do pais, amplificada pela magnânima acolhida no Caesar Business, resta constatar:

Manaus me chegou como um inesperado presente e ficará para sempre no coração da minha memória como a terra onde reencontrei minhas raízes mais profundas; vi como se faz produção com sabedoria, cordialidade e deferência aos itens mais elementares que permeiam a convivência humana; conheci um Hotel Cinco Estrelas com categoria de DEZ (cuja estada jamais esquecerei); reencontrei estimados parceiros (Saleyna Borges, Tetê Mattos, Antônio Leal, Ingra Liberato, Igor Cotrim, Rosa Malagueta, Douglas Soares, Hernani Heffner, e Alice Gonzaga, uma amiga mais que querida) e fiz novos, como Cervantes Sobrinho, Tânia Carvalho, Arnaldo Galvão, Roberval Duarte e a adorável Helena Ignêz – a quem já conhecia muito pelos filmes emblemáticos da Belair e do ‘cinema marginal’ (trazida por meu pai desde menina como “a mais bela atriz do Cinema Brasileiro”).

Com o adorável Chaplin de Rômulo Hussen, Aurora Miranda Leão e Helena Ignêz atravessam o elegante ‘tapete vermelho’…

Mas Helena Ignêz – esta atriz esplendorosa, diretora premiada e mulher muito além de seu tempo -, é tão especial que merece uma crônica inteira. Que fico a dever e pretendo escrevê-la muito em breve.

Solenidade de abertura do VIII Amazonas Film Festival no Theatro Amazonas…

Neste ponto, vale abrir um destaque para os patrocinadores do Amazonas Film Festival:  a Coca-Cola e o Banco Daycoval, que se unem ao Governo do Estado do Amazonas para que o Amazonas Film Festival seja o grandioso festival que é.

Resta-me então agradecer a organização do Amazonas Film Festival pelo honroso convite e pela inaudita satisfação de me proporcionar dias tão felizes e especiais na capital amazonense, de onde saí me sentindo uma quase autêntica manauara e muito mais brasileira.

Ingra Liberato levou sua beleza para desfilar no Amazonas (ao lado do ator Luís Felipe, ambos no elenco de O Carteiro, longa de Reginaldo Faria)…

Beatriz Lindenberg, Arnaldo Galvão e Aurora Miranda Leão chegando ao Theatro Amazonas, noite de abertura…

O Secretário Robério Braga saúda o cineasta Fernando Meirelles, homenageado desta edição…

Antônio Leal, Alice Gonzaga e Tetê Mattos: alegria contagiante que se perpetuou por todo o Amazonas…

Ao lado de ‘Chaplin’, o ator mexicano Alfonso Herrera, ex-RBD, o mais assediado e simpático do Festival

Viva o Amazonas ! Vida longa ao Amazonas Film Festival !