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Wagner Moura: Cada Vez Mais, de Cinema

 

Wagner Moura na pré-estreia de VIPS em Sampa, nesta segunda-feira

A maturidade do cinema brasileiro contemporâneo passa pelo nome de Wagner Moura. Selton Mello divide as atenções, mas Moura tem o amparo do público e das bilheterias: desde 2007, quando estreou o primeiro Tropa de Elite, seus filmes foram vistos por cerca de 14 milhões de espectadores e faturaram por volta de R$ 125 milhões. Nenhum outro artista nos últimos anos, nem mesmo favoritos das telas como Xuxa ou Renato Aragão, pode se gabar disso.

Em entrevista para divulgar “Vips”, que estreia na próxima sexta, Wagner Moura,  disse não ter nenhum problema com o sucesso, pelo contrário: quer ser visto. E não só pelos brasileiros, já que a partir de julho estará filmando em Hollywood, ao lado de Matt Damon e Jodie Foster.

“Sou um artista que quer se comunicar com as pessoas”, disse o ator. “Meu trabalho foi feito para as pessoas assistirem, sem que isso seja um demérito, sem que eu tivesse que abaixar meu senso de qualidade, meu senso estético. Shakespeare existiu como um dos maiores artistas de todos os tempos, mas popular em sua essência.”

A partir disso, seria fácil imaginar o ator na televisão, mas seu último papel foi na novela Paraíso Tropical, há quatro anos, justamente quando “Tropa” entrou em cartaz, e ele não mostra qualquer disposição de voltar aos folhetins tão cedo. “A novela é uma coisa de tempo, você precisa passar um ano inteiro fazendo, tem que estar com muita disposição. Além disso, o cinema brasileiro está vivendo um momento muito bom. Acho que VIPS’ se insere num contexto extraordinário, que é de filmes de qualidade, com bons roteiros, bem produzidos, com bons atores e que querem ganhar público, achar um lugar no mercado.”

 

Wagner Moura em VIPS, que estreia nesta sexta

“Tenho muito bode desse negócio de que filme bom precisa ser um negócio cabeçudo para 17 pessoas assistirem, e que filme pra agradar o público precisa ser uma droga, ser um filme bobo”, continuou o ator. “Acho significativo o ‘Tropa de Elite 2’ ser o maior sucesso da história do cinema nacional porque ele se enquadra nisso, reúne uma dimensão política enorme, tem substância e as pessoas mesmo assim foram lá e assistiram. O espectador não é um idiota, que só quer ver porcaria, e nem o crítico só vai respeitar um negócio porque é hermético. Talvez o Brasil, por ter uma herança do Cinema Novo, do cinema político, tenha deixado essa sensação de que filme bom tem de ser difícil, não pode se comunicar. Digo isso não em oposição ao cinema de experimentação, que acho ótimo e precisa ser feito. Mas acho que não é só ele que merece ser aplaudido pela crítica e pelo público.”

Moura também disse se sentir confortável com o fato de, sozinho, já conseguir atrair público para o cinema, responsabilidade geralmente exclusiva a galãs ou astros infantis. “Acho bom existirem atores que chamem o público para o cinema. Eu vou ver os filmes que o Selton faz, por exemplo, porque gosto do trabalho dele. A mesma coisa com Sean Penn, Al Pacino. Isso faz parte. O fato de ter um ator que leve o público também é significativo desse momento do cinema brasileiro.”

O convite para o primeiro trabalho de destaque em Hollywood, segundo Moura, foi consequência de sua exposição nas telas do país. “Estou indo fazer esse trabalho por causa do ‘Tropa de Elite’, principalmente, mas também pela história que tenho aqui.”

O filme em questão se chama Elysium e tem direção do sul-africano Neill Blomkamp, o mesmo de Distrito 9, indicado ao Oscar no ano passado. O ator comentou que “Tropa” e “Distrito” são esteticamente parecidos, pelo “viés político”, e que aceitou o papel de um vilão pela qualidade do roteiro, que se passa 100 anos no futuro. “É um personagem muito bom, que eu aceitaria se fosse feito aqui ou em qualquer lugar. É muito legal mesmo.”

Ao lembrar do passado, Wagner Moura contou ter saudade de um certo sentimento “selvagem” da juventude, mas não troca isso pela experiência. “Entendi melhor como funciona o mecanismo do cinema, jogo melhor com a parafernália toda. Me tornei um ator rodado, tanto que já me deu vontade de dirigir um filme.”

 

Vanessa da Mata e Wagner Moura no set do videoclipe dirigido pelo ator

A estreia atrás das câmeras acontece com o clipe de Te Amo, de Vanessa da Mata, que será veiculado em breve. Rodado em 35mm, o vídeo é protagonizado pela bailarina Marilena Ansaldi, tem figurino do estilista Ronaldo Fraga, fotografia de Lula Carvalho (“Tropa 2″, Budapeste”) e montagem de Daniel Rezende (“Cidade de Deus”). “O que me dá tesão de dirigir é poder reunir vários profissionais legais e deixar eles trabalharem. Estou feliz.”

São dois os projetos como diretor de longa-metragem, a exemplo, mais uma vez, de Selton Mello (que dirigiu Feliz Natal e finaliza O Palhaço). O primeiro, segundo ele, “muito pessoal, como geralmente são os primeiros filmes”, ainda ganha forma e está apenas em um caderno, escrito a mão, com caneta esferográfica. O outro é a adaptação de um livro, não-revelado, através de Rodrigo Teixeira, da RT Features, produtor famoso por ter comprado os direitos de sucessos recentes como as biografias de Tim Maia e de Lobão.

Enquanto as ideias não se concretizam, Wagner Moura continua a toda como ator. No segundo semestre, estreia O Homem do Futuro, de Cláudio Torres, mistura de comédia e ficção científica. Nesta semana, ele começa as filmagens de A Cadeira do Pai. Primeiro longa do diretor Luciano Moura, o filme conta a história de um casal de médicos que está se separando e precisa lidar com o sumiço do filho de 13 anos, que foge de casa. Ainda no elenco, estão Mariana Lima (“A Suprema Felicidade”) e Lima Duarte.

Além disso, tem ao menos mais dois projetos encaminhados: a superprodução Serra Pelada, de Heitor Dhalia, diretor que está atualmente em Hollywood filmando com Amanda Seyfried; e a adaptação do livro Viúvas da Terra, sobre política agrária no Brasil, com direção de Henrique Goldman (“Jean Charles”). Isso sem contar as novas propostas que recebe semanalmente. A televisão, realmente, ficou para trás.

* Por Marco Tomazzoni

VIK MUNIZ Leva Lixo Extraordinário ao Oscar…

Documentário mostra trabalho de Vik Muniz com catadores do Jardim Gramacho (RJ), um dos maiores aterros sanitários do mundo

Trabalho singular e aplaudido de VIK MUNIZ: reconhecimento na festa mais badalada do cinema mundial 

O longa-metragem Lixo Extraordinário, com direção conjunta dos brasileiros João Jardim e Karen Harley e da britânica Lucy Walker, foi indicado ao Oscar de Melhor Documentário. O filme, produzido pela brasileira O2 Filmes e a inglesa Almega Projects, já ganhou cerca de 20 prêmios em festivais importantes como Sundance e Berlim. Está em cartaz no Brasil desde sexta passada, 21 de janeiro.

 

Os diretores e produtores brasileiros comemoram: “A indicação da Academia joga luz sobre o universo dos catadores e o trabalho de arte feito com material reciclável. A mistura do olhar estrangeiro com o olhar brasileiro deu força para o filme”, afirma João Jardim, co-diretor. “A indicação ao Oscar dará mais visibilidade à causa dos catadores, veio na hora certa, já que o aterro de Jardim Gramacho será fechado em 2012”, conta Karen Harley, co-diretora.

 

A produtora-executiva do filme, Andrea Barata Ribeiro, ressalta a importância dessa indicação para o Brasil: “É o reconhecimento do cinema nacional, mostra que estamos no caminho certo. A co-produção teve papel fundamental, permitiu juntar esforços para a realização do filme”, afirma Andrea.

 

Lixo Extraordinário mostra o trabalho do artista plástico Vik Muniz em um dos maiores aterros sanitários do mundo, o Jardim Gramacho, na periferia do Rio de Janeiro. Lá, ele fotografa um grupo de catadores de materiais recicláveis com objetivo inicial de retratá-los. No entanto, o trabalho com esses personagens revela a dignidade e o desespero que enfrentam quando sugeridos a reimaginar suas vidas fora daquele ambiente.

O próprio VIK em trabalho assinado por ele…

Vik Muniz, como não podia deixar de ser, está radiante com a indicação:

“Estou muito feliz, porque foi uma história que começou por acaso e virou um filme de grande importância, porque consolida um grupo social e mostra o verdadeiro valor do lixo”, disse artista em entrevista ao G1 por telefone, minutos após saber da indicação.

E agora sonha em levar para a festa de Hollywood um dos catadores retratados no filme: “Agora tenho outro desejo, que é levar o personagem do filme, o Tião, para Hollywood, para subir ao palco e receber o prêmio. Nada mais justo do que homenagear essas pessoas, que fazem deste filme um documento tão especial.”

Vamos ao Cinema ! Prestigiar o CINEMA BRASILEIRO !

Saiba mais: www.lixoextraordinario.net

 

FICHA TÉCNICA

 

Direção:  Lucy Walker,

Codireção: João Jardim, Karen Harley

Produção: Angus Aynsley, Hank Levine

Coprodução: Peter Martin

Produção Executiva: Fernando Meirelles, Miel de Botton Aynsley, Andrea Barata Ribeiro, Jackie de Botton

Música: Moby

Edição: Pedro Kos

Direção de Fotografia:  Dudu Miranda

Codireção de Fotografia: Heloisa Passos, Aa ron Phillips

Mixagem de Som: Aloysio Compasso, José Lozeiro

Duração: 99 minutos

Formato: RAIN

Som: Dolby Digital 5.1

Janela: 1:85

Ano de produção: 2009

Classificação Etária: Livre

Orçamento: US$ 1,5 milhões

Patrocínio: BB Seguro Auto, Ourocap, Eletrobrás

Viabilizado pela Lei do Incentivo ao Audiovisual (Art. 1º A)

PRÊMIOS E PARTICIPAÇÕES EM FESTIVAIS INTERNACIONAIS

SUNDANCE – Janeiro 2010

Prêmio do Público de Melhor Documentá rio Internacional

FESTIVAL DE BERLIM – Fevereiro 2010  

Prêmio da Anistia Inte rnacional (AI)

Prêmio do Público de Melhor Documentário – Mostra Panorama

FESTIVAL TRUE/ FALSE (EUA) – Março 2010

Seleção oficial

FULL FRAME DOCUMENTARY FESTIVAL (EUA) – Abril 2010 

Prêmio do Público de Melhor Documentário

DALLAS INTERNACIONAL FILM FESTIVAL (EUA) – Março 2010      

Prêmio Target Film Maker – Melhor Documentário

HOT DOCS (CANADA) – Maio 2010

Entre os 10 favoritos do público

PROVINCETOWN INTERNATIONAL FILM FESTIVAL (EUA) – Junho 2010

Prêmio HBO do Público – Melhor Documentário

SEATTLE FILM FESTIVAL (EUA) – Junho 2010

Prêmio Golden Space Nee dle – Melhor Documentário

MAUI FILM FESTIVAL (EUA) – Junho 2010

Prêmio do Público de Melhor Documentário Internacional

FESTIVAL DE PAULÍNIA (SP) – Julho 2010

Prêmio do Públic o de Melhor Documentário

Prêmio Especial do Júri

DURBAN INTERNATIONAL FILM FESTIVAL – Agosto 2010

Prêmio de Melhor Documentário

Prêmio do Público de Melhor Filme

Prêmio da Anistia Internacional (AI)

FESTIVAL DO RIO – Setembro 2010

Première Brasil Hors Concours

ECOFOCUS FILM FESTIVAL – Outubro 2010

Prêmio do Público de Melhor Longa-Metragem Documentário

TRINIDAD E TOBAGO FILM FESTIVAL – Outub ro 2010

P rêmio do Público de Melhor Documentário

FLAGSTAFF MOUNTAIN FILM FESTIVAL – Outubro 2010

Prêmio do Juri

VANCOUVER INTERNATIONAL FILM FESTIVAL – Outubro 2010

Rogers People’s Choice Award

MOSTRA INTERNACIONAL DE SÃO PAULO INTERNACIONAL – Novembro 2010

Prêmio Itamaraty de Melhor Documentário

AMAZONAS FILM FESTIVAL – Novembro 2010

Prêmio Especial do Júri

INTERNATIONAL DOCUMENTARY F ILM FESTIVAL AMSTERDAM – Novembro 2010

Prêmio do Público

STOCKHOLM FILM FESTIVAL – Novembro 2010

Silver Audience Award

INTERNATIONAL DOCUMENTARY ASSOCIATION’S AWARDS – Novembro 2010

Pare Lorentz Award

Alice Braga: nova estréia em telas americanas

Os Coletores, filme do britânico Miguel Sapochnik, chega aos cinemas dos Estados Unidos e do Canadá, tendo como destaques do elenco a brasileira Alice Braga e a dupla Forest Whitaker e Jude Law. 

Law e Whitaker encarnam os amigos Remy e Jake, que se conhecem desde a infância e ficam ainda mais unidos depois de lutarem pelo Exército americano em uma guerra. Quando Remy e Jake voltam para casa, passam a aproveitar suas táticas de guerra para ganhar a vida como pistoleiros de uma companhia muito peculiar. Essa empresa é a The Union, uma poderosa corporação que enriqueceu vendendo órgãos artificiais caríssimos que salvaram e prolongaram a vida de milhares de pessoas no mundo. O trabalho de Remy e Jake, que seguem as ordens do presidente da companhia (Liev Schreiber), é requisitar pela força os órgãos que essas pessoas deixaram de pagar, mesmo que isso represente a morte imediata desses indivíduos. “É um filme que, entre suas muitas mensagens, faz uma crítica social”, explicou Whitaker, para quem Os Coletores critica empresas e bancos que se aproveitam de seus clientes, ao mesmo tempo em que evidencia “o perigo de a sociedade perder a sensibilidade diante da violência”.

Em mais uma incursão em Hollywood, Alice Braga interpreta desta vez a sedutora Beth, uma cantora que tenta fugir do destino macabro de ser uma mulher biônica, melhorada com os órgãos artificiais fabricados pela The Union e que não pode pagar.

“Li o roteiro e fiquei encantada. É uma história diferente de tudo que estava lendo naquele momento. O personagem é muito diferente, muito forte. Me diverti muito nas filmagens”, disse a atriz à Agência Efe.

Os Coletores é baseado no livro The Repossession Mambo, do americano Eric Garcia, e é a estréia de Miguel Sapochnik na direção de um longa-metragem.

A estréia do filme no Brasil está prevista para setembro.