Arquivo da tag: homenagem a Helena Ignêz

Abram alas: HELENA IGNÊZ vem aí…

Consagrada Atriz e Diretora de Teatro e Cinema, Helena Ignêz chega hoje a Bagé para receber Homenagem do Festival de Cinema da Fronteira

Helena Ignez é baiana de nascimento, mas há tantos anos reside em São Paulo, que muitos esquecem sua origem nordestina. Filha de tradicional família, Helena chegou a ingressar na Faculdade de Direito, mas as lições ali ensinadas nunca tocaram o coração da futura atriz. Já no segundo ano da Faculdade, quando vai ao teatro assistir a uma peça, fica empolgada com a atuação de um grupo de jovens atores, e identifica-se de tal modo que decide então enveredar por aquele caminho e mudar os rumos de sua vida.

Abandona a faculdade, para aflição da família, e matricula-se no Curso de Arte Dramática da Universidade da Bahia, onde permanece por três anos. Atua em diversas peças por palcos da capital baiana até que, em 1959, recebe convite de um critico de cinema chamado Glauber Rocha, para participar de um curta-metragem chamado O Pátio. Esta foi a estréia de Helena Ignêz no cinema. Ela e Glauber se apaixonaram, casaram e tiveram Paloma, hoje a respeitada cineasta Paloma Rocha. A estréia como atriz em longa-metragem acontece em 1961 no clássico A Grande Feira, do conterrâneo Roberto Pires. Com a repercussão alcançada em A Grande Feira, vai para o Rio e lá inicia sólida carreira cinematográfica em filmes como Assalto ao Trem Pagador (62), O Bandido Da Luz Vermelha (68), Copacabana Mon Amour, e tantos outros. Do casamento de 35 anos com seu parceiro, diretor, amigo e amor maior, o cineasta catarinense Rogério Sganzerla, Helena Ignez teve duas filhas: Sinai, hoje produtora, e Djin, premiada atriz de teatro e cinema.

Figura de destaque na cultura brasileira. Integrante de inúmeros movimentos de vanguarda, neles Helena Ignêz esteve sempre com o diferencial da inteligência, da sensibilidade e da delicadeza. Com 40 anos de produção e incursão nos vários campos da arte cênica e cinematográfica, foi homenageada em 2006 pela organização do 20º Festival de Films de Fribourg (Suíça) com a Mostra La Femme du Bandit (A Mulher do Bandido), ocasião em que foram exibidos 25 filmes nos quais atuou, produziu ou assumiu a direção.  Também na Suíça, como artista plástica, estreou a cine-instalação  Electric Sganzerland , no Centre D’Art Contemporain – Fri-Art .

Sua estréia na direção, em 2008, com o longa-metragem Canção de Baal, onde divide-se entre atuação/produção/direção, foi um divisor de águas.

De atriz premiada e musa festejada por críticos e cinéfilos, Helena Ignêz passou a ser vista como diretora competente e reafirmou a marca que a consagrou: a ousadia.

. Canção de Baal recebeu aprovação maciça da crítica e esteve nos grandes festivais do mundo, sendo os principais: Festival do Rio (Midinight Moovies); 32º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, e Festival Internacional de Goa, na Índia. Em 2009, novas conquistas para o filme de estréia: Melhor Filme pelo Júri da Crítica no Festival de Gramado, e o prêmio Ano Unno no Festival I Mille Occhi, em Trieste (Itália) ‘por sua contribuição à linguagem cinematográfica’. Com este filme, a diretora foi também homenageada no 12º Festival de Cinema Luso Brasileiro em Portugal, e no 4º CinePort, realizado em João Pessoa (PB). Em 2009, Helena Ignez foi homenageada pelo 8º Festival I Mille Occhi, Trieste (Itália) pelo conjunto da obra e contribuição à linguagem cinematográfica.

O segundo longa-metragem sob sua direção foi Luz nas Trevas – A Volta do Bandido da Luz Vermelha, roteiro de Rogério Sganzerla, protagonizado por Ney Matogrosso. O filme estreou internacionalmente no 63º Festival de Cinema de Locarno (Suíça), onde recebeu o Prêmio da Crítica Boccalino D’Ouro como Melhor Filme.  Luz nas Trevas foi também selecionado pelo 12º Festival do Rio; 34˚ Mostra Internacional de Cinema de São Paulo;  7˚ Amazonas Film Festival (onde ganha Menção Honrosa); 15˚ Festival Internacional de Cinema de Kerala (India). Em 2011, Luz nas Trevas é exibido no 26˚ Festival Internacional de Cinema de Santa Bárbara, 18˚ Festival Latino Americano de San Diego, e 5o BRAFFTv – Brazilian Film & Tv Festival of Toronto, todos nos EUA; na quinta edição do Festival CinePort (PB); 13˚ BAFICI – Festival Internacional de Cinema de Buenos Aires (AR).

Helena Ignêz em recente viagem ao Amazonas, onde ela encantou com sua simplicidade e onde pretende rodar cenas de seu novo longa…

Atualmente, a iluminada e pacificadora guerreira HELENA IGNÊZ trabalha na captação de recursos para dois novos e instigantes projetos: o longa-metragem Ralé, com roteiro e direção seus, tendo Ney Matogrosso como protagonista; e na transposição da peça teatral O Belo Indiferente (clássico de Jean Cocteau) para o cinema, tendo sua filha Djin Sganzerla como protagonista.

Se pudéssemos sintetizar o cerne do que vai embutido na trajetória de Helena Ignêz, diríamos com suas próprias palavras: “O que importa é a gente tentar ser bom, tentar amar e ver no outro a gente mesmo”.

Por tudo quanto fez, faz e por tudo quanto representa de bom, belo, grandioso, libertário, vanguardista e transgressor para o Cinema é que Helena Ignêz insere-se no imenso painel onde figuram grandes divas da Sétima Arte Mundial. O crítico Ruy Gardnier diz sobre ela: “É uma das grandes presenças femininas da história do cinema, como Marlene Dietrich, Marilyn Monroe, Anna Karina, Claudia Cardinale”.

Por sua trajetória de determinação e afirmação de um cinema considerado de invenção e transgressão; por sua dedicada atuação em defesa da vida e da liberdade de expressão; e por sua sempre bem vinda e iluminadora presença é que HELENA IGNÊZ recebe o troféu do III Festival de Cinema da Fronteira.

Helena Ignêz, mulher que conquistou os três mais importantes cineastas do país – o cinema brasileiro se divide em antes e depois de Rogério Sganzerla, Júlio Bressane e Glauber Rocha -, é um exemplo a ser seguido…

A Homenagem é a maior deste festival, o qual pretende ser um genuíno congraçamento entre os que fazem e os que curtem e aplaudem o Cinema, embora tenhamos certeza: qualquer homenagem que possamos fazer ainda é muito menor do que Helena Ignêz representa, mas por certo nossa singela Homenagem será sempre maior a cada vez que as luzes do Cinema da Fronteira repercutirem entre outros povos, em outras línguas, noutras nações, no seio de gentes de todos os quadrantes, porque a Homenagem do Festival de Cinema da Fronteira para Helena Ignêz traduz todo o respeito, admiração, apoio e aplauso à presença desta Mulher no Cinema, símbolo do melhor da inclusão feminina no panorama cultural brasileiro.

Filmes que estarão nas telas de Bagé

FESTIVAL de CINEMA DA FRONTEIRA DIVULGA SELECIONADOS 

A organização do III Festival Cinema da Fronteira acaba de divulgar a relação de curtas brasileiros selecionados para a edição que começa no próximo dia 10 em Bagé, prosseguindo até dia 17.

O júri de seleção foi formado pelos realizadores gaúchos Boca Migotto, Frederico Ruas e Virgínia Simone. Ao todo, foram inscritos mais de 120 filmes. 

Realização da Prefeitura Municipal de Bagé, através da Secretaria de Cultura, o festival terá duas mostras competitivas – Bagé 200 anos e Mostra Binacional – e três mostras não competitivas – Yaya Vernieri, Festin Bagé – Mostra da Lusofonia, e Mostra de Longas-Metragens. A curadoria do Festival é assinada pela jornalista e realizadora Aurora Miranda Leão, contando com a colaboração de uma comissão artística formada por Carmem Barros, Eliane Pacheco, Fabiane Lázzaris, Lisandro Moura, Sandra Carmerine, Vera Medeiros e Zeca Brito, artistas de Bagé. 

Antiga Estação Ferroviária de Bagé (prédio de 1884), hoje Centro Administrativo, também abrigará atividades audiovisuais…

Os homenageados desta edição são o ensaísta, pesquisador e crítico Jean-Claude Bernadet, e a atriz e diretora Helena Ignêz. O festival faz parte das comemorações dos 200 anos da cidade de Bagé, e é uma realização da Prefeitura Municipal através da Secretaria de Cultura sendo produzido pela Primeiro Corte Produções.

HELENA IGNÊZ, eterna Musa do Cinema de Invenção, vai receber homenagem em Bagé…

Do total de inscritos, foram selecionados 30 curtas-metragens de todas as regiões do país que enviaram trabalhos. Portanto, o festival exibirá todos os gêneros, englobando Ficção, Documentário, Animação e Experimental, com curtas do Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Pernambuco, Paraíba, Ceará, Maranhão, totalizando nove estados de quatro regiões brasileiras. 

OS SELECIONADOS 

1. CÉU, INFERNO E OUTRAS PARTES DO CORPO, RODRIGO JOHN (RS) 7’33” – ANIMAÇÃO

2. O CÉU NO ANDAR DE BAIXO, LEONARDO CATA PRETA (MG), 15′ – ANIMAÇÃO

3. ABATE, LUCAS SÁ (MA), 14’10” – FICÇÃO

4. MANTEGNA, de Meloo Viana (PR), 10′ – EXPERIMENTAL

5. CORNETEIRO NÃO SE MATA, de PABLO MÜLLER (RS) 19′ -FICÇÃO

6. O SILÊNCIO DO TEMPO, de ANDREA COHIM (PE),  9′ – FICÇÃO

7. DOCE DE COCO, de ALLAN DEBERTON (CE), 15′ – FICÇÃO

8. A FÁBULA DA CORRUPÇÃO, de LISANDRO SANTOS (RS), 8’15” -ANIMAÇÃO

9. BRECHA, de Júlia Araújo e Nathália D’Emery (PE), 6′ -ANIMAÇÃO

10. APENAS UM, de LEO TABOSA (PE), 7′58″ – FICÇÃO

11. UM CONTO à DERIVA, de Germano Oliveira (RS), 15′ – FICÇÃO

 12. PRONTA ENTREGA, de André Miguéis (RJ), 11’21” – FICÇÃO

13. TRAVESSIA, de Kennel Rógis (PB), 14′ – DOC

14. POLIAMOR, de José Agripino (SP), 15′ – DOC

15. MATO ALTO – PEDRA POR PEDRA, de Arthur Leite (CE), 15′ – DOC

16. As FOLHAS, de DELEON SOUTO (PB), 15′ – FICÇÃO

17. O CÃO, de ABEL ROLAND e EMILIANO CUNHA (RS), 9’39” – FICÇÃO

18. KINOPOÉTICAS KATARI KAMINA, de Pedro Dantas (SP), 15′ – DOC

19. SETE VOLTAS, de Rogério Nunes (SP), 20′ – DOC

20. TRAJETO, de Leonardo Wittmann (RS), 14′ – FICÇÃO

21. O Ogro, de Márcio Júnior e Márcia Deretti (GO), 8′ – ANIMAÇÃO

22. O Brasil de Pero Vaz Caminha (RJ), de Bruno Laet, 17’40” – DOC

23. MARCOVALDO, de Cíntia Langie e Rafael Andreazza (RS), 14′ – FICÇÃO

24. QUANDO A CASA CRESCE E CRIA LIMO, de Amanda Copstein e Filipe Matzembacher (RS),  14’26”  – FICÇÃO

25. YOU BITCH DIE !!!, de Lucas Sá (MA), 3′ – FICÇÃO

26. Biliu – O maior carrego do Brasil, de LAU BARBOSA (PB), 15′ – DOC

27. ANTONINHA, de LAÉRCIO FERREIRA (PB), 19’49” – FICÇÃO

28. A INVASÃO DO ALEGRETE, de Diego Müller (RS), 21’30” – FICÇÃO

29. UMA, de ALEXANDRE BARCELLOS (ES), 14’51” – DOC

30. ASFIXIA, de FÁBIO AGUIAR (SP), 14’50” – FICÇÃO