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Amores Roubados: minissérie inscreve-se como uma das melhores de todos os tempos

Cauã Reymond, Murilo Benício, Isis Valverde e Patrícia Pillar foram destaque. Com roteiro de George Moura e direção de José Luiz Villamarim, minissérie abriu 2014 marcando belo gol na programação da TV Globo…

A começar pela expressividade do layout do título e pela impactante abertura, AMORES ROUBADOS é já um marco da nossa Teledramaturgia. Sou das que assistem e faço questão de dizer. E espalhar por onde posso o quanto aprecio boas obras, seja em que veículo for, e não preciso fazer nenhum arrudeio pra afirmar que assisto porque adoro a narrativa ficcional televisiva, e gosto de acompanhar as produções teledramatúrgicas brasileiras. E quando as obras são boas – como esta AMORES ROUBADOS -, aí mesmo é que faço questão de dizer que vejo e vejo com prazer ! Porque amo Dramaturgia – seja no Teatro, no Cinema ou na TV. Assumimos desde sempre que o bom é viajar por outras histórias, inventadas por outras cabeças, recheadas de outras fantasias, que não as nossas. Afinal, como diz o magnífico poeta gaúcho Carpinejar, nem a nossa história deixa de ser fantasiada por nós mesmos.

O roteiro de Amores Roubados é de George Moura, a partir de obra de Joaquim Maria Carneiro Vilela – advogado, ilustrador, pintor paisagista, cenógrafo, juiz, bibliotecário, secretário de Governo, fabricante de gaiolas, e escritor -, escrita entre 1909 e 1912, e já ganhou adaptações para o teatro e o cinema. Mas por certo somente agora o escritor terá seu nome definitivamente inscrito entre os grandes de nossa Literatura. Como o título original de A Emparedada da Rua Nova, Carneiro Vilela dizia que a história viera de um relato ouvido de uma escrava. Até hoje, não se sabe ao certo o que foi ficcionado pelo autor e o q realmente aconteceu.

Mas só em ter valido esta primorosa minissérie, já ganhou – e muito – a história de nossa Teledramaturgia, enriquecida pelas interpretações poderosas de Murilo Benício – um ator que consegue passar todo o sensório de seus personagens só com o olhar -, Irandhir Santos, Cauã Reymond, Isis Valverde, Patricia Pillar (soberba em sua angústia lancinante e silenciosa), Cássia Kiss, Osmar Prado, Dira Paes, César Ferrario, Jesuíta Barbosa, Magdale Alves, e Thierry Tremouroux.

PRINCIPAIS DESTAQUES: 

– Direção precisa de José Luiz Villamarim, direção de arte, e fotografia de Walter Carvalho;

– O set, os enquadramentos e a atuação de Osmar Prado e Cássia Kiss na cena do acerto de contas;

– A frieza e vilania intrínseca do personagem Jayme, rapidamente tratando de se ‘descartar’ da conversa ‘incômoda’ do sogro Antônio;

– A luz da cena entre Jaime e o delegado (Walter Breda), num lindíssimo enquadramento em silhueta;

– A conversa entre Jaime e Cavalcante – Murilo Benício de costas, passando toda a emoção somente com a voz – genial !

– A comovente e quase pueril fala de Antônia, encharcada de emoção no velório do avô – ISIS VALVERDE divinal, uma nordestina com naturalidade, beleza singular e profunda empatia, levando o telespectador às lágrimas;

– O encontro de Antônia e Fortunato na beira do rio São Francisco…

* A inserção da bela Jura Secreta, música de Sueli Costa e Abel Silva, cantada de forma singular por um contagiante Raimundo Fagner;

* A qualidade das atuações de Irandhir Santos e César Ferrario numa pujança de força magistral entre dois talentos nordestinos;

* A tocante cena entre Cássia Kiss e Jesuíta Barbosa marcando mais pontos na atuação poderosa do elenco e ressaltando uma direção de arte poderosa a favorecer o contraste entre o vermelho ‘revelador’ da personagem de Cássia, o floral do guarda-chuva e a aridez rochosa às margens do São Francisco;

* Patrícia Pillar e Murilo Benício – contracena de Gigantes !

* Lindíssimos momentos de Isis Valverde, quer seja na fotografia magistral de Walter Carvalho, bem como da atuação emocionada e emocionante da atriz;

* A sintonia precisa entre Isis e Benício em momentos de revelações perturbadoras;

* O quadro poderoso do grande campo de arames farpados como desfecho para o fim do grande vilão, o temido e maligno Jaime, quando a cena ganhou belíssimos ares de réquiem;

* O belíssimo final à beira do rio reunindo 3 gerações – filha, neto e avó, preconizando possíveis (?) novos tempos de calmaria na vida conturbada, triste e sombria da família de Jaime – Isis e Patrícia em belos movimentos de interação mãe-filha X atriz tarimbada-atriz em ascensão !

De somenos: o não fechamento do destino do personagem de João (Irandhir Santos) – personagem e ator mereciam ter sua história amarrada junto ao público; e o do personagem Oscar (Thierry Tremouroux), professor de música da Orquestra Sanfônica, projeto idealizado por Isabel (Patrícia Pillar), ‘exilado’ da cidade a mando de Jaime, e tendo que se passar por Leandro…

Amores Roubados é um produto de excelência absoluta ! Vai ganhar muitos prêmios internacionais: Direção, Fotografia, Ritmo, Direção de Arte, Edição, trilha e atuações primorosas num roteiro de suspense com diálogos poderosos e coerentes com o cerne da história. DEZ é ainda pouco para AMORES ROUBADOS ! E é um orgulho pra quem, como eu, fica feliz em poder aplaudir a grandiosidade dos nossos artistas e a qualidade a que chegaram os técnicos brasileiros ! Que Teledramaturgia de alto nÍvel faz o Brasil !

IMAGENS da minissérie e de bastidores :

O triângulo na noite de festa organizada por Isabel , personagem de Patrícia…

Personagem difícil, Murilo Benício construiu o ‘Jaime’ com belas sutilezas do olhar e expressões…

trioCésar Ferrario, Murilo Benício e Irandhir Santos: sintonia em grandes interpretações !Pillar e Isis

Patrícia Pillar e Isis Valverde: mãe e filha em situações conflituosas…

Lindíssima cena erótica entre a personagem Isabel e um homem no meio da estrada, poderosamente iluminada e captada por Walter Carvalho…

Isis Valverde e Jesuíta Barbosa na dramática cena da revelação da morte de Leandro (personagem de Cauã Reymond): belos takes à beira do São Francisco…

A bela cena final de AMORES ROUBADOS…

Isis e PP

José Luiz Villamarim com Benício e Walter Carvalho (abaixo)…

 

Cesar e Irandhir

 

Dois grandes representantes do Nordeste em Amores Roubados: César Ferrario, de Mossoró, e Irandhir Santos, de Pernambuco: Show de atuação !

O roteirista George Moura e o diretor José Luiz Vilamarim…

Amores equipe

Myriam Mendes, Villamarim, George Moura, mais um da equipe, e Walter Carvalho…

Amores Equipe telinha

Uma equipe de bambas fez de AMORES ROUBADOS um belo gol na abertura da programação 2014 da TV Globo !

* Um comovido APLAUSO AURORA DE CINEMA para Amores Roubados e todos quanto participaram da criação desta obra-prima da Teledramaturgia Brasileira !

Patrícia Pillar e Isis Valverde dividiram belas e difíceis cenas entre mãe e filha…

Isis Valverde, uma Sereia que plantou saudades…

Sereia 2

ISIS VALVERDE: beleza/carisma/talento mereciam obra maior…

Isis linda

ISIS estrelou minissérie O Canto da Sereia, baseada em obra homônima de Nelson Motta…

Isis rindo

Atriz ganha papel difícil e reafirma carisma e talento. SALVE ISIS VALVERDE !

Terminou ontem O Canto da Sereia, minissérie em 4 capítulos baseada em obra homônima do jornalista e compositor Nelson Motta com roteiro de Patrícia Andrade e Gustavo Moura, além de Sérgio Goldenberg na adaptação para a telinha. Com direção de José Luís Villamarim (um dos diretores de Avenida Brasil), a série desde o primeiro capítulo marcou pela excelência da fotografia (do mestre paraibano Walter Carvalho), dos enquadramentos, direção de arte, figurinos, trilha sonora, escolha do elenco, roteiro, e direção geral, claro.

Sereia elenco

Paulinho, Tuta, Sereia e Mara: personagens parecem ter encontrado intérpretes ideais…

Destaque para o formidável elenco, onde todos tiveram chance de se destacar, e deram o melhor de si. Portanto, APLAUSOS para Marcos Palmeira, Marcos Caruso, João Miguel, Gabriel Braga Nunes, Fabíula Nascimento, Fábio Lago, Zezé Motta, Camila Morgado, Marcelo Médici… e todos os demais, alguns dos quais me eram desconhecidos ou me fogem os nomes agora…

Isis Valverde consegue unir um talento singular a uma beleza ao mesmo tempo sensual e angelical…

Isis, a Sereia, e Camila Morgado, a empresária Mara: romance conturbado…

Vale ressaltar: a minissérie foi intensamente comentada nas redes sociais e na web durante toda a semana… como a série começa com a morte da protagonista, passa-se a trama inteira em busca de descobrir-se quem assassinou a protagonista, a linda cantora baiana de axé, por nome Sereia, que encantava por onde passava…

E o final foi mesmo surpreendente ! Nada que se tenha cogitado, chegou perto do que realmente foi revelado no último dia: o assassinato da Sereia foi cometido por seu grande amigo Só Love, o travesti Beroaldo, a pedido da própria, que tinha enfermidade incurável e não queria passar pelo sofrimento da doença prolongada, preferindo morrer no auge da carreira, amada pelo público, festejada pela mídia, e no meio do povo…

João Miguel brilhou como Só Love, o grande confidente da Sereia…

Gravações: Isis Valverde e Marcos Palmeira, a Sereia e o detetive Augustão…

Acreditamos, o ideal teriam sido 8 dias de exibição. Porque os poucos capítulos tiveram que dar conta de toda a trama – muito bem engendrada, aliás, por Nelsinho Motta. E a sensação, no último capítulo, foi de que ficou uma lacuna, faltou mostrar mais e melhor as muitas relações da Sereia – amores, família, carreira, religião, bastidores – e sua meteórica vida e ascensão artística.

Já pensou o quanto a direção, ultra competente, teria trazido de beleza e vigor à tela se tivesse sido possível evidenciar, com outras imagens e mais ênfase, a beleza e carisma da Sereia/Isis, destacar mais forte o figurino, a direção de arte (do craque Moa Batsow), a bela trilha de Hermano Vianna, a cultura popular de Salvador… ?

O que ficou ‘faltando’ é também parte da grandeza desta obra, tão bem ‘comandada’ por Isis Valverde, esta jovem atriz que estreou como a misteriosa Ana do Véu no remake da novela Sinhá Moça, de 2006; passou para o horário nobre vivendo uma garota de programa na novela Paraíso Tropical, de Gilberto Braga, 2007; e ganhou o papel da espevitada ‘Rakelli’ na novela das 19h, Beleza Pura (Andrea Maltarolli e Sílvio de Abreu), de 2008… a primeira protagonista veio como a sofrida Marcela no ótimo remake de Ti Ti Ti, assinado por Maria Adelaide Amaral.

Mas a consagração de ISIS VALVERDE veio mesmo ano passado com a inesquecível Suélen de Avenida Brasil, a espetacular trama de João Emanuel Carneiro…

Zezé Motta, Fabíula Nascimento e Camila Morgado: mulheres poderosas em volta da Sereia…

Bom, ficou faltando mais, e não sobrando, cansando a paciência do telespectador e dando papel pros ‘críticos de plantão’ assacarem preconceitos contra a teledramaturgia. A sensação é de falta e saudade, nunca de excesso e alívio.

Cena na Patagônia: a Sereia e Mara em dias de alegria e sofrimento…

Gabriel Braga Nunes e Marcelo Médici: relação entre personagens merecia maior aprofundamento…

João Miguel: talento pernambucano sendo revelado ao Brasil pela repercussão enorme da telinha…

Um 10 caloroso ao elenco, direção, e toda a equipe técnica !

O CANTO DA SEREIAVALEU !!!

Fabíula Nascimento, Zezé Motta e Isis Valverde: tradições do candomblé em cena…

ISIS VALVERDE: agora, merecido descanso após novela e minissérie engatilhadas…

Avenida Brasil mescla lixão, Kuduro e grandes interpretações

AURORA DE CINEMA recomenda avenida brasil

Elenco tem artistas excepcionais… Novela tem os ingredientes fundamentais para ser um novo grande trunfo do horário

Graciosa e ótima atriz, Débora Falabella cria mais um grande personagem na televisão… 

A novela AVENIDA BRASIL começou meio ‘atropelada’, com desnecessários exageros, errando no tom, mas de umas duas semanas pra cá, acertou o compasso e dá mostras de que será uma novela-marco, assim como o foi A Favorita, do mesmo autor, o roteirista João Emanuel Carneiro.
 
Novela Avenida Brasil
 
A novela expressa-se num ‘desenho dramatúrgico’ muito assemelhado ao dessa outra novela do autor – que foi a Melhor da primeira década dos anos 2000 -, perfazendo uma trilha similar (o que não é nem um demérito para seu criador, ao contrário, revela um autor que sabe conduzir sua capacidade de construir histórias com esmero e simetrias emocionais, mas isso já é tema pruma crônica futura…), a qual deverá ter amplo respaldo ante a exigente audiência do horário nobre.
 
 
MEL Maia: attiz-mirim que faz a Rita criança, revelou-se tão carismática – ao mesmo tempo, terna, doce, sofrida, profunda – que continuará participando da novela em flash-backs…
 

Débora Falabella: magnânima ATRIZ, capaz de incutir verdade, carisma e empatia a qualquer personagem…

Isis Valverde faz a ‘cambalacheira’ Suélen: atriz em ótima atuação, faz personagem diferente das mocinhas feitas até então…

após quase uma década ausente do horário nobre, adriana esteves chegou com tudo e tem respondido por grandes momentos de Avenida Brasil

Cenas iniciais de AVENIDA BRASIL  ja indicavam grandes emoções…

Música, direção de arte, figurinos, cenários, locações, câmeras, direção e elenco vem brilhando ! Dá gosto assistir a cada capítulo. Que naipe formidável de atores a direção e autores conseguiram reunir.

AVENIDA BRASIL: Temas corriqueiros no dia-a-dia de qualquer família entram em cena com incrível propriedade…

Por enquanto, nossos PARABÉNS a Marcos Caruso, Eliane Giardini, Isis Valverde, Camila Morgado, Cauã Reymond, Vera Holtz, José de Abreu, Fabiula Nascimento, Heloísa Perissé, e as extremamente Divinas, Débora Falabella e Adriana Esteves.

Que Show de Interpretação vem dando este elenco… SENSACIONALLLLLLLLLLLL !!!

Débora Nascimento e Marcos Caruso: amizade que vai-se transformar em paixão…

José de Abreu também se destaca e Vera Holtz é a atriz que acerta sempre, magistral em qualquer papel…

Murilo Benício e Cauã Reymond: atores desfilam entrosamento como pai e filho…

PORQUE O KUDURO como música de abertura…

O ritmo escolhido como tema de abertura da trama de João Emanuel Carneiro, ao contrário dos que podem achar que não tem nada a ver com a trama, cai como uma luva dentro do universo diegético proposto. Afinal, os personagens centrais da trama vieram de um lixão, ou tem uma fatia muito importante de suas vidas centradas ali.

É o caso dos personagens Rita/Nina (Débora Falabella) e Batata/Jorginho (Cauã Reymond), embora muitos outros também tenham parte de suas vidas, de algum modo,  ligadas à ambiência do lixão.

E isso com o ritmo do KUDURO ?

É que o KUDURO é hoje o ritmo mais em voga em Angola – país quase irmão, onde a língua dominante é o português.

O balançante ritmo nasceu nos ‘musseques’ de Luanda nos anos 90. De lá, emigrou para Lisboa e daí para o mundo. Assim, o Kuduro é um estilo musical que combina ritmos angolanos, caribenhos e batidas eletrónicas, como techno e house.

Mussekes são justamente a versão angolana dos chamados ‘lixões brasileiros’…

O Kuduro dança-se assim: umas pitadas de Break Dance e algumas pinceladas dos movimentos do Hip Hop, mesclam´-se às danças carnavalescas e tradicionais de Angola.

Para dançá-lo bem, incluem-se ainda movimentos gráficos teatrais: os kuduristas gatinham pelo chão, dançam de cócoras ou com as pernas retorcidas. A caída no chão também é normal e bem vinda.

Trata-se de um movimento influenciado não só pela violência em Angola, vivenciada pela população durante a guerra civil, que durou quase trinta anos, mas também pelos problemas dos dias que correm.

A linguagem usada nas letras das músicas é o calão de Luanda, uma combinação do Português com o Kimbundu, a segunda língua nacional mais falada em Angola…

* Portanto, antes de olhar uma novela e começar a falar sem fundamentação, ou começar a falar sobre a novela – em geral, contra -, sem sequer se dar ao ‘trabalho’ de entender um pouco o universo que a obra pretende abordar, vale a pena pesquisar, conversar com quem se interessa ou estuda o assunto, ou então assistir um pouco mais, abrindo os antolhos para não ficar com uma visão distorcida, deturpada, frágil ou inconsequente sobre o trabalho ali desenvolvido.

Afinal, são centenas de profissionais envolvidos numa obra dramatúrgica televisiva, tão empenhados em fazer bem seu trabalho artístico, quanto estão outros tantos profissionais, em qualquer dos ofícios ligados à Arte.

Romance de Nina e Jorginho começa a se definir e deve elevar a audiência…

Não custa ter boa vontade, inteligência, perspicácia e sensibilidade para comentar uma telenovela livre de ideias pré-concebidas, e aberto a entender o produto como Arte – ainda que exibido num veículo com alto teor mercadológico – em toda sua extensão, intenção, e profundidade, e através dos vários matizes pelos quais uma obra artística se expressa.