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Festival de Gramado Começa HOJE

Foi há quatro anos que, em busca de renovação, o Festival de Gramado mudou sua curadoria, passando por uma repaginação. O crítico José Carlos Avellar e o cineasta Sérgio Sanz começaram pelo que talvez parecesse mais simples e até lógico – já que a crise do festival se devia à primazia do glamour do tapete vermelho sobre a qualidade dos filmes e dos debates, eles fizeram uma opção pelo cinema de autor – não tão radical, é verdade, quanto a empreendida por outro curador, Eduardo Valente, no Festival de Tiradentes. Mas Gramado mudou e, agora, na sua 38.ª edição, a quarta com curadoria de Avellar e Sanz, o festival atinge uma rara proposta de equilíbrio.

Divulgação

KIKITO, o troféu do Festival de Gramado

É uma das marcas deste ano – a outra é que Gramado aumenta seu número de dias e, dos tradicionais seis, passa agora a nove. Ou seja, de sexta, 6, a sábado, 14. O filme de abertura, fora de concurso, será Bróder, de Jefferson De. O aumento do número de dias representa custos, operacionalidade, mas Avellar e Sanz acreditam que Gramado, a exemplo dos maiores festivais do mundo, precisa dar ao público e à crítica tempo para absorver e debater as mudanças que estão sendo propostas. Isto foi intencional, a seleção, uma decorrência. “Não foi um conceito, alguma coisa que tivéssemos buscado, mas consequência das próprias obras que se inscreveram para a competição nacional. Percebemos que havia, meio a meio, filmes de diretores estreantes e veteranos. Resolvemos montar uma seleção quatro a quatro – quatro filmes de diretores novos e quatro de diretores conhecidos”, explica Avellar, por telefone.

“Nos pareceu uma maneira interessante de discutir estilos e métodos de produções. A diversidade, afinal, continua dando o tom da produção brasileira. Existe um cinema que se pretende mais comercial. Não somos contra, mas nosso recorte privilegia o cinema de autor”, ele acrescenta. O mesmo procedimento foi adotado para a mostra competição internacional. “Buscamos países latinos que produzam menos, ou não têm propriamente uma tradição, mas que trazem propostas artísticas ou de métodos de realização que possam ser debatidas com seus colegas brasileiros, visando a uma integração.”

Bróder, filme premiado de Jefferson D, abre 38a edição do Festival de Gramado

No formato proposto por Avellar e Sanz, o festival não é – não quer ser – um campeonato de filmes. Sem dúvida que eles buscam a qualidade, mas, independentemente de serem os melhores filmes, os filmes das duas seleções – a brasileira e a latina – dialogam entre si e é o mais importante. Vejam as duas listas. A brasileira contempla os novos – Eduardo Vaisman, Flávia Castro, etc. — e os veteranos – Jorge Durán, Sylvio Back. O filme de encerramento foi buscado pela dupla de curadores e eles explicam por quê. “Um filme de Cao Guimarães nos interessaria, a priori, mas Ex-Isto nos interessou ainda mais por ser sobre um poeta como Paulo Leminski. Nos pareceu um diálogo íntimo e forte com uma de nossas homenageadas, Ana Carolina. A obra dele se constrói por meio de imagens visuais e verbais muito fortes. Os títulos dos filmes de Ana, Mar de Rosas, Das Tripas Coração, etc., já anunciam alguma coisa que será expressa ou retomada pela realização. E o último filme que fez foi sobre um poeta, Gregório de Mattos.”

Ana Carolina recebe o Troféu Eduardo Abelim, que leva o nome do pioneiro do cinema gaúcho e brasileiro. Paulo César Pereio é o homenageado do Troféu Oscarito e uma terceira homenagem será prestada ao presidente da Cinemateca Uruguaia, Manuel Martinez Carril (leia sobre cada um deles nesta página). O princípio do equilíbrio – cinematografias conhecidas e outras nem tanto – também prevalece entre os latinos. Os filmes que concorrerão ao Kikito vêm de tradicionais competidores – e vencedores – como Uruguai e Argentina, mas também de países como a Nicarágua, de produção mais sazonal. Ambas as seleções contemplam obras nas bordas da ficção e do documentário, uma tendência que tem sido reiterada por Gramado, nos últimos anos.

* Texto de Luiz Carlos Merten

Longas Nacionais

180° – Eduardo Vaisman (Rio de Janeiro)

Diário de uma Busca – Flavia Castro (Rio)

Enquanto a Noite Não Chega – Beto Souza (Porto Alegre)

Não Se Pode Viver Sem Amor – Jorge Durán (Rio)

O Último Romance de Balzac – Geraldo Sarno (Rio)

Ponto Org – Patricia Moran (São Paulo)

O Contestado – Restos Mortais – Sylvio Back (Rio)

 Longas Estrangeiros

El Vuelco del Cangrejo – Oscar Ruiz Navia (Colômbia/França)

Historia de un Dia – Rosana Matecki (Venezuela)

La Vieja de Atras – Pablo Jose Meza (Argentina/Brasil)

La Yuma – Florence Jaugey (Nicarágua)

Mi Vida con Carlos – German Berger (Chile/Espanha/ Alemanha)

Ojos Bien Abiertos – Un Viaje por la Sudámerica de Hoy – Gonzalo Arijon

Saiba mais: www.festivaldegramado.net