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Começa venda de ingressos para João Gilberto… e vai esgotar !

Show está confirmado em quatro capitais e vendas começaram esta madrugada 

 A OCP Comunicação e a Mauricio Pessoa Produções anunciam a abertura das vendas dos ingressos da turnê para celebrar os 80 anos do maestro e compositor João Gilberto.

Com shows confirmados em São Paulo (5/11), Rio de Janeiro (15/11), Brasília (19/11) e Porto Alegre (25/11), os ingressos já estão disponíveis para compra desde a meia-noite desta quarta, exceto para São Paulo, cujo início das vendas será no site do Via Funchal (www.viafunchal.com.br), a partir do meio-dia de amanhã, quinta (22). 

A expectativa dos organizadores é repetir o sucesso de anos anteriores, nos quais os ingressos se esgotaram em tempo recorde, quase que imediatamente após terem as vendas iniciadas. “Estamos falando de um dos ícones da nossa música, um artista reverenciado internacionalmente e que possui uma legião de admiradores, dentro e fora do Brasil. Temos certeza de que o público aguarda ansioso pela oportunidade de conferir a performance de um gênio in loco”, afirma Antonio Barretto Junior, diretor executivo da OCP Comunicação, uma das organizadoras do projeto. 

Para permitir um maior número de pessoas adquirindo seu ingresso, a organização optou por serviços de compra online, além das tradicionais vendas nas bilheterias das casas. “Sabemos que o apelo de João Gilberto extrapola as fronteiras do nosso País. Por isso, ao optarmos pelo serviço de compras online, permitimos que pessoas de fora do Brasil, ou mesmo que não residam nas cidades onde os shows irão acontecer, possam conferir a inédita turnê de um dos pais da Bossa Nova”, complementa Mauricio Pessoa, diretor da produtora que leva o seu nome e um dos sócios do projeto. 

Confira os locais de compra dos ingressos em cada uma das cidades por onde a turnê 80 anos. Uma vida bossa nova vai passar: 

São Paulo – 05/11: vendas a partir do meio-dia de quinta-feira (22) 

Local: Via Funchal

Horário Show: 22hs

Como comprar:

Site: www.viafunchal.com.br – Cartões Visa, Master e Dinners.

Na bilheteria: aberta das 12h às 22h, cartões Visa, Master, Dinners e cartão de débito Visa Electron.

Estudantes pagam 50%, mediante apresentação de documento, apenas na bilheteria.

Valores:

Plateia VIP: R$ 1.000,00 (inteira) / R$ 500,00 (meia entrada)

Plateia Premium: R$ 800,00 (inteira) / R$ 400,00 (meia entrada)

Plateia 1: R$ 700,00 (inteira) / R$ 350,00 (meia entrada)

Plateia 2: R$ 500,00 (inteira) / R$ 250,00 (meia entrada)

Mezanino Central: R$ 700,00 (inteira) / R$ 350,00 (meia entrada)

Mezanino Lateral: R$ 500,00 (inteira) / R$ 250,00 (meia entrada)

Camarote: R$ 1.000,00 (inteira) / R$ 500,00 (meia entrada)

*Meia entrada apenas com apresentação de documento

Theatro Municipal carioca vai abrigar show de JOÃO GILBERTO em novembro

 Rio de Janeiro – 15/11 – vendas já iniciadas

Local: Theatro Municipal

Horário Show: 21h

Como comprar:

Site: www.ingresso.com – Cartões Visa, Master, Amex, Aurea, Dinners, débito automático e dinheiro, além das formas vale -presente e ingresso pré-pago, serviços oferecidos pela ingresso.com.

Na bilheteria do teatro, que funciona das 10h às 18h, apenas os cartões Visa e Master, débito automático e dinheiro.

Valores:

Frisa: R$ 1.400,00 (inteira) / R$ 700,00 (meia entrada)

Camarote: R$ 1.400,00 (inteira) / R$ 700,00 (meia entrada)

Balcão Nobre: R$ 1.000,00 (inteira) / R$ 500,00 (meia inteira)

Plateia VIP: R$ 1.400,00 (inteira) / R$ 700,00 (meia entrada)

Balcão superior: R$ 800,00 (inteira) / R$ 400,00 (meia entrada)

Galeria: R$ 600,00 (inteira) / R$ 300,00 (meia entrada)

*Meia entrada apenas com apresentação de documento 

Brasília – 19/11 – vendas ACONTECENDO 

Local: Centro de Convenções Ulysses Guimarães

Horário Show: 21h

Como comprar:

Site: www.ingressorapido.com.br – Cartões Visa, Amex, Master, Dinners e Aurea, parcelamento em até 3x.

Pontos de venda: cartões de débito e dinheiro. Não aceita cheques. Pontos de venda disponíveis no site www.ingressorapido.com.br

Valores:

Gold: R$ 1.400,00 (inteira) / R$ 700,00 (meia entrada)

Extra Gold: R$ 1.400,00 (inteira) / R$ 700,00 (meia entrada)

Vip: R$ 1.000,00 (inteira) / R$ 500,00 (meia entrada)

Vip Extra: R$ 1.000,00 (inteira) / R$ 500,00 (meia entrada)

Poltrona especial: R$ 800,00 (inteira) / R$ 400,00 (meia entrada)

Poltrona superior: R$ 600,00 (inteira) / R$ 300,00 (meia entrada)

*Meia entrada apenas com apresentação de documento 

JOÃO GILBERTO coleciona fãs no mundo inteiro e ingressos devem se esgotar muito rápido…

Porto Alegre – 25/11 – vendas ACONTECENDO 

Local: Teatro do Sesi

Horário Show: 21h

Como comprar:

Site: www.ingressorapido.com.br – Cartões Visa, Amex, Master, Dinners e Aurea, parcelamento em até 3x.

Pontos de venda: cartões de débito e dinheiro. Não aceita cheques. Pontos de venda disponíveis no site www.ingressorapido.com.br

Valores:

Plateia baixa e Poltronas adicionais: R$ 1.000,00 (inteira) / R$ 500,00 (meia entrada)

Plateia Alta: R$ 900,00 (inteira) / R$ 450,00 (meia entrada)

Mezanino: R$ 700,00 (inteira) / R$ 350,00 (meia entrada)

*Meia entrada válida somente para idosos (com idade igual ou superior a 60 anos), mediante apresentação de documento.

80 BOSSA NOVA de JOÃO GILBERTO

João Gilberto volta aos palcos e grava primeiro DVD

Projeto 80 Anos. Uma Vida Bossa Nova contará com turnê pelo Brasil

Em comemoração aos 80 anos do cantor, violonista e compositor João Gilberto, as empresas OCP Comunicação e Maurício Pessoa Produções anunciam uma turnê exclusiva do artista. As datas ainda estão em negociação, mas as apresentações já estão confirmadas para iniciar em 29 de agosto e terminar em 30 de novembro. O projeto 80 anos. Uma vida bossa nova contará ainda com a gravação de até dois DVDs, fato inédito na carreira de João.

 

Segundo Maurício Pessoa, da produtora que leva o seu nome, o projeto ganhou força após João Gilberto sinalizar sua vontade em voltar aos palcos. Com isso, Pessoa procurou Antônio Barretto Junior, da OCP Comunicação, e juntos elaboraram um projeto totalmente alinhado com o artista. O contrato só foi assinado após ajustes pessoais do cantor, para que seu retorno seja exatamente como sempre imaginou. Toda a negociação foi intermediada por Claudia Faissol e Aloisio Salazar, advogado e representante do artista, já que até os pequenos detalhes contaram com a efetiva participação do cantor. “Neste projeto, João Gilberto realizará shows idealizados por ele mesmo. Nossa grande preocupação era deixá-lo à vontade com tudo antes de fecharmos o contrato”, acrescenta Barretto. 

A turnê terá de cinco a oito shows, de acordo com definição do artista. Por enquanto, as cidades contempladas são Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Brasília. O repertório deve contar com clássicos imortalizados na voz de João Gilberto e canções inéditas a serem definidas por ele. O projeto poderá ainda ter participações especiais de cantores nacionais e internacionais, especialmente convidados pelo violonista-mór da Bossa Nova. 

JOÃO GILBERTO: Violonista chega aos 80 em plena forma, despertando atenção e interesse dos mais diferentes públicos…

As informações sobre venda de ingressos, locais, capacidade de público, parceiros oficiais, ficha técnica e possíveis participações serão divulgadas posteriormente. E para as cotas de patrocínio, além de grande exposição da marca envolvida, os interessados ainda terão direito à criação de peças publicitárias com a utilização da imagem do cantor durante o período determinado. 

 DVD

O conteúdo dos shows poderá gerar até dois DVDs, de acordo com contrato firmado entre as empresas e o cantor. O primeiro trará imagens dos shows da turnê e o segundo, que dependerá de futuras negociações com o artista, possivelmente mostrará uma mistura de momentos nos palcos, bastidores, gravações em estúdio e participações especiais.

Três Décadas sem Vinícius de Moraes

 A Falta que o Poeta Faz…

                           

“Vinícius é o único poeta brasileiro que ousou viver sob o signo da paixão. Quer dizer, da poesia em estado natural. Eu queria ter sido Vinicius de Moraes”.   

As palavras são do poeta Carlos Drummond de Andrade, referindo-se ao amigo Vinícius de Moraes logo após a morte dele. Já o jornalista José Castello, um dos biógrafos de Vinícius, escreveu:   

“O poeta foi um homem que viveu para se ultrapassar e para se desmentir. Para se entregar totalmente e fugir, depois, em definitivo. Para jogar, enfim, com as ilusões e com a credulidade, por saber que a vida nada mais é que uma forma encarnada de ficção. Foi, antes de tudo, um apaixonado — e a paixão, sabemos desde os gregos, é o terreno do indomável. Daí porque fazer sua biografia era obra ingrata”. 

 

Neste 9 de julho, faz-se 30 da passagem de Vinícius. 30 anos mais pobres. Partiu Vinícius, perdemos todos. Perdeu o mundo. Em Poesia, Amor, Música, Letra, Beleza, vida e lições de amor, paixão, entrega, solidariedade, enfim, estamos todos mais pobres. A lacuna é enorme, profunda e incômoda.  

  

    

Vinícius de Moraes agiganta-se a cada dia nas mínimas sementes onde é germinado: em trabalhos escolares, transposições para o teatro e o cinema, saraus literários, performances poéticas, concursos de sonetos, tema de redações, enfim, difícil mensurar, difícil encontrar quem não se pegue cantando de cor ao menos um verso do Poetinha.   

Parodiando o Poeta (que considerava o músico e amigo Pixinguinha, um santo), digo: Querido São Vininha, você caminha comigo aonde quer que eu vá e me leva sempre a repetir os mesmos versos por você dedicados a Garcia Lorca: “Poeta, não precisavas da morte para nada”. E quando bate a saudade bem grande de você, como agora, neste tempo tão próximo de mais um aniversário da sua partida, só resta reouvir suas músicas, reencantar-se e reaprender com elas, reler seus livros e observar o céu. Você por certo se esconde em alguma estrela de onde sussurra versos para a Lua, a linda mulher tão cheia de pudor que vive nua. 

VININHA, atento ao amigo querido PIXINGUINHA, que ele considerava um Santo…

Vinícius de Moraes, o Poeta que veio ao mundo para celebrar o Amor e falar da importância deste sentimento para pacificar o mundo e promover a comunhão entre os povos de todas as etnias, credos e continentes, partiu cedo, em 9 de julho de 1980, numa manhã fria de inverno carioca após passar a noite compondo com o parceiro querido, Toquinho.

    

Vina com Toquinho, o parceiro mais constante

O legado de VINÍCIUS é tanto maior quanto mais passa o tempo e mais aprofunda-se o entendimento de sua obra, quanto mais evidencia-se a lacuna descomunal que deixou acometendo de carência lúdica e emotiva sem par o cotidiano, e ainda mais descobrem-se novas leituras de sua vasta e riquíssima obra, a cada vez que se nos debruçamos sobre ela.   

     É melhor ser alegre que ser triste/A alegria é a melhor coisa que existe, é assim como a luz no coração…

  

       Vinícius, ou Vininha – como carinhosamente o chamavam os amigos próximos e como meu pai ensinou-me a chamá-lo desde menina – era libriano, aniversariante do 19 de outubro. Assim, foi no outubro de 2008, de muita chuva e algum frio no Rio, que se comemoraram os 50 da Bossa Nova, da qual Vina foi seu Farol sempre a apontar novas trilhas… e vieram os Afro-Sambas com Baden, o musical Pobre Menina Rica com Carlinhos Lyra, as parcerias com Edu Lobo, Antônio Maria, Francis Hime, Edu Lobo e Chico Buarque e os quase mil shows pelo Brasil e o mundo em companhia de Toquinho, ovacionados por onde passavam. Chega de Saudade…    

   Falar de Vinícius é sempre motivo de paixão. Lê-lo, estudá-lo ou re-ouvi-lo são coisas de enorme prazer e muita saudade. Saudade de alguém lindo demais, grandioso demais, amado demais pra não ser festejado, sempre. Viva Vinícius de Moraes ! Para sempre, nosso eterno Poeta do Amor, do Violão, do Mar, do Rio e das Mulheres !

Com Luizinho Eça e Nara Leão, cantora que virou “musa da Bossa Nova” e foi uma das muitas descobertas artísticas de Vinícius

   SARAVÁ, VININHA !

 Sei lá, sei lá, só sei que é preciso paixão…

    

Com os amigos e parceiros, Tom Jobim e Chico Buarque: TESOUROS da MÚSICA POPULAR BRASILEIRA  E sobre este movimento musical, que virou estilo e revolucionou a música popular brasileira, Vininha dizia    

Bossa Nova é mais a solidão de uma rua em Ipanema que a agitação comercial de Copacabana. É mais um olhar que um beijo; mais uma ternura que uma paixão. É o canto puro de João Gilberto eternamente trancado em seu apartamento”, afirmou o Poeta em entrevista  no Songbook 2, do saudoso jornalista Almir Chediak. 

APLAUSO para SÉRGIO RICARDO

Um dos artistas brasileiros mais completos e criativos de todos os tempos, o compositor Sérgio Ricardo dividiu-se, e continua dividindo-se, entre as mais diversas expressões da arte.

Sérgio Ricardo – Canto Vadio, obra escrita por Eliana Pace, coincide com os 60 anos de carreira do artista e prova que ele fez muito mais do que quebrar um violão no palco. O lançamento da Coleção Aplauso acontece hoje na Casa das Rosas. 

“Quem guardou na lembrança apenas a imagem de Sérgio Ricardo quebrando seu violão, talvez ignore a biografia de um dos nomes mais marcantes da cultura brasileira.

Cantor, compositor, poeta, escritor, cineasta com assinatura em uma série de curtas e longas-metragens premiados no Brasil e no exterior, pintor e um dos precursores da Bossa Nova, Sérgio Ricardo é um artista multimídia graças à sua inquietação e que está sempre se revezando entre a música e o cinema, o cinema e a pintura, a pintura e a música”.

É dessa maneira que a jornalista Eliana Pace, autora da biografia de Sérgio Ricardo, resume o significado do artista na abertura do livro da Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, com lançamento marcado para HOJE, 10 de maio, às 19 horas, na Casa das Rosas – Av. Paulista, 37.

Todo escrito em primeira pessoa, o livro percorre a vida de Sérgio, pseudônimo de João Lutfi, desde seu nascimento em Marília, interior paulista, no ano de 1930. Seu pai, comerciante, era “um grande contador de histórias” e leitor voraz, enquanto a mãe “cantava o tempo todo, até mesmo na cozinha ou lavando roupa”.

Sua infância foi típica de um menino do interior. Mais velho de quatro irmãos, aos 17 anos foi morar em São Vicente, com um tio. Ali trabalhou na Rádio Cultura, exercendo praticamente todas as funções. Pouco tempo depois realizou o sonho de ir morar no Rio de Janeiro, dessa vez com outro tio. Logo na seqüência, sua família também se mudou para a ainda capital federal.

Após uma breve e indisciplinada passagem pelo Exército, realizou o sonho de tocar piano na noite. Nesta fase fez amizades com diversos artistas que viriam a se tornar, como ele, expoentes da música nacional. Entre eles, Tom Jobim, João Donato, Johnny Alf e João Gilberto – de quem se tornou grande amigo e o influenciou a tocar violão.

 

Uma das curiosas passagens de sua vida aconteceu com Dick Farney, um de seus ídolos: “Ele veio durante o meu ensaio para ouvir Tu És o Sol, que eu tinha acabado de compor, e assim que saí do piano, sentou-se e aprendeu a música na hora. Impressionou-me a sua rapidez, cantou e tocou lindamente, dizendo que queria gravar a música. Fez apenas um reparo num acorde, queria mudar um mi bemol menor por um mi bemol maior, achava que ficaria melhor. Discordei e foi a maior burrice que fiz na vida”. Farney levantou-se do piano, foi embora e não gravou a música.

Entre idas e vindas, foi convidado para ser ator da TV Tupi e radioator da Rádio Tamoio. Depois, passou por várias emissoras, como ator, apresentador e diretor de programas, inclusive pela TV Globo. Sergio conta também sobre seu lado cineasta, tendo dirigido diversos filmes. Era grande amigo de Glauber Rocha – foi autor da trilha sonora de Deus e o Diabo na Terra do Sol e de Terra em Transe, além de filmes de outros diretores – e conviveu com figuras como Roberto Santos, Cacá Diegues, Leon Hirzsman, David Neves, Ruy Guerra, Capovilla e Joaquim Pedro de Andrade. Como se não bastasse, Sérgio foi também ator teatral, tendo sido dirigido inclusive por Augusto Boal e Chico de Assis. 

Fica clara no livro a contrariedade de Ricardo em rotular os gêneros musicais. Até mesmo sobre sua participação na “criação” da Bossa Nova o biografado mostra-se reticente: “Eu gostava muito dos shows que fazíamos, Pernas e outras composições minhas tinham a cara do movimento, mas eu não concordava com as regras estabelecidas pelo clubinho do Ronaldo Bôscoli: ser ou não ser Bossa Nova. ser ou não ser Bossa Nova.Johnny Alf não era Bossa Nova, João Donato não poderia ser Bossa Nova, nem Vinicius com suas canções de amor maravilhosas que ganhavam uma nova dimensão e que fez uma revolução poética na música popular”.

Sua preocupação com as questões sociais brasileiras e sua ligação com os partidos de esquerda fizeram com que fosse censurado durante o regime militar. Criou o Circuito Universitário, pelo qual fazia apresentações com cenários improvisados em universidades e permitia a participação dos estudantes nas apresentações. Quanto mais a repressão aumentava, mais Sergio Ricardo atuava nos “bastidores”, quase isolado, enquanto outros artistas exilavam-se.  

Sobre o famoso episódio em que quebrou o violão no palco, durante o Festival da Record de 1967, Sergio explica que tinha a ver com o avanço da repressão. Mas as conseqüências não foram boas: “O pior foi estar, daí em diante, não só na mira da censura, mas na autocensura das gravadoras, rádios e TVs, fato que dificultava a divulgação do meu trabalho ou da minha contratação para shows. Até ser esquecido como artista”. 

Sérgio Ricardo é ainda autor de três livros e, atualmente, desenvolve outra de suas vocações artísticas: a pintura. No final do livro, há a discografia completa, todas as músicas compostas, as trilhas sonoras gravadas, os filmes dirigidos e os livros escritos.

 

João Gilberto e o Facebook

João Gilberto está bravo. Até aí, a frase não soa como novidade para ninguém que já tenha ouvido falar em algumas das muitas polêmicas em que o recluso – e por muitas vezes mal humorado – cantor se envolveu. O motivo talvez seja inusitado: o gênio da Bossa Nova não gostou de ter seu perfil no Facebook divulgado para os leitores do jornal O GLOBO em matéria do repórter Leonardo Lichote, publicada no Segundo Caderno deste domingo. Se a reportagem levantava a dúvida sobre a veracidade da página, o João Gilberto virtual fez questão de responder como o cantor faria na vida real. O recado, ele mandou através da própria rede. “Não estou a um clique de ninguém. Não vou mais adicionar ninguém. Quando a gente descobre um passatempo, tudo vira escarcéu. Uma pena. Uma pena”, escreveu em sua página.

Na sequência, João Gilberto Prado Pereira, como assina sua persona “internética”, fez uma ameaça. “Estou pensando em pedir aos meninos para deletar ainda hoje isso aqui”, disse, se referindo a Hugo Grimaldi Filho e Chris Lessa, que administram o perfil do músico no site de relacionamentos. Os fãs e amigos fizeram coro e pediram para ele ficar.

Mas, mesmo que a página continue firme e forte (até a noite de domingo), João Gilberto publicou um vídeo de Adeus, batucada, imortalizada por Carmen Miranda, interpretada por Celso Fonseca. A letra? “Vou-me embora chorando / Com meu coração sorrindo / E vou deixar todo mundo / Valorizando a batucada”. Junto, mais um aviso: “Adeus ao GLOBO, adeus”.

Mesmo tendo prometido não fazer mais nenhum amigo virtual, João se contradisse e continuou adicionando mais pessoas à sua página – muitos deles ilustres desconhecidos. Se até o fechamento da famigerada edição do Segundo Caderno ele tinha “apenas” dois mil amigos, o número pulou para quase 2.700 em poucas horas. “É um privilégio incrível, mesmo à distância virtual, poder partilhar a música, as opiniões, a sensibilidade, a genialidade, a arte em letra maiúscula, tudo que representa no mundo essa força da natureza que é João Gilberto”, derreteu-se Renata Frade.

A internauta Rosa Filgueira e Silva não ficou atrás. “Acho que a delícia de curtirmos aqui com você é o que vale. Me trouxe muita alegria e emoção”, escreveu. A algumas mensagens, João Gilberto respondeu carinhosamente, agradecendo as palavras de apoio. Porém, além da esperada legião de fãs, o destaque na publicação atraiu detratores. O usuário identificado como Jorde Andrade Souza criou um perfil apenas para xingar o cantor. “Crucifiquem o João Gilberto e sejam felizes!”, apelou, dizendo que João Gilberto é “neurótico e ultrapassado”.

A ele, João Gilberto não dignou nem uma palavra sequer.

* Texto de Lívia Brandão

CAETANO na infância da velhice

Para Caetano Veloso, o tempo ajuda a melhorar, a se renovar e a incorporar aprendizagens para seguir desfrutando de uma música que rendeu ao cantor o deu reconhecimento mundial e com a qual hoje se sente na infância da velhice.

Estou na infância da velhice. Sem querer, dediquei toda a minha vida à música popular e foi algo muito bom porque desde muito pequeno adorava cantar”, disse Caetano à AFP, em uma série de entrevistas via e-mail, antes de sua chegada a Miami para um show na terça-feira.

Caetano, de 67 anos, conta que quando era jovem tinha outros interesses, como a literatura e o cinema, mas que a música foi se impondo em sua vida com força.

Ele diz que se sente “agradecido”, como “se uma mulher bonita o tivesse escolhido”, e que, por isso, trabalha “como se não tivesse dado ainda tudo que ela merece”.

O mais popular e reconhecido músico brasileiro contemporâneo mencionou o crescimento da música em espanhol nos Estados Unidos e a influência da brasileira, e disse que a entrada de sua obra no mercado americano não é um objetivo que o motiva.

“Não penso em ganhar ou perder espaço nos Estados Unidos, e sim, em poder fazer uma música melhor do que a que fiz até agora. Vejo o futuro de uma perspectiva mais brasileira, que não depende muito dos Estados Unidos”.

Em relação ao restante do continente, CAETANO  diz que o “Brasil é um estranho e enorme país onde as pessoas falam português”, o que o diferencia da grande onda hispânica ou do mercado latino que vem influenciando os Estados Unidos.

No entanto, a música brasileira conta com

 figuras comoCarmen Miranda, João Gilberto, Tom Jobim e Milton Nascimento” que são conhecidos e admirados por muitos em um país que fala inglês e que é o mais poderoso do mundo, e isso é muito valorizado por nós”, completou.

Sobre as novas tendências musicais, Caetano diz gostar do “reggaeton e também do funk carioca”, apesar de considerar um estilo “muito menos polido”.

E em relação às novas gerações de músicos no Brasil, afirma que se deve prestar atenção tanto na cantora de samba e bossa nova Roberta Sá, como nas bandas alternativas Babe Terror e Rabotnik.

Pensa em Miami como um lugar em que há forte impacto da música latina e diz que em seu show, no teatro Fillmore de Miami Beach, espera encontrar muitos imigrantes hispânicos e brasileiros que vivem na cidade, mas também alguns “jovens americanos que me descobriram através de David Byrne, Beck, David Longstreth, Devendra Banhart e Panda Bear, que se interessaram pela minha música”.

A apresentação em Miami tem também uma sensação especial porque é sua primeira visita aos EUA desde que o presidente Barack Obama, por quem sente um “particular afeto”, chegou àCasa Branca.

“O look de Obama encanta tanto a mim como às minhas irmãs, porque se parece muito com nosso pai, que era um mulato elegante, com as orelhas de abano”, disse.

“Acredito que sua chegada à presidência é um grande acontecimento”, completou Caetano, que valoriza as conversas iniciadas por Washington com a Rússia para reduzir os arsenais nucleares e o possível fechamento de Guantánamo, mas lembra: “os Estados Unidos não podem apagar no Afeganistão as mentiras do Iraque”.

 

CAETANO: Artista atravessa o tempo como vinho…

Adeus a Johnny Alf

O músico Johnny Alf, um dos precursores da bossa nova, morreu na tarde desta quinta, em Santo André (SP). O artista estava internado no Hospital Estadual Mário Covas, onde passava por um tratamento contra um câncer na próstata.

Segundo Nelson Valencia, empresário de Alf, o músico havia sido internado na última segunda-feira (1), quando seu estado se agravou. A doença havia sido diagnosticada há 10 anos.


“Johnny era uma pessoa muito serena e espiritualizada. Estava encarando a doença com otimismo, nunca se desesperou”, conta o empresário.

Valencia explica que mesmo após saber da doença, Alf continuou a fazer shows. “Nos últimos três anos ele deu uma parada. Mas até agosto do ano passado chegou a fazer algumas pequenas apresentações”.

Segundo o empresário, o velório do artista será realizado no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. A assessoria de imprensa da Casa ainda não confirma a informação. O enterro será nesta sexta, no Cemitério do Morumbi, com horário a ser definido.
 

Alfredo José da Silva nasceu em 19 de maio de 1929, no Rio de Janeiro, e iniciou os estudos de piano ainda criança. Na adolescência, se interessou pelo jazz e pelas músicas do cinema norte-americano. O apelido foi dado por uma amiga americana.

No início da década de 50, Alf formou seu primeiro grupo musical no Instituto Brasil-Estados Unidos. Logo depois, uniu-se a Dick Farney e Nora Ney apresentando-se na noite carioca e nas rádios. Dessa época são as composições “Estamos sós”, “O que é amar”, “Podem falar” e “Escuta”, que apareceram no disco de Mary Gonçalves “Convite ao romance”, de 1952, e ajudaram a lançar a carreira de Alf.

Em 1955, lançou a lendária Rapaz de Bem e O Tempo e o Vento em compacto considerado o primeiro disco da bossa nova. Chega de saudade, de João Gilberto, só apareceria três anos depois.

Segundo o escritor Ruy Castro, Alf é “o verdadeiro pai da bossa nova”. Tom Jobim, outro pioneiro, da bossa costumava chamálo de GeniAlf’.


Na segunda metade da década de 1950, Alf também passou a se apresentar em São Paulo, dividindo as noites com o grupo Tamba Trio, de Sérgio Mendes, Luís Carlos Vinhas e Sylvia Telles. Em 1967, apresentou a música “Eu e a brisa”, uma de suas mais conhecidas, no III Festival da Música Popular Brasileira em 1967, da TV Record.
Uma das últimas apresentações de destaque do pianista aconteceu na exposição Bossa na Oca, em São Paulo, em 2008. Na mostra que homenageava os 50 anos do estilo musical que projetou o Brasil mundialmente, Alf teve um encontro virtual com ídolos como Tom Jobim, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald e Stan Getz. O artista tocava piano com as projeções dos colegas, já mortos, para um filme que foi exibido ao longo do evento.

“Ele ficou muito emocionado quando viu o resultado, os olhos encheram d´água”, conta o curador da exposição, Marcello Dantas. “Ele falava pouquinho, em decorrência de um derrame que havia sofrido pouco tempo antes. Mas o semblante dizia tudo, não era preciso palavras”.

Para o curador, o artista foi desvalorizado pela memória do país. “É o caso clássico do artista que não teve o reconhecimento a altura de seu talento. E Alf foi um gênio, teve participação na história da nossa música”.

Gonzaga, Nordeste e Baião

Novas revelações sobre Gonzaga, o Rei do Baião

Autor de dois estudos sobre o músico, jornalista Assis Ângelo prepara o que define como a mais completa biografia do artista, incluindo toda sua filmografia e discografia

O Luiz Gonzaga marqueteiro, que fazia lobby pelo baião; o visionário que, já no Rio, na década de 40, percebeu que havia público consumidor para sua música nos grandes centros – migrantes, como ele, que se mantinham fortemente ligados à sua terra; o primeiro artista a lançar discos com registros do gênero nordestino por excelência. Esse personagem fascinante segue inspirando o jornalista paraibano Assis Ângelo, autor de dois livros sobre ele, e que agora está terminando um novo, a ser lançado no segundo semestre, o qual considera o mais completo.

A publicação trará não só lances da biografia de Gonzagão, mas também bibliografia referente a ele, sua filmografia (apareceu em filmes como Astros em Desfile, de José Carlos Burle, de 1942, Este Mundo É Um Pandeiro, de Watson Macedo, de 46) e, claro, a discografia completa, incluindo as versões do baião em outras línguas, como espanhol, inglês, italiano, francês, japonês e o idioma da Ilha de Páscoa. Baião (“Eu vou mostrar pra vocês…”) foi bastante gravada no exterior, enquanto Asa Branca foi a mais registrada no Brasil.

Este mês, o escritor foi até Buenos Aires, procurar dados que comprovassem uma informação bastante significativa, que dá a dimensão de seu sucesso nos anos 50: a de que, à época, o governo argentino baixou uma norma de proteção à música local, tamanho era o sucesso do tal do baión – a música brasileira mais autêntica que existe, nas palavras do parceiro Humberto Teixeira, a única que ofereceu aos nordestinos desterrados um espelho para que se reconhecessem.

“Gonzaga foi o divisor de águas da música brasileira, não à toa esse é o nome do livro. Nunca ninguém havia gravado baião, forró, xaxado, toada nordestina. O interessante foi que ele, que nunca entrou numa escola, sacava da parte comercial, planejou lançar o baião. Percebeu que a sanfona fazia sucesso, viu que os nordestinos que moravam no Sul gostavam de ouvi-lo falar das coisas da sua terra”, conta Assis, que conheceu o mestre em 1978, em São Paulo, quando o entrevistou pela primeira vez.

Os dois acabaram se tornando próximos – Gonzaga só o chamava de “paraíba”. Por muitas vezes, o ouviu dizer “eu quero é ser cartaz”, uma demonstração de que o filho de Mestre Januário queria apresentar a música nordestina para todos os brasileiros.

Além de horas e horas de conversas com o Rei do Baião, o autor se apoiou também em relatos de gente como os compositores Mario Lago e Luiz Vieira, os músicos Dominguinhos (seu único herdeiro artístico, como o próprio dizia), Hermeto Pascoal e Oswaldinho, os cantores Elba Ramalho, Roberto Luna e Carmélia Alves (a Rainha do Baião), entre outros que conviveram com Gonzagão.

O feliz encontro, em 1945, com Humberto Teixeira, o advogado que o conhecia pela fama de seus 24 discos e que viria a se tornar seu parceiro em Asa Branca, Baião, Qui Nem Jiló, Assum Preto, Légua Tirana e em outros sucessos, e a quem Gonzaga batizaria de Doutor do Baião, é uma passagem importante.

ESTE ENCONTRO inclui um nome fundamental para a consolidação da parceria Gonzaga-Humberto: o nome do cearense LAURO MAIA, consagrado como grande compositor na década de 40.

Lauro Maia é, até hoje, o único compositor cearense gravado por João Gilberto (a canção Trem de Ferro) e foi ele quem indicou a Gonzaga o encontro com Humberto Teixeira, de quem era cunhado.

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Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira: parceria rendeu grandes músicas e momentos excepcionais do Doc de Lírio Ferreira

Gonzaga procurava um letrista e foi até o escritório de Teixeira, no centro do Rio, convocá-lo, depois das ótimas recomendações feitas por Lauro Maia sobre o conterrâneo HUMBERTO TEIXEIRA.  

O artista do povo, que se vestia com trajes e chapéu de couro típicos do sertão, e o literato, que só andava de terno, se completavam – eram “o canhão e a pólvora”, como brinca Otto, pernambucano como Gonzaga, no documentário sobre Teixeira, de Lírio Ferreira, O Homem Que Engarrafava Nuvens. Juntos, eles fizeram do baião o gênero que tomou conta do Brasil, colocando o Nordeste no mapa cultural do País, como ensina o filme.

* Com informações de Roberta Pennafort, RIO