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Helena Ignez: ‘Tudo que eu fiz como diretora, eu aprendi no Set…’

AURORA DE CINEMA direto do I Nossas Américas, Nossos Cinemas

Atriz e cineasta conta o que leva alguém a ser ator: “É como se no íntimo sobrasse espaço para outras almas”

Ela afirma que existem bons filmes em todos os gêneros ‘porque o filme não deve estar preso a rótulos nenhuns nem a correntes nenhumas. O bom filme tem que ser verdadeiro. E a gente sente quando o filme é verdadeiro, quando não foi feito pra enganar.

Helena Ignez começou no teatro, na Bahia, e logo depois seguiu para o Rio e juntou-se a um grupo onde estavam os dramaturgos Vianninha e Armando Costa:  “Ensaiávamos peças e apresentávamos na periferia do Rio e na Paraíba” E deixa escapar uma certa tristeza e/ou desencanto: ‘filmes nossos nunca foram exibidos em Cuba…’, afirma, ao mesmo tempo, que “uma revolução pessoal, do comportamento, profundo, isso é que eu acredito que existe em mim com mais força”. Afinal, foi esta atriz que um dia acabou presa numa farmácia em Porto Alegre, no auge dos anos sombrios, simplesmente porque estava de minissaia e isso ainda não era permitido – “era simplesmente uma minissaia, mas ela era ‘perigosa’”.

O sentido libertário, da expressão sem preconceitos ou discriminações, perpassa toda a vida, carreira, e maneira de estar no mundo desta atriz tão importante quanto necessária. Por ter um sentido autoral profundo, é fácil perceber a própria Helena Ignez em suas obras, e as obras criadas por ela são como monumentos vivos, construídos com o sentimento de quem sabe estar produzindo páginas relevantes para a cultura do Brasil na esperança de ver dias melhores chegando. Foi dessas reflexões que Helena Ignez tirou uma frase lapidar de seu filme de estréia, Canção de Baal:

“Ela é adúltera, tem que levar porrada” – esta fala é de um camponês, dirigida à mulher na peça BAAL, do dramaturgo Bertold Brecht, e foi ouvindo-a que Helena sentiu os primeiros insigths pra criação de seu roteiro. Acho que o ser Mulher é como um índio, eu me sinto um índio.

As coisas são tão complicadas ou pouco entendidas que Martim Gonçalves, o antropólogo baiano, autor de livros importantes e pessoa respeitada nos meios acadêmicos (homem que culturalizou o jovem baiano), criador de um movimento bacana em Salvador, ‘foi expulso de lá pelos estudantes de esquerda e o Partido Comunista… eles escreveram em todas as paredes: “Sai veado”. Foi nesta época que eu me solidarizei com Martim, resolvi sair de Salvador, e fui trabalhar no Rio’.

AC – Que motivos lhe levaram a querer ser atriz e garantem sua permanência no ofício do teatro e do cinema ?

HI – Talvez uma necessidade de ser outro, de compreender o outro, é uma vivência a mais que se busca ao procurar a emoção do teatro e do cinema. É como se no íntimo sobrasse espaço para outras almas, se não você vai ficar triste, e isso é vital. O que eu quero é conhecer melhor as pessoas. Eu não tenho vontade de me destacar não, em nada. Eu acho que todos nós somos destaque e merecemos atenção.

AC – Olhando toda a sua trajetória, como avalia a forma como você se insere no panorama artístico brasileiro ?

HI – Talvez o meu mérito seja reconhecer o mérito dos trabalhos que eu fiz, e considero todos muito importantes, eles são pontos de iluminação na minha vida, como por exemplo, o primeiro trabalho, o curta-metragem O Pátio, onde fui dirigida por Glauber Rocha… Meu intuito é fazer como diretora com o mesmo ímpeto com que fiz como atriz. Porque bons atores fazem bons filmes. E o que me interessa no cinema é justamente este poder de transformar, que vai contra o estereótipo da masculinidade. Se isso não fosse possível, eu não teria o menor prazer em fazer cinema.

Ney e Helena em cena de Luz nas Trevas

Sobre a escolha de Ney Matogrosso para protagonizar Luz nas Trevas (segundo longa da diretora que vem angariando elogios por onde passa), ela diz que não foi fácil, pois queria um ícone, um homem de 70 anos, que soubesse cantar, que ultrapassasse a figura do “Bandido”: Teria que ser um bandido original, teria que ser um homem do mesmo naipe do Ney, porque eu sabia que as comparações e cobranças seriam muitas. O Luz é um filme que custou R$ 2 milhões de reais, vencedor em 4 editais. Foram minhas filhas Paloma Rocha e Sinai Sganzerla que sugeriram o nome de Ney Matogrosso para o filme. E a escolha foi muito acertada: Ney Matogrosso está muito bem como o ‘bandido’.

Mulher que conquista pela simplicidade, charme, elegância, inteligência refinada e sensibilidade aguçada, Helena é também uma mulher cujo oxigênio é matéria de encantaria, o que a faz uma mulher apaixonada e apaixonante. O amor, amizade, cumplicidade, afeto, sentido de admiração e saudade de todos os momentos vividos ao lado do grande e eterno amor (o cineasta Rogério Sganzerla), está presente em todas as entrelinhas: “Quem me inspirou mais, como cineasta, ainda me interessa e vai me inspirar vida afora foi e é Rogério Sganzerla”.

Difícil não encher os olhos de lágrimas sentindo a emoção escoar pelas palavras de Helena Ignez : “Me encantei com o cinema dele, sua energia impressionante e a inteligência fora do comum de Rogério Sganzerla…”

Em São Paulo, foi lançado esta semana o documentário Mr. Sganzerla, que tornou-se possível graças à imensa generosidade de Helena Ignez, que cedeu todo o material de arquivo. O filme, dirigido por Joel Pizzini, foi o vencedor do É Tudo Verdade deste ano, e será o filme de abertura da primeira edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Cinema de Curitiba, que começa hoje na capital paranaense. 

Ideias e frase lapidares de HELENA IGNEZ 

“Rogério Sganzerla é um cineasta que ainda precisa ser muito estudado para ser compreendido em sua plenitude. Ainda há muito a se descobrir sobre ele”.

“Acho que um filme não pode ser desclassificado porque foi feito com uma técnica menor, com menos dinheiro e menos condições técnicas. As idéias não pertencem às técnicas”.

“Um diretor de cinema não pode desconhecer ou menosprezar o Teatro. É indispensável ! Os grandíssimos diretores de Cinema tem uma boa relação com o Teatro. Cito por exemplo o caso de um ator como João Miguel: ele vai sempre além do que o roteiro lhe dá. Se o ator não tiver seu ABC, seus signos, seus códigos próprios, ele não consegue avançar, ir mais além”.

Para os que estão começando na carreira ou pretendem ingressar na área do Audiovisual, a recomendação de Helena Ignez é simples e clara: “Ler, ler muitíssimo, sobretudo os pensadores do Cinema.

E para finalizar nosso bate-papo, HELENA IGNEZ cita uma frase do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, que é fonte inspiradora para o novo longa da diretora, intitulado RALÉ:

“Vamos indigenizar o Brasil e reinventar esta história”.

Helena Ignez na noite em que foi homenageada no I Encontro Nossas Américas, Nossos Cinemas, realizado em Sobral, no sertão cearense…

A Felicidade de Jabor pelo olhar de Brida

O retorno de Arnaldo Jabor ao cinema, 25 anos depois

O pequeno Paulo (Caio Manhente) sonha grande, como toda criança. Vive no Rio de Janeiro, é filho de um militar e, de repente, estoura a Segunda Guerra Mundial. Dos oito aos 18 anos, irá aproximar-se de novos amigos e conhecer o amor e o sexo, sempre influenciado pelos ensinamentos do avô, Noel (Marco Nanini).

Havia grande expectativa no retorno de Arnaldo Jabor ao cinema, pela originalidade de seus filmes, os quais rodou durante o fim do Cinema Novo, e o destaque na fase da pornochanchada. Estava longe das câmeras desde 1986, quando fez o bom drama “Eu sei que vou te amar”.

O filme não é de todo ruim, mas poderia ter sido rodado por qualquer um. A história, agradável, com momentos ternos e outros engraçadinhos, é um olhar sobre a infância e a adolescência de um garoto carioca, durante os anos 1940 e 50, em tempos de guerra. Parece recorte de um período, que tenta refletir uma geração do pós-guerra, universalizando o tema, mas tudo de forma menor, sem vigor ou grandes emoções.

Jayme Matarazzo, Maria Luísa Mendonça e Roney Vilella em A Suprema Felcidade

O que me incomoda é a teatralidade dos atores em cena, misturado com a falta de timing. Culpa que se atribui ao diretor. Soa fake para cinema, castigado por um elenco mal aproveitado, e que não está em seus melhores dias. Marco Nanini é o único que segura as pontas, nos poucos momentos que aparece. Dan Stulbach está exagerado como o pai militar, Elke Maravilha envelhecida, sem destaque algum, e ainda rápidas aparições de Ary Fontoura, Jorge Loredo (o Zé Bonitinho), João Miguel (num papel cômico, como um pipoqueiro piadista), além de Maria Flor.

Jabor já foi melhor com “Toda nudez será castigada”, “Eu te amo”, “Tudo bem” e “Opinião pública”. Esse, junto com “Pindorama”, são seus filmes menores e descartáveis. Em suma, um drama ingênuo, desconcertado, teatral demais.

Tammy Di Calafiori estreando em cinema no filme de Jabor…

A Suprema Felicidade (Brasil2010125’) Direção: Arnaldo Jabor Com:Marco Nanini, Dan Stulbach, João Miguel, Maria Flor, Elke Maravilha, Ary Fontoura, Caio Manhente, Emiliano Queiroz, Roney Vilella e Maria Luísa Mendonça, entre outros.

DVD: Menu interativoSeleção de cenas Seleção de idiomas Seleção de legendas Tela: Widescreen Anamórfico (1.85:1) Áudio: Dolby Digital(2.0 / 5.1) Idioma: português Legenda: português, inglês e espanhol Extras: making of; trailer

Distribuição: Paramount Home Entertainment

XINGU: NOVA PRODUÇÃO O2 FILMES

SAGA DOS IRMÃOS VILLAS BÔAS VIRA FILME, COM DIREÇÃO DE CAO HAMBURGER

As filmagens de Xingu, nova produção da O2 Filmes, dirigido por Cao Hamburger, começam dia 20. Os atores João Miguel, Felipe Camargo e Caio Blat estão confirmados nos papéis principais dos irmãos Villas Bôas. O filme conta a saga dos irmãos Villas Bôas, idealizadores da reserva do Parque do Xingu, primeira terra indígena homologada pelo governo federal, em 1961, e será rodado em Palmas, em Tocantins, e no Parque.

Os internautas vão poder acompanhar as novidades do filme Xingu através de seu blog, no site da produtora O2, no endereço http://www.o2filmes.com.br. O blog vai trazer histórias dos bastidores, fotos e vídeos sobre as filmagens. O primeiro vídeo entrará no ar na quinta-feira, dia 1 de julho, no lançamento do blog. O diretor Cao Hamburger também fez um texto para a estreia do blog.

O ator João Miguel, que ganhou reconhecimento por seu trabalho em Estômago, interpretará Claudio; Felipe Camargo foi escalado para o papel de Orlando; Caio Blat faz o irmão mais novo, Leonardo. “Escolher atores para interpretar irmãos é sempre difícil. Já havia passado por essa experiência em Filhos do Carnaval [série da HBO]. Tem de haver não só a identificação do ator com o personagem, mas também, entre eles, deve existir uma unidade, uma química, que torne verossímil a relação consangüínea. A escolha de Caio, Felipe e João Miguel, nesse sentido, foi muito feliz”, comemora Cao.

O elenco secundário foi escolhido por Hamburger durante o período de desenvolvimento do projeto. Participam cerca de 250 índios, selecionados no próprio Parque do Xingu.  

Cena do belo O Ano em que meus pais saíram de férias, trabalho anterior de Cao Hamburguer, filme merecidamente premiado em vários festivais

Em O Ano em que meus pais saíram de férias (2006), o diretor falava de assuntos próximos a sua realidade, ambientados em São Paulo, sua cidade natal. “Ambos os filmes falam da relação entre os seres humanos, mas as filmagens de Xingu me trazem desafios diferentes, por sua grandiosidade épica”, diz Hamburger. “Ao mesmo tempo que é um registro de uma época, vejo Xingu como um filme contemporâneo, sintonizado com as questões ambientais e de sustentabilidade”.  

A história chegou até a produtora O2 Filmes através de Noel Villas Bôas, filho de Orlando. “Me  convidaram para dirigir e de cara, me apaixonei pelo projeto. O filme fala de temas profundos, sobre o ser humano e a civilização. Esses irmãos foram movidos por uma paixão: a defesa da cultura e do patrimônio dos povos indígenas. Conseguiram criar o maior parque indígena, que faz 50 anos em 2011”, conta Cao.

“A idéia é fazer um filme sobre heróis brasileiros, que tenha ação mas que também emocione o público. E a vida dos irmãos Villas Bôas está cheia de aventura e emoção”, completa a produtora Andrea Barata Ribeiro.                                                          

Assinam o roteiro Cao Hamburger e Elena Soares, com colaboração inicial de Ana Muylaert. Foram necessários quatro anos até o roteiro final. Durante os dois primeiros anos, coordenados pela antropóloga Maíra Buhler, foram feitas pesquisa histórica e entrevistas com pessoas que conviveram com os irmãos.

A equipe principal inclui a roteirista Elena Soares (Casa de AreiaEu Tu Eles); o diretor de fotografia Adriano Goldman (Cidade dos Homes), o diretor de arte Cássio Amarante (O Ano que Meus Pais Saíram de FériasAbril Despedaçado). O figurino é assinado por Veronica Julian e a maquiagem é de Anna Van Steen. A produção é de Fernando Meirelles, Andrea Barata Ribeiro e Bel Berlink, com co-produção da GloboFilmes.

Felipe Camargo volta à telona no novo longa de Cao Hamburguer

 O2 FILMES:

A O2 Filmes, considerada uma das mais criativas e importantes produtoras brasileiras no mercado mundial, realiza projetos independentes e em parceria com grandes estúdios internacionais e emissoras de televisão. Criada em 1991 pelos sócios Fernando Meirelles, Paulo Morelli e Andrea Barata Ribeiro a empresa já realizou cerca de 9 mil peças publicitárias e conquistou diversos prêmios, como Cannes Lions, Clio Awards, e é a maior vencedora do Prêmio Profissionais do Ano, promovido pela Rede Globo. Para o cinema, produziu nove curtas e nove longas-metragens, entre eles o premiado Cidade de Deus (2002) – citado recentemente pelo site IMDB como um dos cinco melhores filmes da década – e o consagrado Ensaio Sobre a Cegueira (2008), ambos dirigidos por Fernando Meirelles.

Em 2009, apresentou À Deriva, exibido no Festival de Cannes, e filmou “VIPs”, longa de Toniko Mello com lançamento previsto para fevereiro de 2011. Para a TV, realizou séries para a Rede Globo – a mais recente foi Som & Fúria, uma adaptação da série canadense Slings and Arrows – e Filhos do Carnaval, para HBO, dirigida por Cao Hamburger, que teve duas temporadas.

ELENCO:

João Miguel

Felipe Camargo

Caio Blat

FICHA TÉCNICA:

Direção: Cao Hamburger

Produção: Fernando Meirelles, Andrea Barata Ribeiro, Bel Berlinck

Roteiro: Elena Soares e Cao Hamburger

Elenco:  João Miguel, Felipe Camargo e Caio Blat

Direção de fotografia: Adriano Goldman

Direção de Arte: Cassio Amarante

Figurino: Veronica Julian

Maquiagem:  Anna Van Steen

Assessoria de Imprensa:

Primeiro Plano – Anna Luiza Muller