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A propósito do Resta Um…

Porque o RESTO é sempre MAIOR que o Principal 

Estávamos todos contagiados. O mesmo sentimento de euforia e entusiasmo contagiou a mim, Ingra Liberato, Rosamaria Murtinho, Miguel Jorge, Rogério Santana e Alex Moletta naquela agradável noite goiana, ancoradouro privilegiado para nossa emoção, transformando em vibração entusiástica os pilares e preceitos nos quais se ergueu a Belair. A calorosa sensação de ter encontrado alguma coisa que parecíamos buscar há tempos, invadiu o espírito de todos, e nossa vontade era sair abraçando cada um, como dizia a inspirada letra de Chico : “Era uma canção, um só cordão, uma vontade, de tomar a mão de cada irmão pela cidade”… Sim, era como se, a partir das contundentes e belas imagens garimpadas por Bruno Safadi e Noa Bressane, tudo começasse a criar sua própria lógica e os sentidos eregiam conexões absolutamente inovadoras, criando sensorialidade onde antes havia interrogação e tédio. Uma incisiva sintonia aflorou e o rosto de cada um estampava fulgores até então impensáveis.

Capital goiana foi a concha envolvente que abrigou o RESTA UM

Assim, foi-se desenhando com mais clareza a idéia inicial de fazer um registro imagético do inesperado encontro em Goiânia, cidade aprazível demais para deixarmos perder-se nos desvãos do andamento voraz do cotidiano, próprio da modernidade líquida onde estamos imersos(tão bem definida pelo sábio sociólogo Zigmunt Balman).

Miguel Jorge, Ingra l.iberato, Alex Moletta, Aurora, Rogério Santana, Rosamaria Murtinho e Débora Torres: cada um, a seu modo, contribuindo pro RESTA UM

Qual deveria ser o próximo passo então ? Como alinhavar os elos das intersecções que fomos amealhando ao longo daqueles dias, arejados de imagens e plenos do oxigênio das afinidades que se impõem pela naturalidade de ideais siameses ? Como traduzir pelo gesto da palavra e a alquimia do olhar análogo aquela luminosidade que nos arrebatava e intrometia-se em nossas conversas, todas as horas, noite adentro ? Como significar a eloqüência do instantâneo entrosamento em Goiânia e o contato absolutamente conversor expresso no encontro com a Belair ? A Belair de Júlio Bressane, Rogério Sganzerla e Helena Ignêz…

Cineasta Júlio Bressane, inspirador do clima nas gravações do Resta Um

As idéias então foram tomando assento: no restaurante do hotel, na van que nos conduzia ao cinema, nas cadeiras da sala de exibição, nas trocas de assunto a palpitar quando, a maioria de nós, assumia a função de jurados.

Então Samuel Reginatto, imagem da alegria numa única noite de cinema e festa, se juntou a Júlio Léllis, cineasta amante da Literatura e da sensatez; e se somou à disponibilidade integral de Ingra Liberato, ganhando a benfazeja cumplicidade de Rosamaria Murtinho; e conquistou Miguel Jorge, sábio escritor que de imediato aderiu à nossa idéia de fazermos um filme; e chegou até a Alex Moletta, ator e roteirista a nos encher de ânimo e verdade; e encontrou guarita em Débora Torres, chegando até Rogério Santana, e extrapolando fronteiras para ganhar Sílvio Tendler, Henrique Dantas e o próprio Bruno Safadi. 

Assim, em apenas cinco dias de absoluta imersão no universo da Sétima Arte, do qual Goiânia é âncora todos os novembros, foi gestado o Resta Um, curta-metragem agora ofertado para o olhar, a mente e o coração de quem estiver na platéia ou com este texto em mãos.

Resta Um é um curta digital, colorido, tem 19’25”, roteiro e direção de Aurora Miranda Leão. Ingra Liberato é a presença mais constante, embora não possamos dizê-la “personagem principal” ou protagonista. Isso não existe nos filmes Belair. Lá como cá, os atores não representam mas valem pelo que representam, como nos diz Antônio Medina Rodrigues, e aí a cabeça do espectador tem todo o controle e pode optar por entender o que quiser. O que pra uns pode estar explícito, para outros pode ser apenas um jogo do roteiro ou uma insinuação da direção.  

A imagem icástica de Ingra Liberato a ilustrar o cartaz, bem como o material de divulgação do filme, mostra o indicador da atriz apontando… como a indicar que Resta Um

O que resta encontrar então neste novo filme que Aurora Miranda Leão ora nos oferece ? 

O que resta pode ser você, espectador, que não participou das filmagens e não conviveu com o grupo formado em Goiânia. Resta você que entende a intenção da obra ou resta você que vai sair do cinema perguntando sobre o que é mesmo que viu e qual o sentido deste filme. 

Resta Um filme a ser feito, um fotograma a ser exibido. 

Resta Um desejo de falar da vida e contar da alegria através do cinema. Resta Um desejo de contagiar e fazer coro ao convite de Sílvio Tendler para tentar fazer mais gente entrar nesta canoa. 

Resta Um ator que não estava nas filmagens, um vinho que não foi tomado, e um beijo que não foi roubado. Resta você que se pergunta sobre o sentido deste filme, resta você que poderia ter dado um depoimento. Resta Um espectador que chegou atrasado e um diretor que não foi convidado.

Resta Um convite que não foi aceito e um amor que não se realizou. Resta Um filme que não foi feito e um roteiro inacabado, um caminho a ser seguido e um piano esquecido no canto da sala. 

Resta Um punhado de bons filmes a ver e belas músicas pra ouvir.

Resta Um violão que emudeceu e um canto de passarinhos que não se reproduziu.   

Resta Um carinho esquecido, um afago a ser lembrado e um afeto nunca recebido.

Resta Um filme a ser visto, um aplauso a ser ouvido e um som a ser imitado.

Resta Um enquadramento por fazer, um som e uma luz em sintonia.

Resta Um coração a ser tocado, um amor a ser encontrado.

Resta Um barco no oceano e um barco-olho rumo ao infinito.

Resta Um motivo a mais para se cultivar a ética, um passo a mais a ser dado, um gesto a menos a ser esquecido.

Resta Um belo quadro na parede, flores viçosas na varanda e um roteiro a ser escrito.

Resta Um canto triste a embalar a solidão e um tango sempre disposto a tocar.

Resta Um coro de pássaros a anunciar uma manhã na qual os jornais só estampem boas notícias e um amor de pai e mãe que nem a dor da ingratidão abafou.

Resta Um gol argentino a ser aplaudido, um drible de Messi a ser imitado e uma canção de Lupicínio ecoando na sala. 

Resta Um desvario a ser socorrido, um cotidiano de sonhos a percorrer o imaginário e um arrojo de Kubrick a ser lembrado. 

Resta Um quadro de Picasso a querer ver, um Renoir ainda intacto, um Rembrandt pra quem desconhece as nuances da cor e um bolero de Ravel acordando as madrugadas douradas. 

Resta Um caminho novo a buscar, uma ousadia nova a perseguir e um lixo amontoado na calçada que Vik Muniz precisa transformar. 

Resta Um samba em homenagem à nata da malandragem, um swingue de Gil e Mautner, um ator com a competência de Mauro Mendonça, um desejo de ouvir a contagiante gargalhada de Zéu Brito e mais algumas pérolas de Wisnik.

Resta Um canto feliz de andorinha a sonorizar a espera tão acalentada, e um movimento de Tchaikovsky tocando pra quem não tem medo da música clássica. 

Resta Um texto de Rubens Ewald Filho pra ler, um poema de Jorge Salomão que não nos sai da cabeça, um personagem para Fernando Eiras interpretar e um ator da grandeza de Emiliano pra gente ensinar aos que ainda vão chegar.

Resta Um brilho no olhar da criança esquecida nas madrugadas soturnas das grandes cidades, e um brilho de esperança no gesto de quem vivencia a solidariedade. 

Imagem de Aos Pés, premiado curta do cineasta gáucho Zeca Brito…

Resta Um take a mais de Zeca Ferreira, mais um documentário que Gui Castor está a concluir, uma nova inquietude imagética de André da Costa Pinto, e um novo mergulho nas invenções fílmicas de Zeca Brito.

Resta Um outro Benjamim de Gardenberg para Paulo José, um outro Suassuna para Nachtergaele, um texto com a concisão de Carlos Alberto Mattos, um novo documentário com a assinatura de João Moreira Salles e o precioso olhar de Coutinho.

Resta Um livro a ser lido e um grande autor a ser celebrado. 

Resta Um disco bonito na vitrola, um guardanapo com um poema que a noite revelou, um lenço para amparar lágrimas de amor. 

Resta um quadrilátero de paixão nas esquinas nas quais ela em vão aguardou um adeus. Resta Um um sinal de que a vida é o bem maior. 

Resta Um poeta que a noite teima em querer despertar e um silêncio revelador que o ouvido atento antevê. 

Resta Um desassossego da alma em desalinho pela paixão que arrebata e se intromete nas horas mais improváveis.

 

Resta Um violão dedilhando Bossa Nova e um bar em Ipanema rememorando Vininha.

Resta Um choro de flauta aguardando Pixinguinha e um verso ousado de Clarice, Coralina ou Adélia Prado.

Resta Um solo de Toquinho, uma marchinha do Lalá, um twiiter de Carpinejar e um olhar acurado de Caetano que a manhã precisa revelar. 

Resta Um minuto para que possamos afirmar a palavra necessária e um espanto ante à embriaguez do luar. 

Resta Um comovido apelo à Paz e uma busca incessante pela alquimia dos grandes amores. 

Resta Um olhar sempre atento à obra de Truffaut e à dramaturgia de Fassbinder, um interesse crescente pelo bandoneon de Piazzolla e um espanto ante à indiferença da sociedade do descartável. 

Resta Um motivo sempre novo para ver Fernanda representar e reler a grandeza necessária de Ibsen. 

Resta Um atrevido gosto pelos filmes incompreensíveis e um incontido apego aos lugares onde a emoção fez amigos e plantou saudades. 

Resta Um cantinho, um violão, um microfone para celebrar Mário Reis e um anseio de ouvir cantar como Francisco Alves. 

Resta Um filme de Bressane a ser visto e estudado e um olhar acurado sobre a cinematografia inspiradora da Belair. 

Resta Um dilacerante silêncio ante a brutalidade do desaparecimento de John Lennon e um inexplicável mal-estar ante as ingerências nefastas da política no cotidiano. 

Resta Um infinito e revolucionário desejo de se perpetuar nos fotogramas que hoje são pixels nas alquimias da edição digital, tão rápida e eficiente que nos faz brincar com as horas e achar graça da facilidade de criar temporalidades diversas, fazer andar pra frente e retroceder nos ponteiros de nossa imersão cotidiana. 

Resta Um constante e permanente desejo de continuar abraçando o cinema brasileiro e um desejo intermitente de ouvir o som paralâmico da guitarra de Herbert Vianna

Resta Um olhar para A Última Palavra, aquela que nos tirará do dilema profundo que parece nos atar ao nada existencial. 

Resta Um indormido desejo de expressar-se e traduzir em imagens o que vai n’alma e no pensamento. 

Resta Um permanecente intuito de reaprender a amar pra não morrer de amar mais do que pude. 

Resta, sobretudo, essa vontade enorme de acertar e prosseguir fazendo cinema e apostando em coisas nas quais acreditamos, sejam elas concludentes ou não. 

Resta ademais um desejo de falar de vida, o aconchego do abraço amigo nas noites eternas, e a ânsia de chegar a um tempo onde a ingratidão morra de sede, a indiferença naufrague de tédio, a injustiça definhe por inanição e a estupidez se envergonhe de existir… 

Porque, enfim, Resta Um desejo de amar e ser amado

Amar sem mentir nem sofrer

Desejo de amar sem mais adeus…

Até, quem sabe,

Resta Um desejo de morrer de amar mais do que pude. 

Enfim, Resta Um anseio de que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado. 

* O título deste artigo e as palavras finais nos foram inspirados por textos do cronista Artur da Távola, bem como as citações óbvias aos versos do saudoso poeta Vinícius de Moraes

Buenos Aires Reverencia BEATLES

O primeiro museu da América Latina dedicado aos Beatles abrirá suas portas em Buenos Aires nesta segunda, 3 de janeiro, e exibirá os “tesouros” do maior colecionador de objetos do quarteto de Liverpool. 

 

“É o único museu sobre os Beatles cujo catálogo pertence a um colecionador privado. É realmente o único no mundo depois do The Beatles Story em Liverpool”, afirma o colecionador argentino Rodolfo Vázquez em declarações publicadas sexta-feira pelo jornal Tiempo Argentino, de Buenos Aires.

Vázquez entrou em 2001 no Livro Guinness dos recordes por sua coleção de objetos do grupo, que soma cerca de 8.500 itens, desde fotos e discos, vestuário, cheques assinados pelos integrantes da mítica banda e até uma caixa de preservativos com a imagem de John Lennon e Yoko Ono.

Grande parte destes objetos será exibida neste museu que funcionará dentro de um complexo cultural em pleno centro de Buenos Aires, onde também se rebatizará uma sala teatral com o nome de John Lennon.

No mesmo complexo, funciona há anos o Cavern Club Buenos Aires, um bar que recria a atmosfera do mítico pub The Cavern de Liverpool, onde os Beatles iniciaram sua bem-sucedida carreira.

da Agência EFE

A Falta que LENNON Faz…

Fãs Relembram 30 Anos sem John Lennon

Em sua última entrevista, beatle lamenta que fãs queiram “heróis mortos”

Repleto de lembranças, mosaico diz "Imagine" no Strawberry Fields, esquina do Central Park, em Nova York

Foto: AFP

Repleto de lembranças, mosaico diz Imagine no Strawberry Fields, esquina do Central Park, em Nova York

Os fãs de John Lennon se reuniram nesta quarta-feira em Liverpool e Nova York em uma vigília para lembrar os 30 anos do assassinato do ex-Beatle, morto a tiros em Nova York, aos 40 anos de idade, e que vem recebendo homenagens em todo o mundo.

Na cidade que viu os Beatles nascerem, as homenagens se concentraram em torno do monumento Paz e Harmonia, inaugurado há um mês em memória de Lennon. Os fãs do músico acenderão velas, cantarão canções e lembrarão a vida de seu ídolo, cuja vida terminou abruptamente quando foi atingido pelas costas em 8 de dezembro de 1980 em frente ao edifício Dakota, onde ele vivia com a mulher, Yoko Ono, em Nova York.

O monumento Paz e Harmonia foi inaugurado em 9 de outubro – dia de seu aniversário – por Cynthia, primeira mulher de Lennon, e Julian, filho do casal, no Chavasse Park, para honrar um dos mais ilustres filhos da cidade.

Em Tóquio, a viúva de Lennon, Yoko Ono, marcou o aniversário de morte com um show, dizendo que o mundo ainda tem muito a aprender com sua vida e suas canções. “Hoje, neste doloroso aniversário, por favor unam-se a mim para recordar John com profundo amor e respeito”, escreveu Yoko Ono no Twitter, antes do show anual de caridade que organiza para lembrar o marido.

“Apesar da curta vida de 40 anos, ele deu muito ao mundo. O mundo foi abençoado com a sorte de ter conhecido John”, completou. “Mesmo hoje, continuamos aprendendo muito com ele. John, eu te amo. 2010/12/8 Yoko Ono Lennon.”

Yoko Ono, que vive até hoje em Nova York, estava com o marido quando ele foi atingido nas costas por um fã com problemas mentais em 8 de dezembro de 1980 ao lado do “Dakota”, o edifício onde o casal morava em frente ao Central Park. Lennon teria completado 70 anos no último dia 9 de outubro.

Jerry Goldman, diretor de um museu sobre os Beatles em Liverpool, comemorou o fato de que “pessoas de todo o mundo estão vindo à cidade para fazer uma homenagem e lembrar a mensagem de Lennon de paz através da música”.

Um show beneficente chamado Lennon Rememorado – as 9 Faces de John, na Echo Arena de Liverpool, está marcado para a noite desta quinta-feira. Os fãs que forem ao evento verão vários grupos cover e ex-colegas de banda tocarem algumas das mais famosas canções deste ícone da música. Entre as bandas programadas está The Quarrymen, na qual John tocou antes de fundar os Beatles.

 

Foto: AP

Capa da edição especial da Rolling Stone

“Não quero ser um herói morto”

A versão norte-americana da revista Rolling Stone publicou hoje em seu site trechos inéditos da última entrevista de John Lennon, feita dia 5 de dezembro de 1980, três dias antes de sua morte. Publicada em parte logo após o assassinato, a conversa traz Lennon atacando com rara ferocidade seus fãs e também os críticos, que não aceitavam a saída do cantor do mundo da música, cinco anos antes.

O que os fãs e os críticos querem, explicou o artista, “são heróis mortos, como Sid Vicious [baixista do Sex Pistols, morto em 1979] e James Dean [morto em 1955]”. “Não estou interessado em ser um maldito herói morto, então esqueçam, esqueçam”, disse Lennon.

O cantor não excluiu na ocasião uma volta aos palcos. “Não é improvável. Mas sem bombas de fumaça, batons ou flashes. Tem que ser agradável. Podemos nos divertir. Somos roqueiros regenerados e vamos recomeçar do zero. Temos muito tempo, não é? Muito tempo”, garantiu.

A entrevista, com nove horas de duração, nunca foi publicada na íntegra. O jornalista Jonathan Cott afirmou que só recentemente encontrou as fitas. “Estava fazendo uma limpeza em meu armário na esperança de encontrar pastas em algum canto esquecido, quando achei duas fitas com os dizeres ‘John Lennon, 5 de dezembro de 1980’. Fazia 30 anos que não as escutava e, quando coloquei para tocar, aquela voz incrivelmente tônica e viva começou a falar.” A revista promete publicar todo o texto em uma edição especial dedicada a Lennon, na próxima sexta.

iG São Paulo com AFP

N.R.: JOHN LENNON é uma eterna e dolorida SAUDADE no coração de todos que amamos sua obra genial e que com ele aprendemos a ser mais solidários, verdadeiros, pacificadores e gentis, e que com ele lapidamos nossa sensibilidade e aprimoramos, de movo indefectível, nosso gosto musical.

DESCANSA EM PAZ, LENNON QUERIDO !

John Lennon, Sempre uma Saudade…

30 anos sem John Lennon

 
A vida de John Lennon

Prefácio de Yoko Ono Lennon

Muito já foi escrito sobre John Lennon (1940-1980) e tantos mitos envolvem sua história. Músico, artista, autor, sonhador, visionário, ator, ativista político e herói cultural, às vezes é difícil distinguir o homem do mito. Para entendê-lo em suas diferentes facetas, a Escrituras Editora publica sua fotobiografia, A vida de John Lennon, com texto de John Blaney e editado por Valeria Manferto De Fabianis, publicação que celebra sua condição permanente como um ícone lendário do rock’n’roll.

O livro apresenta, em mais de 180 fotos, toda a trajetória de John Winston Lennon, desde sua infância aos últimos dias em Nova Iorque, o encontro com Paul MacCartney e George Harrison — que formaram sua primeira banda, a The Quarrymen –, os primeiros shows dos Beatles, as composições com MacCartney, as viagens para a Alemanha, que projetaram o grupo, a entrada de Richard Starkey, o Ringo Starr, com imagens do seu registro de nascimento e as gravações do filme How I Won The War.

Nascido em Liverpool, Inglaterra, no dia 9 de outubro de 1940, Lennon foi o único filho de Alfred e Julia Lennon. Aos cinco anos de idade, foi morar com os tios, e desde cedo começou a ler jornais e logo se apaixonou pelos livros, que ele devorava entusiasmado. Apesar da educação rígida, Lennon muitas vezes se metia em encrencas com brincadeiras na sala de aula. Apesar de ser brilhante, não tinha talentos acadêmicos e a rebeldia e a criatividade já eram evidentes.

Das agitadas canções pop adolescentes aos hinos de paz, Lennon se expressou com uma honestidade que raramente se viu. Com os Beatles, e depois em sua carreira solo, ele mudou a expressão da cultura popular para sempre.

No final da sua vida, colaborou com Yoko Ono e se dedicou a disseminar uma mensagem de paz e amor no mundo inteiro. Sua fama garantiu que seria um dos homens mais fotografados do século XX. As imagens deste livro registram muitos eventos e marcos de sua infância em Liverpool ao início dos Beatles, de seus projetos individuais inovadores ao seu relacionamento com Yoko Ono.

 A obra apresenta formato diferenciado, com capa flexível, mais de 180 fotos e prefácio de Yoko Ono Lennon. 

“Esse livro ilustra maravilhosamente a vida incrível de John Lennon. Uma vida mais estranha do que a ficção, e mágica, em vários aspectos. Como John disse: ‘A vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo planos’. Divirta-se viajando no tempo com ele, em cada página deste livro. Quando eu o vejo nestas fotos, automaticamente olho nos olhos dele. Você vê que às vezes ele coloca o queixo pra cima, com um ar bem petulante. Mas seus olhos nunca perderam o brilho… que o mantinha sempre motivado. Espero que aprecie”.

Yoko Ono Lennon, no prefácio do livro

 

Sobre o autor:

John Blaney, grande fã dos Beatles, traz a experiência e a seriedade de um historiador profissional às suas obras. Seus livros anteriores incluem: Lennon and McCartney: Together Alone e Beatles For Sale. Além disso, escreve para a revista Shindig!. Nasceu em Devon, na Inglaterra, e foi estagiário como designer gráfico antes de começar a sua carreira como escritor de música. Depois, estudou história da arte na Camberwell College of Arts e na Goldsmiths College (ambas em Londres), antes de assumir sua função atual de curador de um museu de tecnologia.


Título: A vida de John Lennon

Prefácio: Yoko Ono Lennon
Título original: John Lennon: in his life
Texto: John Blaney
Editado por Valeria Manferto De Fabianis
Tradução: Silmara Oliveira
 
 
Gênero: Biografia / Fotobiografia / Música
ISBN: 978-85-7531-366-4
Formato: 25 X 29,5 cm, com capa flexível, mais de 180 fotos
Páginas: 272
Peso: 1,575 kg
Preço: R$ 78,00
Escrituras Editora

Legado de John Lennon em Cápsulas do Tempo

O legado musical da carreira solo de John Lennon ficará selado simbolicamente pelas próximas três décadas em “cápsulas do tempo”, uma homenagem pelo aniversário de 70 anos do ex-beatle.

O Museu do Rock de Cleveland, em Ohio, se associou à empresa de produtos fonográficos para colecionadores Box of Vision para iniciar o projeto The John Lennon Time Capsule.

Em 8 de outubro, um dia antes do aniversário de 70 anos de Lennon, os organizadores da iniciativa realizarão uma cerimônia na qual colocarão em cápsulas as canções que o ex-beatle lançou após o término da banda, além de desenhos que apareciam em seus discos e um ensaio sobre sua carreira.

Os responsáveis pelo projeto pediram aos fãs de Lennon através da internet que enviassem suas mensagens sobre ele, para que também sejam colocadas nas cápsulas.

O “John Lennon Time Capsule” contou com apoio da viúva do ex-beatle, Yoko Ono, que afirmou que “a vida e os sonhos de John ajudarão a inspirar as crianças de hoje e de amanhã a conseguir um melhor mundo para todos”.

  Bob Gruen/Efe  
John Lennon em 1974, quando voltou para Nova York após morar 18 meses em Los Angeles
John Lennon em 1974, quando voltou para Nova York após morar 18 meses em Los Angeles

A ideia de homenagear o marido com uma “cápsula do tempo” não é novidade para Yoko, que em 9 de outubro de 2007 assistiu à iluminação da Imagine Peace Tower em Reykjavík, Islândia, em homenagem a Lennon, e enterrou na ilha vários recipientes com mensagens pedindo paz, como pregava o ex-beatle.

As três novas “cápsulas do tempo” serão conservadas no Museu do Rock de Cleveland, e em outros dois pontos ainda não revelados, e permanecerão assim até 9 de outubro de 2040, data do centenário do nascimento de John Lennon.

A herança artística de Lennon em sua etapa posterior aos Beatles, que começou em 1970, foi muito irregular e inclui temas de alto conteúdo político e obras emblemáticas como Imagine.

O aniversário de 70 anos do ex-beatle será lembrado também com o lançamento, em 4 de outubro, do box Gimme Some Truth, que vai recuperar alguns dos principais hits da carreira solo de Lennon.

O box reunirá uma coleção de reedições para colecionadores que incluirá discos remasterizados de Lennon, raridades, e coletâneas separadas pelos temas de suas músicas.

Em 2010, além da comemoração de seu 70º aniversário de nascimento, serão lembradas ainda as três décadas da morte do ex-beatle.

Lennon foi morto dia 8 de dezembro de 1980, na entrada do edifício Dakota, em que morava, em Nova York, baleado oito vezes à queima-roupa por Mark David Champan.

JOHN LENNON: Tempo só aumenta legião de admiradores do genial músico inglês 

O legado do ex-beatle, no entanto, segue firme a caminho de ser eternizado pela humanidade.

FERNANDO MEXÍA
DA EFE, EM LOS ANGELES

Os 70 de John Lennon

Os discos-solo de John Lennon foram digitalmente remasterizados para marcar a data em que o genial vocalista dos Beatles completaria 70 anos, informa a EMI.

Entre os discos a serem relançados, Imagine (1971), Rock ‘n’ Roll (1975) e o álbum ganhador de um Grammy, Double Fantasy, o último que lançou antes de ser assassinado, em dezembro de 1980, remasterizado para eliminar  algumas instrumentalizações.

Engenheiros da EMI e a viúva de John, Yoko Ono, foram os encarregados de remasterizar os oito álbuns que o Artista lançou durante sua carreira solo.

Alguns singles que não foram incluídos nesses discos também serão lançados com o título John Lennon Signature Box.

Yoko afirmou que em um ano “tão especial” espera que o relançamento dos trabalhos de John “permita que sua música chegue a um novo público”.

“Espero que a remasterização destas 121 músicas faça com que aqueles que já conheciam o trabalho de John encontrem nova inspiração em seu incrível talento como compositor, músico e cantor e em seu poder como cronista da condição humana”, afirmou.

Para Yoko, as músicas de John, que no dia 9 de outubro completaria 70 anos, têm hoje a mesma “relevância” de quando foram compostas.

  AP  
O cantor John Lennon
 John Lennon: três álbuns remasterizados para comemorar 70 anos

JOHN LENNON em Doc Recomendado por YOKO

O documentário Os EUA X John Lennon é estreante no Brasil com quatro anos de atraso e empacotado numa frase elogiosa da viúva do ex-Beatle, Yoko Ono: “De todos os documentários já feitos sobre John Lennon, este é o que ele amaria”. Yoko deve saber de fato o que o marido assassinado em 1980 pensaria, mas a frase usada para promover por aqui a produção de David Leaf e John Scheinfeld diz apenas metade de tudo que está em jogo. A história contada é honrosa não apenas para John, mas também para Yoko.

A meta é recuperar um dado específico da biografia da dupla – o esforço do governo republicano de Richard Nixon para deportar John (e Yoko) no início dos anos 1970 – e explicar os seus porquês.

Em palavras resumidas, o britânico Lennon irritou o governo norte-americano por ridicularizar a guerra do Vietnam, fazer músicas contra Nixon, escrever letras pacifistas (tipo Give Peace a Chance) que eram cantadas por milhares às barbas da Casa Branca, aproximar-se dos Panteras Negras (ou seja, do movimento pelos direitos civis dos negros), cantar em público pela soltura de um poeta e ativista de esquerda (John Sinclair) condenado à prisão por oferecer dois cigarros de maconha para uma policial disfarçada. E, quem sabe, por fazer tudo isso incitado em certa medida por uma artista plástica vanguardista esquerdista japonesa mulher sobrevivente do bombardeio de Tóquio pelos EUA em 1945, com quem ele tivera a estranha idéia de se casar.

“Essa bruxa japonesa o enlouqueceu, ele pirou”, vocifera um homem de mídia da época, logo no início do filme. Por sua parte, o casal encena uma lua-de-mel multiétnica pública numa cama rodeada de cartazes pedindo paz (e de repórteres). Bélica diante do casal, uma jornalista diz a John que ele ficou “ridículo” e que suas ações não têm qualquer serventia para a paz.

Egresso dos Beatles, Lennon continuava sendo um herói mundial, apesar das supostas “maluquices”. Era combatido, mas continuava a ser respeitado, até certo ponto. A barra pesava mesmo era para Yoko, que aparece em dez entre dez cenas de época tentando falar e não conseguindo. Sua cabeça que balança em silêncio contrasta com os depoimentos loquazes que ela concede no presente, tentando remontar o passado. E fica evidente ao espectador (se já não estava) a feroz futilidade dos argumentos corriqueiramente utilizados para rejeitá-la, no mínimo, ou ejetá-la da história, no máximo.

Uma lista bombástica de ingredientes torna a fervura suficientemente quente: direitos humanos, racismo, misoginia, machismo, autonomia feminina (os depoimentos da feminista negra Angela Davis são eloqüentes, assim como são os de personas non gratas pelo conservadorismo norte-americano como Gore Vidal, Noam Chomsky e Tariq Ali), sexo, casamentos (e filhos) multirraciais, pacifismo, liberação de drogas… Até o “ame-o ou deixe-o”, muito conhecido de certo país da América do Sul, aparece ali em versão anglo-americana, nos depoimentos de ex-agentes do FBI e que tais.

É forçoso concluir que o país que queria extraditar John e Yoko era uma nação que lutava a favor de guerra, ódio racial, misoginia, eugenia, puritanismo, mordaça. Lançado antes do advento de Obama, Os Estados Unidos Contra John Lennon deixa explícitos os paralelos que quer estabelecer entre a era Nixon e a era Bush Jr. “Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”, diria em tom de pergunta certa cantora brasileira, se pudesse entrar na conversa.

O melhor de tudo é que, conquistas e retrocessos à parte, Yoko “sim, eu sou uma bruxa” Ono continua por aí, incomodando onde John Lennon e Elis Regina não podem mais incomodar. Não é à toa, nem sem merecimento, que ela ama tanto esse eloquente documentário.
 

 * Com texto de Pedro Alexandre Sanches