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Jorge Salomão convida jornalista cearense para Sarau Cultural de Setembro

A e Salomão

Jorge Salomão e Aurora Miranda Leão levam sintonia ao palco – foto Catarina Coelho

O poeta Jorge Salomão, grande agitador carioca, ativista cultural, autor de livros, criador de emblemáticas capas de discos e cartazes de shows, autor de matérias para revistas culturais, jurado em diversos festivais de cinemas, integrante da corrente tropicalista que mexeu com o país nos anos 70, performer, ator e diretor de shows musicais, já é bem conhecido por quem trafega pelas jornadas artísticas Brasil afora.

Ano passado, JORGE SALOMÃO ficou meses em cartaz no Teatro do SESI com os espetáculos Não sou um poeta, sou um malabarista…

Em agosto passado, no último dia 19, estreou mais uma temporada de ecléticos saraus, onde se misturam, num mesmo cenário, artistas de diversas linguagens no palco do Teatro do SESI, no centro da capital do Cristo Redentor, sempre numa terça-feira do mês.

O convite do SESI é instigante: “Grandes encontros, poesia, música, dança, piano, mágica, bola de cristal e microfone aberto para o público. Estes são os ingredientes de Jorge Salomão para um sarau inesquecível”.

Agora neste setembro, o Sarau Cultural de Jorge Salomão está grifado para o próximo dia 16, e terá entre seus convidados a jornalista cearense Aurora Miranda Leão, grande amiga do Poeta, há muitos anos.

A e Saló na chegada

Encontro feliz: Poeta Jorge Salomão e jornalista Aurora Miranda Leão

O convite de Jorge veio nos moldes afeitos ao poeta Salomão: simples, espontâneo, direto, transgressor e libertário ! “Aurora: quero você dividindo o palco comigo no teatro. Tenho essas datas para você escolher a que combinar melhor com sua agenda”.

E assim foi escolhido o dia 16 de setembro, data na qual a atriz, jornalista, documentarista, produtora cultural, radialista e redatora Aurora Miranda Leão subirá ao palco do Teatro do SESI ao lado do poeta Jorge Salomão.

Na bagagem de Aurora, poesias, músicas, e muitos anos de atuação no rádio, no Teatro, no Cinema e na TV…  a jornalista cearense, redatora deste #BlogAuroradeCinema, levará ao palco nomes como Vinícius de Moraes, Lupicínio Rodrigues, Herbert Vianna, Fabrício Carpinejar, poesias de sua própria autoria, e também algumas ‘cartas na manga’ que ela guarda para improvisar na hora.

SERVIÇO

Sarau Cultural com JORGE SALOMÃO

Saló palco

Uma noite inesquecível com o Poeta e seus convidados

Duração: 80 min | Poemas: Jorge Salomão | Direção: Emmanuel Santos Realização: BeijaCéu Produções Artísticas

Dia e Hora: 16 de setembro, a partir das 19h

LOCAL: Teatro do SESI – av. Graça Aranha, número 1 (centro do RIO)
Ingressos: R$ 2,00
Telefone 0800 0231 231

Mais detalhes: http://www.firjan.org.br/sesicultural

Poesias viram espetáculo com Jorge Salomão

Jorge Salomão faz Rio de Poesia em Santa !

O Poeta, escritor, ator, compositor, performer e inquieto agitador JORGE SALOMÃO convida para novo espetáculo.

Vai ser no próximo fim de semana, sábado e domingo, no bucólico bairro de Santa Tereza, na Cidade Maravilhosa… ali, no belo Centro Cultural Parque das Ruínas, o poeta vai desfilar suas poesias em tarde-noite que terá o sabor da alegria e a cor da sensibilidade, temperados pelo alto astral de Salomão.

A entrada é franca, o programa é IMPERDÍVEL !

Vamos à Santa com JORGE SALOMÃO !

Porque Jorge Salomão é um Código Explosão, sempre !

 

 

Este é o queridíssimo Poeta Jorge Salomão, o baiano mais carioca do país, Artista de mil antenas, autêntica representação das muitas misturas culturais que atende pelo nome BRASIL.

Por isso, a Poesia de Jorge Salomão é tão comunicativa, tão pulsante, sensorial, múltipla, ao mesmo tempo simples e plural.

Jorge Salomão é Artista das letras, das palavras, das imagens, das cores, de todas as pulsações.

Ele está no videoclipe que Viviane Rangel lança no próximo dia 22, no belo espaço da CAZA ARTE CONTEMPORÂNEA, na Cidade Maravilhosa.

CÓDIGO DE EXPLOSÃO é o clip… Explosão é o próprio SALOMÃO !

São Jorge Salomão em obra de Raimundo Rodriguez…

Salve JORGE, Viva Salomão !

Uma vez com Jorge, sempre Salomão !

Jorge Salomão lança livros em noite de sucesso

Foram muitos os amigos que rodearam o poeta Jorge Salomão na noite de lançamento de seus dois novos livros no Rio. A noite teve dança, performance, vídeo, música e muita poesia, claro.

Gulherme Fiúza, Jorge Salomão e Narcisa Tamborindeguy: noite festiva no Cine Jóia

Conhecido como o poeta das frases curtas e polêmicas, Salomão prometeu e fez uma “festa do balaco”, para a qual todas as pessoas portadoras de luz interior, disponíveis ou não, foram convidadas.

Segundo Jorge, os livros estão difíceis de serem editados por conta do preço elevado: “Outro dia passando por várias livrarias do centro e da zona sul, eu fiquei ‘literalmente’ assustado. Os livros estão caríssimos! E para subverter essa tirania intelectual de grife, os meus livros são vendidos a R$10,00”, conta o poeta baiano, soltando uma gargalhada. 

Salomão e a amiga Vânia Badin: uma estrada recheada de pensamentos…

Capitaneada pela Jacaré Produções, a noite de autógrafos aconteceu no Cine Jóia, em Copacabana. Os livros são A Estrada do Pensamento (dedicado ao filho João, que é mísico e mora nos States),  e Conversa de Mosquito (dedicado ao irmão Wally, também poeta, e já no andar de cima)…

Alexandre Agra, Marco Rodrigues, Jorge Salomão e Antônio Cícero: amigos de longa data…

Estas amigas não podiam faltar: a produtora Alicinha Silveira e a jornalista Philys Huber …

O Rio por Jorge Salomão e as lentes de Berg Silva

BERG SILVA inaugura hoje a exposição de fotos Meu Rio, no restaurante Sobrenatural, em Santa Teresa. Jorge Salomão faz o texto da mostra, contando um pouco de nossa cidade através das fotos.

O poeta JORGE SALOMÃO, baiano apaixonado pelas belezas do Rio…

SALOMÃO diz: “Quando a lente foca e o click é acionado, o resultado é misterioso: é o Rio que se revela das lentes de Berg Silva//Ele é ágil na arte de fotografar e o Rio surge nas suas intensidades: excessiva beleza da sua sinuosa geografia, seus momentos mágicos//A cidade entre o mar e a montanha. Cheia de bossas, de requebros, de novidades: a cidade e seus matizes. Esse é o Rio de Berg Silva. Fotos de rara beleza: uma poética nova”…                                     

* Esta nota foi pinçada da coluna de HILDEGARD ANGEL. no jornal O Gloho

Muito AXÉ no São João de Jorge Salomão… Saravá !!!

Poeta-agitador cultural e animado por nascimento, Jorge Salomão recebeu os muitos amigos para um happy hour junino-pop, em seu loft, em Santa Teresa
A turma esbaldou-se ao som de muito forró, numa espécie de esquenta para o arraial da esquina, também em Santa, para onde partiram depois das nove da noite, com direito a fogueira e até a casamento na roça…
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Bandeirolas, lanternas coloridas e a devida proteção de Jorge, santo de devoção do poeta, que tem uma imagem do guerreiro (e outra de buda!) sentado em seu altar iluminado, recheado de flores e frutas e muito axé…
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No menu, tudo bem prático: canapés, risoles, pães vários, tábua de queijos, pipoca
. No quesito bebidas, da cachaça ao chapã para brindar e brincar. Todos no clima de felicidade total. Não era para menos, o dia seguinte era dos Namorados e véspera de Santo Antônio, ai, ai, ai…
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Informações de Hildegard Angel e fotos de Marco Rodrigues
 
Salomão Arraiá do Salomão São Jorge, buda e muito axé para saudar São João em casa do poeta Jorge Salomão
Sinhô Jorge Salomão!
 JORGE SALOMÃO é um amigo querido, cotidianamente POETA, uma companhia que faz bem à Alma, sempre. Que DEUS o conserve ad eternum no enorme pique de alegria e carisma que tanto movimenta as noites cariocas…
 
SALVE, JORGE !!!

JORGE SALOMÃO Revive HÉLIO OITICICA e Platéia Delira

É o que diz a antenada HILDEGARD ANGEL em sua coluna do GLOBO:

Brasília pegou fogo neste domingo, com o encerramento da exposição Hélio Oiticica: O Museu é o Mundo, com performance do poeta, escritor Jorge Salomão, no Museu da República
Eram quatro da tarde quando o som detonou nas caixas as músicas de Jimmy Hendrix
Jorge não usou sunga, mas um short. Também não estava de salto, mas sapatos prateados. E vestia uma camisa branca em que lia-se, na frente, “Eu sou” e, atrás, completava a frase “Hélio Oiticica”…
Gritando ao microfone frases de Hélio Oiticica como “eu não penso, eu não ligo, eu fascino”, assim chegou Salomão, enquanto um balão vermelho subia aos ares da Capital Federal. Depois, Jorge iniciou a leitura do texto Experimentar o Experimental de HO
Uma leitura recheada de acentuações guturais e de dramaticidade, criação dos irmãos Andreas e Thomas Valentin que será repetida em Belém e no Rio, onde a exposição também será mostrada…
Para terminar, perguntado por um jornalista como se conceituaria, se poeta, se escritor se etecétera e tal, Jorge Salomão, no calor de sua performance, não vacilou e soltou: “Sou um explosivo”…
Fotos de Andreas Valentin

A propósito do Resta Um…

Porque o RESTO é sempre MAIOR que o Principal 

Estávamos todos contagiados. O mesmo sentimento de euforia e entusiasmo contagiou a mim, Ingra Liberato, Rosamaria Murtinho, Miguel Jorge, Rogério Santana e Alex Moletta naquela agradável noite goiana, ancoradouro privilegiado para nossa emoção, transformando em vibração entusiástica os pilares e preceitos nos quais se ergueu a Belair. A calorosa sensação de ter encontrado alguma coisa que parecíamos buscar há tempos, invadiu o espírito de todos, e nossa vontade era sair abraçando cada um, como dizia a inspirada letra de Chico : “Era uma canção, um só cordão, uma vontade, de tomar a mão de cada irmão pela cidade”… Sim, era como se, a partir das contundentes e belas imagens garimpadas por Bruno Safadi e Noa Bressane, tudo começasse a criar sua própria lógica e os sentidos eregiam conexões absolutamente inovadoras, criando sensorialidade onde antes havia interrogação e tédio. Uma incisiva sintonia aflorou e o rosto de cada um estampava fulgores até então impensáveis.

Capital goiana foi a concha envolvente que abrigou o RESTA UM

Assim, foi-se desenhando com mais clareza a idéia inicial de fazer um registro imagético do inesperado encontro em Goiânia, cidade aprazível demais para deixarmos perder-se nos desvãos do andamento voraz do cotidiano, próprio da modernidade líquida onde estamos imersos(tão bem definida pelo sábio sociólogo Zigmunt Balman).

Miguel Jorge, Ingra l.iberato, Alex Moletta, Aurora, Rogério Santana, Rosamaria Murtinho e Débora Torres: cada um, a seu modo, contribuindo pro RESTA UM

Qual deveria ser o próximo passo então ? Como alinhavar os elos das intersecções que fomos amealhando ao longo daqueles dias, arejados de imagens e plenos do oxigênio das afinidades que se impõem pela naturalidade de ideais siameses ? Como traduzir pelo gesto da palavra e a alquimia do olhar análogo aquela luminosidade que nos arrebatava e intrometia-se em nossas conversas, todas as horas, noite adentro ? Como significar a eloqüência do instantâneo entrosamento em Goiânia e o contato absolutamente conversor expresso no encontro com a Belair ? A Belair de Júlio Bressane, Rogério Sganzerla e Helena Ignêz…

Cineasta Júlio Bressane, inspirador do clima nas gravações do Resta Um

As idéias então foram tomando assento: no restaurante do hotel, na van que nos conduzia ao cinema, nas cadeiras da sala de exibição, nas trocas de assunto a palpitar quando, a maioria de nós, assumia a função de jurados.

Então Samuel Reginatto, imagem da alegria numa única noite de cinema e festa, se juntou a Júlio Léllis, cineasta amante da Literatura e da sensatez; e se somou à disponibilidade integral de Ingra Liberato, ganhando a benfazeja cumplicidade de Rosamaria Murtinho; e conquistou Miguel Jorge, sábio escritor que de imediato aderiu à nossa idéia de fazermos um filme; e chegou até a Alex Moletta, ator e roteirista a nos encher de ânimo e verdade; e encontrou guarita em Débora Torres, chegando até Rogério Santana, e extrapolando fronteiras para ganhar Sílvio Tendler, Henrique Dantas e o próprio Bruno Safadi. 

Assim, em apenas cinco dias de absoluta imersão no universo da Sétima Arte, do qual Goiânia é âncora todos os novembros, foi gestado o Resta Um, curta-metragem agora ofertado para o olhar, a mente e o coração de quem estiver na platéia ou com este texto em mãos.

Resta Um é um curta digital, colorido, tem 19’25”, roteiro e direção de Aurora Miranda Leão. Ingra Liberato é a presença mais constante, embora não possamos dizê-la “personagem principal” ou protagonista. Isso não existe nos filmes Belair. Lá como cá, os atores não representam mas valem pelo que representam, como nos diz Antônio Medina Rodrigues, e aí a cabeça do espectador tem todo o controle e pode optar por entender o que quiser. O que pra uns pode estar explícito, para outros pode ser apenas um jogo do roteiro ou uma insinuação da direção.  

A imagem icástica de Ingra Liberato a ilustrar o cartaz, bem como o material de divulgação do filme, mostra o indicador da atriz apontando… como a indicar que Resta Um

O que resta encontrar então neste novo filme que Aurora Miranda Leão ora nos oferece ? 

O que resta pode ser você, espectador, que não participou das filmagens e não conviveu com o grupo formado em Goiânia. Resta você que entende a intenção da obra ou resta você que vai sair do cinema perguntando sobre o que é mesmo que viu e qual o sentido deste filme. 

Resta Um filme a ser feito, um fotograma a ser exibido. 

Resta Um desejo de falar da vida e contar da alegria através do cinema. Resta Um desejo de contagiar e fazer coro ao convite de Sílvio Tendler para tentar fazer mais gente entrar nesta canoa. 

Resta Um ator que não estava nas filmagens, um vinho que não foi tomado, e um beijo que não foi roubado. Resta você que se pergunta sobre o sentido deste filme, resta você que poderia ter dado um depoimento. Resta Um espectador que chegou atrasado e um diretor que não foi convidado.

Resta Um convite que não foi aceito e um amor que não se realizou. Resta Um filme que não foi feito e um roteiro inacabado, um caminho a ser seguido e um piano esquecido no canto da sala. 

Resta Um punhado de bons filmes a ver e belas músicas pra ouvir.

Resta Um violão que emudeceu e um canto de passarinhos que não se reproduziu.   

Resta Um carinho esquecido, um afago a ser lembrado e um afeto nunca recebido.

Resta Um filme a ser visto, um aplauso a ser ouvido e um som a ser imitado.

Resta Um enquadramento por fazer, um som e uma luz em sintonia.

Resta Um coração a ser tocado, um amor a ser encontrado.

Resta Um barco no oceano e um barco-olho rumo ao infinito.

Resta Um motivo a mais para se cultivar a ética, um passo a mais a ser dado, um gesto a menos a ser esquecido.

Resta Um belo quadro na parede, flores viçosas na varanda e um roteiro a ser escrito.

Resta Um canto triste a embalar a solidão e um tango sempre disposto a tocar.

Resta Um coro de pássaros a anunciar uma manhã na qual os jornais só estampem boas notícias e um amor de pai e mãe que nem a dor da ingratidão abafou.

Resta Um gol argentino a ser aplaudido, um drible de Messi a ser imitado e uma canção de Lupicínio ecoando na sala. 

Resta Um desvario a ser socorrido, um cotidiano de sonhos a percorrer o imaginário e um arrojo de Kubrick a ser lembrado. 

Resta Um quadro de Picasso a querer ver, um Renoir ainda intacto, um Rembrandt pra quem desconhece as nuances da cor e um bolero de Ravel acordando as madrugadas douradas. 

Resta Um caminho novo a buscar, uma ousadia nova a perseguir e um lixo amontoado na calçada que Vik Muniz precisa transformar. 

Resta Um samba em homenagem à nata da malandragem, um swingue de Gil e Mautner, um ator com a competência de Mauro Mendonça, um desejo de ouvir a contagiante gargalhada de Zéu Brito e mais algumas pérolas de Wisnik.

Resta Um canto feliz de andorinha a sonorizar a espera tão acalentada, e um movimento de Tchaikovsky tocando pra quem não tem medo da música clássica. 

Resta Um texto de Rubens Ewald Filho pra ler, um poema de Jorge Salomão que não nos sai da cabeça, um personagem para Fernando Eiras interpretar e um ator da grandeza de Emiliano pra gente ensinar aos que ainda vão chegar.

Resta Um brilho no olhar da criança esquecida nas madrugadas soturnas das grandes cidades, e um brilho de esperança no gesto de quem vivencia a solidariedade. 

Imagem de Aos Pés, premiado curta do cineasta gáucho Zeca Brito…

Resta Um take a mais de Zeca Ferreira, mais um documentário que Gui Castor está a concluir, uma nova inquietude imagética de André da Costa Pinto, e um novo mergulho nas invenções fílmicas de Zeca Brito.

Resta Um outro Benjamim de Gardenberg para Paulo José, um outro Suassuna para Nachtergaele, um texto com a concisão de Carlos Alberto Mattos, um novo documentário com a assinatura de João Moreira Salles e o precioso olhar de Coutinho.

Resta Um livro a ser lido e um grande autor a ser celebrado. 

Resta Um disco bonito na vitrola, um guardanapo com um poema que a noite revelou, um lenço para amparar lágrimas de amor. 

Resta um quadrilátero de paixão nas esquinas nas quais ela em vão aguardou um adeus. Resta Um um sinal de que a vida é o bem maior. 

Resta Um poeta que a noite teima em querer despertar e um silêncio revelador que o ouvido atento antevê. 

Resta Um desassossego da alma em desalinho pela paixão que arrebata e se intromete nas horas mais improváveis.

 

Resta Um violão dedilhando Bossa Nova e um bar em Ipanema rememorando Vininha.

Resta Um choro de flauta aguardando Pixinguinha e um verso ousado de Clarice, Coralina ou Adélia Prado.

Resta Um solo de Toquinho, uma marchinha do Lalá, um twiiter de Carpinejar e um olhar acurado de Caetano que a manhã precisa revelar. 

Resta Um minuto para que possamos afirmar a palavra necessária e um espanto ante à embriaguez do luar. 

Resta Um comovido apelo à Paz e uma busca incessante pela alquimia dos grandes amores. 

Resta Um olhar sempre atento à obra de Truffaut e à dramaturgia de Fassbinder, um interesse crescente pelo bandoneon de Piazzolla e um espanto ante à indiferença da sociedade do descartável. 

Resta Um motivo sempre novo para ver Fernanda representar e reler a grandeza necessária de Ibsen. 

Resta Um atrevido gosto pelos filmes incompreensíveis e um incontido apego aos lugares onde a emoção fez amigos e plantou saudades. 

Resta Um cantinho, um violão, um microfone para celebrar Mário Reis e um anseio de ouvir cantar como Francisco Alves. 

Resta Um filme de Bressane a ser visto e estudado e um olhar acurado sobre a cinematografia inspiradora da Belair. 

Resta Um dilacerante silêncio ante a brutalidade do desaparecimento de John Lennon e um inexplicável mal-estar ante as ingerências nefastas da política no cotidiano. 

Resta Um infinito e revolucionário desejo de se perpetuar nos fotogramas que hoje são pixels nas alquimias da edição digital, tão rápida e eficiente que nos faz brincar com as horas e achar graça da facilidade de criar temporalidades diversas, fazer andar pra frente e retroceder nos ponteiros de nossa imersão cotidiana. 

Resta Um constante e permanente desejo de continuar abraçando o cinema brasileiro e um desejo intermitente de ouvir o som paralâmico da guitarra de Herbert Vianna

Resta Um olhar para A Última Palavra, aquela que nos tirará do dilema profundo que parece nos atar ao nada existencial. 

Resta Um indormido desejo de expressar-se e traduzir em imagens o que vai n’alma e no pensamento. 

Resta Um permanecente intuito de reaprender a amar pra não morrer de amar mais do que pude. 

Resta, sobretudo, essa vontade enorme de acertar e prosseguir fazendo cinema e apostando em coisas nas quais acreditamos, sejam elas concludentes ou não. 

Resta ademais um desejo de falar de vida, o aconchego do abraço amigo nas noites eternas, e a ânsia de chegar a um tempo onde a ingratidão morra de sede, a indiferença naufrague de tédio, a injustiça definhe por inanição e a estupidez se envergonhe de existir… 

Porque, enfim, Resta Um desejo de amar e ser amado

Amar sem mentir nem sofrer

Desejo de amar sem mais adeus…

Até, quem sabe,

Resta Um desejo de morrer de amar mais do que pude. 

Enfim, Resta Um anseio de que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado. 

* O título deste artigo e as palavras finais nos foram inspirados por textos do cronista Artur da Távola, bem como as citações óbvias aos versos do saudoso poeta Vinícius de Moraes

Bigode Vai Colocar CASA 9 na Tela

Compositor JARDS MACALÉ é um dos que dará depoimento sobre a CASA 9 
 
Luiz Carlos Lacerda, incansável, trabalha em novo filme, que terá depoimento de seu grande amigo, cineasta Nélson Pereira dos Santos
 
Poeta JORGE SALOMÃO feliz da vida com participação no novo filme de Bigode
 
 * Transcrito da coluna de Joaquim Ferreira dos Santos, do Globo…