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Espantando a saudade de São Luís

 
Cineasta goiana Mariley Carneiro, o prefeito de São Luís,  João Castelo, e a produtora Estela Piccin, de Sampa, curtindo o arraiá da praça Maria Aragão nos concorridos festejos juninos da capital maranhense…

 
A jornalista Aurora Miranda Leão, redatora deste Blog, entre seus dois queridíssimos amigos: poeta Jorge Salomão e agitador cultural Euclides Moreira Neto, presidente da Fundação de Cultura de São Luís (FUNC).

São Luís é sempre uma grande festa… Viva São Luís e Salve o Boi do Maranhão !

GUARNICÊ de CINEMA

 

 A 33a edição do Festival GUARNICÊ de Cinema aconteceu num clima de muio bate-papo, troca de informações, debate de idéias, alegria, camaradagem e muitas festas, como sói acontecer na terra da Tiquira, do Guaraná JESUS, do buriti, do Tambor de Crioula, do Cacuriá, do arroz de cuxá e do Bumba-meu-Boi…

É lá, na adorável capital maranhense, onde acontece anualmente, em junho, o Festival GUARNICÊ de Cinema, promovido pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), um dos mais antigos do país e, sem dúvida, O MAIS FESTEIRO do BRASIL !

O Festival foi aberto na noite de terça, 22, no Centro de Convenções de São Luís, no bairro Cohafuma, inaugurando uma nova etapa do evento cinematográfico. Tendo o professor e músico Alberto Dantas como coordenador-geral, o festival contou com diversas mostras competitivas (realizadas também em outros cenários, como o Centro Cultural Odylo Costa Filho e o Domingos Vieira Filho, ambos no Centro Histórico de São Luís), oficinas, palestras, seminários e debates.

Cena de O Homem Mau Dorme Bem, filme de Geraldo Moraes, produzido por Mallu Moraes

Na noite de abertura, foi exibido o longa O Homem Mau Dorme Bem, do cineasta Geraldo Moraes (DF), e a produtora do filme (atriz Mallu Moraes) lá estava, acompanhada dos atores Simone Illiescu e Alex Ferro.

Mallu Moraes também foi uma das ministrantes de oficinas (Interpretação para Cinema), ao lado do compositor Beto Strada (Engenharia de Som) e Anderson Carvalho (Desenho Sonoro e edição de som). A atriz Françoise Forton fez palestra sobre Interpretação para Cinema e TV.

As homenagens deste ano foram para Regina Luna e Fátima Frota, ex-funcionárias da UFMA e servidoras da Fundação Sousândrade (que apóia a realização do festival), e pro produtor/consultor de projetos, Antônio Leal (idealizador do recém-criado CineFOOT).

Da área jornalística, cobrindo o festival, estavam Bernadete Duarte (a “pimentinha” do Canal Brasil), Carolina Bressane e Celso Sabadin (ambos de Sampa, editores do Planeta Tela). Nas comissões julgadoras, Amanda Mansur, Beto Strada, Jorge Salomão e João Paulo Furtado, para citar apenas alguns.

O GUARNICÊ foi encerrado na noite de 26 de junho com a exibição do longa-metragem “As Melhores Coisas do Mundo”, dirigido por Lais Bodanski.

Confira abaixo alguns takes da saudosa 33a edição do Festival GUARNICÊ de Cinema…

 

Andreson Carvalho, Simone Illiescu e Aurora Miranda Leão curtindo histórias de alegrias durante o 33o Festival GUARNICÊ de Cinema

 

Partilhando da alegria dos festejos juninos de São Luís, no incrementado arráiá da praça Maria Aragão

  

Produtora Amanda Mansur, compositor Beto Strada, realizador Andreson Carvalho e jornalista Aurora Miranda Leão já quase deixando São Luís… Até 2011 !

Vencedores do GUARNICÊ

A simpática jornalista goiana Mariley Carneiro foi a grande vencedora da 33a edição do Festival GUARNICÊ de Cinema com seu inspirado vídeo  O OLHAR DE JOÃO…

Ela e João (o fotógrafo goiano João Caetano) estiveram em São Luís durante os cinco dias de GUARNICÊ e saíram de lá encantados com as maravilhas maranhenses…

Nas comissões julgadoras, Jorge Salomão (prestigiado Poeta baiano), Amanda Mansur (estudiosa do cinema pernambucano), João Paulo Furtado (ABD maranhense) e Beto Strada (compositor de trilhas e professor de cinema).

Num próximo post, mais notícias do Guarnicê e fotos…

CATEGORIA VÍDEO – JÚRI OFICIAL

Melhor Direção: Mariley Carneiro pelo vídeo OLHAR DE JOÃO (GO)Melhor Roteiro: Marcley de Aquino e Duarte Dias pelo vídeo CÉU LIMPO (CE)
Melhor Fotografia: Bruno Polidoro pelo vídeo ENCICLOPÉDIA (RS)
Melhor Edição: Leandro Godinho pelo vídeo DARLUZ (SP)
Melhor Trilha Sonora Original: Marcos Rivero pelo vídeo A PEDRA QUE O ESTILINGUE LANÇA(ES)
Melhor Trilha Sonora Adaptada: Para o vídeo LIGHT MY FIRE (RJ)
Melhor Direção de Arte: Luiz Roque pelo vídeo TRATADO DE LILIGRAFIA (RS)
Melhor Ator: Eduardo Sandagorda pelo vídeo ENCICLOPÉDIA (RS)
Melhor Atriz: Mawusi Tulani pelo vídeo DARLUZ(SP)
Melhor Documentário: TEREZA – COR NA PRIMEIRA PESSOA, de Amaro Filho e Marcílio Brandão (PE)
Melhor Ficção: PENSÃO DOS CARANGUEJOS, de Marcelo Presotto (SP)
Melhor Animação: LIBERTAS, de Jackson Abacatu (MG)
Melhor Vídeo Maranhense: NA COSTA DA MINHA MÃO, de Amdréa Barros
Melhor Vídeo Nacional: OLHAR DE JOÃO, de Mariley Carneiro (GO).
Menção Honrosa, pela experimentação estética, para: RUIDOS DO TEMPO, de André Garros e Gabriel Carvalho (MA)
Prêmio BNB de Cinema: Melhor Vídeo Nacional: OLHAR DE JOÃO, de Mariley Carneiro (GO)
Prêmio Cinematográfico Assembléia Legislativa do Maranhão:
Prêmio Bernardo Almeida: NA COSTA DA MINHA MÃO, de Andréa Barros (MA)
Prêmio Mauro Bezerra: NA COSTA DA MINHA MÃO, de Andréa Barros
Prêmio Estúdios Mega Rio De Janeiro: NA COSTA DA MINHA MÃO, de Andréa Barros (MA)

CATEGORIA VÍDEO – JÚRI POPULAR

Melhor Vídeo Nacional: TRATADO DE LILIGRAFIA, de Frederico Pinto (RS)
Melhor Vídeo Maranhense: MAR DE ROSAS, de Rwanyto Oscar

CATEGORIA FILME – JÚRI OFICIAL

Melhor Roteiro: Jimi Figueiredo, pelo filme VERDADEIRO OU FALSO (DF)
Melhor Direção: Gilberto Scarpa pelo O FILME MAIS VIOLENTO DO MUNDO(MG)
Melhor Fotografia: Beto Martins por AVE MARIA OU MÃE DOS
SERTANEJOS (PE)
Melhor Montagem: Caio Zatti por AVE MARIA OU MÃE DOS SERTANEJOS (PE)
Melhor Trilha Sonora Original: Marcio Brant pelo filme REVERTERE AD LOCUM TUUM (MG)
Melhor Trilha Sonora Adaptada: BAILÃO, de Marcelo Caetano (SP)
Melhor Direção de Arte: Ricardo Movits pelo filme EVRDADEIRO OU FALSO (DF)
Melhor Ator: Auro Juriciê pelo filme VELA AO CRUCIFICADO (MA)
Melhor Atriz: Elza Gonçalves pelo filme VELA AO CRUCIFICADO (MA)
Melhor Documentário: AVE MARIA OU MÃE DOS SERTANEJOS, de Camilo Cavalcante(PE)
Melhor Ficção: VERDADEIRO OU FALSO, de Jimi Figueiredo (DF)
Melhor Animação: A ESPERANÇA É A ÚLTIMA QUE MORDE, de Nill Armstrong (CE)
Melhor Filme: AVE MARIA OU MÃE DOS SERTANEJOS, de Camilo Cavalcante (PE)
Prêmio BNB de Cinema: AVE MARIA OU MÃE DOS SERTANEJOS, de Camilo Cavalcante (PE)
Prêmio Megacolor: AVE MARIA OU MÃE DOS SERTANEJOS, de Camilo Cavalcante (PE)
Prêmio Kodak: VELA AO CRUCIFICADO, de Frederico Machado (MA)

CATEGORIA FILME – JÚRI POPULAR

Melhor Filme: VELA AO CRUCIFICADO, de Frederico Machado (MA)

GUARNICÊ Começa TERÇA

A foto que anuncia o Blog é nossa Homenagem à calorosa festa do Bumba meu Boi do Maranhão, que esta semana vai estar a todo vapor na capital maranhense…

… onde na terça terá o Centro de Convenções acolhendo a 33a edição do Festival GUARNICÊ de CINEMA, o mais festeiro do Brasil !

A convite do professor Alberto Dantas, coordenador do festival, e do Departamento de Arte e Cultura da UFMA – promotora do evento – estamos afivelando as malas para curtir mais uma edição do Guarnicê, que vai do dia 22 ao dia 26.

A caminho de São Luís também o querido amigo e poeta Jorge Salomão e a incansável e doce Bernadete Duarte. Viva !

 

Bernadete, Jorge Salomão e Aurora: trio União pelo Cinema

 

A beleza e a energia contagiante das festas populares maranhenses… onde o São João é muito MAIS !

Ecos do Encontro Literário de Natal

Agitadora cultural VIVI CULTURA, poeta JORGE SALOMÃO e poeta potiguar JOÃO BATISTA de MORAIS NETO durante o I ENCONTRO DE ESCRITORES DA LINGUA PORTUGUESA em NATAL ( RGN ). 

O encontro ferveu com debates colocando em pauta literatura , internet, lusofonia etc…. Quem também participou foram os escritores  JOÃO UBALDO RIBEIRO e AGUALUSA…

JORGE SALOMÃO em ENTREVISTA EXCLUSIVA

O poeta e agitador cultural Jorge Salomão, figura emblemática da cena cultural carioca há pelo menos duas décadas, é o entrevistado do programa Conversando com Arte deste domingo, 11 de abril.


 
Baiano de Jequié, acostumado tanto aos bastidores da produção quanto às luzes do palco, Salomão foi testemunha ocular de um movimento que influenciou decisivamente a cultura brasileira na segunda metade do século 20: o Tropicalismo.
 
Ele e seu irmão, Waly Salomão, transitaram fortemente pelos caminhos do movimento que até hoje influencia gerações e gerações de músicos, poetas e artistas brasileiros.
 
No programa deste domingo, em entrevista concedida a jornalista Aurora Miranda Leão no Rio de Janeiro, Jorge Salomão fala com a eloqüência que lhe é peculiar e trafega com competência pelo Audiovisual, Música, Poesia, Artes Plásticas, Moda e mais, com espaço também para seu recente CD – CRU Tecnológico – onde seus  textos estão acompanhados de arrojado tratamento musical.
 
“Quando era pequeno, eu, Waly e minhas irmãs, brincávamos sempre de teatro em nossa casa. Tivemos uma infância rica. Era a época da Rádio Nacional, com cantoras como Marlene, Linda e Dircinha Baptista. Em Jequié, também existiam três cinemas e neles nós assistimos a todos os filmes da chanchada, depois o neorealismo italiano…  No curso clássico, em Salvador, descobrimos Jean Paul Sartre e passamos a ler Marx. Éramos conhecidos como os ‘vermelhos’ pelos outros alunos…  Na juventude, eu li todo o romance nordestino, descobri a obra de Rachel de Queiroz… Essa história de ficar tudo no centro Rio/São Paulo é muito boba. Vivemos num país grande, maravilhoso. É preciso fazer dele um campo de possibilidades. Para isso, estão aí os artistas, os pensadores: eles devem abrir caminhos, derrubar estruturas…
 
“O fato de eu ser nacionalmente conhecido não me coloca numa poltrona, separado de tudo. No Brasil, você sempre deve ficar lutando para não desistir. Então, eu tonifico e quero tonificar, de algum jeito, o pensamento. A gente precisa mudar a cabeça das pessoas. Eu? Já fiz a revolução na minha cabeça. Não me enquadro nesses esquemas de ser maldito, marginal, o escambau”.
 
 Com idéias assim, polêmicas, antenadas com o agora e sempre olhando em direção à não estagnação da criatividade, Jorge Salomão está em entrevista imperdível no próximo CONVERSANDO COM ARTE da Universitária FM, domingo, das 15 às 16h.
 

 
O poeta JORGE SALOMÃO entre as jornalistas  Bernadete Duarte e Aurora Miranda Leão durante o II Curta Lençóis, realizado em novembro passado em Barreirinhas (MA).

O programa, patrocinado pela Banco do Nordeste do Brasil e levado ao ar pela Universitária FM de Fortaleza, é uma produção de Calé Alencar, e pode ser acompanhado pelos endereços www.auroradecinema.com.br e www.radiouniversitariafm.com.br 

POEMÚSICA

 

A poesia concreta se materializou em sua expressão mais onírica  na noite chuvosa de anteontem, no Instituto Moreira Salles, com o genial POEMÚSICA, espetáculo multimídia que reunia Augusto de Campos e seus versos imagéticos, Cid Campos, filho de Augusto e responsável por recriá-los em som, e a voz e delicadeza de Adriana Calcanhotto. Foi uma ode a Augusto, que mostrou fôlego de garoto, apesar de seus quase 80 anos, em uma hora e meia de recital, no qual intercalava seus versos, inspirações, referências e causos dos mais de 50 anos dedicado ao brincar com palavras e imagens.

“Obrigado a todos que tiveram a paciência e a audácia de estarem aqui nesse encontro indefinível e inclassificável”, disse o paulistano Augusto, presença rara em terras cariocas. A música permeava todo o espetáculo, tendo Adriana funcionando quase como um alterego de Augusto, pois a gaúcha-intelectual já gravou alguns poemas do concretista tanto em sua carreira como Calcanhotto quanto em sua versão infantil, Partimpim.

Poeta JORGE SALOMÃO traduz emoção do POEMÚSICA 

A platéia reunia Antônio Cícero, Giulia Gam, Jorge Salomão, Chacal e Susana de Moraes, entre outros. “O que vivemos com o trio Augusto/Cid/Adriana foi uma noite extraordinária. E cito Heiddeger: ‘o extraordinário é a morada da poesia’”, disse Jorge Salomão.

Já Danielle Jensen, que sempre veste Adriana em seus shows, saiu quase sem palavras pós-Poemúsica: “Vivi um prazer desconhecido. Um soco no estômago”.Talvez não um soco, mas uma boa sacudida, com certeza, todos que estavam no Moreira Salles levaram. Pois não dá para sair incólume depois tanta genialidade aliada a citações de Kilkerry, Lewis Carrol, Emily Dickinson e o trio cantando-recitando, em provençal e português o L’olors d’enoi gandres, escrito pelo trovador Arnaut Daniel, no século 12.

* Texto de Heloísa Tolipan

EU TAMBÉM SOU CARIOCA

Minha carioquice tem raízes profundas e intensas… 

Porque os melhores dias de minha infância passei nas terras de Vinícius, ao lado de meus pais, meu três manos queridos e minha amiga de todas as horas, a fantástica Niete. Lá, entre as sombras frondosas da pacata General Glicério, eu e meus manos vivemos o auge das primeiras brincadeiras com os primos; descobrimos como era andar de elevador e morar em apartamento, coisa rara pra quem nascera em casa ampla de muitos quartos e pés de sirigüela, goiaba e coqueiro no quintal; e tivemos a companhia sempre agradável dos tios que nos levavam para conhecer os lugares mais bacanas da cidade de que mamãe sempre nos contava, de encantos mil, qual Pão de Açúcar, Corcovado, Quinta da Boa Vista, Vista Chinesa, sem faltar nossa ida aos antigos estúdios da Rede Tupi e TV Globo para acompanhar de perto a gravação de programas de auditório (embora a idade não me permitisse entrar em nenhum deles) e chegar mais perto dos artistas.

Porque o Rio me trouxe a família, uma família onde não faltavam primos e tios de todas as idades, um Natal sempre de mesa farta e os réveillons mais charmosos dos meus olhos;

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Porque adoro tomar chá matte gelado, a qualquer hora do dia ou da noite, de preferência acompanhado de biscoito Globo. Porque minha graça sintoniza com a irreverência do humor inteligente de Mauro Rasi, Miguel Paiva, Tim Rescala, Pedro Cardoso e a turma dos Cassetas; e porque no Rio sempre encontro apaixonados cidadãos cariocas, como o baianísimo Jorge Salomão, o paulista Matheus Nachtergaele e a paraense Rosamaria Murtinho de todos os palcos.
                            

Porque conhecer o Rio foi como penetrar numa canção cheia de Bossa e Nova graça, conjunção que até hoje nos enleva a alma e faz lembrar o barquinho vai, a tardinha cai; ou do carioquíssimo hino ao Tom – rua Nascimento e Silva, 107, você ensinando pra Elizeth as canções de Canção do Amor Demais

… e porque tenho ademais a sorte e a alegria de ter amigos tão cariocas como Bernadete Duarte, Alice (Cinédia) Gonzaga, Maria Letícia, Luiz Carlos Lacerda, Denise Del Cueto, Valério Fonseca, Allan Ribeiro, Lea Garcia e Carminha Araújo …
                 
Porque o Rio, que não é só de janeiro mas de todos os meses onde a sintonia com a alegria seja mais mais forte, é a cidade onde me sinto mais à vontade, quase pé-no-chão no quintal de casa; cidade que me apresentou Lamartine Babo e suas deliciosas marchinhas do carnaval de todos os tempos… e os mais lindos hinos de futebol do mundo, mesmo sendo eu botafoguense – como Vinícius e João Moreira Salles -, e não Flamengo como o carioquíssimo paraibano Herbert Vianna.

Porque o Rio me trouxe Vinícius de Moraes e Vininha me trouxe a Ipanema, de toda garota, e do cronista Artur da Távola, que com sua maneira sincera, inteligente e refinada de ser carioca me fez ainda mais cativa da Cidade Maravilhosa;
                                                    

Porque adoro ir pra praia e cair na água e quando estou no Rio me sinto personagem de um cartão postal do qual posso dispor a toda hora, em qualquer clima, com todos os matizes que a brejeirice carioca torna moda pro mundo quando assume as passarelas de nosso olhar embriagado por tanta beleza;

Porque ser carioca não é questão de batistério- nome por demais formal pra rimar com quem nasce abençoado pela imagem cravada no Corcovado. Ser carioca é questão de pulsação, não exige nacionalidade, bairrismo nem formalidade. Ser carioca é caminhar como quem anda de mãos dadas com o ar e encontrar, a cada esquina ou beira-mar, mais um motivo para afirmar: “É melhor ser alegre que ser triste, a alegria é a melhor coisa que existe, é assim como a luz no coração…”

 Saravá, Vininha !
                      

Sou carioca porque não me canso de olhar  a Lagoa Rodrigo de Freitas nem consigo parar de me embevecer cada vez que trafego no sentido São Conrado-Flamengo, num adorável pris-du-vie pela fascinante orla carioca;

          

Sou carioca porque me encanto a cada vez que olho a Ilha Fiscal ou lembro da beleza das ilhas Cagarras e não deixo de passar pela feira da Praça XV e a Feira Hippie de Ipanema, de onde é quase impensável sair sem carregar muitas sacolas. Penso, ademais que quem vai ao Rio e não fica completamente estarrecido ante tamanha disponibilidade do Criador com a criação de lugar tão belo e magiar, deve mesmo ter nascido sem samba no pé e nem bom sujeito é.

Sou carioca porque sou Santa Tereza e seu bondinho tornando os Arcos da Lapa paisagem art-noveau; porque sou Catete, Glória, Laranjeiras, Botafogo, Flamengo e todos os bairros que me fazem a infância bater mais fundo e apressam o compasso do meu coração;

 

 
Em passeio feliz pelo centro da capital carioca, esta jornalista (outubro de 2008)…

Sou carioca porque é tão fácil embarcar na poesia encravada da Cinelândia do Odeon, do Amarelinho e do imponente Teatro Municipal e porque adoro baixar no Largo da Carioca, onde o verão do Rio é mais forte que no mar, e não saio de lá sem dar uma passada na praça Tiradentes – pra conferir o lugar onde morou a maestrina Chiquinha Gonzaga e onde estão abrigados dois teatros históricos, o Carlos Gomes e o João Caetano, defronte ao belo prédio do Real Gabinete Português de Leitura. E, claro, no entorno da Carioca, apressar o passo e dar uma passadinha no Saara pra deixar cair umas moedinhas pelo comércio popular mais serelepe do país, depois afastar o cansaço e o calor com uma passadinha no tradicional Bar Luís, onde meu pai aprendeu a sorver chopp com meu querido avô Miranda e minha frenética vó Virgínia, nosso adorados e saudosos Juju e Noquinha.

Sou carioca porque o Rio recupera todas as minhas energias: basta olhar a marina da Glória, a Vermelha praia da Urca, ou a linda enseada de Botafogo – vontade de ficar lá pra sempre.


                                
Sou carioca porque o Rio parece uma cidade sempre pronta a desfraldar uma festa, por qualquer motivo banal, desde que a descontração, a graça e o intuito de fazer alguém feliz esteja em evidência.

Sou carioca sobretudo porque no Rio me sinto uma brasileira do mundo, alma cosmopolita, recheada de dons artísticos, plena de paixão e efervescente de energia pra fazer tocar e dançar todos os ritmos numa só voz, como em uníssono a saudar:

 

Cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil

Cidade Maravilhosa, coração do meu Brasil !

Enfim, SOU CARIOCA PORQUE QUERO !