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E por falar em quarentena, que tal rever “Amores Roubados” ?

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Minissérie de 2014 é trunfo da teleficção

*Aurora Miranda Leão

A começar pela expressividade do layout do título e pela impactante abertura, AMORES ROUBADOS é produção singular da nossa Teledramaturgia. Sou das que acompanharam a exibição na grade da programação da TV Globo em 2014 e recomendo que a assistam.

Quem me acompanha ao longo de minha caminhada como jornalista e pesquisadora de teleficção seriada, sabe o quanto aprecio a narrativa ficcional televisiva. Quando as obras são boas – como esta AMORES ROUBADOS -, aí mesmo é que faço questão de dizer que vejo e vejo com prazer ! Porque amo Dramaturgia – seja no Teatro, no Cinema ou na TV. Assumimos desde sempre que o bom é viajar por outras histórias, inventadas por outras cabeças, recheadas de outras fantasias, que não as nossas. Afinal, como diz o poeta gaúcho Carpinejar, nem a nossa história deixa de ser fantasiada por nós mesmos.

O roteiro de Amores roubados é de George Moura, pernambucano que também assina a autoria de “Onde nascem os fortes” (supersérie exibida em 2018), a partir de obra de Joaquim Maria Carneiro Vilela – advogado, ilustrador, pintor paisagista, cenógrafo, juiz, bibliotecário, secretário de Governo, fabricante de gaiolas, e escritor -, escrita entre 1909 e 1912, e merecedora de várias adaptações para o teatro e o cinema. Mas, por certo, o fato de ter obra sua exibida na programação da emissora líder de audiência no país, fará com que o nome do escritor seja definitivamente inscrito entre os grandes de nossa Literatura. Com o título original de “A emparedada da rua Nova”, Carneiro Vilela dizia que a história viera de um relato ouvido de uma escrava. Até hoje, não se sabe ao certo o que foi ficcionado pelo autor e o que realmente aconteceu.

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Cauã Reymond é Leandro, um típico “don juan” contemporâneo do sertão…

Resultado de imagem para amores roubados jesuita

Minissérie marca estreia de Jesuíta Barbosa na telinha: ele faz Fortunato, grande amigo de Leandro (Cauã Reymond).

Mas só em ter valido esta primorosa minissérie, já ganhou – e muito – a história de nossa Teledramaturgia, enriquecida pelas interpretações poderosas de Murilo Benício – um ator que consegue passar todo o sensório de seus personagens só com o olhar -, Irandhir Santos, Cauã Reymond, Isis Valverde, Patricia Pillar (soberba em sua angústia lancinante e silenciosa), Cássia Kiss, Osmar Prado, Dira Paes, César Ferrario, Jesuíta Barbosa, Magdale Alves e Thierry Tremouroux.

PRINCIPAIS DESTAQUES: 

– Direção precisa de José Luiz Villamarim, direção de arte, e fotografia de Walter Carvalho;

– O set, os enquadramentos e a atuação de Osmar Prado e Cássia Kiss na cena do acerto de contas;

– A frieza e vilania intrínseca do personagem Jayme, rapidamente tratando de se ‘descartar’ da conversa ‘incômoda’ do sogro Antônio;

– A luz da cena entre Jaime e o delegado (Walter Breda), num lindíssimo enquadramento em silhueta;

– A conversa entre Jaime e Cavalcante – Murilo Benício de costas, passando toda a emoção somente com a voz – genial !

– A comovente e quase pueril fala de Antônia, encharcada de emoção no velório do avô – ISIS VALVERDE divinal, uma nordestina com naturalidade, beleza singular e profunda empatia, levando o telespectador às lágrimas;

– O encontro de Antônia e Fortunato na beira do rio São Francisco…

* A inserção da bela Jura Secreta, música de Sueli Costa e Abel Silva, cantada de forma singular por um contagiante Raimundo Fagner;

* A qualidade das atuações de Irandhir Santos e César Ferrario numa pujança de força magistral entre dois talentos nordestinos;

* A tocante cena entre Cássia Kiss e Jesuíta Barbosa marcando mais pontos na atuação poderosa do elenco e ressaltando uma direção de arte poderosa a favorecer o contraste entre o vermelho ‘revelador’ da personagem de Cássia, o floral do guarda-chuva e a aridez rochosa às margens do São Francisco;

* Patrícia Pillar e Murilo Benício – contracena de Gigantes !

* Lindíssimos momentos de Isis Valverde, quer seja na fotografia magistral de Walter Carvalho, bem como da atuação emocionada e emocionante da atriz;

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* A sintonia precisa entre Isis e Benício em momentos de revelações perturbadoras;

* O quadro poderoso do grande campo de arames farpados como desfecho para o fim do grande vilão, o temido e maligno Jaime, quando a cena ganhou primorosos ares de réquiem;

* O belíssimo final à beira do rio reunindo 3 gerações – filha, neto e avó, preconizando possíveis (?) novos tempos de calmaria na vida conturbada, triste e sombria da família de Jaime – Isis e Patrícia em belos movimentos de interação mãe-filha X atriz tarimbada-atriz em ascensão !

Resultado de imagem para amores roubados cenas finais Patrícia Dira e Isis

Cena final une Isis Valverde e Patrícia Pillar.

De somenos: o não fechamento do destino de João (Irandhir Santos) – personagem e ator mereciam ter sua história amarrada junto ao público; e o do personagem Oscar (Thierry Tremouroux), professor de música da Orquestra Sanfônica, projeto idealizado por Isabel (Patrícia Pillar), ‘exilado’ da cidade a mando de Jaime, e tendo que se passar por Leandro…

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O diretor José Luiz Villamarim dirige Dira Paes e Cauã Reymond…

Amores Roubados é um produto de excelência, que ganhou (como apontamos em artigo de 2014) muitos prêmios: direção, fotografia, ritmo, direção de arte, edição, trilha e atuações magníficas num roteiro de suspense, rico em diálogos bem elaborados e coerentes com o cerne da história. DEZ é ainda pouco para AMORES ROUBADOS ! E é um orgulho para quem, como eu, fica feliz em poder aplaudir a grandiosidade dos nossos artistas e a qualidade a que chegaram os técnicos brasileiros ! Que Teledramaturgia de alto nÍvel faz o Brasil !

As casas dos moradores do distrito estão sendo usadas nas gravações. Um carrossel foi colocado perto da igreja do distrito, que foi expandida para as cenas. Os próprios moradores estão atuando como figurantes em 'Amores Roubados'

O interior do Nordeste brasileiro, fonte perene para a ficção teleaudiovisual.

*Você pode conferir a minissérie inteira acessando o Globo Play. A plataforma pode ser acessada de graça nestes tempos de pandemia.

Eu sou Cinema, Eu sou TV: A Aventura Cinematográfica do FECIM

O FECIM – Festival de TV e Cinema Independente de Muqui (ES) – www.fecim.com.br – está em busca de fotógrafos, profissionais ou amadores, interessados na cobertura das gravações do clipe de lançamento/abertura e na sessão de fotos, a ser realizada nas ruas da cidade com personagens comuns da região, no intuito de ilustrar a identidade visual da próxima edição do Festival. A ação acontecerá nos dias 6 e 7 de abril (sábado e domingo).

Tendo como tema “Eu sou Cinema, eu sou TV– Você na tela! Uma aventura cinematográfica no interior do Espírito Santo”, o Festival coloca como pano de fundo o sítio histórico de Muqui e as histórias de personagens inusitados da pequena cidade, conferindo valor à memória da população e ao interesse, cada vez mais latente, de representação-identificação na TV ou no cinema. Com esta abordagem, o FECIM busca discutir o gênero documentário, invadindo os campos do jornalismo, dos programas do reality-show e, inclusive, as relações em redes sociais, onde personagens comuns da “vida real” buscam e criam sua identidade “virtual”.

A bela Duda Teixeira, estrela das peças publicitárias da primeira edição do FECIM…

O 2º FECIM quer invadir o campo da imaginação e o sentimento de pertencimento, refletindo sobre a representação do sujeito, os personagens do interior e os paralelos entre realidade e ficção. O festival deseja abrir as cortinas do palco para o público, que se vê na tela e se reconhece enquanto parte do todo.

REGULAMENTO

1.0  DO EVENTO/AÇÃO PROPOSTA

1.1  FECIM

O FECIM (Festival de TV e Cinema Independente de Muqui) – www.fecim.com.br é uma ação cultural realizada pelo coletivo de jovens realizadores do município de Muqui com o objetivo de expandir o diálogo cinematográfico capixaba, promovendo a discussão, o fomento, a valorização e a exibição de obras audiovisuais de artistas e núcleos independentes do Estado do Espírito Santo e do Brasil. O objetivo central do projeto é criar um mecanismo potencializador na área cinematográfica, possibilitando um intercâmbio de ideias e de fusão cultural, fazendo do Sítio Histórico de Muqui o cenário de um novo pólo de referência na área.

1.2  DA AÇÃO PROPOSTA

O FECIM propõe uma ação de sessão de fotos nas ruas de Muqui, onde serão captadas imagens de pessoas comuns da cidade, interessadas em serem fotografadas e darem seu depoimento acerca da TV e do Cinema. Os vídeos e as fotos resultantes ilustrarão o material da identidade visual da 2ª Edição do FECIM.

1.3  DATAS

O FECIM 2013, se realizará entre os dias 5 e 8 de setembro.

A ação de fotos e gravação se realizará entre os dias 6 e 7 de Abril

2.0  FORMAS DE PARTICIPAÇÃO

Para participar da sessão de fotos/making-of das gravações, o fotógrafo (profissional ou não) deve enviar um e-mail para contato.fecim@gmail.com, fazendo constar no título – FOTOGRAFIA FECIM 2013. No campo de mensagem, o interessado deve colocar seu nome completo, telefone, e-mail, perfil no facebook (opcional), cidade de origem, e demonstrar interesse em participar do projeto. O número de fotógrafos estará condicionado a uma quantidade específica estabelecida pela produção.

O e-mail deve ser enviado até dia 31 de março (domingo).

O inscrito receberá uma mensagem validando sua inscrição, com um Brefing temático da nova edição do Festival, bem como vídeos, fotos e textos de referência para a sessão de fotos. Também receberá o roteiro de gravação do clipe, acompanhado de informações como hora e local específico da sessão.

Ressaltamos: as gravações acontecerão dias 6 e 7 de abril (sábado e domingo) e  o festival não disporá de alimentação, transporte ou hospedagem ao grupo. Caso haja interesse, alguns dos interessados poderão recorrer aos Mobilizadores Locais do evento (pessoas da cidade), buscando alternativas de alojamento e hospedagem no município.

3.0  CONTRAPARTIDA

Como forma de contrapartida à participação do fotógrafo na ação, o Festival de Cinema de Muqui oferece:

·        Certificado de participação, fazendo constar o número de horas, bem como a relevância da participação no evento/ação.

·        Possibilidade de inclusão das fotos capturadas no material informativo do festival, fazendo constar o nome do fotógrafo na ficha técnica.

·        Possibilidade de contratação para cobertura do 2º FECIM, que será realizado do dia 5 ao dia 8 de setembro.

É importante salientar: a ação tem caráter voluntário e o FECIM ainda não dispõe de recursos orçamentários para pagamento de profissionais. De todo o modo, é grande o desejo de transformar cidades do interior do Espírito Santo em referenciais artísticos e culturais importantes para a afirmação/fortalecimento da identidade do Estado.

A primeira edição do FECIM, em 2012, trouxe para a cidade de Muqui importantes nomes do cinema capixaba e nacional, bem como produtores, diretores e autores de televisão, que reconheceram a importância sociocultural do evento.

Colocamo-nos à disposição para quaisquer esclarecimentos.

Muqui, ES, 27 de fevereiro de 2013

Léo Alves e Jussan Silva e Silva

Coordenação geral do FECIM

contato.fecim@gmail.com

www.fecim.com.br

Jornalismo, Anistia e Direitos Humanos

inscrições ao 34º Prêmio Vladimir Herzog

Categoria Especial tem como tema “Criança em situação de rua” e envolve todas as mídias

Até 3 de agosto, jornalistas de todo o Brasil poderão inscrever suas matérias para concorrer ao Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Considerado entre as mais significativas distinções jornalísticas do país, o Prêmio Vladimir Herzog reconhece, ano a ano, trabalhos que valorizam a Democracia, a Cidadania e os Direitos Humanos nas mais variadas mídias.

A participação é aberta a todos os jornalistas profissionais brasileiros, devidamente registrados no Ministério do Trabalho e Emprego (MTb). São nove categorias: Artes (ilustrações, charges, cartuns, caricaturas e quadrinhos), Fotografia, Documentário de TV, Reportagem de TV, Rádio, Jornal, Revista, Internet e Categoria Especial (envolve todas as mídias) que, neste ano, tem como tema Criança em situação de rua.

Para concorrer, os candidatos devem se inscrever através do  www.premiovladimirherzog.org.br preenchendo a ficha cadastral e anexando sua obra, publicada no período compreendido de 2 de setembro de 2011 a 3 de agosto de 2012.

Pela primeira vez em todas as edições do Prêmio, a escolha dos vencedores será realizada em sessão pública, com transmissão ao vivo pela internet. O julgamento dos trabalhos será dia 10 de outubro, na Sala Sérgio Vieira de Melo da Câmara Municipal de São Paulo. A cerimônia de premiação acontecerá dia 23 de outubro, às 19h30, no Tuca (Teatro da Pontifícia Universidade Católica), em São Paulo.

 

Prêmio Especial Vladimir Herzog 2012

Desde 2009, a Comissão Organizadora indica um jornalista para ser agraciado com o Prêmio Especial pelos relevantes serviços prestados à causa da Democracia, da Paz, da Justiça e contra a Guerra. A iniciativa das instituições promotoras retoma proposta original do Prêmio, concebido em 1978, que previa tal homenagem a personalidades ou jornalistas que jamais inscreveriam seus trabalhos em qualquer tipo de concurso.

Já foram homenageados com o Prêmio Especial Vladimir Herzog os jornalistas Lourenço Diaféria (in memoriam), Perseu Abramo (in memoriam), David de Moraes, Audálio Dantas e Elifas Andreato. Neste ano, em caráter excepcional, foram indicados dois grandes nomes da imprensa brasileira: Alberto Dines e Lúcio Flavio Pinto.

Professor e escritor, o nome de Alberto Dines é um ícone da profissão por conta de sua integridade e compromisso com a verdade. Com atividade contínua ao longo de 60 anos nos principais jornais do país, criou, em 1996, o site Observatório da Imprensa – primeiro noticiário de análise e crítica da mídia no Brasil, com espaço aberto a discussões com jornalistas e universitários. Lúcio Flavio Pinto é hoje um dos jornalistas mais perseguidos por conta de sua trajetória corajosa e das denúncias que faz à frente do seu Jornal Pessoal (PA). Respondendo a inúmeros processos judiciais diante da censura que lhe é imposta pela justiça do Pará, segue lutando, de forma exemplar, para manter uma publicação independente que contraria interesses hegemônicos.

 

A 34ª edição do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos é promovida e organizada por 11 instituições: Associação Brasileira de Imprensa – Representação em São Paulo – ABI/SP; Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo – ABRAJI; Centro de Informação das Nações Unidas no Brasil – UNIC Rio; Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo; Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo – ECA/USP; Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ; Fórum dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo; Instituto Vladimir Herzog; Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo – OAB/SP, Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo e Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo.

Contando com apoio institucional da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e da Câmara Municipal de São Paulo, a edição deste ano tem patrocínio da Petrobras, Banco do Brasil e Souza Cruz. A curadoria está a cargo de Ana Luisa Zaniboni Gomes, jornalista e diretora da OBORÉ. A assessoria de imprensa é da CDI Comunicação Corporativa e dos departamentos de comunicação das instituições promotoras.

 

SERVIÇO

34º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos

Inscrições: www.premiovladimirherzog.org.br
Prazo: até 3 de agosto  Divulgação dos resultados: 10 de outubro
Solenidade de premiação: 23 de outubro, terça, às 19h30
Local: TUCA – Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Rua Monte Alegre, 1024, Perdizes.

INTERCOM do Nordeste em Campina Grande

XII Congresso de Ciências da Comunicação na Região Nordeste

Tema: Comunicação, Cultura e Juventude


De 10 a 12 de junho

INSCRIÇÕES de Trabalhos até 7 de maio

Universidade Estadual da Paraíba – Campina Grande – PB

Os trabalhos serão apresentados em sessões correspondentes  de acordo com sub-áreas temáticas  que agrupam os diversos campos comunicacionais na área científica da Intercom. Para melhor compreensão de onde apresentar o trabalho consulte as ementas das sub-áreas das Divisões Tematicas. São elas:

DT 1 – Jornalismo
DT 2 – Publicidade e Propaganda
DT 3 – Relações Públicas e Comunicação Organizacional
DT 4 – Comunicação Audiovisual
DT 5 – Multimídia
DT 6 – Interfaces Comunicacionais
DT 7 – Comunicação, Espaço e Cidadania
DT 8 – Estudos Interdisciplinares

Quanto mais surgem novas mídias, mais é preciso reafirmar a importância dos intermediários e de seu profissionalismo.

Dominique Wolton Desconstrói Utopias Digitais

A internet é mesmo a grande revolução prevista por certos teóricos? Em seu novo livro, Informar não Comunicar, o sociólogo francês Dominique Wolton joga um balde de água fria nas utopias digitais, que cravaram que as novas tecnologias iriam resolver todos os problemas da comunicação. Para o prestigiado pesquisador do CNRS (Centro Nacional de Pesquisas Científicas, na sigla em português), fundador e diretor da revista Hermès, confundiu-se os – indiscutíveis – avanços técnicos de transmissão da informação com a nossa capacidade de absorvê-los e nos adaptarmos às mudanças.

O resultado é paradoxal: mais rápido avançam as tecnologias, mais lento é o nosso progresso na comunicação. Wolton não nega a importância das novas ferramentas, mas desconstrói a ilusão de que a internet possibilitará um conhecimento sem intermediários. Ao contrário do espaço de integração e pluralidade idealizado por alguns, vê um sério risco de segmentação: usuários isolados em suas ilhas, ou limitados a seus grupos de afinidades, incapazes de dialogar com valores diferentes dos seus.

Antes que o acusem de conservadorismo, vale lembrar que o pensador defende, na verdade, uma visão mais humanista da comunicação, que coloque o indivíduo acima das tecnologias. Pede com urgência que a comunicação seja vista como um projeto político e cultural, para que possa enfim produzir um melhor entendimento entre os homens num mundo cada vez mais multipolar.

Os avanços da comunicação deflagraram a nossa dificuldade de se comunicar?

Há um descompasso entre a velocidade e o volume de informações aos quais temos acesso todos os dias e nossa capacidade de se comunicar. As informações avançam rápido, já a comunicação, muito devagar. Identificamos erroneamente as técnicas de comunicação ao progresso, e esquecemos da complexidade do homem. A comunicação é uma das apostas científicas do século 21: precisamos gerar nossas diferenças, coabitar, muito mais do que dividir o que temos em comum. O desafio é tomar consciência que a comunicação deve conviver pacificamente com as novas tecnologias da mesma maneira que a ecologia. O mundo finalmente deu atenção à ecologia, agora é preciso também ficar atento às ciências sociais da comunicação.

Quais são os maiores perigos da visão tecnicista da comunicação?

É uma visão que contém riscos porque cria uma confusão entre o que é informação e o que é comunicação. Não apenas releva a capacidade crítica do receptor exposto à mensagem, mas também a sua resistência a uma visão diferente do mundo. É preciso aceitar a idéia de que a comunicação também possui uma dimensão política e cultural. Se aceitamos que a ecologia deve ser um assunto político, por que não a comunicação?

Os ideólogos da revolução digital defendem que a internet pode produzir uma democracia mais direta, emancipada das instituições, e que se autorregulamentaria sem a necessidade de intermediários. É uma ideia populista?

É uma ideia democrática apenas na aparência. A internet ressuscitou a utopia da democracia direta. É ingênuo, porque se você não tem intermediários, é o dinheiro e as minorias que dominam. Não existe democracia sem intermediários: políticos, jornalistas, professores, médicos… A televisão comunitária existe há pelo menos 20 anos e não resultou na democracia direta. A mídia está cada vez mais interativa, mas não melhorou em nada. Para que haja democracia, é preciso haver eleições. Aliás, eleições servem para eliminar aquilo com o que não concordamos.

A internet é defendida como um agente do pluralismo. Mas o senhor vê um risco de conformismo, submissão ao receptor e às modas. Até agora, o digital contribuiu mais para uma homogeneização da mídia?

A internet pode se transformar em um espaço onde todo mundo pensa a mesma coisa, pois cada um se fecha em sua comunidade. Mas se for regulamentada, poderá refletir o pluralismo da sociedade. Aconteceu o mesmo na história da política, da ciência ou da arte. A comunicação é um projeto político. Com a internet, corremos o risco de entrar no comunitarismo: as comunidades se prendem em suas próprias afinidades, sem dar atenção a outras possibilidades. A comunicação é uma ida e volta, é preciso negociar as diferenças.

Em resposta à utopia de integração, o senhor aponta as “solidões interativas”…

Não podemos negar que a internet trouxe uma abertura formidável. Mas depois de um tempo, pode virar prisões individuais: as pessoas se trancam e não se comunicam com valores diferentes dos seus. A web é um sistema de informação baseado na demanda, enquanto as mídias clássicas se baseiam na oferta. A web não ultrapassa a demanda, e com isso produz uma segmentação. Por outro lado, as mídias clássicas enriquecem a demanda com a oferta.

Qual foi a verdadeira influência da internet nas últimas eleições presidenciais americanas?

Já se disse muita besteira sobre a campanha de Obama. Na verdade, ele percebeu a importância das redes sociais e se serviu delas. Mas era algo que já existia muito antes, pelos meios clássicos. Não foi a internet que deu a largada para o militantismo, ela simplesmente acelerou um sentimento que já existia na população.

O senhor afirma que o jornalismo é uma profissão, exige formação. Como vê a decisão da Justiça brasileira de anular a necessidade de diploma para praticar o jornalismo no país?

O jornalismo é uma profissão que exige responsabilidade, uma maneira de ver o mundo. É importante que ela mantenha as portas abertas para os mais jovens. Mas acreditar que ela pode acolher todo mundo, mesmo aqueles que não conhecem as dificuldades do métier, é uma visão demagógica, que pode vulgarizar o ofício. Quanto mais surgem novas mídias, mais é preciso reafirmar a importância dos intermediários e de seu profissionalismo.

Os jornalismo impresso vai acabar?

Cada um tem seu lugar. A internet tem como aspecto positivo a sua capacidade de ser um instrumento de contrapoder e, como negativo, a sua segmentação. Já as mídias clássicas são positivas por se abrir a todos, mas negativas por serem generalistas demais. Precisamos de cada um dos dois em suas visões positivas. Cada mídia tem sua cultura e competência.

* Texto de Bolívar Torres, do JB